FORUM SOCIAL MUNDIAL (II)
João Eichbaum
Na segunda feira última, um monte de mentecaptos e aproveitadores estragaram a vida de milhares de pessoas em Porto Alegre: era o “desfile” de abertura do Fórum Social Mundial.
As ruas do centro ficaram atravancadas: nem os ricos que circulavam em seus automóveis, nem os pobres que se apertavam nos ônibus puderam voltar para casa. Pela simples e pura razão de que os vagabundos que afirmam que “um mundo melhor é possível” resolveram bagunçar o coreto de todo o mundo.
Marcio Dolzan, estudante de jornalismo, em brilhante artigo publicado na Zero Hora de quarta-feira passada, se espanta: “não sei qual é a grande mudança que algumas milhares de pessoas conseguem provocar ao paralisar o centro de Porto Alegre, ao final de uma tarde abafada de segunda-feira. De minha parte, conseguiram mudar as características da comida congelada que eu acabara de comprar no supermercado para estocar em casa. Provavelmente a comida será jogada fora. Uma nova compra é possível. Um novo salário para ela, não”
Na crônica de ontem já desenhei o tipo de pessoas que participam desse tal de Fórum Social Mundial. Desse tipo de gente não se pode esperar coisa melhor, não se pode esperar respeito pelo próximo, respeito pela ordem, respeito pelo “social” – adjetivo que eles tantos gostam de usar.
Mentecaptos, disse eu. Só mesmo mentecaptos, apoiados por aproveitadores, podem se reunir para resolver tudo isso: crise mundial, economia solidária, pobreza, distribuição de riquezas, reforma agrária, sustentabilidade, direitos humanos e mais a tragédia no Haiti – que nem o Deus judaico-cristão resolveu.
Vocês se lembram há quantos anos existe esse tal de Fórum Social Mundial?
Há dez anos. Começou aqui, no tempo do Tarso Genro e do Olívio Dutra, esse sindicalista profissional, que se tornou governador do Estado, hoje recebe uma bela pensão de “ex-governador” e, por isso, nunca mais precisou ir agitar “as massas” em praça pública. Um dos convidados do Olívio para o evento foi um militante das Farc, grupo criminoso que seqüestra e mata cidadãos na Colômbia e vive do tráfico de drogas.
Então, desde o início esse Fórum mostra que não serve pra merda nenhuma, porque não tem cacife, não tem “pedigree”, com gente desse quilate. E tanto é verdade que, passados dez anos, a gente só se lembra do colombiano terrorista e do Bovè, aquele anarquista francês que veio aqui para ensinar a destruir lavouras, lição até hoje praticada pela Via Campesina, MST e outros salteadores menos votados.
Passados dez anos, sem que do seu “bla-bla-bla” tivesse resultado alguma coisa positiva, uma que fosse, o dito Fórum Social Mundial não pode ser levado a sério, não merece esse destaque forçado que a imprensa gaúcha lhe quer emprestar.
Quem analisa com racionalidade – e não com interesses inconfessáveis – essa libertinagem a que emprestaram o nome de “fórum” só pode chegar a uma conclusão: no dia em que mentecaptos e aproveitadores fizerem alguma coisa para melhorar o mundo, terá soado a hora do Juízo Final. Aí, até eu acreditarei e me postarei na fila da direita, a dos que vão ouvir o “vinde benditos”.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS
FORUM SOCIAL MUNDIAL
João Eichbaum
Você aí, que não ta muito ligado em noticiário político, que prefere a página policial, a de esportes ou a dos classificados em busca de emprego, ou você que mal aguenta o noticiário da TV, porque está interessada mesmo é na novela das nove, me responda: você sabe o que é o FSM (já adquiriu sigla), o Fórum Social Mundial?
Pois, então leia o que diz abaixo da manchete de primeira página, o jornal VS: “temas como crise mundial, economia solidária, pobreza, distribuição de riquezas, reforma agrária, sustentabilidade e direitos humanos vão dividir espaço com a tragédia no Haiti durante os debates no Fórum Social Mundial”
Viu só? Os caras vão resolver tudo isso e você nem sabia. Nem eu.
Então se reúne e começa com “shows” artísticos (pagos com o dinheiro que os cofres públicos tiram do nosso trabalho) essa gente toda: bichas, lésbicas, puxadores de fumo, vagabundos de todas as marcas, mulheres feias e gordas que vêm de todos os cantos desta América latrina em busca de sexo, ali no parque da Harmonia mesmo, garanhões de última categoria, tatuados, barbudos, sem banho, com bermudas mais sujas do que coloridas e camisas sem manga, que vêm atrás de putaria e “crack”.
À frente deles “companheiros do PT” e outros idiotas que se dizem intelectuais, acompanhados de agitadores do MST, Vila Campesina e demais elementos dessa laia de safados. Tem um tal de Oded Grajew, um outro, Cândido Grzybowski, que ostenta um baita emprego, o de diretor geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (sabem pra que serve essa merda?) e também o Celso Woyciechowski (levei meia hora pra digitar o sobrenome desses “brasileiros”). Não me perguntem donde saíram, que eu não sei dizer.
Ah, sim e tem o Geraldo Stedile que organiza as maiores bagunças, saques e depredações deste país, presidindo o MST. E para melhorar as papagaiadas, este ano ainda trouxeram um português, um tal de Boaventura de Souza Santos, que não podia fazer outra coisa mesmo, senão ensinar economia para portugueses na Universidade de Coimbra. Mas, notem: o cara é sociólogo, viram? Só um sociólogo mesmo, para ensinar economia para portugueses.
Esse é o quadro dos atores, que vêm atrapalhar o cotidiano do povo de Porto Alegre, este ano também o de São Leopoldo, Canoas e Novo Hamburgo, para o fim único de melhorar o mundo, enquanto seus participantes se divertem com sexo, drogas, música e fanfarronadas, esperando que o mundo melhore. E nada de batente, é claro.
João Eichbaum
Você aí, que não ta muito ligado em noticiário político, que prefere a página policial, a de esportes ou a dos classificados em busca de emprego, ou você que mal aguenta o noticiário da TV, porque está interessada mesmo é na novela das nove, me responda: você sabe o que é o FSM (já adquiriu sigla), o Fórum Social Mundial?
Pois, então leia o que diz abaixo da manchete de primeira página, o jornal VS: “temas como crise mundial, economia solidária, pobreza, distribuição de riquezas, reforma agrária, sustentabilidade e direitos humanos vão dividir espaço com a tragédia no Haiti durante os debates no Fórum Social Mundial”
Viu só? Os caras vão resolver tudo isso e você nem sabia. Nem eu.
Então se reúne e começa com “shows” artísticos (pagos com o dinheiro que os cofres públicos tiram do nosso trabalho) essa gente toda: bichas, lésbicas, puxadores de fumo, vagabundos de todas as marcas, mulheres feias e gordas que vêm de todos os cantos desta América latrina em busca de sexo, ali no parque da Harmonia mesmo, garanhões de última categoria, tatuados, barbudos, sem banho, com bermudas mais sujas do que coloridas e camisas sem manga, que vêm atrás de putaria e “crack”.
À frente deles “companheiros do PT” e outros idiotas que se dizem intelectuais, acompanhados de agitadores do MST, Vila Campesina e demais elementos dessa laia de safados. Tem um tal de Oded Grajew, um outro, Cândido Grzybowski, que ostenta um baita emprego, o de diretor geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (sabem pra que serve essa merda?) e também o Celso Woyciechowski (levei meia hora pra digitar o sobrenome desses “brasileiros”). Não me perguntem donde saíram, que eu não sei dizer.
