BURRICE NÃO TEM LIMITES
João Eichbaum
O caso é o seguinte. Uma senhora alugava um apartamento de um quarto, numa ruela transversal à Av. Protásio Alves. Valor do aluguel: Cr$ 350,00. Tendo, de uma hora para outra, perdido o emprego, (nesta terra em que todos esperam os 10 milhões de emprego que o Lula prometeu) e não podendo, evidentemente, continuar a pagar o aluguel, mais condomínio, impostos, etc, resolveu entregar o dito apartamento, antecipadamente. Mas a imobiliária não aceitou o valor do aluguel, pois pretendia cobrar mundos e fundos, como sói acontecer.
A senhora (uma dessas pobres criaturas que ainda creditam na justiça) ingressou com ação de consignação em pagamento. Já explico: consignação em pagamento é o depósito do valor na justiça, e pediu, na própria petição inicial, gratuidade de justiça, porque, estando desempregada, não tinha condições de pagar custas, nem honorários de advogado.
A lei 1.060, que trata do benefício da assistência judiciária gratuita, no artigo 4º, diz o seguinte: “a parte gozará dos benefícios da justiça gratuita, mediante simples afirmação, na própria petição inicial, de que não está em condições de pagar as custas do processo e os honorários do advogado, sem prejuízo próprio ou de sua família”. E o §1º complementa: “presume-se pobre, até prova em contrário, quem esta condição, nos termos desta Lei,sob pena de pagamento até o décuplo das custas”.
O juiz, mais de uma semana depois de receber o pedido, determinou que a parte (a senhora desempregada) comprovasse seus rendimentos, para obter o benefício da justiça gratuita. Então a parte (a senhora desempregada) peticionou, informando mais uma vez, ao juiz, que, estando desempregada, não tinha rendimento algum.
O juiz, então, despachou, novamente, asssim:
Vistos:Para análise do pedido de gratuidade da justiça, junte a autora, em cinco dias, comprovante de rendimentos atualizado ou sua declaração de renda e bens, ainda que isenta, junto ao Fisco, relativa ao último ano fiscal.Com isso, não se quer dificultar ou impedir o acesso ao Judiciário, mas, se coibir abusos daqueles que não se enquadram na condição de necessitados, pois o benefício a um concedido, será suportado por toda a coletividade.Ressalta-se, ainda, a exigência de comprovação de hipossuficiência encontra amparo na CF/88, no art. 5º, inciso LXXIV.
O tal art. 5º, inciso LXXIV da CF/88 diz o seguinte: “ o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos”.
Sei que os que lêm esta coluna são pessoas inteligentes. Em razão disso, nada comento, deixando-os meditarem sobre o texto literal da Lei 1.060/50, o despacho do juiz e o texto constitucional que o magistrado invocou. Que cada tire a sua conclusão. Da minha, darei notícia na próxima crônica.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
COLUNA DO PAULO WAINBERG
Para os que não sabem, a crônica do Paulo trata da noite em que foi lançado o seu mais recente livro "Outro Vagabundo Toca em Surdina", com um grande "show" do próprio, com um repertório de mexer com a alma dos boêmios.
João Eichbaum
TUDO POR UMA NOITE
Paulo Wainberg
Aos que foram, muito obrigado. Aos que não puderam ir, eu desculpo. Aos que nem deram bola, eu cumprimento.
Quem foi viu: vocês não fazem idéia do que são num palco o Toneco da Costa, o Fernando do Ó e o Mario Carvalho.
Eles são tão incríveis, tão imensamente músicos, tão perfeitamente integrados, virtuosos e sensíveis que a vontade que dá é não sair mais dali e ficar ouvindo, ouvindo e ouvindo.
São tão grandes que me seguraram cantando, olha só, músicas como Detalhes, Atrás da Porta, Amigo é pra essas coisas, Marcha da quarta Feira de Cinzas, Desafinado e outras durante uma hora e, ainda por cima, ser aplaudido. Eu, com minha voz de baixo não muito profundo, barítono não muito grave, tenor nada agudo, fanhosa o suficiente e, para menos mal dos pecados, um pouco afinada, enfrentei uma platéia de mais de cem pessoas com a naturalidade de um mergulhador, com escafandro e tudo, enterrado na areia. E fui até o fim, contra todos e contra tudo, amparado pelo talento fabuloso dos três.
Vocês não fazem idéia do que faz a jovem atriz Luiza Ollé num palco, interpretando e declamando textos e poemas meus (!). O brilho da criatura é assustador! Ela fica imensa, soberba, linda, sedutora, triste, desesperada, suplicante, feliz e suprema numa única frase, num único verso.
Isto eu recomendo: quando vocês lerem o nome Luiza Ollé em qualquer espetáculo, larguem tudo e corram para assistir.
Foi uma noite fantástica para mim, um verdadeiro show, uma experiência inédita que foi dirigida pelo incrível Leo Maciel, um sujeito com doce sensibilidade e que sabe tudo de um palco, das marcações às entonações, dos tempos e da iluminação. Sem ataques, sem chiliques, com calma e precisa compreensão, organizou tudo, arredondou e transformou o espetáculo num verdadeiro espetáculo.
Adorei cantar em público. Sempre gostei de cantar e sempre quis fazer uma coisa assim. Agora está feita.
Para propostas e convites, favor falar com meu empresário.
Quero falar também da Dharma Produções, da incrível, incasável e maravilhosa Ângela Moreira Flach.
Quando, no início de março, propus essa loucura ela abraçou a causa, me amparou, incentivou, organizou, fez, desfez e refez e tornou possível o evento, coordenando os duzentos e trinta e sete mil detalhes, fora os quebrados, que um aparentemente singelo show exige e requer. Competentíssima Ângela Moreira Flach e toda a sua equipe.
Depois disso tudo, autógrafos e champanhe, afinal era o lançamento de um livro.
E eu... nas nuvens. Literalmente.
A quantidade de mensagens que recebi me deu a sensação gostosa de ser bem quisto, de ter amigos, de ter pessoas que me gostam.
O orgulho da minha filha e do meu genro era de babar. E eu babei.
Minha mulher não cabia em si de contentamento. Não cabia em si nem em mim....
Foi uma noite gloriosa e se dela eu puder dizer alguma coisa a todos que me ouvem neste momento solene é: Qualquer pessoa merece ter momentos assim, de glória e de satisfação pessoal. O único requisito é não ter medo, é por em prática o sonho, não ir além das medidas, testar-se, fazer a coisa séria e bem feita que o resultado vem.
Eu sou a prova disto: cantei, cantei, até ficar com dó do público...
Quando eu executar os outros vinte e seis projetos que tenho, finalmente estarei realizado, enquanto “pessoa humana”, entende?
Com tudo isto, o que eu quero mesmo dizer é que artistas de primeira grandeza seguram a barra de amadores, como fizeram comigo Toneco da Costa, Fernando do Ó e Mario Carvalho ( no meu tempo se dizia “conjunto”, “melódico” ou, simplesmente “trio”? e Luiza Ollé, A atriz.
É isso, gente, para compartilhar com os que foram, com os que não puderam ir e com os que não deram bola e dar o mérito aos que realmente tiveram mérito.
Quanto ao meu cachê, ainda estou estudando, mas aceito propostas...
João Eichbaum
TUDO POR UMA NOITE
Paulo Wainberg
Aos que foram, muito obrigado. Aos que não puderam ir, eu desculpo. Aos que nem deram bola, eu cumprimento.
Quem foi viu: vocês não fazem idéia do que são num palco o Toneco da Costa, o Fernando do Ó e o Mario Carvalho.
Eles são tão incríveis, tão imensamente músicos, tão perfeitamente integrados, virtuosos e sensíveis que a vontade que dá é não sair mais dali e ficar ouvindo, ouvindo e ouvindo.
