terça-feira, 12 de janeiro de 2010

CRÔNICAS PENSATIVAS

DO ANO NOVO

Paulo Wainberg




O cara que responsabilizou a Humanidade pelo Planeta e criou a Ecologia, devia ser louco ou um completo imbecil. A Terra só pensa em nos destruir com terremotos, maremotos, furacões, tufões, vendavais, ciclones, vulcões e micróbios. Salvem as baleias? Não! Salvem os Homens. Outro bicho que vá defender o Planeta.

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Entrei no mega-shopping, repleto de mega-lojas anunciando mega-ofertas de mega-produtos, com mega-descontos, mega-facilidades e mega-prazos. O que não era mega, era macro. O que não era macro, era hiper. O que não era hiper, era super. O que não era super, era imenso. O que não era imenso, era gigantesco. O que não era gigantesco, era descomunal. O que não era descomunal... era mega.
Eu? Micro.

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Profetizo que 2010 começa no dobro e termina na metade.

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Odeio quando minha euforia entra em baixa. Perco a cotação, meu índice cai e nem radio quero escutar. O pior é que quando minha euforia começa a cair, cai mesmo, pulveriza os valores, calcina os papéis e me leva ao prejuízo total. Assim, depois de tantas vezes perder tudo nesse mercado, fiquei prudente, aprendi a sair antes da ruína, preservando um pouco de capital, porque me dei mal, sempre que investi tudo numa única euforia. Hoje em dia trato de manter o índice seis para minha euforia, com pequenas variações para mais e para menos. Nem muito feliz, nem muito triste.

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Depois da hecatombe, o último sobrevivente será o anônimo mais conhecido do planeta.

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Nunca, antes, neste País, se disse que tanta coisa nunca foi feita, antes, neste País. A pergunta que não me quer deixar calar é: Qual será a primeira coisa a ser feita neste País que já foi feita antes?

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A mal dos corruptos é a falta de corruptores.

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Os caminhos da vida são retos e simples: Os antigos velhos dão lugar aos novos velhos.

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Assim como mãe, paixão só tem uma. O resto são amores que se esvaem, amizades que fenecem, laços que se desatam, esperanças que se perdem.

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Viver é bom. Duro é aguentar o dia-a-dia.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

NÓS, PRIMATAS

A TEOLOGIA NA IMPRENSA

João Eichbaum

Assim como a Veja, cuja matéria foi analisada, percucientemente, pelo Janer Cristaldo, também a revista Época resolveu publicar um texto sobre o “Deus” criado pelas religiões.
Acho que a Época ainda foi mais infeliz do que a Veja, trazendo como pano de fundo de sua matéria um livro intitulado “The case for God” (Uma defesa para Deus – em tradução liberal), escrito por uma ex-freira e epiléptica, Karen Armstrong, de origem irlandesa.
Foi infeliz a revista, nesse tema, por duas razões. Uma, porque a ex-freira, sendo epilética, está entre aqueles que uma corrente expressiva da neoneurologia, considera as pessoas mais aptas para assimilar a religiosidade, em razão de problemas no lobo. Outra, porque não consta no currículo da autora qualquer título que lhe confira autoridade para discorrer sobre o tema.
Isso quer dizer que, epiléptica, a autora é mais uma vítima da crença do que uma douta no ramo da teologia. Como ela própria diz, é uma “monoteísta free lancer”.
E é exatamente por falta de autoridade no currículo que ela diz bobagens como “os novos ateus são teologicamente iletrados”.
Ora, se são ateus, que necessidade têm de “teologia”?
Os ateus são racionalistas. Não admitem aquilo que fere a razão, que não tem lógica. Só admitem a ciência, portanto. E no campo da ciência não há lugar para a teologia, porque a teologia não passa de um aglomerado de idéias sem lógica e inteiramente destituídas de razão. Nada tem de verdade, porque não há verdade sem provas.
Além de censurar os ateus, a ex-freira também se arroga autoridade para criticar os que ela chama de “fundamentalistas religiosos”, a quem atribui a infantilidade de conceber “Deus como um ser poderoso que os homens não conseguem enxergar”
Evidentemente a epiléptica autora não descreve, na matéria publicada pela revista, como é esse “Deus”, quais são suas propriedades, suas virtudes, suas características, as qualidades, enfim, que não permitem tê-lo como “um ser poderoso” nem que possa ser “”enxergado” pelos homens.
A partir disso, não se sabe donde a Época extraiu os adjetivos “denso, corajoso e sincero” que atribui ao livro. Fez publicidade gratuita. Donde se conclui que seus proprietários ou diretores, estão na terra a serviço desse mesmo “Deus”, aproveitando também para tirar um dinheirinho dos crentes. Porque ninguém é bobo de fornecer de graça a idéia de Deus. A começar pelas religiões.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

