João Eichbaum
Dia desses eu estava pensando filosoficamente: haverá alguma coisa que arde mais do que tirar empréstimo para pagar cirurgia de hemorróidas? Quer dizer, saldar em doze prestações, por exemplo, com juros e correção monetária, uma metida de bisturi no traseiro?
E concluí: sim, sim, é pagar pensão alimentícia na marra, por ejaculação descuidada.
Sabe a Tamar? A viúva do Er, nora do Jacob. Devia ser boazuda. Tamar não é nome de mulher comum. É nome de mulherão, mulher exótica.
Você, por acaso, conhece alguma outra Tamar, que não seja essa da bíblia?
Se você conhece, é uma só, única e inconfundível.
Qualquer macho fica curioso em conhecer uma mulher com nome de Tamar porque, se o nome é exótico, a dona dele também deve sê-lo.
E Tamar devia ter cabelos negros e longos, olhos também negros, cheios de brilho, levemente oblíquos, peitos bem pronunciados, cintura estreita e ilhargas provocantes. Esse nome, Tamar, não é nome de mulher feia, enfadonha, sem bunda.
Mas, não era da Tamar, propriamente, que eu queria falar. Eu queria falar dos perigos da ejaculação fora da casinha.
O Onan não queria engravidar sua bela cunhada, a Tamar. Sabem vocês o que ele fazia, no momento mais sublime da transa, que é clímax, aquele momento em que o céu se aproxima sem a gente saltar, a terra treme sem a gente pisotear nela, a alma e o corpo se enchem de bemaventurança e a gente viaja numa coisa bem melhor que a maionese? Nessa hora, o Onan tirava o dele fora e mirava o chão, desperdiçando a matéria prima tão caprichada pela próstata.
Por isso, diz a bíblia, o Senhor o matou. Isso quer dizer que Deus não gosta de onanismo, desperdício de matéria prima. Onanismo? Ah, ta bem: punheta, entenderam?
Olhem só o caso daquele meu amigo que foi castigado pela prática do onanismo. Ele é um cara legal, casado com um mulherão desses de se colocar cones na rua e guarda com apito na boca para parar o trânsito.
Pois apesar daquele monumento em casa, o meu amigo teve o azar de conhecer outro mulherão, do mesmo naipe, de fechar o comércio e exigir desfile militar. Só que, com medo de pegar pensão alimentícia com desconto no contracheque, ele também botava fora o material que a próstata fabricava.
Mas, um dia se deu mal. Quem praticou o onanismo nele foi o mulherão esse, a segunda, a do banco de reservas. Sabem o que ela fez? Na hora em que ele ia fazer o mesmo que fez o Onan, deitando por terra a matéria prima da vida, ela encheu a mão com aquela sopa de espermatozóides e, com o mimoso dedinho indicador, os encaminhou para o canal competente, torcendo para que algum deles pegasse carona num óvulo.
Foi pensamento positivo, deu na mosca. Nove meses depois, mais um bebê berrava na maternidade.
Foi só o dedo – jura o meu amigo, até hoje, para a esposa corneada, que acredita no Papai Noel, no Lula e em todos os políticos do PT.
Por respeitar juramentos, ela acredita piamente. Mas por causa do mimoso dedinho indicador, ele está pagando pensão alimentícia.
Sorte dele que, por enquanto, não sofre de hemorróidas.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
A BÍBLIA LIDA PELO DIABO
João Eichbaum
6 Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração
Perdeu o controle, deixou que o desastre se consumasse, se arrependeu e quis cair fora. Que tipo de deus seria o Javé? Um Deus sem onisciência? Não sabia Ele, de antemão, que tudo seria assim, que sua obra de seis dias ir dar nessa merda toda?
Comecemos com a serpente. Quem é que criou a serpente, esse bichinho viscoso, traiçoeiro, cheio de veneno pra dar? Não foi Ele? E não sabia que a serpente iria seduzir a mulher? E não sabia que a curiosidade da mulher é irreprimível?
De tudo o que se viu até aqui, a conclusão é inevitável: Javé é um deus fraco, dotado das mesmas fraquezas do homem a quem criou: fez as coisas sem pensar, teve acessos de cólera, expulsou Adão e Eva do Paraíso, perdeu o controle do mundo, se desencantou, se arrependeu. Ele, como criador do mundo e do homem, tinha a obrigação de tornar feliz a sua criatura. Como não o fez, o homem se virou como pode e descobriu que a maneira mais simples de conseguir a felicidade é se corrompendo.
Que o digam os políticos.
7 E disse o Senhor: destruirei o homem que criei sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus, porque me arrependo de os haver feito.
O negócio dEle era chutar o balde, pra ficar feliz, antes que fosse tarde.
Mas como é que no começo Ele achava “tudo bom”?
Só se pode concluir que Ele não tinha nem noção do que estava fazendo, fez tudo no impulso, sem medir as conseqüências, sem um plano, e dizia que era bom, quando, na verdade, deveria dizer: “quero ver se essa porra vai dar certo”.
Mais um acesso de fúria. E agora uma fúria assassina, destinada a matar pecadores e justos. Que culpa teriam os animais, os pobres passarinhos, por exemplo, da corrupção humana?
Ao invés de exterminar a raça humana, não deveria Ele, usando seus poderes, transformá-la, reeducá-la, fazer dela seus servos dóceis e fiéis?
Ou então, como fazem os políticos, varrer tudo pra baixo do tapete.
O mau humor nele era mais forte do que a misericórdia, o impulso, mais forte do que a razão. Se tinha poderes para destruir, não os teria para transformar?
6 Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração
Perdeu o controle, deixou que o desastre se consumasse, se arrependeu e quis cair fora. Que tipo de deus seria o Javé? Um Deus sem onisciência? Não sabia Ele, de antemão, que tudo seria assim, que sua obra de seis dias ir dar nessa merda toda?
Comecemos com a serpente. Quem é que criou a serpente, esse bichinho viscoso, traiçoeiro, cheio de veneno pra dar? Não foi Ele? E não sabia que a serpente iria seduzir a mulher? E não sabia que a curiosidade da mulher é irreprimível?
