quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

PIMENTA NOS OLHOS DELES MESMOS


João Eichbaum

Vocês estão lembrados do rebu que deu na Justiça Gaúcha, né? Mas, não custa recordar.
Assim, ó. O pleno do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul elegeu seu presidente, vice-presidentes e corregedor, para o próximo biênio, ou seja, de 2012 e 2013, segundo prevê o Regimento Interno, que estabelece o dia 1º de Fevereiro para a posse dos eleitos.
E eles tomaram posse, com direito a abraços, beijos, sorrisos e até a presença de políticos com sua respectiva cara de pau. Durante mais de duas horas a direção eleita recebeu cumprimentos, havia uma fila enorme de gente para puxar saco e ser lembrada.
Mas aí o Fux, um ministro do Supremo que costuma rasgar a Constituição, resolveu botar água no chope: deferiu uma liminar, a pedido do desembargador Arno Werlang, que estava louco por uma boquinha na direção- mas não levou - suspendendo a posse da nova direção do Tribunal. A reclamação do Werlang, um baixinho com cara de arcebispo, era de que ele era mais antigo do que o Corrregedor eleito.
Estragada a festa dos eleitos, eles foram a Brasília falar com o Fux. Tiveram quinze minutos com a dita celebridade. E o Fux disse pra eles que não era nada disso, que ele já tinham tomado posse e podiam ficar no cargo.
A turma voltou pra Porto Alegre, faceira que nem cabrito no traseira de ovelha.
No dia seguinte, o Fux despachou, dizendo que não era nada disso que eles estavam pensando, e sim que tinham que entregar os cargos para a diretoria anterior.
E é claro que a diretoria anterior estava presente e atenta, menos o desembargador Léo Lima, que é muito macho, de Lagoa Vermelha, e não ta nem aí pro Fux. Eu, fora, disse ele.
Então o vice da gestão anterior assumiu, não só para “obedecer a uma ordem judicial”, como pra ficar na história, que essa boquinha não ia perder.
Mais  uma vez o presidente eleito se tocou pra Brasília, achando que o Fux ia cumprir o Regimento Interno do Supremo e colocar em pauta o julgamento do  recurso que havia sido interposto.
Só eles para acreditarem no Fux, mesmo depois de terem sido enganados por ele. E o presidente eleito até falou com alguns ministros do Supremo, pedindo a reconsideração do rebu.
Só que não deu em nada. O Fux não botou em pauta o processo e ficou tudo na mesma merda.
Pois é, gente, agora os desembargadores estão sentindo na pele o quanto dói ter que esperar por essa falsidade chamada justiça. E tal tem sido o seu desespero que vão além das fronteiras da ética: vão pessoalmente pedir o julgamento a favor deles.
Agora, imaginem se cada pessoa injustiçada fosse fazer isso. Seria mandadas à putaquepariu, por estarem ofendendo a “independência” do Poder Judiciário, submetendo-o a pressões.
Nada como um dia depois do outro. E se os desembargadores gaúchos tiverem a humildade de assimilar os ensinamentos dessa justiça negativa, para riscá-los de seus procedimentos, a justiça vai melhorar muito. E só então poderemos talvez dizer que a justiça gaúcha é a melhor.
Mas, duvido.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O NÉRIO SABE DAS COISAS


