terça-feira, 11 de janeiro de 2011

COM A PALAVRA, JANER CRISTALDO

SÓ PODE SER PRECONCEITO

Os jornais descobriram que dois filhos e um neto de Lula, na calada do final de mandato, foram contemplados com passaportes diplomáticos. O que elimina toda essa burocracia com vistos, particularmente quando os marmanjos quiserem ir à Disneylândia. O comum dos mortais grama durante semanas – quando não meses – para obter um visto para os Estados Unidos. Os rebentos de Sua Alteza poderão ir direto para o aeroporto, sem preocupar-se com essas mesquinharias, como tirar visto e entrar em filas em aeroportos, que só atormentam o cidadão comum. Tampouco precisarão pagar os 190 reais à Polícia Federal pela expedição do documento. Aliás, nem precisarão enfrentar filas na Polícia Federal, como os demais mortais.
Ocorre que, neste Brasil, quando alguém goza de um privilégio indevido, está longe de ser o único. Qualquer corrupção que um jornalista encontrar traz atrás de si uma fieira de corrupções outras. Logo descobriu-se que também um pastor evangélico, que tampouco nada tinha a ver com serviços diplomáticos, também fora contemplado com um desses passes mágicos. E se dois filhos e um neto do ex-presidente, mais um pastor evangélico, gozam de tais mordomias, é óbvio que não serão os únicos privilegiados do país.
O Estadão de ontem desfia o resto. O jornal teve acesso à relação de ofícios que tratam da emissão de passaportes diplomáticos e de vistos que passaram pelo órgão nos últimos dois anos. Os destinos das viagens, inclusive agora, em pleno recesso parlamentar, são os mais variados: Miami, Las Vegas, Nova York, Atlanta, Dubai, Vancouver, Buenos Aires, Austrália, Japão, entre outros lugares.
Filhos de deputados que vão passar um período de estudos no exterior também aproveitam para viajar com o passaporte especial. Ainda segundo o Estadão, apenas de 2009 para cá, foram solicitados 662 vistos para viagens de deputados e parentes que têm o documento especial. Desses, 577 foram para "turismo". Apenas 69 cumpriam o objetivo de missão oficial, a trabalho.Se alguém imagina que passaporte diplomático é apanágio dos detentores do poder e de seus filhotes, em muito se engana. Em dezembro passado, o deputado Carlos Leréia, do impoluto PSDB, pediu passaporte diplomático e visto para ele, a mulher e três filhos viajarem para Miami. Viajariam de 3 a 17 de janeiro deste ano, no recesso parlamentar. Já o deputado Décio Lima, do PT catarinense, pediu passaporte diplomático e visto para ele e sua mulher irem a Las Vegas, entre 10 e 25 de janeiro, certamente para representarem o país junto aos cassinos da cidade.
Pela legislação, os membros do Congresso e seus "dependentes" têm direito ao documento. O que a legislação não prevê é se este privilegiado passaporte pode ser usado para turismo.
A OAB está pedindo que os filhos do ex-presidente devolvam seus documentos. Profunda injustiça, que aos céus clama reparação. Por que teriam de devolver seus passes mágicos apenas os filhos do Supremo Mandatário, enquanto filhos de reles deputados continuam usufruindo do privilégio?
Para Marco Aurélio Garcia, assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, o caso é irrelevante. " Acho o tema de uma irrelevância absoluta. Imagino que possa agradar aqueles 3% ou 4% que consideram o governo Lula ruim e péssimo ". O que resta saber é se agradará os 80% que acham o governo Lula divino maravilhoso, mas mesmo assim terão de enfrentar filas quilométricas nos consulados do México ou Estados Unidos, só porque não são filhos do presidente.- Existe uma coisa no Brasil que são as leis – continuou -. Se isso está de acordo com a lei, não vejo nenhum problema.
Acontece que não está de acordo com a lei, e o assessor devia saber disto. Mas certamente é preconceito contra a família do humilde ex-operário que chegou à Presidência da República. Só pode ser.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

