domingo, 19 de agosto de 2018


PLANETACHO

NO RIO
A renovação na política é fundamental. Está aí o Rio de Janeiro que não nos desmente. Lá tem até Garotinho concorrendo.

PLEITO
As eleições presidenciais não passam de um concurso master chef do Estado.

ENTÃO
A dúvida persiste: em Ursal se diz amigo ou companheiro urso?

MAU TEMPO
O dólar durante três dias a quase quatro, quase empata com as temperaturas. A economia brasileira vive um longo inverno.

DO PERU
A torcida do Inter finalmente esta semana pôde cantar: Guerrero...time de Guerrero.

SEGUNDO SOL
Assim que o horário eleitoral gratuito entrar no ar, os mais desatentos podem acabar confundindo os vilões da novela das nove com alguns candidatos.

SAÍDAS
Assistindo aos debates se constata que o Rio Grande do Sul tem várias saídas: Uruguaiana, Santana do Livramento, Jaguarão, Salgado Filho, etc...

REAÇÃO EM CADEIA
Cunha defendendo a candidatura do Lula e Temer elogiando Geraldo Alkmin é o que se pode chamar de gol contra.

PREPARA
Dá uma ideia da realidade da economia tupiniquim atual a notícia de que o grande sucesso em palestras de gestão tem sido a cantora Anitta.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018


SÓ O INFERNO NÃO TEM FRONTEIRAS
João Eichbaum
A madrasta a tinha vendido para um desconhecido, sem que ela o soubesse. Dominada por um homem barbudo, de braços nodosos, foi jogada inerme no porta-malas de um automóvel. Debalde berrou, se esbateu, gritou por socorro. Sufocada, sem ar, chorando, acabou dominada pelo cansaço.
Desembarcaram-na na Líbia, para fazer dela uma escrava sexual. Ela, que nunca tinha encostado sua carne na carne de um homem, se negou ao vilipêndio. Então lhe cuspiram no rosto e a submeteram ao suplício: deitaram-na por terra, amarrando-a com o rosto voltado para o sol. Inerte, sem comida, sem água, o rosto ardido pelas queimaduras, não teve alternativa, senão deixar que lhe extirpassem a dignidade.
Foi jogada no quarto de um prostíbulo imenso e sombrio. Ali, soldados, homens de Gana, da Nigéria e da Líbia, faziam dela o escoadouro de sua lascívia animal. Escarravam nela, espancavam-na. Sob a mira das pistolas dos soldados, era obrigada a lhes satisfazer a luxúria mais sórdida, aquela de que só são capazes as bestas humanas. Por vezes, mais de cinquenta homens dela se serviram, num só dia.
Conseguiu fugir, enganada por uma mulher que, sob a promessa levá-la de volta a seu país, a explorou no meretrício. Fugiu novamente, sendo levada por outro explorador do sexo, num desses barcos clandestinos, que despejam migrantes na costa da Itália. Primeiro em Nápoles e depois em Roma, passou a fazer a única coisa que sabia: prostituir-se. Engravidou, foi repudiada pelos os homens. Foi dormir na rua, vivia de esmolas. Recolhida numa instituição social, exames médicos revelaram: está com HIV. Mas não quer abortar, não quer matar o filho de um pai que nem sabe quem é.
A história dessa criatura, Adije, nigeriana de 24 anos, é uma, entre outras de vários migrantes, contadas pela escritora e jornalista argentina Mori Ponsowi, na revista Piauí. São histórias de seres humanos que, fugindo da desgraça, ou são tragados pelo mar, ou esbarram nas fronteiras da esperança, fechadas por seus donos, os países ricos.
Assim vai a vida na terra. Enquanto alguns celebram o esplendor da noite dos esponsais, outros são condenados à morte. É abissal a desigualdade que separa os que sofrem dos que soltam seu riso superior. Quimeras de sociólogos e filósofos e orações do papa têm o mesmo efeito das opiniões dos motoristas de táxi: nada resolvem. Por tudo isso, perdido num universo que tem as próprias leis, o homem não consegue se desvencilhar dos estigmas da animalidade, do egoísmo e da maldade, que o tornaram o pior espécime do gênero a que pertence, depois que perdeu o pelo e o rabo.

terça-feira, 14 de agosto de 2018


ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE
Mariléia Sell
Os dois formavam um casal de novela: jovens, bonitos, ricos e estudados. Nas redes sociais, ostentavam toda a sua felicidade em dentições perfeitas. A vida nunca lhes negara nada. O futuro era só promessas. Ele defendia os valores cristãos e familiares. Reconhecia a família como a célula mais importante do grande organismo social. Como homem de família, tinha a missão de conduzir os rumos desta célula. Ela achava graça do marido: tão jovem e tão apegado às tradições. Ao mesmo tempo, achava-se amparada por alguém cujos valores eram tão firmemente assentados.

