GRANDE PIADA, OLHEM SÓ:
A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais e do Distrito Federal e Territórios – ANAMAGES e a Associação de Magistrados da Bahia - AMAB, tendo em vista a matéria publicada no dia 18 do corrente, sob o título RECESSO, no jornal A TARDE, divulgando manifestação do Desembargador Antonio Pessoa Cardoso, do Tribunal de Justiça da Bahia, questionando a postura pública do Ministro César Peluso, Presidente do STF, acerca das férias da magistratura, vêm a público:
a) externar integral apoio ao Ministro César Peluso, que, de forma comedida e revelando profundo conhecimento das peculiaridades da carreira, defende a manutenção do atual sistema de férias, em respeito à história dos direitos e prerrogativas dos magistrados;
b) discordar das afirmativas do Desembargador por não refletirem a realidade dos fatos, porquanto:
I - o juiz trabalha em estado de plantão permanente, seja quando designado, seja quando age fora de seu expediente, sem limite mínimo de jornada de trabalho e sem remuneração extra, em condições estafantes, além de estarem submetidos a desgaste bio-psíquico, em face da peculiaridade de suas atribuições e da responsabilidade do cargo.
II – os Juízes, cônscios das angustias do povo, levam trabalho para casa exatamente para agilizar a prestação jurisdicional e assim o fazem em decorrência da falta de estrutura de pessoal e material.
III – Não existe paralisação de processos em razão de férias, tendo em vista a convocação de juízes substitutos para atuarem nos feitos.
Assim, as associações subscritoras, sempre abertas ao debate, vêm dizer que entendem que férias de 60 dias não se constituem privilégio, mas sim um direito consagrado em diversos Países, em razão da importância da atividade do juiz para a garantia dos direitos dos cidadãos.
Salvador, 20 de maio de 2010.
Agora meto o meu bedelho
João Eichbaum
Você conhece algum juiz que “trabalha em estado de plantão permanente”?
Sempre que, em casos de necessidade, você foi procurar um juiz, você o encontrou?
Você conhece algum juiz “em condições estafantes”, “submetido a desgaste bio-psíquico”?
Você conhece algum juiz “responsável”?
Você conhece algum juiz “cônscio das angustias do povo”?
Você já viu algum juiz levando “trabalho para casa”?
Você já teve algum processo sentenciado por algum juiz substituto nas férias do titular?
Se você responder “sim” a todas as perguntas, admito que exista algum juiz, neste Brasil, com tão excelsas virtudes. Será exceção, porém, tenha certeza.
Em primeiro lugar, nem nas horas de expediente a gente encontra um juiz no foro. Experimente ir ao foro às seis horas da tarde, numa sexta-feira. Se encontrar algum juiz, você ganhou a sena.
O juiz deve sofrer desgaste “bio-pasíquico”, enquanto está presidindo uma audiência, contra sua vontade, que essa seria de estar nos braços do amante ou da amante, ou dando suas aulinhas numa Ulbra, numa Unisinos, numa Unicruz, numa La Sale e outras faculdadezinhas de igual calibre, mas menos votadas, ou ainda assistindo ao treino do seu clube de futebol, do qual é conselheiro.
O juiz, com seus belos salários, está se lixando para o povo. O que ele gosta, mesmo, é de manchete, de prender ricos e famosos ou dar qualquer sentença que vá parar nos jornais e na televisão.
Levar trabalho para casa? Aqui, ó! Quem faz o trabalho dos juízes são os secretários, os assessores, os estagiários, ou até a senhora do cafezinho, que provavelmente também é estudante de direito... Pelo teor das sentenças, pelas barbáries jurídicas, pelo português canhestro, não dá para concluir outra coisa.
E aí, se pode chamar de “responsável” um togado desses?
segunda-feira, 24 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
COM A PALAVRA, JANER CRISTALDO
VELHO SAFADO NEGA PASSADO
Leio na Agência Estado que Fernando Gabeira, o candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, reagiu com indignação às declarações feitas neste domingo passado pela ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy sobre a sua atuação no seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969. "Esse sim sequestrou", disse a petista, afirmando que caberia à Gabeira a incumbência de matar o embaixador.
A vestal do PV reagiu indignada: "Ela está equivocada, está inventando coisas, está mentindo. Não havia escala para isso (para um assassinato). Lamento que ela use esse tipo de coisa na campanha eleitoral. Até porque tem muita gente dentro do PT que sabe bem dessa história", afirmou.
Ao acusar Gabeira, Dona Marta respingou Franklin Martins, um dos seqüestradores do embaixador e hoje ministro da Comunicação Social no governo do PT – et pour cause.
De Madri, o velho terrorista apressou-se a autorizar o outro velho terrorista: "O Gabeira não foi escalado. Não tinha ninguém escalado para matar. A participação do Gabeira era ser basicamente o responsável pela casa."
Ora, se você seqüestra alguém isto significa que não vai libertá-lo se não obtiver satisfação às suas exigências. E se o governo não atendesse as reivindicações dos terroristas? Estes iriam devolver Elbrick intacto à embaixada americana? Se assim fosse, para que seqüestrar então? Seqüestro implica sempre uma ameaça de morte. Armas servem para matar. Que mais não seja, ser responsável pela casa em que se guarda um seqüestrado é ser cúmplice do seqüestro. Gabeira disse que não pretende processar a petista pelas declarações. "Vou ignorá-la. Como ela merece, de uns anos para cá".
Nem teria como processá-la. Por acaso Dona Marta disse alguma inverdade? Há um ar de indignação nos jornais, a afirmação de que a ex-prefeita “apelou”. Apelou como? Quem não sabe que Gabeira teve um passado terrorista? Há até quem fale em pós-dedo-durismo. São lindos os neologismos. Têm a virtude de “enjoliver” uma realidade suja.
Gabeira, se alguém não lembra, é também o deputado que não hesitou em beneficiar-se da farra das passagens aéreas, para visitar sua filha no Exterior. Que deitou verbo contra as bolsas-ditadura de dois vigaristas do Pasquim, Ziraldo e Jaguar, ao mesmo tempo em que reivindicava uma bolsa-ditadura junto à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pelos dias em que passou puxando fumo em Estocolmo.
Gabeira é a vestal que, como se nada tivesse a ver com as falcatruas do Senado, escreveu em sua coluna na Folha de São Paulo, em julho do ano passado: “Não se trata só de um constrangimento ao ver o Senado definido como casa de horrores. Mas o de conviver um grupo de homens idosos, movendo-se com uma desenvoltura criminosa, unindo nos lábios do povo as palavras velho e safado, como se fossem gêmeas que nascem ligadas. Tempo de tormentas”.
De sua militância comunista, Gabeira não escapou ao velho vício stalinista, o de devolver qualquer acusação a quem o acusa. Minha mãe, não. É a tua. Velho e safado, quer hoje negar seu passado como terrorista.