CRÔNICAS IMPUDICAS

ENQUADREM O INDIVÍDUO!
João Eichbaum


O senhor Luiz Inácio Lula da Silva, que já é “ex”, foi um retirante, que veio do nordeste, em busca de emprego em São Paulo.
Não sei como conseguiu o emprego. Sem formação técnica, alfabetizado pela metade, chegou a ser “torneiro mecânico”, se tornou sindicalista, enrolou muita gente com seu vocabulário de torneiro mecânico, e foi eleito “líder” E chegou onde queria: à presidência da República.
É claro que, experimentando o gosto do poder, o jeito de ser rico, não conseguiu abdicar desse gosto. Ele e a dona Mariza agora estão noutra, não são mais povo.
Esgotado seu tempo como “presidente da república” continuou se sentindo dono do poder, que o povo ignorante, ou interesseiro, lhe confiou.
Apeado da presidência da república, continuou tirando proveito da função, como se nada tivesse acontecido.
Seus filhos, no apagar das luzes de seu governo, conseguiram o que milhões de brasileiros jamais vão conseguir: passaporte diplomático. Um desses filhos dele, o mais velho, jamais teria direito a esse tipo de passaporte, porque a lei não ampararia sua pretensão.
Mas o “ex- torneiro mecânico” conseguiu essa vantagem para os filhos, graças ao seu exercício na função pública.
Não contente com isso, mal saído da presidência da república, o ex torneiro mecânico se instalou num próprio da União, para desfrutar férias, com cama, mesa e roupa lavada patrocinadas pelos que trabalham e não ocupam, nem destroem propriedades privadas neste país.
Então, ele recebeu dois benefícios: o passaporte diplomático para os filhos e umas férias à custa do erário.
Onde está o Ministério Público nesta hora? O Ministério Público que gosta de freqüentar manchetes e se exibe como cura para todos os males desta república?
O Ministério Público não ta nem aí.
E no entanto o Código Penal estabelece, no seu art. 317:
“...receber para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida...
Pena: reclusão de um a oito anos.”
Pois o dito Luiz Inácio recebeu vantagens para si e para seus filhos, indevidamente, porque nem ele nem seus rebentos fariam jus ao que receberam, quando já estava fora da função...
Senhores membros do MP Federal, os senhores conhecem realmente o Direito Penal?
Se não conhecem, recolham-se à própria a insignificância, mas se o conhecem, mostrem que são independentes e corajosos, enquadrem o indivíduo acima qualificado nos rigores da lei, como o fariam com qualquer brasileiro: art. 317 do Código Penal.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

CRÔNICAS IMPUDICAS

O MUNDO É DOS MALANDROS
João Eichbaum

São duas as manchetes de que os jornais andam cheios, ultimamente – e faturando, claro, em cima desses assuntos: a volta do Ronaldinho para o Brasil e a volta (ou não) do Battisti para a Itália.
Cada qual a seu modo, as pessoas se interessam por um ou outro assunto, ou pelos dois, se forem gremistas e, ao mesmo tempo, petistas.
Então não posso ficar de fora, para não parecer alienado. Vou dar o meu pitaco.
O Ronaldinho, para quem não se lembra, deu uma de bandido para com o Grêmio, que o formou, certamente lhe matou a fome muitas vezes, colocou-o na vitrine do mundo para o futebol. Pois, não ligando nada para isso, o Ronaldinho, ou melhor o Assis, irmão e “empresário”do dito, mandou o Grêmio pastar (também, quem mandou ser burro) se encheu de grana e glória. Agora, em fim de carreira, sem aquela bola toda que jogava na sua adolescência, já não tem mercado na Europa..
E o Grêmio o quer de volta, que nem marido cornudo que, mesmo com os cornos à mostra, quer a traidora de volta a seus braços.
O Battisti, bandido na Itália, acusado de vários crimes, foi preso no Brasil. Depois de uma de suas sessões teatrais, o tribunal aquele que faz de conta, decidiu e, ao mesmo tempo, não decidiu: Battisti pode ser extraditado, mas as extradição fica por conta do Lula.
O Lula, então, decidiu, o que o Supremo não teve culhão para decidir: o Battisti não vai ser extraditado. Fez isso e se mandou, deixou a presidência e o pepino para a Dilma.
Agora o Peluso, presidente do tribunal faz de conta, não quer soltar o Battisti e mandou o pepino adiante, para o Gilmar Mendes.
As palhaçadas do Grêmio e as do Supremo se assemelham: o Grêmio não teve cacife jurídico para ganhar uma grana com o Ronaldinho, e o Supremo não teve cacife jurídico para extraditar o bandido italiano. Tanto que o escore do Supremo foi de futebol de salão: 5x4, demonstrando que não há unanimidade e que os ministros não estão com essa bola toda que pensam. Exatamente como o Ronaldinho que quer o que já não vale.
Agora temos aí duas novelas.
Então sugiro ao Grêmio: vai à Itália, fala com o Berlusconi e propõe a troca: o Ronaldinho pelo Battisti. No taco, para não haver prejuízo.
Será um final feliz, tipo Globo, para ambas as novelas. E a gente vai se livrar dessas manchetes criadas por falta de criatividade jurídica, tanto do Grêmio como do Supremo.
A coisa se resolveria pela malandragem porque, por meio de juristas, não tem jeito. Estão aí o Assis e o Lula para não me deixarem mentir: quem manda no mundo são os malandros.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ESSE CIRCO CHAMADO JUSTIÇA

