sexta-feira, 21 de novembro de 2008

VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS

NÓS PAGAMOS PARA ELAS GOZAREM

João Eichbaum

Olhem só que maravilha essa comunicação feita pela ANAMAGES (Associação Nacional dos Magistrados Estaduais):

“O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios disciplinou a licença maternidade de seis meses para suas magistradas e servidoras.
A medida, de grande alcance social, como bem salientado de sua tramitação no Congresso trará, com toda certeza, benefícios à mãe magistrada e aos filhos.
A regulamentação se deu por ato administrativo por ter aquela corte entendido que a matéria não está adstrita a edição de norma legal local.
A magistratura estadual espera que o exemplo seja seguido pelos demais Tribunais.
Diretoria da Anamages”


“PORTARIA CONJUNTA N. 042, DE 02 DE OUTUBRO DE 2008.

Dispõe sobre a extensão do prazo da licença à gestante e à adotante.

O PRESIDENTE, O VICE-PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS E O CORREGEDOR DA JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, no uso de suas competências legais e tendo em vista o disposto no art. 7º, inciso XVIII, da Constituição Federal, arts. 207 e 210 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e arts. 1º, 2º e 4º da Lei 11.770, de 09 de setembro de 2008, resolvem:
Art. 1º A licença à gestante será concedida às magistradas e servidoras pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias.
Art. 2º Em caso de adoção ou guarda judicial, o prazo de afastamento será de 135 (cento e trinta e cinco) dias, em se tratando de criança com idade igual ou inferior a 01 (um) ano.
Parágrafo Único. O prazo prescrito neste artigo será reduzido para 45 (quarenta e cinco) dias, caso a criança tenha idade superior a 01 (um) ano.
Art. 3º A licença adotante somente será deferida após requerimento da interessada, acompanhado de documentação hábil a comprovar a existência dos pressupostos à concessão do direito.
Art. 4º A magistrada e a servidora, cuja licença à gestante ou adotante tenha duração expirada a partir do dia 10 de setembro de 2008, serão contempladas com a adição do saldo remanescente da aplicação dos ditames deste ato.
Art. 5º Durante o período de extensão da licença-maternidade de que trata a Lei n. 11.770/2008, a magistrada ou a servidora não poderá exercer qualquer atividade remunerada e a criança não poderá ser mantida em creche ou organização similar.
Parágrafo único. Em caso de descumprimento do disposto no caput deste artigo, a magistrada ou a servidora perderá o direito à prorrogação, fazendo jus apenas ao período previsto nos artigos 207 e 210 da Lei nº 8.112/90, devendo haver a devida compensação financeira, caso a licença já tenha adentrado no período de extensão.
Art. 6º Esta Portaria entra em vigor a partir de 10 de setembro do corrente ano, data da publicação da Lei nº 11.770/2008.

Desembargador NÍVIO GERALDO GONÇALVES.”
Observem o que diz o texto: “a medida, de grande alcance social, como bem salientado de sua tramitação no Congresso trará, com toda certeza, benefícios à mãe magistrada e aos filhos.”
“De grande alcance social...trará benefícios à mãe magistrada e aos filhos” . Esse é o “alcance social”: o benefício da magistrada e de seus filhos.
É preciso comentar alguma coisa?
Sim, só mais uma coisa, para quem não sabe: os magistrados e magistradas gozam de sessenta dias de férias por ano, para descansar das assinaturas que apõem nas sentenças e nos acórdãos elaborados por estagiários, assessores e secretários. Uma magistrada, que tenha parido ficará, portanto, nada menos do que oito, dos doze meses do ano, curtindo seu rebento às nossas custas, relaxando e gozando...
E quem precisar de justiça célere que se foda, porque é assim que se faz filho.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

