LULA e JESUS CRISTO
Lula discursava para dezenas de milhares de pessoas no Anhangabaú em São Paulo , quando, de repente, aparece Jesus Cristo baixando lentamente do céu.
Quando chega ao lado de Lula, lhe diz algo ao ouvido. Então, Lula dirigindo-se à multidão diz: - Atenção companheiros.....! O companheiro Jesus Cristo aqui, quer dizer algumas palavras para vocês.
Jesus pega o microfone e diz: - Povo brasileiro, este homem que tem barba como eu, não lhes deu pão, da mesma forma que eu fiz....?
O povo responde:
- Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim !
-Não é verdade que, assim como eu multipliquei os pães e peixes para dar de comer a todos, este homem inventou o Fome Zero para que todos pudessem se alimentar.....?
Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim ! Respondeu o povão.
-Não é verdade que ele assegurou tratamento médico e remédios para os pobres, assim como eu curei os enfermos....?
O povo grita:
Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim !
-Não foi traido por companheiros de partido, assim como eu fui traido por Judas....?
O povo gritou ainda mais forte:
Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim !
-Então o que vocês estão esperando para crucificar esse desgraçado..... ???
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS
PESQUISAS ELEITORAIS
João Eichbaum
Nunca acreditei em pesquisas eleitorais. E nos últimos tempos a minha desconfiança tem sido gratificada por alguns resultados surpreendentes, razão que debito à proibição de publicação de dados às vésperas das eleições.
A respeito da última pesquisa, segundo a qual, Serra e Dilma estariam quase “empatados”, a coluna do jornalista Cláudio Humberto revela algumas localidades, nas quais teriam sido coletadas as opiniões, localidades essas de que nunca se ouviu falar, com inexpressiva população, no interior do interior de alguns estados do norte e nordeste.
Agora, viajando por todo o Brasil como está, com a Dilma a tiracolo, o “Filho do Brasil” esteve em São Leopoldo, “inaugurando” obras municipais e, como não podia deixar de ser, “entregando” moradias populares.
São Leopoldo atualmente tem uma população superior a duzentos mil habitantes. Sabem quantas eram as pessoas presentes no ato demagógico, em que o Tarso, a Dilma e o Lula pegaram criancinhas no colo, sendo que o Lula ainda beijou uma velha gorda feia que, apesar do beijo, não se transformou em princesa? Umas quatro mil pessoas, segundo os jornais. Ou, seja, cerca de dois por cento da população.
E sabem porque havia tanta gente?
Porque a Prefeitura de São Leopoldo, que é do PT naturalmente, botou a mão no nosso dinheiro, no dinheiro dos impostos que pagamos à vista e adiantadamente, para imprimir panfletos, para pagar carros de som, para colocar anúncios em jornais, (no jornal aquele que não publica nada contra o prefeito) em rádios e no horário nobre da TV, para a montagem da estrutura, como a cobertura, com ventiladores e aparelhos de TV espalhados pela área de inauguração. E, por fim, pagou vinte ônibus para levar o povão. Os sindicatos (hei, você aí que é obrigado a ser sindicalizado, sabe?) contrataram mais treze ônibus.
Ah, e tem um detalhe: tudo em pleno horário de trabalho. Os “bolsa-família”, aqueles que não querem nada com o basquete estavam todos lá.
É por isso que não acredito em pesquisas.
João Eichbaum
Nunca acreditei em pesquisas eleitorais. E nos últimos tempos a minha desconfiança tem sido gratificada por alguns resultados surpreendentes, razão que debito à proibição de publicação de dados às vésperas das eleições.
A respeito da última pesquisa, segundo a qual, Serra e Dilma estariam quase “empatados”, a coluna do jornalista Cláudio Humberto revela algumas localidades, nas quais teriam sido coletadas as opiniões, localidades essas de que nunca se ouviu falar, com inexpressiva população, no interior do interior de alguns estados do norte e nordeste.
Agora, viajando por todo o Brasil como está, com a Dilma a tiracolo, o “Filho do Brasil” esteve em São Leopoldo, “inaugurando” obras municipais e, como não podia deixar de ser, “entregando” moradias populares.
São Leopoldo atualmente tem uma população superior a duzentos mil habitantes. Sabem quantas eram as pessoas presentes no ato demagógico, em que o Tarso, a Dilma e o Lula pegaram criancinhas no colo, sendo que o Lula ainda beijou uma velha gorda feia que, apesar do beijo, não se transformou em princesa? Umas quatro mil pessoas, segundo os jornais. Ou, seja, cerca de dois por cento da população.
E sabem porque havia tanta gente?
Porque a Prefeitura de São Leopoldo, que é do PT naturalmente, botou a mão no nosso dinheiro, no dinheiro dos impostos que pagamos à vista e adiantadamente, para imprimir panfletos, para pagar carros de som, para colocar anúncios em jornais, (no jornal aquele que não publica nada contra o prefeito) em rádios e no horário nobre da TV, para a montagem da estrutura, como a cobertura, com ventiladores e aparelhos de TV espalhados pela área de inauguração. E, por fim, pagou vinte ônibus para levar o povão. Os sindicatos (hei, você aí que é obrigado a ser sindicalizado, sabe?) contrataram mais treze ônibus.