De tudo o que se viu até aqui, a conclusão é inevitável: Javé é um deus fraco, dotado das mesmas fraquezas do homem a quem criou: fez as coisas sem pensar, teve acessos de cólera, expulsou Adão e Eva do Paraíso, perdeu o controle do mundo, se desencantou, se arrependeu. Ele, como criador do mundo e do homem, tinha a obrigação de tornar feliz a sua criatura. Como não o fez, o homem se virou como pode e descobriu que a maneira mais simples de conseguir a felicidade é se corrompendo.
Que o digam os políticos.
7 E disse o Senhor: destruirei o homem que criei sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus, porque me arrependo de os haver feito.
O negócio dEle era chutar o balde, pra ficar feliz, antes que fosse tarde.
Mas como é que no começo Ele achava “tudo bom”?
Só se pode concluir que Ele não tinha nem noção do que estava fazendo, fez tudo no impulso, sem medir as conseqüências, sem um plano, e dizia que era bom, quando, na verdade, deveria dizer: “quero ver se essa porra vai dar certo”.
Mais um acesso de fúria. E agora uma fúria assassina, destinada a matar pecadores e justos. Que culpa teriam os animais, os pobres passarinhos, por exemplo, da corrupção humana?
Ao invés de exterminar a raça humana, não deveria Ele, usando seus poderes, transformá-la, reeducá-la, fazer dela seus servos dóceis e fiéis?
Ou então, como fazem os políticos, varrer tudo pra baixo do tapete.
O mau humor nele era mais forte do que a misericórdia, o impulso, mais forte do que a razão. Se tinha poderes para destruir, não os teria para transformar?
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
FILOSOFIA SEM LÓGICA
João Eichbaum
Nunca fui chegado à filosofia por uma simples razão: a linguagem ambígua dos filósofos. As poucas frases, atribuídas a filósofos, que li, sempre me puseram num caldeirão de dúvida: ou eu sou muito burro, ou os filósofos não sabem se expressar com clareza.
Na semana passada esteve em Porto Alegre, a convite da PUC – Pontifícia Universidade Católica – um tal de Alvin Platinga, em cujo currículo se lê que “obteve doutorado em filosofia na University of Yale” e que foi presidente da American Philosophical Association.
Pois esse tal de filósofo, segundo o texto escrito no Caderno de Cultura do jornal Zero Hora, por Roberto Hofmeister Pich, do Programa de Pós-graduação em Filosofia da PUCRGS, tem interesses voltados “ao tema clássico da relação entre fé e razão e à busca de formular uma adequada epistemologia da crença religiosa teísta – em que o “teísmo” reúne as convicções de que um Deus pessoal existe, criou o universo e é onipotente, onisciente e infinitamente bom”.
Ressalto: o texto foi escrito por um professor de filosofia, do “Programa de Pós-graduação em Filosofia da PUCRGS”, provavelmente um “doutor”. E o cara vem dizer que o filósofo americano tem interesses voltados “...à busca de formular uma adequada epistemologia da crença religiosa teísta...”
“Interesse voltado à busca de formular”...? Que construção é essa? Lá é isso linguagem extraída das regras do vernáculo?
É uma redação de filósofo. Ou seja, de pessoa que não sabe se exprimir com clareza, sem ambiguidades. Qualquer pessoa normal, que não tenha o pensamento afetado por elucubrações filosóficas, diria: “interesse voltado à formulação de uma epistemologia”. Se o cara anda “ à busca de formular” ele está zanzando, viajando na maionese, mas não está formulando coisa nenhuma.
Mas, tem mais: você conhece alguma “crença religiosa” que não seja “teísta”? Você conhece alguma religião sem deus?
Então o filósofo, do “Programa de Pós-graduação em Filosofia da PUCRGS” não precisava acrescentar o adjetivo “teísta” à expressão “crença religiosa”. Dizer que uma crença religiosa é “teísta” é o mesmo que dizer: “está chovendo uma chuva molhada”.
A afirmação de que “um Deus pessoal existe, criou o universo e é onipotente, onisciente e infinitamente bom”, atribuída ao filósofo americano Alvin Platinga, está muito longe de qualquer lógica, porque não parte de princípios comprovados. Quer dizer, não tem premissas. A miséria, a fome, a maldade, a injustiça, a dor, entre tantos outros males que afligem a natureza humana, serviriam como prova, sim, da “impessoalidade” desse Deus. Se ele fosse “onisciente”, teria previsto “a corrupção geral do gênero” (Gênesis, cap. 6) que o levou a arrepender-se de ter criado o homem (Gênesis, cap. 6, versículo 6). Se fosse “onipotente” teria extirpado a maldade da face da terra, ao invés de atribuí-la ao homem que, se foi criação sua, está cheia de defeitos de fabricação. Finalmente, se fosse “infinitamente bom” não teria exigido o sangue de seu próprio filho, em espetáculo bem ao gosto da patuléia.
Para confirmar a regra de que filósofo não sabe se expressar com clareza, há uma exceção, a de um filósofo que sabe escrever, e muito bem: é Janer Cristaldo. E ele, como filósofo, tem autoridade para afirmar, como afirmou, em sua crônica, ontem publicada neste blog: “acreditar em Deus já é uma falha lógica. Que milhões de pessoas acreditem numa ficção, isto é questão de fé e não se discute. O que não se pode afirmar é que seja questão de lógica. Lógica nenhuma permite afirmar a existência do que não existe.”
Isso, sim, é filosofia. Porque sem lógica não existe filosofia. A lógica é o fermento de qualquer postulado. Sem ela, o que se pretende como postulado não passa de blábláblá.
Mas, por aqui sempre tem alguém disposto a patrocinar palestras de doutores em blábláblá, para enrolar deslumbrados, dizendo coisas que barbeiros ou motoristas de táxi diriam com mais clareza.
Nunca fui chegado à filosofia por uma simples razão: a linguagem ambígua dos filósofos. As poucas frases, atribuídas a filósofos, que li, sempre me puseram num caldeirão de dúvida: ou eu sou muito burro, ou os filósofos não sabem se expressar com clareza.
