terça-feira, 9 de janeiro de 2018

TEXTOS QUE RESSUSCITAM A ARTE
João Eichbaum

Como tudo na vida, o modo de fazer literatura mudou. Já não há lugar, na imprensa e nas editoras, para o texto refinado, fruto do talento e da erudição. Esses espaços, outrora ocupados pela escrita como arte, hoje mais servem como canais de desabafo para interesses ou sentimentos pessoais, sem qualquer compromisso com a estética.

Quer dizer: a escrita deixou de ser arte, manifestação de talento, criação literária. E com a facilidade do “copia” e “cola”, oferecida pelo computador, as coisas pioraram. A linguagem jurídica, por exemplo, que ontem servia de inspiração para Rui Barbosa, hoje não passa de um destrambelhado ajuntamento de palavras, usadas tanto pelo advogado de porta de cadeia, como pelo do ministro do Supremo.

A ganância comercial de revistas e jornais leva tais veículos de comunicação a oferecerem colunas para “famosos” de público garantido e empresários generosos em publicidade, emprestando-lhes o título de cronista ou articulista “convidado”. Aécio Neves, até há pouco tempo, era um deles, na Folha de São Paulo. Deixou de ser “famoso”: esfarelada a tietagem, perdeu o espaço

Na verdade, o empobrecimento estético da arte da escrita está ligado ao estupefaciente acréscimo de analfabetos funcionais: quem não sabe ler, lê qualquer coisa, principalmente coisas escritas por gente medíocre que se tem por especial.

Mas, como tudo o que acontece de repente, um dia a gente depara com um texto inteligente, as frases concatenadas, os adjetivos e substantivos se acasalando com musicalidade, a linguagem escorreita, com sujeito, predicado e complementos definidos.

O texto encara um assunto batido há séculos e séculos. Um assunto que, da pieguice broxante à poesia de infinito deleite, é o tema preferido no fim do ano: o Natal. Mas, a autora consegue lhe dar feição atualíssima, tecendo-lhe uma nervura de bom humor capaz de desatar lágrimas provocadas pelo riso ininterrupto, sem perder o foco de uma sóbria mensagem social.

Dias depois, a mesma autora, se debruça sobre questões do feminismo, com a mesma linguagem musicada de bom humor e temperada por uma ironia tão elegante quanto sutil. Ela enxuga o texto pela renúncia a inúteis advérbios e pelo jeito leve, mas convincente, de dizer as coisas. E ainda o enriquece com a eloquência dos detalhes, que vão criando acasos e costurando a ironia.

“E Aí, Sobreviveu ao Natal?” e “Por mais Lolas Peludas: um manifesto feminista” são crônicas de Mariléia Sell, publicadas em nosso Visão do Vale. São obras de quem pontifica nas letras, porque sabe lhes emprestar erudição, mesmo com a linguagem despojada dos tempos modernos. E sabe também prender a respiração do leitor até o fim do texto. Ufa! Nem tudo está perdido!



segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

PLANETACHO
Ministério? Não, obrigado!

LIQUIDA
A primeira semana de janeiro é de muitas liquidações. Neste ano o destaque ficou para as ofertas de ministérios.

É OU NÃO É?
Em um país com mais de 13 milhões sem emprego, é um desperdício ter um Ministério do Trabalho.

RIO DE LÁGRIMAS
Roberto Jefferson chorou com a nomeação da filha como ministra do Trabalho. Choramos todos nós, mas por motivos diversos.

TÚNEL DO TEMPO
Quem acabou influenciando na escolha foi o jurássico José Sarney, que não se acetou com um desafeto do PTB do Maranhão cotado por Temer...Então, feliz 1988 para todos.

O CÚMULO ACUMULADO
Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas na mega da virada foram sorteados três bilhetes do mesmo apostador.

APOCALIPSE
Esta semana Trump e Kim Jong-um começaram a se vangloriar do tamanho de seus botões atômicos.

LITERALMENTE
A Lava Jato está investigando o financiamento do filme Lula Filho do Brasil. A poucos dias do julgamento em Porto Alegre, mais uma notícia para deixar o ex-presidente mal na fita.

MUDANDO A REGRA

 Já o governo quer mudar a regra de gasto para evitar o crime de responsabilidade. Essa intenção é na verdade um crime de irresponsabilidade

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

REDES SOCIAIS: O MAPA DA HUMANIDADE
João Eichbaum

A humanidade se divide em: bons, regulares, medíocres, ruins e péssimos. Não se sabe se algum antropólogo já se deparou com essa realidade. A maioria deles só conhece da humanidade a parte que lhes ensinaram os professores. E os professores, se é que aprenderam alguma coisa, só conhecem teorias.