É certo que, às vezes, ela sentia-se um pouco incomodada com a assertividade do marido. Mas nada grave. Acabava cedendo para não contrariá-lo; ele sempre parecia saber o que estava fazendo. Era um homem firme e autoconfiante, não era desses que fraquejavam por falta de atitude. Para evitar aborrecimentos desnecessários com as pequenas miudezas da vida, deixava que ele decidisse as coisas. Às vezes, ele a corrigia nas suas opiniões, mas isso também não era motivo para desestabilizar a relação. Ele explicava detalhadamente a ela como as coisas funcionavam e tudo ficava certo. Pensando bem, às vezes, ela tinha dúvidas mesmo sobre a lucidez do seu próprio raciocínio. Nesse sentido, achava importante ouvir outras opiniões. Assim, ela organizava as ideias e elaborava o mundo a sua volta. Certas irrelevâncias, é necessário saber ignorar, pensava sempre, acionando uma lógica interna de economia. Tinha pavor daquelas mulheres que ficavam polemizando por qualquer coisinha. Achava desnecessário.

Com gosto, ele assumia a tarefa de fazer planos pelo casal. Para não dizer que não ouvia a esposa, as vezes aproveitava uma ideia ou outra e as incorporava nos seus planos maiores. Evidentemente, as ideias dela eram, no mais das vezes, descabidas.  Secretamente, ela ficava lisonjeada ao perceber que o marido acatava sugestões dela, mesmo ele não admitindo abertamente, mesmo creditando-as a si mesmo. Era o seu jeito de validá-la; ela compreendia bem. Ela sempre compreendia.

Por ter uma personalidade muito forte, de quem tem opinião bem cimentada, eventualmente elevava o tom da voz com a esposa. As vezes batia na mesa ou arremessava objetos. Nada demais, é só porque ele tinha muita convicção das coisas, não ficava hesitante e inseguro como tantos outros. Seus olhos não ficavam buscando aprovação alheia, como ela mesma faria. É natural que pessoas com um poder de compreensão mais privilegiado fiquem aborrecidas, vez ou outra, com os que ainda não alcançaram esse patamar de afirmação pessoal. É um pouco cansativo ter que traduzir o mundo o tempo todo. Como se não bastasse a exaustiva tarefa dele, a esposa, vez ou outra, argumentava. A culpa era dela quando as situações saíam do controle, ela deveria saber que o nível de tolerância do marido era baixo. Ela sempre soube, aliás. Ela sempre permitiu o comando dele. Para que provocar agora? Ele não era má pessoa, que ninguém entenda mal. Quando batia nela ou a chutava, era porque circunstâncias muito específicas o levavam a isso. Sempre é preciso considerar o contexto dos eventos para não fazer injustiças ou lançar-se a julgamentos precipitados.

Um dia, superados todos os limites da paciência, ele se viu obrigado a jogar a esposa pela janela. Ela dera para discutir agora; perdera a noção das coisas. Os gritos dela e os pedidos de socorro não foram ouvidos pela vizinhança. Todos sabem que entre briga de marido e mulher não se mete a colher. Acomodado este dilema moral, todos voltam a dormir tranquilos, com as suas consciências apaziguadas, o sono dos justos. Agora não há mais concessões a fazer, roxos a esconder, gritos a abafar. O corpo inerte na calçada é o derradeiro ajuste da esposa ao casamento.

Mariléia Sell é Professora Doutora dos Cursos de Letras e Comunicação da Unisinos



domingo, 12 de agosto de 2018


PLANETACHO

CASCATA?
Aumento dos ministros do STF terá “efeito cascata” de R$ 4 bilhões. Tipo assim, as cataratas do Iguaçu.

RETROATIVO
Gilmar Mendes soltou mais três esta semana. Só para tirar o atraso...

AVES
O PSDB com tanto espaço no horário eleitoral gratuito terá que ter muito sangue frio. Resumindo, os tucanos terão que se transformar em pinguins...

NO CONGRESSO
A bancada da bala se articula no Congresso. O que deve aumentar muito a venda de carros blindados e coletes.

PERGUNTA
O time do Inter não corre perigo de virar "chacrinha" com a contratação do velho Guerreiro?

