quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

COLUNA DO PAULO WAINBERG

EUFEMISMO ANAL
Paulo Wainberg


A próstata, segundo eles, é uma glândula exócrina que faz parte do sistema reprodutor dos mamíferos machos.
O conceito exige uma definição em termos, para melhor compreensão do significado: glândula todos nós sabemos o que é, pulemos, pois, esta parte.
Exócrino é outra conversa. O prefixo “exo”, segundo a corrente dominante entre os morfologistas e pesquisadores de gramática histórica, significa aquilo que está fora, o externo, por exemplo: “exato”, aquilo que não integra o ato, que estão fora dele, sabendo-se que a palavra “exato” decorre da eliminação do hiato “oa”, que figurava em “exoato”, em virtude da evolução do latim clássico para o latim vulgar.
Não sei se é verdade, mas como explicação...
Outro exemplo clássico encontra-se na palavra “exógeno” que significa, como a palavra está dizendo, fora do gene.
Assim que, no contexto conceitual morfológico, “exócrino” seria “aquilo que está fora do crino”.
Ao seguir da pesquisa descobrimos que “crino” é o nome vulgar de “crinus mooreai”, palanta da família das amaryllidaceae, originária da África do Sul que produz, perenemente, flores brancas e róseas, necessitando tão somente de regas regulares e esterco como adubo.
Conclusão: Exócrino é tudo aquilo que está do lado de fora de flores sul-africanas brancas e róseas.
Nesse sentido a próstata é uma glândula constituída do que não pertence às flores sul-africanas.
Simples?
Não. Nada simples.
É que, para eles, exócrino é coisa muito, mas muito diferente. O exócrino, segundo eles, é uma glândula que produz secreções.
Portanto a próstata produz secreções, secreções que se combinam com o esperma do mamífero macho que, atingindo o alvo, isto é, o ovário do mamífero fêmeo num dia bom, gera, reproduz, faz nascer mamiferozinhos por todos os lados.
A primeira conclusão realmente relevante sobre a matéria é que os mamíferos fêmeos não possuem próstata e, conseqüentemente, estão livres do respectivo câncer.
Entretanto o mamífero macho – eu, por exemplo – possuo próstata e todas as suas conseqüências, inclusive as piores. Eles estipularam exames periódicos, indicados aos mamíferos machos a partir de certa idade, para prevenir o, como eles denominam, câncer de próstata, mortal por definição.
Assim como os poetas amam a metáfora, os políticos amam a retórica, os profetas amam a parábola, os psicopatas amam a sedução e os racistas amam a porrada, eles amam o eufemismo.
Eufemisticamente definiram o ato de enfiar o dedo no cu do mamífero macho como “exame do reto”, um equívoco grosseiro deles, sabendo-se que o ânus, por definição e natureza, é sinuoso e além, apesar e por conseguinte das preferências ideológicas individuais e de cada um, está mais para “exo” do que para “intra”.
Dá-se que o mamífero macho – eu, por exemplo – ao atingir a idade preconizada, obriga-se ao procedimento eufemístico anual, qual seja? Levar um dedo no rabo para ver se a glândula secrecional chamada próstata está no tamanho normal, aumentou de tamanho, se ali aparece uma hiperplasia maligna, sabendo-se que hiperplasia significa, singelamente, hiperplasia.
E lá se vai o mamífero macho – eu, por exemplo – depois de conseguir hora com ele, resignadamente ao encontro do seu destino, cruel para uns, feliz para outros, indiferente para aqueloutros, os que não sentem nada quando entra e quando sai.
Entretanto, por ser da natureza deles, por atender às necessidades psico-psico deles e até mesmo por causa do modelo formativo dos respectivos dedos perfunctórios, uns nos colocam de quatro, outro nos fazem deitar de barriga para cima e pernas abertas, outros nos mandam apoiar os braços e inclinar tudo para traz e os, em minha opinião os piores, nos fazem deitar de barriga para baixo e de pernas fechadas.
Pelados.
O mamífero macho – eu, por exemplo – submetido à posição determinada, observa com o canto dos olhos os movimentos dele: enfiar uma luva de borracha, vazelinar o dedo indicador e apontando para alvo, vir em sua direção com a naturalidade de quem, por força do hábito, já não distingue um rabo de outro.
Pela mente do mamífero macho do momento passam idéias confortadoras como: não vai doer, vai ser rápido, vai ser bom (para uns), não vou gostar (para outros).
Enquanto ele fala banalidades o mamífero macho sente a penetração deslizante, um calor inusitado, percebe os movimentos circulares, ouve os sons que ele produz ahan, humm, bom e... terminou, que é quando o mamífero macho descobre como é difícil, o quanto é complicada a relação dele com suas vias excrementais.
A eternidade em trinta segundos e não se fala mais nisso.
Minutos depois, sentado à frente dele, devidamente vestido, escuta o diagnóstico com lêsmica dignidade, como se nada houvesse acontecido de anormal, como se seu “reto” não tivesse sido invadido, como se não tivesse acabado de levar um dedo de homem no cu, como se, em nome da saúde, ser enrabado fosse um imperativo lógico.
Não sou ninguém para afirmar, mas acredito que os mamíferos machos homossexuais também não gostam da experiência porque ela é nada romântica, muito menos evocativa.
É um ponto fundamental que distingue os gêneros, pois os mamíferos fêmeos não estão sujeitos à tal manipulação ou, melhor dizendo, dedo-introdução, salvo quando é por prazer.
E quando é por prazer os mamíferos se igualam, machos e fêmeos. Nesse caso é tudo de bom.
Certa vez perguntei a um deles, já na idade propícia, como se sentia no momento do eufemismo.
“Eles”, para quem ainda não entendeu, sãos os médicos em geral e os urologistas e similares em particular.
A resposta dele me confortou: - Horrível.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A QUEM INTERESSA CRIAR UMA "GUERRA " ENTRE OS PODERES?

