terça-feira, 29 de junho de 2021

 O INSTRUMENTO DA OPOSIÇÃO: STF

 

Agora, na politicalha brasileira, que é chamada de política pela mídia militante da oposição, tornou-se moda a Ação de Descumprimento de Preceito Constitucional. Qualquer pum largado pelo Executivo que não agrade a oposição, é motivo de corrida ao STF. A Ação de Descumprimento de Preceito Constitucional entrou para o rol das pequenas causas, como briga de vizinhos ou briga de cachorros. 

Vejam só. O jornal "O Globo" solicitou, ao Exército, documentos relacionados ao processo disciplinar a que respondeu, o general Pazuello, por ter participado de uma manifestação popular de apoio ao Presidente da República Jair Bolsonaro. O Exército respondeu que a apuração continha dados pessoais e citou trecho da Lei de Acesso à Informação (LAI) que prevê o sigilo de 100 anos.

Pronto. Foi o que bastou para o jornal correr atrás da oposição para que essa lhe servisse de laranja judiciária. E com muito prazer, é claro, PT, PCdoB, PSOL e PDT atenderam ao pedido de socorro e foram ao agora transformado em “juizado de pequenas causas”, que é acionado a toda hora, argumentando que a medida do Exército é uma "grave afronta à democracia, à liberdade de informação e à moralidade administrativa”.

A pergunta que se faz: em toda a história do Brasil, a partir da Constituição de 1988, quantas ações de Descumprimento de Preceito Constitucional foram ajuizadas por partidos da oposição? Ou, se foram ajuizadas, quantas foram acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal?

Não se tem conhecimento, porque nos governos de Fernando Henrique Cardoso e do PT, praticamente não houve oposição. E todo mundo conhece os motivos da ausência de uma fiscalização rigorosa dos atos governamentais e das propostas indecentes de reeleição, por exemplo: botaram doce na boca das crianças, botaram açúcar nas mamas da República

Agora é diferente. Agora as crianças foram desmamadas. As tetas da República secaram para jornais e outros meios de comunicação que delas se serviam para enriquecer seus diretores, como secaram também para a gentalha da política que outra coisa não sabe fazer senão amealhar dinheiro público.

O Legislativo, esse sim, continua no mesmo sistema, porque tem “independência financeira”: não produz nada para enriquecer o país, mas se acha no direito de abocanhar verbas para a satisfação pessoal de seus componentes. “Verbas pessoais”. Sim, senhores, que belo nome se dá para o proveito pessoal com o direito público, com o meu o teu, o seu, o nosso dinheiro.

O STF, como todo mundo sabe, dispõem de verbas astronômicas para empanturrar autoridades com lautos jantares e bebidas caríssimas, desconhecidas daqueles que realmente trabalham para sustentar o país: a gente simples, mal remunerada. Mas, nada disso é “afronta à democracia”, nem “ à moral administrativa”...

A ministra Carmen Lúcia atendeu o pedido da oposição com urgência hospitalar: em único despacho adiantou o andamento de todo o processo, com vistas à AGU e à PGE.  Um tribunal que deve milhares de respostas a quem, há anos, depende de suas decisões, de repente age assim: de dentro da lesma, salta uma lebre.

 

 

sexta-feira, 25 de junho de 2021

SEM PENTESCOSTES]
  O bem nutrido, de faces redondas e rosadas cardeal Reinhard Marx, membro do Conselho de Cardeais, coordenador do Conselho para a Economia da Santa Sé e ex-presidente da Conferência Episcopal Alemã, apresentou sua renúncia como arcebispo de Munique.
 “Basicamente, para mim, trata-se de assumir a corresponsabilidade pela catástrofe dos abusos sexuais perpetrados pelos representantes da Igreja nas últimas décadas”, escreve ele em carta ao papa. E reconhece que “houve erros pessoais e administrativos, mas também uma falha institucional e sistemática”. Acrescenta, que “alguns na Igreja não querem aceitar este aspecto da corresponsabilidade e com ele a concomitância da culpa da instituição, assumindo uma atitude hostil em relação a qualquer diálogo de reforma e renovação em relação à crise do abuso sexual”.
 Mas, o papa Francisco, não aceitou a renúncia. E pelo visto, dispensou seus assessores, pois respondeu em espanhol à carta do cardeal alemão. É sinal que não domina o alemão. Mas, olhem o que diz o chefe da Igreja Católica: “primeiramente, obrigado por tua coragem. É uma coragem cristã que não teme a cruz, não teme se esvaziar de si diante da tremenda realidade do pecado. Assim fez o Senhor (Filipenses 2, 5-8). É uma graça que o Senhor te deu e vejo que você a quer assumir e custodiar para que dê frutos”. E segue dando voltas, com uma carta extensa, sem dizer nada de concreto.
 Putz! O cara foge da raia, pede as contas porque está enfrentando atitudes hostis, e o papa vem dizer que o sujeito “não teme a cruz”. Pior ainda: “é uma graça que o Senhor te deu”. Ainda que se entenda como um trocadilho infame, é impossível não perguntar: mas onde está a “graça”? 
 A intrigante coincidência é que a renúncia e sua recusa ocorreram no tempo de “pentecostes”, efeméride religiosa consagrada à divindade Espírito Santo, a cujo poder de inspiração credita sua força o cristianismo. As cartas do cardeal e do papa, todavia, não fazem menção alguma a tal inspiração e muito menos a medidas divinas ou humanas para reprimir abusos de pedofilia na Igreja. 
 Mas, é compreensível. Por conta da pandemia, os governos proibiram eventos religiosos e não deram chance a milagres de Pentecostes.