Ah, sim e tem o Geraldo Stedile que organiza as maiores bagunças, saques e depredações deste país, presidindo o MST. E para melhorar as papagaiadas, este ano ainda trouxeram um português, um tal de Boaventura de Souza Santos, que não podia fazer outra coisa mesmo, senão ensinar economia para portugueses na Universidade de Coimbra. Mas, notem: o cara é sociólogo, viram? Só um sociólogo mesmo, para ensinar economia para portugueses.
Esse é o quadro dos atores, que vêm atrapalhar o cotidiano do povo de Porto Alegre, este ano também o de São Leopoldo, Canoas e Novo Hamburgo, para o fim único de melhorar o mundo, enquanto seus participantes se divertem com sexo, drogas, música e fanfarronadas, esperando que o mundo melhore. E nada de batente, é claro.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
CRÕNICAS MAL SUCEDIDAS
BIOGRAFIAS FALSAS, VERDADEIRAS E INÚTEIS
Paulo Wainberg
I
Jeremiah Farrel, mórmon de Ohio, USA, no ano de 1736, numa bela tarde de outono em que o ar da tarde estava povoado de algodões voadores, etéreos e diáfanos, enrolava uma grossa corda de fibra de casca de árvores, machucando os dedos e lutando contra os nós que teimavam em se formar, no novelo.
Ao sentir sede, largou o rolo de corda sobre a grama e destampou sua cantina de couro, tomando dois goles de água quente, mas refrescante. Ao depositar a cantina no chão, ao seu lado, sob a árvore em que se encontrava, percebeu um brilho na grama. Curioso, esticou o braço e pegou o objeto: era um osso da coxa de um galo, há muito depenado.
Olhou o osso, olhou o novelo emaranhado de corda e teve uma ideia: desfez o trabalho anterior, pegou uma ponta da corda e começou a enrolá-la, simetricamente, no osso.
Assim inventou o carretel de linha, até hoje usado pelos mais renomados costureiros e peça indispensável na arte da costura.
Jeremiah percorreu a pé os poucos quilômetros até chegar na sua aldeia. Enquanto andava, enfiava os dedos entre a longa barba, cacoete adquirido aos cinco anos, idade em que, segundo a lenda, nasce a barba dos mórmons.
Estava ansioso, louco para revelar sua descoberta a Mabel Lee, sua prometida desde o nascimento e com quem casaria, logo que ela menstruasse pela primeira vez.
O sucesso da invenção foi tamanho que toda a aldeia passou a utilizá-la para enrolar cordas, fios e outros tecidos.
Sucedeu que chegou à aldeia o Reverendo Carter e seu Elixir Carter, capaz de curar desde micoses até bexiga solta, ossos doídos e unhas encravadas.
Quando a aldeia se reuniu ao redor da carroça do Reverendo Carter, ele percebeu que grande parte dos mórmons enrolava cordas em ossos de coxas de galos e galinhas, as crianças até brincavam, segurando a ponta da corda e arremessando o osso para o chão e, com um puxão, faziam a corda se enrolar novamente, numa versão rudimentar do ioiô.
Com seu grande tino comercial, o Reverendo Carter apressou-se em patentear e industrializar o mecanismo que, no entanto, caiu no domínio público com o nome vulgar de Carretel de Linha.
A não ser eu, ninguém tem a menor idéia de quem foi Jeremiah Farrel, o inventor do carretel de linha que, tão logo surgiram os primeiros sinais menstruais, tomou por esposa sua prometida, Mabel Lee com quem teve mais de uma dezena de filhos. Jeremiah morreu obscuro, apenas um a mais a morrer, entre os anciões da aldeia mórmon.
II
J. S. Bach compôs uma fantástica obra musical: Tocata e Fuga em Ré maior, A Paixão Segundo São Matheus, A Paixão Segundo São João, Os seis Concertos de Bradenburgo que inspiraram Villa-Lobos a compor suas Bachianas Brasileiras, suítes para piano, violino, violoncelo, mestre da fuga – ou contra-ponto – autor de O Cravo Bem Temperado e do conhecidíssimo Jesus Alegria dos Homens, entre tantas outras, sem falar nas que se perderam, ao que consta, quase a metade.
Enquanto isto, passou a vida tocando órgão em igrejas, dando consultoria técnica na construção de novos órgãos, lutando por empregos e aceitando tocar em igrejas católicas embora fosse firmemente luterano. E ainda teve tempo de deixar 20 filhos. Enquanto viveu, sua obra musical passou desapercebida, pouco valor lhe davam os amantes musicais da época, considerando-o ultrapassado e sem vigor.
Reconheciam-lhe ser um virtuoso tocador de órgão e nada mais. Morreu cego.
Cem anos depois de sua morte, Mendelson resolveu levar à cena a maior obra de Bach, A paixão Segundo São Matheus, obra para orquestra, coral e solistas com mais de três horas de duração.
O mundo quedou-se boquiaberto, iniciou-se uma corrida pelas composições de Bach que acabou sendo considerado, unanimemente, o maior compositor barroco da História, chamado por alguns, como Beethoven, como ‘o pai da música’.
Apenas para você compreender melhor o drama, imagine que você criou uma obra-prima superior, em qualquer ramo da arte. Mostrou ao pessoal, uns gostaram, outros não deram bola e muitos detestaram.
Aí você morre, digamos ali por 1910.
De repente alguém – eu, por exemplo – descubro sua obra-prima em algum lugar, fico enlouquecido com ela e passo a divulgá-la e, tanto a coisa anda, que você acaba sendo reconhecido o maior de todos os tempos, o gênio completo, admirado, cultuado e imitado pelo resto dos tempos. É o máximo, vai negar? E se isso tivesse acontecido quando você ainda estava vivo, ia ser melhor ainda.
Pois é.
III
Durante séculos, principalmente os XVIII, XIX e XX, discutiu-se a origem, a época de nascimento e o processo criativo de Homero, poeta grego autor das obras A Ilíada e A Odisséia, que sistematizaram formalmente a rica mitologia grega.
A Ilíada relata o último ano da Guerra de Tróia, que durou dez anos. Naquele último ano Aquiles é atingido por uma flecha disparada por Paris no único lugar vulnerável de seu corpo: o calcanhar.
A perda de seu herói abalou os gregos e Ulisses, Odisseu em grego, bolou a estratégia do Cavalo de Tróia que, introduzido em Tróia recheado de soldados, dizimou os troianos, pondo fim, assim, à guerra e dando origem à popular expressão “Presente de Grego” que significa que, por traz dele, avança uma grossa sacanagem para o presenteado.
A Odisséia relata os dez anos seguintes, durante os quais Ulisses (Odisseu), fez de tudo para voltar para Itaca, seu reino onde Penélope tecia sua teia, sendo sempre surpreendido por lindas feiticeiras e bruxas a seduzi-lo com o que há de melhor na existência: conforto, boa comida e muito sexo. Finalmente Odisseu retorna, disfarçado de mendigo, elabora suas tramas e, enfim sós, curte sua fiel Penélope, que jamais duvidou de sua volta.
Historiadores de todas as estirpes, correntes e níveis de conhecimento, tentaram desvendar o mistério de Homero, o cego, porque Homero, em grego, significa aquele que não vê, portanto Homero não era nome próprio e sim uma alusão à deficiência física do aedo, a declamar seus poemas épicos nas praças, ruelas, cantinas, hospedagens e outros lugares públicos da antiga Grécia, especialmente nos ágoras e bordéis.
Alguns sustentam que Homero não existiu e que a Ilíada e a Odisséia não passam de compilação de poemas épicos recitados pelos aedos, os poetas, menestréis e trovadores da época.
Outros afirmam que Homero foi um grande escritor, capaz de compilar fatos históricos, dando-lhes formato épico e acrescendo-lhes ingredientes misteriosos, religiosos e sobrenaturais.