Leio na Agência Estado que Fernando Gabeira, o candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, reagiu com indignação às declarações feitas neste domingo passado pela ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy sobre a sua atuação no seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969. "Esse sim sequestrou", disse a petista, afirmando que caberia à Gabeira a incumbência de matar o embaixador.
A vestal do PV reagiu indignada: "Ela está equivocada, está inventando coisas, está mentindo. Não havia escala para isso (para um assassinato). Lamento que ela use esse tipo de coisa na campanha eleitoral. Até porque tem muita gente dentro do PT que sabe bem dessa história", afirmou.
Ao acusar Gabeira, Dona Marta respingou Franklin Martins, um dos seqüestradores do embaixador e hoje ministro da Comunicação Social no governo do PT – et pour cause.
De Madri, o velho terrorista apressou-se a autorizar o outro velho terrorista: "O Gabeira não foi escalado. Não tinha ninguém escalado para matar. A participação do Gabeira era ser basicamente o responsável pela casa."
Ora, se você seqüestra alguém isto significa que não vai libertá-lo se não obtiver satisfação às suas exigências. E se o governo não atendesse as reivindicações dos terroristas? Estes iriam devolver Elbrick intacto à embaixada americana? Se assim fosse, para que seqüestrar então? Seqüestro implica sempre uma ameaça de morte. Armas servem para matar. Que mais não seja, ser responsável pela casa em que se guarda um seqüestrado é ser cúmplice do seqüestro. Gabeira disse que não pretende processar a petista pelas declarações. "Vou ignorá-la. Como ela merece, de uns anos para cá".
Nem teria como processá-la. Por acaso Dona Marta disse alguma inverdade? Há um ar de indignação nos jornais, a afirmação de que a ex-prefeita “apelou”. Apelou como? Quem não sabe que Gabeira teve um passado terrorista? Há até quem fale em pós-dedo-durismo. São lindos os neologismos. Têm a virtude de “enjoliver” uma realidade suja.
Gabeira, se alguém não lembra, é também o deputado que não hesitou em beneficiar-se da farra das passagens aéreas, para visitar sua filha no Exterior. Que deitou verbo contra as bolsas-ditadura de dois vigaristas do Pasquim, Ziraldo e Jaguar, ao mesmo tempo em que reivindicava uma bolsa-ditadura junto à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pelos dias em que passou puxando fumo em Estocolmo.
Gabeira é a vestal que, como se nada tivesse a ver com as falcatruas do Senado, escreveu em sua coluna na Folha de São Paulo, em julho do ano passado: “Não se trata só de um constrangimento ao ver o Senado definido como casa de horrores. Mas o de conviver um grupo de homens idosos, movendo-se com uma desenvoltura criminosa, unindo nos lábios do povo as palavras velho e safado, como se fossem gêmeas que nascem ligadas. Tempo de tormentas”.
De sua militância comunista, Gabeira não escapou ao velho vício stalinista, o de devolver qualquer acusação a quem o acusa. Minha mãe, não. É a tua. Velho e safado, quer hoje negar seu passado como terrorista.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS
TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI: VOCÊ ACREDITA?
João Eichbaum
Os boas vidas, os sacanas, os mentirosos, os sem caráter, estão lá, cheios de glória e poder, com a conta bancária engordando.
Eles não são como os comuns dos mortais, que dirigem seus automóveis adquiridos em longas prestações, ou esperam de pé, por longo tempo, nas paradas de ônibus, ou ziguezagueiam com suas motos, espreitados pela morte, atrás de alguma coisa que lhes garanta a sobrevivência.
Não. Os boas vidas andam em carrões adquiridos com o nosso dinheiro, com motoristas pagos com o nosso dinheiro e com o combustível também pago por nós. Falo dos políticos, dos ministros dos tribunais, dos “diretores de departamentos” e de muitos outros canalhas de menor calibre que, estando acima da lei, vivem melhor do que ninguém em Brasília.
A gente sente no ar a imponência deles, a arrogância, a embriaguez pelo poder.
Enquanto o povinho se rala em serviços pesados ou em serviços de subserviência - operários, empregadas domésticas, garçons, motoristas de táxi, etc. - trabalhando num dia para comer no outro, vivendo sua rotina suburbana, esses senhores espertos, os políticos, os ministros dos tribunais de Brasília e os “diretores”, dotados de poder, vivem nababescamente, à distância do povo, longe dos problemas que o dia-a-dia coloca na frente de quem precisa trabalhar para viver.
Uns enganam o povo, mentindo sem só, para se tornar políticos. Outros se fazem ministros, ou chefes, à custa de apadrinhamentos (leia-se puxação de sacos).
Nenhum deles é melhor, nas suas funções, do que o motorista de táxi, a doméstica, a faxineira, o garçon, a garçonete, o pedreiro, o motorista de caminhão, o fodido pela República, enfim. A diferença é que uns fazem parte do poder, perto do qual chegaram, usando engodos ou servindo de capachos, enquanto outros só trabalham para sustentar aqueles sacanas.
Tente entrar no Palácio da Alvorada, no Senado, na Câmara ou nos Tribunais de Brasília. Tente entrar, com todo o direito que você tem, de cidadão livre, vivendo num país democrático, usando sua liberdade de ir e vir, que a mentirosa Constituição assegura. Você será barrado, meu caro, você será revistado, passará por um detector de metais, terá que se identificar, se cadastrar, esperar pela boa vontade do funcionário que o barrou e ainda posar para uma fotografia, contra sua vontade. E sentirá que o poder está tirando um sarro de você.
Porque eles, os senhores do poder, têm segurança garantida e “otimizam sua participação na zorra toda”. Mas, você, que paga o luxo, a moradia, os festivais de gastronomia e até as putas que eles comem, você não tem garantia nenhuma. Você é apenas um número e não merece a atenção do poder. Você tem que se foder mesmo porque, se acabarem com você num assalto, por exemplo, você não fará falta, pois há muitos bobalhões trabalhando para substituir você e pagar as mordomias deles. Você cai fora, mas surge outro, entendeu?
É por isso que os políticos defendem a “democracia”...É na democracia que eles vivem bem.
Agora, me diga uma coisa: para você, viver numa democracia ou numa ditadura, faz alguma diferença?
Vá uma vez a Brasília. E depois me diga se não tenho razão.
João Eichbaum
Os boas vidas, os sacanas, os mentirosos, os sem caráter, estão lá, cheios de glória e poder, com a conta bancária engordando.
Eles não são como os comuns dos mortais, que dirigem seus automóveis adquiridos em longas prestações, ou esperam de pé, por longo tempo, nas paradas de ônibus, ou ziguezagueiam com suas motos, espreitados pela morte, atrás de alguma coisa que lhes garanta a sobrevivência.