Antonio Sbano, Juiz de Direito
(DO INFORMATIVO DA ANAMAGES)

Nos últimos dias a imprensa não tem poupado tinta para alardear uma verdadeira guerra entre os Poderes da República, em especial entre o Legislativo e o Judiciário.
Se, de um lado, sabemos ser tônica de nossa mídia vender jornal e conquistar audiência enaltecendo a “sinistrose”; de outro, é preciso entender que a divulgação das fanfarronices de uns poucos gera instabilidade política e deixa o povo atônito e desacreditado no próprio Poder Público – sem governo, não há Estado que resista.
Divulga-se, v.g, a podridão e a vitória dos bandidos, omitem-se as condenações e as boas ações!
Vamos por parte:
a) a OAB questiona decisão do CNJ por entender não estar sujeito ao teto salarial a remuneração percebida por atividade extra serviço público. É mais um tiro no pé, como o foi a extinção do recesso forense (os advogados, hoje, não têm férias). A limitação diz respeito ao serviço público interno ao Poder. O magistrado, por imposição constitucional só pode exercer um cargo de professor e, ainda assim, se não houver conflito de horário. Ninguém está obrigado a trabalhar de graça, o tempo da escravidão já se foi!
Mas, não é só!
O teto é mera piada e foi instituído apenas para humilhar e esvaziar o Judiciário, manobra típica de quem tem medo se ser submetido a julgamento por juízes independentes. No executivo, ele não existe e, dias passados, foi noticiado um salário de R$ 40.000,00 para um mero representante do governo para assuntos de segurança junto ao governo português – e se formos ver por aí afora, tem muita gente ganhando acima do teto constitucional porque ele só foi imposto ao Judiciário (e deveria ser para todos); no Legislativo, os salários também não atingem o teto, mas deveriam atingir, é norma constitucional, porém as vantagens não tributadas são enormes, como as chamadas verbas de gabinete, hoje em torno dos R$60.000,00. E, parlamentares não estão impedidos de continuarem com suas atividades normais, nem se fala dos limites do teto.
Uma perguntinha à OAB: seus representantes que estão encastelados no CNJ, também devem ficar proibidos de receberem honorários e remuneração outra por suas atividades na advocacia ou empresarial ou educacional, uma vez que tais valores ultrapassam o teto e o CNJ faz parte do Poder Judiciário?
Vão atirar no próprio pé, mais uma vez?
Mais grave, pessoas que foram presas durante o regime militar estão a receber do governo polpudas indenizações, algumas milionárias, e indenizações mensais bem superiores ao teto da Previdência e aos subsídios, mesmo os que mataram, assaltaram, sequestraram ou praticaram outras barbáries, tão execráveis quanto a tortura (e ela existiu dos dois lados)!
b) Anuncia-se retaliação de alguns parlamentares por entenderem que o Judiciário os incomoda: proibiu a nomeação de parentes; indefere registro de candidatos e por ai afora.
A reforma do Código Civil dormitou em berço esplêndido nas gavetas do Congresso cerca de meio Século; a reforma política e a fiscal são cantadas em prosa e verso, mas ano após ano não passam do discurso; a lei complementar regulamentadora da inelegibilidade aguarda a 20 anos sua edição; a dispensa arbitrária do trabalhador aguarda também a 20 anos a sua regulamentação e, via conseqüência, os conflitos surgem e o Judiciário é chamado a se manifestar, as vezes até para solucionar brigas internas entre o Senado e a Câmara, ou entre seus próprios Pares.
O Executivo reclama das liminares na área da saúde. Indaga-se, por que não pune seus servidores que negam vigência à norma constitucional, obrigando o cidadão a recorrer ao Judiciário?
O Executivo usa e abusa de medidas provisórias e o Congresso, aturdido e sobrecarregado, fica quieto e aceita tal monstruosidade.
O resultado é simples o Judiciário cumprindo a Constituição, e ela foi aprovada por parlamentares integrantes de uma Assembléia Nacional Constituinte, e já totalmente mutilada por emendas e remendos casuísticos, decide e uns poucos resolvem ameaçar com retaliações.
Evidente que, enquanto a imprensa foca seus holofotes em discursos ensaiados e com fim específico de desviar as atenções deixando a largo graves problemas nacionais, o baixo clero aproveita para aparecer, marcar presença e tirar vantagens, ainda que a República venha a explodir.
Os poucos arautos do caos deveriam se voltar para por fim ao excesso de medidas provisórias, à votação da reforma política e tributária, a editar as leis complementares ainda não editadas apesar dos 20 anos de vigência da Constituição e, se tais assuntos são incômodos, por que não se voltam para os graves problemas sociais: filas imensas em todos os órgãos públicos, saúde aos frangalhos; segurança zero, educação combalida e cada dia pior e com o governo se preocupando com números e não com a qualidade.
No fundo, uns poucos parlamentares e outros ex (e que já deveriam estar na cadeia não fossem nossas leis um cipoal a premiar a impunidade) precisam ler uma passagem Bíblica que nos diz:
- Atire a primeira pedra, aquele que nunca pecou!
O Brasil, para consolidar sua jovem democracia, precisa de PAZ e HARMONIA entre seus Poderes e não de retaliações. O Judiciário brasileiro segue a tendência moderna, inclusive adotada pelos Estados Unidos, de decidir as grandes questões pendentes e que já deveriam ter merecido tratamento legislativo a muitos anos – e assim o fazendo, não invade a seara de ninguém, apenas cumpre com a Constituição e aplica a lei ao fato concreto, dever seu, sob pena de prevaricar.
Ao invés de pregar o caos, o que só interessa quem deseja viver à margem da lei (segundo a grande imprensa, um deputado chegou a declarar que o Judiciário deveria ser complacente com quem não tem passado limpo e que deveria “negociar”) esse pequeno grupo de retaliadores deveria honrar o voto recebido e trabalhar em prol de quem os elegeu e não em prol de seus interesses pessoais. Nem sempre éticos.
A esse Deputado lembro que tribunal não é balcão de negócios, nem mercado persa, decidindo-se de acordo com a lei – quando, eventualmente, aparece um mercador em nosso meio, denunciado, é afastado e punido, após o devido processo legal.
Lembro, ainda, que nas últimas eleições, por falta de lei complementar às inelegibilidades (20 anos de espera!) uma candidata foi eleita, mesmo estando PRESA!
Dirá S.Exa: é a vontade do povo!
Retruco: vontade é algo livre. O que se tem é o VOTO DO MEDO, substituindo o voto de cabresto!
Enfim, que o Executivo governe; o Legislativo legisle e ponha fim a farra de MPs. do Executivo e que o Judiciário faça o seu papel, ou seja, continue julgando ainda que decida contra o interesse de grupos ou de pessoas que se acham acima do bem e do mal – seu único compromisso deve ser com povo brasileiro, no qual se incluem a grande maioria de bons e dignos Parlamentares.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