Minha prima querida Salete Mondadori não quer mais emeils de auto-ajuda. Ficou irada pois nenhum deu certo no ano passado. Quer  que  mandem o dinheiro direto. Objetiva. Direta. Nada de correntes. Cortou subjetivismos, crenças, sonhos, visões e estas coisas invisíveis que levam a vida adiante, no inverno por ser frio rigoroso e neste verão, canicular, que aqui em P. Alegre, dia 3 de fevereiro de 2012, fez, ao sol, aí na rua, no asfalto escaldantes que derretia, a bagatela de 45° C. Imagine, eu, com 72 anos, dor aqui, dor acolá, já entrei na fase do"!comdor! sabe como é, a velhice chegando e eu chegando ao fim, e como dizia minha mãe querida, Elvira Mondadori Letti, " a velhice é a coisa mais triste do mundo". E o tango canta como nenhuma outra música popular do mundo, em poesia de gênios tangueiros, esta fase que chamam de "melhor idade"  - há inúmeros tangos - desde "Tempos viejos" ou "Derecho Viejo", etc...deixo a lista dos tangos que cantam a velhice " e los pelos blancos"! para o grande tangueiro de Sorocaba, o Rogério de Moraes, que em poucos segundos, seleciona, de memória, uma lista de compositores, arranjadores, músicos, cantores, letras e Orquestras Típicas, que cantaram com poesia e rara felicidade esta fase da vida que o cara já sente "el frio del último encuentro". Vocês não conhecem a cultura tangueira e filosófica, obtida nos bares, nos conventillos, no Caminito, na Esquina Carlos Gardel, no bairro da Boca, em San Telmo -  aí onde, na região que o rio Riachuelo entra no rio da Prata, na fóz, e portanto, o porteño chama de Bailla de la Boca, onde se ubica " La Bombonera" do Bocca Juniors e o bairro onde o tango nasceu e hoje reina em todo o mundo, decretado pela Unesco, como Patrimônio Cultural da Humanidade. Há centenas de tangos que cantam esta idade do "comdor" e a decadência da pessoa humana.

Por isso, aceito a opinião da prima Salete Mondadori, recolho, leio, releio, arquivo no meu arquivo, aqui do meu micro, de velho, já obeso, sedentário assumido, com 95 quilos. Me nego a fazer exercício. Sobe a pressão e aumenta a brochura. Não. Não me façam fazer exercicio pelo amor de Deus. Me sinto mal. Aumenta o zumbido nos ouvidos que os tenho desde que passei a caxumba no testículo esquerdo, em setembro de 1980, e tive sorte pois o médico vendo a Orquite Viral, e o meu testículo aumentado, inchado, uma bola pendurada no meu saco, e mandou botar uma bacia de agua com sal e vinagre e o testículo boiava dentro da gamela. Fantástico. Pelo menos baixou o febrão de cinco dias e a dor insuportável no corpo. O virus danado ao invés de ir se alojar nas parótidas, no pescoço e dar a dita parotidite. Não. Em mim, o desgraçado, resolveu invadir, como fazem os sem terra, o meu testículo esquerdo.  O médico disse. `Pelo menos, teu testículo esquerdo morreu totalmente, pois a caxumba quando desce para o saco, meu amigo, estereliza cem por cento. Por isso, às vezes, fazem tratamento para a mulher engravidar e esquecem que o homem pode ser o culpado, por ter tido caxumba na infância e a dita caxumba ter descido para o saco e ai esterilizou total, sem precisar vasectomia. Pode trepar à vontade que não engravida e não corre o risco, de engravidar a parceira. Mas deve andar com o espermogama no bolso para mostrar, antes do dito ato, pode ficar tranquila, sou estéril. Mas no meu caso, veja só, foi parcial, o testículo direito não foi atingido. Ficou íntegro. O médico disse que o casal de vírus, ao chegar perto do meu saco brigaram, se desentenderam, bateram boca, fizeram barraco, como no programa cultural do "Ratinho" e um só se abrigou no testículo esquerdo e o outro ficou puto da cara, e se mandou e buscou o caminho da saida e na primeira urinada, buscou a sempre buscada liberdade e se mandou para as trevas exteriores. Estava cansado de andar fechado dentro de minha corrente sanguínea, preso, como no Carandirú, sem chance de  sair.

Sendo assim, como quando eu estava no CPOR, em 30.12.1959, pelas 7,30 hs. eu caí do cavalo, na Cavalaria, bati o baço contra o barranco, o cavalo veio por cima. Rompi o baço. Levado ao Hospital de Pronto Socorro, onde entrei com pressão  0x0  - choque - os grande médicos me salvaram. Abriram e me tiraram o baço e me salvaram. Esplenectomia. Estou aqui sem baço, com 72 anos. Uns dizem que faz falta. Outros dizem que não. Há divergências na cultura médica e na ciência de Hipócrates nestas coisas esplênicas.

Como há divergências nos emeils de auto-ajuda.

Como eu passei por outras provas, na minha vida, terríveis, e não vou contar para não encher o saco, mas são trágicas.

