segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
CRÔNICA DE NATAL
João Eichbaum
Sou cristão porque me batizaram, quando era muito pequenininho e ainda não sabia dizer “não”. Devo ter esperneado, na hora do batismo, com água fria e sal na testa, devo ter me borrado e mijado na rica fralda que a minha mãe preparou para o batismo, pobre de mim, mas nem o padre nem meus padrinhos entenderam a minha linguagem. Hoje, não tenho dúvidas, esperneei, berrei, e me borrei porque não queria ser cristão.
Que me perdoem os cristãos, os que vão à missa, os que acreditam nos padres, nos bispos, no papa e outros que tais, mas não me sinto muito à vontade em sendo cristão, exatamente porque me impuseram uma religião goela abaixo, não respeitaram os meus esperneios, berros, puns e cagadas, não entenderam, quando eu quis dizer “parem com isso, seus fiadas putas”.
Foi uma baita sacanagem, isso foi. E depois disso, em nome do cristianismo, ainda me proibiram de fazer sacanagens com as menininhas eternamente primaveris, de quem eu sempre gostava e com os mulherões dos outros, as quais sempre encheram meus olhos e estiveram na mira da minha admiração.
Mas, agora, o que fazer? Sou cristão e pronto. Não tenho como reverter o batismo.
E por ser cristão, conquanto não acredite em presépios com ovelhinhas e vaquinhas, menininhos Jesus de olhos azuis e degolação de crianças (embora quando ouço berros das mesmas na vizinhança, me lembro, saudosamente, do Herodes), caio na onda dos presentes e abraços, e tenho que ouvir “feliz natal”, sem querer, a toda a hora e receber cartões (sim, por incrível que pareça, tem gente que ainda usa os Correios e escreve cartões e me manda e eu tenho que botar tudo no lixo) e e-mails com a frase, eternamente recorrente, “feliz natal”. E tem gente que até me deseja um “abençoado natal”.
Mas suporto, pacientemente, tudo isso e olho, pacientemente, o povo se atropelando nas ruas e lojas, porque é Natal e é sempre no Natal que tomo o penúltimo porre do ano, lembrando que sou cristão.
À saúde de todos vocês.
João Eichbaum
Sou cristão porque me batizaram, quando era muito pequenininho e ainda não sabia dizer “não”. Devo ter esperneado, na hora do batismo, com água fria e sal na testa, devo ter me borrado e mijado na rica fralda que a minha mãe preparou para o batismo, pobre de mim, mas nem o padre nem meus padrinhos entenderam a minha linguagem. Hoje, não tenho dúvidas, esperneei, berrei, e me borrei porque não queria ser cristão.
Que me perdoem os cristãos, os que vão à missa, os que acreditam nos padres, nos bispos, no papa e outros que tais, mas não me sinto muito à vontade em sendo cristão, exatamente porque me impuseram uma religião goela abaixo, não respeitaram os meus esperneios, berros, puns e cagadas, não entenderam, quando eu quis dizer “parem com isso, seus fiadas putas”.
Foi uma baita sacanagem, isso foi. E depois disso, em nome do cristianismo, ainda me proibiram de fazer sacanagens com as menininhas eternamente primaveris, de quem eu sempre gostava e com os mulherões dos outros, as quais sempre encheram meus olhos e estiveram na mira da minha admiração.
Mas, agora, o que fazer? Sou cristão e pronto. Não tenho como reverter o batismo.
E por ser cristão, conquanto não acredite em presépios com ovelhinhas e vaquinhas, menininhos Jesus de olhos azuis e degolação de crianças (embora quando ouço berros das mesmas na vizinhança, me lembro, saudosamente, do Herodes), caio na onda dos presentes e abraços, e tenho que ouvir “feliz natal”, sem querer, a toda a hora e receber cartões (sim, por incrível que pareça, tem gente que ainda usa os Correios e escreve cartões e me manda e eu tenho que botar tudo no lixo) e e-mails com a frase, eternamente recorrente, “feliz natal”. E tem gente que até me deseja um “abençoado natal”.
Mas suporto, pacientemente, tudo isso e olho, pacientemente, o povo se atropelando nas ruas e lojas, porque é Natal e é sempre no Natal que tomo o penúltimo porre do ano, lembrando que sou cristão.
À saúde de todos vocês.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
COLUNA DO PAULO WAINBERG
O JANTAR
Paulo Wainberg
Dizem que todos os anos, em Dezembro, Belzebu, Mefistófeles e Lúcifer se reúnem para um jantar de avaliação sobre o ano que passou e o planejamento para o ano seguinte.
O cardápio é elaborado pela alma penada de Chef de Cuisine cozinheiro que, após preparar e servir o jantar de Maria Antonieta, na noite de 14 de julho de 1789, no Petit Trianon do Palácio de Versailles, tirou o avental e o chapéu de mestre-cuca e aderiu ao povo na grande tarefa de derrubar a Bastilha.
Para evitar discussões sobre hierarquia, a mesa do jantar tinha a forma de um triângulo eqüilátero para que todos ocupassem simultaneamente a cabeceira.
Belzebu era o encarregado das almas dos políticos, assessores, jornalistas, jogadores, comentaristas e repórteres de futebol, flanelinhas, telefonistas de call centers, juízes de todos os tribunais, delegados de todas as polícias, promotores públicos, chefes de repartição e encarregados de almoxarifado.
Mefistófeles administrava as almas dos empresários, especuladores, banqueiros, garçons irritados, pregadores, vendedores de consórcios, economistas, motoristas de táxi, motoqueiros, gerentes de financeiras, arquitetos de interior, pichadores e organizadores de passeatas.
Lúcifer geria almas do resto da população, como os infratores de pecados, capitais e veniais, vendedores de churrasquinho de gato, críticos de arte, literatura, música e cinema, executivos, radialistas chatos, eminências pardas, vendedores de rede na praia, agentes funerários, publicitários, pessoas que ocupam os dois espaços em escadas rolantes, gente que para nas portas dos edifícios, operadoras de celular que ligam para saber se está tudo bem e mil outras.
Para quebrar o gelo inicial e dar boas gargalhadas tinham combinado há milênios que durante a refeição, falariam exclusivamente sobre a seção brasileira do Inferno.
Deixavam os assuntos sérios para os licores e charutos.
