sexta-feira, 30 de julho de 2010

ESSE CIRCO CHAMADO JUSTIÇA

Padrasto pode adotar filha de sua esposa

FONTE: Espaço Vital

O STJ manteve acórdão do TJ de São Paulo que permitiu a um policial civil adotar a filha de um relacionamento anterior de sua mulher – uma criança de dez anos. A decisão resultou no reconhecimento da legitimidade do padrasto para o ajuizamento de pedido preparatório de destituição do poder familiar do pai biológico da criança, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo o ECA, esse procedimento ocorre por provocação do Ministério Público ou de pessoa dotada de legítimo interesse (caracterizado por estreita relação entre o interesse pessoal do sujeito ativo – no caso, o padrasto – e o bem-estar da criança). O padrasto foi o autor de ação originária no TJ-SP, que lhe deu ganho de causa. O pai biológico, inconformado com a decisão do tribunal paulista, recorreu ao STJ. A 3ª Turma do Superior Tribunal, no entanto, entendeu que não há como reformar o acórdão recorrido, uma vez que a regra estabelecida no artigo 155 do ECA foi devidamente observada. No caso em questão, a mulher do policial teve com o pai biológico da menina um relacionamento de seis meses, que resultou na gravidez e consequente nascimento da criança. Os dois, apesar disso, nunca moraram juntos e o pai só veio a conhecer a filha três meses depois do nascimento. Em 2002, o pai passou a morar na Austrália, onde permaneceu por três anos, sem jamais manifestar qualquer interesse pela criança. Lá, envolveu-se com entorpecentes e acabou sendo deportado. O padrasto, por sua vez, afirmou que “nunca, em momento algum, desde o nascimento da menor, o requerido (pai biológico) agiu ou se comportou como pai, tanto emocional como financeiramente, descumprindo claramente seus deveres e obrigações por desídia, com nítida demonstração de desamor e desinteresse”. O policial civil contou que passou a conviver com a mãe da criança quando esta tinha dois anos e assumiu integralmente a família, tornando-se, com o decorrer do tempo, pai da menor “de alma e de coração”. Destacou, ainda, que ele e sua esposa trabalham, possuem um lar estável e vivem em ambiente agradável com as filhas (a que ele pretende adotar e outra do relacionamento do casal), na companhia de pessoas sãs e idôneas moral e financeiramente. Ao proferir seu voto, a relatora do recurso no STJ, ministra Nancy Andrighi, afirmou que o alicerce do pedido de adoção reside no estabelecimento de relação afetiva mantida entre o padrasto e a criança, em decorrência da formação de verdadeira identidade familiar com a mulher e a adotanda. “Desse arranjo familiar, sobressai o cuidado inerente aos cônjuges, em reciprocidade e em relação aos filhos, seja a prole comum, seja ela oriunda de relacionamentos anteriores de cada consorte, considerando a família como espaço para dar e receber cuidados”, ressaltou. A ministra citou texto do teólogo Leonardo Boff, em que ele afirma que a constituição do ser humano advém da “atitude de ocupação, preocupação, responsabilização e envolvimento com o outro”. “O modo de ser cuidado revela de maneira concreta como é o ser humano. Sem cuidado, ele deixa de ser humano. Se não receber cuidado desde o nascimento até a morte, o ser humano desestrutura-se, definha, perde sentido e morre. Se, ao largo da vida, não fizer com cuidado tudo o que empreender, acabará por prejudicar a sim mesmo por destruir o que estiver à sua volta. Por isso, o cuidado deve ser entendido na linha da essência humana”. (REsp nº 1106637 )
METENDO MEU BEDELHO
João Eichbaum