UM TRIBUNAL QUE FAZ DE CONTA

João Eichbaum

O Supremo Tribunal Federal recebe, diariamente, uma enxurrada de processos a que se acrescem, a cada ano que passa, milhares.
Sendo apenas onze os ministros, é humanamente impossível dar conta de todos os processos.
Mas, pior do que isso, dos onze ministros sempre há algum doente, algum em férias, algum gozando licença, algum desfilando em universidades ou seminários, algum viajando, seja para o exterior, seja pelo país afora, muitas vezes embolsando diárias, que nós, os contribuintes, pagamos.
E há também os ministros que fazem parte do Superior Tribunal Eleitoral, do Conselho Nacional de Justiça, ou que integram “comissões” para mudar os códigos.
Vários dos ministros são professores. Um deles, o Gilmar Mendes, é sócio duma empresa chamada “Instituto Brasiliense de Direito Público”, donde ele colhe dividendos e onde dá aulas.
Então, donde é que os senhores ministros tiram tempo para julgar?
Boa pergunta. Mas a resposta, para quem não é imbecil, está na ponta da língua: eles não julgam todos os processos. Eles só julgam aqueles processos que lhes dão oportunidade de aparecer na televisão, devidamente paramentados, a tal de TV Justiça. Ali, eles dão aula, teatralizam, jogam para a platéia, fazem charme, chegam até a discordar um do outro. E ali também, é claro, dão vexame, pedindo vistas e sentando em cima dos processos, sabe-se lá porquanto tempo ou ainda, perdendo tempo com julgamentos “empatados”, que não servem para coisa nenhuma.
Os restantes, os demais processos ficam à mercê dos “assessores”. Pode ser até que o ministro dê a sua opinião: julga esse procedente, aquele improcedente. Mas, para dizer isso, ele, quando muito, dá uma rápida olhada no processo, se lhe sobrar tempo, entre uma viagem e outra, entre uma aula e uma conferência, entre uma reunião na sua “comissão” e a sessão do Conselho Nacional de Justiça, onde aufere um nada desprezível “jeton”. Senão, ouve o assessor e lhe dá plenos poderes.
Aí o assessor, que não é bobo, e deve ter sua cota de produção, pede para os estagiários fazerem uma coleta de jurisprudência para dar ou negar provimento. E cola aqui, cola ali e os processos são deletados monocraticamente.
Vocês entendem agora porque onze ministros, que nunca são onze, conseguem se livrar de milhares de processos por ano?
Mas há alguns ingredientes, digamos, “extra”, que ninguém ignora. Há os velhos advogados de Brasília, amicíssimos dos ministros, ou mais amigos ainda dos “assessores”. Há aqueles advogados de renome, os antigos ministros, que sabem de cor e salteado como funciona a coisa e há também – isso não pode ficar de fora – os filhos dos ministros, advogados que têm entrada franca, copa livre no Supremo.
É assim que funciona a Justiça, no seu mais alto escalão, onde só a vaidade tem lugar garantido e cadeira perpétua.
Só se engana quem quer. Só acredita em Justiça quem ainda não abdicou de acreditar em papai noel e cegonha.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

