terça-feira, 9 de dezembro de 2014

PLANETACHO

AS NEIRAS

FILOSOFIA DE BOTEQUIM

Queria ser guarda florestal, mas o mercado está cada vez mais escasso.

Imagine que sorte teriam as centopeias se tivessem pés de coelho.

O supersticioso comprou um livro sobre trevos. Só leu quatro folhas.

No alto das montanhas, o abominável homem das neves fazia uma série de abdominais.

Na casa do incendiário, as cortinas são de fumaça.

No fundo do drink uma azeitona que não sabia nadar.

Inventou um novo sistema de marcha à ré, mas na hora de registrar a patente deu pra trás...

Na verdade eu sou um cientista, embora sem nenhuma experiência.

Chove pouco no alfabeto.
Na verdade, só tem pingos nos is.

Masoquista assumido, não tinha vergonha de dar a cara a tapas.

A vovó passou a usar os ponteiros de relógio como agulhas de crochê.

Na verdade, aquela dupla sertaneja era um trio.
Um dos integrantes tinha dupla personalidade.

Queria cantar sertanejo universitário, mas não passou no Enem.

A vida pode nos levar a muitos lugares. O problema é o preço dos pedágios.

As pessoas mudam. O exemplo é o Eike Batista, que há bem pouco tempo era uma rica criatura e hoje não é mais.



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

SACERDOTE PARA SEMPRE

João Eichbaum

 Jesus Cristo, que fazia vinho até de água, volta e meia se deixava arrebatar pelas emoções: rogava praga, pegava chicote, xingava fariseus, fazia discursos inflamados. Num desses, bradou para seus discípulos “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo!”
A frase atravessou os séculos, com irresistível poder de “marketing”.
No rito da ordenação sacerdotal, se não estou enganado, o bispo impõe as mãos sobre o diácono candidato a padre e pronuncia as seguintes palavras; “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melchisedec (tu es sacerdos in aeternum, secundum ordinem Melchisedec)”.
A partir desse momento, a Igreja Católica trata o padre como um homem escolhido pela divindade judaico-cristã para difundir a “sua palavra”, e o privilegia com a jurisdição sobre as “almas”. Concede-lhe o poder de ouvir e perdoar pecados, de transformar a hóstia e o vinho em “corpo e sangue” de Jesus Cristo, de unir casais apaixonados, de encaminhar defuntos para a outra vida. E lhe inculta a missão especial de arrebanhar, dum jeito ou doutro, adeptos que estejam a fim do “reino dos céus”.
A morte é a matéria prima de que se valem as religiões para vender seu produto. O esgotamento do prazo de validade dessa composição física e química que é o animal, e que é uma coisa tão natural como o nascimento, foi transformado pelas religiões em mistério. O homem, esse animal que pensa e que, por isso mesmo, tem medo, foi explorado em seu lado fraco e aceitou a ideia de que a morte, longe de ser o fim, é um passaporte carimbado com visto, para  ingresso na vida eterna. Implantada a ideia, as religiões usaram de todos os meios possíveis para que o mito permanecesse, como um aviso constante: preparem as almas para a outra vida.
No caso da Igreja Católica, os que compõem o corpo eclesiástico são os arautos desse pensamento de que existe outra vida depois da morte e de que há galardões à espera de quem se comporta direitinho, confessa, comunga, vai à missa, paga o dízimo, não deseja o marido nem a mulher do próximo.
O mito da vocação sacerdotal, (“não fostes vós que me escolhestes, mas eu que escolhi a vós”) gerado no tempo em que Igreja se impunha pelo fausto e pelo poder material, foi erigido à condição de “status”. Ela passava para os crentes a ideia de que padre era um ser ungido com poderes “divinos”. Assim, engastado com tais atributos, era visto como ente superior, colocado  acima dos mortais comuns, aqueles que ficaram fora da lista, não foram chamados nem escolhidos.
 Foi com essa imagem que o sacerdócio imantou várias gerações.
Mas, vá a um asilo de padres, hoje, para ver se essa ideia de superioridade ainda permanece. Lá estão aqueles velhinhos, que um dia foram o “sal da terra”, com cara de tios solitários e tristes, olhando sem ver, ouvindo sem escutar, desplugados, entregues ao descontrole das funções fisiológicas, o pensamento vazio, sem saber quem são, o que fizeram, para onde vão; sem ter consciência plena de que estão vivos e de que fazem parte dessa grei chamada humanidade.
Então se vê que os “escolhidos” não foram poupados dos estragos da degenerescência. Foram colocados na fila de saída, completamente apagados, sem o direito de saber o endereço que os espera: céu, inferno ou purgatório, de que falavam quando eram “luz do mundo”.
Não há santidade que resista à miséria da velhice. Não há velhice que resista à decomposição imposta pela natureza, sem distinção entre santos, pulhas e ateus.



