sexta-feira, 21 de julho de 2017

LINGUAGEM
João Eichbaum

O esfigmomanômetro, o bisturi e a broca são instrumentos de trabalho de médicos e dentistas. O vernáculo é o instrumento profissional dos diplomados em Ciências Jurídicas e Sociais, curso comumente conhecido pelo nome de Direito.

De que haja médicos e dentistas incapazes de lidar com os respectivos instrumentos de trabalho não se tem notícia. Mas notícias aos borbotões há de bacharéis, mestres e doutores em Direito que não dominam o vernáculo, nos dias de hoje.

Vejamos alguns exemplos que fazem chacoalhar os ossos de Camões. Da lavra de Edson Fachin: “o representado apresentou petição protocolada sob o número 0030426, onde apresenta contrarrazões”. E essa: “em razão da regra do art. 53, § 2º, da Constituição da República, cuja interpretação restritiva superadora de sua literalidade considero a mais correta...”

Ao invés de “o representado apresentou petição, onde apresenta contrarrazões...” seria menos agressivo ao vernáculo dizer: “o representado  contra-arrazoou”. No excerto “em razão da regra do art. 53, § 2º, da Constituição da República, cuja interpretação restritiva superadora de sua literalidade considero a mais correta...” o pronome “cuja” foi despido de suas funções gramaticais de tal forma que o texto não comporta correção. E a “interpretação restritiva superadora” não passa de amontoado de vocábulos, sem sentido: quebram qualquer regra de sintaxe.

Do repertório de Marco Aurélio Melo: "no tocante ao recolhimento do passaporte, surgem ausentes elementos concretos acerca do risco de abandono do país, no que saltam aos olhos fortes elos com o Brasil”. Sem comentários, porque é muito difícil, senão impossível, destrinchar ideias enroscadas numa construção obtusa.

De Dias Tofoli: “as características morais têm sido designadas exclusivamente aos homens e mulheres...” Características são elementos ínsitos em alguém ou em alguma coisa. E, sendo elementos ínsitos, não podem ser “designados”, porque são imanentes nos seres que qualificam, não podendo migrar de um para o outro.

De Carmen Lúcia: “A matéria de que aqui se cuida é mais sujeita que o comum de quantas daquelas que são trazidas a este Supremo Tribunal aos opinamentos...” Essa é de uma ambiguidade de engasgar papagaio falante: “mais sujeita que o comum de quantas daquelas que são trazidas...”

O pleno domínio do vernáculo é a “conditio sine qua non” da interpretação e da aplicação da lei. Muitos erros judiciários advêm da deficiência nesse campo. Quem busca a Justiça, no Brasil, precisa mais de sorte, do que qualquer outra coisa. Afinal, os médicos e dentistas podemos escolher. Mas, os juízes, não.



quinta-feira, 20 de julho de 2017

Apatia ou Agancia?

Carlos Maurício Mantiqueira*
O povo pacífico e ordeiro é raposa e não cordeiro.

Já deu enormes demonstrações de repúdio à classe política.

Em São Paulo, pela primeira vez, elegeu-se um prefeito no primeiro turno em detrimento de quem tentava a reeleição.

Sabe que dona Onça entendeu bem o recado. Provavelmente está aguardando que aflorem inúmeros e mais escabrosos escândalos. Se a intervenção ocorresse antes disso, restaria sempre um foco de câncer no organismo social.

Já entramos no fase da luta de todos contra todos. Os corruptos enforcar-se-ão uns nas tripas dos outros.

Um sábio florentino disse, há mais de quinhentos anos, que os homens só atacam seus inimigos movidos por medo ou por ódio. Estão dadas ambas situações.

Assim, a população assiste os capítulos finais da tragicomédia, lavando-se em água de rosas.

Tanto faz quem vier a cair primeiro; um vampiro, um molusco, um janota ou um urubu.

No 'gran finale” surgirá impávida felina.

Medidas simples: fuzilamento para os traidores; cadeia para os ladrões; borrachadas para os idiotas.

Assim fez Floriano; assim fará Beltrano ou Sicrano.

Que são alguns momentos a mais de sofrimento para um povo abençoado por Deus ? Privações infinitamente menores que guerras, fome, frio, terremotos e ciclones.

*Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador
FONTE: Alerta total

quarta-feira, 19 de julho de 2017

PENSAMENTOS DO RUI ALBERTO*

MICC- Movimento Internacional Contra Corrupção... Preso o chefão do Futebol Espanhol... Pezão foi pra um SPA de alto luxo em S.Paulo....2 policiais foram mortos e ele não foi no enterro. Ha um Pezão pra cada esquema, Dornelles é o pidão dos dólares... Pezão foi de táxi, auto, ou helicóptero... Pagou com o dinheiro dele, mas do salário ou da maleta...

Bom dia e preparem-se... A tal da frente fria
Vai ter geadas em Cabo Frio... Se passar um iceberg - "gelobergue" em português - desgarrado da Antártida, não se façam de rogados: Levem uma picareta nas costas, um saco de limões e de açúcar, e quando o abordarem, sentem-se e relaxem que não vai faltar gelo picaretado para as caipirinhas.
Ah.... Não esqueçam a cachaça, um bom agasalho, e um ar condicionado pra quente e frio... Senão vai nadar, nadar e morrer no iceberg...

A gata e o lagarto.
Sempre que vejo, digo "não" bem forte a uma gatinha muito inteligente que guardo para minha netinha: A Lalá !
Faz mais de uma semana que ela trouxe para casa um lagarto desses coloridos que correm de forma gozada pelos caminhos e jardins, com quase um palmo de comprimento. Eu disse "não", mas ela ficou brincando com ele. Imaginei que num par de horas o lagarto estaria morto e a Lalá vomitando.
Faz mais de uma semana, talvez duas, o lagarto está firme e forte, brincam de esconde esconde de vez em quando. Não imagino como ele se alimenta aqui em casa, ou se sai para se alimentar e volta para brincar... Como lagartos precisam de sol e ele está vivo e bem, deve sair e voltar.
Acabo de vê-lo passar descendo de um cesto de vime e correndo pela sala.
Animais são muito simples e descomplicados. Pensando em dar um nome de gente para o lagarto. 

*Leia mais em "bar do chopp Grátis"...

terça-feira, 18 de julho de 2017

O JUIZ
João Eichbaum

Manda o artigo 35 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional que o juiz aja com serenidade, ao aplicar a lei. A serenidade é um estado de ânimo que exige despojamento de qualquer emoção, uma disposição de espírito desprovida de sentimentos.

Com a serenidade são incompatíveis a tristeza, a euforia, o medo, o ódio, o amor, a vaidade, a mágoa, a compunção e quaisquer outras manifestações do sistema nervoso, que desatem emoções.

A única manifestação de espírito que combina com a serenidade é a do intelecto, a que elabora o pensamento científico, a que organiza a lógica e a dialética no discurso.

Nos tempos modernos, esse condicionamento intelectual, essa reserva de espírito que serve à serenidade, é muito difícil. Redes sociais, revistas, jornais, rádio, televisão, holofotes que levam à fama, a chamada mídia, enfim, constituem verdadeiro mundo opressor, do qual só se liberta quem tiver força para fugir da glória.

Sérgio Moro caiu na cilada desse mundo opressor. Sua personalidade foi absorvida pela mídia, por ser matéria boa para produzir manchetes. O magistrado foi transformado no homem do momento, no expoente da máquina judiciária, no valor humano indispensável para o exercício do poder.

Era o prelúdio do desconcerto de uma aventura humana. E aconteceu o pior que podia acontecer a qualquer juiz. Moro foi eleito pela opinião pública como um divisor de águas: a dos que amam e a dos que odeiam Luiz Inácio Lula da Silva. Daqueles, Moro se tornou inimigo; desses, o herói trovejante, o destruidor do mito Lula.

 O turbilhão de emoções, em que foi envolvido o magistrado, se reflete na sentença condenatória de Lula.  Se o absolvesse, Moro seria despencado do alto da fama. Se o mandasse à prisão, seria odiado e exposto à execração, como o braço parcial da Justiça.

Resultado: a sentença foge do padrão processual. Ela se empobrece como juízo de valor, quando deixa vazar impertinente pedido de desculpas pela condenação, e quando se entrega ao irrefreável instinto de defesa, ocupando espaços com explicações pessoais. Aí, o julgador se mistura aos personagens da causa. Além disso, digressões estranhas comprometem o formato legal do silogismo jurídico, que deve ser limitado a três caracteres: relatório, fundamentação e conclusão.