Belzebu era o mais animado de todos, pois havia superlotado seu setor naquele ano. Milhares de vereadores e deputados, todos os senadores e milhões de candidatos haviam assinado o Pacto. Também era infinito o número de assessores signatários e o Presidente está ali, ali para assinar, seduzido pela promessa de uma possível re-eleição. Belzebu tinha enorme esperança de trazer sua alma para as profundezas, um lucro extraordinário na sua contabilidade além da expectativa de boas conversas.
Aumentara suas doses de sedução cooptando almas das outras seções para alimentar a ambição do Presidente, fornecendo números e estatísticas deslumbrantes, tirando o Presidente da linha de frente dos escândalos sucessivos e inserindo-lhe a sensação de invencibilidade. Tinha Belzebu certeza de que, se não fosse neste, no ano que vem o Presidente pingaria sua gota de sangue no Pacto.
Mefistófeles também exultava. Usando as almas dos executivos, administradas por Lúcifer, conseguira deflagrar uma crise financeira mundial de tal proporção que as almas sob sua gerência não pensavam duas vezes em assinar o Pacto com o próprio sangue.
Os três desabaram numa gargalhada infernal que ressoou em todo o território do Inferno, quando Mefistófeles referiu que seus gerenciados no Brasil se diziam tranqüilos e que a crise não era com eles. Quando relatou algumas das frases de economistas e vendedores de consórcios, Belzebu e Lúcifer engasgaram de tanto rir e tiveram que cuspir os pedaços de ovos de cardeal acebolados, servidos como entrada. Para aquele ano não sobrava mais espaço na sua seção e ele já providenciara no novo anexo para o ano seguinte.
Lúcifer era o menos entusiasmado. Embora o setor de aproveitadores de tragédias tivesse crescido bastante nos últimos meses, estava enfrentando uma forte e ferrenha concorrência celestial. Ao que lhe constava, há muito os céus haviam desistido das almas gerenciadas por Belzebu e Mefistófeles, concentrando suas energias no contingente dele, Lúcifer. Guardava uma mágoa mal-disfarçada, considerando que por trás de tudo havia um favorecimento velado aos outros dois. Enquanto Mefistófeles e Belzebu haviam conseguido quase dois bilhões de assinaturas novas no Pacto, Lúcifer mal atingira a marca do bilhão.
- O meu setor – reclamou Lúcifer, engolindo um delicioso pedaço do prato principal – está muito visado e as adesões ao Pacto estão diminuindo em ordem geométrica. Preciso pensar em novas estratégias para o próximo ano – concluiu, pegando outra fatia.
Mefistófeles, com o tridente, serviu-se de generosa porção de intestino grosso de caçadores ao molho pardo, prato infernalmente conhecido pela perfeição com que Chef de Cuisine o preparava, adicionando molhos exóticos como salsaparrilha e quistos sebáceos.
- Eu não posso reclamar – falou Belzebu, mastigando um olho de advogado em conserva. Ainda hoje à tarde colhi a assinatura do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do Chefe da Polícia Federal. Eles querem, imaginem só, que o povo acredite na versão deles no caso do DD.
Nova gargalhada ribombou nas profundezas.
- O problema que estou enfrentando – continuou – é conciliar as garantias que dei, em troca da assinatura do Pacto, ao TG, JS e DR que eles seriam eleitos. Mas – e gargalhou novamente – eles são brasileiros, desde quando acreditam em promessas?
- O mais engraçado aconteceu comigo – ponderou Mefistófeles. Desafio vocês a contarem caso mais divertido. Coisa bem de brasileiro. E quáquáquáquá. Foi tão forte a gargalhada que duas pontes móveis de uma senhora que tomava cafezinho em um boteco de Veneza se soltaram. Mandei meus demônios oferecerem duplicação de estradas, redução do valor de pedágios, recuperação de lagos e rios, construção de túneis e viadutos e o fim do mosquito da dengue. Eles obtiveram a assinatura de ministros, secretários de estado, todos os executivos, donos de empreiteiras, fiscais da saúde e os caras acreditaram! Faço isso todos os anos com os novos que estão ocupando os postos e eles acreditam. Eu garanto o que prometo a eles: grana, muita grana. Ficam ricos lá em cima e depois são descobertos, presos, perdem tudo e depois descem, direto para os meus braços. Eu me divirto caras, me divirto muito com essa gente. Acho que nunca vão aprender.
- O meu problema – disse Lúcifer – é que os pecados capitais são cada vez menos pecados. Lá em cima estão perdoando a torto e a direito. Marido de um com a mulher de outro não faz nem cosquinhas. Os publicitários, que antes enchiam meus porões, são absolvidos a torto e a direito. Os chatos já nascem perdoados senão o céu ficaria vazio, e assim por diante. Honestamente, acho que as religiões lá em cima estão sofrendo um forte afrouxamento moral. Assim não é possível! Se a situação não mudar vou ter que pedir a convocação de uma Convenção Integral!
- Ó! – exclamaram Belzebu e Mefistófeles. – Uma Convenção Integral? Com a presença dos Dois?
- Exatamente – disse Lúcifer, servindo-se da sobremesa: mousse de cérebros da estação. Com a presença dos Dois!
Eles sabiam o que aquilo representava. Apenas uma vez, desde a queda, se realizara uma Convenção Integral: quando houve forte pressão lá de cima, encabeçada por sacerdotes vaticanenses, para absolver os nazistas. E fora terrível!
Um Debate Infinito que mudou as estruturas da superfície e exigiu arranjos apressados tanto em cima quanto em baixo. As profundezas saíram vitoriosa, uma vitória que custou caro, pois tiveram que, na contrapartida, abrir mão da elite russa, dos agentes da CIA e das almas de GV, CL, LCP, todos brasileiros e gozando, para a eternidade e injustamente do ponto de vista infernal, as delícias celestiais.
Ardilosamente o Inferno criou novo mercado para compensar as perdas, uma nova fonte de almas: os terroristas.
As configurações da superfície foram de tal modo abaladas que até para o espaço os humanos foram, em busca de novos lugares para corromper.
E agora vinha Lúcifer propor uma nova Convenção Integral com todas as respectivas e imponderáveis conseqüências!
- Calma, calma, companheiros, é apenas uma idéia. Ainda não decidi porque pretendo recuperar o terreno perdido. Já não existe, por exemplo, um único agente funerário que não tenha assinado o Pacto. A quase totalidade dos vendedores de rede na praia já assinou.E o pessoal da televisão, sem exceção, em troca da promessa de audiência.