COLABORAÇÃO DA VIVIAN

Um pastor de ovelhas estava cuidando de seu rebanho, quando surgiu pelo inóspito caminho uma Pajero 4x4 toda equipada. Parou na frente do velhinho e desceu um cara de não mais que 30 anos, terno preto, camisa branca Hugo Boss, gravata italiana, sapatos moderníssimos bicolores, que disse:
- Senhor, se eu adivinhar quantas ovelhas o senhor tem, o senhor me dá uma? - Sim, respondeu o velhinho meio desconfiado.
Então o cara volta pra Pajero, pega um notebook, se conecta, via celular, à internet, baixa uma base de dados, entra no site da NASA, identifica a área do rebanho por satélite, calcula a média histórica do tamanho de uma ovelha daquela raça, baixa uma tabela do Excel com execução de macros personalizadas, e depois de três horas, diz ao velho:
- O senhor tem 1.324 ovelhas, e quatro podem estar grávidas.
O velhinho admitiu que sim, estava certo, e como havia prometido, poderia levar a ovelha. O cara pegou o bicho e carregou na sua Pajero.
Quando estava saindo, o velho perguntou:
- Desculpe, mas se eu adivinhar sua profissão, o senhor me devolve a ovelha?
Duvidando que acertasse, o cara concorda.
- O senhor é advogado ?!?! diz o velhinho...
- Incrível! Como adivinhou?
- Quatro razões:
- Primeiro, pela frescura;
- Segundo, veio sem que eu o chamasse;
- Terceiro, me cobrou para dizer algo que já sei.
- E quarto, nota-se que não entende merda nenhuma do que esta falando: devolve já o meu cachorro!!!!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