Não. Os boas vidas andam em carrões adquiridos com o nosso dinheiro, com motoristas pagos com o nosso dinheiro e com o combustível também pago por nós. Falo dos políticos, dos ministros dos tribunais, dos “diretores de departamentos” e de muitos outros canalhas de menor calibre que, estando acima da lei, vivem melhor do que ninguém em Brasília.
A gente sente no ar a imponência deles, a arrogância, a embriaguez pelo poder.
Enquanto o povinho se rala em serviços pesados ou em serviços de subserviência - operários, empregadas domésticas, garçons, motoristas de táxi, etc. - trabalhando num dia para comer no outro, vivendo sua rotina suburbana, esses senhores espertos, os políticos, os ministros dos tribunais de Brasília e os “diretores”, dotados de poder, vivem nababescamente, à distância do povo, longe dos problemas que o dia-a-dia coloca na frente de quem precisa trabalhar para viver.
Uns enganam o povo, mentindo sem só, para se tornar políticos. Outros se fazem ministros, ou chefes, à custa de apadrinhamentos (leia-se puxação de sacos).
Nenhum deles é melhor, nas suas funções, do que o motorista de táxi, a doméstica, a faxineira, o garçon, a garçonete, o pedreiro, o motorista de caminhão, o fodido pela República, enfim. A diferença é que uns fazem parte do poder, perto do qual chegaram, usando engodos ou servindo de capachos, enquanto outros só trabalham para sustentar aqueles sacanas.
Tente entrar no Palácio da Alvorada, no Senado, na Câmara ou nos Tribunais de Brasília. Tente entrar, com todo o direito que você tem, de cidadão livre, vivendo num país democrático, usando sua liberdade de ir e vir, que a mentirosa Constituição assegura. Você será barrado, meu caro, você será revistado, passará por um detector de metais, terá que se identificar, se cadastrar, esperar pela boa vontade do funcionário que o barrou e ainda posar para uma fotografia, contra sua vontade. E sentirá que o poder está tirando um sarro de você.
Porque eles, os senhores do poder, têm segurança garantida e “otimizam sua participação na zorra toda”. Mas, você, que paga o luxo, a moradia, os festivais de gastronomia e até as putas que eles comem, você não tem garantia nenhuma. Você é apenas um número e não merece a atenção do poder. Você tem que se foder mesmo porque, se acabarem com você num assalto, por exemplo, você não fará falta, pois há muitos bobalhões trabalhando para substituir você e pagar as mordomias deles. Você cai fora, mas surge outro, entendeu?
É por isso que os políticos defendem a “democracia”...É na democracia que eles vivem bem.
Agora, me diga uma coisa: para você, viver numa democracia ou numa ditadura, faz alguma diferença?
Vá uma vez a Brasília. E depois me diga se não tenho razão.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
ESPETO CORRIDO
HUGO CASSEL
Bandidos
Ser um bandido não é somente matar ou roubar, ou ainda cometer algum ilícito penal. Em muitas outras circunstâncias alguém pode ser chamado de bandido. Político bandido, por exemplo. Suas ações e atos podem causar também prejuízos morais, materiais e físicos. No Brasil temos muitos exemplos desse tipo. Nenhum porém supera José Ribamar Ferreira de Araujo Costa, vulgo José Sarney. Esse sobrenome foi adotado pelo avô do Zé, que desejou homenagear um inglês amigo que era conhecido como "Sir Ney". O pai do nosso Zé Sarney chegou a desembargador no Maranhão e foi o primeiro professor de chicanas, manobras políticas, traições e corrupção ativa e passiva que fizeram do atual presidente do Senado, o expoente máximo da bandidagem político-legislativa no Brasil. Nos últimos 20 dias, para não perder a validade usei algumas milhas do Smile, para viajar "lá para cima". Encontrei Brasília suja, esburacada, trânsito engarrafado e muito lixo pelas calçadas em pleno plano piloto, na zona dos hotéis de luxo. A Esplanada dos Ministérios é ocupada por todo tipo de gente em barracas e acampamentos, sem higiene. Em Salvador fui assaltado e roubado em dia claro, na Praça 7 de Setembro, por trombadinhas que arrancaram uma corrente e medalha do pescoço. Um policial informou que os turistas não vão mais ao Pelourinho e Bonfim, onde pululam assaltantes, que segundo ele são mais de 100.000. Encontrei uma cidade que perdeu a alegria, pois as pessoas, mesmo atendendo bem, mostram grande preocupação. Sujeira por toda parte. Buracos idem. O governo, adivinhem, é PT. Quase tudo muito caro, menos o coco a 1 real, gelado.
Ilhéus
Sir Winston Churchill disse, depois da guerra, sobre a RAF: "Nunca tantos deveram tanto a tão poucos". Eu digo: Nunca tantos deveram tanto a alguém como Ilhéus deve a Jorge Amado. Embora a cidade seja o berço da cultura do cacau, só passou a ser notada depois dos livros do maior escritor brasileiro de toda a história. Tudo gira em torno dos personagens e locais do livro e novela Gabriela Cravo e Canela. O Restaurante Vesúvio, o Cabaré Bataclan, Gabriela e seu Nacib, a casa onde o escritor viveu algum tempo, transformada em museu. São Jorge de Ilhéus, que já foi um dos maiores produtores de cacau do mundo, vive hoje crise sem precedentes. Um fungo indestrutível vem dizimando as lavouras em até 70%. Dezenas de fábricas de chocolate já fecharam, restando poucas, entre elas a pioneira "Chocolates Caseiros Ilhéus", do engenheiro Hans Tosta Schaeppi, colega jornalista da Abrajet, que dirige também o Ilhéus Praia Hotel, no quarteirão mais central da cidade, e possui lojas em vários aeroportos do Brasil. Ilhéus é tipicamente, pelo menos nesta época, cidade de interior. Caindo a noite, no centro, fica praticamente deserta, sobrando pouco para o turista freqüentar, a não ser dois ou três bares no calçadão, como o point mais procurado, que é o também tradicional "Barraquitico", nome herdado da primeira barraca na praia, que era bem "raquítica", segundo informou o amigo Daniel, proprietário do local, onde se pode assistir jogos dos campeonatos e comer divinos bolinhos de bacalhau e quibes. Por tudo isso e pelo carinho com que recebem, vale a pena visitar Ilhéus, desfrutar dessa hospitalidade e, é claro, degustar o seu famoso chocolate caseiro, detentor de inúmeros prêmios internacionais .
Al Capone
Escrevi uma vez aqui sobre José Dirceu e o chamei de "Al Capone" brasileiro. Quero me penitenciar, esse outro Zé Sarney deixa o Dirceu reduzido a um réles "trombadinha" em matéria de safadeza. Seu incrível trajeto e da "famiglia" Sarney está no livro que comprei, intitulado "Honoráveis Bandidos", proibido no Maranhão. Vale a pena.
Vanerão rasqueado
Os meninos bailarinos do Santos não gostaram da dança gaúcha na Bailanta do Olímpico. Prometem vingança. Quarta pode ter "reboletion" ou chula.