É preciso viver, para conhecer os homens. É preciso privar com eles, olhá-los com olhos clínicos. Não basta ler artigos, livros, tratados, ouvir conferências ou frequentar universidades. Mas, muitas vezes, uma simples crônica policial ou uma notícia sobre política contêm elementos suficientes para firmar opinião sobre os primatas humanos.

Hoje uma das fontes mais ricas de dados úteis, que levam ao conhecimento dos homens, são as chamadas redes sociais. O chamado Facebook foi um achado e tanto. É o primeiro canal de comunicação, através do qual as pessoas podem dizer quem são, externar suas opiniões e manifestar seus sentimentos, quaisquer que eles sejam, a qualquer dia, a qualquer hora, em qualquer lugar do mundo.

O Facebook é o instrumento de comunicação que a tecnologia colocou à disposição de todos os humanos, sem que seja necessária uma formação técnica ou específica. Dir-se-ia, com toda a propriedade: é a tribuna do povo.

Então, se é a tribuna do povo, nada melhor se pode esperar, senão o desnudamento da criatura humana. Tendo a oportunidade que hoje têm, os homens mostram o que eles são, na realidade. Da vaidade à preguiça, passando pela intolerância, pelo ódio, pela ignorância, pela pieguice e pela incivilidade, as redes sociais podem ser vistas como uma feira de todas as formas de imperfeição do ser humano.

Ao qualificar de imbecis os internautas, o famoso Umberto Ecco, antes de morrer, passou um atestado de desconhecimento de antropologia. E como ele, todos os que xingam e os que respondem aos xingamentos, nas redes sociais, uns e outros se valendo de linguagem chã, sucumbem a essa fraqueza.

Quem conhece a massa de que é feito o ser humano, sabe que será inútil qualquer tentativa de melhorar o nível. As redes sociais são o retrato do povo, e o povo nelas se apresenta em sua crua realidade: um macaco que só se diferencia de suas raízes, porque fala, é bípede, e não tem rabo.


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

DOS VÁRIOS TIPOS DE GENERAIS
Carlos Maurício Mantiqueira

Amáveis leitores, dedicar-nos-emos, doravante, a estudar temas pouco usuais.
Desde logo, reverenciemos o General Motors; também o General Electric.
Talvez o mais perigoso seja o General Foods, caso haja uma tradução tabajara.
Em Pindorama temos o General Melancia e o General da Banda.
Se vingar a Ideologia de Gênero, também teremos generalas.
Se chegarmos a esse ponto estará na hora de arrumar as malas.
No passado, tivemos uma comandAnta em chefe abaixo da crítica.
Estocadora de vento, dobradora de meta, era tão pessimérrica que , por ironia, tornou menos pior o que lhe sucedia; o tal que faz negócios à luz do dia.
No entanto, a situaCão chegou a um ponto sem retorno. Só não vê um puxa-saco do entorno.
Levando a jaca em banho morno há o roto , o esfarrapado e o corno.
Confiemos no Seu Acaso. Um passo em falso, leva-lo-á ao cadafalso.
Um só prego segura o paletó do vampiro (já disse um patriota) e não é o que está no último suspiro.
É um amigo do chupim. O vira bosta de ambição sem fim.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

PENSAMENTOS DO RUI ALBERTO*

Sim... somos humanos, complicados, mas Loucos... Muito loucos para poder alegrar a vida, como alguns pândegos tomando banho em águas geladas
Alguns apanham pneumonia , passam uma semana tomando antibióticos, e depois mais uma semana tomando porres homéricos pra comemorar ...
É uma boa desculpa pra não ir trabalhar...

Láááááa... Naquelas serras nevadas do Marão, em que nem sempre cai neve, no último terço do ano de 1945 nasceu um pestinha chamado Rui (foi eu)... Lá pelos quatro anos de idade não tinha muita noção do tempo. Tanto era assim que cheguei várias vezes tarde em casa e entre cascudos e castigos aprendi que o tempo era coisa muito importante... Importantíssima... Mas quando cheguei aos meus 12 anos e vi que o sr. Teófilo, um senhor muito faceiro, casado com minha prima ficou com a boca torta e a respiração parecendo um fole manobrado por gatos por causa de um ataque cardíaco, e vi minha avozinha com 67 anos passando mal de saúde e sendo internada em hospital, tive que rever drasticamente meu conceito sobre o tempo enquanto mordiscava uma bacalhoada preparada pela minha avó ... O tempo fazia as pessoas ficarem encarquilhadas, marrecas, carecas, arrastadas, barrigudas, lentas e com falta de ar, tomando pílulas como se fossem rebuçados de Lisboa... Decidi que não gostaria de passar dos 60 anos.
Desejo a todos um Feliz 2018 e muitos mais, porque vou fazer 73, esta vida está um barato meio caro, mas ''leva-se", e quero ver todos vocês aqui em 2.048... Se alguém morrer antes vou no velório só pra lhe dar uma surra...

