quarta-feira, 23 de outubro de 2013

DE BEAGLES E OUTROS ANIMAIS

João Eichbaum


Do fim da semana passada a esta parte, noticiários de televisão e jornais só faltam latir. O furto de cachorros da raça “beagle”, que se encontravam num laboratório em São Paulo, onde serviam como experimentos científicos, tomaram conta de muitas falas, escritos, crônicas, artigos, manchetes e imagens.
Os meliantes, tratados respeitosamente como “ativistas”, sem respeito algum pela propriedade privada, como costumam fazer os larápios, invadiram o laboratório de madrugada, em nome da defesa dos direitos dos cachorros – os de quatro patas, bem entendido.
Nunca ouvi falar que alguém, se preocupando com moradores de rua que dormem ao relento, cobertos com folhas de jornal ou papelão, os tenha resgatado, lhes oferecendo casa, comida, roupa lavada, assistência à saúde, como muitos cães e gatos têm, sem que seja necessário qualquer ataque à propriedade privada.
Então, assim, ó: os “beagles” furtados do laboratório têm direitos, que os moradores de rua não têm. Aqueles não podem ser “maltratados”; esses, sim. Já que o Poder Público nada faz em defesa dos cachorros, os “ativistas” o fazem. Mas, já que o Poder Público nada faz em defesa dos moradores de rua, os “ativistas” também não.
Dos direitos humanos só quem cuida é a Maria do Rosário?
Não há “ativistas” ativos em favor dos homens. Mas os há, e muitos, em defesa de outros animais, não falantes. Sem falar nos “ativistas” profissionais, que viajam pelo mundo afora, não se sabe à custa de quem, para salvar “o meio ambiente”, enquanto criancinhas morrem de fome ou por falta de adequada assistência à saúde.
Mas, umas perguntinhas, de quem não entende coisa alguma de cachorros e gatos: por que é que ninguém invade fazendas  para “resgatar” aquelas legiões de cabeças de gado de corte? Por que é que ninguém pega um cajado de pastor e sai por aí, na calada da noite, salvando inocentes ovelhinhas da pena de morte?
Por que é que ninguém invade galinheiros, aqueles galinheiros industriais, onde inocentes pintinhos esperam a morte confinados, bem tratados, como se estivessem num paraíso? E os perus do Natal, ninguém salva? E os peixinhos, aquelas criaturinhas engambeladas pelos anzóis, que fazem a alegria das crianças na praia?
E os navios pesqueiros, nem piratas os atacam?
Se o homem não  pode “maltratar” cachorros, como é que ele mata pulgas, mosquitos, carrapatos, formigas, cobras, escorpiões?
E quando um “ativista” sente engulhos ao encontrar apenas “meio bichinho” na goiaba, é por nojo, ou por pena por ter engolido a metade daquela criaturinha de Deus?
E sem pesquisas em animais, será possível preservar a saúde de outros animais? O que fariam os “ativistas” sem a medicação adequada que salvasse a vida dos seus cachorrinhos de estimação?
Defende-se o direito dos cachorros, mas em nome da própria subsistência não se defendem bois, ovelhas, peixes e frangos? E no Natal, arrotando peru, se canta “Noite Feliz” sem nenhum remorso?
Sem predação, não há vida.  A predação é a lei básica da natureza, para haja vida. E a primeira vítima é o hímen.



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