segunda-feira, 13 de outubro de 2014

QUANDO É O MEDO DA FOME QUE VOTA
João Eichbaum

Reportagem da Folha de São Paulo mostra um quadro social, no Piauí, que beira os limites do inacreditável. Numa cidadezinha do interior, a maior empresa do local emprega só duas pessoas.
Calma lá, explico. Essa empresa não passa de um mercadinho, que vende produtos alimentícios e instrumentos para a agricultura. Pertence a um piauiense que foi trabalhar em São Paulo, juntou algum dinheiro e retornou para a terrinha, onde montou o mercado.
No mercado trabalham ele, a mulher e dois empregados. O resto da população, que é constituída, na maior parte, por agricultores, tem como garantia de sobrevivência unicamente o benefício do "bolsa-família" já que, no sertão nordestino, as secas castigam e o resultado da agricultura é, na prática, uma loteria.
Então, acontece o seguinte: o mercado vende no caderno e só recebe o pagamento quando chega o "bolsa-família".
Essa é a face ridícula do benefício criado pelo Lula: o caráter de esmola.
O que era para ser um incentivo para o trabalho, um impulso para mínimas ambições, se transformou na salvação da fome, no encosto para o conforto. Em outras palavras, o que era para ser um meio, acabou se transformando num fim em si mesmo. Seus beneficiários vivem pela e para a esmola do governo e essa os faz viver. E procriar, naturalmente, que ninguém é de ferro.
Ou vocês têm outra explicação para a acachapante vitória da Dilma no Piauí?



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

TEM GATO NA TUBA?
João Eichbaum
Rodrigo Janot. Esse é o nome do personagem principal. Ele é o chefe do Ministério Público Federal, função que exerce por nomeação da Dilma. O coadjuvante, que não participaria da cena sem o personagem principal, se chama Teori Zavaski.
Para quem não se lembra, Dilma é do PT e estará disputando o segundo turno da eleição presidencial com o tucano Aécio Neves.
Parece que não tem nada a ver, mas tem.
Foi assim. A pedido da Procuradoria Geral da República, o ministro Teori Zavaski, também nomeado pela Dilma para o Supremo Tribunal Federal, autorizou investigações sobre “maracutaias” em Santa Cruz do Sul e Sinimbu.
Inquérito aberto pela Delegacia da Polícia Federal de Santa Cruz do Sul, em 2012, constatou que cerca de 6.000 pequenos agricultores, beneficiados pelo Programa Nacional de Agricultura Familiar, conhecido como Pronaf, foram ludibriados num esquema de desvio de recursos públicos. Parte do dinheiro, que lhes era destinado, ia parar na gaveta de uma “associação” liderada por um vereador - adivinham de que partido?
Acertaram: PT.
Contando com o dinheiro, os agricultores fizeram dívidas. Mas, como recebiam menos que o esperado, acabaram na insolvência.
A Polícia Federal tinha mobilizado 60 agentes para cumprir mandados de busca e apreensão em Santa Cruz e Sinimbu no dia 30 de outubro.
Eis senão quando o supracitado senhor Janot adota uma medida inédita em processo penal: pediu ao ministro Teori  a suspensão da operação. Coincidência: aos ouvidos da polícia tinha chegado o nome do deputado Osvino Bohn Gass, candidato à reeleição. Pelo PT, claro.
O senhor Teori, por seu turno, deve ter um livrinho de processo penal que nenhum advogado tem. Por isso, atendeu, incontinenti, ao pedido do Procurador Geral da República e mandou suspender a operação até o dia 6 de outubro. Quer dizer um “litle habeas”, com duração previamente marcada!
Essa estranha decisão, que muda completamente tudo o que a lei diz sobre “habeas corpus”, nos leva a pensar que tem gato na tuba:  Osvino Bohn Gass, do PT, o mesmo partido da presidente que nomeou o Procurador e o ministro, foi eleito. Como uma vestal velha, dessas de que está cheio o PT.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Diego Mainardi

Aécio, meu velho, vou votar em você. Não que eu queira, verdadeiramente. Mas sobrou você como a nossa, talvez, última barreira sanitária contra esse vírus ébola que é o petismo. Cada vez que vejo nas entrevistas o teu rosto sorridente, penso: como ele pode se mostrar tão feliz?

Você parece que está vivendo permanentemente dentro de um comercial de tv - enquanto nós ficamos de fora, nos sentindo tão inseguros, tão sem saída. Deve ser uma estratégia de campanha você contrastar tua figura "presidenciável" com o daquela senhora odiável e desprezível que parece sempre estar tão mentalmente desorganizada, tão alienada do mundo. Mas ela tem a caneta na mão e assina papéis que compram Pasadena, que importa médicos fajutos, que prefere investir em Cuba, Venezuela ao invés de nosso tão desesperadamente carente Brasil. E que sorrateiramente sancionou esse maldito Decreto 8243 que vai criar os Sovietes, que significa a liquidação do nosso (ainda) regime democrático.