Médicos divergem em operar meu joelho esquerdo, que dói, dói, dói, como o da minha mãe, assim começou a doença dos Mondadori, o DNA dos Mondadori  Sempre começa pelo joelho. 

 Eu conheci uns 20 Mondadori entrevados, com artrite reumatóide deformante. Um horror. Depois, nos ultmos dois anos, antes de morrer, o artritado e todo entrevado fica amigo e se une para sempre com o famoso alemão Alois Alzheimer, em união estável com todos os direitos e obrigações da união estável. Aí o cara pira total, náo sabe onde está, se caga e se mija, usa fraldão e tem que  ter ums tres pessoas a cuidar, de dia e de noite.

Gente, seguindo, a tese de minha prima Salete, sobre o emeil de auto-ajuda, que ela quer sim, ela adora, lógico, mas agora ela deu o grito de independência e chega de auto-ajuda ela quer ajuda prática, de verdade, sonante. Quer viver bem, lógico, não no cruzeiro do comandante Schetinno, italiano, fanfarrão, da Marinha do Brancaleone, e que aproximou o gigante dos mares do rochedo da Ilha de Giglio, em Florença, na Toscaa, que o casco bateu na rocha, abriu um rombo no casco e os quatro mil ocupantes do cruzeiro marítimo escorregaram para dentro do mar, bem na margem, onde deu de pé e se salvaram quase todos. Morreu pouca gente, pela grandeza do fato. Mas o famoso capitão, nem tava, ele levou a bordo uma eslava escultural, da Moldávia, de 25 anos, e estava de porre e de farra com a top model " Maria Cruzeira" parafraseando a  " Maria Chuteira". 

Os familiares pobres, dos garçons que viajavam no Costa Concórdia, e que moram na Ilha de Giglio, estavam  bem na ponta do rochedo e como bons italianos, espalhafatosos, gritavam, abanavam, quase se atiravam ao mar, para abraçar o filho que estava a bordo, pela primeira vez, viajando no meio dos ricos e poderosos. E isto que dá misturar rico com pobre no mesmo cruzeiro. Sabe é como é italiano. Fala mais com as mãos e gestos. Foi aquela algazarra.

Pois bem, prima querida, Deus ajudou. Quando a turma escorregou para dentro do mar, estavam tão perto da costa e do rochedo que deu pé, e não se afogaram todos, pois, caminharam até à margem, com a cabeça fora de água, numa boa, e atingiram a ilha.

Então, neste caso do navio do capitão Schetino, da  Marinha do Brancaleone, funcionou a oração, a auto-ajuda, o olhar de Deus, pois,  se o navio, como o Titanic  ( que agora em abril faz cem anos do naufrágio) tivesse em alto mar, tinham morrido todos.

Mesmo com o emeil como  da minha prima Salete - ótimo emeil, com graça e engenho - e inteligente - pois, ela deseja que se realizem na prática, de verdade, náo só as promessas  "da terra prometida"  " do paraiso perdido! " amor perfeito" e a " mulher encontrar o príncipe encantado" e o "emprego de pouco horário e de alto salário, "  (este só em Brasilia)  -   podem continuar me mandando emeil de auto-ajuda. Adoro. Leio e repasso para a sala onde está  a Flora, com seu emeil ( nós guardamos recomendável distância do viver diário aqui no mesmo apto. eis que depois que eu tive meu câncer amigo de próstata em 2010 e me curei com 50 sessões de radioterapia do notável hospital da Santa Casa, Santa Rita, naquela máquina maravilhosa, ela, Flora, resolveu, sair do apto. dela  no bairro Cristal, perto do decadente Prado e veio  morar aqui comigo. O que não deixa de ser um certo perigo de atritos e tem que saber conviver, assim como eu aprendi a conviver com este período do  "comdor")_

/Resumindo, podem continuar a me mandar emeil de autoajuda. Adoro. Mais agora, que estou na angústia de saber o que os médicos vão fazer como meu joelho esquerdo, opera ou não opera. Afinal o que tem o joelho esquerdo. A Flora diz que eu tenho 95 quilos, gordo, obeso, sobrepeso como porco de engorda, Durok - e assim a dobradiça não aguentou e não dobra mais direito. Aquelas coisas que minha mãe chamava de " a pior coisa do mundo é a velhice".
 .