Estou programando uma forte investida, ano que vem, nos pesquisadores de opinião, nos médicos em geral e ali, no Brasil, nas pessoas que enviam crônicas pela internet. Com estes não terei perdão.
Mais calmos Mefistófeles e Belzebu terminaram a sobremesa e foram para o salão de fogo fátuo. Sentaram confortavelmente em suas poltronas enquanto o capuchinho, café preparado com borra de fígado de freis capuchinhos, era servido por Chef de Cuisine em pessoa, que foi muito cumprimentado pelo jantar oferecido.
Quando chegaram os licores e charutos os três, sabendo que tinham pouco tempo até o dia 31 para apresentarem pessoalmente os relatórios e projetos ao Diabo, passaram a discutir os assuntos sérios.
Sem mais delongas Mefistófeles perguntou a Belzebu:
- Então, meu caro, quando Barack Obama assinará o Pacto?
Paulo Wainberg
Dizem que todos os anos, em Dezembro, Belzebu, Mefistófeles e Lúcifer se reúnem para um jantar de avaliação sobre o ano que passou e o planejamento para o ano seguinte.
O cardápio é elaborado pela alma penada de Chef de Cuisine cozinheiro que, após preparar e servir o jantar de Maria Antonieta, na noite de 14 de julho de 1789, no Petit Trianon do Palácio de Versailles, tirou o avental e o chapéu de mestre-cuca e aderiu ao povo na grande tarefa de derrubar a Bastilha.
Para evitar discussões sobre hierarquia, a mesa do jantar tinha a forma de um triângulo eqüilátero para que todos ocupassem simultaneamente a cabeceira.
Belzebu era o encarregado das almas dos políticos, assessores, jornalistas, jogadores, comentaristas e repórteres de futebol, flanelinhas, telefonistas de call centers, juízes de todos os tribunais, delegados de todas as polícias, promotores públicos, chefes de repartição e encarregados de almoxarifado.
Mefistófeles administrava as almas dos empresários, especuladores, banqueiros, garçons irritados, pregadores, vendedores de consórcios, economistas, motoristas de táxi, motoqueiros, gerentes de financeiras, arquitetos de interior, pichadores e organizadores de passeatas.
Lúcifer geria almas do resto da população, como os infratores de pecados, capitais e veniais, vendedores de churrasquinho de gato, críticos de arte, literatura, música e cinema, executivos, radialistas chatos, eminências pardas, vendedores de rede na praia, agentes funerários, publicitários, pessoas que ocupam os dois espaços em escadas rolantes, gente que para nas portas dos edifícios, operadoras de celular que ligam para saber se está tudo bem e mil outras.
Para quebrar o gelo inicial e dar boas gargalhadas tinham combinado há milênios que durante a refeição, falariam exclusivamente sobre a seção brasileira do Inferno.
Deixavam os assuntos sérios para os licores e charutos.
Belzebu era o mais animado de todos, pois havia superlotado seu setor naquele ano. Milhares de vereadores e deputados, todos os senadores e milhões de candidatos haviam assinado o Pacto. Também era infinito o número de assessores signatários e o Presidente está ali, ali para assinar, seduzido pela promessa de uma possível re-eleição. Belzebu tinha enorme esperança de trazer sua alma para as profundezas, um lucro extraordinário na sua contabilidade além da expectativa de boas conversas.
Aumentara suas doses de sedução cooptando almas das outras seções para alimentar a ambição do Presidente, fornecendo números e estatísticas deslumbrantes, tirando o Presidente da linha de frente dos escândalos sucessivos e inserindo-lhe a sensação de invencibilidade. Tinha Belzebu certeza de que, se não fosse neste, no ano que vem o Presidente pingaria sua gota de sangue no Pacto.
Mefistófeles também exultava. Usando as almas dos executivos, administradas por Lúcifer, conseguira deflagrar uma crise financeira mundial de tal proporção que as almas sob sua gerência não pensavam duas vezes em assinar o Pacto com o próprio sangue.
Os três desabaram numa gargalhada infernal que ressoou em todo o território do Inferno, quando Mefistófeles referiu que seus gerenciados no Brasil se diziam tranqüilos e que a crise não era com eles. Quando relatou algumas das frases de economistas e vendedores de consórcios, Belzebu e Lúcifer engasgaram de tanto rir e tiveram que cuspir os pedaços de ovos de cardeal acebolados, servidos como entrada. Para aquele ano não sobrava mais espaço na sua seção e ele já providenciara no novo anexo para o ano seguinte.
Lúcifer era o menos entusiasmado. Embora o setor de aproveitadores de tragédias tivesse crescido bastante nos últimos meses, estava enfrentando uma forte e ferrenha concorrência celestial. Ao que lhe constava, há muito os céus haviam desistido das almas gerenciadas por Belzebu e Mefistófeles, concentrando suas energias no contingente dele, Lúcifer. Guardava uma mágoa mal-disfarçada, considerando que por trás de tudo havia um favorecimento velado aos outros dois. Enquanto Mefistófeles e Belzebu haviam conseguido quase dois bilhões de assinaturas novas no Pacto, Lúcifer mal atingira a marca do bilhão.
- O meu setor – reclamou Lúcifer, engolindo um delicioso pedaço do prato principal – está muito visado e as adesões ao Pacto estão diminuindo em ordem geométrica. Preciso pensar em novas estratégias para o próximo ano – concluiu, pegando outra fatia.
Mefistófeles, com o tridente, serviu-se de generosa porção de intestino grosso de caçadores ao molho pardo, prato infernalmente conhecido pela perfeição com que Chef de Cuisine o preparava, adicionando molhos exóticos como salsaparrilha e quistos sebáceos.
- Eu não posso reclamar – falou Belzebu, mastigando um olho de advogado em conserva. Ainda hoje à tarde colhi a assinatura do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do Chefe da Polícia Federal. Eles querem, imaginem só, que o povo acredite na versão deles no caso do DD.
Nova gargalhada ribombou nas profundezas.
- O problema que estou enfrentando – continuou – é conciliar as garantias que dei, em troca da assinatura do Pacto, ao TG, JS e DR que eles seriam eleitos. Mas – e gargalhou novamente – eles são brasileiros, desde quando acreditam em promessas?
