segunda-feira, 31 de outubro de 2011

E SE O LULA PRECISASSE DO SUS?

João Eichbaum

É domingo de noite. Para muitos, as festas, as beberagens, o futebol, a dor de cabeça provocada pela derrota, exigem do corpo, agora, o descanso. Para outros, quem sabe, ainda algumas horas de lazer, os últimos beijos e abraços dos namorados, o cinema no “shopping” naquele final de domingo.
Mas há um filão de maltratados pela vida que se entrega a um pesadelo que não tem nome. São os que dependem do SUS, os doentes, pobres, aposentados, que sobrevivem com um salário mínimo ou pouco mais que isso. São aqueles que não tiveram tempo, nem condições financeiras, para se defender contra as traiçoeiras e inevitáveis doenças da velhice ou que, mesmo não sendo velhos, não tiveram oportunidade para fazer as prevenções necessárias, como revisões médicas, “check up”, exercícios físicos, alimentação adequada, etc.
Esses já na noite de domingo vão para a fila do SUS que, partir da manhã de segunda-feira começará a distribuir as fichas para consultas médicas. Então, dentro da noite, que será quase eterna, e ao longo de paredes descascadas pelo tempo, se desenha um quadro que maltrata os olhos, acende piedade e raiva ao mesmo tempo.
Pessoas, trôpegas, caminhando devagar, curvadas, ou até apoiadas sobre bengalas, sob os tormentos da doença ou da velhice, vão se postando, uma atrás da outra. Algumas trazem cadeira, uma sacolinha com lanches. Outras, meio de rolo papel higiênico, um embrulho com remédios.
À medida que a madrugada avança, outros vêm se juntando aos que lá se encontram, engrossando a fila. Pela manhã, à hora da abertura do Posto de Saúde, quase duas centenas de pessoas são candidatas às fichas do SUS. Menos de um quarto dos presentes serão contemplados com ficha para uma consulta com cardiologista, urologista, oftalmologista, etc. Ou seja, apenas uma primeira etapa de uma jornada em busca de saúde, que não se sabe se terá fim, com a requisição de todas as espécies de exames, preliminares talvez de um internamento hospitalar.
Enquanto isso, nessa hora da manhã, os trabalhadores da grande região metropolitana, futuros ocupantes daquelas filas do SUS, se amontoarão nos ônibus ou nos trens, para mais um dia de trabalho.
Foi para isso que o PT, o Partido dos Trabalhadores, patrocinando o ingresso de todo o tipo de comunistas no governo, de Manuela D’Ávila, que eu gostaria de ter como empregada doméstica, a Orlando Silva, que não canta bosta nenhuma, embora tenha nome de cantor, foi eleito: para continuar a maltratar aqueles que foram sempre maltratados, os trabalhadores. Ou seja, os pobres que trabalham, contribuem com o tesouro, constroem o PIB.
E o pior é que foram esses mesmos trabalhadores que elegeram Lula e elegeram Dilma, enfeitiçados pelas falsas promessas de que tudo iria mudar, porque o Partido estava levando para dentro do governo o povo pobre e trabalhador.
Agora, desde que o PT chegou aos governos federal, estadual e municipal, levando junto os comunistas, esses estão ricos, faturando milhões, levando uma bela vida de capitalistas, sem trabalhar.
Enquanto isso, o PT, propriamente dito, voltado para os pobres que não trabalham e que se contentam com o bolsa-família e as lonas do MST, trata de dar emprego na administração pública para a companheirada que nunca administrou coisa alguma na vida. E o resultado continua sendo o mesmo de toda a história política deste país: o futuro da saúde do trabalhador que realmente trabalha é a fila do SUS, depois de haver ele passado anos se espremendo no transporte coletivo para chegar ao trabalho.
Mas, certamente, na próxima eleição, esses mesmos trabalhadores vão integrar o “oba,oba” do PT outra vez, para deixar o Lula e a companheirada rindo à toa. Porque o Lula, não precisando enfrentar a fila do SUS, terá atendimento especial para as quimioterapias ou radioterapias de que necessita, com a esperança de que o seu gogó canceroso esteja curado, para enganar o pobrerio, de novo. Antes que se lhe aplique a “extrema unção”, claro.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A BÍBLIA LIDLO DIABO

João Eichbaum

22 Assim fez Noé, conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.

E vocês queriam o quê? Acham que ele ia querer se complicar, queimar o filme?
Que o Noé cuspisse de lado, com jeito de quem não ta nem aí e dissesse “não, eu fora, te vira Velho”?