Ah, e tem um detalhe: tudo em pleno horário de trabalho. Os “bolsa-família”, aqueles que não querem nada com o basquete estavam todos lá.
É por isso que não acredito em pesquisas.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS
EXAME DE CRUZINHAS
João Eichbaum
Em excelente artigo, intitulado “Como Fazer Um Bom Médico”, o doutor Flávio José Kanter conclui que “sair-se bem em testes de múltipla escolha prova que o candidato é bom em responder questões de múltipla escolha”.
A tese do doutor Flávio encontra ressonância naquela outra afirmação que se faz comumente, afirmação essa que provém de professores de “cursos de preparação para concursos”: só é aprovado o candidato que aprende a fazer concurso.
Ou seja, o conhecimento é o que menos importa.
O doutor Flávio levanta a questão, para concluir que o êxito no vestibular de medicina, que é um exame de múltipla escolha, não garante o êxito do candidato como profissional da medicina.
O mesmo ocorre com os “concursos” para juiz, promotor, procurador, etc, nos quais são aprovados os candidatos que acertam o maior número de “cruzinhas”.
Em primeiro lugar, os candidatos, de um modo geral, pertencem à elite: são filhinhos e filhinhas de papai, que nunca trabalharam na vida e sua única ocupação é prestar concurso, para seguirem a mesma profissão do pai ou da mãe.
Em segundo lugar, os chamados “testes de múltipla escolha” são elaborados por empresas, cujo único objetivo é o lucro. Isto é, para elas o conhecimento não é o principal, pois o que lhes importa é o seu produto no mercado. Por isso mesmo, tais testes, geralmente, têm péssima redação e induzem em erro com a maior facilidade, pois não são elaborados por profissionais do ramo, mas por gente interessada em lucro.
Resultado: os candidatos aprovados, certamente, não serão os melhores profissionais. Prova disso são as incongruências e a instabilidade jurídica que domina o sistema: cada juiz decide como bem entende e a maioria deles entende muito pouco. Sem contar aqueles que simplesmente confiam despachos e sentenças para seus “assessores”.
É por isso que a Justiça não merece confiança. Porque não há juízes, mas funcionários públicos, de alto coturno, muito bem remunerados, garantidos por uma perversa vitaliciedade, que lhes dá “status”, poder e autoridade, mas não os obriga a fazer justiça.
João Eichbaum
Em excelente artigo, intitulado “Como Fazer Um Bom Médico”, o doutor Flávio José Kanter conclui que “sair-se bem em testes de múltipla escolha prova que o candidato é bom em responder questões de múltipla escolha”.
A tese do doutor Flávio encontra ressonância naquela outra afirmação que se faz comumente, afirmação essa que provém de professores de “cursos de preparação para concursos”: só é aprovado o candidato que aprende a fazer concurso.
Ou seja, o conhecimento é o que menos importa.
O doutor Flávio levanta a questão, para concluir que o êxito no vestibular de medicina, que é um exame de múltipla escolha, não garante o êxito do candidato como profissional da medicina.
O mesmo ocorre com os “concursos” para juiz, promotor, procurador, etc, nos quais são aprovados os candidatos que acertam o maior número de “cruzinhas”.
Em primeiro lugar, os candidatos, de um modo geral, pertencem à elite: são filhinhos e filhinhas de papai, que nunca trabalharam na vida e sua única ocupação é prestar concurso, para seguirem a mesma profissão do pai ou da mãe.
Em segundo lugar, os chamados “testes de múltipla escolha” são elaborados por empresas, cujo único objetivo é o lucro. Isto é, para elas o conhecimento não é o principal, pois o que lhes importa é o seu produto no mercado. Por isso mesmo, tais testes, geralmente, têm péssima redação e induzem em erro com a maior facilidade, pois não são elaborados por profissionais do ramo, mas por gente interessada em lucro.
Resultado: os candidatos aprovados, certamente, não serão os melhores profissionais. Prova disso são as incongruências e a instabilidade jurídica que domina o sistema: cada juiz decide como bem entende e a maioria deles entende muito pouco. Sem contar aqueles que simplesmente confiam despachos e sentenças para seus “assessores”.
É por isso que a Justiça não merece confiança. Porque não há juízes, mas funcionários públicos, de alto coturno, muito bem remunerados, garantidos por uma perversa vitaliciedade, que lhes dá “status”, poder e autoridade, mas não os obriga a fazer justiça.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS
FALTA DE QUÊ MESMO?
João Eichbaum
Há coisa de três dias atrás a imprensa de Porto Alegre, - rádio, jornais e televisão – noticiava para os quatro cantos do Rio Grande do Sul uma coisa que, hoje em dia, infelizmente, já é lugar comum, para os políticos: o prefeito de São Leopoldo, um tal de Ari Vanazzi, membro do impoluto e exemplar PT, está sendo processado em razão de obras que constam como realizadas, mas não o foram, quando o dito prefeito era secretário estadual do governo do sempre impoluto, virginal e acima de qualquer suspeita, o dito PT de Olívio Dutra. A matéria estava ornada com fotografia e demais requisitos de uma notícia desse tipo.
Em São Leopoldo, a cidade atualmente dirigida pelo tal prefeito, porém, oh, caluda!
Mas, como? Não há imprensa em São Leopoldo?