Outros afirmam que Homero, por ser cego, apenas falava e recitava, enquanto uma legião de escribas, equivalente aos modernos sebentários das aulas na faculdade, tratavam de copiar cada suspiro, cada gemido e cada palavra do mestre.
Finalmente, a grande descoberta: Lorde Linvingstone, Barão de Rocheville, Príncipe da Antuérpia e, nas horas vagas, zagueiro central do time B do Mônaco Futebol Clube, além de rico proprietário de uma loja de equipamentos eletrônicos na rua central de Andorra, compilou absolutamente tudo que se sabia, tudo o que foi dito, tudo o que se argumentou a respeito de Homero e concluiu, sem sombra de dúvidas que a Ilíada e a Odisséia não foram escritas pelo poeta grego e sim por um outro poeta grego, casualmente chamado Homero e, casualmente cego. E comprovou sua afirmação mediante um depoimento escrito por Egidio, o Marceneiro, numa pedra pome encontrada às margens do Mar Morto por um grupo de turistas que dizia, em grego vulgar antigo: “Este Homero, o cego, não é Homero, o cego, que compôs a Ilíada e a Odisséia, e sim o dono de uma peixaria em Creta. Homero, o cego, que compôs a Ilíada e a Odisséia, é outro”.
A História não falha.
IV
Existem duas maneiras de tirar um esparadrapo: lentamente, pedacinho por pedacinho, produzindo a torturante dor dos cabelinhos da pele sendo arrancados. Ou de supetão, uma puxada radical, dói tudo de uma vez só e a dor passa, também, de uma vez só e rapidamente.
Durante décadas a fio, foram tirando lentamente o esparadrapo do Haiti, produzindo dores constantes e intermináveis. Para cada pedacinho de esparadrapo puxado, o Vodu era invocado, justificando a dor, o ditador pedia o sacrifício do povo em nome do futuro que jamais chegou, a doença, a miséria, a guerra, o crime, a sujeira, a ignorância, o atraso, a falta de acesso à tecnologia moderna foram alguns dos pelos arrancados com muita dor e lentamente, pelo monumental esparadrapo grudado nos haitianos.
A natureza resolveu mudar o processo e, para tirar o terrível esparadrapo, usou o método do puxão, provocando uma única, imensa, torturante e massacrante dor, a comover o resto do mundo.
Agora, em nome da solidariedade de urgência, da ajuda de ocasião, bilhões de dólares, entre dinheiro, serviços e bens estão sendo colocados no Haiti, para ao menos mitigar a gigantesca dor.
O que me deixa curioso é saber qual dos métodos usarão, a partir de agora, para retirar o esparadrapo: lentamente para manter tudo como estava, ou de supetão, para uma mudança radical em que os esparadrapos só serão utilizados em quem precisar.
Paulo Wainberg
I
Jeremiah Farrel, mórmon de Ohio, USA, no ano de 1736, numa bela tarde de outono em que o ar da tarde estava povoado de algodões voadores, etéreos e diáfanos, enrolava uma grossa corda de fibra de casca de árvores, machucando os dedos e lutando contra os nós que teimavam em se formar, no novelo.
Ao sentir sede, largou o rolo de corda sobre a grama e destampou sua cantina de couro, tomando dois goles de água quente, mas refrescante. Ao depositar a cantina no chão, ao seu lado, sob a árvore em que se encontrava, percebeu um brilho na grama. Curioso, esticou o braço e pegou o objeto: era um osso da coxa de um galo, há muito depenado.
Olhou o osso, olhou o novelo emaranhado de corda e teve uma ideia: desfez o trabalho anterior, pegou uma ponta da corda e começou a enrolá-la, simetricamente, no osso.
Assim inventou o carretel de linha, até hoje usado pelos mais renomados costureiros e peça indispensável na arte da costura.
Jeremiah percorreu a pé os poucos quilômetros até chegar na sua aldeia. Enquanto andava, enfiava os dedos entre a longa barba, cacoete adquirido aos cinco anos, idade em que, segundo a lenda, nasce a barba dos mórmons.
Estava ansioso, louco para revelar sua descoberta a Mabel Lee, sua prometida desde o nascimento e com quem casaria, logo que ela menstruasse pela primeira vez.
O sucesso da invenção foi tamanho que toda a aldeia passou a utilizá-la para enrolar cordas, fios e outros tecidos.
Sucedeu que chegou à aldeia o Reverendo Carter e seu Elixir Carter, capaz de curar desde micoses até bexiga solta, ossos doídos e unhas encravadas.
Quando a aldeia se reuniu ao redor da carroça do Reverendo Carter, ele percebeu que grande parte dos mórmons enrolava cordas em ossos de coxas de galos e galinhas, as crianças até brincavam, segurando a ponta da corda e arremessando o osso para o chão e, com um puxão, faziam a corda se enrolar novamente, numa versão rudimentar do ioiô.
Com seu grande tino comercial, o Reverendo Carter apressou-se em patentear e industrializar o mecanismo que, no entanto, caiu no domínio público com o nome vulgar de Carretel de Linha.
A não ser eu, ninguém tem a menor idéia de quem foi Jeremiah Farrel, o inventor do carretel de linha que, tão logo surgiram os primeiros sinais menstruais, tomou por esposa sua prometida, Mabel Lee com quem teve mais de uma dezena de filhos. Jeremiah morreu obscuro, apenas um a mais a morrer, entre os anciões da aldeia mórmon.
II
J. S. Bach compôs uma fantástica obra musical: Tocata e Fuga em Ré maior, A Paixão Segundo São Matheus, A Paixão Segundo São João, Os seis Concertos de Bradenburgo que inspiraram Villa-Lobos a compor suas Bachianas Brasileiras, suítes para piano, violino, violoncelo, mestre da fuga – ou contra-ponto – autor de O Cravo Bem Temperado e do conhecidíssimo Jesus Alegria dos Homens, entre tantas outras, sem falar nas que se perderam, ao que consta, quase a metade.
Enquanto isto, passou a vida tocando órgão em igrejas, dando consultoria técnica na construção de novos órgãos, lutando por empregos e aceitando tocar em igrejas católicas embora fosse firmemente luterano. E ainda teve tempo de deixar 20 filhos. Enquanto viveu, sua obra musical passou desapercebida, pouco valor lhe davam os amantes musicais da época, considerando-o ultrapassado e sem vigor.
Reconheciam-lhe ser um virtuoso tocador de órgão e nada mais. Morreu cego.
Cem anos depois de sua morte, Mendelson resolveu levar à cena a maior obra de Bach, A paixão Segundo São Matheus, obra para orquestra, coral e solistas com mais de três horas de duração.
O mundo quedou-se boquiaberto, iniciou-se uma corrida pelas composições de Bach que acabou sendo considerado, unanimemente, o maior compositor barroco da História, chamado por alguns, como Beethoven, como ‘o pai da música’.
Apenas para você compreender melhor o drama, imagine que você criou uma obra-prima superior, em qualquer ramo da arte. Mostrou ao pessoal, uns gostaram, outros não deram bola e muitos detestaram.
Aí você morre, digamos ali por 1910.
De repente alguém – eu, por exemplo – descubro sua obra-prima em algum lugar, fico enlouquecido com ela e passo a divulgá-la e, tanto a coisa anda, que você acaba sendo reconhecido o maior de todos os tempos, o gênio completo, admirado, cultuado e imitado pelo resto dos tempos. É o máximo, vai negar? E se isso tivesse acontecido quando você ainda estava vivo, ia ser melhor ainda.
Pois é.