Para o ofício de julgar, mais propriedades oferece a solidão monástica do que o palco. A exposição pública é inimiga do recato. Este, por sua vez, constitui o substrato da serenidade, imposta pela lei da magistratura. E outro não é o espírito da lei, senão evitar que magistrados sejam expostos a ovações e apupos, como o são, por contingência de seu trabalho, os juízes de futebol.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

PLANETACHO

ISTO & AQUILO
Brasília está em cima da transação ou da transição?

PIONEIRISMO
Houve um tempo em que Maluf era o centro das atenções no noticiário. Virou até verbo: malufar. Jamais se imaginou que seria tão praticado no presente.

UM OU OUTRO
Em 2018 Lula vai ser presi...dente ou presi...diário?

EM ALTA
Doleiro disse na polícia federal que entregava malas para Geddel. Pelo que se vê, em meio a toda a recessão que vive o país, o comércio de malas continua em alta

VEREDICTO
Na realidade o veredicto de Moro tem o objetivo de transformar o tríplex do Guarujá num beliche da Papuda.

PRÊMIO
 Tem deputado esta semana que acertou na Megatemer

CANÇÃO DE NINAR
Dona Marcela, cantando para o Michelzinho dormir: dorme nenê que o Cunha vem pegar...

CONSELHO
Quando se processa um alfaiate é interessante que se tomem as medidas cabíveis...

GELINHO
O tamanho do iceberg que se desprendeu na Antárdida é a garantia que não vai faltar gelo para o whisky nos próximos 200 anos

SINTOMAS DA CRISE?
Latino não lançou até agora nenhuma versão  em português para Despacito

FIM
Terminou o veranico de julho


sexta-feira, 14 de julho de 2017

ONDE PIOLHO NÃO TEM VEZ
João Eichbaum

Piolhos. Quem já não os teve? Quem já os não abrigou sob os cachos castanhos, caprichosamente enrolados pela natureza? Ou debaixo daquela cascata de ouro que, ao sol, lhe emprestava uma beleza de fada? Ou escondidos no labirinto do cabelo pixaim?

Piolho, um bichinho desprezível, que incomoda dia e noite, faz a gente fincar as unhas no couro cabelo e tirar sangue de uma parte tão protegida pela natureza...
Onde estava Deus com a cabeça, quando inventou o piolho? E para qual finalidade os desígnios divinos destinaram tão estúpida criatura? Só para incomodar a gente? Para tirar o sono da mamãe e atormentá-la com a dúvida atroz de mandar ou não o filho para escola?

Nem Tomaz de Aquino ou seu colega Santo Agostinho, festejados “doutores” da Igreja, teriam condições de escrever algumas linhas, nos seus imensos tratados de erudição teológica, sobre esse repelente ser, viscoso, a quem Deus concede a liberdade de incomodar mamães e crianças.  

Mas, sem falar nos chatos, há outros seres piores do que os piolhos propriamente ditos: as lêndeas. São essas que dão o maior trabalho. Elas se grudam nos fios de cabelo, se agarram ali, como se ali tivessem nascido e fossem donas do pedaço. E aí, coitadas das mamães ficam, fio por fio, catando lêndeas e praticando aborto de futuros piolhinhos, com as unhas dos polegares.

Para quem não sabe, os piolhos têm suma importância nas regras vigentes dentro do sistema penitenciário. É por causa deles que as cabeleiras são raspadas. Não é por maldade da polícia, nem por gozação da guarda carcerária. É para evitar a proliferação da espécie.

Entenderam, então, por que os protetores dos direitos humanos não chiam, nem piam, quando a careca dos políticos corruptos é mostrada no face, nos jornais, nas revistas e na televisão? Por que ninguém aparece vociferando contra o sistema?

Porque os piolhos são mais chegados ao princípio da isonomia do que o STF. Para aqueles bichinhos sem serventia não há diferença entre ladrões de galinha e ladrões do dinheiro público: todos são iguais perante eles.