É a primeira pergunta que surge.
Claro que há imprensa em São Leopoldo e imprensa pertencente a um grupo que faz questão de afirmar sua liderança nessa área, o Grupo Sinos.
Bem, o Jornal Vale do Sinos não disse uma palavra sequer sobre a notícia que todo o Rio Grande do Sul sabia, que o dinheiro e a obra tinham sumido, havendo permanecido de pé somente o impoluto e saudável político Vanazzi.
Mal informado o Grupo Sinos? Só os seus jornalistas não sabiam que o senhor Ari Vanazzi está respondendo a mais um processo criminal?
Caluda! Moita! No jornal de São Leopoldo só se informam notícias boas sobre o prefeito Vanazzi, inclusive que ele quer cadeia nova na cidade. Não interessa para a cidade saber que o prefeito, reeleito, está em maus lençóis.
Certamente, o Jornal Vale do $ino$ tem outros intere$$e$. Ninguém será capaz de dizer que seus diretores não têm caráter, são servis, não têm culhão, que são jornalistas de araque.
Nada disso. Porque quando a tia Yeda figurava como ré, num processo de que já não se fala, os jornais do Grupo Sinos não tinham páginas suficientes para massacrar a governadora, atribuindo-lhe a qualificação de “ré”.
Será o povo de São Leopoldo tão idiota?
Dá para imaginar que sim, a partir da suposição de que ele só lê o jornal Vale do Sinos. Tanto que Ari Vanazzi foi reeleito com 80% dos votos.
João Eichbaum
Há coisa de três dias atrás a imprensa de Porto Alegre, - rádio, jornais e televisão – noticiava para os quatro cantos do Rio Grande do Sul uma coisa que, hoje em dia, infelizmente, já é lugar comum, para os políticos: o prefeito de São Leopoldo, um tal de Ari Vanazzi, membro do impoluto e exemplar PT, está sendo processado em razão de obras que constam como realizadas, mas não o foram, quando o dito prefeito era secretário estadual do governo do sempre impoluto, virginal e acima de qualquer suspeita, o dito PT de Olívio Dutra. A matéria estava ornada com fotografia e demais requisitos de uma notícia desse tipo.
Em São Leopoldo, a cidade atualmente dirigida pelo tal prefeito, porém, oh, caluda!
Mas, como? Não há imprensa em São Leopoldo?
É a primeira pergunta que surge.
Claro que há imprensa em São Leopoldo e imprensa pertencente a um grupo que faz questão de afirmar sua liderança nessa área, o Grupo Sinos.
Bem, o Jornal Vale do Sinos não disse uma palavra sequer sobre a notícia que todo o Rio Grande do Sul sabia, que o dinheiro e a obra tinham sumido, havendo permanecido de pé somente o impoluto e saudável político Vanazzi.
Mal informado o Grupo Sinos? Só os seus jornalistas não sabiam que o senhor Ari Vanazzi está respondendo a mais um processo criminal?
Caluda! Moita! No jornal de São Leopoldo só se informam notícias boas sobre o prefeito Vanazzi, inclusive que ele quer cadeia nova na cidade. Não interessa para a cidade saber que o prefeito, reeleito, está em maus lençóis.
Certamente, o Jornal Vale do $ino$ tem outros intere$$e$. Ninguém será capaz de dizer que seus diretores não têm caráter, são servis, não têm culhão, que são jornalistas de araque.
Nada disso. Porque quando a tia Yeda figurava como ré, num processo de que já não se fala, os jornais do Grupo Sinos não tinham páginas suficientes para massacrar a governadora, atribuindo-lhe a qualificação de “ré”.
Será o povo de São Leopoldo tão idiota?
Dá para imaginar que sim, a partir da suposição de que ele só lê o jornal Vale do Sinos. Tanto que Ari Vanazzi foi reeleito com 80% dos votos.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
NÓS, PRIMATAS
ELEGIA PARA UM AMOR QUE NÃO MORREU
João Eichbaum
A toalha com que ela se enxugou depois do último banho, depois do último amor, naquela tarde escaldante de dezembro, ainda está lá, pendurada sobre a porta do box, tal qual ela deixou, intocada.
A cama, que ela compôs cuidadosamente, deixando de propósito as dobras que, se fossem desfeitas, denunciariam, no lençol, uma eventual infidelidade, ainda está lá, impregnada com os suores do último amor.
Os pratos, os copos, os talheres que ela lavou depois daquele almoço, regado com o vinho branco que a fez sorrir durante o tempo todo, ainda estão lá sobre a pia, na mesma ordem em que ela os deixou, para denunciarem uma eventual infidelidade, se fossem trocados de lugar.
Só que ela nunca mais voltou, e ele é obrigado a conviver com todas as coisas no lugar e ainda com marca de seus passos, de seu sorriso, com a voz dela, que fala no silêncio, com o passado que não o liberta, agarrando-o pelas costas e impedindo-o de procurar outro destino.
Quando sai à rua, a rua onde trilharam inúmeras vezes, a sensação que o domina é de que a perdeu de vista momentaneamente, e se volta para trás, na esperança de que a despedida dela não tenha passado de um sonho mau e passageiro.