III
Durante séculos, principalmente os XVIII, XIX e XX, discutiu-se a origem, a época de nascimento e o processo criativo de Homero, poeta grego autor das obras A Ilíada e A Odisséia, que sistematizaram formalmente a rica mitologia grega.
A Ilíada relata o último ano da Guerra de Tróia, que durou dez anos. Naquele último ano Aquiles é atingido por uma flecha disparada por Paris no único lugar vulnerável de seu corpo: o calcanhar.
A perda de seu herói abalou os gregos e Ulisses, Odisseu em grego, bolou a estratégia do Cavalo de Tróia que, introduzido em Tróia recheado de soldados, dizimou os troianos, pondo fim, assim, à guerra e dando origem à popular expressão “Presente de Grego” que significa que, por traz dele, avança uma grossa sacanagem para o presenteado.
A Odisséia relata os dez anos seguintes, durante os quais Ulisses (Odisseu), fez de tudo para voltar para Itaca, seu reino onde Penélope tecia sua teia, sendo sempre surpreendido por lindas feiticeiras e bruxas a seduzi-lo com o que há de melhor na existência: conforto, boa comida e muito sexo. Finalmente Odisseu retorna, disfarçado de mendigo, elabora suas tramas e, enfim sós, curte sua fiel Penélope, que jamais duvidou de sua volta.
Historiadores de todas as estirpes, correntes e níveis de conhecimento, tentaram desvendar o mistério de Homero, o cego, porque Homero, em grego, significa aquele que não vê, portanto Homero não era nome próprio e sim uma alusão à deficiência física do aedo, a declamar seus poemas épicos nas praças, ruelas, cantinas, hospedagens e outros lugares públicos da antiga Grécia, especialmente nos ágoras e bordéis.
Alguns sustentam que Homero não existiu e que a Ilíada e a Odisséia não passam de compilação de poemas épicos recitados pelos aedos, os poetas, menestréis e trovadores da época.
Outros afirmam que Homero foi um grande escritor, capaz de compilar fatos históricos, dando-lhes formato épico e acrescendo-lhes ingredientes misteriosos, religiosos e sobrenaturais.
Outros afirmam que Homero, por ser cego, apenas falava e recitava, enquanto uma legião de escribas, equivalente aos modernos sebentários das aulas na faculdade, tratavam de copiar cada suspiro, cada gemido e cada palavra do mestre.
Finalmente, a grande descoberta: Lorde Linvingstone, Barão de Rocheville, Príncipe da Antuérpia e, nas horas vagas, zagueiro central do time B do Mônaco Futebol Clube, além de rico proprietário de uma loja de equipamentos eletrônicos na rua central de Andorra, compilou absolutamente tudo que se sabia, tudo o que foi dito, tudo o que se argumentou a respeito de Homero e concluiu, sem sombra de dúvidas que a Ilíada e a Odisséia não foram escritas pelo poeta grego e sim por um outro poeta grego, casualmente chamado Homero e, casualmente cego. E comprovou sua afirmação mediante um depoimento escrito por Egidio, o Marceneiro, numa pedra pome encontrada às margens do Mar Morto por um grupo de turistas que dizia, em grego vulgar antigo: “Este Homero, o cego, não é Homero, o cego, que compôs a Ilíada e a Odisséia, e sim o dono de uma peixaria em Creta. Homero, o cego, que compôs a Ilíada e a Odisséia, é outro”.
A História não falha.
IV
Existem duas maneiras de tirar um esparadrapo: lentamente, pedacinho por pedacinho, produzindo a torturante dor dos cabelinhos da pele sendo arrancados. Ou de supetão, uma puxada radical, dói tudo de uma vez só e a dor passa, também, de uma vez só e rapidamente.
Durante décadas a fio, foram tirando lentamente o esparadrapo do Haiti, produzindo dores constantes e intermináveis. Para cada pedacinho de esparadrapo puxado, o Vodu era invocado, justificando a dor, o ditador pedia o sacrifício do povo em nome do futuro que jamais chegou, a doença, a miséria, a guerra, o crime, a sujeira, a ignorância, o atraso, a falta de acesso à tecnologia moderna foram alguns dos pelos arrancados com muita dor e lentamente, pelo monumental esparadrapo grudado nos haitianos.
A natureza resolveu mudar o processo e, para tirar o terrível esparadrapo, usou o método do puxão, provocando uma única, imensa, torturante e massacrante dor, a comover o resto do mundo.
Agora, em nome da solidariedade de urgência, da ajuda de ocasião, bilhões de dólares, entre dinheiro, serviços e bens estão sendo colocados no Haiti, para ao menos mitigar a gigantesca dor.
O que me deixa curioso é saber qual dos métodos usarão, a partir de agora, para retirar o esparadrapo: lentamente para manter tudo como estava, ou de supetão, para uma mudança radical em que os esparadrapos só serão utilizados em quem precisar.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
NÓS, PRIMATAS
FOI POR ISSO QUE OS HOMENS INVENTARAM DEUS...
João Eichbaum
Não consegui ler o texto, mas vi a chamada na Internet que dizia mais ou menos assim: “escritor diz que a catástrofe do Haiti parece a prova de que Deus não existe”.
O tema da religião, em ocasiões como essa, não pode ficar fora de foco e instiga pensadores como Janer Cristaldo que o abordou na excelente crônica “DEUS POUPA CRUZ MAS MATA SANTA”.
Para quem não admite a existência de qualquer divindade, o que aconteceu no Haiti não passou de um fenômeno da natureza, e ponto final. Para a natureza não existem igrejas, padres, arcebispos, irmãs de arcebispo, homens bons, homens maus, ateus, crentes, etc. etc., pois é tudo uma coisa só.
Mas, os crentes, os que pensam e estão convictos de que há uma divindade que criou e governa o mundo, ah, esses devem muitas explicações, no mínimo para si mesmos, e não podem deixar o seu deus fora disso, sob pena de lhe atribuírem uma olímpica indiferença.
Ora, se criou o mundo e colocou frágeis, mortais e indefesas criaturas sobre a face da terra, porque essa divindade resolveu dotar a natureza de tamanha força, de tanto poder destruidor? Para se divertir com a desgraça, para extravasar sadismo? Porque essa divindade não aceita as orações dos bons, dos padres, bispos, arcebispos, cardeais e papas e usa sua indiferença destruidora contra todos, indiscriminadamente?
Muita coisa se pode questionar sobre essa divindade criada pelo homem, chamada de Alá pelos muçulmanos e de Deus, pelos judeus e cristãos. A partir da própria “criação” do paraíso terrestre, estorinha contada pela Bíblia, onde “Deus” teria estabelecido a “árvore do bem e do mal”, como teste do comportamento e, sobretudo, da subserviência dos seres humanos, sabendo que tais seres, fracos, despreparados, curiosos, inevitavelmente seriam traídos por tais fraquezas. Depois, outros acessos de fúria desse “Deus”, como o dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, o envio do próprio filho para ser crucificado, esquecendo seus criadores de que ele seria onisciente. Enfim, tudo o que se diz de Deus ou Alá, além de desrespeitar própria concepção de divindade, que implica perfeição, subestima a inteligência de quem só lida com a lógica.
Por outro lado, a evolução do ser humano, esse ente que até hoje não conseguiu se despir inteiramente de sua animalidade original, está muito mais presente no dia a dia, na vida de todos, do que qualquer mostra de divindade. No Haiti, por exemplo. Deparei com um flagrante transmitido pela TV, que repugna a quem o encara com racionalidade. Dois jovens estendidos no meio da rua, um para cada lado, ambos feridos a bala por policiais, porque se lhes atribuía o “saque” de sacos de arroz. Um deles morreu logo depois.