Portanto, não foi por maldade que os carcereiros fecharam os olhos e fizeram ouvidos moucos, quando Geddel Vieira, com um chorinho de guri borrado, suplicou que não lhe abatessem a melena. Por estrita observância aos preceitos de moda vigentes no sistema carcerário – e antes que o desembargador de plantão lhe prestasse socorro -  Geddel foi encaminhado ao único carrasco que ainda tem serviço em Brasília: o barbeiro da Papuda.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

PENSAMENTOS DO RUI ALBERTO*
Aníbal e os Dinossauros de Brasilia.
Um pouco de História do Império Romano para incrédulos, crédulos, régulos, créus, assarapantados históricos, pianistas do alheio de 9 dedos, fiéis de batina, toga, escapulários de coroinha, besuntadores de morcegos, dentistas de coisas comezinhas, obituários de necrópoles franguicidas, e outras estranhezas fantasmas, do mais profundo de nossas entranhas numa cantilena pintassilga de micróbios que vêm dinossauros embodalhar nossa vida como se não nos vissem, tudo fruto de um amor de perdição pelo Pais do Futuro que escolheu e se encolheu no passado.
Quem governava o Império Romano eram os tribunos, os cônsules, da República, todos filhos de patrícios. Os patrícios que mandavam no pedaço e eram donos do comércio, recebiam pagamentos extras aos de César, e mandavam nos prostíbulos, nos coliseus, em tudo... Para trabalhar tinham os "escravos", a quem não pagavam nem 13o, nem INSS, nem FGTS, mas que alimentavam e cuidavam bem. Imagine-se que para se vestirem nem precisavam costurar as roupas nem costurar pra fora: Bastava um pedaço de pano enrolado no corpo, sem cuecas nem calçolas nem calcinhas, tudo ao léu. Passavam os dias na fuzarca, sem nada pra se preocuparem, pensando apenas como sacanear o próximo e gozar gozadas tântricas pra contar em festas e baladas vindouras.
Sem nada para fazer, mulheres dos tribunos e os tribunos se dedicavam a transar o dia inteiro, uns se roçando em maçanetas de porta por indecisão de gênero, outros sentando no colo de tribuno distraídos pra agradar e limpar os intestinos, outros transando como se fossem morrer nas areias do Coliseu, mas todos se divertindo com escravas, escravos, mulheres-homem e homens-mulher, fosse de e quem fosse, porque o costume era esse: Ninguém era de ninguém, o que interessava era onde enfiar um sarrafo e como carregar uma mala, ganhar uma casa com piscina e termas com vistas para o rio Tibre, Tejo ou Mar do Guarujá...
Ora eu, recém chegado a este reino, e achando que a "Arena" do Vasco se deveria chamar de "Areia do Vasco", proveniente do Reino das Trevas, aquele onde nada se enxerga para não se passar mal, só quero saber quem é o tribuno que apita por aqui... Se é algum que se deva temer, algum que tenha vindo das profundezas do mar oceano onde "prolifarreiam" lulas e lesmas, e de onde surgiram 200 milhões de escravos tão cegos surdos e mudos como estes deste reino, onde os tribunais comerciam como Dante's Inferno .
Isto está demais !!!! Um Aníbal com uns 3.000 elefantes seriam bem vindos.
Rui Rodrigues
(Do livro "idiota é a tua genética)
*Leia mais em "bar do chopp Grátis"...


quarta-feira, 12 de julho de 2017

NADA É O QUE PARECE
Carlos Maurício Mantiqueira*
Panacas de todo tipo dizem que há crise econômica.

Não é verdade; a crise é de confiança.

Um bando de ladrões e idiotas que por acaso nos governa (melhor dito, nos desgoverna) não sabe nem quantos “funcionários” públicos existem; nem quantos aposentados e pensionistas; nem quantas sinecuras dadas aos correligionários.

Ainda tem a petulância de falar em reforma da previdência com o achatamento das aposentadorias e aumento do tempo de contribuição.

O “czar' da economia era (é ?) o principal gestor de um grupo esmerdeado até o pescoço. De uma hora para outra virou santo? É a “âncora” da estabilidade?

É uma impostura nada original.

Molecotes que atuam no mercado financeiro o defendem como ao Bezerro de Ouro.

Dizem “tudo bem trocar o canetador desde que continue o Mágico de Oz”.

Verificamos hoje que a economia informal é muito maior do que se supunha.

Ou as estatísticas oficiais mentem (na Argentina perderam toda a credibilidade após INDECorosas manipulações) ou tem chovido maná para manter o povo razoavelmente alimentado.

Sinal de alarme será o início de saques a comerciantes de alimentos em bairros de classe média; ou o linchamento de políticos no melhor estilo mussoliniano.

Enquanto estivermos apenas na fase de xingamentos em restaurantes e aeroportos, está tudo uma beleza. E tome futebol! E novela!