No restaurante onde almoçavam às vezes, ele contempla desvanecido a mesa onde riam, discorriam sobre literatura e temas sociais, planejavam o futuro. Do café da esquina ele passa longe, para evitar que o vejam chorar.
No elevador do supermercado, com medo de ter de responder a uma pergunta sobre o paradeiro dela, ele procura evitar o olhar da ascensorista, a anãzinha que os recebia sempre com aquele sorriso cúmplice de quem compartilha da felicidade alheia e agora o vê sozinho.
Sob as pálpebras dele está sepultado o tesouro de uma felicidade que durou pouco, mas ainda custa muito. É o preço de sua fidelidade, o preço que está pagando por ter mantido os talheres, os pratos, os copos e as dobras do lençol no mesmo lugar.
João Eichbaum
A toalha com que ela se enxugou depois do último banho, depois do último amor, naquela tarde escaldante de dezembro, ainda está lá, pendurada sobre a porta do box, tal qual ela deixou, intocada.
A cama, que ela compôs cuidadosamente, deixando de propósito as dobras que, se fossem desfeitas, denunciariam, no lençol, uma eventual infidelidade, ainda está lá, impregnada com os suores do último amor.
Os pratos, os copos, os talheres que ela lavou depois daquele almoço, regado com o vinho branco que a fez sorrir durante o tempo todo, ainda estão lá sobre a pia, na mesma ordem em que ela os deixou, para denunciarem uma eventual infidelidade, se fossem trocados de lugar.
Só que ela nunca mais voltou, e ele é obrigado a conviver com todas as coisas no lugar e ainda com marca de seus passos, de seu sorriso, com a voz dela, que fala no silêncio, com o passado que não o liberta, agarrando-o pelas costas e impedindo-o de procurar outro destino.
Quando sai à rua, a rua onde trilharam inúmeras vezes, a sensação que o domina é de que a perdeu de vista momentaneamente, e se volta para trás, na esperança de que a despedida dela não tenha passado de um sonho mau e passageiro.
No restaurante onde almoçavam às vezes, ele contempla desvanecido a mesa onde riam, discorriam sobre literatura e temas sociais, planejavam o futuro. Do café da esquina ele passa longe, para evitar que o vejam chorar.
No elevador do supermercado, com medo de ter de responder a uma pergunta sobre o paradeiro dela, ele procura evitar o olhar da ascensorista, a anãzinha que os recebia sempre com aquele sorriso cúmplice de quem compartilha da felicidade alheia e agora o vê sozinho.
Sob as pálpebras dele está sepultado o tesouro de uma felicidade que durou pouco, mas ainda custa muito. É o preço de sua fidelidade, o preço que está pagando por ter mantido os talheres, os pratos, os copos e as dobras do lençol no mesmo lugar.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS
O PROGRAMA DO PT E AS BOCAS DE FUMO
João Eichbaum
Daqui a alguns dias estaremos às voltas com recibos, extratos bancários, informações daqui e dali, para preencher nossas declarações de imposto de renda. De renda, uma ova. Imposto sobre o que ganhamos com o duro suor do nosso rosto, batalhando, correndo, enfrentando alagamentos, engarrafamentos, ruas esburacadas, ônibus apinhados de gente mal cheirosa e metrôs idem, arriscando a ser assaltados, para ir ao trabalho.
Uma verdadeira tortura o governo nos impõe nesses dias, com prazo fatal fixado, a Internet congestionada, e ai de nós se não declararmos tudo, tim-tim poro tim-tim. A multa e a ameaça de cadeia, para nós que somos honestos, e por sermos honestos não somos políticos, é um terror. A fúria fiscal é inexpugnável, quando se trata de assacar os cidadãos honestos, cumpridores de seus deveres.
Pois bem. E onde vai parar o dinheiro que recolhemos para a Fazenda Federal, que atualmente está nas mãos do PT?
Sem contar as viagens e os piqueniques do Lula, os cartões cooperativos, as camisinhas distribuídas durante o carnaval, os aviões franceses, o dinheiro nas malas, nas meias e nas cuecas, a propaganda eleitoral para eleger a Dilma, as viagens de jatinho do Tarso Genro para o Rio Grande do Sul, do qual ele quer ser governador, temos que sustentar o bolsa-família, evidentemente.
Bem, o bolsa-família que foi instituído para que “todos os brasileiros possam ter três refeições por dia”, é o dinheiro que vai também para o ralo, sustentando o preguiça e a cachaça dos vagabundos, em primeiro lugar. Mas agora se descobriu mais outra finalidade do bolsa-família: sustentar traficantes de drogas.
Sim: cartões do bolsa-família foram encontrados em bocas de fumo, no Piauí, logo no Piauí, um dos estados mais miseráveis do país, onde quase quatrocentas mil “famílias” recebem a dita esmola oficial.
É no que dá entregar a administração do galinheiro para a raposa.
Mas, você meu amigo, largue esta crônica e vá tratar de pensar no Imposto de Renda: o Leão, sedento, está atrás de você, louco para meter você na malha fina, enquanto segura uma eventual devolução a que você tenha direito, para o recreio da companheirada.
E os traficantes, esperando a parte deles, é claro, estão de olho também na sua declaração.