COLUNA DO PAULO WAINBERG

PORNOCONTOS DA CABROCHINHA
Paulo Wainberg


Era uma vez, há muito tempo atrás, uma jovem marota que embora imprébere, transava. Ela morava no interior de um antigo país num vilarejo que se chamava Vilarejo
Em sexo ela era poscoce porque fora precoce em suas pregas mensuais, hormonizando-lhe de tal forma o corpo que todo fome tacho, bastava molhar a melina para logo sentir o cauduro. Além disso era dada a marota, muito dada, tão dada que bastava pedir-lhe que dava.
O primeiro a perceber-lhe os tributos foi o bom e velho Cura da vila, olhando-a de mochas de fora, em plena confecção, no confeccionário da Curiola. A pepina confeccionava-lhe as fantasias que tinha sobremesa à noite, na lama, quando se engraxava toda, femurosa de pesão. Profundamente oscarizado o bom e velho Cura ordenou-lhe que dentrasse no jacinto interno onde, já preparado, exibiu-lhe o bardo posto de fora, verdadeira clava forte justiceira, eis que erguera a polaina e baixara as petecas. À visão do lancinante baralho ela estendeu mamão, mas o bom e velho Cura tinha outras medéias. Puxando-a para si explorou-lhe as coxias, explicando-lhe a sacravoz o que não deveria permitir que lhe fizessem os fomes da Vila. Depois, prosseguindo o ensilhamento, ordenou-lhe que aporcalhasse o dardo e procedesse qual ventosa chupeteira.
A jovem trabalhou o cravo com tal gula e rapacidade que pareceu ao bom e velho Cura tratar-se ela de uma litigante sexual calibrada e não a inês e parente que parecia. Ao decorrer ela sentiu entulhar-se-lhe a boca de um líquido pente e espumoso que, sem maiores milongas engoliu de trago, percebendo em seguida que a trave há pouco trovejante dismilinguia, culminando por ejacular-se parcimoniosamente da oralidade dela, restando-lhe na míngua um leve gosto a clorofórmio.
No decorrer da aula o bom e velho Cura fenestrou-a sobre os coelhos e espalmou-lhe a mão novalgina, explicando que ali, nebacetim, encontrava-se o pletórix que, dedo a dedo encarninhou até vê-la flagar, fremer e glosar.
Encerrada a prosódia o bom e velho Cura receitou-lhe dez mil nossos, trezentas aves e sete quo vadis após os quais ela deveria retornar, de preferência na próxima quinta-feira quando, sodomizada-lhe a calma, seria por ele bordoada de novos recados.
A poça chamava-se Maria das Dores, mas seu apelido não era Madá como seria justo supunhetar. Devido a uma rita colorida que sempre lhe prendia os farelos morenos e esfumacentos, era conhecida no lugarejo como Papelzinho sem Grelho e logo tornou-se a alergia de Lugarejo.
O primeiro a efetivamente pedir-lhe, deslumbrado com suas normas descomensais, foi Josafel, o carniceiro, numa tarde em que ela, por ordem da mãe, fora comprar um quilo de chulé pingpong.
Ela, de tranco aceitou e ali mesmo, atrás do frigobar, ele abaixou-lhe as calminhas e enfiou-lhe o pau na buceta, sem dó, sem ré e sem mi, estripando-lhe o matambre.
Papelzinho, assim desgavetada imediatamente aderiu à soda, ajustando seu logaritmo ao sir e vir de Josafel até que foi enlevada ao esganiço.
Josafel, que não era bobo nem brocha, guardara-se para o cúmulus. Botou a potranca de prato, ergueu-lhe a tunda à la carte e cravou-lhe a acha no múnus, sem chiste, gasolina ou fel. Esbragou-lha em seco fazendo com que ela, apesar da cor inicial, novamente chegasse ao esganiço, justo no momento em que Josafel, num solfejo sufural, desaguachou com abundância, deixando-a sanfonada lá atrás, galopante e perdiz.
Depois de Josafel, o próximo a pedir foi Fernandel, o maquineiro. Em seguida Ravel, o flibusteiro, Marvel o farinheiro, Manoel o varejeiro, Gardel o lapiseiro, Jor-El o kriptoneiro, Reverbel o putanheiro e finalmente El o pandeiro. Em pouco mais de um mês os fomes da Vila haviam carcomido Papelzinho Sem Grelho. Para manter a ordem e o degredo, organizavam-se em fila etrusca, isto é, lado a lado, razão pela qual pum não sabia do potro, mantendo-se intacta a putrefação da bambinha.
Sucedeu que a popó de Papelzinho sem Grelho, que morava do outro lado da fenestra, ficou dormente. A mãe de Papelzinho deu-lhe um incesto de palha recomendando que levasse à popó e que tivesse muito cuidado ao atravessar a fenestra por causa do global.
- Não se abermude, mamãe - disse-lhe a pilha.
Em seguida, palpitante e roceira, posse a caminho, cantando sua menção caturrita:
- Pela enxada afora, eu vou tão cozinha, levar essas foices para a popozinha.