Ora, se sabe que a fome se alastra no Haiti, faltam gêneros alimentícios, falta água, faltam tetos, os cadáveres se amontoam, o ar está emprestado como o cheiro da decomposição dos corpos. E a polícia agindo, como se tudo estivesse em ordem. Pior do que isso: ferindo mortalmente a quem se apodera de um saco de arroz, para matar a fome sua e de sua família.
É o império do primata, puramente animal, porque não se concebe que, no ordenamento jurídico do Haiti esteja ausente a milenar figura do furto famélico, que é a subtração de comida para matar a fome.
Não é preciso ser sábio, nem muito inteligente, para concluir que impera no Haiti, nessa hora, uma loucura coletiva, imposta pela dor, pela perda, pelo desespero, pelo desamparo total, pela fome, hora em que a animalidade pontifica, o homem mostra o que ele realmente é.
Como nunca, nessa hora, na ausência redentora de qualquer divindade, soa incontestavelmente verdadeiro o pensamento do escritor português Rogério de Freitas: “foi por isso que os homens inventaram Deus, para nos compensar de uma dignidade que nós não alcançamos.”
João Eichbaum
Não consegui ler o texto, mas vi a chamada na Internet que dizia mais ou menos assim: “escritor diz que a catástrofe do Haiti parece a prova de que Deus não existe”.
O tema da religião, em ocasiões como essa, não pode ficar fora de foco e instiga pensadores como Janer Cristaldo que o abordou na excelente crônica “DEUS POUPA CRUZ MAS MATA SANTA”.
Para quem não admite a existência de qualquer divindade, o que aconteceu no Haiti não passou de um fenômeno da natureza, e ponto final. Para a natureza não existem igrejas, padres, arcebispos, irmãs de arcebispo, homens bons, homens maus, ateus, crentes, etc. etc., pois é tudo uma coisa só.
Mas, os crentes, os que pensam e estão convictos de que há uma divindade que criou e governa o mundo, ah, esses devem muitas explicações, no mínimo para si mesmos, e não podem deixar o seu deus fora disso, sob pena de lhe atribuírem uma olímpica indiferença.
Ora, se criou o mundo e colocou frágeis, mortais e indefesas criaturas sobre a face da terra, porque essa divindade resolveu dotar a natureza de tamanha força, de tanto poder destruidor? Para se divertir com a desgraça, para extravasar sadismo? Porque essa divindade não aceita as orações dos bons, dos padres, bispos, arcebispos, cardeais e papas e usa sua indiferença destruidora contra todos, indiscriminadamente?
Muita coisa se pode questionar sobre essa divindade criada pelo homem, chamada de Alá pelos muçulmanos e de Deus, pelos judeus e cristãos. A partir da própria “criação” do paraíso terrestre, estorinha contada pela Bíblia, onde “Deus” teria estabelecido a “árvore do bem e do mal”, como teste do comportamento e, sobretudo, da subserviência dos seres humanos, sabendo que tais seres, fracos, despreparados, curiosos, inevitavelmente seriam traídos por tais fraquezas. Depois, outros acessos de fúria desse “Deus”, como o dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, o envio do próprio filho para ser crucificado, esquecendo seus criadores de que ele seria onisciente. Enfim, tudo o que se diz de Deus ou Alá, além de desrespeitar própria concepção de divindade, que implica perfeição, subestima a inteligência de quem só lida com a lógica.
Por outro lado, a evolução do ser humano, esse ente que até hoje não conseguiu se despir inteiramente de sua animalidade original, está muito mais presente no dia a dia, na vida de todos, do que qualquer mostra de divindade. No Haiti, por exemplo. Deparei com um flagrante transmitido pela TV, que repugna a quem o encara com racionalidade. Dois jovens estendidos no meio da rua, um para cada lado, ambos feridos a bala por policiais, porque se lhes atribuía o “saque” de sacos de arroz. Um deles morreu logo depois.
Ora, se sabe que a fome se alastra no Haiti, faltam gêneros alimentícios, falta água, faltam tetos, os cadáveres se amontoam, o ar está emprestado como o cheiro da decomposição dos corpos. E a polícia agindo, como se tudo estivesse em ordem. Pior do que isso: ferindo mortalmente a quem se apodera de um saco de arroz, para matar a fome sua e de sua família.
É o império do primata, puramente animal, porque não se concebe que, no ordenamento jurídico do Haiti esteja ausente a milenar figura do furto famélico, que é a subtração de comida para matar a fome.
Não é preciso ser sábio, nem muito inteligente, para concluir que impera no Haiti, nessa hora, uma loucura coletiva, imposta pela dor, pela perda, pelo desespero, pelo desamparo total, pela fome, hora em que a animalidade pontifica, o homem mostra o que ele realmente é.
Como nunca, nessa hora, na ausência redentora de qualquer divindade, soa incontestavelmente verdadeiro o pensamento do escritor português Rogério de Freitas: “foi por isso que os homens inventaram Deus, para nos compensar de uma dignidade que nós não alcançamos.”
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
COM A PALAVRA, JANER CRISTADO
DEUS POUPA CRUZMAS MATA SANTA
Escreve-me Jorge A. Neto:
"O cordão carola de puxa-sacos do Tucano-Vaticanista se deleita com uma imagem de Cristo preservada em meio aos escombros do que um dia foi uma cidade. Escombros os quais, aposto o pouco que tenho nisso, incluem algumas milhares de estatuetas iguais sinistradas. Será que alguém fez uma contagem?Inebriados pela visão psicotrópica do Cristo preservado, o carolo-cordão sofre de amnésia seletiva e se esquece da Santa Arns, cuja cabeça não foi clemenciada do peso de uma laje de concreto no mesmo evento, ou ainda da Catedral principal da cidade que não teve a mesma sorte do santinho da foto e caiu na cabeça do vigário.E dos milhares de católicos sumariamente eliminados pelo furor tectônico, que parece ser um elemento natural que ainda não está muito sob controle dos desígnios de Javé. Hora de atualizar o software divino.Uma coisa pelo menos tenho que concordar com os evangélicos malucos: estas imagens tem poder imbecilizante. Cadê aquele pastor que chutava santas na TV? Aquele cara era OK.
Abraços, o blog está muito bom."
A imprensa aproveitou o terremoto para criar uma santa. O recórter tucanopapista hidrófobo da Veja usa o desastre para xingar os colegas da ideologia que professou em sua juventude: “Um grande crucifixo foi o que restou na igreja Sacré Coeur de Tugeau, em Porto Príncipe, destruída pelo terremoto do dia 12 no Haiti. No local, estava, entre outros, a médica e militante católica Zilda Arns, que morreu.
Mantenham a peça longe do Programa Nacional de Direitos Humanos, de Lula, Dilma Rousseff e Paulo Vannuchi. Resistiu ao terremoto, mas pode não resistir à estupidez”.
Cristão novo é assim mesmo. Tem de se fustigar com correntes para mostrar que negou o passado. À estupidez, não resiste o argumento do recórter hidrófobo tucanopapista. Dá a entender que Jeová salvou o símbolo do Filho, aquele instrumento de tortura que os católicos, em uma demonstração de mau gosto exemplar, brandem em nome de sua fé. Matou, no entanto, a devota que o cultuava. O recórter é aquele tipo de gente que agradece ao bom Deus quando se salva em uma queda de avião. Ok! Mas que tinha o bom Deus contra os demais?