Enquanto o povão não surta, não cutuquem a Onça com vara curta.

Ela continuará fingindo que “as instituições funcionam normalmente” e não vai sair da toca para salvar ninguém...
*Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador

Fonte: Alerta Total

terça-feira, 11 de julho de 2017

LONGE DOS DEMÔNIOS, O PARAÍSO
João Eichbaum

Foi com o coração despedaçado pela dúvida que o jovem seminarista deixou a casa dos tios, onde tinha ido passar as férias. A prima, que ele conhecera criança, se tornara uma exuberante adolescente, com saltitantes olhos verdes e um tobogã de cabelos dourados que lhe desciam até a cintura.

Então ela o libertou do medo de amar, e a paixão se abateu sobre ambos, exigindo dele uma decisão entre a carreira sacerdotal e o primeiro amor de sua vida. Ao se despedir da prima, com o coração doído, prometeu comunicar-lhe o caminho que haveria de tomar.

Dias depois, ela recebeu uma carta. Em bilhete anexo, a mãe do rapaz comunicava sua morte: ele caíra num desfiladeiro, em Innsbruck, ao colher um Edelweiss, para juntar na carta em que anunciava à amada a decisão de abraçar o sacerdócio.

Histórias como essa enriquecem a literatura alpina. Muito mais do que uma paisagem maravilhosa, os Alpes são a expressão de uma poesia, como nenhuma outra há pelo mundo. É uma força impalpável, mágica, da qual artista nenhum consegue se divorciar. É só lá que a natureza opera o milagre de dar vida, na neve, ao Edelweiss, a flor que foi adotada como símbolo do amor.

Músico nenhum no mundo conseguiu fazer de sua obra uma beleza permanente, como a fez Mozart. E só os Alpes, o paraíso da neve e do verde pastoril, explicam isso. A poesia musical e literária, enraizada no folclore alpino, inspira tanto os mestres, como os que vivem o dia a dia da montanha.

“Der Winter hat sein Abschiedslied beim Wind bestellt” diz a canção La Pastorella, anunciando a chegada da primavera: “o inverno encomendou ao vento sua canção de despedida”.

E sobre o amor: “die Liebe ist kein Spiel der Ewigkeit, drum schenk' ihr jeden Tag von Deiner Zeit”. Para pensamento de extrema beleza, não há, em português, uma tradução que não lhe roube um pouco da poesia: “o amor não é um jogo da eternidade, então presenteia-o com o teu tempo, a cada dia.”

Felizmente, nesse templo construído pela natureza como fonte de inspiração para o melhor da alma humana, não chegaram os energúmenos, os profissionais do ultraje público. Ficaram lá por Berlin e Hamburgo, semana passada, infernizando a vida de quem não pensa como eles. Tudo longe dos Alpes. Sob a aura da magia alpina, sobranceira e inquebrantável, fenece qualquer maldade que venha dos homens.


segunda-feira, 10 de julho de 2017

PLANETACHO

PANORAMA
Pelo andar da carruagem, se o Temer ficar até o término do seu mandato, deve passar a tornozeleira ao invés da faixa presidencial para o seu sucessor

NO TOPO DO TEMPLO
O PSDB está apelando para Maia assumir a presidência. A história nos diz que Maia deve topar esse “sacrifício”

NOVO DITADO
Enquanto isso, Renan diz que Temer “conseguirá a proeza de recriar o caos”. Não é o roto falando do esfarrapado e sim envolvido falando do indiciado.

NÃO ESCAPA UM
O conselho de ética do Senado arquivou processo para cassar Aécio. Afinal de contas, todos por lá têm telhado de vidro...

NOBREZA
Duque renunciou a 20 milhões de euros em propina. Apesar do sobrenome da figura, não dá para dizer que foi um gesto nobre.

PRIMEIRAMENTE
Temer foi ao G -20, mas não apareceu no programa do encontro. Com o perdão da palavra: deixaram o Temer fora...

NÃO VAI DAR NÃO
A marchinha “Me dá um dinheiro aí” definitivamente foi extinta. O corte de verbas para o desfile de carnaval do Rio virou até enredo da Mangueira: “Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco”.

RIO DE LÁGRIMAS
Geddel chorou, Aécio chorou, Temer anda abatido. O que resta pra gente?