O global, que não era lobo nem nada, imediatamente traçou seu ardil. Em rápida ferocidade chegou à casa da Popó antes de Papelzinho e de uma só vez engoelou a velinha, botou a rouca dela, os brócolis e a carambola e deitou-se na lama, esperando por Papelzinho sem Grelho a quem de há muito queria computar.
Mal dentrou na casa Papelzinho escomungou o fedor. Estava mercúrio no parto da popozinha e ela se aporrinhou da lama, a antepé antepé.
- Popozinha, nossa, porque essas ovelhas tão rompidas?
- É pra te escarunchar melhor, minha tetinha – disse o global.
- E esse chafariz tão cherrybrande?
- É pra de furungar melhor, minha tetinha – disse o global.
- E esses molhos tão gardenóis?
- É pra te molhar melhor, minha tetinha – disse o global.
- E essa toca tão cheia de pentes?
- É pra te refogar melhor – rugiu o global, pululando sobre ela.
Tetricamente ela se escondeu dentro do guardavalas enquanto o global, esburrava a torta, tentando abril.
Capitel, o castrador da seresta, vescoutra visitava a popozinha para tomar um nhá, um jafé e algumas doses de risque, que a veiota emborcava um bago firme. Ouvindo os burros do global e os fritos de Papelzinho sem Grelho, logo preceptou o endrigo. Empunhetou sua pandorga pano duplo gengibre 82 de nove litros, derrogou a torta da casa e disparou carteiro tiro, capando a cabeça do global. O nicho não tossiu nem mugiu e esmerilhou-se no chão sujando tudo de gangue.
Os gritos de Papelzinho estavam deixando Capitel curdo. Estuprou a porta do guardavalas dizendo:
- Sou eu Papelzinho, Capitel, o castrador da seresta.
Divagar ela abriu a torta do canário e ao vê-lo atirou-se em seus braços e se agarrou com tanta força que Capitel logo sentiu erguer-se-lhe o trator.
- Global comeu a popó! Global comeu a popó! Esganiçava Papelzinho aos brandos.
Rápido como um radio ele sacou o cinzel da guaiaca e pôs-se a deslombrigar o estrômbago do global, dizendo:
- Vamos larvá-la, vamos larvá-la.
- Você está rouco? – berrou Papelzinho. – Rélôooouôoo! Você tacha que popozinha está diva na lombriga do global? Pare com essa goteira! Crases, que pojo!
Imediatamente ele parou a liturgia. Coçando as falenas, perfilou consigo mesmo: “Papelzinho tem rasgão, a corola deve estar carcomida pelos mucos drásticos ou então enforcada pelo destino delgado. Ou grosso, sei lá”.
- Tudo blém, vou levar a carapaça e enterrar o nicho no varal.
Assim disse e assim fês. Quando retornou, Papelzinho sem Grelho estava sentada na lama formigando, as lápides escorrendo pelas alfaces, molhando suas ameixas:
- Pobre popozinha, ela ia adorar as foices – dizia aos prepúcios, mastigando um brechó de almôndegas.
Capitel dislumbrou-a de salto ao caixo: os novelos, a lombriga das ternas, a barriquinha lisa e os lúgubres farfalhantes que pareciam explodir sob a blusa de tifó. Examinou-lhe o caroço, a suavidade da tara e com extulta corneação concluiu que Papelzinho sem Grelho, apesar de ainda ser imprébere, transava.
Ela, por sua vez, mesmo que dada não era ofertada. Vale dizer: ela só dava quando lhe pediam.
Capitel sentou ao lado dela e pousou-lhe a mão na mão. Ele era um ferrabraz túmido, não tinha muito azeite com colheres. E ali ficou, segurando a mão dela em fulgêncio.
Como ele não pedia, Papelzinho até cogitou de ofertar. Mas isso ela não farinha. Dejeto nenhum.
De repente Capitel, capitulado por um súbito confúcio, desferiu-lhe um queijo que ela contribuiu, enfiando-lhe a míngua entrementes, aderindo-lhe as saúvas, postergando-lhe as moquecas e espiralando-lhe as gônodas.
Sucedeu-se uma soda fenomenal, tal qual ela doravantes jamais havia sentido com nenhum outro tacho da Vila com quem configurara. Depois potra e mais potra e uma ainda potra mais, foi tanta sodação que ela pediu mágoa, reprobou por um pouco de remanso e finalmente faliu em sono coturno.
Capitel estava nas luvas. Sentia-se totalmente encaixotado por Papelzinho. Não demorou em tomá-la por raposa, não sem antes pedir-lhe a mãe em vasamento. Tiveram muitos milhos e viveram reprises para sempre.
Quando Capitel e Papelzinho sem Grelho passeavam nas puas de Vilarejo os fomes olhavam o nasal, riam a sucata e surubavam entre si, aos bochinchos:
- Aí vai Capitel, o forno.
E assim termina esta história. Quem gostou que conte outra, quem não gostou que não conte.
Como é do feitio da fábula, a nossa também tem uma moral, uma lição, um corolário imprescindível, um quod erat demonstrandum suficiente e necessário, um imperativo ético, um logradouro do viés.
Moral da História:
“NÃO CONFUNDA ENFIANDO O LADO PONTUDO DO PREGO COM A BUNDA DO CORNUDO CANTANDO FADO EM GREGO.”