Na semana passada esteve em Porto Alegre, a convite da PUC – Pontifícia Universidade Católica – um tal de Alvin Platinga, em cujo currículo se lê que “obteve doutorado em filosofia na University of Yale” e que foi presidente da American Philosophical Association.
Pois esse tal de filósofo, segundo o texto escrito no Caderno de Cultura do jornal Zero Hora, por Roberto Hofmeister Pich, do Programa de Pós-graduação em Filosofia da PUCRGS, tem interesses voltados “ao tema clássico da relação entre fé e razão e à busca de formular uma adequada epistemologia da crença religiosa teísta – em que o “teísmo” reúne as convicções de que um Deus pessoal existe, criou o universo e é onipotente, onisciente e infinitamente bom”.
Ressalto: o texto foi escrito por um professor de filosofia, do “Programa de Pós-graduação em Filosofia da PUCRGS”, provavelmente um “doutor”. E o cara vem dizer que o filósofo americano tem interesses voltados “...à busca de formular uma adequada epistemologia da crença religiosa teísta...”
“Interesse voltado à busca de formular”...? Que construção é essa? Lá é isso linguagem extraída das regras do vernáculo?
É uma redação de filósofo. Ou seja, de pessoa que não sabe se exprimir com clareza, sem ambiguidades. Qualquer pessoa normal, que não tenha o pensamento afetado por elucubrações filosóficas, diria: “interesse voltado à formulação de uma epistemologia”. Se o cara anda “ à busca de formular” ele está zanzando, viajando na maionese, mas não está formulando coisa nenhuma.
Mas, tem mais: você conhece alguma “crença religiosa” que não seja “teísta”? Você conhece alguma religião sem deus?
Então o filósofo, do “Programa de Pós-graduação em Filosofia da PUCRGS” não precisava acrescentar o adjetivo “teísta” à expressão “crença religiosa”. Dizer que uma crença religiosa é “teísta” é o mesmo que dizer: “está chovendo uma chuva molhada”.
A afirmação de que “um Deus pessoal existe, criou o universo e é onipotente, onisciente e infinitamente bom”, atribuída ao filósofo americano Alvin Platinga, está muito longe de qualquer lógica, porque não parte de princípios comprovados. Quer dizer, não tem premissas. A miséria, a fome, a maldade, a injustiça, a dor, entre tantos outros males que afligem a natureza humana, serviriam como prova, sim, da “impessoalidade” desse Deus. Se ele fosse “onisciente”, teria previsto “a corrupção geral do gênero” (Gênesis, cap. 6) que o levou a arrepender-se de ter criado o homem (Gênesis, cap. 6, versículo 6). Se fosse “onipotente” teria extirpado a maldade da face da terra, ao invés de atribuí-la ao homem que, se foi criação sua, está cheia de defeitos de fabricação. Finalmente, se fosse “infinitamente bom” não teria exigido o sangue de seu próprio filho, em espetáculo bem ao gosto da patuléia.
Para confirmar a regra de que filósofo não sabe se expressar com clareza, há uma exceção, a de um filósofo que sabe escrever, e muito bem: é Janer Cristaldo. E ele, como filósofo, tem autoridade para afirmar, como afirmou, em sua crônica, ontem publicada neste blog: “acreditar em Deus já é uma falha lógica. Que milhões de pessoas acreditem numa ficção, isto é questão de fé e não se discute. O que não se pode afirmar é que seja questão de lógica. Lógica nenhuma permite afirmar a existência do que não existe.”
Isso, sim, é filosofia. Porque sem lógica não existe filosofia. A lógica é o fermento de qualquer postulado. Sem ela, o que se pretende como postulado não passa de blábláblá.
Mas, por aqui sempre tem alguém disposto a patrocinar palestras de doutores em blábláblá, para enrolar deslumbrados, dizendo coisas que barbeiros ou motoristas de táxi diriam com mais clareza.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
HARVARD DESCOBRE A AMÉRICA
Janer Cristaldo
Há quem pense que sou um ateu militante, que luta para atrair os crentes à sua causa. Nada disso. Ateu, eu o sou desde minha adolescência. Ou melhor, desde nascido. Nascemos todos ateus. Quem nos faz crer em Deus é a igreja, escola, a família, o Estado. No meu caso, foi uma catequista uruguaia, Doña Chichi.
Eu vivia no campo, em um universo mais pagão que religioso. Meus pais acreditavam vagamente que deveria existir alguém que criara aquelas canhadas e coxilhas e inclusive nós mesmos. Era uma crença vaga, de pessoas incultas que do mundo pouco ou nada entendiam. Morávamos em Upamaruty, distrito rural de Livramento. Havia uma capela nas Três Vendas, no município vizinho de Dom Pedrito. A cada domingo, vinha um padre da cidade celebrar uma missa.
Quem nos levou para as missas – e para a catequese – foi Doña Chichi, mulher de um fazendeiro uruguaio, don Soilo. A cada domingo, Doña Chichi passava em sua camioneta pela Linha Divisória, arrebanhando a piazada. Automóvel, para nós, era uma aventura. Entrávamos com entusiasmo na caçamba e só a viagem já valia uma missa.
Acreditei naquelas potocas todas, fiz primeira comunhão, me submeti a essa suprema humilhação que se chama confissão e tentei, naqueles anos, ser um bom cristão. Cada vez que julgava ter cometido um pecado, me ajoelhava no chão de terra e pedia perdão a Deus. Esta genuflexão ridícula é o que mais tarde me fez abominar na Igreja. Eu me ajoelhava ante o que não existe, para pedir perdão por algo que nada tinha porque ser perdoado.
Doña Chichi, por sua vez, nos fazia pedir ao grande Deus do universo para que não chovesse, “para que nuestras carreteras se mantengan en buenas condiciones, para llevar nuestra safra de lana a la ciudad”. Era sua maneira de interpretar a função de Deus no universo.
