MUDANDO OUTRA VEZ
A instituição religiosa conhecida como Igreja Católica
Romana é produto de um cisma. Jesus Cristo, em cuja doutrinação se inspirou e
se enraizou o cristianismo, era genuinamente judeu, educado segundo os ritos do
sistema político-religioso judaico, desde a circuncisão. Sua condenação à morte
no lenho foi motivada pelas pregações que ele fazia, interpretadas como
infensas à doutrina religiosa judaica. Em outras palavras, foi condenado como
herege, na visão do sistema judaico.
Pilatos, o interventor nomeado por Roma, não viu em Jesus
Cristo qualquer ato que o denunciasse como subversivo contra o Império Romano.
Simplesmente mandou-o ao sacrifício só para atender à sanha da plebe.
Sem condições para crescer no território judaico, o grupo
dos seguidores de Cristo foi buscando adeptos em outros territórios. Assim, de
pequena seita que era, o cristianismo se tornou uma grande força
político-religiosa, graças às lideranças de Saulo de Tarso e do imperador
Constantino.
Mas ela não conseguiu fugir à regra de que todo o poder é
cimentado por ambições pessoais ou de grupos. Por isso, sua história é
construída em ziguezagues, aclives e declives. Só o cisma provocado por Lutero a
obrigou o retorno às origens, não sem antes manchá-las com as torturas e
assassinatos da Inquisição.
Sendo a marcha da evolução humana implacável, as
instituições não conseguem se manter imunes às mutações exigidas por esse curso
evolutivo. Não querendo se manter parada no tempo, a Igreja, através de dois
concílios, chamados Vaticano I e Vaticano II, procurou se modernizar, mudar os
ares. Primeiro, introduziu alterações nos ritos, na liturgia. Substituiu o
latim pelo vernáculo usado em cada país. Mudou a posição do celebrante na
missa, popularizou a liturgia.
Coincidentemente, nesse mesmo período, começaram a surgir
novas seitas. O sucesso financeiro alcançado por Edir Macedo, fundador da
Igreja Universal, mostrou uma face que a maioria do povo desconhecia no
florescimento das religiões: o lado comercial.
Ao mesmo tempo, a pedofilia clerical ocupava boa parte dos
noticiários internacionais, despertando outra coincidência: a redução das
chamadas “vocações” religiosas. Paulatinamente se foram esvaziando conventos,
mosteiros e seminários. Grandes edificações, destinadas à formação sacerdotal
ou outras profissões religiosas, que outrora abrigavam centenas de meninos ou
meninas, foram sendo transformadas, aos poucos, em hotéis, estabelecimentos de
ensino comuns, ou entregues ao deus-dará, sem qualquer finalidade.
No curso dessas mudanças que alteraram o enredo de
seculares histórias, estatísticas internacionais começaram a revelar o declínio
de instituições religiosas tradicionais. Em países como a Alemanha, que pode
contar com dados concretos, mercê do imposto eclesial, a cada ano se acentua
esse declínio. Aqui no Brasil, com uma simples visita a templos religiosos de
instituições multisseculares, se pode constatar o reduzido número de jovens
durantes as celebrações litúrgicas.
Também no Brasil, a Igreja fundada para “pregar o evangelho
de Cristo” (Marcos, 16:15-18) deu uma guinada para a esquerda, por obra da
CNBB, que passou a rezar pelo catecismo do Alexandre de Moraes, se empenhando
em salvar, não as almas, mas a democracia...
É mais um ziguezague de uma história mal contada...
Nenhum comentário:
Postar um comentário