COLUNA DO PAULO WAINBERG

A BELEZA QUE PÕE MESA
Paulo Wainberg





Conheço centenas de pessoas, isto é fato. E é fato também que nenhuma delas, homens e mulheres, é vaidosa. Ao contrário, dizem que não se importam com aparência, que o que interessa é o conjunto da pessoa, que beleza não põe mesa e que a questão estética é secundária.
Por que, hein?
O que faz as pessoas se envergonharem da própria vaidade?
Parece que desejar ser bonito é vergonhoso, que a beleza pessoal tem de ser de somenos e que agradar pela aparência não vale.
Por que?
Por acaso alguém nunca se olhou no espelho e gostou do que viu? Não é que você mudou o penteado, treinou olhares e perfis, ajustou o timbre da voz, vestiu-se de forma provocante ou viril, pensou que uma pequena correção no nariz cairia bem, olhou o tamanho do muque no braço e outros tamanhos, disfarçou os lábios finos com um bigode e saiu por aí captando olhares apreciativos na sua direção?
Não é?
Hein?
Cabelos ou falta de cabelos não são um elevado momento, no seu dia a dia? Ah se você tivesse um topete, ah se você tivesse cabelo liso, ah se seu cabelo tivesse cachos! Carecas disfarçam-se raspando os cabelos das têmporas, crespos raspam-se porque carecas agradam, mulheres gastam o salário delas nos cabeleireiros, costureiros, em lojas e com berloques.
Entretanto, ao vivo, ninguém reconhece que se importa com isso, ser feio ou bonito não faz diferença, o ser humano é muito mais do que um rosto bonito.
Até parece.
Eu confesso minha vaidade. Quando eu era bonito adorava um espelho e passava um bom tempo arrumando o penteado, ensaiando poses. E vibrava com os olhares femininos admirando minha beleza.
“Que homem lindo” era coisa que eu adorava ouvir, quando passava, quando entrava e quando saia.
Quer coisa melhor do que ouvir um elogio estético?
As mulheres não adoram quando as chamam de lindas, gostosas, a nora que minha mãe sempre sonhou e outros elogios, desde que ditos com delicadeza e na hora apropriada?
Hoje não sou mais bonito, apenas elegante, charmoso e sensual, mas palavra de honra que sinto falta daqueles “que homem lindo!” que estava acostumado a ouvir.
Viste? Falei com toda a sinceridade e não doeu. Você pode fazer a mesmíssima coisa e acabar com esse teu tabu social.
A beleza física existe, é importante e merece ser mostrada e admirada. Tecnicamente falando, pouquíssimas pessoas são fisicamente feias, tomando-se a feiúra no sentido mais dramático da palavra. Eu, pessoalmente, não conheço ninguém feio, homem ou mulher. Há as mais bonitas, as deslumbrantes e tal, porque as pessoas que já vi tem sempre uma beleza a ser apreciada.
O que você não pode fazer é afrontar os outros com a sua beleza. O rosto bonito é aquele que se mostra de forma implícita, não é arrogantemente exibido como a grande verdade da vida que tudo sabe e a todos conquista. Você não pode ser um “convencido”, o chato que se acha o maioral por causa dos traços fisionômicos, do corpo musculoso ou das curavas esculturais. Se você tiver esses atributos, use-os a seu favor e não como um desafio, um repto ao restante da humanidade menos favorecida.
Mostre-se de forma adequada e aproveite a admiração alheia ou, como dizia minha avó, não se mostre, deixe que mostrem você.
Largue de mão idéias anacrônicas como: “homem não acha homem bonito” ou “mulher se enfeita para mulher” porque são frases mentirosas embutidas em preconceitos impregnadas de falsas modéstias.
Aqui entre nós dois – e que ninguém nos ouça – existe coisa mais brega do que a falsa modéstia? Além de desonesta, a falsa modéstia afronta a realidade, você nega o que a realidade mostra em nome de um... de uma... sei lá, em nome de alguma coisa qualquer que já se perdeu na famosa e sempre renovada poeira dos tempos.
Não se exiba, não ostente, não se vanglorie e você estará sendo modesto na medida certa.
Neste momento da minha vida em que o grande Poetinha está exercendo grande influência, ouso parafraseá-lo para afirmar que feias não existem e, por isso, a beleza é fundamental.
A propósito de uma brincadeira, um amigo mandou um e-mail dizendo que “doideira tem hora, tempo e espaço” para ser cometida.
Tenho que discordar porque aquilo que tem hora, tempo e espaço pode ser qualquer coisa, menos doideira. Doideira – ou a loucura saudável – é fazer algo inusitado, fora de prumo, criativa e além de hora, tempo e espaço, meu caro.
Não seja um falso modesto, você não precisa disto, admita suas loucuras, deixe de lado as condições, os imperativos e as normas. Ouse transgredir em benefício próprio sem prejudicar outrem, entendendo-se por “outrem” qualquer um que não seja você. É isso.
O que uma coisa tem a ver com a outra? Sinceramente? Não sei.
Modestamente.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS

ANISTIA PARA JOÃO GOULART
João Eichbaum

Você já tinha ouvido coisa semelhante? Anistia para defunto. Desde quando defunto necessita de “anistia”? Para que lhe irá servir uma “anistia”?
Pois o defunto João Goulart foi “anistiado”, segundo notícias de jornal.
Segundo os jornais, “a decisão foi tomada em julgamento da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça”, cujo presidente, um tal de Paulo Abrão, informa que a “anistia a Jango representa um pedido de desculpa do Estado”.
Toda essa farsa só tem uma finalidade: usar o nosso dinheiro para pagar uma pensão mensal no valor de CR$ 5.400,00 para a pobre viúva do João Goulart, a muitíssimo conhecida Maria Teresa Goulart, que já teve seus tempos de glória! Esse valor, segundo o jornal “corresponde ao salário de um advogado sênior”. E acrescenta o jornal: “Goulart era bacharel em Direito”.
Pera aí! Vamos por partes. Bacharel em direito é uma coisa. Advogado é outra. Sei que o João Goulart era bacharel em direito porque vi com meus próprios olhos, durante os cinco anos que freqüentei a Faculdade de Direito da Urgs, sua fotografia no quadro de formatura da turma de 1936. Mas daí a ser ele “advogado”, ah isso nunca foi!
João Goulart, ao que se saiba, nunca trabalhou na vida, nem como advogado, nem como qualquer outra coisa. Ele sempre foi político, criado à sombra de outro que só conheceu o batente por pouco tempo, como promotor público, nomeado de favor, sem prestar concurso, o Getúlio Vargas, o qual depois se atirou no “dolce far niente” da politicagem pelo resto da vida. Ambos, João Goulart e Getúlio eram filhos de fazendeiros, herdeiros de bens de raiz. Bens esses de que participou o cunhado Brizola, que, bem casado, também não precisou trabalhar, como nós, simples mortais.
Agora você, meu caro, que a única coisa que conheceu na vida foi o batente, e contribuiu rigorosamente para a Previdência Social, você é tratado a salário mínimo por essa mesma Previdência Social, que nunca recebeu um puto vintém do João Goulart.
Ah, e a pobre viuvinha, que hoje já não tá com nada, também foi “anistiada” com uma indenização no valor de 480 salários mínimos. Alguém aí da platéia pode me informar o que é que ela fez para ser “anistiada”? Quem tinha que anistiá-la era o próprio e manso João Goulart e não o Estado.
Só um detalhe: à testa desse “Ministério da Justiça” está um senhor chamado Tarso Genro, que também esteve no “exílio” e era companheiro político do João Goulart.
Eles chegaram ao poder, gente, e agora não nos dão segurança, saúde, educação, porque falta dinheiro. Só não falta dinheiro para a companheirada. Ah, sim, e para anistiar defuntos...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