Durante uns quatro ou cinco anos, fui à missa a cada domingo, rezei, confessei e comunguei. Fui congregado mariano e, mais ainda, fui presidente da Congregação Mariana. Por uma questão de coerência, acabei destruindo a Congregação Mariana. Teria uns quinze anos. Foi meu primeiro serviço prestado à humanidade.
Voltei a meu ateísmo primevo quando comecei a ler a Bíblia. Não há fé que resista a uma leitura atenta da Bíblia. Desde o Gênesis, vê-se que deus é uma criação dos homens. Terá sido por isso que a Igreja desrecomendava a leitura da Bíblia antes do trinta anos. Se você chegou aos trinta acreditando em Deus, dificilmente renegará sua crença.
A respeito de crônica recente, sobre o embuste das medicinas do Além, me escreve Marcelo Araújo:Picaretagem??? Superstições??? Embustes??? O seu texto até que nos faz parar para pensar nos profissionais da medicina, porém, a sua forma de se dirigir às pessoas citadas, nos lembra os orgulhosos Patrícios do 1º século. Que se discorde das idéias, tudo bem. Mas, utilizar destas palavras, me parece uma falta de respeito muito grande.
Caro, toda religião é picaretagem. Padres, seja a qual religião pertençam, vivem de enganar o próximo. Sustentam-se vendendo vento. Comprei vento, em minha juventude. Mas lá por meus quinze anos considerei não ser bom negócio comprar vento. Achar que chamar de picaretagem a condenação das religiões é falta de respeito, é o mesmo que chamar de falta de respeito condenar a corrupção do governo e do Congresso Nacional.
Que as pessoas creiam no que quiserem e felicidades a todos! Para mim, tanto faz como tanto fez. O que não se admite é atribuir a instâncias do Além o trabalho de médicos, enfermeiros e máquinas.
Minha cura se deveu em boa parte à medicina de ponta e à excelência do corpo médico – e também dos físicos - do Sírio-Libanês. Além da competência, fui tratado com um carinho como se eu fosse, não um cliente, mas um amigo de todos. E graças, muito especialmente, à Siemens e à sua metodologia IMRT - Intensity Modulated Radiotherapy - Radioterapia com Intensidade Modulada, uma tecnologia avançada de radioterapia. O aparelhinho, um acelerador linear de última geração, que custa um milhão de dólares – mais outro milhão pelas instalações e softwares – cura determinados cânceres com mais eficiência e menores danos que as técnicas anteriores.
Quem atribui a Deus sua cura, após ter sido tratado em hospitais de excelência, deveria ter seu nome posto numa lista negra e jamais ser aceito em hospital algum. Que apele a Deus, ao Dr. Fritz, ao Queiroz. Mas que não ofenda o esforço continuado dos cientistas em desenvolver cada vez melhores instrumentos de cura.
Em meio a isso, leio na Folha de São Paulo de hoje reportagem afirmando afirmando que pessoas que acreditam em Deus têm mais chance de cometer falhas lógicas levadas pela intuição. Ora, acreditar em Deus já é uma falha lógica. Que milhões de pessoas acreditem numa ficção, isto é questão de fé e não se discute. O que não se pode afirmar é que seja questão de lógica. Lógica nenhuma permite afirmar a existência do que não existe.
Segundo a reportagem, muita gente rejeita o estereótipo que descreve ateus como pessoas racionais e analíticas e religiosos como intuitivos e espontâneos. Um experimento feito na Universidade Harvard, porém, sugere que esse clichê pode ter um fundo de verdade. No trabalho, cientistas avaliaram o estilo de raciocínio preferido por mais de 800 voluntários e viram que aqueles com tendência maior a usar a intuição eram mais propensos a crer em Deus e entidades sobrenaturais. O resultado do experimento saiu em um estudo publicado na revista científica Journal of Experimental Psychology. O trabalho, coordenado pelo psicólogo Amitai Shenhav, indica que pessoas mais racionais tendem a crer menos em Deus.A Universidade Harvard, pelo jeito, está descobrindo a América. É óbvio que um ser racional não pode acreditar em deus ou deuses. Esta crença é atributo dos tais de intuitivos. E eles são legião.
Há quem pense que sou um ateu militante, que luta para atrair os crentes à sua causa. Nada disso. Ateu, eu o sou desde minha adolescência. Ou melhor, desde nascido. Nascemos todos ateus. Quem nos faz crer em Deus é a igreja, escola, a família, o Estado. No meu caso, foi uma catequista uruguaia, Doña Chichi.
Eu vivia no campo, em um universo mais pagão que religioso. Meus pais acreditavam vagamente que deveria existir alguém que criara aquelas canhadas e coxilhas e inclusive nós mesmos. Era uma crença vaga, de pessoas incultas que do mundo pouco ou nada entendiam. Morávamos em Upamaruty, distrito rural de Livramento. Havia uma capela nas Três Vendas, no município vizinho de Dom Pedrito. A cada domingo, vinha um padre da cidade celebrar uma missa.
Quem nos levou para as missas – e para a catequese – foi Doña Chichi, mulher de um fazendeiro uruguaio, don Soilo. A cada domingo, Doña Chichi passava em sua camioneta pela Linha Divisória, arrebanhando a piazada. Automóvel, para nós, era uma aventura. Entrávamos com entusiasmo na caçamba e só a viagem já valia uma missa.
Acreditei naquelas potocas todas, fiz primeira comunhão, me submeti a essa suprema humilhação que se chama confissão e tentei, naqueles anos, ser um bom cristão. Cada vez que julgava ter cometido um pecado, me ajoelhava no chão de terra e pedia perdão a Deus. Esta genuflexão ridícula é o que mais tarde me fez abominar na Igreja. Eu me ajoelhava ante o que não existe, para pedir perdão por algo que nada tinha porque ser perdoado.
Doña Chichi, por sua vez, nos fazia pedir ao grande Deus do universo para que não chovesse, “para que nuestras carreteras se mantengan en buenas condiciones, para llevar nuestra safra de lana a la ciudad”. Era sua maneira de interpretar a função de Deus no universo.
