quarta-feira, 3 de novembro de 2010

COM A PALAVRA, JANER CRISTALDO

CONSUMMATUM EST

Foi uma segunda-feira sem novidades. As primeiras páginas dos jornais estavam previstas há meses. Eleita a primeira mulher presidente da República, dizem as manchetes. Pode ser. Mas vejo a coisa por outro lado. Vinte anos depois da queda do Muro, da dissolução da União Soviética e do desmoronamento do comunismo, foi eleito o primeiro presidente da República marxista. Pois, pelo que sei, dona Dilma nunca renegou publicamente sua filosofia de juventude. Pelo contrário, orgulha-se discretamente de ter lutado para transformar o Brasil numa republiqueta soviética.
Meu correio é inundado diariamente por mails de almas ingênuas que contam os dias que faltam para findar o governo Lula. São bobalhões que ainda não se deram conta de que o inimaginável acabará acontecendo: ainda vamos sentir saudades do Supremo Apedeuta. Há uma direita histérica no Brasil, liderada pelo astrólogo Aiatolavo de Carvalho e seus acólitos, que via em Lula uma ameaça comunista. Ora, Lula nunca teve ideologia. Só se apegou a um ismo, um único ismo, o oportunismo. Se alguma virtude teve, foi jogar na lata do lixo os propósitos socialistas do PT.
Mas Dilma tem ideologia. É atrabiliária e vai mostrar as garras. O PNDH-3 aí está, esperando aprovação de uma bandeira sempre cara aos velhos comunistas, a censura de imprensa. Alguns Estados, apressadinhos, ao arrepio da Constituição, já criaram seus conselhos de controle da mídia. O tal de plano legisla em todas as áreas, é quase uma nova Constituição. Parece ter sido elaborado por um analfabeto em termos de legislação. Mas apenas aparentemente. Em verdade, é obra de alguém que, por muito entender de leis, não as respeita. Antes mesmo de tomar posse, Dilma já está acenando com a reabilitação de um corrupto envolvido no escândalo da máfia do lixo, em Ribeirão Preto. Que teve de renunciar ao ministério da Fazenda por ter violado o sigilo bancário de um humilde caseiro. Por seus feitos, ao que tudo indica, Palocci será contemplado com um ministério.
Imaginei que a fatura, neste 2010, seria liquidada no primeiro turno. Não foi. O que só prolongou a agonia tucana. Serra não ousou atacar Lula. Nem poderia. São farinha do mesmo saco. Não houve oposição nestas eleições. Ambos os candidatos reivindicavam a continuidade do governo Lula. A tal ponto que Serra, supostamente oposição, grudou um bonequinho de Lula em sua campanha. Houve dois partidos, é verdade: o do sim e o do sim senhor. Dilma prometia manter a Bolsa-Família, Serra prometia um décimo-terceiro salário para a bolsa. O PSDB sequer ousou em propor um governo distinto ao de Lula. Criou a infeliz expressão “pós-Lula”. Ora, se é para dar continuidade ao governo de Lula, melhor então votar em quem Lula indica. Este foi o recado que Serra passou aos eleitores.
Os tucanos amanheceram, nesta segunda-feira, contando mortos e feridos. ”Não é um adeus, é um até logo”, disse Serra após sua derrota. Santa ingenuidade. Serra saiu politicamente morto deste pleito. Tem 68 anos e o máximo que pode esperar é uma secretaria de Alckmin como prêmio-consolação. Tinha dezenas de trunfos em mão para enfrentar o PT. O assassinato de Celso Daniel, o mensalão, dinheiro nas cuecas, quebras de sigilo fiscal e bancário, nepotismo, proteção às falcatruas de Sarney, em suma, corrupção foi o que não faltou para denunciar. Serra preferiu manter um silêncio obsequioso. Se usasse as armas que tinha em mãos, mesmo que perdesse, cairia em pé. Não as usou. Sai aviltado do pleito.
Dilma mentiu descaradamente durante toda a campanha. Há três anos se pronunciava a favor do aborto, publicamente. De repente, virou defensora da vida. Não teve sequer a hombridade de dizer que mudara de idéia. Preferiu entoar o mantra dileto do PT: são boatos e calúnias. Marxista convicta, divulgou fotos de um encontro com o papa e deixou-se fotografar fazendo o sinal da cruz. Serra não deixou por menos, saiu a beijar terços. Só faltou aos candidatos papar hóstias. O Brasil engoliu prazerosamente as mentiras da candidata.
Leitores mais antigos devem lembrar quando o PT, em seus anos irados, denunciava o regime assistencialista das sociais-democracias européias. Hoje, o PT fez sua presidenta graças ao regime assistencialista que instalou no país. A vitória de Dilma se deve fundamentalmente ao Nordeste que não trabalha e vive das esmolas do Estado. As mesmas esmolas que Lula denunciava, quando eram dadas por Fernando Henrique. Os tucanos não podem queixar-se. Prepararam o ninho para os chupins.
Consummatum est. Teremos pelo menos mais oito anos de lulismo e populismo pela frente. Quanto a mim, estou vacinado. Se sobrevivi a oito anos de Lula, acho que sobrevivo a Dilma. O duro vai ser ver aquele rosto emético nas primeiras páginas dos jornais nos próximos anos. Duro também é ver uma remanescente das tiranias comunistas assumir o poder, vinte anos após a queda do Muro.
Isto é Brasil.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