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ONDE FOI QUE ESSE SENHOR MAMOU?

João Eichbaum

Aventurando palpites furados sobre a “guarda compartilhada”, o senhor Gley P. Costa, que se diz médico psiquiatra e psicanalista, apareceu no jornal ZH com falsos alardes de saber, tachando de falácia a ideia de que “as mulheres são mais capazes do que os homens de cuidar de uma criança”. E, abusando da cátedra, acrescentou: “a biologia não é suficiente para estabelecer um vínculo de amor entre a mãe e seu filho”.

Gostaria de saber em que Faculdade de Medicina esse senhor se formou. Não quero passar perto. Tenho medo de emburrecer, de uma hora para outra.

Não é preciso ser antropólogo. Basta observar a vida de qualquer animal. Ao primeiro respiro fora da casca ou do útero, o animalzinho sente a presença da mãe. O instinto do animal, mais forte do que a inteligência do senhor Gley P. Costa, lhe garante que a mãe é o invólucro da sua proteção.

O único ser que, por instinto, o recém-nascido conhece é a mãe: é ela, e não o pai, que lhe dá alimento, é ela que o socorre ao primeiro berro provocado pela fome. O pai, o macho, é uma figura desconhecida, um ser remoto e estranho, sem significado algum na área de alcance do instinto animal.

O filhote se apega à mãe e dela se torna dependente. Sua sobrevivência, enquanto só dominado pelo instinto, depende exclusivamente da mãe e, nesse campo, não há espaço para o pai.

Diz ainda o aludido médico psiquiatra que “o amor materno, assim como o paterno é conquistado no convívio com a criança”.  Ora, amor é uma palavra inventada pelos poetas, que assim denominam até o opróbrio sexual, de que nascem crianças sem pai. Para os cientistas o que existe é o instinto. E esse é o laço que vincula o filho à mãe. A afeição pelo pai, essa sim, é pura decorrência do convívio, do hábito, do dia a dia – e não da biologia.

Sábio, mesmo, é o adágio popular: “mãe é uma só”. Os palpites do senhor Gley não revogarão as leis da natureza. A menos que ele tenha sido amamentado pelo pai. No peito, certamente, porque nada pior há de passar pela cabeça de quem quer que seja.



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O FIASCO OFICIAL
João Eichbaum

A coreografia da safadeza, neste país, sempre esteve sob a regência dos políticos. Se vocês conhecem ou conheceram algum político inteligente, honesto e bem intencionado, por favor, me apresentem essa criatura.  De minha parte, só conheci uma pessoa inteligente, culta, honesta e bem intencionada que, por pressão de líderes religiosos, se aventurou na política: o professor Armando Câmara, eleito senador pelo Rio Grande do Sul.

Armando Câmara renunciou ao mandato, porque se sentiu um peixe fora d’água: estava no meio de cafajestes ignorantes, mas astutos o suficiente para se manterem no poder, à custa, claro, da ignorância do povo que os elegeu.