Quanto ao pastor que chutou a santa, pelo que lembro, foi mandado para o degredo na África. Se já voltou, não sei. O chute escandalizou os católicos. Logo os católicos que, no início de sua trajetória, chutaram as imagens dos deuses pagãos. Em Lectures on the History of the Ancient Church, o historiador da Igreja Russa V. V. Bolotov menciona escritos de Libanio, sofista e professor de retórica no século IV, dirigidos ao imperador Teodósio I queixando-se dos ataques dos monges fanáticos contra os templos pagãos, destruindo monumentos antiqüíssimos e obras de arte muito valiosas, como a estátua que Fídias fez para representar Asclépios, o deus da medicina, “uma obra feita com tanto trabalho e com tanto talento e que foi destruída” na cidade de Beros.
Comentando Bolotov, escreve a historiadora Ana Martos: “Foi igualmente destruído o santuário de Eleusis, após celebrar durante onze séculos os mistérios mais populares do Mediterrâneo. Segundo Santo Agostinho, foi destruído por Alarico com ajuda de uma daquelas turbas de monges que, da mesma forma, derrubaram o famoso Serapeum de Alexandria, uma maravilha da arte helenística que pereceu em 391 após o edito de Teodosio que significou o fim do paganismo. O mesmo ocorreu com os santuários de Mitra, em alguns dos quais, segundo conta Gibbon, se encontram esqueletos acorrentados”.Ordens do chefe, que se vai fazer?
Em Levítico 26:29, Jeová proclama alto e bom som:“Destruirei os vossos altos lugares, derrubarei as vossas imagens do sol, e lançarei os vossos cadáveres sobre os destroços dos vossos ídolos; e a minha alma vos abominará. Reduzirei as vossas cidades a deserto, e assolarei os vossos santuários, e não cheirarei o vosso cheiro suave. Assolarei a terra, e sobre ela pasmarão os vossos inimigos que nela habitam. Espalhar-vos-ei por entre as nações e, desembainhando a espada, vos perseguirei; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em deserto.Ezequiel (6:4) retoma o propósito divino:“E serão assolados os vossos altares, e quebrados os vossos altares de incenso; e arrojarei os vossos mortos diante dos vossos ídolos. E porei os cadáveres dos filhos de Israel diante dos seus ídolos, e espalharei os vossos ossos em redor dos vossos altares. (...) Em todos os vossos lugares habitáveis as cidades serão destruídas, e os altos assolados; para que os vossos altares sejam destruídos e assolados, e os vossos ídolos se quebrem e sejam destruídos, e os altares de incenso sejam cortados, e desfeitas as vossas obras”.
O pastor da Universal até que foi tímido, se comparado ao Senhor. Apenas chutou uma santinha de pau oco.
Escreve-me Jorge A. Neto:
"O cordão carola de puxa-sacos do Tucano-Vaticanista se deleita com uma imagem de Cristo preservada em meio aos escombros do que um dia foi uma cidade. Escombros os quais, aposto o pouco que tenho nisso, incluem algumas milhares de estatuetas iguais sinistradas. Será que alguém fez uma contagem?Inebriados pela visão psicotrópica do Cristo preservado, o carolo-cordão sofre de amnésia seletiva e se esquece da Santa Arns, cuja cabeça não foi clemenciada do peso de uma laje de concreto no mesmo evento, ou ainda da Catedral principal da cidade que não teve a mesma sorte do santinho da foto e caiu na cabeça do vigário.E dos milhares de católicos sumariamente eliminados pelo furor tectônico, que parece ser um elemento natural que ainda não está muito sob controle dos desígnios de Javé. Hora de atualizar o software divino.Uma coisa pelo menos tenho que concordar com os evangélicos malucos: estas imagens tem poder imbecilizante. Cadê aquele pastor que chutava santas na TV? Aquele cara era OK.
Abraços, o blog está muito bom."
A imprensa aproveitou o terremoto para criar uma santa. O recórter tucanopapista hidrófobo da Veja usa o desastre para xingar os colegas da ideologia que professou em sua juventude: “Um grande crucifixo foi o que restou na igreja Sacré Coeur de Tugeau, em Porto Príncipe, destruída pelo terremoto do dia 12 no Haiti. No local, estava, entre outros, a médica e militante católica Zilda Arns, que morreu.
Mantenham a peça longe do Programa Nacional de Direitos Humanos, de Lula, Dilma Rousseff e Paulo Vannuchi. Resistiu ao terremoto, mas pode não resistir à estupidez”.
Cristão novo é assim mesmo. Tem de se fustigar com correntes para mostrar que negou o passado. À estupidez, não resiste o argumento do recórter hidrófobo tucanopapista. Dá a entender que Jeová salvou o símbolo do Filho, aquele instrumento de tortura que os católicos, em uma demonstração de mau gosto exemplar, brandem em nome de sua fé. Matou, no entanto, a devota que o cultuava. O recórter é aquele tipo de gente que agradece ao bom Deus quando se salva em uma queda de avião. Ok! Mas que tinha o bom Deus contra os demais?
Quanto ao pastor que chutou a santa, pelo que lembro, foi mandado para o degredo na África. Se já voltou, não sei. O chute escandalizou os católicos. Logo os católicos que, no início de sua trajetória, chutaram as imagens dos deuses pagãos. Em Lectures on the History of the Ancient Church, o historiador da Igreja Russa V. V. Bolotov menciona escritos de Libanio, sofista e professor de retórica no século IV, dirigidos ao imperador Teodósio I queixando-se dos ataques dos monges fanáticos contra os templos pagãos, destruindo monumentos antiqüíssimos e obras de arte muito valiosas, como a estátua que Fídias fez para representar Asclépios, o deus da medicina, “uma obra feita com tanto trabalho e com tanto talento e que foi destruída” na cidade de Beros.
Comentando Bolotov, escreve a historiadora Ana Martos: “Foi igualmente destruído o santuário de Eleusis, após celebrar durante onze séculos os mistérios mais populares do Mediterrâneo. Segundo Santo Agostinho, foi destruído por Alarico com ajuda de uma daquelas turbas de monges que, da mesma forma, derrubaram o famoso Serapeum de Alexandria, uma maravilha da arte helenística que pereceu em 391 após o edito de Teodosio que significou o fim do paganismo. O mesmo ocorreu com os santuários de Mitra, em alguns dos quais, segundo conta Gibbon, se encontram esqueletos acorrentados”.Ordens do chefe, que se vai fazer?
Em Levítico 26:29, Jeová proclama alto e bom som:“Destruirei os vossos altos lugares, derrubarei as vossas imagens do sol, e lançarei os vossos cadáveres sobre os destroços dos vossos ídolos; e a minha alma vos abominará. Reduzirei as vossas cidades a deserto, e assolarei os vossos santuários, e não cheirarei o vosso cheiro suave. Assolarei a terra, e sobre ela pasmarão os vossos inimigos que nela habitam. Espalhar-vos-ei por entre as nações e, desembainhando a espada, vos perseguirei; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em deserto.Ezequiel (6:4) retoma o propósito divino:“E serão assolados os vossos altares, e quebrados os vossos altares de incenso; e arrojarei os vossos mortos diante dos vossos ídolos. E porei os cadáveres dos filhos de Israel diante dos seus ídolos, e espalharei os vossos ossos em redor dos vossos altares. (...) Em todos os vossos lugares habitáveis as cidades serão destruídas, e os altos assolados; para que os vossos altares sejam destruídos e assolados, e os vossos ídolos se quebrem e sejam destruídos, e os altares de incenso sejam cortados, e desfeitas as vossas obras”.
O pastor da Universal até que foi tímido, se comparado ao Senhor. Apenas chutou uma santinha de pau oco.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
COLABORAÇÃO DA VIVIAN
Como se divertir no supermercado...
PORQUE AS MULHERES NÃO DEVEM LEVAR OS MARIDOS PARA AS COMPRAS
Depois que me aposentei, minha mulher insiste que eu a acompanhe quando vai fazer compras no supermercado.