São tão grandes que me seguraram cantando, olha só, músicas como Detalhes, Atrás da Porta, Amigo é pra essas coisas, Marcha da quarta Feira de Cinzas, Desafinado e outras durante uma hora e, ainda por cima, ser aplaudido. Eu, com minha voz de baixo não muito profundo, barítono não muito grave, tenor nada agudo, fanhosa o suficiente e, para menos mal dos pecados, um pouco afinada, enfrentei uma platéia de mais de cem pessoas com a naturalidade de um mergulhador, com escafandro e tudo, enterrado na areia. E fui até o fim, contra todos e contra tudo, amparado pelo talento fabuloso dos três.
Vocês não fazem idéia do que faz a jovem atriz Luiza Ollé num palco, interpretando e declamando textos e poemas meus (!). O brilho da criatura é assustador! Ela fica imensa, soberba, linda, sedutora, triste, desesperada, suplicante, feliz e suprema numa única frase, num único verso.
Isto eu recomendo: quando vocês lerem o nome Luiza Ollé em qualquer espetáculo, larguem tudo e corram para assistir.
Foi uma noite fantástica para mim, um verdadeiro show, uma experiência inédita que foi dirigida pelo incrível Leo Maciel, um sujeito com doce sensibilidade e que sabe tudo de um palco, das marcações às entonações, dos tempos e da iluminação. Sem ataques, sem chiliques, com calma e precisa compreensão, organizou tudo, arredondou e transformou o espetáculo num verdadeiro espetáculo.
Adorei cantar em público. Sempre gostei de cantar e sempre quis fazer uma coisa assim. Agora está feita.
Para propostas e convites, favor falar com meu empresário.
Quero falar também da Dharma Produções, da incrível, incasável e maravilhosa Ângela Moreira Flach.
Quando, no início de março, propus essa loucura ela abraçou a causa, me amparou, incentivou, organizou, fez, desfez e refez e tornou possível o evento, coordenando os duzentos e trinta e sete mil detalhes, fora os quebrados, que um aparentemente singelo show exige e requer. Competentíssima Ângela Moreira Flach e toda a sua equipe.
Depois disso tudo, autógrafos e champanhe, afinal era o lançamento de um livro.
E eu... nas nuvens. Literalmente.
A quantidade de mensagens que recebi me deu a sensação gostosa de ser bem quisto, de ter amigos, de ter pessoas que me gostam.
O orgulho da minha filha e do meu genro era de babar. E eu babei.
Minha mulher não cabia em si de contentamento. Não cabia em si nem em mim....
Foi uma noite gloriosa e se dela eu puder dizer alguma coisa a todos que me ouvem neste momento solene é: Qualquer pessoa merece ter momentos assim, de glória e de satisfação pessoal. O único requisito é não ter medo, é por em prática o sonho, não ir além das medidas, testar-se, fazer a coisa séria e bem feita que o resultado vem.
Eu sou a prova disto: cantei, cantei, até ficar com dó do público...
Quando eu executar os outros vinte e seis projetos que tenho, finalmente estarei realizado, enquanto “pessoa humana”, entende?
Com tudo isto, o que eu quero mesmo dizer é que artistas de primeira grandeza seguram a barra de amadores, como fizeram comigo Toneco da Costa, Fernando do Ó e Mario Carvalho ( no meu tempo se dizia “conjunto”, “melódico” ou, simplesmente “trio”? e Luiza Ollé, A atriz.
É isso, gente, para compartilhar com os que foram, com os que não puderam ir e com os que não deram bola e dar o mérito aos que realmente tiveram mérito.
Quanto ao meu cachê, ainda estou estudando, mas aceito propostas...
terça-feira, 7 de outubro de 2008
COLUNA DO PAULO WAINBERG
CRÔNICAS GOZADORAS
GOSTO É GOSTO
Paulo Wainberg
Canso de afirmar que mulher, futebol, religião, política, marca de vinho, cor de automóvel, taras individuais, ópera, corte de cabelo, samba-canção e chinelo de dedo não se discutem.
Canso de afirmar que a única coisa sobre a qual vale a pena discutir é o Gosto. Quando se discute sobre Gosto chega-se a algum lugar, vai-se a Roma, conclui-se e até mesmo briga-se a socos e pontapés.
Gosto é bom de discutir pela universalidade do tema, pela diversidade da coisa, como diria o outro, pela onipresente parceria disposta à abordagem do tema, com veemência, candura, ira e sex-appeal.
Discutir sobre mulher não tem graça pois as mulheres são indiscutíveis, talvez sobre o tamanho do pé, mais gordinha ou mais magrinha, sapecas ou comportadas, apenas frivolidades, nada essencial e relevante.
Mulher é e ponto final.
E não discuta!
Religião cada um tem a sua, até os que, como eu, são ateus e fazem do ateísmo uma religião e pronto.
Política é lá tema para discussão? Não conheço uma única conversa sobre política que não termine com a mesma conclusão que não vou escrever aqui porque de nada adiante, nenhum presta mesmo... Vá lá que seja, tem uns que, vá lá que seja.
Quer discutir sobre marca de vinho? Pode discutir mas tem que usar os termos corretos: bouquê, densidade honesta, safra, tipo de uva, ano, alacricidade...
Cor de automóvel? Vai discutir como? O assunto se esgota na segunda palavra.
Etc, etc.
Deixei o futebol por último de propósito. Não que eu queira discutir sobre futebol, sobretudo aqui no Sul onde, no dia do meu aniversário, operou-se o mais glorioso massacre que se poderia imaginar, sobre a arrogância, a prepotência e a falsa liderança.
Foi coisa de não esquecer, de guardar na memória e carregar no lombo por décadas, tamanha lambada em 45 minutos não se tinha notícia. A alegada máquina que esmagaria o dono da casa, foi-se ver, era de papelão molhado, cada uma de suas peças demonstrando pavor diante da soberba ação do adversário, praticada com movimentos harmônicos, incisivos, cortantes e perfurantes fazendo da máquina de papelão molhado um amontoado aturdido reposto devidamente no seu lugar secundário, isto é, numa divisão inferior de onde jamais deveria ousar sair.
É o que acontece com os pequenos diante dos grandes: mostram os dentes e as unhas, arreganham e fazem careta, berram, estrebucham e, quando voltam a si, estão de quatro, chorando as mágoas e lambendo as patas.
Não, eu insisto, não se discute futebol. O futebol, quando é, é indiscutível. Quando não é, segundo a teoria geral das aparências, sucumbe aos poucos, como a mulher amada que diz não, não... nããão... sim, sim, sim! E entrega-se ao valor mais alto qual criança que adora o papai.
Dizem que na vida, quanto maior a pretensão, maior o tombo. E quando ele acontece é assim, monumental, escorchante, arrasador, a soberba maquinação transformada em pó, a arrogantemente alardeada imortalidade deparando-se com a própria finitude pois não há barro que resista a quatro estocadas fulminantes, desferidas pela verdadeira grandeza.
Discutir futebol? Nem em sonho. Nem que a vaca tussa, atole-se no brejo e rumine. Nem que chovam canivetes, paquidermes ou ácido nítrico – se é que isso existe.
Não, não, meu caro quadrifactum, não discuta futebol, não faça isso, limite-se a admirar, a sofrer e a perguntar-se qual a razão de seu infortúnio, em que desavisado momento de sua vida você fez tão infeliz escolha. E sofra, que é o que lhe resta.
Porém, não sou intransigente e faço concessões. Estou pronto a discutir com você, a qualquer hora e em qualquer circunstância, aquilo que realmente vale a pena ser discutido: Gosto.
GOSTO É GOSTO
Paulo Wainberg
Canso de afirmar que mulher, futebol, religião, política, marca de vinho, cor de automóvel, taras individuais, ópera, corte de cabelo, samba-canção e chinelo de dedo não se discutem.