COM A PALAVRA JANER CRISTALDO

O ILUSTRE TEÓLOGO NÃO LEUNEM O PRIMEIRO EVANGELHO
Janer Cristaldo

Nos finais de ano, o planeta dorme. Exceto algum acidente aéreo, nada de relevante acontece. As grandes revistas nacionais, por falta de assunto, dedicam páginas e mais páginas a um tema recorrente, a Bíblia ou o nascimento de Cristo. A Veja destes dias finais de 2009 dedica sua capa à Bíblia, que “começou a ser escrita há mais de 3 000 anos, e desde seu início se revelou um livro sem rival no poder de moldar culturas e civilizações. Essa força permanece inesgotável: ler a Bíblia é essencial para entender o mundo do qual viemos e em que vivemos hoje”. Até aí, nada contra.Considero difícil entender, pelo menos o Ocidente , sem a leitura do Livro. Ocorre que a reportagem resvala para uma análise anódina da Bíblia, que não leva em conta os mais recentes estudos sobre a história daqueles dias. Sem nenhum espírito crítico, o redator praticamente assume como fatos históricos os mitos bíblicos. Ao falar sobre a passagem de Jesus sobre a Terra, o redator grafa: “sobre Sua missão”. Assim com maiúscula. Ora, isto é coisa de crente. De uma revista como Veja, espera-se um jornalismo isento. Fez jornalismo de pregador.Esqueceu ainda o redator de dizer que a Bíblia – e particularmente o Antigo Testamento – defende uma legislação de bárbaros, onde imperam o genocídio, o massacre de povos inteiros, de homens, mulheres e crianças, a vendeta, a lei de talião, a lapidação. De minha parte, desconheço livro mais sanguinolento.
A reportagem só pode ter sido escrita por alguém que jamais leu com atenção a Bíblia. Mas se até ilustres teólogos proferem bobagens, que se pode esperar de um jornalista? A Istoé, repisando o velho tema, reproduz grossa bobagem, proferida por um dos mais reputados teólogos tupiniquins.
Vamos ao texto:Sylvia Browne, americana autora do best seller “A Vida Mística de Jesus”, é taxativa: “Tanto José quanto Maria provinham de famílias judias nobres e prósperas, de sorte que Jesus nasceu em uma estalagem e não em um estábulo, rodeado de animais”, diz. “José, de família real, não podia ser pobre – era um artesão especializado.”
A afirmação de Sylvia é contestada por Fernando Altemeyer, professor de teologia e ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Afirmar que a ascendência nobre de José garantiria o bem-estar da família não faz sentido”, argumenta. Ele lembra que Davi é do ano 1000 a.C. e em um milênio sua fortuna certamente teria se dispersado. “Fora que a ascendência entre os judeus vem de mãe, não de pai”, explica.
Ora, Don Fernando, seria de supor-se que um professor de teologia e ciências da religião tenha algum dia lido os Evangelhos. Parece que não. Hoje, a ascendência entre os judeus pode vir de mãe. Antes não era assim. Y a las pruebas me remito.
Lá está, em Mateus:Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. A Abraão nasceu Isaque; a Isaque nasceu Jacó; a Jacó nasceram Judá e seus irmãos; a Judá nasceram, de Tamar, Farés e Zará; a Farés nasceu Esrom; a Esrom nasceu Arão; a Arão nasceu Aminadabe; a Aminadabe nasceu Nasom; a Nasom nasceu Salmom; a Salmom nasceu, de Raabe, Booz; a Booz nasceu, de Rute, Obede; a Obede nasceu Jessé; e a Jessé nasceu o rei Davi. A Davi nasceu Salomão da que fora mulher de Urias; a Salomão nasceu Roboão; a Roboão nasceu Abias; a Abias nasceu Asafe; a Asafe nasceu Josafá; a Josafá nasceu Jorão; a Jorão nasceu Ozias; a Ozias nasceu Joatão; a Joatão nasceu Acaz; a Acaz nasceu Ezequias; a Ezequias nasceu Manassés; a Manassés nasceu Amom; a Amom nasceu Josias; a Josias nasceram Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para Babilônia. Depois da deportação para Babilônia nasceu a Jeconias, Salatiel; a Salatiel nasceu Zorobabel; a Zorobabel nasceu Abiúde; a Abiúde nasceu Eliaquim; a Eliaquim nasceu Azor; a Azor nasceu Sadoque; a Sadoque nasceu Aquim; a Aquim nasceu Eliúde; a Eliúde nasceu Eleazar; a Eleazar nasceu Matã; a Matã nasceu Jacó; e a Jacó nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama Cristo. Onde tem mãe nesta árvore genealógica? Não vejo nenhuma. Recomendo ao ilustre teólogo ler pelo menos o relato de Mateus. Quando nem um professor de teologia e ciências da religião parece ter lido o primeiro evangelho, pouco podemos esperar de jornalistas.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS

BIG BROTHER
João Eichbaum

Antes de tudo, um esclarecimento: nunca assisti ao tal de Big Brother. Não porque me considere moralista. Não. Acontece que, para mim, pornografia tem lugar e hora. Programa de pornografia e de baixeza, não é programa para se ver em família. Além disso, sou dorminhoco, deito cedo.
Nunca vi, mas muito ouvi sobre as baixezas que se praticam debaixo dos olhos de quem tem estômago para vê-las. Então tenho uma idéia bem nítida do que seja o tal de Big Brother: uma exibição de primatas humanos, retornando às origens, abandonando o pudor e a razão e se deixando dominar pelos impulsos bestiais da natureza.
Em outras palavras: coisas de macacos.
A macaquice já começa na Globo mesmo, que segue aquele conhecido axioma: nada se cria, tudo se copia. Pois é: macaco só faz macaquice, imita o que faz o outro macaco.
O Big Brother é cópia de programa similar, que teve origem em países onde os macacos são mais adiantados, embora nunca deixem ser macacos.
Então, repito: é coisa de macacos. Confinadas as criaturas dentro de certo espaço temporal e físico, elas mostram, realmente, o que são e, como já afirmei acima, retroagem às origens, se deixando subjugar inteiramente pelos impulsos da natureza. E quando a natureza domina, o ser inteligente perde a razão, a personalidade, o bom senso, se despe das regras elementares da convivência e é abandonado inteiramente pelo senso do ridículo.
O que leva um advogado, uma dentista, uma “doutora” em lingüística a regressar para sua origem animal, área onde perde o valor todo e qualquer diploma universitário?
O dinheiro, é claro, ou a busca da fama vulgar. Mas esses são os “valores” da criatura humana, a quem se atribui dignidade e superioridade sobre os demais animais? E são tais pessoas os modelos, os paradigmas de que necessita a sociedade?
Bem, resumindo: se alguém tiver dúvida de que o homem, restrito à própria natureza, não passa de um símio sem dignidade, que assista ao Big Brother. E aí terá também a oportunidade de ver, nesse “show”, a caricatura daquilo que filósofos idiotas atribuem ao ser humano.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS

INVASÃO DE PRIVACIDADE

João Eichbaum
Enchentes, avalanches, mortes. E a Globo mostrando tudo. As pessoas no auge da dor, o rosto transtornado pelo desespero, os esgares do sofrimento revelando toda a fraqueza a que se submete o primata humano, quando vergastado pela perda de entes queridos, e a Globo mostrando essa fraqueza, como quem mostra um troféu, para milhões de pessoas.
Enquanto os tribunais proíbem que se divulguem as safadezas da família Sarney, por “invasão de privacidade”, para resguardar “os direitos da personalidade”, se calam os juízes, os ministros, os desembargadores, o Ministério Público, as associações dos “direitos humanos” quando a Globo exibe o que de mais íntimo existe numa pessoa, o direito mais sagrado que qualquer primata humano tem, que é o de chorar.
Falta seriedade, gente. Onde falta o respeito para com as pessoas, falta seriedade.
Mas, em cima dessa falta de seriedade, a Globo fatura, graças à liberdade da imprensa. O que importa para ela é o dinheiro, é o faturamento, é o “ibope”, e a intimidade das pessoas que se lixe, nesse comércio indecente, que é a venda da desgraça alheia.
Estou exigindo demais? Muitos dirão que sim, em nome da “liberdade de imprensa”.
E vou mais longe, exigindo, o que jamais acontecerá: que os membros do Judiciário e do Ministério Público, em pleno recesso dessa Justiça que não funciona, abandonem as praias, os “resorts”, as belas companhias, a champanhe legítima, importada, para preservar “os direitos da personalidade”, isto é, para exigir o cumprimento da Constituição Federal.
Ah, sim! E se alguém for exigir indenização pela indevido uso da imagem, vai na ganhar na Justiça três ou quatro salários mínimos, porque ninguém poderá enriquecer à custa da Globo e porque, para a Justiça, o homem comum não vale mais que isso.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