Nério"dei Mondadori" Letti.

-------Mensagem original-------

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

DEPUTADO REGULAMENTA FILOSOFIA, HOLÍSTICA, CHURRASCO E CHIMARRÃO


Janer Cristaldo

Comentei há pouco o propósito do deputado Giovani Cherini (PDT-RS), que pretende regulamentar o irregulamentável, no caso o exercício da profissão de filósofo em todo o País. Pois não é que o homem é um regulamentador contumaz? Longe dos pagos, eu desconhecia os feitos do nobre deputado. Leitores me alertam que este senhor, além de pretender regulamentar a filosofia, já instituiu – ou pretendeu instituir, não sei se o projeto foi aprovado – o dia do terapeuta holístico, seja lá o que isso quis dizer. Além disso, regulamentou o churrasco e o chimarrão. O homem é eclético. Da filosofia e holística ao churrasco e chimarrão.

Em 21 de março de 2003, Cherini apresentou projeto de lei 11.999, instituindo o Dia Estadual do Terapeuta Holístico, que seria celebrado no dia 31 de março. Na justificava, o deputado alega: 


“Através da Terapia Holística a vida das pessoas pode tornar-se mais saudável, pois utiliza-se uma somatória de técnicas milenares e modernas, sempre suaves e naturais, proporcionando harmonia, autoconhecimento e incrementando a capacidade da pessoa tratada. Dentre estas técnicas podemos citar Yoga, Reiky, Tai Chi Chuan, Acupuntura, Aromaterapia, Homeopatia, Fitoterapia, Cromoterapia, Cristaloterapia, xamamismo, e outras terapias alternativas que ajudam a combater doenças de maneira eficaz e barata.


“As popularmente chamadas de "terapias alternativas" são aplicadas pelo Terapeuta Holístico, que procede ao estudo e à análise do cliente, realizados sempre sob o paradigma holístico, cuja abordagem leva em consideração os aspectos sócio-somato-psíquicos. Cada caso é considerado único e deve-se dispor dos mais variados métodos, para possibilitar a opção por aqueles com os quais o cliente tenha maior afinidade, promovendo a otimização da qualidade de vida, estabelecendo um processo interativo com seu cliente, levando este ao autoconhecimento e a mudanças em várias áreas, sendo as mais comuns: comportamento, elaboração da realidade e/ou preocupações com a mesma, incremento na capacidade de ser bem-sucedido nas situações da vida (aumento máximo das oportunidades e minimização das condições adversas), além de conhecimento e habilidade para tomada de decisão. Avalia os desequilíbrios energéticos, suas predisposições e possíveis conseqüências, além de promover a catalização da tendência natural ao auto-equilíbrio, facilitando-a pela aplicação de uma somatória de terapêuticas de abordagem holística, com o objetivo de transmutar a desarmonia em autoconhecimento”. 



Ou seja, não disse nada. Se trocar terapeuta holístico por psicanalista ou pai-de-santo, astrólogo ou curandeiro, tanto faz como tanto fez. O deputado reconhece que a “profissão” não é regulamentada, sendo portanto de livre exercício. Mas ao criar uma data para homenagear os vigaristas, está dando o primeiro passo para uma futura regulamentação.

Não bastasse se preocupar com os destinos da terapia holística, o deputado apresentou o projeto de lei nº 70/2003, no qual institui o churrasco como o prato típico do RS:


Art. 1º – O churrasco a gaúcha fica instituído como “a comida típica do Rio Grande do Sul”. 


Como se só no Rio Grande se comesse churrasco. Ora, churrasco é universal está disseminado de sul a norte no país. Constitui o plat de résistance de países como Uruguai e Argentina e diria inclusive da Espanha, famosa por seus asados. Onde há carne e fogo há churrasco. A fórmula é imemorial.


Mas o deputado pretende que exista um churrasco que é tipicamente gaúcho:


Parágrafo único – para os efeitos desta lei, entende-se por churrasco à gaúcha a carne temperada com sal grosso, levada a assar ao calor produzido por brasas de madeira carbonizada ou in natura, em espetos ou disposta em grelha e sob controle exclusivamente manual.