João Eichbaum
Daqui a alguns dias estaremos às voltas com recibos, extratos bancários, informações daqui e dali, para preencher nossas declarações de imposto de renda. De renda, uma ova. Imposto sobre o que ganhamos com o duro suor do nosso rosto, batalhando, correndo, enfrentando alagamentos, engarrafamentos, ruas esburacadas, ônibus apinhados de gente mal cheirosa e metrôs idem, arriscando a ser assaltados, para ir ao trabalho.
Uma verdadeira tortura o governo nos impõe nesses dias, com prazo fatal fixado, a Internet congestionada, e ai de nós se não declararmos tudo, tim-tim poro tim-tim. A multa e a ameaça de cadeia, para nós que somos honestos, e por sermos honestos não somos políticos, é um terror. A fúria fiscal é inexpugnável, quando se trata de assacar os cidadãos honestos, cumpridores de seus deveres.
Pois bem. E onde vai parar o dinheiro que recolhemos para a Fazenda Federal, que atualmente está nas mãos do PT?
Sem contar as viagens e os piqueniques do Lula, os cartões cooperativos, as camisinhas distribuídas durante o carnaval, os aviões franceses, o dinheiro nas malas, nas meias e nas cuecas, a propaganda eleitoral para eleger a Dilma, as viagens de jatinho do Tarso Genro para o Rio Grande do Sul, do qual ele quer ser governador, temos que sustentar o bolsa-família, evidentemente.
Bem, o bolsa-família que foi instituído para que “todos os brasileiros possam ter três refeições por dia”, é o dinheiro que vai também para o ralo, sustentando o preguiça e a cachaça dos vagabundos, em primeiro lugar. Mas agora se descobriu mais outra finalidade do bolsa-família: sustentar traficantes de drogas.
Sim: cartões do bolsa-família foram encontrados em bocas de fumo, no Piauí, logo no Piauí, um dos estados mais miseráveis do país, onde quase quatrocentas mil “famílias” recebem a dita esmola oficial.
É no que dá entregar a administração do galinheiro para a raposa.
Mas, você meu amigo, largue esta crônica e vá tratar de pensar no Imposto de Renda: o Leão, sedento, está atrás de você, louco para meter você na malha fina, enquanto segura uma eventual devolução a que você tenha direito, para o recreio da companheirada.
E os traficantes, esperando a parte deles, é claro, estão de olho também na sua declaração.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
CRÔNICAS MNEMÔNICAS
MEMORIAIS
Paulo Wainberg
De acordo com cientistas, psiquiatras e outros estudiosos da mente, um fenômeno bastante comum do cérebro humano é a denominada memória seletiva.
Falando francamente, não sei se é doença, deficiência ou mania.
Há quem diga – e quem sou eu para discutir – que se trata de um dos componentes do EGO que, consta, possui vários outros.
A memória seletiva funciona assim: Você lembra da happy hour com amigos, no bar de sempre, e não de passar no supermercado para comprar salame, alface e couve-flor. Não é esquecimento, você não esquece da existência do supermercado. Porém você não seleciona, na sua memória, que tinha de ir lá fazer as compras. Você selecionou apenas o que lhe convinha e arquivou o resto.
E não vai.
Entramos, aqui, no terreno das realidades individuais: A realidade do bar com os amigos, cerveja e picadinho de queijo está próxima de você, integra seu cotidiano, enquanto que a realidade de compras no supermercado está tão distante de você quanto as posições preferidas pelas baleias azuis, quando fazem sexo.
Isto, mal explicando, é um resumo do fenômeno mental da memória seletiva.
Já o Mal de Alzheimer é uma doença muito grave, que atinge o sistema nervoso e destrói a memória. Não é assunto para brincadeira, há muita gente e muitas famílias que sofrem com essa doença terrível e para qual, ao que sei, estamos longe de descobrir a cura.
Vocês, que costumam ler minhas mal traçadas linhas, sabem que sou fascinado pela investigação científica. Não resisto à ideia de pesquisar a origem da gosma lêsmica, ou o que acontece com a boca dos peixes que morderam a isca e se machucaram com o anzol, quando devolvidos à água pelos pescadores esportivos. E outros assuntos de importância cotidiana: Por que é tão difícil abrir o papel que envolve o DVD? Qual a relevância de franjas em determinados tipos de cobertores?
Percorrendo essa senda de vitórias, estabeleço relações entre os vários ramos da ciência e descobri um novo evento mental, altamente funcional, que submeto, agora, à comunidade científica internacional.
Estou falando do Alzheimer Seletivo, um contraponto adicional e altamente positivo à memória seletiva.
Conforme a minha pesquisa, o portador do Alzheimer Seletivo só esquece aquilo que quer.
Percebeste? Na memória seletiva o cara só lembra aquilo que quer e no Alzheimer Seletivo ele esquece aquilo que quer.
Nada melhor do que reduzir a teoria à prática para ilustrar a profundidade científica da tese:
– Haroldo, são quatro horas da manhã! Onde você esteve?
– Pois é, onde eu estive?
– Todo desgrenhado e fedendo à álcool!
– Quem?
– Você Haroldo, não se faça de louco!
– Que horas são, meu bem?
– Quatro da madrugada, cretino!
– E por que estamos acordados a esta hora?
