quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O CARA DE PAU




João Eichbaum

     Só por não terem culhões, os editores da Zero Hora deixaram de botar o Dionilso Marcon na página policial.
O cara fez ultrapassagem em local proibido, estava dirigindo sem habilitação e sua caminhonete estava com o parabrisa trincado.
É mole ou querem mais?
Mesmo assim, a notícia está numa página antes do noticiário policial. Se fosse eu, você, ou qualquer um que trabalha para sustentar vagabundos de gravata, ah, não tenho dúvidas, estaríamos na página policial, ao lado de assaltantes, traficantes, estupradores, etc. Nunca, porém, ao lado de políticos porque político, por mais corrupto que seja, nunca vai parar na página policial.
Agitador, invasor de propriedades alheias, estimulador de delinquentes e aproveitador de ações criminosas, Dionilso Marcon agora confessa mais um crime: falsidade ideológica.
Ao deparar com um significativo número de infrações de trânsito que lhe tolhem o direito de dirigir veículo automotor, o deputado do PT (e por acaso, com essas credenciais, poderia ser de outro partido?) Dionilso Marcon admite que emprestava o número de sua carteira de motorista, para que lhe fossem atribuídas infrações praticadas por outrem. Agora, diante da enrascada, como todo o petista que se espelha no Lula, com a maior cara de pau, não assume.
Pois é esse tipo de gente que faz as leis. Faz as leis burras, copiadas de outros países, para que nós, os idiotas, as cumpramos. E nós, com nossas multas e nossos impostos pagamos essa gente.
Vocês , que vivem se queixando dessa merda de governo e que, mesmo assim, reelegem o Dionilso Marcon, o Tarso Genro, o Raul Pont, e outros tantos da mesma laia, vocês é que devem se olhar no espelho e dizer, sacudindo a cabeça: sou um idiota.
Quem é esse Dionilso Marcon? De onde veio? O que fazia na vida, antes que vocês o tivessem eleito deputado estadual e depois federal?
É isso que vocês se devem perguntar. Se assim não fizerem, ó, não adianta se queixar, porque a vida de vocês vai continuar na mesma merda, sem educação, sem segurança e, por saúde, só terão a fila do SUS. Enquanto isso, tipos como o Dionilso Marcon, o Sarney e outros, continuarão embolsando seu dinheiro, o dinheiro que é fruto do seu trabalho, para melhorar a vida deles.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

LUCIANA GENRO JUSTIFICA CEM MILHÕES DE CADÁVERES


Janer Cristaldo
O ano era 1980 e eu vivia em Paris. Hospedei por alguns dias o namorado de uma advogada trabalhista gaúcha, que se dirigia a Moscou para um curso de cinco anos na Patrice Lumumba. Muito ingênuo, uns vinte anos antes eu havia postulado a mesma bolsa. Queria sair do Brasil, não importava para onde fosse. Quis o bom deus dos ateus que minha aplicação fosse interceptada pelos serviços de segurança, o que me valeu um interrogatório e uma noite de prisão em Dom Pedrito. Dos males, o menor. Ganhasse a bolsa, faria de minha vida um inferno e, na época, teria dificuldades para voltar ao Brasil.


Mas falava do gaúcho que ia para Moscou. Eu o recebi com meus melhores vinhos e charlamos por pelo menos duas noites. Que vais fazer em Moscou? – perguntei. “Vou fazer arquitetura, na Patrice. Um curso de cinco anos”. Sabes desenhar caixas de fósforos? – voltei à carga. Ele me olhou com um gesto de que eu não merecia resposta. Bom, meu caro, se sabes desenhar caixas de fósforo, já dominas toda a arquitetura soviética. Nem precisa ir.


Ofendeu-se, o gaúcho. Queria ir embora lá de casa. Instei-o a ficar, eu apenas fazia um comentário. Mas predisse: tu vives boa vida em Porto Alegre. Não vais agüentar nem seis meses em Moscou. Despediu-se de mim irritado.