COM A PALAVRA, JANER CRISTALDO

DE PEDÓFILO IMPUNE A GUERREIRO FERIDO

A notícia é antiga, surgiu nos jornais no cair do ano passado. O padre belga François Houtart, católico e marxista, candidato ao prêmio Nobel da Paz, foi denunciado por crimes de pedofilia no passado. Teve de retirar sua candidatura. Quem deve estar de luto são os petistas e demais esquerdistas gaúchos, que nutriam amizade e veneração pelo padre pedófilo. Que, não por acaso, foi um dos arquitetos do Forum Social Mundial de Porto Alegre.
Costumo afirmar que o prêmio concedido pela Noruega é um contubérnio de vigaristas, embusteiros e terroristas. Sem ir mais longe: Arafat, Dalai Lama, Luther King, Rigoberta Menchú, madre Tereza de Calcutá. Se você quiser conhecer canalhas ilustres, dê uma passada de olhos no ror de prêmios Nobel da Paz. Só faltava um pedófilo para ornar a galeria. Padre Houtart quase chegou lá. Não fosse a denúncia de uma irmã da vítima, o líder das esquerdas católicas e comunistas teria sido galardoado com a comenda de humanista.
Mas nem só as esquerdas gaúchas estão de luto. Leio no Globo que o comitê criado para impulsionar a candidatura de Houtart ao Nobel lamentou o ocorrido e disse que "milhares de pessoas" de 74 países participaram da campanha para recolher assinaturas de apoio e reconhecimento ao trabalho de Houtart no movimento de justiça social e antiglobalização. Não debitemos ao PT gaúcho a cumplicidade com o pedófilo. Milhares de pessoas de 74 países também o apóiam.
Padre Houtart, além de pedófilo, é de uma desonestidade intelectual exemplar. Pertence a essa raça de hipócritas que acha que alguém pode ser católico e comunista, ateu e cristão ao mesmo tempo. Coerência é algo que não importa, dizia-me uma petista há algum tempo. Só pode não importar. Se importasse, ninguém ousaria assumir tal despautério.
A notícia é antiga, dizia. O que há de novo na história é a defesa histérica do padre católicomarxistapedófilo feita hoje na imprensa por Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSOL à Presidência da República nas últimas eleições."Padre Houtart: reafirmo meu apoio", assim titula Sampaio sua defesa do padre belga. “Os padres são seres humanos de carne e osso, como todos os demais e, conseqüentemente, sujeitos às mesmas fraquezas que todos nós. Como foi possível que um homem bom, generoso, valente como Houtart tenha caído nesse pecado? Evidentemente por que se trata de um ser humano”. Então tá! Se ser pedófilo faz parte da condição humana, me parece não existir muito sentido nesse escândalo que a imprensa tem feito em torno aos estupros praticados pelos vulturinos sacerdotes do Vaticano. Continua o líder do PSOL:“Significa a revelação do vexaminoso fato, que foi um erro indicá-lo para o prêmio Nobel da Paz? Entendo que não. A indicação de uma pessoa a esse prêmio não significa que ela deva ser santa e imaculada. Tais qualidades são exigíveis para os candidatos a santos de altar. Para o Nobel da Paz, o que se exige é a demonstração de que o candidato contribuiu com seu pensamento ou suas ações práticas para a solução pacífica de conflitos sociais e políticos. Neste plano, Houtart foi impecável”. Ou seja, praticar o embuste de declarar-se católico e comunista virou sinônimo de impecabilidade. Não é que embusteiros não mereçam o Nobel. A lista de contemplados está cheia deles. Mas uma coisa é um Nobel na cadeia por razões políticas, por lutar contra o totalitarismo, como é o caso da birmanesa Aung San Suu Kyi. Outra bastante diferente é estar no cárcere por ter violado um menino.
Impertérrito, Sampaio continua: “Ao noticiar o fato, os jornais mencionaram recente artigo no qual manifestei meu apoio do valoroso jesuíta ao prêmio. O fato novo não me obriga a retirar uma única vírgula daquele artigo. Houtart contribuiu com seus livros e atuação nos diversos foros e movimentos nos quais milita ativamente, para um mundo mais igualitário e democrático - condições indispensáveis à pacificação. O que sim, acrescentaria àquele artigo é a expressão do meu sentimento de pesar pela exposição de uma figura tão digna e respeitável à execração popular. Sem dúvida, o crime cometido não pode ser abafado e nem ficar impune. Contudo, isso não impede que nós, seus admiradores, levemos ao guerreiro ferido, nosso testemunho de solidariedade”.
Padre Houtart foi promovido de padre pedófilo a guerreiro ferido. Falta agora ouvirmos o ex-frei Leonardo Boff, outro fanzoca incondicional do padre católicomarxistapedófilo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