E se a carne for assada em um forno a 300º, deixa de ser churrasco? Por que há de ser assada em espetos ou disposta em grelha e sob controle manual? Churrasco, eu o faço como bem entendo, ora bolas! A definição proposta pelo deputado é bizantinice de cetegistas. Mas o deputado vai adiante:


Art. 2º – É conferido ao churrasco a gaúcha a distinção de símbolo do Estado do Rio Grande do Sul, de sua gente e de sua cultura.


Eh Brasil! Todos os países do mundo têm seus pratos típicos e nunca algum deles pretendeu instituí-lo como símbolo nacional. Os suecos têm o smörgåsbord, a Hungria o goulasch, a França o cassoulet, a Itália suas massas e pizzas, Portugal seus bacalhaus, a Inglaterra tem o abominável fish and chips, e nunca nenhum desses países pretendeu dar-lhes o status de símbolo. Só o provincianismo atroz dos cetegistas é capaz de inspirar tal ridículo. Optasse eu por um símbolo do Rio Grande, eu pensaria em duas aves cheias de significado, encontradiças na pampa gaúcha, o joão-de-barro ou o quero-quero.


Falar em churrasco, não foi no Rio Grande do Sul que eu comi os mais dignos de lembrança. E sim em São Paulo ou Buenos Aires. E as melhores churrascarias de São Paulo são, a meu ver, as uruguaias e argentinas. Isso sem querer fazer injustiça ao Vento Haragano, tocada por churrasqueiros de Nova Bréscia, que concorre firme com as de nuestros hermanos. 


Não bastasse este besteirol todo, o deputado quer instituir o Dia do Churrasco. Agora só falta o do chimarrão, pensei. Faltava. O deputado criou também o Dia do Chimarrão. Ambos comemorados em 24 de abril de cada ano e incorporados ao calendário oficial de eventos do Estado do Rio Grande do Sul.

Falta do que fazer! E ainda há quem eleja tal palhaço. Este povinho bem merece seus representantes.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

TOGAS BORRADAS




João Eichbaum

O advogado Túlio Milmann, que faz bico de jornalista na Zero Hora, chama a atenção, nos seus escritos, pelo puxassaquismo com que marca suas notícias sobre o Poder Judiciário.
A impressão que se tem é de que ele puxa o saco dos juízes e desembargadores e, em troca, ganha todas as causas na justiça.
Olhem o que ele escreveu na sua coluna, no jornal de sábado: “A liminar do STF que suspendeu a posse da nova gestão no Tribunal de Justiça do Estado foge à lógica tradicional dos conflitos. A postura de alguns dos principais desembargadores envolvidos explica o porquê de a Justiça gaúcha estar entre as melhores do país”.
A partir daí ele elogia Arno Werlang, que desencadeou toda essa confusão, atribuindo-lhe uma postura “transparente e democrática”, elogia José Aquino de Camargo por ter se “comportado de forma irrepreensível” no episódio.
Até então, Aquino teria dito que não assumiria a presidência, por questões de foro íntimo. E, a partir dessa postura do Aquino, tudo se resolveria: o próximo desembargador da lista, Voltaire de Moraes, que não é juiz concursado, está em férias, e sobraria  uma desembargadora chamada Liselena. Essa seria convencida, certamente, a não assumir, para que tudo se resolvesse pacificamente: sendo Marcelo Bandeira Pereira o desembargador mais antigo, caberia a ele a presidência, da qual fora apeado por um canetação do folclórico Fux.
De repente, tudo mudou. O Aquino veio para os jornais  dizendo que não tinha dito nada daquilo, ou que não estava aqui quem tinha dito, e portanto iria assumir a presidência, para obedecer a uma “ordem” judicial.
O que quer dizer, minha gente, que a justiça gaúcha nunca foi uma “das melhores do país”. Em primeiro lugar, porque não existe uma justiça melhor do que a outra: merda tudo quanto é juiz faz. Em segundo lugar, porque os juízes gaúchos mostraram que se borram porque qualquer coisa. Em terceiro lugar, porque não têm noções mínimas de exegese.
Onde está escrito, na Constituição Federal, que as decisões judiciais não se discutem?
O que está escrito na Constituição é que “ninguém é obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei”. E decisão judicial não é lei.
Os desembargadores gaúchos se borraram porque não conhecem a lei. Eles não sabem que, na linha da lógica dos direitos humanos, que são os direitos fundamentais, NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A OBEDECER A UMA DECISÃO ILEGAL.
Só constitui crime a desobediência a “ordem legal” de funcionário público.
Bem, resumindo: nem no Supremo, nem nos tribunais gaúchos se encontram juízes que conhecem hermenêutica.
E ai de quem necessitar da justiça, por aqui: vai se sentir mal, sem se dar conta de que aquele cheiro desagradável vem das togas.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A BÍBLIA LIDA PELO DIABO