Mês seguinte, chega sua namorada, a advogada trabalhista. Iria visitá-lo em Moscou. Ficou um mês esperando pelo visto. Nesse meio tempo, fui lhe apresentando as delícias do capitalismo. Bom, vai daí que a moça acabou indo ao paraíso socialista. Voltou um mês depois. De cabeça gacha. Como é que foi? – perguntei. Ela não falou muito. Disse apenas que era uma cidade concebida para gigantes. Antes de voltar ao Brasil, fez-mealgumas confidências. “Tudo é escasso lá. E não há escolha. Os absorventes higiênicos são enormes”.


Pois é, minha querida. País de gigantes é assim mesmo. Mas a história não termina aqui. Continuamos a trocar correspondência. Era a época das cartas, que demoravam pelo menos uma semana para chegar. Três meses depois, ela me dá notícias de Porto Alegre e fala que o namorado havia decidido voltar, que não via muito sentido em ficar cinco anos estudando agronomia em Moscou. (Agora, era agronomia. O curso inicial era arquitetura). Continuou escrevendo e, ao final, um PS: “Tche, o Rui chegou ontem”.


O bravo militante comunista, que fora à Rússia para um curso de cinco anos, não agüentou nem seis meses, como eu previra. Nos encontramos mais tarde em Porto Alegre.

Viu? – perguntei –. Nem seis meses. 
- Ah! Não vou te explicar. Não vais entender.

Não iria entender mesmo. Só afirmei que ele não suportaria nem seis meses em Moscou. Mas bom cabrito não berra. 
Digo isto a propósito do retorno de Cuba de Luciana Genro. A ex-deputada stalinista nos prometeu um relato de seu périplo, pelo qual esperei ansiosamente. Boa stalinista também não berra. Apesar de todos os relatos da miséria que assola a ilha, da fuga em massa dos cubanos para Miami, dos fuzilamentos sumários ordenados por Castro e Guevara, Luciana Genro encontra palavras para louvar uma ditadura de mais de cinqüenta anos – a mais longa do século passado.


“A vitória da guerrilha de Fidel e Che Guevara foi o coroamento de uma luta de massas que derrubou uma ditadura sangrenta que fazia do país o quintal de recreação da burguesia americana, à custa da pobreza extrema dos cubanos – escreve Genro – . Por isso esta revolução ainda é reivindicada pelo povo. Mesmo quem critica o regime sabe que a revolução cumpriu um papel fundamental para a libertação do país”.


Se antes era o quintal de recreação da burguesia americana, hoje é o bordel de todo Ocidente. Castro conseguiu um milagre. Banalizou a tal ponto a prostituição, que hoje um cubano oferece alegremente aos turistas sua mulher, em troca dos malditos dólares do império. Quando perguntaram a Fidel porque em sua ilha as universitárias se prostituíam, o Líder Máximo foi olímpico: é que em Cuba até as prostitutas têm grau universitário. Quanto a pobreza extrema dos cubanos, esta não é exatamente dos dias de Fulgencio Batista. O salário médio de um médico cubano, hoje, é de 15 dólares por mês, quantia que um mendigo tira fácil por dia no Brasil. As libretas de racionamento são achados do regime castrista, não do governo de Batista. Naqueles dias, quem queria sair de Cuba saía quando bem entendesse. Na ditadura de Castro, só fugindo e arriscando a vida no mar do Caribe.


A ex-deputada consegue ser um pouco mais honesta que Michael Moore em Sicko, mas acaba enredando-se em suas dialéticas contradições: “Depois do fim da URSS a situação econômica de Cuba piorou terrivelmente”. Qual era o subsídio da extinta à Cuba? Cinco bilhões de dólares anuais. Para uma ilhota de 10 milhões de habitantes. O que dá 500 dólares per capita ao ano. Hoje, um médico ganha 180 dólares por ano, menos da metade do subsídio soviético. Em uma frase, Genro atesta o fracasso total da dita revolução cubana.


“Não conheci a Cuba de antes, mas hoje a miséria anda nas ruas e contrasta com a opulência ostentada pelos turistas, que inclusive utilizam outra moeda para consumir o que é inacessível ao cidadão nacional. O que um turista paga por uma refeição em um restaurante médio equivale ao salário de um mês inteiro de um cubano, ou mais, dependendo da profissão. É verdade que o abismo entre ricos e pobres que vivemos no capitalismo não existe entre os cubanos, mas ele revela-se de forma cruel no contraste entre a capacidade de consumo dos cubanos versus a dos turistas”.