Canso de afirmar que a única coisa sobre a qual vale a pena discutir é o Gosto. Quando se discute sobre Gosto chega-se a algum lugar, vai-se a Roma, conclui-se e até mesmo briga-se a socos e pontapés.
Gosto é bom de discutir pela universalidade do tema, pela diversidade da coisa, como diria o outro, pela onipresente parceria disposta à abordagem do tema, com veemência, candura, ira e sex-appeal.
Discutir sobre mulher não tem graça pois as mulheres são indiscutíveis, talvez sobre o tamanho do pé, mais gordinha ou mais magrinha, sapecas ou comportadas, apenas frivolidades, nada essencial e relevante.
Mulher é e ponto final.
E não discuta!
Religião cada um tem a sua, até os que, como eu, são ateus e fazem do ateísmo uma religião e pronto.
Política é lá tema para discussão? Não conheço uma única conversa sobre política que não termine com a mesma conclusão que não vou escrever aqui porque de nada adiante, nenhum presta mesmo... Vá lá que seja, tem uns que, vá lá que seja.
Quer discutir sobre marca de vinho? Pode discutir mas tem que usar os termos corretos: bouquê, densidade honesta, safra, tipo de uva, ano, alacricidade...
Cor de automóvel? Vai discutir como? O assunto se esgota na segunda palavra.
Etc, etc.
Deixei o futebol por último de propósito. Não que eu queira discutir sobre futebol, sobretudo aqui no Sul onde, no dia do meu aniversário, operou-se o mais glorioso massacre que se poderia imaginar, sobre a arrogância, a prepotência e a falsa liderança.
Foi coisa de não esquecer, de guardar na memória e carregar no lombo por décadas, tamanha lambada em 45 minutos não se tinha notícia. A alegada máquina que esmagaria o dono da casa, foi-se ver, era de papelão molhado, cada uma de suas peças demonstrando pavor diante da soberba ação do adversário, praticada com movimentos harmônicos, incisivos, cortantes e perfurantes fazendo da máquina de papelão molhado um amontoado aturdido reposto devidamente no seu lugar secundário, isto é, numa divisão inferior de onde jamais deveria ousar sair.
É o que acontece com os pequenos diante dos grandes: mostram os dentes e as unhas, arreganham e fazem careta, berram, estrebucham e, quando voltam a si, estão de quatro, chorando as mágoas e lambendo as patas.
Não, eu insisto, não se discute futebol. O futebol, quando é, é indiscutível. Quando não é, segundo a teoria geral das aparências, sucumbe aos poucos, como a mulher amada que diz não, não... nããão... sim, sim, sim! E entrega-se ao valor mais alto qual criança que adora o papai.
Dizem que na vida, quanto maior a pretensão, maior o tombo. E quando ele acontece é assim, monumental, escorchante, arrasador, a soberba maquinação transformada em pó, a arrogantemente alardeada imortalidade deparando-se com a própria finitude pois não há barro que resista a quatro estocadas fulminantes, desferidas pela verdadeira grandeza.
Discutir futebol? Nem em sonho. Nem que a vaca tussa, atole-se no brejo e rumine. Nem que chovam canivetes, paquidermes ou ácido nítrico – se é que isso existe.
Não, não, meu caro quadrifactum, não discuta futebol, não faça isso, limite-se a admirar, a sofrer e a perguntar-se qual a razão de seu infortúnio, em que desavisado momento de sua vida você fez tão infeliz escolha. E sofra, que é o que lhe resta.
Porém, não sou intransigente e faço concessões. Estou pronto a discutir com você, a qualquer hora e em qualquer circunstância, aquilo que realmente vale a pena ser discutido: Gosto.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
COISAS DA VIDA
A SABEDORIA DE UM EX-TORNEIRO MECÂNICO
João Eichbaum
“Que crise? Vai perguntar pro Busch.”
Essa foi a frase do ex-torneiro mecânico, Luiz Inácio Lula da Silva, em resposta para jornalistas que o inquiriram, no dia seis de setembro do corrente ano, a respeito da queda das bolsas nos Estados Unidos, em conseqüência da quebra de bancos americanos.
Lula, deu de ombros, não “tava nem aí”. O problema, para ele, era do “Busch”, pois o Brasil, no seu entender, era um país invulnerável, alheio às crises econômicas de outros países.
Agiu como “torneiro mecânico”, que conhece tornos, mas não tornados de economia.
Já no dia dezoito de setembro, passou a mudar um pouco o discurso, dizendo:”bancos muito importantes passaram a vida, medindo o risco desse país. Esses palpiteiros é que estão quebrando.”
Isto é, para o ex-torneiro mecânico, os bancos americanos só tinham olhos voltados na direção dos riscos que o Brasil oferecia, mas o Brasil era mais forte do que eles, e tanto era verdade que “eles é que estão quebrando”.
No Brasil estava, na opinião autêntica de um torneiro mecânico, tudo bem, pois o país teria uma economia forte, imune a turbulências internacionais.
No dia vinte e dois de setembro, o ex- torneiro mecânico, já tinha mudado de opinião: “ graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico.” Ele estava aliviado, não muito seguro da opinião que tinha sobre a economia do Brasil, achando que os problemas econômicos se resolvem com água: quanto maior o volume de água, tanto maior a segurança contra a contaminação.
Mas, no último dia do mês de setembro, estava noutra: “a crise é muito séria...podemos correr riscos, porque uma recessão mundial pode trazer prejuízo para nós”.
Esse é o Lula, o presidente do Brasil, que tem mais de oitenta por cento de aprovação. Graças ao “bolsa-família”, a esmola que é feita com o nosso dinheiro, o dinheiro dos que trabalham, para sustentar vagabundos. Tudo a ver, portanto.
João Eichbaum
“Que crise? Vai perguntar pro Busch.”
Essa foi a frase do ex-torneiro mecânico, Luiz Inácio Lula da Silva, em resposta para jornalistas que o inquiriram, no dia seis de setembro do corrente ano, a respeito da queda das bolsas nos Estados Unidos, em conseqüência da quebra de bancos americanos.
Lula, deu de ombros, não “tava nem aí”. O problema, para ele, era do “Busch”, pois o Brasil, no seu entender, era um país invulnerável, alheio às crises econômicas de outros países.
Agiu como “torneiro mecânico”, que conhece tornos, mas não tornados de economia.
Já no dia dezoito de setembro, passou a mudar um pouco o discurso, dizendo:”bancos muito importantes passaram a vida, medindo o risco desse país. Esses palpiteiros é que estão quebrando.”
Isto é, para o ex-torneiro mecânico, os bancos americanos só tinham olhos voltados na direção dos riscos que o Brasil oferecia, mas o Brasil era mais forte do que eles, e tanto era verdade que “eles é que estão quebrando”.
No Brasil estava, na opinião autêntica de um torneiro mecânico, tudo bem, pois o país teria uma economia forte, imune a turbulências internacionais.
No dia vinte e dois de setembro, o ex- torneiro mecânico, já tinha mudado de opinião: “ graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico.” Ele estava aliviado, não muito seguro da opinião que tinha sobre a economia do Brasil, achando que os problemas econômicos se resolvem com água: quanto maior o volume de água, tanto maior a segurança contra a contaminação.
Mas, no último dia do mês de setembro, estava noutra: “a crise é muito séria...podemos correr riscos, porque uma recessão mundial pode trazer prejuízo para nós”.
Esse é o Lula, o presidente do Brasil, que tem mais de oitenta por cento de aprovação. Graças ao “bolsa-família”, a esmola que é feita com o nosso dinheiro, o dinheiro dos que trabalham, para sustentar vagabundos. Tudo a ver, portanto.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
COLUNA DO PAULO WAINBERG
QUANDO TUDO DÓI
Paulo Wainberg
Hoje cortei os cabelos e remocei no mínimo três meses. É notável como, na medida em que a idade avança, certas diferenças visuais aumentam ou diminuem a idade aparente das pessoas.