- O mais engraçado aconteceu comigo – ponderou Mefistófeles. Desafio vocês a contarem caso mais divertido. Coisa bem de brasileiro. E quáquáquáquá. Foi tão forte a gargalhada que duas pontes móveis de uma senhora que tomava cafezinho em um boteco de Veneza se soltaram. Mandei meus demônios oferecerem duplicação de estradas, redução do valor de pedágios, recuperação de lagos e rios, construção de túneis e viadutos e o fim do mosquito da dengue. Eles obtiveram a assinatura de ministros, secretários de estado, todos os executivos, donos de empreiteiras, fiscais da saúde e os caras acreditaram! Faço isso todos os anos com os novos que estão ocupando os postos e eles acreditam. Eu garanto o que prometo a eles: grana, muita grana. Ficam ricos lá em cima e depois são descobertos, presos, perdem tudo e depois descem, direto para os meus braços. Eu me divirto caras, me divirto muito com essa gente. Acho que nunca vão aprender.
- O meu problema – disse Lúcifer – é que os pecados capitais são cada vez menos pecados. Lá em cima estão perdoando a torto e a direito. Marido de um com a mulher de outro não faz nem cosquinhas. Os publicitários, que antes enchiam meus porões, são absolvidos a torto e a direito. Os chatos já nascem perdoados senão o céu ficaria vazio, e assim por diante. Honestamente, acho que as religiões lá em cima estão sofrendo um forte afrouxamento moral. Assim não é possível! Se a situação não mudar vou ter que pedir a convocação de uma Convenção Integral!
- Ó! – exclamaram Belzebu e Mefistófeles. – Uma Convenção Integral? Com a presença dos Dois?
- Exatamente – disse Lúcifer, servindo-se da sobremesa: mousse de cérebros da estação. Com a presença dos Dois!
Eles sabiam o que aquilo representava. Apenas uma vez, desde a queda, se realizara uma Convenção Integral: quando houve forte pressão lá de cima, encabeçada por sacerdotes vaticanenses, para absolver os nazistas. E fora terrível!
Um Debate Infinito que mudou as estruturas da superfície e exigiu arranjos apressados tanto em cima quanto em baixo. As profundezas saíram vitoriosa, uma vitória que custou caro, pois tiveram que, na contrapartida, abrir mão da elite russa, dos agentes da CIA e das almas de GV, CL, LCP, todos brasileiros e gozando, para a eternidade e injustamente do ponto de vista infernal, as delícias celestiais.
Ardilosamente o Inferno criou novo mercado para compensar as perdas, uma nova fonte de almas: os terroristas.
As configurações da superfície foram de tal modo abaladas que até para o espaço os humanos foram, em busca de novos lugares para corromper.
E agora vinha Lúcifer propor uma nova Convenção Integral com todas as respectivas e imponderáveis conseqüências!
- Calma, calma, companheiros, é apenas uma idéia. Ainda não decidi porque pretendo recuperar o terreno perdido. Já não existe, por exemplo, um único agente funerário que não tenha assinado o Pacto. A quase totalidade dos vendedores de rede na praia já assinou.E o pessoal da televisão, sem exceção, em troca da promessa de audiência.
Estou programando uma forte investida, ano que vem, nos pesquisadores de opinião, nos médicos em geral e ali, no Brasil, nas pessoas que enviam crônicas pela internet. Com estes não terei perdão.
Mais calmos Mefistófeles e Belzebu terminaram a sobremesa e foram para o salão de fogo fátuo. Sentaram confortavelmente em suas poltronas enquanto o capuchinho, café preparado com borra de fígado de freis capuchinhos, era servido por Chef de Cuisine em pessoa, que foi muito cumprimentado pelo jantar oferecido.
Quando chegaram os licores e charutos os três, sabendo que tinham pouco tempo até o dia 31 para apresentarem pessoalmente os relatórios e projetos ao Diabo, passaram a discutir os assuntos sérios.
Sem mais delongas Mefistófeles perguntou a Belzebu:
- Então, meu caro, quando Barack Obama assinará o Pacto?
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
PRA QUEM AINDA ACREDITA EM PAPAI NOEL, CEGONHA E JUSTIÇA
AS AMBIÇÕES DA MINISTRA
João Eichbaum
Leio nos jornais que a ministra Ellen Gracie foi indicada para vaga na OMC, (Organização Mundial do Comércio) pelo Palácio do Itamaraty, “em nome do governo brasileiro”. Diz mais a notícia: “a ministra comunicou aos colegas, na quinta-feira, que disputaria a vaga”.
Indicada pelo governo brasileiro. Eu li, vocês leram. O “governo brasileiro” é o Executivo, aquele pelo qual responde um cidadão que nem o curso primário tem completo. Pois a ministra se sujeitou, se submeteu ao governo, assim limitado em sua cultura.
Diz a mesma notícia que “desde que deixou a presidência do STF a ministra ambiciona nova colocação”.
Se ela for escolhida, amanhã, na história, figurará a senhora Ellen Gracie como uma representante brasileira na OMC, assim como se orgulham os brasileiros de terem tido um baiano na corte de Haia, o Rui Barbosa que, na verdade, só tinha um baita papo e nada mais.
Tanto a ministra Ellen como Rui Barbosa .nada mais fizeram do que “negociar”, vamos dizer assim, a sua indicação para os órgãos de jurisdição internacional. Ninguém os foi buscar em casa, ninguém reconheceu, espontaneamente, os seus talentos, a sua habilidade, no trato com as questões internacionais, pela simples razão de que eles jamais tiveram oportunidade de demonstrar tal capacidade.
Pergunto, para vocês, qual foi a questão internacional que foi resolvida pela “inteligência” de Rui Barbosa? Alguém aí da platéia sabe me responder?
É assim, meus amigos, que as pessoas se projetam: porque se candidatam, porque querem aparecer, porque querem ter seus nomes nos anais, porque fazem qualquer tipo de negócio, para alcançar seus objetivos.
Diz a notícia que “o primeiro cargo pretendido” pela ministra era a Corte de Haia, que não levou. Depois “ seu nome foi cogitado para ocupar o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos,” o que também não levou.
“As tentativas frustradas – diz a notícia – motivaram críticas reservadas dos ministros do Supremo, que não gostaram de ver a colega negociar cargos com o governo e continuar julgando ações, algumas envolvendo o próprio Executivo”.