O turista usa outra moeda porque o regime não permite que os cubanos usem a mesma moeda do turista. E se um turista paga por uma refeição em um restaurante médio o equivalente ao salário de um mês inteiro de um cubano, a culpa não é do turista, mas do regime que oferece tais salários. Desde há muito um cubano não come não mesmo restaurante que um turista, e isto sempre foi assim em todo país socialista. Genro estabelece uma espécie de luta de classes entre os malvados turistas – esquecendo que ela também é turista – e os coitadinhos cubanos. Mas turistas vêm de economias capitalistas e conseguem pagar o preço dos restaurantes cubanos... para turistas.


Quanto aos cubanos, vivem em economia socialista ... e que se lixem. Diga-se de passagem, é o turismo que traz a Cuba os raros dólares que entram na ilha. Outros dólares são enviados pelos familiares refugiados naquele malvado país capitalista, os Estados Unidos.


A deputada até que reconhece algumas manchas no paraíso: “As glórias da revolução não anulam um fato que é claro como o dia: a população não tem canais de expressão. A direção do Partido Comunista Cubano é uma burocracia fossilizada que mantém a política interditada no país. Quem diverge é tratado como traidor e enquadrado como agente imperialista. Se eles lessem este meu relato eu possivelmente seria assim qualificada”.


Mas... qual partido comunista não é fossilizado? Ou ela conhece algum que seja ágil e moderno? Por que a ex-deputada não disse isto lá em Cuba? Mesmo assim, a militante do PSOL endossa todas as ditaduras do século passado:


"Pois finalizo reiterando as minhas convicções socialistas, reivindicando a revolução russa, chinesa, cubana… e a minha aversão aos burocratas ditos comunistas que desfiguraram o projeto comunista, que na tradição marxista registrada no Manifesto escrito por Marx e Engels é um projeto de igualdade, solidariedade e libertação de toda a exploração e opressão, seja ela exercida pela burguesia ou pela burocracia”.


Genro está endossando o preço das revoluções que louva: cem milhões de cadáveres. Desvios do projeto original. Quem sabe, numa outra tentativa... Afinal, quando as estatísticas estão na ordem dos milhões, centenas de milhares de cadáveres constituem apenas um detalhe. Tanto faz como tanto fez.




terça-feira, 17 de janeiro de 2012

CRÔNICAS ROMÂNTICAS


Paulo Wainberg

Poema da esperança.

Nas mil noites vazias ela vira, revira,
Caminha no quarto, sozinha.
Vai à janela, pobre dela, vê
O movimento lá fora,
E, de hora em hora,
Chora.

Nas mil noites vazias ela repete
O drama.
Toma leite na cozinha,
Sozinha,
E dorme sem emoção,
Olhando televisão,
Sentada no sofá-cama.

Nas mil noites vazias da moça
A Lua cheia insiste,
A cada noite mais triste
Sumindo na escuridão
E de novo remoça,
E de novo, desiste.

Durante o dia ela corre
Em busca da solidão
De outra noite vazia
Quando aos poucos morre
De tanta dor no coração.

Vara desertos vazios,
Geme na noite,
De frio.
Pobre moça, pobres dias,
Em mil noites vazias.

O que tirou de sua boca
O sorriso gentil?
Quem machucou essa louca?
Que mãos tocaram suas coxas?
Quais lábios beijaram seus seios?

Não sei.