Durante uns quatro ou cinco anos, fui à missa a cada domingo, rezei, confessei e comunguei. Fui congregado mariano e, mais ainda, fui presidente da Congregação Mariana. Por uma questão de coerência, acabei destruindo a Congregação Mariana. Teria uns quinze anos. Foi meu primeiro serviço prestado à humanidade.
Voltei a meu ateísmo primevo quando comecei a ler a Bíblia. Não há fé que resista a uma leitura atenta da Bíblia. Desde o Gênesis, vê-se que deus é uma criação dos homens. Terá sido por isso que a Igreja desrecomendava a leitura da Bíblia antes do trinta anos. Se você chegou aos trinta acreditando em Deus, dificilmente renegará sua crença.
A respeito de crônica recente, sobre o embuste das medicinas do Além, me escreve Marcelo Araújo:Picaretagem??? Superstições??? Embustes??? O seu texto até que nos faz parar para pensar nos profissionais da medicina, porém, a sua forma de se dirigir às pessoas citadas, nos lembra os orgulhosos Patrícios do 1º século. Que se discorde das idéias, tudo bem. Mas, utilizar destas palavras, me parece uma falta de respeito muito grande.
Caro, toda religião é picaretagem. Padres, seja a qual religião pertençam, vivem de enganar o próximo. Sustentam-se vendendo vento. Comprei vento, em minha juventude. Mas lá por meus quinze anos considerei não ser bom negócio comprar vento. Achar que chamar de picaretagem a condenação das religiões é falta de respeito, é o mesmo que chamar de falta de respeito condenar a corrupção do governo e do Congresso Nacional.
Que as pessoas creiam no que quiserem e felicidades a todos! Para mim, tanto faz como tanto fez. O que não se admite é atribuir a instâncias do Além o trabalho de médicos, enfermeiros e máquinas.
Minha cura se deveu em boa parte à medicina de ponta e à excelência do corpo médico – e também dos físicos - do Sírio-Libanês. Além da competência, fui tratado com um carinho como se eu fosse, não um cliente, mas um amigo de todos. E graças, muito especialmente, à Siemens e à sua metodologia IMRT - Intensity Modulated Radiotherapy - Radioterapia com Intensidade Modulada, uma tecnologia avançada de radioterapia. O aparelhinho, um acelerador linear de última geração, que custa um milhão de dólares – mais outro milhão pelas instalações e softwares – cura determinados cânceres com mais eficiência e menores danos que as técnicas anteriores.
Quem atribui a Deus sua cura, após ter sido tratado em hospitais de excelência, deveria ter seu nome posto numa lista negra e jamais ser aceito em hospital algum. Que apele a Deus, ao Dr. Fritz, ao Queiroz. Mas que não ofenda o esforço continuado dos cientistas em desenvolver cada vez melhores instrumentos de cura.
Em meio a isso, leio na Folha de São Paulo de hoje reportagem afirmando afirmando que pessoas que acreditam em Deus têm mais chance de cometer falhas lógicas levadas pela intuição. Ora, acreditar em Deus já é uma falha lógica. Que milhões de pessoas acreditem numa ficção, isto é questão de fé e não se discute. O que não se pode afirmar é que seja questão de lógica. Lógica nenhuma permite afirmar a existência do que não existe.
Segundo a reportagem, muita gente rejeita o estereótipo que descreve ateus como pessoas racionais e analíticas e religiosos como intuitivos e espontâneos. Um experimento feito na Universidade Harvard, porém, sugere que esse clichê pode ter um fundo de verdade. No trabalho, cientistas avaliaram o estilo de raciocínio preferido por mais de 800 voluntários e viram que aqueles com tendência maior a usar a intuição eram mais propensos a crer em Deus e entidades sobrenaturais. O resultado do experimento saiu em um estudo publicado na revista científica Journal of Experimental Psychology. O trabalho, coordenado pelo psicólogo Amitai Shenhav, indica que pessoas mais racionais tendem a crer menos em Deus.A Universidade Harvard, pelo jeito, está descobrindo a América. É óbvio que um ser racional não pode acreditar em deus ou deuses. Esta crença é atributo dos tais de intuitivos. E eles são legião.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
PROSELITISDMO A QUALQUER PREÇO
João Eichbaum
Vocês sabiam da existência de uma tal de COORDENAÇÃO GERAL DA DIVERSIDADE RELIGIOSA DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA?
Pois é, existe. E com esse nome pomposo só podia ser coisa do governo petista. E também só podia ser coisa do governo petista por duas outras razões, para empregar a companheirada e tirar o nosso dinheiro.
A coordenadora geral da dita Secretaria é a “companheira” Marga Ströher, que veio a São Leopoldo para participar de Seminário de Diversidade Religiosa, promovido pela Faculdade EST, na tarde de quarta-feira passada.
Olhem só o discurso da companheira: “o que discutimos é que a religião tem um potencial nas políticas públicas e na cidadania, por isso é preciso combater a intolerância a culto religioso”.
Então, fundamentalmente, a questão é política. A religião, no dizer da “companheira”, tem influência na política e por isso é necessário preservá-la contra a intolerância religiosa – que até hoje não mostrou as caras, fechando estradas, invadindo propriedades privadas, atravancando o trânsito, devastando plantações, protestando contra a divindade, etc.
Claro, é exatamente como o PT gosta. A matéria prima com que o PT trabalha é a massa de manobra, a mesma massa em que investem as religiões para prometer o céu, o perdão dos pecados, a conversa com os entes do além, a cura das doenças, etc, E como ninguém é de ferro, para tudo isso o custo não passa de exíguas côngruas.
A diferença reside no seguinte: enquanto as religiões usam o dinheiro dos crentes para custear as viagens do Papa, as riquezas do Vaticano, o poderio econômico, enfim, das Igrejas Católica e Protestante, e a vida nababesca, as redes de televisão e muitas outras fontes de arrecadação do Edir Macedo e de outros bispos e bispas menos votados, o PT usa o nosso dinheiro, o dinheiro que nós, os que trabalhamos (muitos dispensando Deus) somos obrigados, sob pena de execução ou até de prisão, a entregar para o governo.