NOÉ E SUA FAMÍLIA ENTRAM NA ARCA

7 Depois disse o Senhor a Noé: entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de mim nesta geração.

Bom, mas toda a platéia e mais a torcida do Flamengo gostariam de saber quanto tempo o Noé levou para fazer aquela monstruosidade de arca.
Considere-se que não havia serrarias naquele tempo. Nem esse lance de Ibama, secretaria de meio ambiente, essa porra toda que só atrapalha. O Noé tinha que derrubar árvores, em primeiro lugar, mas serrá-las como? E prego, e ferramentas? E mão de obra?
Ah, sim, e por acaso Noé era carpinteiro?

2 De todo o animal limpo tomarás para ti sete e sete, macho e fêmea, mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e a sua fêmea.

Bem, que o Velho Javé é chegado em discriminação já se sabe desde o tempo do Caim e do Abel. Ele gostava das oferendas do Abel, mas desprezava as do Caim.
Agora vem Ele, mais uma vez discriminando: sete casais dos animais limpos e apenas dois dos que não são limpos.
Agora, me digam uma coisa: quem foi que criou os animais? E quem os criou, por que fez duas espécies, as dos animais limpos e dos não limpos?
Será que Ele já tava meio perdido ou estava reconhecendo o fiasco da criação da terra?
Outra coisa: qual era o critério para escolher os sete e os dois?
E ainda mais uma perguntinha, como é que o Noé distinguia a cobra macho da cobra fêmea, por exemplo?

3 Também das aves do céu sete e sete, macho e fêmea, para conservar em vida a semente sobre toda a face da terra.

Passarinhos e passarinhas para casarem e serem felizes, para todo o sempre, curtindo o maior barato, fazendo sexo entremeado de cri-cri nas árvores frondosas. Depois da chuva, claro.

4 Por que passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites, e desfarei de toda a face da terra toda a substância que fiz.

Metido nessa roubada, o Noé ainda teve que correr contra o tempo. Acontece, fazer o quê? Sete dias pra terminar a babilônica arca e botar toda a bicharada lá dentro, examinando um por um, pra ver quem tinha pinto e quem tinha perereca, antes do apagão geral.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O NÉRIO SABE DAS COISAS

Aguardem. O movimento em favor dos fofos está se organizando. Haverá na Praça da Redenção a " Passeata do Orgulho Gordo". Para participar não precisa ser obeso mórbido. Alias, diante das divergências das teorias médicas para identificar o que seja gordura mórbida, é aconselhável que o extra-large, sabe aquele, gordão de verdade, venha acompanhado do médico, da enfermeira, da massagista e de seu personal trainer e inclusive de seu nutricionista a fim de garantir uma pérfomance melhor e sem riscos.
Serão monitorados permanentemente e os aparelhos ligados ao seu coração, eletródos, estarão, minuto a minuto, controlando a pressão, o débito sanguíneo, a sístole e a díástole, a irrigação cerebral, a hemoglobina, o fundo do olho, a oxigenação pulmonar, e um vídeo mostrará aos médicos socorristas, na sala própria instalada no local, em fração de segundos, mediante fibra ótica e internet super rápida, o funcionamento das válvulas, mitral, tricúspide, aórtica e fará controle da expansão do miocárdio e do pericárido e o comportramento durante a corrida do ventrículo esquerdo. Grande novidade será o último grito vindo da Universidade de Stanford, da Califõrnia, o controle da jugular e da carótida e a circulação que irá irrigar o cérebro. Com o que o aparelho super-moderno, importado do centro cardiaco do Metodist Hospital de Houston, no Texas, controlará a possilidade de formação de coágulos sangúíneos e aneurismas localizados não detectáveis pelos nossos aparelhos comuns até aqui usados nos hospitais locais. Soará um alerta sonoro, com luzez coloridas piscantes, semelhante ao "doro-flex" , tipo ambulância do SAMU no trânsito tresloucado da capital, indicando o local, com antecedência, alertando os médicos socorristas da sala de emergência e controle, o local do vaso sanguíneo onde está se formando uma bolha que pode resultar em aneurisma.