Agora falando sério,
E para findar o mistério,
Eu sei, eu tenho certeza,
De porque ficou assim.
Triste, sozinha, sem rumo,
Ela pode achar o rumo,
Basta sair de si mesma
E voltar correndo pra mim.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

HISTÓRIAS QUE O NÉRIO CONTA


Não comento. Aqui já se discutiu muito a retirada do crucifixo de sala de audiências, onde Juizes não querem o crucifixo. Debates, programas de rádios, paixões, discutir futebol, religião e mulher nunca dá certo. O melhor é curtir. Total todos gostam. Cada um a seu modo. Tem até homem que não gosta de mulher. Como tem mulher que não gosta de homem. E daí. Nem por isso vamos mandar embora e sair da sala os homens e as mulheres diferentres. Só homossexuais fica muito chato. Só lésbicas fica cansativo. Há que ter um equilibio, entre lésbicas e travestís. Metade por metade para se atingir um equilibiro e ter  o sabor da conquista e o mundo ter graça.
.
Eu quando criança, vivi uma situação  curiosa e que não entendia. Na minha querida Antonio Prado, quando cursei o primário no colégio dos irmãos maristas, Colégio Sagrado Coração de Jesus. De 1946 a 1950.  Só fui entender, agora que fiquei grande, não em tamanho, nem em cultura, mas, sim, em idade (72) anos, gordura e 95 quilos e, portanto, muita banha sobrante. mas ainda estou lúcido. Pelo que se nota não há tubos entupidos e o oxigênio ainda circula para o meu cérebro. O que já é uma graça de Deus.  Estou no caminho da caduquice  ( dos pobres)   e do alzheimer, ( para os ricos)  -  pois até na classificação deste final trágico há diferença social no Brasilsão profundo.  Mas graças a Deus ainda não fui atingido. Há sinais. Evidentes.Eu sinto. Estou na  reta. No famoso brete da escuridão. No túnel da bobeira.

 Minha mãe dizia que a coisa mais triste do mundo é a velhice. E se a velhice for com doença bem aí melhor é morrer antes, pois não perturba,  não encomoda os familiares, não gasta tudo com hospital, médico e farmácia  e agora com esta invenção notável de a familia se libertar do peso do velho caduco ou alzheimer - a casa geriátrica - o depósito de velho. Que coisa mais triste.  Um depósito de velhos se parece com aquelas fábricas abandonadas dos bairros industriais decadentes das velhas indústrias ultrapassadas. Vidros quebrados. O teto  desabou.  A capoeira tomando conta. A cerca e o muro cairam. Os mendigos fazem moradia e seu foguinho para se esquentar. Vandalizaram a outrora pujante fábrica, que tinha vida e cheia de pessoas trabalhando e produzindo. Virou tapera.


 E o que acontece com a pessoa que entra na fase de  usar fraldão  geriátrico. Eis que não controla mais o esfincter anal e da urina. E uma desgraça e  uma decadência total.  Por isso, sou favorável ao Clube da Agulha. Descrevo e procuro viver o resto que me sobra antes de entrar no mundo obscuro e desconhecido do alemão Alois Alzheimer. De quem de lá nunca ninguém voltou.

Mas estamos falando de crucifixo na sala. No tempo da Ditadura do Getúlio Vargas, de 10.11.1937 ( Estado Novo) até 29.10.1945 ( data da queda do fazendeiro de São Bora, do Itú) era obrigatóiro manter em todas as repartições públicas, nas salas de aula, etc.  a foto do     "pai dos pobres",    do Dr. Getúlio Vargas. As fotos continuaram no governo que o sucedeu do General Eurico Gaspar Dutra, eleito em 2.12.1945  ao derrotar o Brigadeiro Eduardo Gomes.

Pois bem,  nas salas de aula do colégio dos Maristas, em Antonio Prado, sobre a cabeça do professor marista, o regente, dependurado na parede, lá estava a foto, grande, oficial, obrigatória, do Presidente da República, Getúlio Vargas, que foi ficando. No governo Dutra. Como  o   Getúlio apoiou o Dutra contra o Brigadeiro, então, a foto foi ficando. Ninguém teve coragem de tirar a foto  do  "pai dos pobres". E ainda mais após o governo Dutra, em 3.10.1950, na campanha "Ele voltará" - o próprio Getúlio Vargas se candidatou  e derrotou novamente o Brigadeiro Eduardo Gomes. Não terminou o mandato, pois, em 24.8.1954, cumpriu o que já ameaçara várias vezes, se matou com um tiro no peito no Palacio do Catete, naquele quarto sombrio, gélido, onde morava sozinho, pois, separado da esposa, dona Darcy Sarmanho Vargas e tinha como amante a corista do teatro rebolado e de revista a famosa Virginia Lane, ainda viva.  ( vive numa geriátrica da Barra da Tijuca, pobre e abandonada, mas lúcida)