Infelizmente, como a maioria dos homens, eu acho que fazer compras é chato e tenho que ficar inventando formas de passar o tempo. E a minha mulher é igual à maioria das mulheres, fica horas fazendo compras.
Resultado: ontem, minha querida esposa recebeu a seguinte carta do Carrefour:Cara Sra. Neuza Ferrari,Durante os últimos seis meses, seu marido tem causado grandes transtornos em nossa loja. Não podemos mais tolerar seu comportamento e portanto somos obrigados a proibir sua entrada. Nossas queixas contra seu marido estão listadas abaixo e documentadas através de nossas câmeras do circuito interno.
1. 15/Junho: Pegou 24 caixas de preservativos e colocou-as nos carrinhos de compra de outros consumidores enquanto não prestavam atenção.
2.. 02/Julho: Acertou TODOS os alarmes da seção de relógios para tocarem a intervalos de 5 minutos.
3. 07/Julho: Fez uma trilha de molho de tomate pelo chão da loja indo até o banheiro feminino.
4. 19/Julho: Dirigiu-se a uma funcionária e disse em tom oficial: 'Código 3 na seção de Utilidades Domésticas. Dirija-se imediatamente para lá'. Isto fez com que a funcionaria abandonasse seu posto e fosse repreendida pelo gerente, o que resultou em um grave incidente com o sindicato dos empregados.
5. 14/Agosto: Moveu o aviso de 'Cuidado, Piso Molhado' para a seção de carpetes.
6. 15/Agosto: Disse para as crianças que acompanhavam os clientes que elas poderiam brincar nas barracas da seção de camping se trouxessem travesseiros e cobertores da seção de cama, mesa e banho.
7. 23/Agosto: Quando um funcionário perguntou se ele precisava de alguma ajuda, ele começou a chorar e gritar: 'Porque vocês não me deixam em paz?' O resgate foi chamado.
8. 04/Setembro: Usou uma de nossas câmeras de segurança como espelho para tirar tatu do nariz.
9. 10/Setembro: Enquanto examinava armas no departamento de caça, perguntava insistentemente à atendente onde ficavam os anti-depressivos.
10. 03/Outubro: Movia-se pela loja de forma suspeita, enquanto cantarolava alto o tema do filme Missão Impossível.
11. 06/Outubro: No departamento automotivo, ficou imitando o gestual da Madonna usando diferentes tamanhos de funis
12. 18/Outubro: Escondeu-se atrás de um rack de roupas e quando as pessoas procuravam algum artigo, gritava: Você me achou, você me achou!
13. 21/Outubro: Cada vez que era dado algum aviso no sistema de som da loja, colocou-se em posição fetal e gritava: Ah não, aquelas vozes de novo!E por fim:
14. 23/Outubro: Foi a um dos provadores, fechou a porta, esperou um momento e então gritou: Ei, não tem papel higiênico aqui? Uma de nossas atendentes desmaiou.
PORQUE AS MULHERES NÃO DEVEM LEVAR OS MARIDOS PARA AS COMPRAS
Depois que me aposentei, minha mulher insiste que eu a acompanhe quando vai fazer compras no supermercado.
Infelizmente, como a maioria dos homens, eu acho que fazer compras é chato e tenho que ficar inventando formas de passar o tempo. E a minha mulher é igual à maioria das mulheres, fica horas fazendo compras.
Resultado: ontem, minha querida esposa recebeu a seguinte carta do Carrefour:Cara Sra. Neuza Ferrari,Durante os últimos seis meses, seu marido tem causado grandes transtornos em nossa loja. Não podemos mais tolerar seu comportamento e portanto somos obrigados a proibir sua entrada. Nossas queixas contra seu marido estão listadas abaixo e documentadas através de nossas câmeras do circuito interno.
1. 15/Junho: Pegou 24 caixas de preservativos e colocou-as nos carrinhos de compra de outros consumidores enquanto não prestavam atenção.
2.. 02/Julho: Acertou TODOS os alarmes da seção de relógios para tocarem a intervalos de 5 minutos.
3. 07/Julho: Fez uma trilha de molho de tomate pelo chão da loja indo até o banheiro feminino.
4. 19/Julho: Dirigiu-se a uma funcionária e disse em tom oficial: 'Código 3 na seção de Utilidades Domésticas. Dirija-se imediatamente para lá'. Isto fez com que a funcionaria abandonasse seu posto e fosse repreendida pelo gerente, o que resultou em um grave incidente com o sindicato dos empregados.
5. 14/Agosto: Moveu o aviso de 'Cuidado, Piso Molhado' para a seção de carpetes.
6. 15/Agosto: Disse para as crianças que acompanhavam os clientes que elas poderiam brincar nas barracas da seção de camping se trouxessem travesseiros e cobertores da seção de cama, mesa e banho.
7. 23/Agosto: Quando um funcionário perguntou se ele precisava de alguma ajuda, ele começou a chorar e gritar: 'Porque vocês não me deixam em paz?' O resgate foi chamado.
8. 04/Setembro: Usou uma de nossas câmeras de segurança como espelho para tirar tatu do nariz.
9. 10/Setembro: Enquanto examinava armas no departamento de caça, perguntava insistentemente à atendente onde ficavam os anti-depressivos.
10. 03/Outubro: Movia-se pela loja de forma suspeita, enquanto cantarolava alto o tema do filme Missão Impossível.
11. 06/Outubro: No departamento automotivo, ficou imitando o gestual da Madonna usando diferentes tamanhos de funis
12. 18/Outubro: Escondeu-se atrás de um rack de roupas e quando as pessoas procuravam algum artigo, gritava: Você me achou, você me achou!
13. 21/Outubro: Cada vez que era dado algum aviso no sistema de som da loja, colocou-se em posição fetal e gritava: Ah não, aquelas vozes de novo!E por fim:
14. 23/Outubro: Foi a um dos provadores, fechou a porta, esperou um momento e então gritou: Ei, não tem papel higiênico aqui? Uma de nossas atendentes desmaiou.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
COLUNA DO PAULO WAINBERG
Sobre o artigo abaixo, de Carlos Vereza
Paulo Wainberg
Carlos Vereza, brilhante ator brasileiro e ótimo estilista da linguagem, neste caso acho que exagerou, ao comparar o processo eleitoral de 2010, no Brasil, com a Noite dos Cristais alemã, dando início ao processo de 'solução final do problema judeu' através do extermínio industrial, amplo, geral e irrestrito.
Nunca, antes, neste País, se roubou tanto quanto no período da ditadura militar. Nunca, antes, neste País, se roubou tanto quando no governo Sarney. Nunca, antes, neste País, se roubou tanto quanto no governo Collor e seu sucedâneo. Nunca, antes, neste País, se roubou tanto quando nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. E nunca, antes, neste País, se roubou tanto quando nos dois mandados do governo Lula.
Neste último caso, desmascarou-se a cínica e hipócrita lenda da ética e da honestidade arrogada pelo Partido dos Trabalhadores como exclusividade. Mostraram-se, seus membros, tão ladrões quanto os outros.
E provavelmente, nunca, antes, neste País, se roubará tanto quanto no governo que suceder Lula.
A questão é de uma simplicidade capadócia: não havendo corruptores, não haverá corruptos.
Ora, o país que inventou o "jeitinho", a amável maneira de corromper, possui corruptos saindo das paredes, criando corruptos a rodo, seja por uma camiseta, uma cesta básica ou milhões de reais.
O País, que é uma Federação, funciona com um mínimo de autonomia dos Estados, mantem um Senado - em tese representante dos Estados Federados - totalmente inútil, corrupto e corruptor, consumindo incalculável valor da arrecadação tributária, fornecendo, na contra-partida, escândalos, empregos, e praticamente nenhuma influência legislativa.