Quem nos informa isso é a própria “companheira” Marga Ströher: “estamos percorrendo cidades do país desde o início desse semestre e a nossa intenção é dialogar e criar um Conselho Nacional de Promoção da Diversidade Religiosa”.
Quer dizer, diárias e passagens aéreas, para percorrer o país, “dialogando” às nossas custas. Depois, jetons para os membros do tal de Conselho Nacional. Tudo debitado em nossa conta.
Tudo isso seria até admissível num país em que, para que fossem respeitados os fundamentais direitos humanos, não houvesse miséria, desemprego, gente dormindo nas ruas, filas de SUS, falta de hospitais, de escolas, de universidades públicas, e no qual o sistema carcerário fosse eficiente e a segurança mais eficiente ainda. Ai, com o dinheiro que sobrasse, funcionários públicos concursados poderiam viajar para defender os cultos religiosos contra os perigosíssimos e incessantes ataques dos ateus, para discutir abobrinhas e para a criação de Conselhos Nacionais de Abobrinhas.
Mas, por ora, não. Temos necessidades essenciais que estão longe de ser supridas, e não se tem notícia de ataque algum contra os cultos religiosos, cuja linha de ação é a mesma dos políticos: prometem o que não podem cumprir.
Vocês sabiam da existência de uma tal de COORDENAÇÃO GERAL DA DIVERSIDADE RELIGIOSA DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA?
Pois é, existe. E com esse nome pomposo só podia ser coisa do governo petista. E também só podia ser coisa do governo petista por duas outras razões, para empregar a companheirada e tirar o nosso dinheiro.
A coordenadora geral da dita Secretaria é a “companheira” Marga Ströher, que veio a São Leopoldo para participar de Seminário de Diversidade Religiosa, promovido pela Faculdade EST, na tarde de quarta-feira passada.
Olhem só o discurso da companheira: “o que discutimos é que a religião tem um potencial nas políticas públicas e na cidadania, por isso é preciso combater a intolerância a culto religioso”.
Então, fundamentalmente, a questão é política. A religião, no dizer da “companheira”, tem influência na política e por isso é necessário preservá-la contra a intolerância religiosa – que até hoje não mostrou as caras, fechando estradas, invadindo propriedades privadas, atravancando o trânsito, devastando plantações, protestando contra a divindade, etc.
Claro, é exatamente como o PT gosta. A matéria prima com que o PT trabalha é a massa de manobra, a mesma massa em que investem as religiões para prometer o céu, o perdão dos pecados, a conversa com os entes do além, a cura das doenças, etc, E como ninguém é de ferro, para tudo isso o custo não passa de exíguas côngruas.
A diferença reside no seguinte: enquanto as religiões usam o dinheiro dos crentes para custear as viagens do Papa, as riquezas do Vaticano, o poderio econômico, enfim, das Igrejas Católica e Protestante, e a vida nababesca, as redes de televisão e muitas outras fontes de arrecadação do Edir Macedo e de outros bispos e bispas menos votados, o PT usa o nosso dinheiro, o dinheiro que nós, os que trabalhamos (muitos dispensando Deus) somos obrigados, sob pena de execução ou até de prisão, a entregar para o governo.
Quem nos informa isso é a própria “companheira” Marga Ströher: “estamos percorrendo cidades do país desde o início desse semestre e a nossa intenção é dialogar e criar um Conselho Nacional de Promoção da Diversidade Religiosa”.
Quer dizer, diárias e passagens aéreas, para percorrer o país, “dialogando” às nossas custas. Depois, jetons para os membros do tal de Conselho Nacional. Tudo debitado em nossa conta.
Tudo isso seria até admissível num país em que, para que fossem respeitados os fundamentais direitos humanos, não houvesse miséria, desemprego, gente dormindo nas ruas, filas de SUS, falta de hospitais, de escolas, de universidades públicas, e no qual o sistema carcerário fosse eficiente e a segurança mais eficiente ainda. Ai, com o dinheiro que sobrasse, funcionários públicos concursados poderiam viajar para defender os cultos religiosos contra os perigosíssimos e incessantes ataques dos ateus, para discutir abobrinhas e para a criação de Conselhos Nacionais de Abobrinhas.
Mas, por ora, não. Temos necessidades essenciais que estão longe de ser supridas, e não se tem notícia de ataque algum contra os cultos religiosos, cuja linha de ação é a mesma dos políticos: prometem o que não podem cumprir.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
MENSAGEM DO CATELLI
Janer Cristaldo
Caro Janer,Saudações!