Bandidos
Ser um bandido não é somente matar ou roubar, ou ainda cometer algum ilícito penal. Em muitas outras circunstâncias alguém pode ser chamado de bandido. Político bandido, por exemplo. Suas ações e atos podem causar também prejuízos morais, materiais e físicos. No Brasil temos muitos exemplos desse tipo. Nenhum porém supera José Ribamar Ferreira de Araujo Costa, vulgo José Sarney. Esse sobrenome foi adotado pelo avô do Zé, que desejou homenagear um inglês amigo que era conhecido como "Sir Ney". O pai do nosso Zé Sarney chegou a desembargador no Maranhão e foi o primeiro professor de chicanas, manobras políticas, traições e corrupção ativa e passiva que fizeram do atual presidente do Senado, o expoente máximo da bandidagem político-legislativa no Brasil. Nos últimos 20 dias, para não perder a validade usei algumas milhas do Smile, para viajar "lá para cima". Encontrei Brasília suja, esburacada, trânsito engarrafado e muito lixo pelas calçadas em pleno plano piloto, na zona dos hotéis de luxo. A Esplanada dos Ministérios é ocupada por todo tipo de gente em barracas e acampamentos, sem higiene. Em Salvador fui assaltado e roubado em dia claro, na Praça 7 de Setembro, por trombadinhas que arrancaram uma corrente e medalha do pescoço. Um policial informou que os turistas não vão mais ao Pelourinho e Bonfim, onde pululam assaltantes, que segundo ele são mais de 100.000. Encontrei uma cidade que perdeu a alegria, pois as pessoas, mesmo atendendo bem, mostram grande preocupação. Sujeira por toda parte. Buracos idem. O governo, adivinhem, é PT. Quase tudo muito caro, menos o coco a 1 real, gelado.
Ilhéus
Sir Winston Churchill disse, depois da guerra, sobre a RAF: "Nunca tantos deveram tanto a tão poucos". Eu digo: Nunca tantos deveram tanto a alguém como Ilhéus deve a Jorge Amado. Embora a cidade seja o berço da cultura do cacau, só passou a ser notada depois dos livros do maior escritor brasileiro de toda a história. Tudo gira em torno dos personagens e locais do livro e novela Gabriela Cravo e Canela. O Restaurante Vesúvio, o Cabaré Bataclan, Gabriela e seu Nacib, a casa onde o escritor viveu algum tempo, transformada em museu. São Jorge de Ilhéus, que já foi um dos maiores produtores de cacau do mundo, vive hoje crise sem precedentes. Um fungo indestrutível vem dizimando as lavouras em até 70%. Dezenas de fábricas de chocolate já fecharam, restando poucas, entre elas a pioneira "Chocolates Caseiros Ilhéus", do engenheiro Hans Tosta Schaeppi, colega jornalista da Abrajet, que dirige também o Ilhéus Praia Hotel, no quarteirão mais central da cidade, e possui lojas em vários aeroportos do Brasil. Ilhéus é tipicamente, pelo menos nesta época, cidade de interior. Caindo a noite, no centro, fica praticamente deserta, sobrando pouco para o turista freqüentar, a não ser dois ou três bares no calçadão, como o point mais procurado, que é o também tradicional "Barraquitico", nome herdado da primeira barraca na praia, que era bem "raquítica", segundo informou o amigo Daniel, proprietário do local, onde se pode assistir jogos dos campeonatos e comer divinos bolinhos de bacalhau e quibes. Por tudo isso e pelo carinho com que recebem, vale a pena visitar Ilhéus, desfrutar dessa hospitalidade e, é claro, degustar o seu famoso chocolate caseiro, detentor de inúmeros prêmios internacionais .
Al Capone
Escrevi uma vez aqui sobre José Dirceu e o chamei de "Al Capone" brasileiro. Quero me penitenciar, esse outro Zé Sarney deixa o Dirceu reduzido a um réles "trombadinha" em matéria de safadeza. Seu incrível trajeto e da "famiglia" Sarney está no livro que comprei, intitulado "Honoráveis Bandidos", proibido no Maranhão. Vale a pena.
Vanerão rasqueado
Os meninos bailarinos do Santos não gostaram da dança gaúcha na Bailanta do Olímpico. Prometem vingança. Quarta pode ter "reboletion" ou chula.
terça-feira, 18 de maio de 2010
COM A PALAVRA, JANER CRISTALDO
OEA IGNORA CALOTE DOS PRECATÓRIOS E DEFENDE CELERADOS QUE UM DIA
QUISERAM DESTRUIR O BRASIL
Anistia, dizem os dicionários, é o ato pelo qual o poder público declara impuníveis, por motivo de utilidade social, todos quantos, até certa data, cometeram determinados crimes, em geral políticos, seja fazendo cessar as diligências persecutórias, seja tornando nulas e de nenhum efeito as condenações.
A anistia anula a punição e o fato que a causa. Só tem sentido quando torna nulas as condenações das duas ou mais partes em beligerância. Foi o que ocorreu com anistia concedida pelo governo João Baptista Figueiredo em 1979, para conciliar a sociedade brasileira. Foi também o que aconteceu na Espanha, em 1977, quando o Parlamento espanhol, dois anos após a morte de Franco, decretou anistia a todos os envolvidos na Guerra Civil Espanhola, que ocorreu entre 1936 e 1939.
Ocorre que, para as esquerdas, a anistia tem de ser unilateral. Só os assassinos de esquerda devem ser anistiados. Os de direita, jamais. As esquerdas consideram impunidade a anistia concedida ao adversário. Ocorre que anistia não é julgamento, muito menos absolvição. É um acordo mútuo entre facções que se combateram. Eu ignoro teus crimes, tu ignoras os meus, e a vida recomeça. Este é o sentido da anistia. Que até hoje as esquerdas não entenderam. Ou não querem entender.
No Brasil, os antigos terroristas, hoje encarapitados em ministérios e contemplados com gordas indenizações, querem revogar a lei de anistia de 1979. Ou melhor, reformulá-la. Anistia para nossos crimes, tudo bem. Anistia para os crimes dos militares, nada feito.
A questão foi parar no Supremo Tribunal Federal, onde o desejo de vendeta das esquerdas foi derrotado por 7 votos a 2. Mas para bom militante, sentença do STF e papel higiênico dá no mesmo. A luta continua na OEA (Organização dos Estados Americanos). Para quem a decisão de suprema instância de um país soberano – ou supostamente soberano – continua sendo equiparada a papel higiênico.
A OEA, ignorando solenemente a decisão do STF, quer uma nova definição sobre a Lei de Anistia para o início do próximo semestre, antes das eleições presidenciais. Nos próximos dias, o governo brasileiro sentará no banco dos réus da Corte Interamericana de Direitos Humanos para a última audiência em relação à Lei de Anistia.Mês que vem, uma missão da Comissão de Direitos Humanos da OEA visitará o Brasil para tratar do assunto e a entidade promete intensificar a pressão sobre o País diante da recusa do STF em permitir o julgamento de casos de tortura durante o regime militar.