Essa mesma ministra foi a que condenou um pai a pagar indenização, porque batizou o filho e não convidou a mãe para o batismo. E apelidou de “danos morais” a falta do convite.
Agora vem ela outra vez confirmar o seu “notório saber jurídico”, tirando fora da jogada o pai biológico, para impingir à criança uma mentira: a mentira de que o pai dela é o novo marido de sua mãe.
E se isso não fosse o bastante, ainda cita as asneiras do tal de Leonardo Boff: “ Se não receber cuidado desde o nascimento até a morte, o ser humano desestrutura-se, definha, perde sentido e morre”. Olha, dona Nancy, olha seu Leonardo: com cuidado ou sem cuidado, todo o ser humano acaba se desestruturando, definhando e morrendo. Só vocês não sabiam disso?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

CRÔNICAS IMPUDICAS

A TERRA DOS SARNEY

João Eichaum

Todo mundo sabe que a família Sarney é dona de todo o MARANHÃO. É dona de jornais, de emissoras de rádio, de televisão, de muitas terras, de muitos negócios, tudo lá, qualquer instituição, qualquer escola, qualquer estabelecimento, qualquer rua leva o nome de algum dos membros da família Sarney. Ah, e um detalhe importante nesta crônica: até o Fórum, onde funciona a justiça, leva o nome Sarney.
E tudo começou com o desembargador Sarney, pai do mais conhecido Sarney do Brasil que, carregando uma urna debaixo do braço, elegeu seu filho como deputado, inicio de uma carreira que até hoje, infelizmente, não teve fim.
Como desembargador, antes de eleger o filho deputado, o velho Sarney lhe deu um emprego, e que emprego, no Tribunal de Justiça do Maranhão.
O mistério da urna persiste até hoje. Ninguém, na história, esclareceu o que fazia o desembargador Sarney com uma urna debaixo do sovaco, pra cá e pra lá. Mas, seja como for, o resultado está aí para todo mundo ver: desde que entrou para a política, o filho de desembargador não saiu mais.
Pois, com esses tentáculos, a família Sarney manda em todo o mundo no Maranhão. O pessoal da oposição berra, berra, mas não leva nada.
Vocês viram a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, que mandou para as favas a lei da “ficha limpa”?
Isso mesmo. Lá no Maranhão não vale a lei da “ficha limpa”. E vocês sabem porque? Porque o Sarney filho, isto é, o filho do José Sarney, é candidato. O outro, o pai, é candidato no Amapá.
É lógico. A lei da ficha limpa foi feita para o Brasil, mas o Maranhão não pertence ao Brasil, o Maranhão pertence à família Sarney, lá quem manda são os Sarney. Então é natural que não tenha valor, no Maranhão, uma lei que foi feita para o Brasil.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

CIRCULA POR AÍ NA INTERNET, PURA FILOSOFIA

M E R D A (Nem o Aurélio definiu tão bem)
A palavra mais rica da língua portuguesa é a palavra MERDA.
Esta versátil palavra pode mesmo ser considerada um coringa da língua portuguesa.

Vejam os exemplos a seguir:

1) Como indicação geográfica 1:Onde fica essa MERDA?

2) Como indicação geográfica 2:Vá a MERDA!

3) Como indicação geográfica 3:17:00h - vou embora dessa MERDA.

4) Como substantivo qualificativo:Você é um MERDA!

5) Como auxiliar quantitativo:Trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!

6) Como indicador de especialização profissional:Ele só faz MERDA.
7) Como indicativo de MBA:Ele faz muita MERDA.

8) Como sinônimo de covarde:Seu MERDA!
9) Como questionamento dirigido:Fez MERDA, né?

10) Como indicador visual:Não se enxerga MERDA nenhuma!
11) Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido:Por que você não vai a MERDA?

12) Como especulação de conhecimento e surpresa:Que MERDA é essa?

13) Como constatação da situação financeira de um indivíduo:Ele está na MERDA...

14) Como indicador de ressentimento natalino:Não ganhei MERDA nenhuma de presente!
15) Como indicador de admiração:Puta MERDA!

16) Como indicador de rejeição:Puta MERDA!

17) Como indicador de espécie:O que esse MERDA pensa que é?
18) Como indicador de continuidade:Tô na mesma MERDA de sempre.