Aí eu pergunto: e a independência do Judiciário, como é que fica? E esses ministros que criticaram a “colega” têm autoridade moral para tanto? Ou se esqueceram eles de que, sem “padrinhos”, jamais chegariam ao Supremo?
Não vou comentar nada, gente. Só estou mostrando de que “espécie” de gente é composto o Supremo Tribunal Federal.
João Eichbaum
Leio nos jornais que a ministra Ellen Gracie foi indicada para vaga na OMC, (Organização Mundial do Comércio) pelo Palácio do Itamaraty, “em nome do governo brasileiro”. Diz mais a notícia: “a ministra comunicou aos colegas, na quinta-feira, que disputaria a vaga”.
Indicada pelo governo brasileiro. Eu li, vocês leram. O “governo brasileiro” é o Executivo, aquele pelo qual responde um cidadão que nem o curso primário tem completo. Pois a ministra se sujeitou, se submeteu ao governo, assim limitado em sua cultura.
Diz a mesma notícia que “desde que deixou a presidência do STF a ministra ambiciona nova colocação”.
Se ela for escolhida, amanhã, na história, figurará a senhora Ellen Gracie como uma representante brasileira na OMC, assim como se orgulham os brasileiros de terem tido um baiano na corte de Haia, o Rui Barbosa que, na verdade, só tinha um baita papo e nada mais.
Tanto a ministra Ellen como Rui Barbosa .nada mais fizeram do que “negociar”, vamos dizer assim, a sua indicação para os órgãos de jurisdição internacional. Ninguém os foi buscar em casa, ninguém reconheceu, espontaneamente, os seus talentos, a sua habilidade, no trato com as questões internacionais, pela simples razão de que eles jamais tiveram oportunidade de demonstrar tal capacidade.
Pergunto, para vocês, qual foi a questão internacional que foi resolvida pela “inteligência” de Rui Barbosa? Alguém aí da platéia sabe me responder?
É assim, meus amigos, que as pessoas se projetam: porque se candidatam, porque querem aparecer, porque querem ter seus nomes nos anais, porque fazem qualquer tipo de negócio, para alcançar seus objetivos.
Diz a notícia que “o primeiro cargo pretendido” pela ministra era a Corte de Haia, que não levou. Depois “ seu nome foi cogitado para ocupar o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos,” o que também não levou.
“As tentativas frustradas – diz a notícia – motivaram críticas reservadas dos ministros do Supremo, que não gostaram de ver a colega negociar cargos com o governo e continuar julgando ações, algumas envolvendo o próprio Executivo”.
Aí eu pergunto: e a independência do Judiciário, como é que fica? E esses ministros que criticaram a “colega” têm autoridade moral para tanto? Ou se esqueceram eles de que, sem “padrinhos”, jamais chegariam ao Supremo?
Não vou comentar nada, gente. Só estou mostrando de que “espécie” de gente é composto o Supremo Tribunal Federal.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
QUEREM PELAR A NUDEZ?
Paulo Wainberg
Entendi bem? O ator Pedro Cardoso quer acabar com o nu no cinema, teatro e TV?
Para q ue fique bem claro, adoro o ator Pedro Cardoso. Acho que ele tem um talento raro, uma qualidade cômica versátil capaz de fazer rir tanto na comédia escrachada quanto na mais sutil.
Mas tem que internar o cara, por favor!
O corpo humano, oculto por roupas, não é um imperativo religioso, que me perdoem os fiéis. Muito pelo contrário, salvo o circunstancial obscurantismo vitoriano imposto ao mundo no século XIX, mercê da influência da Igreja Católica, a roupa é elemento indispensável ao estímulo erótico, à fantasia sexual e à sensualidade sem a qual não existiria a dança, o teatro, a paquera e o bar.
Os humanos são estimulados pelos sentidos, isto é uma verdade, pelos cinco, quer dizer, olhar a garota dançando e imaginá-la tirando a roupa ou olhar quando ela tira a roupa e apreciar cada pedacinho do corpo que vai surgindo aos poucos é de uma grandeza erótica incrível. E vice-versa, imagino eu. Toque de mão é outra loucura. Os cheiros, my God, são de arrepiar (neste ponto somos como os animais: o famoso feromônio), sentir o salgado da pele na língua, ouvir o murmúrio ou o gemido, pronunciar palavras excitantes, aqui D’el Rey!, meus sais, meus sais!
O que as mulheres possuem que excitam os homens eu sei muito bem. O que excita as mulheres num homem eu meio que imagino. Também consigo entender as atrações homossexuais pois considero o homossexualismo o terceiro sexo, tão natural, pertinente e adequado quando os outros dois.
Falo por mim e me garanto: Sou capaz de apreciar a beleza masculina com a maior tranqüilidade e o meu ideal de homem, como homem que sou, seria um cara do tipo Sean Connery, quando jovem: másculo, sedutor, sutil e violento.
Não raro ando pela rua cantando para mim mesmo a música tema do James Bond tendo na cabeça a imagem do Sean nos seus melhores momentos.
Não sinto qualquer atração física por ele ou por qualquer outro homem, é uma questão de jeito, eu acho. Nasci homem e hétero, fazer o que?
Bom, agora que me revelei, sem constrangimento ou preconceito, quero voltar à questão levantada pelo Pedro Cardoso: há excessos de nudismo no cinema, teatro e tv? Para mim a resposta é: Não!
É que entendo que a diferença entre pornografia e erotismo é tão imensa que não há como comparar uma com a outra.
A pornografia está ao serviço de instintos primitivos, sem qualquer idealização ou sentimento nobre – entendendo-se por “sentimento nobre” aquele que só o ser humano é capaz de sentir, em razão da inteligência. Pornografia é sexo por sexo, programado, explícito, focado nas regiões genitais e nas práticas sexuais sem qualquer sentido ou emoção, um entra-e-sai inconseqüente ao molho de gritos falsos e murmúrios fingidos.
É excitante? Claro que sim. Mas excita exatamente este fragmento do “persona” que é animalesco, esgota-se em si mesmo e leva, no máximo, à masturbação e ao vazio que se sucede, pois é ou não é um desperdício de energia a masturbação solitária praticada simplesmente como um alivio hormonal?