Para a OEA, poder judiciário brasileiro não tem poder algum.Na Espanha, foi um pouco diferente. O juiz Baltasar Garzón, para quem o planeta é sua comarca privada, decidiu revisar a lei de 1977, que anistiava os envolvidos na Guerra Civil. Foi suspenso de suas funções por seus pares. Garzón foi acusado de prevaricar porque negou a lei de Anistia, ao decidir investigar os crimes do regime franquista. Bem entendido, Garzón queria incriminar os últimos sobreviventes que lutaram ao lado de Franco. Os que mataram em nome de Stalin e do comunismo ficam fora de seus ímpetos justiceiros. Em momento algum estiveram na mira de Garzón os assassinos de Paracuellos del Jarama.Mas os anistiados anistiados estão e não se fala mais no assunto, decidiu a Audiência Nacional.
Desculpem-me os humanistas de plantão, mas sou defensor incondicional de Franco. Franco matou? Matou. Não há guerra sem mortes. Mas matou para defender a Espanha, vítima de uma brutal invasão soviética. Em 1937, a União Soviética já havia colocado na Espanha pilotos de guerra, técnicos militares, marinheiros, intérpretes e policiais. A primeira presença estrangeira em terras de Espanha foi a soviética, com o envio de material bélico e pessoal militar altamente qualificado, em troca de três quartas partes (7800 caixas, de 65 quilos cada uma) das reservas de ouro disponíveis pelo Banco de España. Pagos adiantadamente.Neste mesmo ano, a URSS já tinha na Espanha mais de cem aviões de combate. Os mais utilizados foram os I-15 (biplanos), conhecidos com Chatos, e os I-16 (monoplanos), conhecidos como Moscas. No ano seguinte continuaram chegando à zona republicana mais aviões soviéticos, entre estes vários bombardeiros, cada vez mais aperfeiçoados, alguns ultrapassando a velocidade de 300 milhas, como os Katiuska.
Franco salvou a Espanha das ambições continentais de Stalin. Salvando a Espanha, salvou a Europa. Dominasse Stalin a Espanha, Portugal cairia no dia seguinte. Dominada a península, teria controle do mar do Norte, Atlântico e Mediterrâneo. França e Itália ficariam estranguladas. E todo o sul da Europa estaria dominado por Moscou. Este é o homem que Baltasar Garzón quis julgar postumamente.
Curiosamente, a OEA não deu um pio sobre a decisão da Audiência Nacional de suspender o juiz de suas funções. Aqui no quintal, a OEA sente-se mais à vontade. Verdade que não disse água quando os credores de precatórios – calote de 60 bilhões de reais aplicado pelo Estado brasileiro aos brasileiros – pediram junto à entidade que declarasse violação aos direitos humanos no Brasil a falta de pagamento de precatórios alimentares. Só no Estado de São Paulo, 500 mil pessoas têm recursos a receber do Erário. Outros 35 mil são credores da capital paulista. Nos dois casos, 70% têm mais de 65 anos. Só no Estado faleceram, antes de terem recebido seus precatórios de natureza alimentícia, vinte e cinco mil aposentados e pensionistas.
Pessoas estão morrendo sem receber o que lhes é devido, e os herdeiros pouca esperança têm de receber o que o Estado lhes deve. Isto a OEA ignora. Mas defende as pretensões dos celerados que um dia, à semelhança dos comunistas espanhóis, pretenderam reduzir o Brasil a uma republiqueta socialista tropical.
Os espanhóis não caíram nesta trampa.
QUISERAM DESTRUIR O BRASIL
Anistia, dizem os dicionários, é o ato pelo qual o poder público declara impuníveis, por motivo de utilidade social, todos quantos, até certa data, cometeram determinados crimes, em geral políticos, seja fazendo cessar as diligências persecutórias, seja tornando nulas e de nenhum efeito as condenações.
A anistia anula a punição e o fato que a causa. Só tem sentido quando torna nulas as condenações das duas ou mais partes em beligerância. Foi o que ocorreu com anistia concedida pelo governo João Baptista Figueiredo em 1979, para conciliar a sociedade brasileira. Foi também o que aconteceu na Espanha, em 1977, quando o Parlamento espanhol, dois anos após a morte de Franco, decretou anistia a todos os envolvidos na Guerra Civil Espanhola, que ocorreu entre 1936 e 1939.
Ocorre que, para as esquerdas, a anistia tem de ser unilateral. Só os assassinos de esquerda devem ser anistiados. Os de direita, jamais. As esquerdas consideram impunidade a anistia concedida ao adversário. Ocorre que anistia não é julgamento, muito menos absolvição. É um acordo mútuo entre facções que se combateram. Eu ignoro teus crimes, tu ignoras os meus, e a vida recomeça. Este é o sentido da anistia. Que até hoje as esquerdas não entenderam. Ou não querem entender.
No Brasil, os antigos terroristas, hoje encarapitados em ministérios e contemplados com gordas indenizações, querem revogar a lei de anistia de 1979. Ou melhor, reformulá-la. Anistia para nossos crimes, tudo bem. Anistia para os crimes dos militares, nada feito.
A questão foi parar no Supremo Tribunal Federal, onde o desejo de vendeta das esquerdas foi derrotado por 7 votos a 2. Mas para bom militante, sentença do STF e papel higiênico dá no mesmo. A luta continua na OEA (Organização dos Estados Americanos). Para quem a decisão de suprema instância de um país soberano – ou supostamente soberano – continua sendo equiparada a papel higiênico.
A OEA, ignorando solenemente a decisão do STF, quer uma nova definição sobre a Lei de Anistia para o início do próximo semestre, antes das eleições presidenciais. Nos próximos dias, o governo brasileiro sentará no banco dos réus da Corte Interamericana de Direitos Humanos para a última audiência em relação à Lei de Anistia.Mês que vem, uma missão da Comissão de Direitos Humanos da OEA visitará o Brasil para tratar do assunto e a entidade promete intensificar a pressão sobre o País diante da recusa do STF em permitir o julgamento de casos de tortura durante o regime militar.
Para a OEA, poder judiciário brasileiro não tem poder algum.Na Espanha, foi um pouco diferente. O juiz Baltasar Garzón, para quem o planeta é sua comarca privada, decidiu revisar a lei de 1977, que anistiava os envolvidos na Guerra Civil. Foi suspenso de suas funções por seus pares. Garzón foi acusado de prevaricar porque negou a lei de Anistia, ao decidir investigar os crimes do regime franquista. Bem entendido, Garzón queria incriminar os últimos sobreviventes que lutaram ao lado de Franco. Os que mataram em nome de Stalin e do comunismo ficam fora de seus ímpetos justiceiros. Em momento algum estiveram na mira de Garzón os assassinos de Paracuellos del Jarama.Mas os anistiados anistiados estão e não se fala mais no assunto, decidiu a Audiência Nacional.