COLUNA DO RUY BURIN

O OZIEL E O TRIBUNAL ECLESIÁSTICO DE GOIÂNIA

Ruy Luiz Burin

O Oziel é padre. Ou foi Padre. Padre Oziel. Preto, bem apesssoado, lá pelas tantas achou que tinha encontrado a sua outra metade, uma senhora branca, e com ela juntou os travesseiros. E tem, desde já vinte e poucos anos de convivência, cinco belos filhos. Nesse tempo, desde que se “casou”, continuou a merecer a confiança de seu rebanho e, convidado para ministrar batismos, núpcias e outros sacramentos, o fez com carinho e classe. Vestido a rigor em seu “clergy man” apresenta-se perante as câmaras assegurando: “cada vez que eu era convidado para ministrar os sacramentos, e os sacramentos não são meus, são da Igreja, eu sempre deixei bem claro que a minha condição era e é de padre casado, com cinco filhos”. E, mesmo assim, as ovelhas de seu rebanho nele confiaram e dele receberam os ministérios da vida. Pois, para espanto de brasileiros e brasileiras de todos os matizes, e de todas as cores, Oziel se viu metido, nessa semana, no centro de um tornado teológico, já que o Egrégio Tribunal Eclesiástico de Goiânia, arquidiocese da residência de Oziel, Pe. Oziel, comunicou ao respeitável público que o Pe. Oziel estava “demitido”. E que, além de não poder mais ministrar o que ministrava, ainda determinava que estavam cassadas todas as validades de casamentos, batizados, bênçãos e outras quinquilharias de seu já agora fajuto ministério. E o Povo de Deus, ou ao menos eu, um dos que se acreditam entre esse Povo, ouviu atônito que o Tribunal já decidira tal situação em maio desse ano, e agora, passados mais de seis meses, comunicava a demissão do Oziel. Do Pe. Oziel. E com isso o ex-celibatário sacerdote estava a perder uma de suas parcas provisões, já que os ministérios eram ou cobrados ou objeto de regalos variados, de parte dos contratantes: de casamentos, batizados, bodas de ouro, de prata, de bronze, de lata. E outras bênçãos mais baratas.
O que é fantástico, nisso tudo, é o conjunto guitarreiro dessas estrepolias de religiosos envolvidos com fiéis de todos os matizes, e não somente dos matizes mais escuros, como Oziel. Primeiro, Oziel, aliás Pe. Oziel, não é “sacerdos in aeternum secundum ordinem Melchisedec?” Só depois de vinte, vinte e cinco anos de casado, vida concubinária pública e notória, com cinco filhos bem orientados, e uma jovem senhora firme e forte, só depois disso a Santa Igreja Católica Apostólica Romana se dá ao luxo de um julgamento? E, o que é pior, só depois de seis meses da sentença pronunciada intima Oziel para dizer-lhe que está demitido. Demitido do que? Das santas ordens? Do seu ministério? Mas que ministério? Nada sabia até aí a organizada Arquidiocese de Goiânia ?
Por essas e outras estamos necessitando de um teólogo para nos dizer a definição desse imbroglio. Nenhum de nós desconhece que, através de certos trâmites, o sacerdos pode pedir a sua retirada e, apeado da vida religiosa, bandear-se para a vida leiga, formar família, seguir o seu caminho. Mas, no caso do Oziel, o que aconteceu? Por que foi ele soberbamente, olimpicamente ignorado? Por causa da cor de sua pele? Pela simpatia que transparecia e pelo carisma que ainda guardava no trato com seus fiéis? Que diabos de Tribunal Eclesiástico é esse que agora vem com essas falácias, com essas enganações? Onde fica Oziel com seu ministério? Demitido? Leva direito de aposentadoria? E os sacramentos que ministrou, e que fez questão de dizer, alto e bom som, a quem o contratava, que não eram dele mas sim da Igreja a que servia? Como ficam os corações dos que receberam tais sacramentos? Todos imprestáveis ou inválidos, mesmo? E aquelas pessoas que confessaram que entendem foram válidos e válidos estão os cristãos batizados, casados e abençoados por Oziel? Não cabe uma palavra aos devotos da Arquidiocese, aos fiéis já agora, parece, um pouco desconfiados de tudo o que faz a Igreja Católica Apostólica Romana? E ainda querem que o Judiciário seja expedito e rápido. Mas o Sacro Tribunal levou seis meses para intimar Oziel. Oziel teve a oportunidade para se defender? E o Direito Constitucional de Oziel de ampla defesa? Valham-me os teólogos, os eruditos, os fiéis de todos os credos. Só peço uma coisa: salvem o Oziel.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