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS

RICO RI À TOA

João Eichbaum

Ninguém me disse. Eu mesmo vi, com esses olhos que a terra vai comer, mas que vai ter uma indigestão depois, ai de vocês que sobreviverem. Pois com esses olhos eu vi o Lula, barrigudo e feliz, com aquele barrigão de nove meses, sorrindo e abanando pros miseráveis. A foto estava em todos os jornais do país. Pois ele tava lá nas praias da Baía, depois de ter estado em Fernando Noronha, um lugar que poucos brasileiros conhecem, junto com “ patroa”, curtindo a vida “dura”de presidente da República.
E aí pensei: viu o sindicalista, o barbudo aquele, que até chamavam de sapo, com os olhos injetados, fulminando de ódio todos os patrões do Brasil, fazendo discursos de raiva, incitando greves, distribuindo panfletos na frente das fábricas? Pois taí, ó. Mas é outro Lula. É o Lula rico agora, barrigudo mas feliz, rindo dos pobres, rindo da cara daqueles que vão morrer com o orçamento do “bolsa família”, mas nunca vão conhecer Fernando Noronha.
Ele chegou lá, graças ao voto da pobreza, dos chinelões, dos analfabetos, dos desidiosos, dos comunistas de gravata, de colarinho, dos guerrilheiros que agora são seus ministros.
Ele e seus ministros chegaram lá e agora estão numa boa, curtindo a vida, saboreando o melhor da vida com o dinheiro dos patrões, que ele próprio e os comunistas condenavam, o dinheiro que enche as burras da república, graças aos impostos de que ele não abre mão e agora acha bom, porque graças a esse dinheiro a Presidência da República dispõe de viagens e “férias” maravilhosas, uísque doze anos, champanhe francesa, vinhos finíssimos, caviar e muito mais.
E é por isso que ele quer ficar mais quatro anos ou, voltar, depois do próximo mandato, o que estará garantido pelo povinho do “bolsa família”, que pode tomar cachaça à vontade, sem precisar trabalhar.
Isso é que é vida, gente!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