Conheço uma senhora de setenta e cinco anos que, após uma acurada plástica removedora de pelancas, elevadora de seios e bumbum, extirpadora de excessos abdominais, alisamentos rugais, niveladora de papada e esticamento dérmico em geral, apresentou-se fulgurante e fogosa em badalado acontecimento social exibindo o remodelado visual.
E ninguém notou.
Pois é. Quando eu tinha quarenta anos e cortava o cabelo eu remoçava dez. Anos. Hoje remoço meses, cada vez menos meses, fato que me leva à conclusão nada consoladora de que modificar a aparência não me remoça mais nem me deixa mais bonito, sensual ou elegante do que já sou naturalmente, modestamente falando.
Se há na vida um fato consumado este é a velhice. Ela chega e se instala sem pedir licença, sem cuspe nem camisinha. Um dia você acorda, escova os dentes e se olha no espelho e, cataplum, você é um velho.
Seu rosto é velho, o viço sumiu, a pele encardiu e o próprio olhar perde o brilho, o olhar da velhice é morno, achatado, as pálpebras tombaram e você vê cada vez menos.
Há os resistentes que apelam para cremes, loções, muitos acreditam que bosta de cavalo regenera mas o nariz continua poroso após as aplicações e as papuças não dão tréguas e, vá que você resolva extirpá-las, o máximo que conseguirá é parecer um velho sem papuças. O que, para o efeito, é pouco, minha querida, muito pouco.
Os cabelos grisalhos que lhe davam um charme especial aos trinta hoje são brancos, perfeitamente adequados à sua idade senhoril e tudo aquilo que antes lhe assegurava rápido e seguro acesso às jovens hoje é recebido como uma manifestação carinhosa e paternal que transforma você “num amor de velhinho”, “coisa mais querida” e “num senhor super-simpático”.
Isso dói, cara.
Quando você fica velho pode malhar doze horas por dia que, no máximo, conseguirá ser um velho sarado. Sobre o corpo esbelto e musculoso – que não resiste a uma semana de férias - está um rosto saudável e... velho.
O pior de tudo, na minha opinião, é que todo o velho, por mais que negue sua velhice, por mais que se sinta “jovem por dentro”, é um anacrônico.
Não acredita?
Proponho um teste: vá para a fila de uma balada. Saradão, vestido na última moda, alegre, jovial (jovem por dentro) e procure se enturmar, tente comunicar-se com as tribos, com a garotada com quem você tanto se identifica.
Acredite, meu bom velhinho, que sob a saravaida de “tios”, “coroas”, e “com licença senhor”, você murchará como uva em passas, recolherá os flaps, dará de frente com a dura verdade da sua velhice e vai acabar a noite tomando cerveja no boteco de sempre. Aquele cujo balconista entende você.
Envelhecer não é um processo e sim uma maldição vital da qual ninguém escapa. O pior de tudo é que a grande sabedoria que você adquiriu com a velhice seria perfeita se você tivesse trinta anos, sabedoria que, aos trinta anos você não tinha.
Isso é injusto e dói, cara.
Existem mil livros, grupos, excursões, propostas, conferências, congressos, debates, encontros, bailes, reuniões e seminários querendo convencer os velhos que a velhice é a melhor idade.
Ora, ilustre poeta, douto filósofo, iluminado profeta, vá catar piolhos na cabeça da sua avó. Quero ver se vai achar isso quando for, você também, um velho!
O “tudo de bom” da velhice não passa de consolo, minha jovem, coisas boas que os velhos usufruem para compensar a juventude perdida. Usufruem? Claro que sim! Usufruir os netos, por exemplo, é o sonho de qualquer velho. Isso deve ser coisa muito boa, virar avô. Ter um neto para brincar, para ver crescer, para se maravilhar, amar e adorar. Prerrogativa da velhice, isso eu reconheço. Com trinta anos é muito difícil ser avô. Acontece, mas é raro.
Não ter que ir a cerimônias de formatura é outra vantagem da velhice. Os velhos vão apenas na festa.
Andar de ônibus de graça. Conheço pessoas que nunca andaram de ônibus e que, depois de velho, passaram andar, só para aproveitar plenamente as vantagens da velhice.
Jogar dominó em praças públicas é outro privilégio dos velhos, deitar à noite e suspirar aliviado porque não precisa transar, não ligar para a bronca dos filhos porque está muito gordo e, maravilha das maravilhas, ficar o tempo que quiser no banheiro sem ninguém batendo na porta.
E quando batem é sua mulher querendo apenas saber se você está vivo.
Das muitas coisas que aprendi na vida tenho certeza de apenas uma: nada remoça um velho.
A não ser a paixão.
Paulo Wainberg
Hoje cortei os cabelos e remocei no mínimo três meses. É notável como, na medida em que a idade avança, certas diferenças visuais aumentam ou diminuem a idade aparente das pessoas.
Conheço uma senhora de setenta e cinco anos que, após uma acurada plástica removedora de pelancas, elevadora de seios e bumbum, extirpadora de excessos abdominais, alisamentos rugais, niveladora de papada e esticamento dérmico em geral, apresentou-se fulgurante e fogosa em badalado acontecimento social exibindo o remodelado visual.
E ninguém notou.
Pois é. Quando eu tinha quarenta anos e cortava o cabelo eu remoçava dez. Anos. Hoje remoço meses, cada vez menos meses, fato que me leva à conclusão nada consoladora de que modificar a aparência não me remoça mais nem me deixa mais bonito, sensual ou elegante do que já sou naturalmente, modestamente falando.
Se há na vida um fato consumado este é a velhice. Ela chega e se instala sem pedir licença, sem cuspe nem camisinha. Um dia você acorda, escova os dentes e se olha no espelho e, cataplum, você é um velho.
Seu rosto é velho, o viço sumiu, a pele encardiu e o próprio olhar perde o brilho, o olhar da velhice é morno, achatado, as pálpebras tombaram e você vê cada vez menos.
Há os resistentes que apelam para cremes, loções, muitos acreditam que bosta de cavalo regenera mas o nariz continua poroso após as aplicações e as papuças não dão tréguas e, vá que você resolva extirpá-las, o máximo que conseguirá é parecer um velho sem papuças. O que, para o efeito, é pouco, minha querida, muito pouco.
Os cabelos grisalhos que lhe davam um charme especial aos trinta hoje são brancos, perfeitamente adequados à sua idade senhoril e tudo aquilo que antes lhe assegurava rápido e seguro acesso às jovens hoje é recebido como uma manifestação carinhosa e paternal que transforma você “num amor de velhinho”, “coisa mais querida” e “num senhor super-simpático”.
Isso dói, cara.
Quando você fica velho pode malhar doze horas por dia que, no máximo, conseguirá ser um velho sarado. Sobre o corpo esbelto e musculoso – que não resiste a uma semana de férias - está um rosto saudável e... velho.
O pior de tudo, na minha opinião, é que todo o velho, por mais que negue sua velhice, por mais que se sinta “jovem por dentro”, é um anacrônico.
Não acredita?
Proponho um teste: vá para a fila de uma balada. Saradão, vestido na última moda, alegre, jovial (jovem por dentro) e procure se enturmar, tente comunicar-se com as tribos, com a garotada com quem você tanto se identifica.
Acredite, meu bom velhinho, que sob a saravaida de “tios”, “coroas”, e “com licença senhor”, você murchará como uva em passas, recolherá os flaps, dará de frente com a dura verdade da sua velhice e vai acabar a noite tomando cerveja no boteco de sempre. Aquele cujo balconista entende você.