COLUNA DO PAULO WAINBERG

O ENTROITO E O ASSUNTO
Paulo Wainberg



Ainda não sou avô, mas neto eu já fui. E tenho muitos amigos que já são avós e se dão muito bem.
Se por acaso minha filha e meu genro acharem que estou mandando alguma mensagem, que há segundas intenções nesta crônica ou qualquer tipo de sugestão ou pedido encarecido com implícita ameaça de deserdá-los imediatamente, estarão absolutamente certos.
Sutilmente falando, é isto mesmo!!!
Acredito firmemente que as tradições, ao lado das religiões, integram o elenco principal dos principais causadores das tragédias humanas.
Sem mais delongas vou logo afirmando que a tradição é o obscurantismo posto em prática e todo o movimento tradicionalista é um anacronismo sempre atual o que, embora pareça, não é um paradoxo.
Alguém deve ter dito antes de mim que nada melhor do que a prática para explicar a teoria. Se ninguém disse então você está diante de um ineditismo raro de se conseguir, nos dias de hoje.
Portanto, à prática, deixando claro que você não pode confundir Tradição com História. História é a memória dos fatos passados utilizada para evoluir, evitar erros repetidos e, também para compreender o presente: a História e suas versões...
Tradição é o culto repetido de hábitos antigos, ultrapassados e em desuso no contexto, evocada em datas ou locais definidos onde as pessoas agem como se o tempo não existisse, falam e se comportam como se vivessem na pré-história e nada de útil obtém, salvo um duvidoso e efêmero divertimento.
Até aí tudo bem, não fossem as trágicas conseqüências que as seitas tradicionalistas provocam.
O primeiro deles é a separação dos povos. Porque cada povo teima em preservar as próprias origens, vivendo como viviam seus antepassados, sem permitir a integração, a interação e promovendo, pois, a desconfiança, o medo e, rapidamente, a intolerância.
Por qual razão as massas estão sempre à procura de suas origens para identificar a própria existência é que coisa que não compreendo. Qual diferença positiva existe no fato de uns povos descenderem da Europa Central, outros da Índia e assim por diante? A tradição é instrumento para a discriminação, isto é, a prática do sentimento de racismo que é inerente ao ser humano. Ao choque de culturas. Aos desejos imperiosos de dominação, uma cultura prevalecendo sobre a outra, portanto a guerra.
São a História e suas versões que demonstram que as atrocidades humanas foram cometidas em nome da tradição e da religião, as piores delas, as mais mortíferas e genocidas.
Não foi em nome de preservar a grande tradição do povo alemão que Hitler conquistou a maioria no Parlamento e elegeu-se Chanceler do Reich afundando o mundo numa guerra dantesca e promovendo o Holocausto?
Não foi em nome da grande tradição francesa que Napoleão assolou a Europa?
Mais próximos de nós, não é em nome da tradição gaúcha que os seus centros de tradição não aceitam manifestações homossexuais e nem mesmo novas expressões musicais, num evidente e ilegal exercício de discriminação?
Isto ocorre porque a Tradição não aceita a mudança, recusa a evolução e exige fidelidade absoluta aos hábitos e costumes seculares sob o pretexto de “manter a identidade” que pode ser religiosa, política, racial e cultural.
Como exercício, imagino os povos desapegados de suas origens e tradições, sem prescindir – repito – do registro da História.
A humanidade, de forma natural e sem sobressaltos se auto-assimilaria unindo as diversas etnias (atributos biológicos naturais) constantemente até que, dispensando guerras, atentados e terrorismo, o planeta fosse habitado pela “raça humana”, solidária, participativa e integrada.
As diferenças estariam ao serviço das variações climáticas e seriam processadas não como cultura, religião ou tradição e sim por razões de sobrevivência, pura e simplesmente.
A imigração não levaria consigo tradições a serem cultivadas como lembrança da “boa e velha pátria mãe”, na maioria dos casos não tão boa assim e de triste lembrança. Colônias migrantes não teriam tradições a cultuar, criando núcleos fechados, pequenos países resistentes à assimilação dentro dos territórios alheios.
A palavra “xenofobia” provavelmente jamais teria sido inventada e as fronteiras seriam totalmente abertas. Crimes como o “contrabando” não existiriam, assim como movimentos separatistas ou a guerra no Oriente Médio.
Saberíamos que os gaúchos usavam bombachas, lenço no pescoço, as “prendas” usavam vestidos de tule e botinas e, nos bailes faziam a dança do pezinho. Legal, para uma festa à fantasia.
Saberíamos que em outubro, na festa do chope, ninguém precisa usar chapéu de tirolês.
As mulheres árabes andariam de rosto exposto, a África seria um continente civilizado e, muito provavelmente, sequer existiriam as bolsas de valores.
As diferenças seriam respeitadas porque existem diferenças. Os seres humanos não são exatamente iguais, porém, e nisto consiste o cerne da questão, ao meu humilde ver, as pessoas não são melhores ou piores do que as outras. Diferentes sim, melhores não. Com ressalva às patologias.
Mas os cultores das tradições justificam-se com uma frase que... vou te contar: “O que vamos dizer aos nossos netos?”. Quer dizer, eles são tradicionalistas para contar aos netos.
E desde quando avós têm algo a dizer que interesse aos netos? Avô existe para brincar com os netos e satisfazer todas as vontades deles. Nenhum neto que se preze, a partir da idade em que coisas sérias devem ser-lhes ditas, dá a mínima bola para coisas sérias que seus avós quiserem dizer.
Eu não dava, meus amigos não davam e os netos deles não dão.
De volta ao entroito: Quero netos para brincar e satisfazer todas as vontades deles.
Ouviram, vocês dois?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