Portanto, eu passei todo o meu curso primário em todas as salas de aula dos  maristas tendo que olhar aquela foto daquele senhor, já meio idoso, que ficava olhando para nós, pequenos alunos, com ár de corregedor e de disciplinador. Lá estava a foto famosa grudada na parede a causar um certo temor na gurisada, sobre a cabeça do brabo e violento irmão marista, regente, dando aula. Sabe lá o que é isso.   Uma criança no curso primário ter que ficar olhando durante o período de aula, nos cinco anos, do primário aquela foto, bem maior  do que o crucifixo. Mas, afinal quem era aquele homem, superior, imponente, que pousava sobranceiro na parede nos olhando com olhar inquisitório.?

Quando o regente ensinava História do Brasil então nós tinha que decorar os presidentes da República. Mal. Deodoro da Fonseca. Mal. Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Rodrigues Alves ate´chegar no homem da foto, Getúlio Vargas que era o presidente atual. Cujas fotos perduraram no governo adesista ao getulismo e ao queremismo     (queremos Getúlio de volta)     do General Dutra. Aí a turma ficava sabendo que aquela foto era a do Presidente. A pergunta que nos assaltava logo -  e a foto dos outros presidentes?  Por quê só a foto do Getúlio?...

Entendia em casa e vivia minha dúvida total infantil e que me traumatizava. Meu pai, Horacio Letti, era do Brigadeiro Eduardo Gomes. Tinha feito campanha cerrada pelo Brigadeiro  Eduardo Gomes, junto com aqueles homens de Antonio Prado.  O lema da campanha do Brigadeiro - era   -  " O preço da liberdade é a eterna vigilância"   -   dando uma alfinetada na ditadura do Getúlio após o Estado Novo de 1937. Cuja Constituição foi feita e redigida rapidamente pelo notável Francisco Campos, chamado de "Chico Ciência".

Meu pai dizia - a desgraça do Brasil é o Getúlio Vargas. Meu ´pai tinha horror ao Getúliio. Meu pai era do Partido Libertador, do PL. Até hoje não sei dos motivos que levaram meu pai a ter tanto ódio do Getúlio. O Getúlio tinha o poder. A chave do cofre. Era ditador. Quem era amigo do Getúlio tudo conseguia. Emprego. Obras Públicas. Tudo. O Getúlio era  um homem bom. Mas, meu pai era contra.

Meu pai era do Brigadeiro Eduardo Gomes  - o solteirão mais bonito do Brasil - o partido de todas as mulheres. Elegante. Fino. Educado. Bem fardado. Alinhado. ( alguns achavam até que ele era homossexual, os contra, lógico, os do PTB do Getúlio insinuavam que o cara era a bicha).

O irmão marista quando ficava brabo comigo na aula, gritava ,  ameaçava me bater, mostrava a régua, um metro de madeira de medir fazenda nas lojas, e dizia  -  " ainda por cima, teu pai é um herége, não é católico, não confessa, não comunga, não vai à missa, não frequenta a Igreja"  - bem aí, eu estava ralado - e ficava de castigo, na parede, de frente para a parede, de braços cruzados, lá na frente, de costas para a turma,  sob a foto do Getúlio,  até bater a sineta para o recreio.

E assim se passou minha infância em Antonio Prado. A foto do Getúlio na parede das salas de aula do colégio dos Maristas. E meu  pai, em casa, tomando vinho, no almoço, e dando discurso contra o Getúlio. Que paradoxo. Na aula venerado. Em casa execrado.
Bota confusão nisso na cabeça da criança.

Este ensinamento me serviu na vida de Juiz  para tratar igualmente a todos, na medida de sua desigualdade,   e me serve até hoje que me esforcei  para criar os tres flhos e agora ajudar na criação dos cinco netos.