Compreendeu o processo? Você vai esquecendo aos poucos, até que esquece tudo. No dia seguinte, no café da manhã, pergunta a ela, várias vezes, o que ela vai fazer hoje a tarde, cada pergunta no máximo cinco minutos depois da resposta dela.
No trabalho, você é um funcionário público lotado na Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.
Passa o dia cumprindo diligentemente suas funções, animado com a perspectiva de assistir, à noite, o jogo do seu time, pela televisão. Aí pelas cinco e meia, seu chefe chama você:
– Haroldo, olha só esse convite. Hoje à noite tem um encontro da Associação dos Fabricantes de Botijões de Gás, para demonstrar um novo e mais econômico modelo de rosca de botijão, onde se engata a borboleta ao tubo de plástico que conduz o gás ao fogão e ao aquecedor.
– Interessante, chefe.
– Também acho. E nossa Secretaria não pode faltar, estarão lá altos escalões, inclusive da Assembléia Legislativa e do Governo do Estado.
Haroldo lê o convite e vê que, às 20,30 horas o presidente da Associação fará uma palestra sobre o tema, de aproximadamente uma hora. Depois do intervalo para o cafezinho, será exibido um filme, um documentário que explica a técnica de funcionamento do novo modelo de rosca, desde o momento em que a idéia foi concebida até à montagem final além dos testes de excelência e o resultado final. O filme-documentário tem cerca de quarenta e cinco minutos de duração. Após, será servido o coquetel.
– Haroldo – diz o chefe – você, como chefe do Departamento de Pesquisas, irá ao encontro representando a Secretaria. Grande honra, hein? Eu mesmo queria ir, mas prometi ao meu sobrinho levá-lo ao jogo, hoje à noite.
– Onde o senhor quer que eu vá, chefe?
– Ao encontro, Haroldo, está tudo aí no convite.
– Convite? – pergunta Haroldo, revirando o papel de um lado para o outro. – Quando vai ser isso?
– Hoje, Haroldo! Já lhe disse, hoje à noite. Você está caçoando de mim?
– Ah, sim, hoje a noite... onde é mesmo? Ah, já sei, vou sim, claro que vou.
Haroldo volta para sua sala, deixa passar três minutos e volta:
– Chefe, posso sair dez minutos mais cedo, hoje? Fiquei de levar minha mulher a um... a um... não sei, ela me falou qualquer coisa...
– Haroldo, você está louco? Acabei de combinar que você vai representar a Secretaria no encontro...
– Eu? O senhor combinou alguma coisa comigo? Ah, aí está o relatório que prometi para hoje. O que foi mesmo que o senhor me pediu?
O chefe olha com espanto para Haroldo. O que está acontecendo com o homem, que não consegue lembrar o que combinou há cinco minutos?
– Você não se lembra da nossa combinação, Haroldo? De representar a Secretaria no encontro da Associação dos Fabricantes de Botijão de Gás?
– Acho que o senhor falou com outro, chefe. Nem sabia que existe uma associação dos fabricantes de botijão de gás. Então, posso ir? Minha mulher odeia quando me atraso.
Deixando o chefe de boca aberta, Haroldo pega suas coisas e vai para casa, pronto para um jantarzinho e depois assistir o jogo na TV.
Ele, é claro, não tinha esquecido absolutamente nada, apenas selecionou o que precisava esquecer.
Durante o jantar, apenas para treinar, perguntou três vezes à mulher o que ela tinha feito de tarde.
No restante de suas atividades, completa normalidade. Manteve-se produtivo e eficiente no trabalho, cuidava dos assuntos domésticos, inclusive dos problemas dos filhos, continuava sendo a pessoa responsável de sempre. Repetir a mesma frase umas quatro vezes, em intervalos de quinze minutos, além de ser um bom treinamento, mantinha uma tensão agradável entre ele, a mulher, os colegas, o chefe principalmente, e a empregada doméstica. Adorava perguntar a ela, várias vezes, onde ela tinha posto as meias pretas dele. E quando ela, irritada, pegava as meias e colocava bem à vista, sobre a cama, aí mesmo é que ele insistia em querer saber onde estavam as meias pretas.
Certo sábado, na volta do cinema, a mulher disse:
– Haroldo, amanha vai ter churrasco lá em casa.
– É? Só nós?
– Não. Convidei meus pais, minhas duas irmãs e seus maridos, as crianças, e uma colega nossa de infância que está na cidade com o marido e os três filhos. Vai ser ótimo matarmos a saudade.
– Tudo bem, amanhã de manhã eu compro a carne, o carvão e as bebidas.
Aí pelas nove horas do domingo, depois de tomar o café e ler o jornal, Haroldo pegou o carro e saiu. Quando retornou, às oito da noite, a casa estava um pandemônio.
– Haroldo, que foi que houve, já ligamos para os hospitais, para a Polícia, onde foi que você se meteu?
– Como assim? – Ele olhava espantado para mulher, os sogros e os filhos. As irmãs e as amigas já tinham ido embora.
– Como assim? Você sai de manhã para comprar a carne para o churrasco e volta para casa a esta hora?
– Carne de churrasco? Mas você sabe que nunca faço churrasco em dia de semana...
– Hoje é domingo Haroldo! O que está havendo com você? Já estou ficando preocupada.
– Hoje é domingo? Tem certeza?
– Claro que sim, Haroldo, você ficou louco?