PORQUE NÃO ACREDITO NA JUSTIÇA

TUDO POR NOSSA CONTA
João Eichbaum

“O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a responsabilidade do Estado pela proteção e segurança dos presos sob a sua guarda. O entendimento da maioria dos integrantes da Primeira Turma garante à mãe de um jovem morto em uma carceragem do Espírito Santo receber R$ 10 mil mais uma pensão mensal de dois terços de salário mínimo até a data em que ele completaria 65 anos. Ele morreu com 20 anos. No recurso, o Estado do Espírito Santo tentava reverter sua condenação a indenizar a mãe do rapaz, assassinado em 2002, na Unidade de Integração Social de Cariacica (ES).”
Quando as pessoas reclamam que só existem direitos humanos para os presos, há um silêncio geral no palco onde desfilam os palhaços, os defensores dos marginais.
E esse silêncio só tem uma razão: não há argumento algum para sustentar esse absurdo.
Pois agora, esse templo de vaidades, conhecido como Superior Tribunal de Justiça, onde o menos que se faz é justiça, decidiu o que vocês leram acima: o Estado tem que indenizar os familiares de um preso morto, porque ele é o responsável “pela proteção e segurança dos presos”.
E a nossa segurança, pessoal, quem é responsável por ela? Experimente ir a qualquer juízo ou tribunal, responsabilizando o Estado pela assassinato de um ente querido na via pública, por exemplo, que é próprio do Estado (em sentido amplo). Os juízes deste Brasil responderão que o Estado não tem obrigação de fornecer a segurança para cada cidadão em particular.
Então, pelo cidadão em particular, o cidadão que paga impostos, o Estado não é responsável. Ele só é responsável pela segurança dos marginais, exatamente aqueles que não passam de peso morto, que não pagam imposto algum e, pelo contrário, vivem às custas da Fazenda, isto é, à custa do nosso trabalho, sem nada o que fazer na vida, com direito a casa, cama, comida, esporte, televisão e uma mulherzinha, de vez em quando, na “visita íntima”, para não perder a forma.
Em nada disso pensaram os juízes do tal Tribunal.
Ser juiz é fácil, principalmente juiz dos Tribunais Superiores. Basta ser amiguinho dos políticos. O difícil mesmo é ser responsável, é ter bom senso, é saber usar do poder em favor da sociedade, que paga o salário dos magistrados.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

COLUNA DO RUY BURIN

É com invulgar satisfação que anunciamos um novo colunista neste blog: Ruy Luiz Burin, Procurador de Justiça aposentado, músico, de excelente formação humanística, como se poderá constatar.