19) Como indicador de desordem:Tá tudo uma MERDA!
20) Como constatação científica dos resultados da alquimia:Tudo o que ele toca vira MERDA!

21) Como resultado aplicativo:Deu MERDA.
22) Como indicador de performance esportiva:O CORINTHIANS não está jogando MERDA nenhuma!!!

23) Como constatação negativa:Que MERDA!
24) Como classificação literária:Êita textinho de MERDA!!!

25) Como situação de 'orgulho/metidez' :Ela se acha e não tem 'MERDA NENHUMA!'

26) Como indicativo de ocupação:Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo MERDA nenhuma!!!

terça-feira, 27 de julho de 2010

COM A PALAVRA, HUGO CASSEL

TURISMO

Hugo Cassel

Essa palavra, ganha significado cada vez maior a cada dia que passa. É pronunciada milhares de vezes a cada dia, em centenas de línguas e em centenas de países por milhares de pessoas. Turismo já se coloca nas primeiras posições como a indústria do século. Um dos mais brilhantes jornalistas, membro da ABRAJET, Paulo Queiroga, de Minas Gerais, abordou a pouco, algumas nuances específicas, da profissão de “jornalista de turismo”. Registrou com muita propriedade os deveres de quem assim se intitula. O fantástico crescimento da Indústria do Turismo no mundo, atinge no momento praticamente todos os segmentos da sociedade organizada. Transporte, Hotelaria, Segurança, Tecnologia, Saneamento, Preservação de patrimônio histórico , Natural, Lazer, Gastronomia e, tudo mais, forma um complexo turístico universal. Basta que se olhe o que ocorre , por exemplo, na Copa do Mundo. Rádios, Jornais, TVs, motoristas, fotógrafos, policiais, técnicos e quantos mais estejam participando, não fazem por acaso parte dessa imensa engrenagem turística? Quando alguém escreve ou fala sobre a falta de algo em sua cidade, ou critica uma administração sobre a falta de segurança, transporte ou de banheiros públicos e chuveiros na praia, não está querendo o melhor para o turismo? A nossa ABRAJET diz: Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores de Turismo, mas poderia ser ABRAJETT, Associação Brasileira de Jornalistas,Escritores e Trabalhadores em Turismo. Seja lá como for o que interessa mesmo é que essa fantástica e moderna máquina de fazer dinheiro, que já proporciona trabalho a milhões de pessoas, tenha condições estruturais e organizacionais, para atender a demanda. Devemos todos estar preparados para bem atender os 5 milhões de turistas previstos para 2014. Para preencher 1 milhão e setecentos mil postos de trabalho, inclusive com a qualificação, treinamento, e reciclagem de cerca de 300.000 especializados, como tradutores, guias, taxistas, policiais e voluntários. Essa não é uma tarefa de somente alguns. É tarefa de todos. Tarefa que já devia ter começado, mas que ainda está no startingate, gerando preocupação. Preocupação essa que começou quando Lula imaginando coroar seu desempenho e auto promoção negociou com a FIFA a Copa mundial no Brasil, assumindo o compromisso dos fantásticos 50 bilhões para efetivá-la. Que Deus nos ajude, coisa que não fez até agora, talvez porque estaria ajudando justamente “O Cara” que diz que ELE não existe. E tem mais :Como pode Lula assumir tamanho compromisso se não sabe como pensa o novo Presidente a ser eleito em Outubro e que espero, seja José Serra, para o bem deste país. A não ser que tenha consultado o Polvo, no que tenho duvidas, pois que lula é justamente uma das comidinhas mais apreciadas pelo octopode.

CHAVE DE OURO-Quem lá esteve conta que no encerramento da Copa, Lula preferiu como sempre usar seu “inteligente” improviso ao invés do discurso que o Amorim escreveu.Foi a “chave de ouro” das besteiras. Alertou os futuros turistas contra as balas perdidas, os assaltos, os roubos de carros, a as cobras venenosas.Disse mais que por aqui, ninguém entende inglês, mas que sabem fazer mímica. Tudo isso bêbado e debaixo das gargalhadas da platéia internacional. Jabulaaaaani!!!