– Estranho... Bem, então vou para cama porque amanhã preciso acordar cedo para o trabalho.
Perceberam o que significa o Alzheimer Seletivo? É o melhor método jamais criado para você se livrar do que não deseja fazer, como ir à festa de um ano da filha de uma amiga de seu cunhado, não assistir à cerimônia de formatura da faculdade de Medicina e outras situações pertinentes. Você simplesmente seleciona o que deseja esquecer e faz apenas aquilo que deseja se lembrar.
Usei o exemplo masculino para demonstrar a tese, mas o Alzheimer Seletivo pode ser perfeitamente adotado pelas mulheres, para esquecer de propósito outras coisas além das que elas já esquecem ao natural, como o lugar onde deixaram o celular, as chaves do carro, a bolsa, onde está aquela blusa comprada ontem e, pelo amor de Deus, será que o talão de cheques ficou na sapataria?
Acredito firmemente que um mundo movido à memória seletiva e Alzheimer Seletivo é um novo mundo possível, mais justo, mais humano e com menos injustiças sociais.
Pensem nisso. Talvez vocês estejam lendo o futuro Prêmio Nobel da Ciência.
Paulo Wainberg
De acordo com cientistas, psiquiatras e outros estudiosos da mente, um fenômeno bastante comum do cérebro humano é a denominada memória seletiva.
Falando francamente, não sei se é doença, deficiência ou mania.
Há quem diga – e quem sou eu para discutir – que se trata de um dos componentes do EGO que, consta, possui vários outros.
A memória seletiva funciona assim: Você lembra da happy hour com amigos, no bar de sempre, e não de passar no supermercado para comprar salame, alface e couve-flor. Não é esquecimento, você não esquece da existência do supermercado. Porém você não seleciona, na sua memória, que tinha de ir lá fazer as compras. Você selecionou apenas o que lhe convinha e arquivou o resto.
E não vai.
Entramos, aqui, no terreno das realidades individuais: A realidade do bar com os amigos, cerveja e picadinho de queijo está próxima de você, integra seu cotidiano, enquanto que a realidade de compras no supermercado está tão distante de você quanto as posições preferidas pelas baleias azuis, quando fazem sexo.
Isto, mal explicando, é um resumo do fenômeno mental da memória seletiva.
Já o Mal de Alzheimer é uma doença muito grave, que atinge o sistema nervoso e destrói a memória. Não é assunto para brincadeira, há muita gente e muitas famílias que sofrem com essa doença terrível e para qual, ao que sei, estamos longe de descobrir a cura.
Vocês, que costumam ler minhas mal traçadas linhas, sabem que sou fascinado pela investigação científica. Não resisto à ideia de pesquisar a origem da gosma lêsmica, ou o que acontece com a boca dos peixes que morderam a isca e se machucaram com o anzol, quando devolvidos à água pelos pescadores esportivos. E outros assuntos de importância cotidiana: Por que é tão difícil abrir o papel que envolve o DVD? Qual a relevância de franjas em determinados tipos de cobertores?
Percorrendo essa senda de vitórias, estabeleço relações entre os vários ramos da ciência e descobri um novo evento mental, altamente funcional, que submeto, agora, à comunidade científica internacional.
Estou falando do Alzheimer Seletivo, um contraponto adicional e altamente positivo à memória seletiva.
Conforme a minha pesquisa, o portador do Alzheimer Seletivo só esquece aquilo que quer.
Percebeste? Na memória seletiva o cara só lembra aquilo que quer e no Alzheimer Seletivo ele esquece aquilo que quer.
Nada melhor do que reduzir a teoria à prática para ilustrar a profundidade científica da tese:
– Haroldo, são quatro horas da manhã! Onde você esteve?
– Pois é, onde eu estive?
– Todo desgrenhado e fedendo à álcool!
– Quem?
– Você Haroldo, não se faça de louco!
– Que horas são, meu bem?
– Quatro da madrugada, cretino!
– E por que estamos acordados a esta hora?
Compreendeu o processo? Você vai esquecendo aos poucos, até que esquece tudo. No dia seguinte, no café da manhã, pergunta a ela, várias vezes, o que ela vai fazer hoje a tarde, cada pergunta no máximo cinco minutos depois da resposta dela.
No trabalho, você é um funcionário público lotado na Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.
Passa o dia cumprindo diligentemente suas funções, animado com a perspectiva de assistir, à noite, o jogo do seu time, pela televisão. Aí pelas cinco e meia, seu chefe chama você:
– Haroldo, olha só esse convite. Hoje à noite tem um encontro da Associação dos Fabricantes de Botijões de Gás, para demonstrar um novo e mais econômico modelo de rosca de botijão, onde se engata a borboleta ao tubo de plástico que conduz o gás ao fogão e ao aquecedor.
– Interessante, chefe.
– Também acho. E nossa Secretaria não pode faltar, estarão lá altos escalões, inclusive da Assembléia Legislativa e do Governo do Estado.
Haroldo lê o convite e vê que, às 20,30 horas o presidente da Associação fará uma palestra sobre o tema, de aproximadamente uma hora. Depois do intervalo para o cafezinho, será exibido um filme, um documentário que explica a técnica de funcionamento do novo modelo de rosca, desde o momento em que a idéia foi concebida até à montagem final além dos testes de excelência e o resultado final. O filme-documentário tem cerca de quarenta e cinco minutos de duração. Após, será servido o coquetel.