JUSTIÇA DIVINA


Maluf usou o celular e acabou quebrando uma das regras da prisão domiciliar e se justificou dizendo que Deus o absolve.

CONSELHO
Depois do primeiro debate dos presidenciáveis, só nos resta dizer:
   - Corram para as montanhas...

PIADAS PRONTAS
·        *Declaração de bens de Romero Jucá informou que o senador “empobreceu” na política...

·                * Suzane von Richthofen deixa a prisão para a saída do Dia dos Pais


sexta-feira, 10 de agosto de 2018


MANUELA, A CANDIDATA
João Eichbaum
A filha da desembargadora tem charme de madame, mas diz que é comunista. Comunista, socialista, trotskista, essas modas pegam na adolescência, na farra da política estudantil. É chique ser de esquerda nessa fase em que, entre prazeres e ócios cotidianos, os filhinhos de papai e mamãe têm casa, cama, comida, e suas cuecas e calcinhas lavadas por mulheres da periferia maltratadas pela vida.
Depois, passada a crise da revolta contra o mundo, que cria intempéries na família com aquele clima do não to nem aí, que contraria os pais, geralmente passa a doença do esquerdismo. Saído da adolescência, e com a perspectiva de não ter o conforto e a segurança da casa paterna, o sujeito é convocado a travar a luta pela vida. Aí, não sobra tempo para quimeras.
Mas, há as exceções, claro. Há quem, ainda à sombra da família bem ou mal constituída, tenha grana para fazer política sem pegar no batente. Gente que leva jeito para enrolar incautos e deslumbrados, com arengas que prometem a felicidade eterna, pode se dar esse luxo, porque vê no Estado o provedor das mordomias que a família lhe proporcionava na adolescência.
Pobre não tem tempo de pensar em política. Pobre tem que trabalhar, e quem trabalha não tem tempo para desperdiçar com veleidades. Mas há pobres muito sensíveis à vida fácil. Esses pegam a trilha da liderança sindical, o único meio que os transporta da condição de explorados para a de exploradores. Aí o cara, sem deixar de ser socialista ou comunista convicto, aproveita os benefícios do capitalismo.
Filha de desembargadora, com diploma de jornalismo obtido em faculdade particular, Manuela d´Ávila foi eleita vereadora aos 24 anos. De seu currículo não consta qualquer tipo de batente, desses de que necessita o pobre, para ter o que comer, o que vestir e onde morar, tendo que levantar às cinco da matina pra ser espremido no busão.
A carreira dela foi um foguete político: deputada estadual, federal. Agora, ela mira o topo. Só não foi indicada oficialmente para compor, como vice, a chapa do PT à presidência da República, porque, do calabouço, o Lula desaprovou o libreto da ópera bufa: um torneiro mecânico, que deixou o nordeste estropiado pela vida, acaba alcançando a glória de traçar os destinos da pátria com a bela filha da desembargadora, criada no berço esplêndido do auxílio-moradia e demais benemerências que os deuses garantem aos príncipes de toga. E aí remendou: mas pro patrício Haddad ela serve...


terça-feira, 7 de agosto de 2018


MIAMI É MELHOR QUE FORTALEZA
Mariléia Sell

Uma experiência sociológica interessante é ficar presa em uma fila, falo presa porque a fila é um lugar compulsório. Inútil resistir, debater-se; a fila é um exercício de resignação, um estágio para a evolução espiritual. Não conheço ninguém que goste de filas, que opte deliberadamente por ficar em filas, embora deva existir alguém nesse mundo. Sempre tem gente do contra! Mas não subestimemos a potência da fila; este lugar tão mundano e tão ordinário já foi merecedor de complexos estudos etnográficos, justamente por revelar práticas sociais igualmente complexas.

Bem, depois de depositar meus 39 itens de metal, conseguir passar pela porta giratória do banco e retirar a senha 4.398, instalei-me em uma cadeira estofada. Hoje em dia, o tempo perdido da espera é compensado com cadeiras estofadas. Quando as hérnias de disco não latejam, os clientes reclamam menos. Comecei a olhar fixamente para o painel das senhas, mas isso, como sabemos, só piora a espera. De repente, meus ouvidos deslizam para uma conversa entre duas senhoras ao meu lado. Elegantes senhoras. Penteadas e escovadas. Cheias de joias. As bolsas custariam o equivalente a um ano de trabalho de uma professora. 