MINA- A antiga Padaria 24 horas na Atlântica, fechada há mais de um ano, reabre em breve como restaurante. A vizinhança que esperava uma lancheria, conveniências e Banco 24 horas, frustrou.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

CRÔNICAS COTIDIANAS

DIÁRIAS
Paulo Wainberg


Toda noite às três em ponto, faça chuva ou faça estrelas, um gato cruza na frente da minha janela.
Não sei se ele é preto ou pardo, branco não é. Espero uma lua cheia desabando em minha rua para descobrir. Temos pouca intimidade, ele surge do nada e para o nada vai, altivo e indiferente, nem olha para mim. Passa rápido, uma quase fugaz visão, quando junto os lábio para fazer psiu, ele sumiu.
Pontualidade absoluta. Minha sorte é que, nessa hora, estou diante da janela, olhando para a noite escorrendo lá fora. Caso contrário, não o veria.
O tempo fica lento, à noite. O enorme coqueiro que plantei na calçada, quando ele era apenas uma fina haste, raquítica e inviável, movimenta em câmera lenta as suas grandes palmas, bem ao contrário do dia, quando ele se abana e abana quem por ele passar.
Durante a noite, mil efeitos de luz provocados por lâmpadas brancas, amarelas ou pálidas, acrescidas de um esfumaçar de neblina ou gotas calientes de chuva, transformam a paisagem em cenário. Minha janela dá para mil janelas das casas e edifícios, onde luzes acendem, luzes apagam, sem qualquer nexo ou sentido.
Eu ali, observando, sinto um saudável prazer, posso controlar tudo e imaginar o que quiser, cada vez que uma janela se ilumina, cada vez que uma janela se apaga.
Às cinco meu vizinho da frente pega o carro e sai. Para onde? O que ele precisa fazer, naquela hora? Já pensei em perguntar, mas aí perde a graça. Ele pode me dizer que é um agente secreto do governo, saindo para uma missão. Ou então um estripador em série, em busca da próxima vítima.
E eu, como é que fico, sabendo de tudo?
Melhor não, melhor imaginar.
A realidade tem pouca graça. Vai ver ele tem que abrir a loja, fechar a padaria, qualquer outra coisa assim prosaica a fulminar minha imaginação.
Tem também o velhinho que sobe correndo a ladeira, com frio, com chuva e sereno, casaco de abrigo, calção e tênis, passos curtos, quase claudicantes. Que idade terá ele? Não faço a menor idéia, mas é um velhinho, disso não tenho dúvida. Sua postura é de velhinho, sua careca é de velhinho e seus passinhos são de velhinho.
Eu, velhinho também, invejo o cara que, com certeza, não sente dor nas pernas a cada passo que dá.
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Nos dias atuais, vocês não fazem idéia do quanto é difícil para um avô, ficar com sua netinha no colo, nem que seja por cinco minutos.
Esse avô chega em casa, do trabalho, sonhando em segurar a pequenina, dizer xoxoxô, golegolegole, passar o dedo no queixo, dizer pipipopó com voz fina e se deliciar com o sorriso dela. Mal estende os abraços e uma das circunstantes ordena: lavar as mãos, passar gel nas mãos, escovar os dentes, pentear os cabelos, tirar o casaco e lá vai o vovô, obediente, cumprir as determinações. Quando volta, ansioso, a circunstante mor, a mãe da menina, diz que agora não, ela vai mamar, agora não, ela acabou de mamar, agora não ela precisa arrotar, agora não ela vai regurgitar, agora não ela tá cocô, agora não porque agora não.
Após muita súplica, apelos pungentes e preces dolorosas, deposita a nenê nos braços desse avô feliz que, por alguns segundos, sente-se no paraíso, com sua netinha no colo, uma bonequinha perfeita, mas... A circunstante sênior, a vovô, logo em seguida estende os braços sequiosos e, com um sorriso cativante, pede para pegar a nenê um pouquinho. E, me respondam, como vai esse vovô dizer que não? E, não sem pesar, deposita a Luiza nos braços da avó, restando-lhe a alegria de rodear a dupla, enternecido e abobadamente feliz em, pelo menos, admirar a cena. Enquanto isto a circunstante mor mantém seu rígido controle: levanta a cabeça, baixa a cabeça, inclina para cima, tapa as perninhas. E nós obedecemos.
O que as circunstantes não sabem é que este vovô quer apenas adorar a Luiza enquanto se embriaga com seu perfume de nenê.