Envelhecer não é um processo e sim uma maldição vital da qual ninguém escapa. O pior de tudo é que a grande sabedoria que você adquiriu com a velhice seria perfeita se você tivesse trinta anos, sabedoria que, aos trinta anos você não tinha.
Isso é injusto e dói, cara.
Existem mil livros, grupos, excursões, propostas, conferências, congressos, debates, encontros, bailes, reuniões e seminários querendo convencer os velhos que a velhice é a melhor idade.
Ora, ilustre poeta, douto filósofo, iluminado profeta, vá catar piolhos na cabeça da sua avó. Quero ver se vai achar isso quando for, você também, um velho!
O “tudo de bom” da velhice não passa de consolo, minha jovem, coisas boas que os velhos usufruem para compensar a juventude perdida. Usufruem? Claro que sim! Usufruir os netos, por exemplo, é o sonho de qualquer velho. Isso deve ser coisa muito boa, virar avô. Ter um neto para brincar, para ver crescer, para se maravilhar, amar e adorar. Prerrogativa da velhice, isso eu reconheço. Com trinta anos é muito difícil ser avô. Acontece, mas é raro.
Não ter que ir a cerimônias de formatura é outra vantagem da velhice. Os velhos vão apenas na festa.
Andar de ônibus de graça. Conheço pessoas que nunca andaram de ônibus e que, depois de velho, passaram andar, só para aproveitar plenamente as vantagens da velhice.
Jogar dominó em praças públicas é outro privilégio dos velhos, deitar à noite e suspirar aliviado porque não precisa transar, não ligar para a bronca dos filhos porque está muito gordo e, maravilha das maravilhas, ficar o tempo que quiser no banheiro sem ninguém batendo na porta.
E quando batem é sua mulher querendo apenas saber se você está vivo.
Das muitas coisas que aprendi na vida tenho certeza de apenas uma: nada remoça um velho.
A não ser a paixão.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
TEMA DE DIREITO
Sempre que critico a justiça, o faço com base nos meus conhecimentos pessoais. E, por conhecê-la, não acredito nela. Hoje transcrevo um artigo do des. Moacir Leopoldo Haeser, institulado "Quando um tribunal viola a lei e a Constituição", do qual extraio, mais uma vez, o meu descrédito na chamada justiça. O artigo foi publicado no jornal da Anamages.
João Eichbaum.
"O STJ foi criado com a função de julgar os recursos especiais originários dos Tribunais Estaduais, assegurando a aplicação da lei federal e a uniformidade de sua interpretação pelas unidades federadas, admitindo o recurso mediante aponte da lei federal violada ou comprovação de dissídio,ou seja, decisões divergentes entre Tribunais Estaduais ou com o próprio STJ.
O que fazer,no entanto, quando quem viola a lei é o próprio Tribunal que tinha a obrigação de guardá-la? Instaura-se a insegurança jurídica e a quebra dos princípios constitucionais.
Em recentes decisões o STJ alterou jurisprudência consolidada há muitos anos na questão da quebra do princípio da igualdade entre os gaúchos que adquiriram ações da CRT.
Recorda-se que a utilização da linha era privilégio dos acionistas. Quando da abertura do capital da CRT e desvinculação da linha, permitindo a venda das ações na Bolsa, descobriu-se que havia diferenças absurdas de ações, alguns com 187 ações, outros com 2.750, 5.500, 15.000, 23214, 46428 e até 140.000 ações, embora todos tenham "adquirido um telefone" !
Constatou-se que a CRT oferecia as ações em EDITAIS publicados na imprensa, com PREÇO DE EMISSÃO fixado previamente pela Assembléia Geral, segundo o VALOR PATRIMONIAL DO ÚLTIMO BALANÇO, como previam seus ESTATUTOS e a Lei das Sociedades Anônimas (art.170, da Lei 6.404).
Os interessados assinavam um CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA, integralizavam o capital e, no mesmo contrato de adesão, outorgavam MANDATO para que à CRT assinasse todos os documentos em seu nome.
Embora o contrato estabelecesse que as ações seriam emitidas pelo valor PATRIMONIAL da ação APURADO NO ÚLTIMO BALANÇO, para alguns acionistas, que assinaram o mesmo contrato, na mesma ocasião e pagaram o mesmo valor, a empresa POSTERGAVA a emissão das ações para o ANO SEGUINTE e, DEPOIS DA ASSEMBLÉIA FIXAR UM NOVO PREÇO, emitia as ações por esse novo valor, entregando cerca de DEZ VEZES MENOS AÇÕES para alguns acionistas que foram prejudicados pela mandatária.
Estes buscaram e obtiveram em juízo, tanto no Tribunal Gaúcho como no STJ, o reconhecimento de seu direito à diferença de ações da Brasil Telecom, as ações que deixaram de receber quando da criação da CRT CELULAR (chamada de dobra acionária) e os rendimentos dessas ações (dividendos e juros sobre o capital próprio pagos aos demais acionistas).
A discussão, que se arrastou por quase dez anos, estava PACIFICADA nos Tribunais quando, de uma hora para outra, a Segunda Seção do STJ, com número escasso de Ministros presentes, decidiu acolher um parecer oferecido à empresa de telefonia por um ex-Ministro, decidindo por "equidade", porque o "fardo do tempo voltou-se contra a empresa", liberá-la de cumprir o contrato de adesão e de emitir as ações pelo PREÇO DE EMISSÃO anunciado nos jornais e fixado pela ASSEMBLÉIA GERAL de acordo com a Lei Societária e os ESTATUTOS da empresa, podendo calcular um "novo preço de emissão com base em um balancete do final do mês" em que houve a integralização do capital.
A decisão viola a lei e a Constituição Federal, criando uma nova forma de subscrição de ações exclusiva para uma empresa.
Viola o art.115 do vetusto Código Civil (submete uma parte ao arbítrio da outra; o art.159 (obrigação indenizatória pelo dano causado); o art.1125 (permite que uma das partes arbitre unilateralmente o preço); o art.1300 (livra da indenização o mandatário negligente que causou prejuízo postergando a subscrição);o art.162 do Código comercial (no mesmo sentido); o art.127 do Código de Processo Civil (o Juiz só pode decidir por equidade nos casos expressos em lei); o art.170 da Lei Societária (que fixa os critério para o arbitramento do preço de emissão das ações); o art.182 (que exige a contabilização, dentro do exercício, do aporte de CAPITAL); o contrato de adesão (que prevê o preço pelo valor patrimonial do ÚLTIMO Balanço); a DECISÃO ASSEMBLEAR (que fixou o preço de acordo com a lei e de seus Estatutos); o Código de Defesa do Consumidor (aplica cláusula de forma CONTRÁRIA ao escrito e de forma gravosa ao aderente, além de legitimar a CLÁUSULA-MANDATO que é nula ao permitir que o mandatário contrate CONSIGO MESMO, em prejuízo do aderente).
A decisão viola a CONSTITUIÇÃO FEDERAL porquanto não cabe ao STJ examinar matéria de fato, revolver provas e interpretar cláusulas de contrato, USURPANDO competência exclusiva do Tribunal estadual, tendo vulnerado as Súmulas 5 e 7.
Não pode admitir recurso especial sem demonstração de dissídio ou de violação da lei federal e ELE PRÓPRIO VIOLAR a lei federal.
Não lhe cabe, igualmente, RECALCULAR preço de emissão pelo qual as ações foram oferecidas à subscrição, nem imiscuir-se em decisões internas da empresa (ESTATUTO, CONTRATO, DECISÃO DA ASSEMBLÉIA, nem em critério de fixação de preço de ações) pois representa indevida intromissão do Estado na iniciativa privada, o que é vedado pelo art.170 da Carta Magna.