COM A PALAVRA, JANER CRISTALDO

IRLANDA VOLTA AOSTEMPOS BÍBLICOS
Leio no El País que a católica Irlanda, em pleno 2010, voltou aos tempos bíblicos. Segundo o jornal, uma nova lei, a “Ley de Defimación”, pune com até 25 mil euros a pessoa que proferir blasfêmias.
Para começar, procurei a palavrinha usada pelo jornal em meus dicionários e não a encontrei. Suponho que o redator tenha pretendido grafar difamación. Enfim, exista ou não defimación, o fato é que a lei define como blasfêmia uma expressão “tremendamente abusiva ou insultante em relação a uma matéria tida como sagrada por qualquer religião, que cause indignação em um substancial número de seguidores dessa religião”.
A lei entrou em vigor à 0h00 do dia 1º passado.Ou seja, se você afirmar que Jeová era um deus genocida, que Moisés ou Josué eram assassinos de mão cheia, que Maomé, além de degolador era pedófilo, ou mesmo que Edir Macedo é um vigarista de alto bordo, você está sujeito a desembolsar a nada desprezível soma de 25 mil euros.
Voltaire e Nietzsche devem estar se revirando em suas tumbas.Para Michael Nugent, líder de um grupo de ateus, a campanha é absurda “porque as leis religiosas medievais não têm lugar em uma moderna república secular onde as leis criminais devem proteger as pessoas e não as idéias. E é perigoso porque incentiva a indignação religiosa, e porque Estados islâmicos, liderados pelo Paquistão, já estão usando a redação da lei irlandesa para promover novas leis contra a blasfêmia junto à ONU".Blasfêmia é prática usual de sociedades onde o pensamento religioso exerce pressão.
Numa sociedade fundamentalmente laica não existe blasfêmia. Como não poderia deixar de ser, a palavrinha já está no Pentateuco. Ou na Torá, como quisermos. O termo designa todo atentado à majestade de Deus. O terceiro mandamento proíbe explicitamente “pronunciar em vão o nome do Eterno”. A bíblia proíbe igualmente ‘injuriar Deus” e condena à lapidação quem quer que tenha pronunciado tal blasfêmia.
Até que os legisladores irlandeses estão sendo lenientes, ao condenar o blasfemador apenas a uma multa.Segundo meu fiel Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme, os rabinos estenderam esta proibição à humanidade inteira. Na época da Mishná, apenas uma profanação flagrante do tetragrama, o nome inefável de Deus, implicava a pena de morte. Quanto aos que se tornavam culpados de uma blasfêmia em relação a qualquer outro nome divino, eram passíveis de receber golpes de chicote. Quando os judeus perderam sua autonomia jurídica, a punição prevista para o blasfemador foi reduzida a uma excomunhão (ḩèrem).
A vingar a lei, os irlandeses vão ter de começar a expurgar suas bibliotecas e vigiar o mundo editorial. Cuidado com Voltaire:“A Bíblia: o que alguns loucos escreveram, o que os imbecis ordenam, o que os truões ensinam e o que aos jovens se obriga a aprender de memória”.“O cristianismo é a mais ridícula, absurda e sangrenta religião que jamais assolou o mundo”.“A religião é a fonte de todas as loucuras e desordens imagináveis. É a mãe do fanatismo e da discórdia civil. É o inimigo da humanidade”.
E atenção especial a Nietzsche, que propõe em sua Lei contra o Cristianismo:Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário).Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo.
Artigo Primeiro - Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.
Artigo Segundo - Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Conseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo.
Artigo Terceiro - O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.
Artigo Quarto - Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de "impureza" é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.
Artigo Quinto - Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala - ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.
Artigo Sexto - A história "sagrada' será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras "Deus", "salvador", "redentor", "santo" serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.
Artigo Sétimo - O resto nasce a partir daqui.Nietzsche - O AnticristoE com muitas outras coisas terão de preocupar-se os irlandeses. Os filmes dos Monty Python então deverão ser expurgados da ilha. A começar por A Vida de Brian, que reduz Cristo a um maluco que não tem nem idéia do que acontece à sua volta. E continuando por O Sentido da Vida, de onde reproduzo a canção que segue.