Nério  "dei Mondadori" Letti.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A BÍBLIA LIDA PELO DIABO


7 Mas vós frutificai e multiplicai-vos: povoai abundantemente a terra, e multiplicai-vos nela.

Não disse que Ele só pensava “naquilo”? De repente, no meio do discurso sobre sangue, ele volta ao assunto: “multiplicai-vos”. Só faltava Ele falar em sexo explícito, pra botar pilha.
E se em vez de sexo, ele fizesse um por um, como fez com o primeiro: amassa o barro, sopra e ta feito o homem. Depois tira a costela dele e faz a mulher...?
To pensando que Ele se arrepiou com a mão de obra... Bem, se trabalhando só seis dias Ele cansou e já teve que decretar o repouso semanal, imaginem se tivesse que passar o resto da sua eternidade amassando barro e tirando costela!
Foi por isso que inventou essa coisa gostosa chamada sexo e exigiu “multiplicação”, como retribuição ao prazer. Quer dizer, pra disfarçar a safadeza, botou a ordem da “multiplicação”
E, no entanto, na Igreja Católica, essa ordem não é oficialmente obedecida. Com o tal de celibato, os padres são castrados moralmente, e aqueles que não aguentam essa castração saem botando os pés pelas mãos. Quer dizer, botando as mãos onde não deveriam...E o resultado são os inúmeros bastardos, filhos de padres, bispos, monsenhores, cardeais, papas, etc. que andam pelo mundo, se multiplicando, é claro, mas por causa da safadeza.

8 E falou Deus a Noé e a seus filhos, dizendo: 9 e eu, eis que estabeleço meu concerto convosco e com a vossa semente, depois de vós, 10 e com toda a alma vivente que convosco está, de aves, de rezes, e de todo o animal da terra convosco: desde todos que saíram da arca até todo o animal da terra. 11 E eu convosco estabeleço o meu concerto que não será mais destruída toda a carne pelo dilúvio para destruir a terra.

De repente mudou o discurso da raiva, aquela vontade de detonar tudo, “desfazendo toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus”.
A linguagem ficou mais “light”, direta, sem parábolas, o Velho parece ter escorregado na pieguice: não, a carne não mais será destruída pelo dilúvio.
O que é que deu Nele?
Alguém aí, que entende de teologia, pode me explicar?
É claro que teologia nenhuma explica. Ele é assim, exatamente como são os homens: sujeitos à alteração do humor, dependendo como levanta de manhã, às vezes querendo esbofetear o primeiro que aparece, outras vezes se derretendo de pieguice.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

AS MADAMES E SEUS FALSOS ESPELHOS




João Eichbaum

Hoje me deparei com uma delas. Com os cabelos escuros, brilhando ao sol, os olhos arregalados, quase fixos, debruados com pestanas e sobrancelhas rigorosamente iguais à cor do cabelo, ela caminhava devagar, toda precavida, como quem se cuida para não pisar na merda.
Mas aquele andar vagaroso não traduzia exatamente o receio de pisar em dejetos indeferidos pelo sistema digestivo. Era o sinal da segunda indesejável, aquela que ninguém dá conta, vem devagar, emite alguns avisos e, se a morte não chegar antes, é a vez dela: a velhice.
É, sim. Assim é, exatamente: as criaturas humanas, e as mulheres, numa proporção bem maior, não aceitam a velhice. E aí repuxam a cara, para cima, para baixo, para os lados, esticam o quê e como podem, com a intenção única de enganar transeuntes, mostrando-lhes uma idade incerta e não sabida.
Só que a juventude, que elas pensam em estampar nas suas faces esticadas à custa de bisturi, só existe no espelho delas. Na rua, o andar de velho é indisfarçável, não há  cirurgião que consiga o milagre de escondê-lo.
Sem que seja necessário olhar para o pescoço e as mãos encarquilhadas, a gente já sabe que o bisturi andou passeando pela cara daquelas criaturas.
E há bisturis e bisturis. Os bisturis baratos, pagos em vinte e quatro prestações com juros e correção monetária, ou os bisturis manejados por estagiários do sexto ano, nas aulas práticas de cirurgia, sem querer fazer trocadilhos, dão na cara.
Mas, as criaturas parecem ter eliminado o adjetivo “ridículo” dos seus dicionários. Saem pelas ruas, comemorando uma falsa juventude, cuidando para não piscar os olhos, nem largar puns, mergulhadas no desconhecimento de que a estética, na velhice, só combina com cabelos brancos e rugas.






quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ENIGMAS DA MENTE


Paulo Wainberg

Esta educativa coluna está sempre à frente do seu tempo, na incessante busca de soluções para os principais problemas da Humanidade.
Hoje, apresenta o resultado e a conclusão extraordinários da pesquisa que realizou, visando decifrar, de uma vez por todas, o fenômeno conhecido internacionalmente como O Raciocínio Tortuoso.
Tomemos a seguinte afirmativa para o exemplo: "Eu sempre falo a verdade e isto é uma mentira".
Ora, se é mentira que sempre falo a verdade, substituamos a proposição inicial para: "As vezes eu falo a verdade e isto é uma mentira".
Ora, se é mentira que eu as vezes falo a verdade, tentemos assim: "Eu nunca falo a verdade e isto é uma mentira".
Primeira Conclusão: De todas as proposições acima o único denominador comum é: "E isto é uma mentira".
Para que nossos críticos não nos acusem de parciais e tendenciosos, mudemos a proposição de caráter afirmativo para outra de caráter negativo: "Eu nunca minto e isto é uma mentira". Ora, se é mentira que eu nunca minto, logo: "As vezes eu minto e isto é uma mentira". Ora, sé mentira que às vezes eu minto, logo: "Eu sempre minto e isto é uma mentira".
De novo fica demonstrado que a única verdade possível é uma mentira e, consequente, tudo é uma mentira, afirmação que também é uma mentira.
Ficou claro, para o senhor e para a senhora, como funciona o Raciocínio Tortuoso?
Tragamos então, este finalmente solucionado enigma da mente, para o mundo real, onde as coisas realmente acontecem.
O Doutor Haroldo era médico e amigo de Osmar, isto, exatamente o Osmar, o nosso correspondente que não responde e não corresponde.
Osmar, acometido de fortes dores lombares decorrentes do excesso de cerveja, estava acamado e chamou o doutor Haroldo, que, pontualmente às nove da noite, chegou.
Osmar, na cama e rodeado de amigos, ingeria calmamente sua cerveja enquanto os amigos, menos politizados, tomavam doses generosas de uísque, todos confraternizando com o amigo doente.
O doutor Haroldo tinha uma característica interessante, só bebia e fumava quando estava junto com Osmar e, naquela noite, não foi diferente. Após examinar, diagnosticar e receitar, doutor Haroldo aceitou a primeira de três doses de uísque, suficientes para deixá-lo no ponto limite entre a lucidez e o coma. Fumou vários cigarros, conversou, riu e divertiu-se e, pelas onze horas anunciou que ia para casa, porque Clarinha esperava para jantar.
Logo após a saída, Osmar ligou para a casa do doutor Haroldo:
- Alô Clarinha, tudo bem? Aqui é o Osmar, o Haroldo está?
- Não. Ele me disse, quando saiu do consultório, que ia passar aí para ver você.
- Pois é, ele disse que ia chegar pelas nove e até agora nada.. Pede para ele me ligar, logo que chegar, ok?
Mal desligou o telefone, Clarinha ouviu os passos do doutor Haroldo, que apareceu diante dela desgrenhado, tonto, cheirando a uísque e cigarro.
- Onde vocês estava, Haroldo?
- Ué? Estava no Osmar.
- Haroldo, o Osmar acabou de ligar. Ele está esperando você desde as nove horas.
Osmar e os amigos esperavam, ansiosos, divertindo-se com a situação. Não demorou muito e o telefone toca:
- Osmar, pelo amor de Deus, diz para Clarinha que eu estava aí, ela vai falar contigo agora.
- Oi Osmar, é a Clarinha, afinal o Haroldo esteve ou não esteve aí?
- Não - respondeu Osmar com a maior seriedade.
O que houve a seguir você, meu caro amigo, você minha adorável senhora, podem perfeitamente imaginar, mas adianto que não foi nada bom.
Porém nossa tese ficou plenamente comprovada. A mentira de Osmar, foi verdade para Clarinha. A verdade de Haroldo foi mentira para Clarinha. O que prevalesceu? As duas mentiras.
E isto também é uma mentira.