Mais, ou menos, a Câmara de Deputados.
E não menciono o Judiciário porque... é óbvio.
Portanto, Carlos Vereza, com toda a admiração que há anos nutro por você, console-se: nada vai mudar.
Nem, apesar de insanos e odientos grupos neo-nazistas e anti-semitas ignorantes crônicos, dificilmente outra Noite de Cristal se repetirá, porque os judeus agora possuem um país, Israel, e as comunidades judáicas de outras nacionalidades, nunca mais baixarão a cabeça.
Paulo Wainberg
QUE DEUS NOS AJUDE E PROTEJA!
2010: Cristais quebrados
Carlos Vereza
Não é necessário ser profeta para revelar antecipadamente o que será o ano eleitoral de 2010. Ou existe alguém com tamanha ingenuidade para acreditar que o “fascismo galopante” que aparelhou o estado brasileiro, vá, pacificamente, entregar a um outro presidente, que não seja do esquema lulista, os cargos, as benesses, os fundos de pensão, o nepotismo, enfim, a mais deslavada corrupção jamais vista no Brasil?Lula, já declarou, que (sic) “2010 vai pegar fogo!”. Entenda-se por mais esta delicadeza gramatical, golpes abaixo da cintura: Dossiês falsos, PCC “em rebelião”, MST convulsionando o país… Que a lei de Godwin me perdoe - mas assistiremos em versão tupiniquim, a Kristallnacht, A Noite dos Cristais que marcou em 1938 o trágico início do nazismo na Alemanha.E os “judeus” serão todos os democratas, os meios de comunicação não cooptados (verificar mais uma tentativa de cercear a liberdade de expressão no país: em texto aprovado pelo diretório nacional do PT, é proposto o controle público dos meios de comunicação e mecanismos de sanção à imprensa). Tudo isso para a perpetuação no poder de um partido que traiu um discurso de ética e moralidade ao longo de mais de 25 anos e, gradativamente, impõe ao país um assustador viés autoritário. Não se surpreendam: Há todo um lobby nacional e internacional visando a manutenção de Lula no poder.Prêmios, como por exemplo, o Chatham House, em Londres, que contou com “patrocínios” de estatais como Petrobras, BNDES e Banco do Brasil, sem, até agora, uma explicação convincente por parte dos “patrocinadores”; matérias em revistas estrangeiras, enaltecendo o “mantenedor da estabilidade na América Latina”. Ou seja: a montagem virtual de um grande estadista…Na verdade, Lula, é o übermensch dos especuladores que lucram como “nunca na história deste país”.Sendo assim, quem, em perfeito juízo, pode supor que este ególatra passará, democraticamente, a faixa presidencial para, por exemplo, José Serra, ou mesmo Aécio Neves?Pelo que já vimos de “inaugurações” de obras que sequer foram iniciadas, de desrespeito às leis eleitorais, do boicote às CPIs, como o da Petrobras, do MST e tantos outros “deslizes”, temos o suficiente para imaginar o que será a “disputa” eleitoral em 2010.Confiram.
Paulo Wainberg
Carlos Vereza, brilhante ator brasileiro e ótimo estilista da linguagem, neste caso acho que exagerou, ao comparar o processo eleitoral de 2010, no Brasil, com a Noite dos Cristais alemã, dando início ao processo de 'solução final do problema judeu' através do extermínio industrial, amplo, geral e irrestrito.
Nunca, antes, neste País, se roubou tanto quanto no período da ditadura militar. Nunca, antes, neste País, se roubou tanto quando no governo Sarney. Nunca, antes, neste País, se roubou tanto quanto no governo Collor e seu sucedâneo. Nunca, antes, neste País, se roubou tanto quando nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. E nunca, antes, neste País, se roubou tanto quando nos dois mandados do governo Lula.
Neste último caso, desmascarou-se a cínica e hipócrita lenda da ética e da honestidade arrogada pelo Partido dos Trabalhadores como exclusividade. Mostraram-se, seus membros, tão ladrões quanto os outros.
E provavelmente, nunca, antes, neste País, se roubará tanto quanto no governo que suceder Lula.
A questão é de uma simplicidade capadócia: não havendo corruptores, não haverá corruptos.
Ora, o país que inventou o "jeitinho", a amável maneira de corromper, possui corruptos saindo das paredes, criando corruptos a rodo, seja por uma camiseta, uma cesta básica ou milhões de reais.
O País, que é uma Federação, funciona com um mínimo de autonomia dos Estados, mantem um Senado - em tese representante dos Estados Federados - totalmente inútil, corrupto e corruptor, consumindo incalculável valor da arrecadação tributária, fornecendo, na contra-partida, escândalos, empregos, e praticamente nenhuma influência legislativa.
Mais, ou menos, a Câmara de Deputados.
E não menciono o Judiciário porque... é óbvio.
Portanto, Carlos Vereza, com toda a admiração que há anos nutro por você, console-se: nada vai mudar.
Nem, apesar de insanos e odientos grupos neo-nazistas e anti-semitas ignorantes crônicos, dificilmente outra Noite de Cristal se repetirá, porque os judeus agora possuem um país, Israel, e as comunidades judáicas de outras nacionalidades, nunca mais baixarão a cabeça.
Paulo Wainberg
QUE DEUS NOS AJUDE E PROTEJA!
2010: Cristais quebrados
Carlos Vereza
Não é necessário ser profeta para revelar antecipadamente o que será o ano eleitoral de 2010. Ou existe alguém com tamanha ingenuidade para acreditar que o “fascismo galopante” que aparelhou o estado brasileiro, vá, pacificamente, entregar a um outro presidente, que não seja do esquema lulista, os cargos, as benesses, os fundos de pensão, o nepotismo, enfim, a mais deslavada corrupção jamais vista no Brasil?Lula, já declarou, que (sic) “2010 vai pegar fogo!”. Entenda-se por mais esta delicadeza gramatical, golpes abaixo da cintura: Dossiês falsos, PCC “em rebelião”, MST convulsionando o país… Que a lei de Godwin me perdoe - mas assistiremos em versão tupiniquim, a Kristallnacht, A Noite dos Cristais que marcou em 1938 o trágico início do nazismo na Alemanha.E os “judeus” serão todos os democratas, os meios de comunicação não cooptados (verificar mais uma tentativa de cercear a liberdade de expressão no país: em texto aprovado pelo diretório nacional do PT, é proposto o controle público dos meios de comunicação e mecanismos de sanção à imprensa). Tudo isso para a perpetuação no poder de um partido que traiu um discurso de ética e moralidade ao longo de mais de 25 anos e, gradativamente, impõe ao país um assustador viés autoritário. Não se surpreendam: Há todo um lobby nacional e internacional visando a manutenção de Lula no poder.Prêmios, como por exemplo, o Chatham House, em Londres, que contou com “patrocínios” de estatais como Petrobras, BNDES e Banco do Brasil, sem, até agora, uma explicação convincente por parte dos “patrocinadores”; matérias em revistas estrangeiras, enaltecendo o “mantenedor da estabilidade na América Latina”. Ou seja: a montagem virtual de um grande estadista…Na verdade, Lula, é o übermensch dos especuladores que lucram como “nunca na história deste país”.Sendo assim, quem, em perfeito juízo, pode supor que este ególatra passará, democraticamente, a faixa presidencial para, por exemplo, José Serra, ou mesmo Aécio Neves?Pelo que já vimos de “inaugurações” de obras que sequer foram iniciadas, de desrespeito às leis eleitorais, do boicote às CPIs, como o da Petrobras, do MST e tantos outros “deslizes”, temos o suficiente para imaginar o que será a “disputa” eleitoral em 2010.Confiram.
Assinar:
Postagens (Atom)