terça-feira, 15 de junho de 2021

 

O MINISTRO FACHIN EM PROSA E VERSO

Quem for servido de um par de boas orelhas para não ouvir errado, prepare-se para cair duro: o Fachin, sim, ele mesmo, o Luiz Edson Fachin, aquele que anulou os processos do Lula e escreve enrolado, já cometeu poesias.

Carlos Barroso, em matéria assinada no blog do Fausto Macedo, resolveu deixar o mundo em perigo de intoxicação com sopa de letrinhas, através dessa informação: o cara até em antologia de poemas já soltou a língua e os respectivos verbos.

“O ministro foi poeta atuante da poesia-mimeógrafo, mais conhecida como marginal”, diz o articulista. E pinça uma das poesias: “bem mais duro e forte, aqui dentro/ há um monstro/ bem mais duro e forte/ que se contenta com rosa/ e já cedo é guindaste de ferro e aço”.

Coisa muito parecida com as palavras cruzadas que ele, o poeta Fachin, juntou nos autos em que foram anulados os processos do Lula, assim: “o tema, com efeito, diante de situações similares julgadas pelo Tribunal, nada obstante nos quais restei vencido, atingiu desenvolvimento que propicia, superado o ciclo de maturação temática, análise das respectivas alegações aqui deduzidas”...

Quanto a ter um troço duro e forte por dentro, é assunto meio pesado para desenvolver aqui. Pode estabelecer mal-entendidos em ouvidos de madames. Ou pode haver crianças por perto. Mas, na contramão desses pundonores, é de arrancar da torcida auri-cerúlea um grito orgásmico, retumbante, capaz de chegar ao monumento do Ipiranga, quando ela souber que, para ter o ferro por dentro, mais não é preciso do que oferecer a rosa ao monstro.

Sem querer ofender a Jesus Cristo, numa hora dessas a gente tem que lembrar das parábolas dele, com seus recursos de oratória. É mais fácil enfiar agulha em ânus de mosquito, de noite e de olhos fechados, do que desencalhar as ideias dos escritos de Fachin, coalhados de preposições e advérbios. Quer em prosa ou quer em verso.

 

sábado, 5 de junho de 2021

 

ET PAPAM NON HABEMUS ?

O filme “Habemus Papam”, de Nanni Moretti, é  uma das obras primas da ironia e do sarcasmo que só o cinema italiano é capaz de produzir. Através de um veio crítico que percorre o filme, Nanni conta a história de um conclave no qual é escolhido um papa que não queria ser papa.

Já o conclave é pintado com boa dose de humor, atrás do qual se esconde, mas nem tanto, o sarcasmo de que se vale o grande diretor italiano, para debochar do instituto que a Igreja atribui ao Espírito Santo.  Daí a escolherem o papa que vai produzir fumaça branca na chaminé do Vaticano, corre muito lero-lero. Desde a presença de um psicanalista, contratado por um dos candidatos que não queria ser papa, até um jogo de vôlei entre os cardeais, todos candidatos do Espírito Santo ao papado, se esvai um bom tempo, e algum cochichos entre os cardeais, sobre o possível futuro papa.

O filme tem como ator principal o grande, inesquecível e sisudo Michel Piccoli. Se não foi o último, deve ter sido um dos últimos filmes de sua brilhantíssima carreira.

Pois esse filme, concebido e dirigido, coincidentemente por um ateu, parece conter uma mensagem profética: a amostra do que seria a Igreja de que hoje temos notícia e sobre a qual cardeal Marx, que renunciou ao arcebispado do Munique, assim se pronunciou: a Igreja está em ponto morto.

Derrotado pela avalanche de crimes sexuais praticados por padres, o cardeal alemão Joseph Ratzinger, que havia adotado o nome de Bento XVI, pulou fora. E foi sucedido, logo por quem: por um cardeal argentino, com ideias mais ligadas a Fidel Castro do que a Jesus Cristo.

Jorge Bergoglio, o argentino que foi escolhido pelo Espírito Santo como sumo pontífice, é mais argentino do que papa. A última dele, depois de estapear uma mulher que lhe reteve mão, foi essa: “brasileiro toma mais cachaça do que reza”.

Teria sido inspirado pelo Espírito Santo ou pela demagogia que é própria dos líderes de esquerda? Seja qual for a resposta, ela sempre caberá dentro do quadro sarcástico de Nanni Moretti, que aponta para o desmonte das pedras que edificaram a Igreja, fundada por Saulo de Tarso, mas atribuída equivocadamente a Jesus Cristo.