– Haroldo – diz o chefe – você, como chefe do Departamento de Pesquisas, irá ao encontro representando a Secretaria. Grande honra, hein? Eu mesmo queria ir, mas prometi ao meu sobrinho levá-lo ao jogo, hoje à noite.
– Onde o senhor quer que eu vá, chefe?
– Ao encontro, Haroldo, está tudo aí no convite.
– Convite? – pergunta Haroldo, revirando o papel de um lado para o outro. – Quando vai ser isso?
– Hoje, Haroldo! Já lhe disse, hoje à noite. Você está caçoando de mim?
– Ah, sim, hoje a noite... onde é mesmo? Ah, já sei, vou sim, claro que vou.
Haroldo volta para sua sala, deixa passar três minutos e volta:
– Chefe, posso sair dez minutos mais cedo, hoje? Fiquei de levar minha mulher a um... a um... não sei, ela me falou qualquer coisa...
– Haroldo, você está louco? Acabei de combinar que você vai representar a Secretaria no encontro...
– Eu? O senhor combinou alguma coisa comigo? Ah, aí está o relatório que prometi para hoje. O que foi mesmo que o senhor me pediu?
O chefe olha com espanto para Haroldo. O que está acontecendo com o homem, que não consegue lembrar o que combinou há cinco minutos?
– Você não se lembra da nossa combinação, Haroldo? De representar a Secretaria no encontro da Associação dos Fabricantes de Botijão de Gás?
– Acho que o senhor falou com outro, chefe. Nem sabia que existe uma associação dos fabricantes de botijão de gás. Então, posso ir? Minha mulher odeia quando me atraso.
Deixando o chefe de boca aberta, Haroldo pega suas coisas e vai para casa, pronto para um jantarzinho e depois assistir o jogo na TV.
Ele, é claro, não tinha esquecido absolutamente nada, apenas selecionou o que precisava esquecer.
Durante o jantar, apenas para treinar, perguntou três vezes à mulher o que ela tinha feito de tarde.
No restante de suas atividades, completa normalidade. Manteve-se produtivo e eficiente no trabalho, cuidava dos assuntos domésticos, inclusive dos problemas dos filhos, continuava sendo a pessoa responsável de sempre. Repetir a mesma frase umas quatro vezes, em intervalos de quinze minutos, além de ser um bom treinamento, mantinha uma tensão agradável entre ele, a mulher, os colegas, o chefe principalmente, e a empregada doméstica. Adorava perguntar a ela, várias vezes, onde ela tinha posto as meias pretas dele. E quando ela, irritada, pegava as meias e colocava bem à vista, sobre a cama, aí mesmo é que ele insistia em querer saber onde estavam as meias pretas.
Certo sábado, na volta do cinema, a mulher disse:
– Haroldo, amanha vai ter churrasco lá em casa.
– É? Só nós?
– Não. Convidei meus pais, minhas duas irmãs e seus maridos, as crianças, e uma colega nossa de infância que está na cidade com o marido e os três filhos. Vai ser ótimo matarmos a saudade.
– Tudo bem, amanhã de manhã eu compro a carne, o carvão e as bebidas.
Aí pelas nove horas do domingo, depois de tomar o café e ler o jornal, Haroldo pegou o carro e saiu. Quando retornou, às oito da noite, a casa estava um pandemônio.
– Haroldo, que foi que houve, já ligamos para os hospitais, para a Polícia, onde foi que você se meteu?
– Como assim? – Ele olhava espantado para mulher, os sogros e os filhos. As irmãs e as amigas já tinham ido embora.
– Como assim? Você sai de manhã para comprar a carne para o churrasco e volta para casa a esta hora?
– Carne de churrasco? Mas você sabe que nunca faço churrasco em dia de semana...
– Hoje é domingo Haroldo! O que está havendo com você? Já estou ficando preocupada.
– Hoje é domingo? Tem certeza?
– Claro que sim, Haroldo, você ficou louco?
– Estranho... Bem, então vou para cama porque amanhã preciso acordar cedo para o trabalho.
Perceberam o que significa o Alzheimer Seletivo? É o melhor método jamais criado para você se livrar do que não deseja fazer, como ir à festa de um ano da filha de uma amiga de seu cunhado, não assistir à cerimônia de formatura da faculdade de Medicina e outras situações pertinentes. Você simplesmente seleciona o que deseja esquecer e faz apenas aquilo que deseja se lembrar.
Usei o exemplo masculino para demonstrar a tese, mas o Alzheimer Seletivo pode ser perfeitamente adotado pelas mulheres, para esquecer de propósito outras coisas além das que elas já esquecem ao natural, como o lugar onde deixaram o celular, as chaves do carro, a bolsa, onde está aquela blusa comprada ontem e, pelo amor de Deus, será que o talão de cheques ficou na sapataria?
Acredito firmemente que um mundo movido à memória seletiva e Alzheimer Seletivo é um novo mundo possível, mais justo, mais humano e com menos injustiças sociais.
Pensem nisso. Talvez vocês estejam lendo o futuro Prêmio Nobel da Ciência.
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