Desculpem-me os humanistas de plantão, mas sou defensor incondicional de Franco. Franco matou? Matou. Não há guerra sem mortes. Mas matou para defender a Espanha, vítima de uma brutal invasão soviética. Em 1937, a União Soviética já havia colocado na Espanha pilotos de guerra, técnicos militares, marinheiros, intérpretes e policiais. A primeira presença estrangeira em terras de Espanha foi a soviética, com o envio de material bélico e pessoal militar altamente qualificado, em troca de três quartas partes (7800 caixas, de 65 quilos cada uma) das reservas de ouro disponíveis pelo Banco de España. Pagos adiantadamente.Neste mesmo ano, a URSS já tinha na Espanha mais de cem aviões de combate. Os mais utilizados foram os I-15 (biplanos), conhecidos com Chatos, e os I-16 (monoplanos), conhecidos como Moscas. No ano seguinte continuaram chegando à zona republicana mais aviões soviéticos, entre estes vários bombardeiros, cada vez mais aperfeiçoados, alguns ultrapassando a velocidade de 300 milhas, como os Katiuska.
Franco salvou a Espanha das ambições continentais de Stalin. Salvando a Espanha, salvou a Europa. Dominasse Stalin a Espanha, Portugal cairia no dia seguinte. Dominada a península, teria controle do mar do Norte, Atlântico e Mediterrâneo. França e Itália ficariam estranguladas. E todo o sul da Europa estaria dominado por Moscou. Este é o homem que Baltasar Garzón quis julgar postumamente.
Curiosamente, a OEA não deu um pio sobre a decisão da Audiência Nacional de suspender o juiz de suas funções. Aqui no quintal, a OEA sente-se mais à vontade. Verdade que não disse água quando os credores de precatórios – calote de 60 bilhões de reais aplicado pelo Estado brasileiro aos brasileiros – pediram junto à entidade que declarasse violação aos direitos humanos no Brasil a falta de pagamento de precatórios alimentares. Só no Estado de São Paulo, 500 mil pessoas têm recursos a receber do Erário. Outros 35 mil são credores da capital paulista. Nos dois casos, 70% têm mais de 65 anos. Só no Estado faleceram, antes de terem recebido seus precatórios de natureza alimentícia, vinte e cinco mil aposentados e pensionistas.
Pessoas estão morrendo sem receber o que lhes é devido, e os herdeiros pouca esperança têm de receber o que o Estado lhes deve. Isto a OEA ignora. Mas defende as pretensões dos celerados que um dia, à semelhança dos comunistas espanhóis, pretenderam reduzir o Brasil a uma republiqueta socialista tropical.
Os espanhóis não caíram nesta trampa.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS
A BELA DE BRASILIA
João Eichbaum
Ela passou rente a mim, cheirosa, com seus passos de leoa bela, olhando para a frente, fazendo caminho entre o povo que, entregue ao vazio da espera, fazia fila com cara de abestalhado, num porão sem janelas, sem ar corrente e sem a luz do sol, que servia como “sala de embarque” no aeroporto de Brasília.
Era uma mulher simplesmente bela. Uso o advérbio de propósito: simplesmente. Porque não necessitava de adereços, de maquiagem, de brincos e correntes, de unhas ardentemente vermelhas, de “pearsons, Era simplesmente bela, repito. A beleza estava nela mesma, naquele olhar duro, alheio aos idiotas que se postavam na fila, sabe-se lá quanto tempo antes do embarque. Era uma mulher tão bela, que existiu um só instante, mas permaneceu para sempre.
Primeiro me pareceu loira. Depois, examinando-a com uma observação lúbrica, vi que não era uma loira original, mas uma castanha clara, com fios dourados, que certamente haviam sido preparados num salão de beleza. A pele, essa sim, não era produto de maquiagem, mas uma pele verdadeira, clara e macia, parecendo polpa de maçã. Os olhos, acentuadamente negros, ofereciam o contraste perfeito para os fios dourados dos cabelos.
Pelos meus cálculos, já havia passado bem dos trinta. Não era nenhuma moçoila, nem gatinha descompromissada, mas tinha um corpo que imantava a qualquer homem: fofa, sem ser gorda; elegante, sem ser magra; coxas carnudas, bunda fornida, bem desenhada pela calça de brim, que não deixava um pedacinho de carne sequer, sem desenho. A blusa clara, solta, lhe escondia discretamente os seios, mas não impedia de lhes revelar a forma: eram grandes e duros.
Passou por mim, - dizia eu - de cenhos franzidos. E voltou, de cenhos franzidos, sem esconder sua beleza, e se postou próxima ao fim da fila, felizmente numa posição em que pude admirar seu rosto, sempre franzido, sem deixar de ser belo.
Ali, naquela posição ficou, por um tempo longo, mas para mim insuficiente, porque sua beleza superava a qualquer dimensão de tempo.
Viajamos no mesmo voo. Duas fileiras adiante lá estava ela e, em São Paulo, foi a primeira a se postar no corredor, para desembarcar, sem bagagem de mão alguma, apenas uma bolsinha de tamanho insignificante.
Eu nunca havia visto uma mulher tão linda e, ao mesmo tempo, tão carrancuda. Mas parecia que sua carranca era produzida especialmente para espantar as cantadas, as aproximações inconvenientes, os bobalhões e belos de plantão.
Que faria uma mulher daquelas entre Brasília e São Paulo?
Um executiva? Não. Uma executiva veste terninho, e usa o celular a todo o momento. Uma mãe aflita? Não. Ela não tinha jeito de mãe aflita, nervosa, com respiração curta, ansiosa, dessas que ficam a apertar um crucifixo contra os magníficos ubres. Uma filha, chamada ao leito de morte da mãe? Também não: não demonstrava desespero, nem impaciência, nem rezava por alma nenhuma.
Então, só restava uma hipótese: era a amante de um deputado, ou senador, ou ministro dos tribunais de Brasília, que ia a São Paulo, para quebrar qualquer galho pro seu amante e chefe. Por isso estava de cenho franzido: para não receber cantadas, para preservar o seu emprego na cama do deputado, do senador, ou do ministro.
Coisas comuns em Brasília, a corte.
Essa conclusão foi o meu consolo, ao vê-la descer apressada, rebolando discretamente aquela bunda carnuda e deixando um enorme vazio no avião cheio de gente.
É por isso, gente! É por isso que tanto marmanjo quer ser deputado, senador, ministro de tribunal, assessor de porra nenhuma ou até presidente da república, se não tiver coisa melhor: pra comer belas mulheres em Brasília, à nossa custa.