O moderno aparelho importado da Universidade Rockefeller, de NeW York, avisará, com razoável antecedência, mediante um apito estridente, se o coração vai fibrilar ou não, permitindo que via internet, através de um super aparelho eletrônico, o médico, controle e diminua a intensidade da corrida e das passadas do obeso, na avenida, evitando assim, possiblidade de infarto em pleno asfalto. Sabe como é. Gordos que se metem a correr, atletas de fim de semana, correm sério risco de cairem duros na rua sendo vítimas de morte súbita. O que seria totalmente improdutivo em termos de marketing para os promotores da corrida.
Os promotores da corrrida pedem para os gordos chegarem ao ponto da largada, com tres horas de antecedência, a fim de dar tempo, dos procedimentos cautelares, eletro deitado, em repouso, de esforço, na esteira, dosagem de glicose, colesterol, triglicerídeos, ácido úrico, PSA ( posto que a próstata em gordo com possibilidade de cancer oculto prostático - conduz uma enzima própria e desgraçada que aumenta o risco cardíaco). O oculto câncer de próstata em gordo é muito agressivo e gosta de produzir metástese em regiões as mais difíceis de descobrir pelo pelo corpo humanao. Ficará a critério do médico da sala de preparação para a corrida o uso do toque retal ou não. O candidato a correr não pode se opor. Pois, adere, previamente a que o médico lhe faça o toque retal segundo os ditames da moderna medicina, e da relação médico-paciente. Após o toque retal e conveniente massagem prostática será recolhida urina e examinada na hora por potentes microscópios, vindos da Suissa e manejados por técnicos de laboratório da USP. Neutralidade absoluta.

Se o gordo sofre de prisão de ventre e não evacua faz alguns dias, será feito, moderno cristel, sem incômodo algum, com um litro de água com glicerina, introduzido por modernissima sonda no ânus e assim o gordo terá uma ótima evacuação, liberando o intestino grosso das fézes e se sentirá aliviado e mais leve na corrida. Inclusive o psiquismo do gordo ficará melhor e assim mais disposto para correr.

A liberação da endorfina durante a corrida será controlada, desde a sala de monitoramento, por médicos especialistas em atletismo, através de moderna televisão importada da fábrica da Phillips, da Holanda.

Os promotores da corrida, embora saibam da possibilidade de crítica, por discriminação, tomaram a iniciativa de dividir em dois grupos os corredores. O primeiro grupo a largar será o dos gordos e das gordas, gays, lésbicas, travecos, transsexuais e assemelhados. Os grupos GLS e simpatizantes, assumidos ou ainda não assumidos.

O segundo grupo será o dos héteros, metrossexuais e das mulheres que se declararem que não são lésbicas .

Nério "dei Mondadori" Letti.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O PADRE E SUAS MEMÓRIAS

João Eichbaum

Estou lendo um livro, intitulado “Sem Medo da Verdade”, escrito pelo Padre José Joaquim Pillon.
Pelo que li no prefácio, escrito pelo próprio autor, é uma autobiografia condimentada com candentes desabafos. Por exemplo, diz ele: “a História mostrou-me o caminho do surgimento das idéias, como se formaram os paradigmas autoritários do pensar e do agir na educação religiosa e política, quase sempre em nome de Deus”.
O padre, como todos nós, antes mesmo que pudesse pronunciar a primeira palavra, já estava engolfado no sistema, preso às regras do cristianismo, marcado pelo ritual do sal e da água, sem o qual ele não seria “filho de Deus”. O sobrenome Pillon é responsável pelo resto. De origem italiana, nunca pôde se libertar do ferrete religioso que lhe impuseram. Para a maioria dos italianos (hoje, na era Berlusconi, já nem tanto) a religião católica é a senha para entrar no céu. Sua família lia a bíblia, rezava antes das refeições e se ajoelhava à noite, para desfiar o rosário, com o ramerrão das ave-marias.
Agora, iluminado pela clarividência que lhe empresta a terceira idade, ele veio a descobrir que os “paradigmas” religiosos que lhe serviram de norte no pensamento e na ação eram “autoritários”. E acrescenta que tais paradigmas lhe foram impostos “quase sempre em nome de Deus”.
É claro, estando assentada na divindade a base e a razão de ser de qualquer religião, seus administradores são espertos o bastante para se eximirem de culpa, atribuindo assim, ao deus que escolheram, a sanção das regras de comportamento por eles ditadas. Como se, existindo um deus “onipotente e onipresente”, ele necessitasse de “representantes”, para se fazer respeitar e para difundir “sua palavra”.
Naturalmente, sem consultar o povo que reza, vai à missa, deposita na caixa de coleta suas espórtulas e acredita cegamente na entidade divinizada, os “representantes” de Deus, que nunca apresentaram procuração, criam suas normas e as impõe, sancionando-as com as penas de excomunhão, inferno e tudo o mais.
Então as regras religiosas de comportamento são ditadas de cima para baixo, sem a mínima chance de contestação ou de questionamento: são ordens de Deus, embora feitas pelos homens.
É certamente por isso que o padre as chama de “autoritárias”. E como corolário da descoberta que lhe proporcionou “a História”, ele acrescenta: “eu queria uma vida mais limpa, mais transparente e mais ágil para mim e para todos”.
Em outras palavras, o padre se queixa da falta de liberdade, inclusive para tornar menos sombrias, menos obscuras ou, quem sabe, menos ambíguas, essas intransigentes regras “de Deus”.
Agora, pelo que transmitem as primeiras linhas do livro, o padre está se libertando das amarras da obediência que, ao assumir a condição de clérigo, havia jurado à hierarquia da Igreja Católica. Isso exige coragem e, implicitamente, descrédito na existência do “inferno”, castigo de que lança mão a referida Igreja contra aqueles que ousam contestá-la.
Por essas primeiras linhas, o padre merece aplausos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O NÉRIO SABE DAS COISAS