O mestre foi direto, objetivo, e falou sem rodeios: a figura preponderante em sua decisão de abandonar o poleiro sujo da política foi João Goulart. Armando Câmara era um respeitável professor de filosofia na Faculdade de Direito da Universidade do Rio Grande do Sul, enquanto o presidente do Senado, João Goulart, não passava de um fazendeiro diplomado a muito custo como bacharel em Direito.

A dialética do professor de filosofia era um idioma estranho e desconhecido para o  político profissional que foi João Goulart. E isso pela única razão de que a subserviência não tem lógica: é comandada apenas por apetites pessoais.

E foram exatamente apetites pessoais que levaram a Maria do Rosário e a Ideli Salvati a gastarem inescrupulosamente o dinheiro de quem trabalha e não vive da política. Elas queriam tirar do esquecimento esse político que só fez politicagem a vida inteira, e que nada deixou para merecer a lembrança do povo eternamente enganado: João Goulart.

Mas elas acabaram fazendo o Brasil pagar um mico que vai ficar para a história. Desprezando a ciência brasileira e a capacidade dos médicos legistas deste país, levaram os ossos do político para exame no exterior, a fim de ser apurada a causa de sua morte. Queriam fazer dele uma vítima de “envenenamento”.

Deram com os burros n’água, naturalmente. Gastaram o nosso dinheiro, para mostrar que ninguém é melhor do que ninguém. E que  ignorantes, desonestos e mal intencionados são os políticos brasileiros, e não os  cientistas, os mal pagos e explorados, mas competentes cientistas brasileiros.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

ESPETO CORRIDO

Hugo Cassel

CANTINFLAS
     Esse era o nome artístico de Mario Moreno , Comediante  Mexicano. Encarnava, tal como Chaves, falecido esta semana, a figura de um pobre sem residência fixa. Falava  muito sem dizer nada tal qual alguns políticos atuais. 
É incrível que na Copa do Mundo, o Ministério contasse apenas com a possibilidade de ser Protagonista. Não tinha Plano B, para coadjuvante. O Turismo, a Industria mais barata do século, no Brasil, não tem a importância que merece. Os preços de movimentação interna, são maiores do que para o exterior. Passagens aéreas são absurdamente caras. Terminado o Brasileirão, sobram milhares de assentos.  Hospedagem idem. Nosso Secretário, agora mesmo participa em Buenos Aires de uma reunião, onde se discute a unificação das politicas no Mercosul, quando isso não existe nem no Brasil. Dependemos de esforços isolados de entidades como a Paratur, CVC, Abave e, Abrajet, que nas suas regiões, como Rio Grande do Sul, Pará e Santa Catarina, as mais ativas, produzem fóruns no interior, divulgando após, o patrimônio turístico. Parte da culpa é das Prefeituras. Agora mesmo no Rio de Janeiro aumentaram sabem o que? O preço do Trenzinho do Corcovado! Existe Lei determinando a formação de Conselhos Municipais de Turismo. Muitas Prefeituras não cumprem e, quando cumprem se omitem, como em Balneário Camboriú, onde o Conselho  reúne mais de 40 pessoas que nunca “se viram mais gordas”, e acreditem é Presidido por uma senhora cuja única credencial é ser Presidente do Sindicato dos Garçons! Não é divulgado nada sobre as reuniões, se é que fazem reuniões. Nem datas nem Atas, nem local. Pelo número de “Conselheiros” deve ser em algum auditório ou quem sabe no campo do Camboriú F.C. –Pouco Importa pois o Secretario de Turismo e o Prefeito “Tão nem Aí.”-O Turismo está no fundo poço (e não é de petróleo). 2015 tem perspectiva  negra. Quem vai arriscar sofrer arrastão em Copacabana? “Achar” uma bala perdida, ou ser torrado dentro de um Onibus?.