João Eichbaum
Ela passou rente a mim, cheirosa, com seus passos de leoa bela, olhando para a frente, fazendo caminho entre o povo que, entregue ao vazio da espera, fazia fila com cara de abestalhado, num porão sem janelas, sem ar corrente e sem a luz do sol, que servia como “sala de embarque” no aeroporto de Brasília.
Era uma mulher simplesmente bela. Uso o advérbio de propósito: simplesmente. Porque não necessitava de adereços, de maquiagem, de brincos e correntes, de unhas ardentemente vermelhas, de “pearsons, Era simplesmente bela, repito. A beleza estava nela mesma, naquele olhar duro, alheio aos idiotas que se postavam na fila, sabe-se lá quanto tempo antes do embarque. Era uma mulher tão bela, que existiu um só instante, mas permaneceu para sempre.
Primeiro me pareceu loira. Depois, examinando-a com uma observação lúbrica, vi que não era uma loira original, mas uma castanha clara, com fios dourados, que certamente haviam sido preparados num salão de beleza. A pele, essa sim, não era produto de maquiagem, mas uma pele verdadeira, clara e macia, parecendo polpa de maçã. Os olhos, acentuadamente negros, ofereciam o contraste perfeito para os fios dourados dos cabelos.
Pelos meus cálculos, já havia passado bem dos trinta. Não era nenhuma moçoila, nem gatinha descompromissada, mas tinha um corpo que imantava a qualquer homem: fofa, sem ser gorda; elegante, sem ser magra; coxas carnudas, bunda fornida, bem desenhada pela calça de brim, que não deixava um pedacinho de carne sequer, sem desenho. A blusa clara, solta, lhe escondia discretamente os seios, mas não impedia de lhes revelar a forma: eram grandes e duros.
Passou por mim, - dizia eu - de cenhos franzidos. E voltou, de cenhos franzidos, sem esconder sua beleza, e se postou próxima ao fim da fila, felizmente numa posição em que pude admirar seu rosto, sempre franzido, sem deixar de ser belo.
Ali, naquela posição ficou, por um tempo longo, mas para mim insuficiente, porque sua beleza superava a qualquer dimensão de tempo.
Viajamos no mesmo voo. Duas fileiras adiante lá estava ela e, em São Paulo, foi a primeira a se postar no corredor, para desembarcar, sem bagagem de mão alguma, apenas uma bolsinha de tamanho insignificante.
Eu nunca havia visto uma mulher tão linda e, ao mesmo tempo, tão carrancuda. Mas parecia que sua carranca era produzida especialmente para espantar as cantadas, as aproximações inconvenientes, os bobalhões e belos de plantão.
Que faria uma mulher daquelas entre Brasília e São Paulo?
Um executiva? Não. Uma executiva veste terninho, e usa o celular a todo o momento. Uma mãe aflita? Não. Ela não tinha jeito de mãe aflita, nervosa, com respiração curta, ansiosa, dessas que ficam a apertar um crucifixo contra os magníficos ubres. Uma filha, chamada ao leito de morte da mãe? Também não: não demonstrava desespero, nem impaciência, nem rezava por alma nenhuma.
Então, só restava uma hipótese: era a amante de um deputado, ou senador, ou ministro dos tribunais de Brasília, que ia a São Paulo, para quebrar qualquer galho pro seu amante e chefe. Por isso estava de cenho franzido: para não receber cantadas, para preservar o seu emprego na cama do deputado, do senador, ou do ministro.
Coisas comuns em Brasília, a corte.
Essa conclusão foi o meu consolo, ao vê-la descer apressada, rebolando discretamente aquela bunda carnuda e deixando um enorme vazio no avião cheio de gente.
É por isso, gente! É por isso que tanto marmanjo quer ser deputado, senador, ministro de tribunal, assessor de porra nenhuma ou até presidente da república, se não tiver coisa melhor: pra comer belas mulheres em Brasília, à nossa custa.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
COM A PALAVRA, JANER CRISTALDO
QUEM NÃO MENTE NÃO TRAI
Ciência, cientista e científico são palavrinhas que conferem autoridade a qualquer pesquisa. Só que estas palavrinhas são como o nome de Deus. Se desgastaram de tanto serem usadas em vão. Hoje, quando lemos que cientistas dizem, cientistas descobrem, cientistas afirmam, já ficamos com um pé atrás. Fascinados com pesquisas e metodologias, os tais de cientistas deixam de lado o óbvio e buscam resposta no inverossímil. Para que facilitar quando se pode complicar? Facilitando não se chega muito longe. Complicando, pode dar até Nobel.Muito já li sobre pesquisas que buscam o gene do homossexualismo. Ora, pode ser que, por disposição orgânica, algumas pessoas tenham uma tendência inata ao homossexualismo. Mas onde ficam aqueles que, tendo bebido das águas desta fonte, fizeram uma opção?
Tudo depende de gosto neste mundo sem fronteira, diz um poema da fescenina gaúcha. Que seria do amarelo se todos gostassem do azul? Pretender que homossexualismo tem raízes genéticas significa, em primeiro lugar, negar a liberdade de escolha do ser humano. Se homossexualismo é genético, perde a graça.
Em segundo lugar, esta concepção esconde uma ótica cristã segundo a qual prazer só é permissível entre homem e mulher. Os antigos gregos e romanos não pensavam assim. Foi o cristianismo que introduziu no Ocidente a idéia de que a relação homem/mulher era a única digna, justa e permissível. Estava preparada a cama para as neuroses e, conseqüentemente, a psicanálise.
Quanto ao gene da inteligência, anátema seja qualquer pesquisa. Pode acontecer que exista. E que certas etnias não o possuam. Toda e qualquer pesquisa nesta área é ipso facto racista. E não se fala mais no assunto.
Estes ilustres senhores, os cientistas, estão buscando agora um fator genético para a infidelidade. Estudos sugerem – diz hoje a Folha de São Paulo - que variações genéticas estariam relacionadas à dificuldade de ser fiel. Trabalho feito com 552 pares de gêmeos e seus parceiros, pelo Instituto Karolinska, na Suécia, avaliou um gene presente na maioria dos mamíferos, relacionado à formação de vínculos. Os homens que carregavam variações desse gene eram menos propensos a se casar: os que se casaram tiveram mais crises conjugais, e suas mulheres eram mais infelizes.
Para começar, considero abominável essa mania de fazer estudos de comportamento com ratos ou mamíferos outros e deles tirar conclusões relativas aos seres humanos. Bicho não tem consciência, não tem pensamento, não cria culturas. Não faz cinema, não faz música, não faz literatura. Não erige um Estado. Tampouco tem liberdade. Se determinado gene leva um rato a tal comportamento, gene algum forçará o homo sapiens a comportar-se conforme sua determinação.