Apesar dos empates dos vermelhos e dos tricolores, ambos com sabor de derrota, folha de pagamento altíssima, valores Fifa, assim como os dois estádios, particulares (nenhum é municipal, Maracanã, etc.. e tantos outros) ou do poder público. Não,´gaúcho é gaúcho, tem que ter dois estádios. Como no temo dos chimangos e maragatos e nas revoluções. Livro branco e lenço vermelho. Degola e tudo no pampa e na coxilha. Atrasado mas gaúcho barbaridade. Quando vamos cair na nossa real do "gaúcho pobre, doente, salário mínimo" e o futebol gaúcho acabou. Só temos Inter e Grêmio, elite da elite "crema de la crema" e o resto se foi para a série D, sem time, sem dinheiro, no barro, na chuva e no frio. Coitados dos jogadores dos times do interior, inclusive do Juventude e Caxias. Acabaram. E não levantam mais. A não ser que um maluco invista muito dinhieiro nestes times do interior na esperança de vender o craque por milhões para a Europa. Todos são empresários de jogadores. Medíocres.

No fim de semana, no Pan Americano de Guadalajara, no México, a orgulhosa e auto-suficiente seleção dos jovens craques brasileiros, todos ja contratados para jogar na Europa, só pensando em milhões, levaram um sonoro 3x1 e um banho de bola da Costa da Rica. Na Copa América fomos desclassificados pelo Paraguai .

Como eu chorei, lá em Antonio Prado, com 12 anos, a tragédia da Copa de 50, quando perdemos para o Uruguai, El Maracanazzo, 2x1 - em 16.7.1950, é certo que meu neto, Douglas, com 8 anos, gremista fanático e apaixonado por futebol, vai chorar com seus amiguuinhos a derrota da orgullhosa seleção nacional canarinho na próxima Copa de 2014. A não ser que mudem tudo. Começando pelo obeso Teixeira na CBF .

Nério "dei Mondadori" Letti.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