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Estamos enfrentando um grave problema de natureza psicológica, lá em casa. Toulouse, meu cão maltês, está profundamente ofendido comigo e mostra toda sua indignação recusando-me um simples abano de rabo.
Quando boto ele no sofá ao meu lado, lugar onde por anos assistimos juntos a televisão, ele se retorce todo e pula para o chão, dirigindo-se altaneiro para a sua cama. E lá se posta, não adianta chamar, assobiar, cadê meu cachorrão? Vem cá, vem, Toulouse! Aqui!
Nada. Ele não quer saber de mim nem de ninguém. Estou preocupado, ele ofendido e indignado pode se deprimir.
E tudo aconteceu por causa, é claro, das circunstantes, incluindo Nani, a babá, na verdade o Anjo, enviado pelos céus para cuidar da Luiza.
Foi assim:
Num dos raros e fugazes minutos que pude ficar com Luiza no colo, no sofá da sala, Toulouse veio, como sempre faz quando sento ali, lamber-me a mão e esticar-se de barriga para cima, pronto para o carinho.
Meu Pé de Laranja Lima! Que horror! Que sacrilégio! Mal Toulouse deu uma lambidinha no dorso da minha mão, que encostava nos seis cobertores que protegiam Luiza do frio, as circunstantes entraram em comoção uníssona: Fora, Toulouse! Já pra rua!
E o pobre, tamanhamente escorraçado, viu-se obrigado a sair do recinto, para gáudio das circunstante e para perplexidade deste avô cachorreiro.
Foi-se ele, cabisbaixo, rumo à sua caminha, de onde não saiu mais, pelo resto do dia.
Posso imaginar o que ele sentiu: preterido, abandonado, substituído, qualquer um sentiria a mesma coisa. Logo ele que reinava absoluto na casa, via-se agora posto de lado por um nenê que ele nem sabe que existe, mas pressente com uma clareza impressionante.
E instalou-se o drama.
Depois disto, tento mostrar ao Toulouse que ele não perdeu o lugar e que gosto dele como sempre. E que meu amor por Luiza não é incompatível com ele.
Está difícil, mas acredito que vou conseguir trazer Toulouse de volta.
Cães, minha gente, não são gatos.
O nome de Toulouse não é uma homenagem ao Lautrec, pintor impressionista dos cabarés de Paris, especialmente do Moulin Rouge. É, isto sim, uma homenagem a outro Toulouse, antigo cachorro de um antigo amigo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