Li seu ótimo artigo "Veja endossa medicina do além". Você esqueceu de mencionar que essa tal Mara Mazan morreu em novembro de 2009 - o artigo em que você originalmente criticava essa contumaz ingratidão para com os que realmente curam era de março daquele ano, pelo que pesquisei em seu site. Ou seja: Dr Fritz falhou vergonhosamente, mesmo dominando técnicas avançadíssimas da tal "medicina do além".Pergunta: por que orações pouco adiantavam antes de Alexander Fleming e agora curam tanto? Por que orações curavam pouco quando não havia técnicas avançadas de cirurgia?Por que não rezam pela paz no Oriente Médio, pela cura da AIDS ou que o dedinho amputado do Lula cresça... Sabemos que o seu deus não cura amputados, nem que todas as pessoas do mundo peçam com fé incessantemente por meses a fio.O crente acredita que melhorou pelo fato de ter pedido pela sua saúde à Senhora das Graças? Bravo! Partindo desse pressuposto, deve as melhoras à Santa porque ela o ajudou. E se não tivesse melhorado, seria por recusa da Santa em o ajudar? Aí não, claro! Seu deus sabe o que é melhor para ele, para sua alma. O crente blinda seu deus, que é louvado quando atende a preces e quando não atende - é louvado aqui por ter lhe dado forças para suportar o infortúnio. Ora, então o crente pio que pediu com fé devia colocar uma plaquinha de agradecimento na gruta da Santa por não ter sido curado, afinal seu deus sabe o que é melhor para ele e para a humanidade.E quando tem sucesso, o infinito orgulho de nossa raça ajuda-o a crer que mereceu ser curado enquanto milhões de outras pessoas que têm a mesma crença estão na fila de espera há anos por um milagrezinho. Ele é muito especial para o seu deus!Mas considero isso normal. Quando crentes se sentem impotentes perante algumas agruras da vida, gostam de ter um ser onipotente à disposição, para atender aos seus desejos, qual gênio da lâmpada, e a prece (a prece que pede por algo, não a que agradece, que por vezes é fruto apenas de felicidade transbordante e por vezes medo de ser mal-agradecido e perder o que foi conquistado por ser muito especial aos olhos de deus) é uma espécie de joystick com que julgam controlar esse ser onipotente... E aí se sentem potentes...Digamos que 0,15% da população mundial contraia uma doença nova da qual a chance de o contagiado se curar seja de uma em cem - 1%. Quem ouve de um médico "sua chance de sair vivo desta é de 1%" considera-se praticamente morto, não?A população mundial é de 6,6 bilhões. Teremos quase 10 milhões de desgraçados no mundo que contraíram a doença. Quase todos terão algum deus e rezarão para ele, embora se considerem praticamente mortos. No fim das contas, teremos 100 mil pessoas salvas "miraculosamente" mundo afora a dar testemunho diário do quanto seu deus é poderoso, afinal estavam "praticamente mortas". As outras milhões estarão mortas e não terão chance de dar testemunho diário de coisa alguma. Estatística é isso aí! Se a possibilidade de ganhar em determinado jogo é de uma em um milhão e cinco milhões jogarem, provavelmente teremos cinco ou seis ganhadores, dez, quem sabe. E todos eles se considerarão agraciados pelos deuses, afinal rezaram antes de jogar... Assim como rezaram também os outros que não ganharam...Mas vou além, caro Janer. Amiúde acreditam também em destino, nossos crentes. Se 200 morrem em um acidente de avião, era a hora deles. Se um se salva, era porque não era a hora dele. Se a caminho do hospital a ambulância bate e ele morre, é porque realmente era a hora dele, mas se não morre é porque realmente não era a hora dele. Se perde o voo é porque não era sua hora. Se consegue embarcar pela fila de espera e morre é porque realmente era sua hora...Pergunto: por que colocar cinto de segurança, por que ir ao hospital, por que se medicar? Por que chamar o Dr. Fritz? Já não está escrita a hora de cada um?Tenho pena...
Um grande abraço!Catelli
Pois, Catelli, eu não sabia da morte da Mazan. Pelo jeito, o Dr. Fritz de nada lhe valeu. As declarações da atriz se mostram de um ridículo atroz:- Antes de eu tirar o tumor de meu pulmão, eu já havia sido operada espiritualmente pelo Doutor Fritz (incorporado por Edson Queiroz), indicado pela minha amiga e cantora Alcione. Os tumores que existiam em meu pulmão diminuíram consideravelmente e, quando a equipe do médico Riad Yunis fez a retirada do tumor maligno, não houve nenhum tipo de complicação. (...) Foi uma coisa surreal, mas muito bacana. O meu tratamento foi inteiramente realizado na base da oração. Fiquei sentada em uma cadeira e começaram a rezar. Logo eu comecei a sentir meu corpo dormente, como se tivesse sido anestesiada. Entrei em alfa e depois vomitei um líquido verde, parecendo a personagem Sarah, de O Exorcista.
De fato, foi uma coisa muito bacana. Entrou em alfa, vomitou... e morreu. Quanto a isso de aviões, sempre me espantaram as declarações de quem se salva de um desastre aéreo: "Graças a Deus". Mas que deus é esse que matou os demais passageiros e tripulantes?
Falando nisso, vivi uns bons quatro anos em pânico ante a perspectiva de voar. É que levei um susto aterrissando numa pista no Saara argelino. O piloto mandava atar os cintos, que estávamos aterrissando, e eu, mesmo a uns quatro ou cinco metros do solo, só via areia. É hoje, pensei. Não era. Os aeroportos no deserto são assim mesmo, a pista só surge quando o avião está encostando o solo.
Vai daí que, por quatro longos anos, se eu tinha de voar, dois meses antes eu já não conseguia dormir bem. Comecei a interrogar-me e descobri que eu não tinha medo de voar. Mas medo de morrer. Ninguém tem medo de voar. O medo é outro. Até que um dia conclui que a morte é inevitável mesmo e assim sendo, que aconteça o que tiver de acontecer. Hoje, mal o avião decola, já estou dormindo.
Não estou preocupado com minha hora. Mas sempre pode ser a hora do piloto. Da morte, não alimento mais medo algum. Mas sei que me sentirei muito triste ao abandonar uma festa que vai continuar. Talvez eu chore, como chorei em Madri, ao dar-me conta de que estava abandonando aquela festa toda para voltar ao Brasil.
Em meio a isso, que pobres de espírito busquem muletas metafísicas para enfrentar a morte, isto não me surpreende. O que me surpreende é ver médicos negando suas próprias ciências e assumindo as tais de medicinas do Além.
Pois, Catelli, eu não sabia da morte da Mazan. Pelo jeito, o Dr. Fritz de nada lhe valeu. As declarações da atriz se mostram de um ridículo atroz:- Antes de eu tirar o tumor de meu pulmão, eu já havia sido operada espiritualmente pelo Doutor Fritz (incorporado por Edson Queiroz), indicado pela minha amiga e cantora Alcione. Os tumores que existiam em meu pulmão diminuíram consideravelmente e, quando a equipe do médico Riad Yunis fez a retirada do tumor maligno, não houve nenhum tipo de complicação. (...) Foi uma coisa surreal, mas muito bacana. O meu tratamento foi inteiramente realizado na base da oração. Fiquei sentada em uma cadeira e começaram a rezar. Logo eu comecei a sentir meu corpo dormente, como se tivesse sido anestesiada. Entrei em alfa e depois vomitei um líquido verde, parecendo a personagem Sarah, de O Exorcista.