PENA NÃO SEJA O ARQUEIRO, ESSE GILMAR
ou
O MINISTRO QUE QUER APARECER

RUY BURIN

A bandidagem só faz festa! É um regozijo só. Pudera. Está a seu lado, com toda a sua espalancada autoridade de Chefe do Poder Judiciário da Nação, nada menos que o Ministro Gilmar. Pois Sua Excelência que também atende por Mendes, e vamos esclarecer que esse Gilmar é o Mendes e não o nosso glorioso guarda-valas campeão do Mundo que é muito melhor e muito mais confiável, deu de se meter em desaguisados vários, com o Ministro da Justiça, com a Polícia Federal, com o raio que o parta. Começou por reclamar que estava com seus telefones grampeados, e que isso era um abuso, um atentado ao estado democrático de direito, um acinte a um Chefe de Poder. Grampear os meus telefones, diz Gilmar, furioso perante as Câmaras? Mas onde estamos? Que país é esse?
Primeiro, e antes de mais nada, convém responder a Sua Excelência que o bons cidadãos desse país estranharam muito a sua colocação exageradamente legalista. Até a bandidagem mais explícita estranhou, ou melhor, ficou estupefata. Diga-se, a propósito, bandidagem de todos os naipes. Colarinho branco, políticos ladrões, mensaleiros espertos, políticos imbecis e não tão espertos assim, todos estranharam. Mas, a seguir, num coro só, exultaram. Finalmente alguém de gran coturno apoiando a turba. Finalmente.
E a nação assiste, então, perplexa, a mais uma encenação. A imprensa vendida e sem culhões, cambada de aproveitadores, todos aplaudem Sua Excelência. Ninguém lhe diz, alto e bom som, que a grampeação dos telefones do Ministro não é lá grande coisa, se o Ministro é limpo, incorruptível, não tem o rabo preso. Mas por que Sua Excelência berra? Tem o rabo preso Sua Excelência?
Dizem-me amigos que nas conversas gravadas pode ocorrer algum deslize, digamos, de falta de fidelidade explícita. Vá lá, de foro íntimo, como se diz por aí. Ou ainda, de futricas várias, coisas do Poder, fabriqueta bem fornida de invejas e malquerenças.
Mas isso justificaria o trovejar do Ministro? Parece normal a sua desbragada reação? Não foi demais? E, se foi, não teria outra forma mais elegante de estancar a ilegalidade?
Por essas e por outras Sua Excelência está, entre os cidadãos de bem, onde me incluo, graças a Deus, seriamente comprometido. E, o que é pior, comprometendo toda uma plêiade de advogados, Juízes, Promotores e Procuradores de Justiça e da República, Desembargadores, Ministros, e todos quantos fazem de nossa já desacreditada Justiça, ou melhor, Poder Judiciário Brasileiro, a obsessão de sua vida, nela servindo com pureza, dedicação ímpar, exação ao dever, seriedade completa. Salvo as desonrosas exceções, que as há sempre em qualquer covil humano.
Pois, com tudo isso a bandidagem, já até aqui assoalhada por legislação penal frouxa, leniente, vergonhosamente branda, se regozija. E esse conjunto de normas é sempre produzido com a única finalidade de facilitar os criminalistas de defesa, que tem uma força macabra no enredo dessa tessitura.
Sua Excelência o Ministro alguma vez se insurgiu contra isso? Não há registro. O que há, sim, é, novamente, ver-se Sua Excelência desancando a voz efeminada contra a Polícia Federal, acabando a Nação por assistir dobrar-se o Ministro da Justiça à voz do Chefe de Poder, que não é o dele, e transmudar o presidente do inquérito, o Delegado Protógenes, de chefe de inquérito acusador em réu. Novas boas risadas dos bandidos de todos os quadrantes. E nós, aqui, impotentes, vendo tudo isso, e rogando aos céus que nossos filhos e netos tenham um país diferente, longe das cuecas com dinheiro e desvios de todo o tipo. Valha-me Deus, Nossa Senhora! Pobre país.