CRÔNICAS IMPUDICAS

RESULTADO DAS ELEIÇÕES: NADA DE NOVO

João Eichbaum

Saiu o resultado das eleições. Venceram os vagabundos, os cachaceiros, os indolentes, os que não trabalham, mas vivem à custa daqueles que não conhecem outros benefícios na vida, senão os que lhes proporciona o trabalho.

Vejam o mapa, meus amigos. A vitória da Dilma Rousseff vem do norte, do nordeste, de Minas e do Rio de Janeiro.

Em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, os estados que produzem, que dão duro, que trabalham, que geram a riqueza dos cofres públicos, de que se aproveitam os políticos e o povinho do norte e do nordeste, ela não teve vez. Também nos estados do centro-oeste, para onde os gaúchos exportaram o gosto pelo trabalho e pelos empreendimentos, a Dilma empacou.

A grande diferença, neste país, está entre os que trabalham e os que, não trabalhando, se aproveitam.

Lá em cima, no norte e no nordeste estão os descendentes de portugueses, dos mamelucos, daquela cruza gerada por holandeses, índios, negros e portugueses. No Rio de Janeiro está o povo que só se ocupa de praia, cerveja, mulatas, e carnaval, e não ta nem aí pro trabalho.

Na parte debaixo estão os descendentes de imigrantes alemães, italianos, poloneses, japoneses, gente que só vive para o trabalho.

Quando colocaram na presidência da república um cara que pouco trabalhou na vida, amputou um dedo para obter benefícios previdenciários e se dedicou a discursos sem pé nem cabeça, com língua pegada, para liderar bóias frias que trabalhavam nas indústrias de São Paulo, não podia dar outra. O norte e o nordeste tomaram conta do país, quer dizer, a indolência, a preguiça e o comodismo se aboletaram no poder, principalmente porque contaram com a ajuda inescrupulosa do Sarney, do Collor e do Calheiros, raposas da política, que também nunca trabalharam na vida e, sem trabalhar, enriqueceram – todos nordestinos, diga-se de passagem.

Claro que nesse embate entre os do sul e do centro-oeste, que trabalham, e os do norte e nordeste que não trabalham, a diferença, no que diz respeito a número de eleitores, não é muito acentuada. Pode até dar empate. Mas o Rio de Janeiro e Minas cometem o desequilíbrio.

Então, quem decide é Minas Gerais, onde se concentra a politicagem, ou seja, onde se trabalha, mas também se tira proveito dos cofres públicos, e o Rio de Janeiro, onde só se goza uma vida que não exala o suor do trabalho, mas sim o da praia e o do samba.

E Minas e o Rio de Janeiro foram o fiel da balança: decidiram em favor da Dilma.

Mas, nada vai mudar. No sul, continuaremos trabalhando, dando duro, enfrentando os riscos da indústria, da agricultura e da pecuária, porque precisamos trabalhar para viver. No centro-oeste, pelo mesmo motivo, se manterá a luta pela vida, através da pecuária e da agricultura, correndo atrás do gado, rezando pra não chover demais, nem de menos. No norte e no nordeste a vida continuará leve, mesmo sem chuva, se balançando nas redes, com uma garrafa de pinga ao lado, tudo financiado pelo bolsa-família. Minas continuará se aproveitando da política para crescer, e no Rio de Janeiro o sol vai continuar brilhando, para que o povo se deleite na praia, olhando bunda de mulatas e caindo no samba.