PITACOS-1-Dilma cometeu Estelionato Politico: Sabia que não cumpriria promessas. 2-O Brasil inteiro aguarda o” chumbo grosso” do Senador Romário na CBF. 3-Graça Foster na Petrobras:” Mais grudada que bosta em Tamanco!”


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

PLANETACHO

O EDSON

Edson não anda bem de saúde.
Hemodiálise, UTI, mil exames e tudo aquilo
a que nós humanos estamos sujeitos.

Na sala de espera e na porta do hospital
um bando de fotógrafos, cinegrafistas e
repórteres de TV, rádio e jornal na busca de
notícias sobre o estado de saúde de Edson.

Afinal de contas, por que  isso tudo, se o “seu
Edson” é um reles mortal como todos nós?

O que traz este bando de gente a um
plantão cansativo na frente do hospital
paulista é a saúde do rei do futebol. Pobres
coitados. Eles não sabem que, se o Edson é
mortal, o Pelé é eterno.

Ele usava a camisa dez. Fez mais
de mil gols. Nenhum deles
é mais famoso que os gols
que ele não fez.

A cada um deles, “Ele” saltava e dava socos
no ar. E como dizia o Caetano Veloso “o meu
coração da mata,então, gritava Pelé Pelé”.

Hoje, a cada gol vêm aquelas dancinhas. E o
que era “Pelé, Pelé virou um ridículo Lepo
Lepo.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

OS “IMORTAIS”
João Eichbaum

Só não se pode dizer que o Mário Sérgio Conti, em seu artigo intitulado “Conformismo e Coonestação”, publicado no caderno “Ilustrada” da Folha de São Paulo, na última sexta-feira, tirou dos cachorros para botar nos fardados da Academia Brasileira de Letras: os cachorros têm muito mais valias e virtudes.

 O cão protege seu dono, é seu amigo mais fiel, guia cegos, guarda rebanhos, faz companhia para idosos e deficientes, diverte e protege  as crianças e encanta adultos em desempenhos artísticos, ajuda a polícia nas investigações e bombeiros nas catástrofes, se presta até para auxiliar em diagnósticos médicos.

Já os “membros do clube”, como aos “imortais” se refere o Conti, só cuidam deles mesmos, de sua vaidade, de seu ego endeusado por imbecis, tirando proveito de jetons, “do escritório a que têm direito no centro do Rio e do mausoléu que os aguarda em Botafogo”, quando baterem as botas. Sem falar no jogo mútuo de confetes e nas abobrinhas no seu chá da tarde.

Mencionando particularmente algumas figurinhas, Mário Sérgio Conti mostra a pobreza intelectual da chamada Academia Brasileira de Letras.
De Getúlio Vargas, diz que o ditador “nem o bilhete suicida” conseguiu escrever. Ao mencionar o culto à “mediocridade literária”, lembra os nomes de Nélida Piñon e Murilo Melo Filho (você já leu algum livro deles?). Não deixa de falar em bajulação quando menciona Fernando Henrique Cardoso e Marco Maciel. E provoca estupefação nos menos avisados, quando lembra que o Ivo Pitanguy, que veste o fardão certamente porque escreveu receitas, é um dos “serelepes” do clube.

O artigo desemboca na revelação de que Ferreira Gullar, tempos atrás, jurara de pés juntos que “jamais entraria para a Academia”, mas  depois de “se submeter ao vexame de cabalar votos”, finalmente envergará o “fardão-ostentação”.

Por favor, jamais tirem dos “imortais” para botar nos cachorros. Os pobres animaizinhos não saberiam o que fazer com tanta desvalia. O contrário, sim, pode ser feito. Mas nenhum dos “imortais” saberia o que fazer se alguém lhes transferisse as virtudes e as valias dos cachorros. Enroscados que sempre estão no próprio ego, ficariam perdidos – aí sim - que nem guaipecas em procissão.