*Leia mais em "bar do chopp Grátis"...



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

DE CUECAS E CALCINHAS AMARELAS E OUTRAS CRENÇAS
João Eichbaum

A capacidade de imaginar decorre, naturalmente, da inteligência do animal humano. Mas, atenção: não se confunda inteligência com sabedoria, erudição, cultura. Qualquer criança tem capacidade para imaginar.

E foi assim, agindo como crianças, que nossos antepassados imaginaram deuses e produziram crenças. Levou-os a isso a consciência da própria limitação e de sua impotência diante dos fenômenos da natureza.

E tudo seria assim, muito simples, se não fossem as religiões. Mas, alguns mais espertinhos se valeram da capacidade de imaginação do homo erectus, para criar regras, estatutos, dogmas e outras formas de tirar proveito dos crentes.

Dentre os criadores de religiões destacam-se: Moisés, um assassino que criou a religião judaica e um outro, dotado da alta capacidade de sedução imanente em algumas psicopatias, Saulo de Tarso. Aquele, fundou a religião judaica, esse, o cristianismo.

Não existissem as religiões, não haveria ateus. Ao criarem regras e histórias da carochinha, como as lendas de Adão e Eva e o nascimento de um deus parido por virgem para salvar a humanidade, as religiões reptaram aqueles que usam a inteligência como instrumento de raciocínio e não como mero repositório de imaginações alheias.

Não fosse isso, os, hoje, ateus continuariam imaginando, criando e eliminando deuses, cada um à sua maneira e para cada ocasião. Afinal, capacidade de imaginar, em regra, todos animais humanos têm. Tanto que sua criatividade está em constante evolução.

O poder da imaginação de cada homem é tão grande, que não se deixa esterilizar pelas regras religiosas. Ele ultrapassa todos os limites desses estatutos e põe no mesmo invólucro superstição e fé. O que, no fundo, não pode causar perplexidade, porque ambas são frutos das mesmas funções cerebrais.

E as crenças proliferam a mancheias: rezam para curar doenças, usam cuecas e calcinhas amarelas no ano novo para afastar os distúrbios da infelicidade, praticam “cirurgias espirituais”, atiram flores no mar para Iemanjá, pulam sete ondas, “investem’ em lentilha, agradecem aos céus pelos golos que fazem, porque o azar é do goleiro, etc, etc...

Essas, enfim, são crenças folclóricas, triviais. Pior fazem as organizações religiosas alimentando ficções tipo infalibilidade papal e “misericórdia de Deus” – essa desmentida por um mundo onde crianças morrem de fome, onde inocentes são trucidados, mas onde também se constroem basílicas e catedrais suntuosas, cujos adros, guarnecidos a poder de grades de ferro, impedem que neles procurem agasalho os miseráveis, que não têm onde dormir.



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

PLANETACHO
2018 vem aí... Não corram

O ANO
As coisas foram muito pesadas no País em 2017 e como diz o caipira:
- Mas quem mais absorve tudo o que há de ruim é o Gilmar Mendes!

PREVISÕES
Mas, é claro que se Nostradamus estiver totalmente equivocado 2018 será um no maravilhoso.

EMPREGO
Como todas as trapaças que envolvem as empreiteiras, milhares de engenheiros ficaram desempregados no País. Já os advogados não podem se queixar de nada da Lava Jato.

SE ESPALHOU
Quando Geddel foi preso, a mãe dele falou que era doença. Se for verdade, o Brasil está sofrendo de uma grande epidemia.

CRER
O presidente assinou decreto do salário mínimo menor do que o aprovado pelo Congresso. Depois de ter dito durante sua mensagem de Natal que está mais barato de se viver no Brasil, isto é a prova de que só o Temer acredita no Temer.

GASOLINA

A Petrobrás reajustou a gasolina 116 vezes em seis meses. Aumentos consecutivos deixaram todo mundo cheio...menos os tanques dos veículos.