Nada de novo, portanto, nos traz o resultado dessas eleições.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

COM A PALAVRA, JANER CRISTALDO

ZWEI SEITEN?

Em um momento dos mais profundos – e menos conhecidos – de sua obra, escreveu Kafka:
Zwei Seiten
gab es schon
und wird es auch immer geben,
zu allen Zeiten,
in allen Dingen:
die Seite hierund die Seite dort!
Traduzindo: Sempre houve e sempre haverá, em todos os tempos e em todas as coisas, dois lados:o lado de cá e o lado de lá!
Nem sempre, meu caro Kafka! Neste nosso país, justo no momento em que deveria haver dois lados, as eleições, há um lado só. Dois candidatos de extração marxista, ambos ex-militantes de movimentos terroristas, que até hoje não se penitenciaram por seus passados. Pelo contrário, deles se orgulham. Lutaram ombro a ombro com os celerados que pretendiam fazer do Brasil uma republiqueta soviética e hoje se candidatam a salvadores da pátria.
Não há nestas eleições – nem houve nas últimas – aquele outro lado de que falava Kafka. Quando jovem, sempre imaginei que comunismo fosse pensamento dominante na União Soviética, China, Cuba. Certa vez, um bom amigo, o Anibal Damasceno Ferreira, disse-me:- Janer, tu estás contra toda tua geração.
Na época, meus dias de universidade, não entendi bem a frase. Só fui entendê-la bem mais tarde. Minha geração toda era comunista. No curso de Filosofia, meus colegas – e a maioria de meus professores – era comunista. Filosofia, aliás, era sinônimo de marxismo. Os professores começavam falando de dialética em Platão para chegar, obviamente, à dialética de Hegel e Marx. Como se o conceito de dialética em Platão tivesse algo a ver com a dialética marxista.
O Brasil sempre teve o coração à esquerda. Desde os anos 30, com a fundação da USP, a maior difusora da peste no país. Como diziam os moleques de 68 em Paris: o fundo do ar é vermelho. Mas se na França o fundo do ar já não é mais vermelho, cá entre nós continua sendo. O muro de Berlim caiu há mais de duas décadas e os brasileiros não têm alternativa alguma a dois marxistas.
Claro que nenhum dos dois candidatos confessaria professar o marxismo hoje. Mas tampouco renegam o marxismo juvenil. Pior ainda: se pretendem católicos desde o berço. Serra beija um terço. Dilma faz o sinal da cruz. Divina hipocrisia.
Desde há muito não há dois lados no Brasil. Neste sentido, os ex-países comunistas tiveram mais sorte que nós. Lá, ninguém quer mais ouvir falar de comunismo. Chez nous, ainda há não poucos malucos messiânicos - vide Marilena Chauí - propondo um futuro socialista para o Brasil. E não só para o Brasil, mas também para a América Latina e Europa.Continuamos a reboque da História.
PS – A frase com que abri a crônica não é de Kafka coisa nenhuma. É um versinho que ouvi de uma poetisa gaúcha, daquelas que freqüentavam tertúlias no restaurante Dona Maria, em Porto Alegre. Reuniam-se uma vez por mês, no chamado Cafezinho Poético. Eu não perdia nenhum. Divertia-me ver aquelas senhoras macróbias desenrolando um pergaminho e recitando poemas que se pretendiam eróticos.
Pus a frase em alemão porque confere mais autoridade ao texto. Sem falar que a atribui a Kafka. Uma obviedade proferida por Kafka sempre cala fundo. Nem por isso, minha reflexão tem menos sentido.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ESSE CIRCO CHAMADO JUSTIÇA

O MINISTRO E O ESTAGIÁRIO (II)