João Eichbaum


23 Então tomaram Sem e Jafé uma capa e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez de seu pai e os seus rostos eram virados, de maneira que não viram a nudez de seu pai.

Foi a primeira prova de que Noé não tinha filhos bichas. Não quiseram nem saber dos instrumentos do pai, trataram de ignorá-los, não tinha graça nenhuma ficar olhando aquilo, um troço mole, curtametragem, enrugadinho.

24 E despertou Noé de seu vinho e soube o que seu filho menor lhe fizera. 25 E disse: maldito seja Canaan, servo dos servos seja aos seus irmãos.

Bom, me digam: o que é que o Cam fez de mal? Ali não diz que ele desatou a rir e tirou o maior sarro do velho Noé. Nada disso. Só chamou os irmãos. Onde é que está o mal feito feito?
Pior ainda: por que mereceria ele a maldição do Noé?
Bah, bota ressaca nisso.

26 E disse: bendito seja o Senhor, Deus do Bem: e seja-lhe Canaan por servo. 27 Alargue Deus a Jafé e habite nas tendas de Sem e seja-lhe Canaan por servo.

Acontece pra todo mundo: o que sobra da diversão é a ressaca. Depois da bebedeira, curtindo a maior ressaca, mesmo com aquele gosto de ovo podre na boca e uma puta dor de cabeça, o cara se apalpou, se sentiu vivo e saiu agradecendo e bendizendo, meio sem noção, misturando as coisas, como se ainda estivesse bêbado. Piradão, chato pra cacete.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

UMA LIMINAR COM A CARA DO FUX




João Eichbaum

Vocês sabem quem é o Fux, certamente. Mas, para reavivar a memória, lembro que foi aquele cara que, se fosse macho, teria estuprado a Constituição Federal. Mas não uso esse verbo, porque duvido da masculinidade dele. Digo então que foi ele quem rasgou a Constituição Federal, debochando de todos os homens com letra maiúscula  e dignidade deste país, ao garantir a orgia sexual pública de viados e lésbicas.
Tempos atrás este Blog publicou parte do voto do Fux,  - esse mesmo voto que enalteceu a veadice - mostrando que o dito Fux nem escrever sabe. Ele é incapaz de transmitir claramente uma idéia, o conteúdo de um pensamento, porque simplesmente não sabe escrever. Pior ainda, não sabe sentenciar, porque desconhece as regras fundamentais do silogismo.
Esse Fux, que  não sabe o que é silogismo, além de tudo não tem espinha dorsal, nem amor próprio e muito menos dignidade: levou um chá de banco de cinco horas, do tal de Cardozo, a quem chamam de ministro da justiça, para poder conseguir uma vaguinha no STF.
Precisa dizer mais?
Pois para dar razão a tudo quanto se disse sobre ele nesse blog, agora o Fux fez mais uma: através de uma liminar, mandou suspender a posse do novo presidente do Tribunal de Justiça do Estado, o digno desembargador Marcelo Bandeira Pereira.
Pra começo de conversa: o Fux não serve nem para amarrar a chuteira do Marcelo. Primeiro, porque Marcelo foi, entre os juízes que conheço, o melhor jogador de futebol do Rio Grande do Sul. Foi, não. Ainda é, um baita jogador. Em segundo lugar: em matéria de bom senso, que é o mais autêntico quociente de inteligência, o Marcelo dá de dez a zero no Fux.
Bom senso. Esse é o primeiro quesito para que alguém mereça a qualificação de juiz. E o Fux não tem bom senso.
Imaginem, ontem, numa grande solenidade, o salão nobre do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul literalmente lotado, cheio de brilho, (tirando a presença dos políticos) Marcelo foi ovacionado, como merece, e empossado, como também merece, como Presidente do TJRGS. Algumas horas depois, o Fux bota água no chope, mandando “suspender” a posse.
Foi uma decisão “vergonhosa”, disse, com muita propriedade, esse gaúcho bem macho de  Lagoa Vermelha, o desembargador Léo Lima.
É o mínimo que se poderia dizer.
Mas, quem não tem bom senso é porque não tem inteligência. E o Fux já deu muitas provas disso.
Foi um vexame institucional. E só um cara como o Fux poderia fazer uma coisa dessas. A liminar tem a cara dele.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