TELEVISÃO, FUTEBOL E POLÍTICA

João Eichbaum

A Cláudia Tajes que, mais do que minha amiga, é meu ídolo, abordou, em sua crônica da Zero Hora de quinta-feira última, um tema banal, mas muitíssimo interessante: a cabeleira de alguns jogadores de futebol. Depois de mencionar os “cortes” de cabelo de Ronaldo, Ronaldinho, Cortês, Fábio Ferreira, Carlinhos Paraíba, Kempes e, naturalmente, Neymar (ela esqueceu do Tinga, e eu entendo, gremista que é, não ta nem aí pros vermelhos), concluiu de um modo que não é muito de seu feitio, filosoficamente: “Tanto quanto a política, o esporte dá uma medida do que a gente é, no fim das contas. E, a se julgar pelos cabelos e pelos fatos, a coisa está feia”.
Realmente, o povo, em quase sua totalidade gosta de circo, como já diziam os romanos. Tendo pão e circo o povo está feliz, diziam eles.
O circo daquele tempo, para quem não se lembra, era feroz. Lançavam-se na arena os inimigos, os prisioneiros e se abriam as comportas das jaulas, donde saíam feras famintos. E é claro que saciavam sua fome ali, na arena, sob os aplausos do populacho.
O primata humano evoluiu, claro, e hoje já não caberia um espetáculo dessa ordem, porque se defrontariam duas ideologias: a dos direitos dos animais humanos e a dos animais não humanos.
Mas, de qualquer modo, o gosto pelo circo continuou. O circo do povo hoje é a televisão e o futebol. De tudo o que aparece na televisão e tem sacanagem o povo gosta: noticiário policial, BBB, política, programas de auditório, novelas, e por aí vai.
Mas, o futebol é um espetáculo à parte, porque sua força não distingue idades nem condições sociais, e ele faz a cabeça tanto da criança quanto do velho. A cabeça da criança, literalmente.
E disso também a Cláudia trata na sua crônica. Transformados em “ídolos” pela imprensa e projetados pela televisão, alguns jogadores ditam moda e a criançada ligada em futebol sai a imitá-los, copiando-lhes os cortes de cabelo.
Por seu turno também os adultos, uns mais, outros menos velhos, se entregam às paixões que o futebol desperta. E isso distrai o povo, faz o povo feliz, dispensa-o da prática de pensar. E enquanto o povo se distrai com futebol ou programas de sacanagem da televisão, os políticos aproveitam para fazer das suas e pegam o povo distraído, no contrapé, aumentando impostos, distribuindo dinheiro pra ONGS, Sem Terra, e tudo o mais.
Então, tem razão a Cláudia, com seu enfoque filosófico: esporte e política servem para mostrar o que a gente é. Eu, bancando o hermeneuta do pensamento da Cláudia, só acrescentaria, para deixar bem claro: não passamos de macacos, nos mantemos fiel à nossa natureza. Qualquer circo nos leva.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A BÍBLIA LIDA PELO DIABO

João Eichbaum

17 Porque eis que Eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus: tudo o que há na terra expirará. 18 Mas contigo estabelecerei o meu pacto; e entrarás na arca tu e os teus filhos e a tua mulher, e as mulheres de teus filhos contigo. 19 E de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, meterás na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão. 20 Das aves conforme sua espécie e das bestas conforme a sua espécie de todo o réptil da terra conforme sua espécie virão a ti, para os conservar em vida.

Tudo na base do impulso e da porrada. O primeiro impulso foi o de “criar” o mundo e as criaturas viventes. Para quê, mesmo? Certamente nem Ele sabia. Fez tudo levado pelo impulso, sem medir as conseqüências, sem projetos. Fez a coisa e não assumiu. Estou em dizer que a criação do mundo foi o ponto de partida para o desdobramento de sua ira.
De cara, se incomodou com Adão e Eva, porque inventou aquela coisa sem sentido de árvore proibida, expulsou-os do paraíso, tirou-lhes todas as mordomias e mandou que se virassem. Depois, em razão de suas preferências com o Abel, irritou o Caim e também deu o fora nele.
Agora resolve “desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus”!
Parece que o Cara não tinha noção do que fazia ou não fazia as coisas para valer. Criou tudo sem controle de qualidade, permitiu e não só permitiu, mandou que as criaturas se multiplicassem, botou tempero no sexo para tal finalidade e agora não queria nem saber: que se fudesse a humanidade, os répteis, as aves do céu e tudo o mais. Claro, com a ressalva de um casal de cada espécie, para que pudessem continuar, praticando sexo.
E nomeou o Noé como gerente.
Mas o que é que o Noé tinha de diferente para garantir a perpetuação da espécie humana, sempre cheia de encrenca e tocada a sobressaltos?

21 E toma para ti de toda a comida que se come e ajunta-a para ti. E haverá mantimento para ti e para eles.

Pô, nem uma mãozinha Ele deu pro Noé, nesse item. O Noé é que teve de ajuntar comida para ele e toda a turma, que ia ocupar sua pousada com diária completa.
E olha que tinha elefantes, leões, que não matam a fome com pouca coisa.
Se deram conta de quantos quilos de carne são necessários para alimentar a majestade impávida de um leão, unzinho só?
Ah, sim, antes que me esqueça e as raposas iriam deixar as galinhas em paz?