COLUNA DO PAULO WAINBERG

Viu? Viu porque eu tenho que quebrar a cara desse biógrafo? É um incompetente e só conta as coisas pela metade! Foram quatro freiras que abandonaram o Hábito! O safado não perde por esperar e já pode ir encomendando a nova dentadura.


Apenas para constar, este biógrafo informa que acabou de concluir seu curso de cu-tsen-pung e já é faixa lilás...

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Deixa ele pra lá. Como dizia o Velho Sargento, se você pisar na merda, Calhorda, seu pé vai feder.
Ah o Velho Sargento, quanta saudade daquele anão que eu pegava no colo para que ele pudesse gritar ao meu ouvido....
O meu algo vinha novamente em meu socorro. Não que eu precise, mas ele veio mesmo assim. Era aquele algo a mais que não se acha em prateleira de botequim nem em loja de carros usados.
O algo me disse o que eu já sabia mas ainda não sabia que já sabia. Sem pestanejar, sem piscar nenhum dos três olhos, invadi a sala do Chefe, sentei na poltrona, cruzei as pernas mostrando um pedaço do meu tornozelo porque minha meia estava caída.
O chefe abriu a gaveta dele e tirou lá de dentro um par de socos-ingleses que depositou sobre a mesa, olhando para mim de cima para baixo porque a cadeira dele era mais alta do que a minha poltrona.
Sustentei o olhar como se fosse um retentor ou pastilha de freio.
Jogamos sério por alguns segundos e então, sem pigarrear, eu disse:
- Por que o senhor queria soltar o cossaco, hein Chefe? Qual é o seu interesse neste caso, hein Chefe? Por acaso tu é sócio do cossaco em algum esquema? Por acaso o Departamento está comprando clipes piratas e pagando como se fossem originais? Hein Chefe?
Eu sou assim, não tenho meias palavras. Para mim meia palavra é bosta, em terra de cego quem tem olho é cu, devagar não se chega nem na esquina e quem está na merda não pia. E como não sou macaco estou em todos os galhos. Entendam isso! É assim que eu sou mas eu sou assim.
Duro.
Mole.
Por fora.
E por dentro.
Não me venha de chinelas ao chuveiro e só coce as minhas costas se tiver seios de nascença.
- Então você descobriu, Eloir – disse o Chefe colocando um soco-inglês em cada mão. – Tenho que reconhecer, você é esperto e tem mais sorte do que juízo. Sim, o cossaco é meu sócio desde o tempo em que comunista comia criancinha. O que você pretende fazer agora, Eloir? – perguntou o Chefe, ajustando o soco-inglês da mão direita.
Podem me chamar de tudo, menos de burro. Até ignorante eu aceito, daí para frente é ofensa. E o último que me ofendeu nunca mais disse uma palavra. Ajustei a calça para tapar o tornozelo e respondi:
- Qual é a instrução, Chefe? Estou aberto às propostas.
- Vinte por cento.
- Trinta.
- Vinte e cinco.
- Trinta.
- Com recibo?
- Recibo só dou de cinco.
- Fechado.
O Chefe retirou lentamente as soqueiras, colocou-as dentro da gaveta, recostou-se na cadeira e disse:
- Aceita um cafezinho, sócio?
- Não obrigado, Chefe. Mas tu pode tomar um.
E levantei da poltrona. Antes de fechar a porta olhei para o Chefe que já colocava o celular no ouvido. Falei baixinho mas pra ele ouvir, que a mulher dele adorava de quatro e saí para a rua. Eu precisava de ar puro, de ar fresco, de ar.
A cidade, naquele entardecer, parecia triste mas não me importei porque eu estava alegre. Antes de ir para casa para tomar meu café com leite e bolacha Maria com meu grande gato preto que jamais miava, ainda ouvi a voz do Velho Sargento, meu antigo instrutor na mitológica Escola de Polícia, que por ser anão nunca usou cueca samba canção, berrando em meus ouvidos: - Nunca esqueça, escroto, que a única diferença entre um marginal e os outros é a instrução. Entendeu?, canalha, a instrução
OIR VAI FUNDO (conclusão)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