Nada contra, por favor. A masturbação faz parte, é importante, um contato de grande intimidade do indivíduo consigo mesmo. Porém, quando esse indivíduo necessita da pornografia para masturbar-se... pobre infeliz, é um solitário patológico.
Muito diferente é masturbar-se pensando no ser amado. Ainda que solitária, a masturbação assim praticada reveste-se de conteúdo amoroso e, como em todo o amor, em qualquer paixão, torna-se um ato de entrega, um modo de estar junto, a fantasia eventual no lugar da realidade desejada.
Havendo amor a masturbação não esgota, ao contrário, mais aumenta a excitação, o desejo, a tesão e aquilo que considero condição absoluta para um verdadeiro amor: a entrega total.
O erotismo, ao contrário da pornografia, está ao serviço desses valores, desses bens humanos.
A nudez ao serviço do erotismo tem conteúdo artístico transcendental. Quando vemos na tela ou no palco atores de verdade expressando a sensualidade que, no ser humano é universal, invadem-nos diversas emoções, muitas delas confusas porque, se diante de um filme pornográfico, satisfeita a curiosidade inicial, logo a seguir ficamos indiferentes, quando a cena erótica envolve nossos sentidos, pensamentos e emoções, saímos dali alterados e, de um jeito ou de outro, melhorados para cumprir as funções humanas.
Nada de mal em sentir-se sexualmente atraído por uma bela atriz, por um lindo ator. Nada de mal em excitar-se diante da nudez explícita ou do sexo explícito apresentados como decorrência de um contexto estético, de uma trama criativa cuja conseqüência inevitável seja exatamente aquela: a sexualidade exposta, a sensualidade sugerida, o erotismo à flor da pele.
Qual homem não gostaria de ter uma mulher maravilhosamente linda – como as que os filmes mostram, escondendo as imperfeições – nos seus braços e ao seu dispor? Qual mulher não gostaria da mesma coisa, com relação a um lindo ator?
Mas sabemos, enquanto estamos assistindo, que o que nos é mostrado é pura ficção e que tais figuras não estão ao nosso alcance. E este conjunto de circunstâncias não melhora nossa sensibilidade, por acaso?
Não ficamos mais elevados diante da beleza, mesmo que inatingível? Não desejamos todos, em algum momento da vida, sermos um Sean Connery no papel de James Bond ou uma Marilyn Monroe no papel da vizinha em Pedaço Mora ao Lado?
Meu caro Pedro Cardoso. Se algum dia e por acaso ler estas palavras, saiba que a arte está a anos luz de distância da pornografia. Que a nudez de atrizes e atores não vende filmes ou programas de televisão. E que o público, isto é, as pessoas são seres complexos e inteligentes e por esta razão existe mercado para a pornografia e para a arte, independente de classe social, grau de instrução e problemas psíquicos.
Nós, humanos, temos a razão para controlar instintos e selvageria e isso faz uma enorme indiferença pois pornografia e erotismo são invenções humanas. O sexo não.
Aconselho o seguinte, que acho que há tempo você não faz: bota uma sunga e vá para a praia num domingo de sol.
Depois me conta.
Paulo Wainberg
Entendi bem? O ator Pedro Cardoso quer acabar com o nu no cinema, teatro e TV?
Para q ue fique bem claro, adoro o ator Pedro Cardoso. Acho que ele tem um talento raro, uma qualidade cômica versátil capaz de fazer rir tanto na comédia escrachada quanto na mais sutil.
Mas tem que internar o cara, por favor!
O corpo humano, oculto por roupas, não é um imperativo religioso, que me perdoem os fiéis. Muito pelo contrário, salvo o circunstancial obscurantismo vitoriano imposto ao mundo no século XIX, mercê da influência da Igreja Católica, a roupa é elemento indispensável ao estímulo erótico, à fantasia sexual e à sensualidade sem a qual não existiria a dança, o teatro, a paquera e o bar.
Os humanos são estimulados pelos sentidos, isto é uma verdade, pelos cinco, quer dizer, olhar a garota dançando e imaginá-la tirando a roupa ou olhar quando ela tira a roupa e apreciar cada pedacinho do corpo que vai surgindo aos poucos é de uma grandeza erótica incrível. E vice-versa, imagino eu. Toque de mão é outra loucura. Os cheiros, my God, são de arrepiar (neste ponto somos como os animais: o famoso feromônio), sentir o salgado da pele na língua, ouvir o murmúrio ou o gemido, pronunciar palavras excitantes, aqui D’el Rey!, meus sais, meus sais!
O que as mulheres possuem que excitam os homens eu sei muito bem. O que excita as mulheres num homem eu meio que imagino. Também consigo entender as atrações homossexuais pois considero o homossexualismo o terceiro sexo, tão natural, pertinente e adequado quando os outros dois.
Falo por mim e me garanto: Sou capaz de apreciar a beleza masculina com a maior tranqüilidade e o meu ideal de homem, como homem que sou, seria um cara do tipo Sean Connery, quando jovem: másculo, sedutor, sutil e violento.
Não raro ando pela rua cantando para mim mesmo a música tema do James Bond tendo na cabeça a imagem do Sean nos seus melhores momentos.
Não sinto qualquer atração física por ele ou por qualquer outro homem, é uma questão de jeito, eu acho. Nasci homem e hétero, fazer o que?
Bom, agora que me revelei, sem constrangimento ou preconceito, quero voltar à questão levantada pelo Pedro Cardoso: há excessos de nudismo no cinema, teatro e tv? Para mim a resposta é: Não!
É que entendo que a diferença entre pornografia e erotismo é tão imensa que não há como comparar uma com a outra.
A pornografia está ao serviço de instintos primitivos, sem qualquer idealização ou sentimento nobre – entendendo-se por “sentimento nobre” aquele que só o ser humano é capaz de sentir, em razão da inteligência. Pornografia é sexo por sexo, programado, explícito, focado nas regiões genitais e nas práticas sexuais sem qualquer sentido ou emoção, um entra-e-sai inconseqüente ao molho de gritos falsos e murmúrios fingidos.
É excitante? Claro que sim. Mas excita exatamente este fragmento do “persona” que é animalesco, esgota-se em si mesmo e leva, no máximo, à masturbação e ao vazio que se sucede, pois é ou não é um desperdício de energia a masturbação solitária praticada simplesmente como um alivio hormonal?