João Eichbaum


Noticia a Band News FM Brasília que “o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) não vai comentar a demissão do estagiário Marco Paulo dos Santos na última terça-feira. Segundo a assessoria de imprensa do STJ, o ministro só vai falar sobre o caso no próprio processo, que já foi encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal)”
Porque é que o ministro se cala? Porque é que ele não vem a público dar explicações, oferecer a sua versão sobre o caso, que se lhe imputa, de haver se comportado com desequilíbrio e demitido, aos influxos da ira, no calor do momento, um pobre estagiário que exercia funções no STJ?
Diante desse silêncio, a opinião pública ficará com a primeira impressão, transmitida pela imprensa de São Paulo, de que o ministro se excedeu, agiu com autoritarismo, com desequilíbrio, com destempero e que, em agindo de tal maneira, demonstra não ter condições para o exercício do cargo de Presidente do Superior Tribunal de Justiça.
Esse silêncio também pode levar à suposição de que o ministro não tem argumentos para fazer sua defesa, ou não tem sequer capacidade de tapar o sol com a peneira. Estivesse ele com a razão, agiria como qualquer pessoa, levantaria a voz contra a injustiça, contra a mentira, contra a distorção dos fatos, não precisaria se requebrar para contar a verdade.
Por que fugir então das explicações?
Quem pegou carona nesse silêncio do ministro foi a RBS, empresa de comunicação do Rio Grande do Sul. Seus órgãos principais, a televisão e o jornal Zero Hora, que tanto se orgulham dos “ministros gaúchos”, as estrelas dos Tribunais Superiores, os impolutos, os admiráveis, não disseram uma só palavra sobre o assunto.
Moita, meus amigos! Caluda! Qualquer notícia, por mais imparcial que fosse, quebraria a imagem construída pelos puxassacos que comandam a opinião pública do Rio Grande do Sul. Eles teriam que reconhecer que nem todo o gaúcho com o poder na mão é um ser humano digno de ser exaltado.




quarta-feira, 27 de outubro de 2010

COM A PALAVRA, JANER CRISTALDO

DE QUAL PLANETA VIERAM ESTES DOUTOS SENHORES?

Comentei, há alguns meses, o fenômeno que chamei de zumbis da Guaianases, a rua que mais concentra drogados em São Paulo. A Guaianases fica na chamada Cracolândia, nas imediações da Estação da Luz, onde está a Pinacoteca do Estado de São Paulo e a sala São Paulo, uma belíssima sala de concertos que nada fica a dever para as congêneres de Paris ou Londres. É algo assustador. Centenas de mortos-vivos, crianças e adultos, homens e mulheres, enrolados em cobertores e capuzes, cachimbando crack, estão deitados na rua ou por ela perambulam em busca de droga. Nenhum taxista ousa entrar no pedaço. Tudo isto no centro da mais imponente capital do continente.
Higienópolis, o bairro onde moro, é um dos mais aprazíveis e seguros de São Paulo. A Cracolândia fica a uns dois quilômetros de meu prédio, distância muito curta nesta cidade. A Prefeitura quer revitalizar a Cracolândia. Para isso, está tocando um projeto que chamou de Nova Luz. Uma vasta área está sendo desapropriada e será demolida para dar lugar a um centro administrativo. A tal de revitalização está gerando um efeito funesto. Os nóias estão se espalhando pelas áreas adjacentes, inclusive pelo centro histórico da cidade. Hoje, na praça da República, e mesmo junto ao terminal de Cumbica, você vê pobres diabos jogados na sarjeta, sempre em grupos, chupando tranqüilamente seus cachimbos, em plena luz do dia.
É um belo cartão de visita para quem chega de Nova York ou Paris. Desembarca no maior aeroporto do continente, toma um ônibus de luxo e cai em meio a um amontoado de lixo humano. O número de usuários de crack quase dobrou no Brasil: de 380 mil para 600 mil. O problema está – ou estava - mobilizando o governo federal, que planejava dobrar o número de vagas para internação de usuários neste ano - de 2,5 mil para 5 mil - e lançou ontem um programa de R$ 410 milhões. Só tem um problema. O usuário se interna se concordar em internar-se. Se não concorda, permanece na rua livre como um passarinho, consumindo a droga na frente da polícia.
Higienópolis, mais que um bairro, é um estado de espírito. Administrativamente, não existe. Para efeitos legais, é Santa Cecília. É um fenômeno típico de São Paulo. Quando um bairro começa a degradar-se, sua parte mais rica e sadia muda de nome. Não há fronteiras precisas entre o que se convencionou chamar de Higienópolis e o que permanece como Santa Cecília. Se você vive na região limítrofe e quer vender seu apartamento, mesmo que ele fique obviamente em Santa Cecília, dirá que é Higienópolis. Mas se você quer comprar o mesmo apartamento, dirá que fica em Santa Cecília, embora o proprietário jure de pés juntos que está em Higienópolis.
Com a tentativa de revitalização da Cracolândia, os nóias estão se aproximando de Higienópolis. Jazem agora em torno ao metrô Santa Cecília, que obviamente fica em Santa Cecília. Mas se antes a Cracolândia estava a uns dois quilômetros de minha rua, agora já está a um quilômetro. Os usuários do metrô adotaram uma estratégia: combinam horários para encontrar-se na estação e, ao sair, formam comboios para enfrentar os zumbis de Santa Cecília. Polícia, que é bom, nem pensar.A polícia vê mas não faz nada. Considera-se que o problema é social, não policial. Às vezes, para mostrar serviço, esvaziam as ruas do crack por algumas horas. Apenas por algumas horas. Ninguém é preso, nem usuários nem traficantes. Moro a uma quadra do shopping Pátio Higienópolis, um dos mais imponentes de São Paulo, segundo freqüentadores de shoppings. Não posso afirmar o mesmo porque é o único que conheço. No shopping fica o auditório da Folha de São Paulo, onde desfilam desde Fernando Henrique Cardoso a Mário Vargas Llosa.
Na última sexta-feira, a Folha organizou um debate sobre a droga em seu auditório. Em reportagem de Reinaldo Lopes, editor de Ciência do jornal, leio que Ronaldo Laranjeira, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), disse que sua posição "era lógica do ponto de vista da saúde pública". "A experiência de legalização das drogas ilícitas está aqui perto da gente, é a Cracolândia", ironizou, criticando o fato de que não há um movimento nacional para tentar controlar o uso do crack com a mesma expressão do que defende descriminalizar a maconha.
A jurista Maria Lúcia Karam, membro da ONG internacional Lead, favorável ao fim da proibição da venda de drogas, argumentou por sua vez que a guerra contra substâncias ilícitas aumentou a violência e ainda fez baixar o preço delas mundo afora. "Legalizar é controlar os danos causados pela droga. As pessoas só morrem de overdose porque não sabem o que estão usando".
O neurocientista Sidarta Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, manifestou-se favorável à legalização das drogas. "Algumas pessoas realmente precisam ser protegidas da maconha, como grávidas e jovens com cérebro em formação - assim como outras pessoas precisam ser protegidas do leite porque têm intolerância à lactose."Enquanto acadêmicos, juristas e especialistas discutiam a legalização da droga, ali ao lado, na estação Santa Cecília, os nóias fumavam e comerciavam a droga, imbuídos da tranqüilidade dos justos.
De que planeta vieram estes senhores que insistem em legalizar a droga? No Brasil, a droga está há muito legalizada.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