De fato, foi uma coisa muito bacana. Entrou em alfa, vomitou... e morreu. Quanto a isso de aviões, sempre me espantaram as declarações de quem se salva de um desastre aéreo: "Graças a Deus". Mas que deus é esse que matou os demais passageiros e tripulantes?
Falando nisso, vivi uns bons quatro anos em pânico ante a perspectiva de voar. É que levei um susto aterrissando numa pista no Saara argelino. O piloto mandava atar os cintos, que estávamos aterrissando, e eu, mesmo a uns quatro ou cinco metros do solo, só via areia. É hoje, pensei. Não era. Os aeroportos no deserto são assim mesmo, a pista só surge quando o avião está encostando o solo.
Vai daí que, por quatro longos anos, se eu tinha de voar, dois meses antes eu já não conseguia dormir bem. Comecei a interrogar-me e descobri que eu não tinha medo de voar. Mas medo de morrer. Ninguém tem medo de voar. O medo é outro. Até que um dia conclui que a morte é inevitável mesmo e assim sendo, que aconteça o que tiver de acontecer. Hoje, mal o avião decola, já estou dormindo.
Não estou preocupado com minha hora. Mas sempre pode ser a hora do piloto. Da morte, não alimento mais medo algum. Mas sei que me sentirei muito triste ao abandonar uma festa que vai continuar. Talvez eu chore, como chorei em Madri, ao dar-me conta de que estava abandonando aquela festa toda para voltar ao Brasil.
Em meio a isso, que pobres de espírito busquem muletas metafísicas para enfrentar a morte, isto não me surpreende. O que me surpreende é ver médicos negando suas próprias ciências e assumindo as tais de medicinas do Além.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
A BÍBLIA LIDA PELO DIABO
João Eichbaum
6 Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração.
Perdeu o controle, deixou que o desastre se consumasse, se arrependeu e quis cair fora. Que tipo de deus seria o Javé? Um Deus sem onisciência? Não sabia Ele, de antemão, que tudo seria assim, que sua obra de seis dias ir dar nessa merda toda?
Comecemos com a serpente. Quem é que criou a serpente, esse bichinho viscoso e traiçoeiro? Não foi Ele? E não sabia que a serpente iria seduzir a mulher? E não sabia que a curiosidade da mulher é irreprimível?
De tudo o que se viu até aqui, a conclusão é inevitável: Javé é um deus fraco, dotado das mesmas fraquezas do homem a quem criou: fez as coisas sem pensar, teve acessos de cólera, expulsou Adão e Eva do Paraíso, perdeu o controle do mundo, se desencantou, se arrependeu. Ele, como criador do mundo e do homem, tinha a obrigação de tornar feliz a sua criatura. Como não o fez, o homem se virou como pode e descobriu que a maneira mais simples de conseguir a felicidade é se corrompendo.
Que o digam os políticos.
7 E disse o Senhor: destruirei o homem que criei sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus, porque me arrependo de os haver feito.
O negócio dEle era chutar o balde, pra ficar feliz, antes que fosse tarde.
Mas como é que no começo Ele achava “tudo bom”?
Só se pode concluir que Ele não tinha nem noção do que estava fazendo, fez tudo no impulso, sem medir as conseqüências, sem um plano, e dizia que era bom, quando, na verdade, deveria dizer: “quero ver se essa porra vai dar certo”.
Mais um acesso de fúria. E agora uma fúria assassina, destinada a matar pecadores e justos. Que culpa teriam os animais, os pobres passarinhos, por exemplo, da corrupção humana?
Ao invés de exterminar a raça humana, não deveria Ele, usando seus poderes, transformá-la, reeducá-la, fazer dela seus servos dóceis e fiéis?
Ou então, como fazem os políticos, varrer tudo pra baixo do tapete.
O mau humor nele era mais forte nele do que a misericórdia, o impulso, mais forte do que a razão. Se tinha poderes para destruir, não os teria para transformar?
6 Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração.
Perdeu o controle, deixou que o desastre se consumasse, se arrependeu e quis cair fora. Que tipo de deus seria o Javé? Um Deus sem onisciência? Não sabia Ele, de antemão, que tudo seria assim, que sua obra de seis dias ir dar nessa merda toda?
Comecemos com a serpente. Quem é que criou a serpente, esse bichinho viscoso e traiçoeiro? Não foi Ele? E não sabia que a serpente iria seduzir a mulher? E não sabia que a curiosidade da mulher é irreprimível?
De tudo o que se viu até aqui, a conclusão é inevitável: Javé é um deus fraco, dotado das mesmas fraquezas do homem a quem criou: fez as coisas sem pensar, teve acessos de cólera, expulsou Adão e Eva do Paraíso, perdeu o controle do mundo, se desencantou, se arrependeu. Ele, como criador do mundo e do homem, tinha a obrigação de tornar feliz a sua criatura. Como não o fez, o homem se virou como pode e descobriu que a maneira mais simples de conseguir a felicidade é se corrompendo.
Que o digam os políticos.
7 E disse o Senhor: destruirei o homem que criei sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus, porque me arrependo de os haver feito.
O negócio dEle era chutar o balde, pra ficar feliz, antes que fosse tarde.
Mas como é que no começo Ele achava “tudo bom”?
Só se pode concluir que Ele não tinha nem noção do que estava fazendo, fez tudo no impulso, sem medir as conseqüências, sem um plano, e dizia que era bom, quando, na verdade, deveria dizer: “quero ver se essa porra vai dar certo”.
Mais um acesso de fúria. E agora uma fúria assassina, destinada a matar pecadores e justos. Que culpa teriam os animais, os pobres passarinhos, por exemplo, da corrupção humana?
Ao invés de exterminar a raça humana, não deveria Ele, usando seus poderes, transformá-la, reeducá-la, fazer dela seus servos dóceis e fiéis?
Ou então, como fazem os políticos, varrer tudo pra baixo do tapete.
O mau humor nele era mais forte nele do que a misericórdia, o impulso, mais forte do que a razão. Se tinha poderes para destruir, não os teria para transformar?
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