Nada contra, por favor. A masturbação faz parte, é importante, um contato de grande intimidade do indivíduo consigo mesmo. Porém, quando esse indivíduo necessita da pornografia para masturbar-se... pobre infeliz, é um solitário patológico.
Muito diferente é masturbar-se pensando no ser amado. Ainda que solitária, a masturbação assim praticada reveste-se de conteúdo amoroso e, como em todo o amor, em qualquer paixão, torna-se um ato de entrega, um modo de estar junto, a fantasia eventual no lugar da realidade desejada.
Havendo amor a masturbação não esgota, ao contrário, mais aumenta a excitação, o desejo, a tesão e aquilo que considero condição absoluta para um verdadeiro amor: a entrega total.
O erotismo, ao contrário da pornografia, está ao serviço desses valores, desses bens humanos.
A nudez ao serviço do erotismo tem conteúdo artístico transcendental. Quando vemos na tela ou no palco atores de verdade expressando a sensualidade que, no ser humano é universal, invadem-nos diversas emoções, muitas delas confusas porque, se diante de um filme pornográfico, satisfeita a curiosidade inicial, logo a seguir ficamos indiferentes, quando a cena erótica envolve nossos sentidos, pensamentos e emoções, saímos dali alterados e, de um jeito ou de outro, melhorados para cumprir as funções humanas.
Nada de mal em sentir-se sexualmente atraído por uma bela atriz, por um lindo ator. Nada de mal em excitar-se diante da nudez explícita ou do sexo explícito apresentados como decorrência de um contexto estético, de uma trama criativa cuja conseqüência inevitável seja exatamente aquela: a sexualidade exposta, a sensualidade sugerida, o erotismo à flor da pele.
Qual homem não gostaria de ter uma mulher maravilhosamente linda – como as que os filmes mostram, escondendo as imperfeições – nos seus braços e ao seu dispor? Qual mulher não gostaria da mesma coisa, com relação a um lindo ator?
Mas sabemos, enquanto estamos assistindo, que o que nos é mostrado é pura ficção e que tais figuras não estão ao nosso alcance. E este conjunto de circunstâncias não melhora nossa sensibilidade, por acaso?
Não ficamos mais elevados diante da beleza, mesmo que inatingível? Não desejamos todos, em algum momento da vida, sermos um Sean Connery no papel de James Bond ou uma Marilyn Monroe no papel da vizinha em Pedaço Mora ao Lado?
Meu caro Pedro Cardoso. Se algum dia e por acaso ler estas palavras, saiba que a arte está a anos luz de distância da pornografia. Que a nudez de atrizes e atores não vende filmes ou programas de televisão. E que o público, isto é, as pessoas são seres complexos e inteligentes e por esta razão existe mercado para a pornografia e para a arte, independente de classe social, grau de instrução e problemas psíquicos.
Nós, humanos, temos a razão para controlar instintos e selvageria e isso faz uma enorme indiferença pois pornografia e erotismo são invenções humanas. O sexo não.
Aconselho o seguinte, que acho que há tempo você não faz: bota uma sunga e vá para a praia num domingo de sol.
Depois me conta.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
OS INCIDENTES NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
NOTA:
"A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais exige que os fatos envolvendo as notícias de corrupção no Estado do Espírito Santo sejam apurados com seriedade a fim de serem esclarecidos perante à sociedade e à própria classe dos Juízes que se encontra perplexa.
É preciso que a sociedade compreenda ser o Poder Judiciário composto por Juízes comprometidos com seu dever, primando pela prestação jurisdicional amparada nos princípios da imparcialidade e, ainda, pela sua independência funcional que só é desempenhada quando não há envolvimento em atos de corrupção que devem ser veementemente repelidos pela sociedade e pelo próprio Poder Judiciário, e que fatos isolados não abalam a imagem pública dos Juízes, estribada na dignidade, severidade e integridade com que exercem sua função social.
A Anamages se solidariza com a magistratura Capixaba, certo que os fatos envolvendo denúncia de corrupção de uns poucos integrantes de seu Poder Judiciário, são fatos isolados, que não maculam a dignidade da magistratura daquele Estado, ao tempo que repudia qualquer conduta ilícita, seja por parte de qualquer magistrado estadual ou de qualquer agente público e pretende que os fatos sejam apurados observando-se o devido processo legal e os princípios constitucionais. E, em havendo culpados, sejam exemplarmente punidos."
Observações.de João Eichbaum
1)Será preciso que a ANAMAGES exija a “apuração dos fatos”?
A entidade poderia ter ficado quieta, porque quem exige a “apuração dos fatos” é a sociedade, como um todo, é a lei. Não é necessário que venha uma associação de juízes, como se fosse uma vestal, vir a público, se mostrando indignada. Ou será que ela se esquece de que os juízes envolvidos são associados dela?
2) A sociedade não está convicta de que tem juízes “comprometidos”, verdadeiramente com o seu dever, “primando pela prestação jurisdicional”, mas sim de que há muitojuízes, ministros e desembargadores professores, conferencistas, badalados no meio jurídico, que os fazem esquecer que é seu dever sentenciar, ao invés de deixar as sentenças para os estagiários e assessores.
3) Será que a “imagem pública dos juízes” está verdadeiramente estribada na “dignidade, severidade e integridade”? Quantos anos foram necessários para exirpar (alguns) casos de nepotismo no Judiciário?
NOTA:
"A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais exige que os fatos envolvendo as notícias de corrupção no Estado do Espírito Santo sejam apurados com seriedade a fim de serem esclarecidos perante à sociedade e à própria classe dos Juízes que se encontra perplexa.
É preciso que a sociedade compreenda ser o Poder Judiciário composto por Juízes comprometidos com seu dever, primando pela prestação jurisdicional amparada nos princípios da imparcialidade e, ainda, pela sua independência funcional que só é desempenhada quando não há envolvimento em atos de corrupção que devem ser veementemente repelidos pela sociedade e pelo próprio Poder Judiciário, e que fatos isolados não abalam a imagem pública dos Juízes, estribada na dignidade, severidade e integridade com que exercem sua função social.