ESSE CIRCO CHAMADO JUSTIÇA

O MINISTRO E O ESTAGIÁRIO

A notícia está estampada no Estadão:
O estudante de administração Marco Paulo dos Santos, de 24 anos, relatou ontem ter sido agredido verbalmente e demitido por ordem do presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler. O estudante deu queixa contra o ministro por "injúria real".
O delegado Laércio Rossetto disse ao Estado que enviou a ocorrência, com o termo de rescisão de contrato, para o Supremo Tribunal Federal. A agressão teria ocorrido na terça-feira, nos corredores do tribunal. Marco estava na fila do caixa rápido do Banco do Brasil, no complexo de prédios do STJ, para fazer um depósito. Ele tentou usar um dos caixas, mas não conseguiu completar a transação.
Informado por um funcionário do banco de que apenas uma máquina estava funcionando, ele se dirigiu para a fila onde o ministro Ari Pargendler usava um dos caixas. Neste momento, o ministro teria olhado para trás e começado a gritar: "Saia daqui, saia daqui, estou fazendo uma transação bancária", segundo relato do estudante.
Santos era estagiário da Coordenadoria de Pagamento do STJ, mas, segundo ele, não reconheceu o ministro. "Só o havia visto por fotos", explicou o estudante, que trabalhava no tribunal desde fevereiro. Ao ser confrontado pelo magistrado, disse ter respondido que estava a uma distância correta. Ele se encontrava, segundo ele, antes da linha marcada no chão para sinalizar onde começa e termina a fila. Diante da resposta, o ministro teria se alterado e dito: "Eu sou o ministro Ari Pargendler. Você está fora daqui, isto aqui acabou para você".
O estudante disse que o ministro teria puxado diversas vezes seu crachá para ver seu nome. "Tive que me curvar para ele conseguir levar o crachá embora, porque ficou puxando com muita força", relatou o estudante, que disse ter continuado na fila e feito o depósito depois que o ministro foi embora. Ao voltar à sala onde trabalhava, recebeu a notícia de que estava demitido. O chefe de Santos disse a ele que o ministro pediu pessoalmente a demissão porque teria sido afrontado "gravemente" pelo estagiário. Procurado, o chefe de Santos não quis dar entrevista.
Traje. "Fui injustiçado, fiquei sem emprego", reclamou o estudante. "Acham que não, mas existe no funcionalismo público muito preconceito contra estagiários e terceirizados. Se eu fosse um advogado, tenho certeza que não me trataria daquela forma." Ele acredita que o ministro o reconheceu como estagiário porque vestia calça jeans e camisa polo, enquanto os funcionários de alto escalão costumam trajar terno.
A assessoria do STJ informou que o ministro está em viagem e só conversará com a imprensa sobre o assunto na segunda-feira.
O delegado Laércio Rossetto, da 5.ª Delegacia de Polícia, que assinou o boletim de ocorrência, explicou que a polícia não tem competência legal para investigar magistrados e por isso encaminhou a documentação ainda ontem ao STF.