FILÓSOFO? SÓ SE VOCÊ TIVER A CARTEIRINHA DE FILÓSOFO


Janer Cristaldo

Está tramitando na Câmara um Projeto de Lei do deputado Giovani Cherini (PDT-RS), que regulamenta o exercício da profissão de filósofo em todo o País. A idéia não é nova. Como toda péssima idéia, circula com velocidade de moeda ruim.


Em 2008, comentei um projeto que regulamentava a profissão de astrólogo. Já havia sido aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado e aguardava votação no plenário. De autoria do senador Artur da Távola, a proposta definia quem poderia exercer a astrologia e as atribuições dos profissionais, entre elas, o "cálculo e elaboração de cartas astrológicas de pessoas, entidades jurídicas e nações utilizando tabelas e gráficos do movimento dos astros para satisfazer às indagações do público". Já na época, o velho bolchevique anunciava que pretendia apresentar projeto regulamentando a profissão de filósofo. Filósofo não seria mais quem filosofa, mas quem tem carteirinha de filósofo.


Artur da Távola morreu naquele mesmo ano e não tenho idéia do que foi feito de seu projeto. Mas suponho que astrólogo algum lamentou sua morte. Astrólogos são franco-atiradores. Você está desempregado e não tem habilitação para ofício algum? É só sair a fazer mapa astral para ingênuos. Os ingênuos são legião. Se você tiver boa lábia, pode até fazer uma grana razoável. 


Antes do projeto de regulamentação da profissão de filósofo, dois outros tramitavam no Congresso pretendendo regulamentar a de teólogo. Teólogo não seria mais quem cria teologia, mas quem tem carteirinha de teólogo. Pelo jeito, a profissão está se se revelando lucrativa, pois os projetos pretendem restringir o livre exercício da parlapatagem. O projeto de lei 114/05, obra do bestunto do senador e bispo evangélico Marcelo Crivella, cria o Conselho Nacional de Teólogos, que seria a representação única dos teólogos do Brasil. Ou você pertence ao Conselho ou não teologiza mais. Ou se teologiza, está exercendo irregularmente a profissão. Este projeto inclusive recebeu parecer favorável do senador Magno Malta, pastor da Igreja Batista. Enviado para a Comissão de Assuntos Sociais do Senado, estava pronto há uns quatro ou cinco anos para entrar na pauta de votação.



O segundo projeto, o 2.407/07, do ex-deputado Victorio Galli, pastor da Assembléia de Deus, é mais bizarro. Diz que “teólogo é o profissional que realiza liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirige e administra comunidades; forma pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orienta pessoas; realiza ação social na comunidade; pesquisa a doutrina religiosa; transmite ensinamentos religiosos, pratica vida contemplativa e meditativa e preserva a tradição”. O projeto soa a samba do crioulo doido: mescla a função de sacerdotes com as de administradores de comunidades e psicanalistas. Só não prevê que o teólogo faça teologia. Nele vê-se mais uma vez o dedo dos pastores evangélicos, que querem promover a teólogos seus camelôs televisivos.

Segundo a notícia, esse perfil abrangeria todos os padres, pastores, ministros, obreiros e sacerdotes de todas as religiões. O número passaria de um milhão, pela estimativa do Conselho Federal de Teólogos (CFT), com base em dados do IBGE. Hoje teólogos devem ser formados em cursos de graduação. Ou seja, no que depender da aprovação do projeto, tanto Paulo, como Anselmo, Orígenes, Tomás de Aquino ou Agostinho, estariam hoje exercendo ilicitamente a profissão.