Homem é capaz dizer sim ou não. Ou talvez ou quem sabe. Por outro lado, a reportagem não nos oferece um conceito de infidelidade, para que possamos discuti-lo sem incorrer em multivocidade de termos. Apanho então o conceito vigente, a atitude de um homem ou mulher que se relaciona com outros parceiros além do seu. Aí surge um problema: e se há um consenso entre dois parceiros – como muitas vezes há – em levar assim a vida? A meu ver, não estamos diante de um caso de infidelidade. Infidelidade há – penso – quando um parceiro oculta do outro suas relações por fora.
Pode-se falar em infidelidade no mundo islâmico, quando o Corão permite quatro mulheres a cada muçulmano? Obviamente não.Conheço pessoas que conseguem viver serenamente com um só parceiro e jamais lhes ocorreria pular a cerca. São raros – é verdade. Mas existem. A maioria não consegue suportar a monogamia. Têm pela frente dois caminhos. Estabelecer um acordo com o parceiro. Ou mentir. Me situo entre estes que não suportam a monogamia. Comecei minha vida afetiva com duas mulheres e nunca mais perdi o vício. Mas não cerro fileiras com os que mentem. Nunca consegui entender como pode alguém mentir para a pessoa com quem divide o teto, a mesa e a cama.Não creio ser necessária a existência de um gene para levar alguém à poligamia ou poliandria. Diga-se de passagem, cá no Ocidente pelo menos, é muito difícil encontrar parceiro exclusivo. As tentações estão no ar, como pólen, e muitas pessoas não vêem porque a elas resistir. Mais honesto é abrir o jogo.
Se infidelidade depende de um gene, fica mais fácil a vida dos maridos: "é genético, querida. Nada posso fazer".Em São Paulo, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, surge voz mais sensata que a dos cientistas do Karolinska. Diz a psiquiatra Carmita Abdo: "Você olha um "pegador" e identifica, por atitudes e pela forma de se relacionar, que ele tem maior tendência à traição. Mas ainda não dá para dizer que foi programado geneticamente para agir dessa forma".
Alvíssaras! Mas resta ainda uma questão: por que associar ao pegador a idéia de traição? Trai quem mente. Quem não mente não está traindo ninguém.
Ciência, cientista e científico são palavrinhas que conferem autoridade a qualquer pesquisa. Só que estas palavrinhas são como o nome de Deus. Se desgastaram de tanto serem usadas em vão. Hoje, quando lemos que cientistas dizem, cientistas descobrem, cientistas afirmam, já ficamos com um pé atrás. Fascinados com pesquisas e metodologias, os tais de cientistas deixam de lado o óbvio e buscam resposta no inverossímil. Para que facilitar quando se pode complicar? Facilitando não se chega muito longe. Complicando, pode dar até Nobel.Muito já li sobre pesquisas que buscam o gene do homossexualismo. Ora, pode ser que, por disposição orgânica, algumas pessoas tenham uma tendência inata ao homossexualismo. Mas onde ficam aqueles que, tendo bebido das águas desta fonte, fizeram uma opção?
Tudo depende de gosto neste mundo sem fronteira, diz um poema da fescenina gaúcha. Que seria do amarelo se todos gostassem do azul? Pretender que homossexualismo tem raízes genéticas significa, em primeiro lugar, negar a liberdade de escolha do ser humano. Se homossexualismo é genético, perde a graça.
Em segundo lugar, esta concepção esconde uma ótica cristã segundo a qual prazer só é permissível entre homem e mulher. Os antigos gregos e romanos não pensavam assim. Foi o cristianismo que introduziu no Ocidente a idéia de que a relação homem/mulher era a única digna, justa e permissível. Estava preparada a cama para as neuroses e, conseqüentemente, a psicanálise.
Quanto ao gene da inteligência, anátema seja qualquer pesquisa. Pode acontecer que exista. E que certas etnias não o possuam. Toda e qualquer pesquisa nesta área é ipso facto racista. E não se fala mais no assunto.
Estes ilustres senhores, os cientistas, estão buscando agora um fator genético para a infidelidade. Estudos sugerem – diz hoje a Folha de São Paulo - que variações genéticas estariam relacionadas à dificuldade de ser fiel. Trabalho feito com 552 pares de gêmeos e seus parceiros, pelo Instituto Karolinska, na Suécia, avaliou um gene presente na maioria dos mamíferos, relacionado à formação de vínculos. Os homens que carregavam variações desse gene eram menos propensos a se casar: os que se casaram tiveram mais crises conjugais, e suas mulheres eram mais infelizes.
Para começar, considero abominável essa mania de fazer estudos de comportamento com ratos ou mamíferos outros e deles tirar conclusões relativas aos seres humanos. Bicho não tem consciência, não tem pensamento, não cria culturas. Não faz cinema, não faz música, não faz literatura. Não erige um Estado. Tampouco tem liberdade. Se determinado gene leva um rato a tal comportamento, gene algum forçará o homo sapiens a comportar-se conforme sua determinação.
Homem é capaz dizer sim ou não. Ou talvez ou quem sabe. Por outro lado, a reportagem não nos oferece um conceito de infidelidade, para que possamos discuti-lo sem incorrer em multivocidade de termos. Apanho então o conceito vigente, a atitude de um homem ou mulher que se relaciona com outros parceiros além do seu. Aí surge um problema: e se há um consenso entre dois parceiros – como muitas vezes há – em levar assim a vida? A meu ver, não estamos diante de um caso de infidelidade. Infidelidade há – penso – quando um parceiro oculta do outro suas relações por fora.
Pode-se falar em infidelidade no mundo islâmico, quando o Corão permite quatro mulheres a cada muçulmano? Obviamente não.Conheço pessoas que conseguem viver serenamente com um só parceiro e jamais lhes ocorreria pular a cerca. São raros – é verdade. Mas existem. A maioria não consegue suportar a monogamia. Têm pela frente dois caminhos. Estabelecer um acordo com o parceiro. Ou mentir. Me situo entre estes que não suportam a monogamia. Comecei minha vida afetiva com duas mulheres e nunca mais perdi o vício. Mas não cerro fileiras com os que mentem. Nunca consegui entender como pode alguém mentir para a pessoa com quem divide o teto, a mesa e a cama.Não creio ser necessária a existência de um gene para levar alguém à poligamia ou poliandria. Diga-se de passagem, cá no Ocidente pelo menos, é muito difícil encontrar parceiro exclusivo. As tentações estão no ar, como pólen, e muitas pessoas não vêem porque a elas resistir. Mais honesto é abrir o jogo.
Se infidelidade depende de um gene, fica mais fácil a vida dos maridos: "é genético, querida. Nada posso fazer".Em São Paulo, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, surge voz mais sensata que a dos cientistas do Karolinska. Diz a psiquiatra Carmita Abdo: "Você olha um "pegador" e identifica, por atitudes e pela forma de se relacionar, que ele tem maior tendência à traição. Mas ainda não dá para dizer que foi programado geneticamente para agir dessa forma".
Alvíssaras! Mas resta ainda uma questão: por que associar ao pegador a idéia de traição? Trai quem mente. Quem não mente não está traindo ninguém.
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