A Anamages se solidariza com a magistratura Capixaba, certo que os fatos envolvendo denúncia de corrupção de uns poucos integrantes de seu Poder Judiciário, são fatos isolados, que não maculam a dignidade da magistratura daquele Estado, ao tempo que repudia qualquer conduta ilícita, seja por parte de qualquer magistrado estadual ou de qualquer agente público e pretende que os fatos sejam apurados observando-se o devido processo legal e os princípios constitucionais. E, em havendo culpados, sejam exemplarmente punidos."
Observações.de João Eichbaum
1)Será preciso que a ANAMAGES exija a “apuração dos fatos”?
A entidade poderia ter ficado quieta, porque quem exige a “apuração dos fatos” é a sociedade, como um todo, é a lei. Não é necessário que venha uma associação de juízes, como se fosse uma vestal, vir a público, se mostrando indignada. Ou será que ela se esquece de que os juízes envolvidos são associados dela?
2) A sociedade não está convicta de que tem juízes “comprometidos”, verdadeiramente com o seu dever, “primando pela prestação jurisdicional”, mas sim de que há muitojuízes, ministros e desembargadores professores, conferencistas, badalados no meio jurídico, que os fazem esquecer que é seu dever sentenciar, ao invés de deixar as sentenças para os estagiários e assessores.
3) Será que a “imagem pública dos juízes” está verdadeiramente estribada na “dignidade, severidade e integridade”? Quantos anos foram necessários para exirpar (alguns) casos de nepotismo no Judiciário?
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
COLABORAÇÃO DA VIVIAN, PARA AUMENTAR O NÚMERO DE FIADASPUTAS
Por mais absurdo que pareça, mas isso aconteceu... Estas são piadas retiradas do livro 'Desordem no tribunal'. São coisas que as pessoas disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos realmente aconteciam à sua frente.
Então VEJAMOS Abaixo:
Advogado : Qual é a data do seu aniversário? Testemunha: 15 de julho.Advogado : Que ano? Testemunha: Todo ano.____________________________________________ Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afeta sua memória? Testemunha: Sim.Advogado : E de que modo ela afeta sua memória? Testemunha: Eu esqueço das coisas.Advogado : Você esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido? ____________________________________________ Advogado : Que idade tem seu filho?Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?Testemunha: Há 45 anos. ____________________________________________ Advogado : Qual foi a primeira coisa que seu marido disse quando acordou aquela manhã? Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Bete?'Advogado : E por que você se aborreceu?Testemunha: Meu nome é Célia.____________________________________________Advogado : Seu filho mais novo, o de 20 anos.... Testemunha: Sim.Advogado : Que idade ele tem? ______________________________________________Advogado : Sobre esta foto sua... o senhor estava presente quando ela foi tirada? _______________________________________________ Advogado : Então, a data de concepção do seu bebê foi 08 de agosto? Testemunha: Sim, foi.Advogado : E o que você estava fazendo nesse dia? _______________________________________________ Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo? Testemunha: Certo.Advogado : Quantos meninos? Testemunha: NenhumAdvogado : E quantas eram meninas? _______________________________________________ Advogado : Sr. Marcos, por que acabou seu primeiro casamento? Testemunha: Por morte do cônjuge.Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?_______________________________________________ Advogado : Poderia descrever o suspeito?Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba. Advogado : E era um homem ou uma mulher?_______________________________________________ Advogado : Doutor, quantas autópsias o senhor já realizou em pessoas mortas? Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas... _______________________________________________ Advogado : Aqui na corte, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, Ok?
-Que escola você freqüenta? Testemunha: Oral. _______________________________________________ Advogado : Doutor, o senhor se lembra da hora em que começou a examinar o corpo da vitima? Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h. Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora? Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, se perguntando porque eu estava fazendo aquela autópsia nele. _____________________________________________ Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina?_______________________________________________ Essa é a melhor de todas!!!
Advogado : Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da vítima?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado : Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado : Como o senhor pode ter essa certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado : Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e cursando Direito em algum lugar !!! 'DEUS não escolhe os capacitados ... Ele capacita os escolhidos'
Vivian Gonçalves Dias
Por mais absurdo que pareça, mas isso aconteceu... Estas são piadas retiradas do livro 'Desordem no tribunal'. São coisas que as pessoas disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos realmente aconteciam à sua frente.
Então VEJAMOS Abaixo:
Advogado : Qual é a data do seu aniversário? Testemunha: 15 de julho.Advogado : Que ano? Testemunha: Todo ano.____________________________________________ Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afeta sua memória? Testemunha: Sim.Advogado : E de que modo ela afeta sua memória? Testemunha: Eu esqueço das coisas.Advogado : Você esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido? ____________________________________________ Advogado : Que idade tem seu filho?Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?Testemunha: Há 45 anos. ____________________________________________ Advogado : Qual foi a primeira coisa que seu marido disse quando acordou aquela manhã? Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Bete?'Advogado : E por que você se aborreceu?Testemunha: Meu nome é Célia.____________________________________________Advogado : Seu filho mais novo, o de 20 anos.... Testemunha: Sim.Advogado : Que idade ele tem? ______________________________________________Advogado : Sobre esta foto sua... o senhor estava presente quando ela foi tirada? _______________________________________________ Advogado : Então, a data de concepção do seu bebê foi 08 de agosto? Testemunha: Sim, foi.Advogado : E o que você estava fazendo nesse dia? _______________________________________________ Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo? Testemunha: Certo.Advogado : Quantos meninos? Testemunha: NenhumAdvogado : E quantas eram meninas? _______________________________________________ Advogado : Sr. Marcos, por que acabou seu primeiro casamento? Testemunha: Por morte do cônjuge.Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?_______________________________________________ Advogado : Poderia descrever o suspeito?Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba. Advogado : E era um homem ou uma mulher?_______________________________________________ Advogado : Doutor, quantas autópsias o senhor já realizou em pessoas mortas? Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas... _______________________________________________ Advogado : Aqui na corte, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, Ok?
-Que escola você freqüenta? Testemunha: Oral. _______________________________________________ Advogado : Doutor, o senhor se lembra da hora em que começou a examinar o corpo da vitima? Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h. Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora? Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, se perguntando porque eu estava fazendo aquela autópsia nele. _____________________________________________ Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina?_______________________________________________ Essa é a melhor de todas!!!
Advogado : Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da vítima?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado : Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado : Como o senhor pode ter essa certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado : Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e cursando Direito em algum lugar !!! 'DEUS não escolhe os capacitados ... Ele capacita os escolhidos'
Vivian Gonçalves Dias
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