O assunto era viagens. Comecei a me concentrar no tópico, pensando nas férias, sempre tão desejadas e tão distantes no horizonte. Me disfarcei toda, para que não percebessem minha orelha espichada. Olhei reto para frente, para o moço do caixa, magro e desanimado, provavelmente necessitado de férias. O meu ar blasé encobria um genuíno interesse científico; queria entrar no mundo delas. Se me notassem, entretanto, as falas das elegantes senhoras não teriam valor sociológico, pensei. É preciso ter método!

Tinham estado no Nordeste, as senhoras. Em Fortaleza, mais especificamente. Não se cansavam de elogiar as praias e o hotel magnífico, à beira mar. Já no café da manhã, eram mimadas com tapiocas e frutas exóticas por intermináveis garçons. Tomando sucos de mangaba, apreciavam os coqueiros balançando suavemente. A paisagem as fazia esquecer do frio do Sul. O Sul era terra de extremos! Mangaba é riquíssima em vitamina C; excelente para a pele, lembraram, saudosas. As tapiocas há muito já estavam nas suas cozinhas, por ser um alimento leve, ideal para manter a forma.

A essas alturas, eu já estava tomando coco em alguma praia paradisíaca, mas meu idílio durou pouco. A viagem das senhoras não foi só alegrias; infelizmente elas passaram por alguns desconfortos. Em Fortaleza, havia muita gente feia, lamentaram. A feiura é sempre um elemento a ser lamentado! Horrorizavam-se com as peles tão descuidadas, tão esturricadas pelo sol, tão carentes de vitaminas e de sais minerais. Até as crianças já pareciam velhas em miniaturas. “Não comem proteína”, concluíram em uníssono. Como pode alguém não saber dos malefícios do sol? É tão amplamente divulgado hoje em dia! Mulheres de 25 anos aparentavam ter 45 ou mais. Um verdadeiro horror todo esse desleixo com a aparência! Os cabelos também eram descuidados, ressecados, espetados. Mas isso seus olhos sensíveis até superariam, não fossem os dentes. Como conviver com esses sorrisos murchos?

Também as aborreceu a abordagem invasiva dos nativos. Os vendedores ambulantes não as deixavam em paz por um segundo. Facilmente passavam por gringas, tão brancas que eram: “um verdadeiro assédio”. Como não se incomodar com os corpos tortos e ressecados carregando o mundo para vender? Corpos inclinados com o peso da mercadoria. Com o peso da sobrevivência. Inegavelmente, a estética da pobreza é algo que incomoda. Com tanta falta de beleza, ficou impossível para as senhoras abstraírem da realidade e relaxarem. E quem não precisa, nos tempos que correm, abstrair da realidade? Realidade demais estressa; terreno fértil para os radicais livres. E se há algo a ser evitado nessa vida são os radicais livres.  Eles envelhecem.

As próximas férias precisam, definitivamente, ser melhor planejadas, ponderam seriamente. No Nordeste fica difícil para as simpáticas senhoras esquecerem que estão no Brasil. Considerariam seriamente Miami. Se o dólar ajudar!

Mariléia Sell é Professora Doutora dos Cursos de Letras e Comunicação da Unisinos


domingo, 5 de agosto de 2018


PLANETACHO
MAR
Em meio a um mar de desemprego no País o setor que mais cresce é o mercado de candidatos à vice-presidência.

RESSABIADOS
Com este mercado crescente, os que andam ressabiados são os candidatos à presidência da república. Ressabiados para não dizer temerosos.

VERBAS
Com a proximidade das eleições tudo é feito a toque de caixa...um, dois, três.

ENTÃO
Os candidatos a vice estão motivados. E não é para menos no Brasil de José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer.

NA HORIZONTAL
O horário eleitoral gratuito vai ser uma espécie de o “Brasil que eu quero” dos famosos.

MUITOS
Quem deve ocupar mais tempo no horário eleitoral é o Geraldo Alkmin (PSDB), já que é apoiado por um grupo grande de partidos chamado Centrão. É partido para chuchu.

SER OU NÃO SER
O Brasil virou um self service de vices.

RECLAME
Neymar recebeu mais de um milhão de reais da Gilette para pedir desculpas por sua atuação na Copa. O comercial não foi bem aceito nas redes sociais. Talvez se fizessem alguns cortes...

PROBLEMA
Quantas vaquinhas teriam que ser feitas para pagar os advogados dos donos da Friboi?

O ROTO
Temer criticou as barbaridades dos pré-candidatos durante a campanha. Logo ele que fez um governo bárbaro...