Every Sperm Is Sacred

DAD:There are Jews in the world.There are Buddhists.There are Hindus and Mormons, and thenThere are those that follow Mohammed, butI've never been one of them.I'm a Roman Catholic,And have been since before I was born,And the one thing they say about Catholics is:They'll take you as soon as you're warm.You don't have to be a six-footer.You don't have to have a great brain.You don't have to have any clothes on. You'reA Catholic the moment Dad came,BecauseEvery sperm is sacred.Every sperm is great.If a sperm is wasted,God gets quite irate.
CHILDREN:Every sperm is sacred.Every sperm is great.If a sperm is wasted,God gets quite irate.
GIRL:Let the heathen spill theirsOn the dusty ground.God shall make them pay forEach sperm that can't be found.
CHILDREN:Every sperm is wanted.Every sperm is good.Every sperm is neededIn your neighbourhood.
MUM:Hindu, Taoist, Mormon,Spill theirs just anywhere,But God loves those who treat theirSemen with more care.
MEN:Every sperm is sacred.Every sperm is great.
WOMEN:If a sperm is wasted,...
CHILDREN:...God get quite irate.
PRIEST:Every sperm is sacred.
BRIDE and GROOM:Every sperm is good.
NANNIES:Every sperm is needed...
CARDINALS:...In your neighbourhood!
CHILDREN:Every sperm is useful.Every sperm is fine.
FUNERAL CORTEGE:God needs everybody's.
MOURNER #1:Mine!
MOURNER #2:And mine!
CORPSE:And mine!
NUN:Let the Pagan spill theirsO'er mountain, hill, and plain.
HOLY STATUES:God shall strike them down forEach sperm that's spilt in vain.
EVERYONE:Every sperm is sacred.Every sperm is good.Every sperm is neededIn your neighbourhood.Every sperm is sacred.Every sperm is great.If a sperm is wasted,God gets quite iraaaaaate!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

NÓS, PRIMATAS

VIRADA DE ANO

João Eichbaum

JOVENS INCENDEIAM 1.137 CARROS NA FRANÇA

CINCO PESSOAS MORREM EM CONSEQUÊNCIA DE EXPLOSÃO EM MINA NO AFEGANISTÃO

AVALANCHE MATA MAIS DE TRINTA PESSOAS EM ANGRA DOS REIS

BANDIDOS DERRUBAM HELICÓTERO DA POLÍCIA MILITAR NO RIO DE JANEIRO

AVALANCHE CAUSA MORTES EM JUIZ DE FORA

CHOQUE DE TRENS CAUSA MORTES, NA ÍNDIA

São manchetes das desgraças que aconteceram na virada do ano.
E enquanto alguns morriam, outros se divertiam com a apoteose ígnea que riscava a noite da civilização cristã, em todo o mundo.
Em meio ao frio de enregelar, nos Estados Unidos e na Europa, milhares de pessoas se aglomeravam em locais públicos, simplesmente para contemplar os fogos de artifício, como um modo de comemorar com alegria a virada do ano.
No Rio de Janeiro, segundo notícias, foram queimadas, nada menos do que dezesseis toneladas de fogos de artifício.
Queima de dinheiro, dinheiro do povo que estava feliz e se divertia, como se admirar a arte ígnea fosse a única maneira de ser feliz, à meia noite de 31 de dezembro.
Ao contemplar os pólos opostos da vida e da morte, da alegria e da dor, não se pode chegar à outra conclusão senão a de que o mundo e, portanto, e todos os animais que o habitam estão entregues à própria sorte, aos próprios desígnios e à força indômita da natureza.
É impossível, diante desses contrastes, acreditar que o universo seja regido, sabiamente, por algum “ente superior”. Nenhum “ente superior” iria se divertir com a desgraça, mesclada com a alegria boba de contemplar a arte feita com fogo, à custa de apertos, frio, submissão a normas de segurança e possíveis desconforto mercê de exigências fisiológicas do próprio corpo.
Só um primata mesmo, para se contentar com tão pouco. Claro que, como primata, não fugi do lugar comum: assisti à queima de fogos, mas do pátio da minha casa, com muito conforto, devidamente acompanhado por excelente espumante.