A profissão parece ser promissora. Tão promissora quanto a destes outros vigaristas, os psicanalistas. Que pelo menos estão de acordo que é melhor não regulamentar a profissão, tantas são as escolas da psicanálise. É claro que a proposta dos pastores vai dar em nada.


Voltemos ao projeto do pedetista Giovani Cherini, que retoma os propósitos do senador bolchevique. Está tramitando em regime conclusivo e tem boas chances de ser aprovado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público, e de Constituição e Justiça. Se aprovado, vai imediatamente ao Senado – sem que o plenário se manifeste. Se passar, tanto Platão como Aristóteles, Kant como Descartes, não poderiam reivindicar a condição de filósofo neste país incrível. Filósofo, só com diploma de filósofo.


Mas o melhor vem agora. Lê-se no projeto: “De acordo com a proposta, órgãos públicos da administração direta e indireta ou entidades privadas, quando encarregados de projetos socioeconômicos em nível global, regional ou setorial, deverão manter filósofos legalmente habilitados em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços”.


O texto estabelece que só poderão exercer a profissão os bacharéis em Filosofia. Ou seja, se um Estado quer construir uma ponte, um aeroporto, uma ferrovia, uma estrada, que empregue antes de mais nada um filósofo legalmente habilitado para dar palpites sobre a obra. 


Sempre entendi como filósofo o homem que desenvolve um sistema filosófico. Que traz alguma resposta às questões que as épocas impõem. Se não trouxer resposta alguma, é mero solipsista. Filósofos, para mim, são Platão, Aristóteles, Hume, Bergson, Descartes, Kant, Hegel. (Nietzsche, eu o situo mais como poeta. Marx nunca foi filósofo, como pretendem os marxistas. Era jornalista e economista). Hoje, filósofo é qualquer professorzinho de filosofia. 


A filosofia estilhaçou-se em mil pedaços e hoje duvido que alguém saiba definir, com precisão, em que consiste a filosofia. Pelo que vejo, filósofo é qualquer acadêmico que fala de maneira obscura sobre o homem e o mundo. O Brasil está cheio deles, todo santo dia surge nos jornais alguém se intitulando filósofo.


Em meus dias de Florianópolis, li uma ementa do curso de Filosofia da UFSC: História da Filosofia Catarinense. Sou um desinformado. Em nem sabia que existiam filósofos em Santa Catarina, quando na verdade já existia, pujante e fecunda, uma história da filosofia catarinense. A UFSC, se alguém não a conhece, é aquela universidade que conferiu um título de Dr. Honoris Causa a Fidel Ruz Castro. Dr. Fidel, portanto.


É possível que a moda tenha surgido na França. Em meus dias de Paris, meus professores, ao examinar meu currículo, exclamavam: “Ah, vous êtes philosophe”. Nada disso, professor, apenas estudei filosofia.


Estudei História da Filosofia por quatro anos. Nestes estudos, considerei que filosofia é isto: alguém diz que o homem e o universo são assim e vão para lá. Surge outro e diz que o homem e o universo são assado e vêm para cá. A filosofia busca abstrações. Quer definir o que seja o Homem, assim com H maiúsculo. Ora, esse homem não existe. É como buscar o terno ideal que sirva a todos os homens e acaba por não servir a nenhum. O que existe é este homenzinho de todos os dias – com h minúsculo mesmo – que vamos encontrar... na literatura.

O saber racional acaba por negar-se a si mesmo. As filosofias se chocam e se destroem umas às outras. Os filósofos acabam se dando cotoveladas nas enciclopédias, em busca de espaço. Só a literatura permanece. Platão, por fascinante que seja, envelheceu. Já a Ars Amatoria, de Ovídio, permanece eternamente jovem. A vida é mais simples do que imaginam os filósofos. O homem nasce e morre e neste interlúdio esperneia. Fim de papo. A filosofia até pode ter pretendido ensinar o homem a viver. Mas a história está repleta de homens que bem conduziram suas vidas, sem nada entender de filosofia.

O filósofo, no fundo, é um palpiteiro. Os senhores deputados estão prestes a regulamentar a profissão de palpiteiro. O projeto do deputado, antes de ser absurdo, é obsceno. Visa empregar essa massa imensa de desempregados gerados pelas faculdades de Filosofia.