Comentário: a dignidade não está na toga, nem no cargo, porque o comportamento é do homem e, dependendo desse comportamento, o homem dignifica ou macula o cargo que exerce. A arrogância, o destempero, o desequilíbrio são incompatíveis com a serenidade que se espera de quem é pago para fazer justiça. Ao demitir o funcionário, o descomedido senhor Ari Parglender procedeu a um julgamento sumário, unilateral, despido de racionalidade, desprezando o mais primário de todos os direitos: o de defesa.
João Eichbaum

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

ESSE CIRCO CHAMADO JUSTIÇA

QUE FALTA FAZ O NEPOTISMO

João Eichbaum

Antes da guerra que se fez contra o nepotismo, nos tribunais a coisa funcionava assim: o papai desembargador convocava o filho, a filha, a nora, o genro, ou qualquer outro parente, para “trabalhar”como “assessor”, no seu gabinete. E houve desembargador que até a ex-mulher empregou no tribunal, para não pagar pensão alimentícia.
É claro que o parente fazia que trabalhava, mas batia o ponto mensalmente no guichê para receber a sua grana, que não era pouca.
Então o desembargador tinha que trabalhar, porque os seus parentes, ou não tinham competência ou não tinham vontade de trabalhar. Aí o desembargador era obrigado a examinar o processo e a lavrar o seu voto.
Depois que resolveram acabar com o nepotismo a coisa mudou. Para pior. O desembargador, agora, passou a empregar seus amiguinhos e amiguinhas, mas exige serviço deles. Quer dizer, o desembargador não trabalha. Quem faz o voto, quem examina o processo é assessor. O desembargador só comparece na sessão de julgamento para ler o voto que foi feito pelo assessor.
O mundo jurídico desabou. Já não se discute o direito nas sessões dos tribunais, porque os “assessores”, que são assessores porque não têm capacidade para passar em concurso, são pessoas despreparadas para a função judicante, não têm cacife para tratar uma questão jurídica, por menos complexa que ela seja. Ah, e não sabem ler, nem escrever a verdadeira linguagem do direito, naturalmente.
Mas isso ainda não é nada. Como os desembargadores têm assessores, os juízes não quiseram ficar para trás e hoje cada juiz tem seu “assessor”, ou “assessora”, escolhida conforme a cara, conforme o traseiro, conforme o tamanho dos seios, ou a largura dos quadris. O único item que não conta é a qualificação.
Então, agora, a coisa funciona assim: o “assessor” do juiz profere a sentença e o “assessor “ do
desembargador profere o voto.
Ou vocês acham que o desembargador iria se rebaixar, lendo a sentença feita pelo “assessor”?
Não, meus amigos, agora é assim: de “assessor” para “assessor”. E os advogados e as partes que vão se queixar para o bispo, se quiserem, porque essa pantomima chamada Conselho Nacional de Justiça não toma conhecimento de “matéria de jurisdição”.
Em outras palavras: já não existem juízes, quem ordena a justiça hoje são os “assessores”.
E é por isso essa bagunça toda: hoje a justiça decide de um modo, amanhã decide de outro, um “assessor” faz e outro desfaz, as asneiras se repetem a cada dia, a justiça, enfim, não passa de um faz-de-conta.
Mas dá emprego pra muita mulher gostosa.