VIOLÊNCIA
Antigamente em momentos críticos usávamos a expressão “Dá vontade de voltar para dentro da barriga da mamãe. E não é que esta semana balearam um bebê dentro do útero? 

PREVISÃO OU PRAGA

Depois de tanta mala, vai acabar dando mesmo é Maia

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O SÉTIMO MANDAMENTO
João Eichbaum

Na hora do aperto, na hora do pega pra capar, o cara apela para o primeiro santo que aparece. Tanto para curar câncer de próstata, como para vestir a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Seja o que for, o sujeito até abre mão de sua crença, em troca de meio mais eficaz do que reza pra santo.

O hoje ministro Edson Fachin, que é um homem de oração e de sacristia, pegou carona, segundo as más línguas, no andor de um padroeiro de carne e osso, o Ricardo Saud. Para quem não se lembra ou não sabe: esse senhor era o executivo todo poderoso da JBS, encarregado das propinas.

Ao invés de se ajoelhar aos pés do altar e de fazer promessas de missa, velas ou comunhão todas as primeiras sextas feiras de cada mês, Fachin, acompanhado do executivo, peregrinou por gabinetes de parlamentares que tinham o poder de recomendá-lo como ungido. E chegou lá. Todo mundo sabe disso.

Quer porque sua vida tenha sido escolhida para fazer parte de um roteiro assinado pelo destino, quer por razões que tramitem secretamente entre o céu e a terra, o certo é que foi cair no colo do Fachin a delação da JBS.

E a parte maldosa do enredo do destino, se é que foi o destino, é a que inclui, na trama, o Rodrigo Loures como personagem escalado para carregar uma mala com quinhentos mil reais, a serviço do já mencionado Ricardo Saud. Fachin teve que mandar prender o dito personagem.

Loures passou por maus momentos. Primeiro o ameaçaram de morte, no presídio da Papuda. Transferido para a carceragem da Polícia Federal, foi jogado às traças. Trancafiaram-no numa cela sem chuveiro e sem o buraco de boi, aquele que recebe as partes despachadas pela bexiga e pelos intestinos.

Nesse interim, a rotina do STF levou para a Turma do ministro Edson Fachin o julgamento de “habeas corpus” em favor de uma mulher: uma infeliz, acusada de furtar desodorante e alguns chicletes num supermercado. Fachin negou-lhe a liberdade. Aplicou nela a letra fria do artigo sétimo dos dez mandamentos promulgados por Moisés: não furtarás.

Já a história de Rodrigo Loures teve outro desfecho. Quando soube das condições a que ele estava sendo submetido, sem banho e sem buraco do boi, Fachin o mandou para casa, com tornozeleiras. Certamente o fez, inspirado na jurisprudência de Jesus Cristo: atire a primeira pedra quem nunca pagou propina.

Antes de sumir no recesso de julho, soube-se que o ministro chamou o bispo auxiliar de Brasília para lhe benzer o gabinete. Talvez o mova a esperança de que seu anjo da guarda não faça carinha de nojo, ao ver, de agora em diante, pobres mofando na cadeia e ricos nadando no dinheiro sujo.



quarta-feira, 5 de julho de 2017

PENSAMENTOS DO RUI ALBERTO*

Meu amigo crioulo chegou e perguntou: - Portuga... Tem uma caninha ai ???
(veio para fecharmos o acoplamento de duas caixas d'água, o capinamento de duas áreas e a montagem de uma prateleira.
- Só da braba!
- E tu toma essa merda ???
- De boa vontade não ! Só uso quando a nega ou a loura me deixam, faz frio, ou tem um crioulo chato querendo me enrolar no preço do serviço...
- Fechado por 120 pau... Manda essa joça, assim mesmo...
Eram 8:10 da manhã, e a negociação não envolveu politico nem empresa pública. Duas pragas... Eu me dou bem com o pessoal a quem chamo crioulo de merda e me me chamam de portuga filho da puta. Sem "maniqueísmos" do politicamente correto nem o Vossa excelência de filhos da puta corruptos do Congresso, da Câmara ou do STF que liberam corruptos.
O respeito está sempre nas intenções e no olho no olho , que se trocam afavelmente entre sorrisos francos...

Alguma alma caridosa me pode informar onde é maior o RPC,se no Senado ou na Câmara? RPC é Roubo Per Capita. Deve ser no Senado

*Leia mais em "bar do chopp Grátis"...