ESSE CIRCO CHAMADO JUSTIÇA

“EVITAÇÃO DE DESPICIENDA TAUTOLOGIA” (III)

João Eichbaum


Os líderes do Poder Judiciário se defendem, com unhas e dentes, contra a crítica que se faz à ineficiência da Justiça, atribuindo-a, unicamente, à lentidão - esse passo de lesma, que a caracteriza, desde priscas eras.
Mas a inteligência deles é tão próxima à de um passarinho, que eles não enxergam onde reside, realmente, a causa da ineficácia de Justiça.
Ora, se os líderes do Judiciário não têm inteligência para descobrir as causas do seu fracasso, o que sobra para os juízes de escalão menor?
Não, meus amigos. Não é a lentidão o maior problema da justiça, mas, sim, a burrice, a ignorância e, em alguns casos, a preguiça.
Se houvesse juízes inteligentes – e inteligência envolve criatividade, sensibilidade e conhecimento científico – não haveria necessidade de recursos. E, não havendo recursos, o processo se encolhe, a decisão final é imediata, a justiça deixa de ser lesma.
Só há recursos porque as sentenças de primeiro grau são pifias, inexpressivas, e no segundo grau, por falta de criatividade ou preguiça, os desembargadores se limitam a copiar os “pareceres” do Ministério Público.
Veja-se esse caso. O réu está preso há oito meses, sem culpa formada. A falta de sensibilidade dos juízes, a deficiência de conhecimento deles, que nega liberdade ao acusado, (basta saber que a prisão preventiva é uma exceção, a regra é a da liberdade) leva a um recurso (não no sentido exato do termo, mas a um sucedâneo, que é o “habeas corpus”), na instância superior.
Lá, o desembargador manda ouvir o Ministério Público e se louva no parecer do agente dessa instituição, que é a titular da ação penal, a interessada direta na condenação do réu. É claro que o Ministério Público não quer saber da liberdade de ninguém.
Mas, o desembargador não enxerga isso e se limita a copiar o “parecer” do Ministério Público, contra a soltura do acusado, explicando no seu “voto” que o faz para a “evitação de despicienda tautologia”.
Cheguei, agora, onde queria: na “falta de conhecimento cientifico” – eufemismo que, para pessoas cultas, serve para expressar o grau de cultura dos membros do Poder Judiciário.
“Evitação” provém do latim: “evitatio, onis”, mas é um vocábulo que só existe nos dicionários, porque já caiu em desuso no vernáculo. Será que o desembargador Newton Brasil de Leão, assim como os desembargadores Nereu Giacomelli e Odone Sanguiné” , da 3ª Câmara Criminal do TJRGS, conhecem a etimologia da palavra? Algum deles, alguma vez, terá sabido declinar alguma palavra da terceira declinação da língua de Cícero? Será que algum deles sabe o que significa “terceira declinação”?
“Despicienda”, desembargadores Leão, Giacomelli e Sanguiné, é adjetivo (algum dos senhores saberia elaborar um conceito de “adjetivo”?) que tem origem no verbo “despicio, despexi, despectum, despicere” (desprezar, menosprezar, olhar com desprezo) e é empregado no gerundivo, (será que algum “doutor” da terceira câmara criminal do TJRGS sabe o que é gerundivo?) para significar “o que deve ser desprezado, abominado”. E não é sinônimo de “desnecessário”, como pretende quem não conhece a etimologia da palavra.
Os senhores sabiam disso?
E tautologia, senhores desembargadores, é uma figura de gramática, que se refere a repetições dentro do mesmo texto.
Figura de gramática, senhores desembargadores, e não substantivo comum que sirva como sinônimo de “repetição”. Tautologia só se emprega quando o texto exige análise (lato sensu) ou crítica gramatical. “Repetição” se utiliza em qualquer circunstância. A primeira é um termo científico, a segunda, um vocábulo comum.
A desastrada expressão “evitação de despicienda tautologia” certamente foi copiada de algum acórdão qualquer, sem que os senhores se tivessem entregado ao trabalho de analisá-la. Tal qual o fizeram com o “parecer” do Ministério Público, negando liberdade para quem está há mais de oito meses na prisão, sem culpa formada.
Seria mais fácil e mais correto escrever no acórdão, a fim de esconder a falta de criatividade de Vossas Excelências (excelência em quê, mesmo?):“para evitar repetição”.
O adjetivo “desnecessário”, cujo emprego caberia corretamente, no caso, seria “desnecessário” porque toda a repetição é “desnecessária”. E não “despicienda”. “Despicienda” é a falta de criatividade de quem é pago para julgar e não julga, se limitando a copiar asneiras.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CRÔNICAS IMPUDICAS