É vedado, ainda, assumir função de Legislador Positivo, usurpando FUNÇÃO LEGISLATIVA ao criar norma diversa de preço de emissão de ações da estabelecida em lei, cumprida pela Assembléia da empresa, prevista em seus ESTATUTOS e no contrato de adesão.
Mais grave, ainda, que o STJ passou a aplicar tal preço de emissão por um BALANCETE inoficioso, jamais publicado, aprovado ou registrado nos órgão competentes, que apresenta resultado NEGATIVO aos vencedores da ação, ou seja, aqueles acionistas que foram prejudicados, por receberem DEZ VEZES MENOS AÇÕES QUE OS DEMAIS, ainda FICAM DEVENDO AÇÕES !!
Pior, ainda, vem VULNERANDO A COISA JULGADA, aplicando esse esdrúxulo e ilegal critério, JAMAIS VISTO e jamais utilizado pela CRT ou qualquer sociedade anônima, TAMBÉM AOS PROCESSOS JÁ JULGADOS. Ora, a mudança de jurisprudência não permite NEM AÇÃO RESCISÓRIA, muito menos a rediscussão do que já foi decidido no processo de conhecimento,onde tais provas foram examinadas e a questão decidida em favor do prejudicado.
Apressa-se o STJ, agora, a UNIFORMIZAR o equívoco, com base na Lei dos Recursos Repetitivos (Lei 11672),recentemente aprovada por sugestão do próprio STJ, exatamente para acabar com a possibilidade de novos recursos.O momento é grave e exige a atenção e reação de entidades e juristas, ante o grave precedente, pois é preocupante que um Tribunal rasgue a lei e a Constituição, violando princípios universais de direito, numa decisão de "equidade", fixando, quase vinte anos depois, novo preço "jurisdicional" de emissão de ações com base em um balancete, critério jamais aplicado pela CRT ou por qualquer outra sociedade anônima que, poderão, também exigir o mesmo privilégio?"
João Eichbaum.
"O STJ foi criado com a função de julgar os recursos especiais originários dos Tribunais Estaduais, assegurando a aplicação da lei federal e a uniformidade de sua interpretação pelas unidades federadas, admitindo o recurso mediante aponte da lei federal violada ou comprovação de dissídio,ou seja, decisões divergentes entre Tribunais Estaduais ou com o próprio STJ.
O que fazer,no entanto, quando quem viola a lei é o próprio Tribunal que tinha a obrigação de guardá-la? Instaura-se a insegurança jurídica e a quebra dos princípios constitucionais.
Em recentes decisões o STJ alterou jurisprudência consolidada há muitos anos na questão da quebra do princípio da igualdade entre os gaúchos que adquiriram ações da CRT.
Recorda-se que a utilização da linha era privilégio dos acionistas. Quando da abertura do capital da CRT e desvinculação da linha, permitindo a venda das ações na Bolsa, descobriu-se que havia diferenças absurdas de ações, alguns com 187 ações, outros com 2.750, 5.500, 15.000, 23214, 46428 e até 140.000 ações, embora todos tenham "adquirido um telefone" !
Constatou-se que a CRT oferecia as ações em EDITAIS publicados na imprensa, com PREÇO DE EMISSÃO fixado previamente pela Assembléia Geral, segundo o VALOR PATRIMONIAL DO ÚLTIMO BALANÇO, como previam seus ESTATUTOS e a Lei das Sociedades Anônimas (art.170, da Lei 6.404).
Os interessados assinavam um CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA, integralizavam o capital e, no mesmo contrato de adesão, outorgavam MANDATO para que à CRT assinasse todos os documentos em seu nome.
Embora o contrato estabelecesse que as ações seriam emitidas pelo valor PATRIMONIAL da ação APURADO NO ÚLTIMO BALANÇO, para alguns acionistas, que assinaram o mesmo contrato, na mesma ocasião e pagaram o mesmo valor, a empresa POSTERGAVA a emissão das ações para o ANO SEGUINTE e, DEPOIS DA ASSEMBLÉIA FIXAR UM NOVO PREÇO, emitia as ações por esse novo valor, entregando cerca de DEZ VEZES MENOS AÇÕES para alguns acionistas que foram prejudicados pela mandatária.
Estes buscaram e obtiveram em juízo, tanto no Tribunal Gaúcho como no STJ, o reconhecimento de seu direito à diferença de ações da Brasil Telecom, as ações que deixaram de receber quando da criação da CRT CELULAR (chamada de dobra acionária) e os rendimentos dessas ações (dividendos e juros sobre o capital próprio pagos aos demais acionistas).
A discussão, que se arrastou por quase dez anos, estava PACIFICADA nos Tribunais quando, de uma hora para outra, a Segunda Seção do STJ, com número escasso de Ministros presentes, decidiu acolher um parecer oferecido à empresa de telefonia por um ex-Ministro, decidindo por "equidade", porque o "fardo do tempo voltou-se contra a empresa", liberá-la de cumprir o contrato de adesão e de emitir as ações pelo PREÇO DE EMISSÃO anunciado nos jornais e fixado pela ASSEMBLÉIA GERAL de acordo com a Lei Societária e os ESTATUTOS da empresa, podendo calcular um "novo preço de emissão com base em um balancete do final do mês" em que houve a integralização do capital.
A decisão viola a lei e a Constituição Federal, criando uma nova forma de subscrição de ações exclusiva para uma empresa.
Viola o art.115 do vetusto Código Civil (submete uma parte ao arbítrio da outra; o art.159 (obrigação indenizatória pelo dano causado); o art.1125 (permite que uma das partes arbitre unilateralmente o preço); o art.1300 (livra da indenização o mandatário negligente que causou prejuízo postergando a subscrição);o art.162 do Código comercial (no mesmo sentido); o art.127 do Código de Processo Civil (o Juiz só pode decidir por equidade nos casos expressos em lei); o art.170 da Lei Societária (que fixa os critério para o arbitramento do preço de emissão das ações); o art.182 (que exige a contabilização, dentro do exercício, do aporte de CAPITAL); o contrato de adesão (que prevê o preço pelo valor patrimonial do ÚLTIMO Balanço); a DECISÃO ASSEMBLEAR (que fixou o preço de acordo com a lei e de seus Estatutos); o Código de Defesa do Consumidor (aplica cláusula de forma CONTRÁRIA ao escrito e de forma gravosa ao aderente, além de legitimar a CLÁUSULA-MANDATO que é nula ao permitir que o mandatário contrate CONSIGO MESMO, em prejuízo do aderente).
A decisão viola a CONSTITUIÇÃO FEDERAL porquanto não cabe ao STJ examinar matéria de fato, revolver provas e interpretar cláusulas de contrato, USURPANDO competência exclusiva do Tribunal estadual, tendo vulnerado as Súmulas 5 e 7.
Não pode admitir recurso especial sem demonstração de dissídio ou de violação da lei federal e ELE PRÓPRIO VIOLAR a lei federal.
Não lhe cabe, igualmente, RECALCULAR preço de emissão pelo qual as ações foram oferecidas à subscrição, nem imiscuir-se em decisões internas da empresa (ESTATUTO, CONTRATO, DECISÃO DA ASSEMBLÉIA, nem em critério de fixação de preço de ações) pois representa indevida intromissão do Estado na iniciativa privada, o que é vedado pelo art.170 da Carta Magna.
É vedado, ainda, assumir função de Legislador Positivo, usurpando FUNÇÃO LEGISLATIVA ao criar norma diversa de preço de emissão de ações da estabelecida em lei, cumprida pela Assembléia da empresa, prevista em seus ESTATUTOS e no contrato de adesão.