DO LIVRO DA VIDA

A BELA VIZINHA
João Eichbaum

Sabe aquele mulherão de encher os olhos e deixar babando, e capaz de induzir na tentação de pecar sozinho até o provedor da Santa Casa de Misericórdia?
Pois é, assim é a minha vizinha, com mais curvas que a estrada de Santos, aquela que o Roberto Carlos cantava, um traseiro de respeitável volume, o frontespício bem aparelhado de ubres, um visual geral que só é capaz de fazer o bem.
Ah, sim, e aqueles olhos ligeiramente rasgados, debaixo de sobrancelhas muito negras, com um poder de spray paralisante já seriam suficientes para a contemplação, se não fosse a carne exuberante e vermelha dos lábios, onde é impossível não se deter.
Assim é a minha sensual vizinha de frente, a do apartamento 305, de cujo estado civil, eu, do apartamento 306, não tenho a menor idéia e nem me importa ter, porque estado civil, hoje em dia, quando o adultério deixou de ser crime, já não é mais problema.
Como vocês não podem deixar de imaginar, a sensual vizinha ocupa meus pensamentos há muito tempo e, cada vez que a vejo e ela me lança um sorriso meramente cordial, apenas para mostrar duas belas carreiras de dentes de uma simetria sem defeitos, fico tomado de alucinações inconfessáveis.
Pois outro dia, vocês nem imaginam o que aconteceu.
Era uma sexta-feira, dessas noites horripilantes que marcam com o frio o inverno gaúcho, quando ouvi a duas batidinhas na porta do meu apartamento. Coisa rara, porque as visitas são anunciadas pelo porteiro e ele não deixa ninguém chegar sem se anunciar. Mas fui conferir.
Abri a porta, e vocês sabem quem é que era?
Isso mesmo: a minha bela e sensual vizinha. Mais bonita do que nunca, um vestido bem colado no corpo, com o casacão aberto para mostrar exatamente a silhueta de sereia. Sorriu um sorriso que era mais do que o habitual sorriso de cordialidade. Era um sorriso maroto, também sensual, sedutor, acompanhado de um chispa que lhe provinha daqueles olhos ligeiramente rasgados e devidamente ressaltados pela maquiagem escura.
-Oi!
-Oiiiiiiiiiii!
-Você está ocupado esta noite?
Nessa altura do campeonato, eu jamais iria estar ocupado com outra coisa, depois de ter estado diante daquele figurino deslumbrante:
-Não! Claro que não
E ela, solta e feliz:
- Pois hoje estou a fim. Viajei a semana inteira, fiquei estressada e hoje quero me largar, quero beber, transar, gozar a vida...!
Eu ia abrir a boca, para dizer não sei o quê, mas ela me interrompeu:
- Você pode ficar com meu cachorrinho, enquanto eu estiver fora?

quinta-feira, 22 de julho de 2010

ESSE CIRCO CHAMADO JUSTIÇA

POBRE É CONDENADO POR MATAR PITTBULL

O segurança Mario Marcelo Silvério foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto por matar um cachorro pitbull em Ribeirão Preto no ano passado. Além da pena, ele terá que pagar uma multa de um salário mínimo.
De acordo com Silvério, ele viu o pitbull invadir seu quintal e atacar seu animal de estimação, um cão da raça pincher. O pitbull ainda mordeu o segurança na perna. Ele deu uma paulada no cão, que continuou seu ataque contra o pincher. Então, Mario entrou em casa, pegou uma carabina calibre, 22 registrada e disparou contra o pitbull, que morreu na rua.
Silvério afirma que atirou no pitbull dentro de seu quintal, mas a versão da Polícia Militar era de que ele tinha disparado na rua. Ele foi indiciado no artigo da lei que determina pena de dois a quatro anos de reclusão e multa a pessoas que efetuarem disparos de arma de fogo em rua ou local habitado. (Fonte: Bom Dia)

E AGORA METO MINHA COLHER
João Eichbaum

Parece piada, mas é a mais pura verdade.
É assim mesmo. O direito de defesa do ser humano perde toda a consistência diante do direito dos cachorros de quatros patas e rabo. Os que não têm quatro patas, mas têm um rabo enorme, que não aparece, são os que saem em defesa dos cães.
O segurança é pobre, e o pitbull devia ser cachorro de rico.
Então, quem é que vocês acham que seria condenado, neste país, onde há quinhentos deputados que não legislam e ministros que entregam as causas para seus assessores julgarem?
Onde e quando pobre tem vez na Justiça?
Para o pobre é que se aplica aquele velho ditado: preso por ter cão, preso por não ter cão.