QUE PAÍS É ESSE?

João Eichbaum

Recebi ontem esse e-mail: “Acordemos! Hoje é o primeiro dia de um outro Brasil. Uma pátria menos ingênua. Uma nação mais ciente. Um povo menos idiota. Graças aos ensinamentos dos "velhos" gregos, teremos aumentadas as tensões positivas que levarão "estepaiz" a um ponto de fuga não desenhado pela régua e pelo compasso das elites dominates, não esquadrinhado pela canalha que o comanda. Ave Faoro! Ave Rui!Acorda Brasil do Alemão! Acorda Brasil da Brasília Teimosa! Acorda Brasil do Itapoã! A tua virtude é o teu pecado. O teu desejo é a tua sina. "Brasil, mostra a tua cara!" E que os brasileiros de bem a esbofeteem, no ultraje descoberto, aos 600 anos!Sonhemos pelos nossos netos! Almejemos pelos nosso filhos! Ajamos pela consciência da própria covardia! Não viemos, se não para mudar o nosso "destino"! Não estamos, se não para fazer diferente! Coragem! Perseverança! Porque esta é a mais revolucionária das virtudes!”

Essa, não, colega!
“Primeiro dia de um outro Brasil”? Com o Sarney ao lado da Dilma? Com o Sarney de tantos governos, de governos das mais variadas ideologias, a começar pelo regime de 1964, ao qual o dito Sarney serviu com o mais descarado servilismo, passando dali para a turma do PT, com quem se aliou e com quem se misturou nas mais desavergonhadas safadezas?
“Uma pátria menos ingênua”? Com o mesmo Sarney? Com o José Dirceu e toda a turma do PT, que se agarrou com unhas e dentes ao poder?
Será menos ingênua essa pátria que vai continuar com o bolsa-família, com o MST, com toda essa quadrilha dos sindicatos que só sabem patrocinar bagunça, com a UNE e tantas outras “ONGS” que recebem milhões do governo, com a finalidade única de respaldá-lo?
Uma nação mais ciente?
Ciente de quê, meu amigo? Nunca fomos tão cientes de tanta safadeza, como nesses últimos anos, sabendo do mensalão, dos cartões corporativos, dos gastos secretos da presidência da república (com letra minúscula, sim, porque foi nisso que se transformou esse cargo)!
E adiantou alguma coisa? Mudaram-se as moscas varejeiras? Não, nem as moscas, nem a merda dessa vez. Ficou tudo como estava, a companheirada mandando ver.
“ Um povo menos idiota”?
Desde quando?
Um povo que deixa no congresso os deputados de sempre e que, para comprovarem o que são, elevaram seus subsídios para níveis estratosféricos, deixou de ser “idiota”? Ou se tornou mais idiota ainda?
O texto do e-mail pode servir para qualquer país, para qualquer povo, menos para o Brasil e para os brasileiros. Nem com ambiguidade poética tipo “a tua virtude é o teu pecado”, “o teu desejo é a tua sina” se vislumbra no texto qualquer coisa parecida com esse país que os portugueses inventaram, mas que foi muito melhorado pela imigração alemã e italiana.
Não conheço pessoalmente o autor do texto. Não sei se é uma pessoa inteligente. Acredito que seu entusiasmo veio depois de algum espumante a mais, festejando o ano novo e a velha Dilma.