Mais grave, ainda, que o STJ passou a aplicar tal preço de emissão por um BALANCETE inoficioso, jamais publicado, aprovado ou registrado nos órgão competentes, que apresenta resultado NEGATIVO aos vencedores da ação, ou seja, aqueles acionistas que foram prejudicados, por receberem DEZ VEZES MENOS AÇÕES QUE OS DEMAIS, ainda FICAM DEVENDO AÇÕES !!
Pior, ainda, vem VULNERANDO A COISA JULGADA, aplicando esse esdrúxulo e ilegal critério, JAMAIS VISTO e jamais utilizado pela CRT ou qualquer sociedade anônima, TAMBÉM AOS PROCESSOS JÁ JULGADOS. Ora, a mudança de jurisprudência não permite NEM AÇÃO RESCISÓRIA, muito menos a rediscussão do que já foi decidido no processo de conhecimento,onde tais provas foram examinadas e a questão decidida em favor do prejudicado.
Apressa-se o STJ, agora, a UNIFORMIZAR o equívoco, com base na Lei dos Recursos Repetitivos (Lei 11672),recentemente aprovada por sugestão do próprio STJ, exatamente para acabar com a possibilidade de novos recursos.O momento é grave e exige a atenção e reação de entidades e juristas, ante o grave precedente, pois é preocupante que um Tribunal rasgue a lei e a Constituição, violando princípios universais de direito, numa decisão de "equidade", fixando, quase vinte anos depois, novo preço "jurisdicional" de emissão de ações com base em um balancete, critério jamais aplicado pela CRT ou por qualquer outra sociedade anônima que, poderão, também exigir o mesmo privilégio?"
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
COLUNA DO PAULO WAINBERG
NÃO SE ILUDA, MEU BEM
Paulo Wainberg
Na frente da Caverna Grrr, o caçador, reclamava com veemência de Croq, artesão e o intelectual da Tribo. Algo a ver com a empunhadura fina e a pouca consistência nuclear do tacape que encomendara.
Sem mais delongas e para provar logo seu ponto, desferiu violenta cacetada na cabeça de Croq que sequer cambaleou. O tacape partiu-se ao meio mostrando que Grrr, afinal de contas, tinha razão.
Pensativo, Croq coçou a mandíbula com a garra do minguinho do pé esquerdo, tentando descobrir qual o ponto falho de sua moderna concepção de tacapes. Afinal fora dele a idéia de afinar o punho, alongando lentamente a espessura, para facilitar a Grrr e outros caçadores o modo de segurar o tacape na hora de desferir o golpe contra o tigre de bengala, um tiranossauro rex ou uma tartaruga. Em algum momento do projeto errara nos cálculos.
E agora, diante de um Grrr enfurecido, como explicar-se? De que modo poderia indenizar o caçador e o resto da Tribo pelas perdas e danos e lucros cessantes que seu equívoco causara? Porque, sem dúvida, a ira de toda a Caverna desabaria sobre ele e de nada adiantaria lembrar a seus patrícios que ele havia descoberto como dominar o fogo e que, graças à sua arte, a saga triunfal do clã estava indelevelmente gravada nas paredes, para toda a eternidade.
Todas as honrarias recebidas no vernissage de lançamento dos desenhos de mamutes e bizontes seriam esquecidas e o mínimo que podia esperar pelo fracasso era o exílio, o desterro, a perda dos direitos políticos, além do deboche e do escárnio.
Grrr esmurrava o próprio peito, exigindo explicações, quando Croq teve uma epifania, a inspiração salvadora que não apenas o tirou daquele constrangimento como condicionou os rumos da evolução do Homo Sapiens até os dias atuais.
Olhou candidamente para Grrr que se esmurrava, grunhia, e pulava à sua frente, numa perfeita imitação de macaco, e declarou: “nada neste mundo é perfeito”.
Deu as costas e voltou ao interior da Caverna onde refez seus cálculos, desenhos e projetos e apresentou a Grrr, meses depois, o tacape perfeito que assegurou a sobrevivência da Tribo e deu a Grrtz, o Guardião, a idéia de atacar as tribos vizinhas, usando o tacape como arma de guerra. Em pouco tempo a Tribo expandiu-se, escravizando as vizinhas e transformando a Caverna na maior potência mundial da época.
Ao receber das mãos de Croq o novo tacape, Grrr experimentou o artefato tal como fizera na vez anterior, desferindo potente cacetada na cabeça de Croq. Desta vez produziu-se o efeito desejado e o corpo de Croq alimentou boa parte da tribo, durante o inverno.
Entretanto a frase “nada neste mundo é perfeito” repetiu-se boca a boca por gerações e gerações e, quanto mais evoluía a Humanidade, mais se convencia da verdade contida naquelas palavras. Mais e mais pessoas usaram-nas para justificar fracassos, erros, esquecimentos, traições, impotência e falta de orgasmos.
Milhões de anos após, uma única coisa desafiava a inteligência humana: se nada neste mundo é perfeito, como explicar o domingo? Sim, porque domingo era o dia perfeito, dia de acordar tarde, não ter compromisso nem trabalho, dia destinado ao lazer absoluto, sem restrições ou imposições.
Obviamente aquilo não podia continuar assim. Urgia que algo fosse feito para extinguir a exceção que afrontava a norma – nesses tempos já com conteúdo divino.
Quebraram a cabeça os luminares da ciência, da fé e da filosofia até que um deles, assim como ocorrera com o remoto Croq, teve sua epifania, a revelação da verdade e a solução para o drama: Criou a segunda-feira, destinada única e exclusivamente a estragar o domingo ou, pelo menos, o final do domingo.
Os entardeceres dominicais, antes tão saboreados, tornaram-se fonte de apreensão, desânimo e até depressão, ante à iminência da segunda-feira, restabelecendo-se a plenitude do conceito original: nada neste mundo é perfeito.
A segunda-feira não é exatamente um dia. Funciona mais como uma espécie de ameba gigante, um imenso glóbulo branco rastejante que se insinua em nossos corações no domingo à noite e vai se expandido, tomando conta de tudo e de todos.
A segunda-feira não passa, arrasta-se.
Cada minuto dura duas horas, cada hora dois dias, a manhã é lenta, a tarde não deslancha e quando finalmente vem a noite não sobra forças nem para um suspiro de alívio, tudo o que se quer é desabar.
Segunda feira de noite nada estréia, nada acontece, restaurantes fecham, bares não abrem, clubes se escondem, a cinema não se vai e teatro? Nem pensar.
Estamos diante de um legítimo qui pro quo desde que inventamos esse dia atormentador.
Tenho refletido na procura de soluções, novos rumos, caminhos alternativos, opções diferenciadas, qualquer coisa que altere nossa sina semanal de, após cada domingo, nos defrontarmos com uma segunda-feira.
A primeira idéia que me ocorreu foi acabar com os domingos. Não é lógico? Se as segundas-feiras foram criadas para estragar os domingos, eliminando os domingos as segundas-feiras vão estragar o que?
E por aí me fui, investindo tempo e todo o meu dinheiro na interminável pesquisa, cada linha do emaranhado me conduzindo ao mesmo ponto final: o cataclismo universal, o derradeiro Bang extinguindo todos e tudo, inclusive as segundas feiras.
Concluí que está além das minhas forças, não há nada que eu possa fazer. O jeito é dar um jeito, um jeitinho brasileiro, mudar o enfoque, a visão da coisa, entende?
Por exemplo, considerar que segunda-feira é um ótimo dia porque está a uma semana da próxima. Transformar o domingo num dia tão ruim, tão chato e horrível que a segunda-feira se transforme numa bênção. Não sair de casa na segunda e começar a semana apenas na terça. Mudar o nome de segunda para primeira-feira, entrar num bar de manhã e só sair à meia-noite, fazer análise durante dez anos para entender o problema, fazer massagem linfática seja lá o que for isso, ir a missa, visitar uma tia-avó que há anos não vê.