COLUNA DO PAULO WAINBERG

ELOIR VAI FUNDO
Paulo Wainberg

Como sempre faz na hora agá, Eloir passou a narrativa para este que vos fala. Quem sou eu? O biógrafo, é claro, um homem que dedica sua vida a contar as notáveis façanhas desse policial sui generis, como já fez nos casos do Carrilhão Quebrado e de Um Susto na Escuridão, mesmo com o custo de duas dentaduras novas.
É que Eloir não me suporta, lamento dizer. E costuma demonstrar-me isso mediante o uso de seu vigor físico e socos na cara.
Mas não me importo, não sou como certos biógrafos que se anulam para exaltar o gênio dos biografados, como aquele inglês elementar, o segundo mais conhecido no mundo.
Como sempre acontecia Eloir chegou ao Perfidu’s em horário de aula e todas as virgens estavam em classe. Contentou-se com três das antigas e tarimbadas o que não lhe desagradou totalmente, porque estava impaciente com o caso do cossaco e não queria perder tempo com defloramentos.
Satisfeito, voltou aos seus domínios, onde conhecia cada passo do camelo, cada marca de bicicleta e cada meandro marginal: as ruas.
Depois de duas bofetadas na cara de Xoxô, seu antigo informante e amigo, Eloir recomendou:
- Desembucha, Xoxô!
Antes da resposta desferiu outras duas bofetadas para clarear as idéias de Xoxô, soltou-lhe o pescoço e manteve uma mão no peito do rapaz, ancorando-lhe as costas contra a parede de tijolos, no beco, pressionando de leve, o suficiente para Xoxô mal conseguir respirar:
- Não sei de nada Inspetor, juro, estou limpo cara, fock you!
Eloir ergueu a sobrancelha direita, estreitando ainda mais sua estreita testa. Seu olhar era fino como um bisturi, frio como um pé descalço no gelo, ameaçador como um corno de javali.
- O cossaco, Xoxô, abre o bico bastardo, qual é a do cossaco? Você me conhece, moleque, não me queira como inimigo! Desembucha de uma vez!
- Cossaco? Que cossaco, Inspetor? Não se de nada, juro, não sei de cossaco nenhum, cara.... tudo bem, tudo bem, estou me lembrando, o senhor está falando do cossaco? Aquele cossaco?
- Hehehe....
- Aquele que é amigo do deputado? Que vende dvd pirata de campanha eleitoral para vereador?
- Hehehe...
- Não sei nada dele, Inspetor, juro pela alma do meu avô.
Eloir era assim, mas era assim que ele era. Duro por dentro e mole por fora. Desferiu mais duas bofetadas e liberou Xoxô. O pobre diabo nada sabia, isso era evidente.
Havia um algo, um algo insistente, um algo com consistência, um algo com vida própria, emoções e sentimentos, que martelava a cabeça do Inspetor Eloir com a insistência de um vendedor de cortador de gramas. Que algo era esse? Perguntava-se Eloir, a si mesmo e a todos os botões de sua camisa, inclusive um que estava faltando embaixo do umbigo.
O Inspetor Eloir, lenda viva do Departamento, havia aprendido da pior forma a confiar nos seus algos. Porque seus algos sempre tinham alguma coisa a lhe dizer. E para descobrir ele tinha que ser atencioso, dar carinho, oferecer amparo e solidariedade pois, como ele dizia, algos também são gente.
Voltou ao departamento, sentou em frente ao seu computador e começou a jogar paciência, método novo de investigação que adotara, depois que descobriram o computador.
Mal conteve um sorriso ao lembrar que sobre aquilo o Velho Sargento nada lhe disse pois, naquela época, não existia computador. Mas Eloir sabia, ah como ele sabia, o que o Velho Sargento, que por ser anão jamais jogara bilhar, teria a lhe dizer: - Paciência, imbecil, é inimiga da pressa!
Duas horas e dez jogos sem vitória mais tarde Eloir desligou o computador e deu um berro.
Os berros do Inspetor Eloir eram famosos e produziam estragos. No berro anterior as autoridades sanitárias procuraram por meses pelo louco que havia realizado uma chacina nos porcos da cidade.
Naquele berro o efeito foi menor e somente duas freiras abandonaram o Hábito.
(CONTINUA AMANHÃ)