Outra hipótese é não dormir domingo à noite. Fique acordado e não terá o dissabor de despertar com uma enorme segunda-feira pela frente. E como não dormiu talvez nem precise escovar os dentes e tomar banho. Um bom truque é vestir, no domingo, a roupa que vai usar na segunda, emende um dia no outro, compreendeu? É uma forma de não dar chances ao azar.
Faça um curso de bloqueio mental com algum hindu e transforme-se num zumbi às segundas-feiras. Vá trabalhar mas não faça nada o dia inteiro e deixe tudo para a terça.
Enfim, como diz o outro, são infindáveis possibilidades de conviver com a epidemia, aceitar os fatos da vida, inclusive que papai e mamãe são casados.
Ou adote uma postura radical e definitiva: Nunca mais pense nesse assunto. E se conseguir, me avise.
Paulo Wainberg
Na frente da Caverna Grrr, o caçador, reclamava com veemência de Croq, artesão e o intelectual da Tribo. Algo a ver com a empunhadura fina e a pouca consistência nuclear do tacape que encomendara.
Sem mais delongas e para provar logo seu ponto, desferiu violenta cacetada na cabeça de Croq que sequer cambaleou. O tacape partiu-se ao meio mostrando que Grrr, afinal de contas, tinha razão.
Pensativo, Croq coçou a mandíbula com a garra do minguinho do pé esquerdo, tentando descobrir qual o ponto falho de sua moderna concepção de tacapes. Afinal fora dele a idéia de afinar o punho, alongando lentamente a espessura, para facilitar a Grrr e outros caçadores o modo de segurar o tacape na hora de desferir o golpe contra o tigre de bengala, um tiranossauro rex ou uma tartaruga. Em algum momento do projeto errara nos cálculos.
E agora, diante de um Grrr enfurecido, como explicar-se? De que modo poderia indenizar o caçador e o resto da Tribo pelas perdas e danos e lucros cessantes que seu equívoco causara? Porque, sem dúvida, a ira de toda a Caverna desabaria sobre ele e de nada adiantaria lembrar a seus patrícios que ele havia descoberto como dominar o fogo e que, graças à sua arte, a saga triunfal do clã estava indelevelmente gravada nas paredes, para toda a eternidade.
Todas as honrarias recebidas no vernissage de lançamento dos desenhos de mamutes e bizontes seriam esquecidas e o mínimo que podia esperar pelo fracasso era o exílio, o desterro, a perda dos direitos políticos, além do deboche e do escárnio.
Grrr esmurrava o próprio peito, exigindo explicações, quando Croq teve uma epifania, a inspiração salvadora que não apenas o tirou daquele constrangimento como condicionou os rumos da evolução do Homo Sapiens até os dias atuais.
Olhou candidamente para Grrr que se esmurrava, grunhia, e pulava à sua frente, numa perfeita imitação de macaco, e declarou: “nada neste mundo é perfeito”.
Deu as costas e voltou ao interior da Caverna onde refez seus cálculos, desenhos e projetos e apresentou a Grrr, meses depois, o tacape perfeito que assegurou a sobrevivência da Tribo e deu a Grrtz, o Guardião, a idéia de atacar as tribos vizinhas, usando o tacape como arma de guerra. Em pouco tempo a Tribo expandiu-se, escravizando as vizinhas e transformando a Caverna na maior potência mundial da época.
Ao receber das mãos de Croq o novo tacape, Grrr experimentou o artefato tal como fizera na vez anterior, desferindo potente cacetada na cabeça de Croq. Desta vez produziu-se o efeito desejado e o corpo de Croq alimentou boa parte da tribo, durante o inverno.
Entretanto a frase “nada neste mundo é perfeito” repetiu-se boca a boca por gerações e gerações e, quanto mais evoluía a Humanidade, mais se convencia da verdade contida naquelas palavras. Mais e mais pessoas usaram-nas para justificar fracassos, erros, esquecimentos, traições, impotência e falta de orgasmos.
Milhões de anos após, uma única coisa desafiava a inteligência humana: se nada neste mundo é perfeito, como explicar o domingo? Sim, porque domingo era o dia perfeito, dia de acordar tarde, não ter compromisso nem trabalho, dia destinado ao lazer absoluto, sem restrições ou imposições.
Obviamente aquilo não podia continuar assim. Urgia que algo fosse feito para extinguir a exceção que afrontava a norma – nesses tempos já com conteúdo divino.
Quebraram a cabeça os luminares da ciência, da fé e da filosofia até que um deles, assim como ocorrera com o remoto Croq, teve sua epifania, a revelação da verdade e a solução para o drama: Criou a segunda-feira, destinada única e exclusivamente a estragar o domingo ou, pelo menos, o final do domingo.
Os entardeceres dominicais, antes tão saboreados, tornaram-se fonte de apreensão, desânimo e até depressão, ante à iminência da segunda-feira, restabelecendo-se a plenitude do conceito original: nada neste mundo é perfeito.
A segunda-feira não é exatamente um dia. Funciona mais como uma espécie de ameba gigante, um imenso glóbulo branco rastejante que se insinua em nossos corações no domingo à noite e vai se expandido, tomando conta de tudo e de todos.
A segunda-feira não passa, arrasta-se.
Cada minuto dura duas horas, cada hora dois dias, a manhã é lenta, a tarde não deslancha e quando finalmente vem a noite não sobra forças nem para um suspiro de alívio, tudo o que se quer é desabar.
Segunda feira de noite nada estréia, nada acontece, restaurantes fecham, bares não abrem, clubes se escondem, a cinema não se vai e teatro? Nem pensar.
Estamos diante de um legítimo qui pro quo desde que inventamos esse dia atormentador.
Tenho refletido na procura de soluções, novos rumos, caminhos alternativos, opções diferenciadas, qualquer coisa que altere nossa sina semanal de, após cada domingo, nos defrontarmos com uma segunda-feira.
A primeira idéia que me ocorreu foi acabar com os domingos. Não é lógico? Se as segundas-feiras foram criadas para estragar os domingos, eliminando os domingos as segundas-feiras vão estragar o que?
E por aí me fui, investindo tempo e todo o meu dinheiro na interminável pesquisa, cada linha do emaranhado me conduzindo ao mesmo ponto final: o cataclismo universal, o derradeiro Bang extinguindo todos e tudo, inclusive as segundas feiras.
Concluí que está além das minhas forças, não há nada que eu possa fazer. O jeito é dar um jeito, um jeitinho brasileiro, mudar o enfoque, a visão da coisa, entende?
Por exemplo, considerar que segunda-feira é um ótimo dia porque está a uma semana da próxima. Transformar o domingo num dia tão ruim, tão chato e horrível que a segunda-feira se transforme numa bênção. Não sair de casa na segunda e começar a semana apenas na terça. Mudar o nome de segunda para primeira-feira, entrar num bar de manhã e só sair à meia-noite, fazer análise durante dez anos para entender o problema, fazer massagem linfática seja lá o que for isso, ir a missa, visitar uma tia-avó que há anos não vê.
Outra hipótese é não dormir domingo à noite. Fique acordado e não terá o dissabor de despertar com uma enorme segunda-feira pela frente. E como não dormiu talvez nem precise escovar os dentes e tomar banho. Um bom truque é vestir, no domingo, a roupa que vai usar na segunda, emende um dia no outro, compreendeu? É uma forma de não dar chances ao azar.
Faça um curso de bloqueio mental com algum hindu e transforme-se num zumbi às segundas-feiras. Vá trabalhar mas não faça nada o dia inteiro e deixe tudo para a terça.
Enfim, como diz o outro, são infindáveis possibilidades de conviver com a epidemia, aceitar os fatos da vida, inclusive que papai e mamãe são casados.
Ou adote uma postura radical e definitiva: Nunca mais pense nesse assunto. E se conseguir, me avise.
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