Vou votar em você Aécio. Pode ser que você esteja mineiramente quieto e se fingindo de morto enquanto vai costurando acordos políticos que, no fim, vão virar o veneno que fará o PT entrar em coma e morrer. Pode ser. Mas reconheça que muitos do que votarão em você o farão principalmente para se opor ao PT. Esquecendo, por um momento, dos votos dos "bolsas", somos nós que faremos a diferença. E nós queremos botar fé que você seja o cavaleiro de armadura reluzente, que com a sua espada Durindana vai estraçalhar as hostes inimigas. Nós queremos que você seja o nosso Campeão.

Sei que não é novidade o que estou aqui dizendo, e que é inocente quem põe sua vida na mão dos outros, confiando inteiramente no Líder sob o qual faremos a guerra. Mas que outra possibilidade temos, além de você?

Aécio, fala! são tantos os temas que estão sendo discutidos por tantos, inclusive aqui no Face. Mas você não fala e nós ficamos conjecturando o que te faz tão convencional, tão discreto. Você é neto do Tancredo, que era cheio de manhas, espertezas, tão bom jogador de poker que foi.

Talvez seja assim mesmo que se deve jogar numa eleição como esta, você deve saber - temos que confiar em teu critério. Mas estamos ressabiados. Queremos colocar pólvora e bolas de aço em nossas espingardas, sair das trincheiras e correr contra o inimigo que nos amedronta, e que nos empurra para a defensiva. Precisamos de tua voz e entusiasmo, Aécio.

O tempo está correndo contra nós. Desculpe falar tanto em nós, nós. Seria mais apropriado dizer que, talvez, esta opinião seja só minha.


Diego Mainardi é Publicitário.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

AS MARIONETES
João Eichbaum
Antigamente artista era artista, jogador de futebol, jogador de futebol, político, político.
Na era eletrônica, ou era global, tudo mudou. Os artistas saíram da tela e os jogadores, do campo de futebol. O que era uma admiração platônica, hoje se transformou numa aproximação virtual.
Tendo fãs aos montes – coisa que os políticos não têm – os artistas e jogadores de futebol hoje são utilizados como isca para atrair votos.
Partidos políticos usam esse engodo para inflar suas bancadas e, dessa forma, alavancar seus interesses, com acordos espúrios tipo "é dando que se recebe".
Figuras como Danrlei, Tiririca e Jardel estão entre os mais votados candidatos dessas últimas eleições. Pessoas de baixo extrato cultural, que não saberiam sequer exprimir um conceito longínquo de ciência política, são nossos “representantes” no parlamento.
Nossos “representantes”, uma ova. Eles serão meros instrumentos, disponíveis marionetes nas mãos das raposas da velha política, servindo a causas de cujo alcance não têm a mais puta ideia.
Imaginem o Danrlei e o Tiririca discutindo o novo Código Civil, o novo Código de Processo Penal, para ficar só nisso.
É evidente que, estando sempre a ver navios naqueles ninhos de espertalhões, que são o Congresso e as Assembleias Legislativas, eles não terão outra alternativa a não ser dizer “amén” para tudo quanto decidirem os chefões, as máfias das mais diversas cores. E para lá serão reconduzidos os ex-atletas, enquanto houver neste país eleitores que sofrem de diarreia no cérebro.
Mas, é assim que funciona essa Gomorra política instalada no Brasil com o nome de democracia. O povo, esse elefante que não sabe a força que tem, só serve de instrumento para que meia dúzia roube, enriqueça e estufe os peitos, cantando o salmo do Estelionato: só a democracia faz o brasileiro feliz.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

PLANETACHO

Ela leu a mão de Otávio. Viu a infância pobre. A primeira namorada. As dificuldades na escola. Falou de um amor do passado. Alguém que partiu seu coração. Estava tudo ali, nas linhas do coração, da mente, da vida e do destino. Mas, quando chegou no dedo indicador, a quiromante ficou branca:

- Hoje este dedo vai decidir os destinos da nação para os próximos quatro anos.

Não por acaso era o dia da eleição. Casualmente também foi a única coisa que ela acertou.

O QUE NÃO PODE SER ESCRITO ENTRE ASPAS...

Político, porque é aspones
Vegetariano é entre aspargos
Hipocondríaco é entre aspirinas

é entre aspiradores

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A FARSA DA DEMOCRACIA
João Eichbaum
Ainda não terminou. Tem segundo turno.
O que os hipócritas, ou burros, chamam de “festa da democracia”, mas que, na realidade, é a farsa da democracia, ainda não terminou.
Por que é farsa, e não festa?
Pelo seguinte. Em primeiro lugar, porque não é democracia. Não é o povo que escolhe os candidatos. São os pelegos, os “membros do partido”, numa coisa que eles chamam de “convenção”, mas que é a primeira farsa. Somam-se interesses pessoais e se convertem meia dúzia de abobados para integrar o partido. Essa meia dúzia, devidamente conduzida, é que escolhe o candidato.
Em segundo lugar, obrigam-se pessoas que precisam descansar, estar com a família, curtir o fim de semana, para servirem de “mesários”. Na marra.
Terceiro lugar, se obriga o povo, que não tá nem aí, a votar, a escolher um candidato que foi imposto goela abaixo pelo partido.
A isso se pode chamar de festa?
Festa, coisa nenhuma, é farsa. Dá-se o nome de “democracia” a uma pantomima na qual o povo só participa como figurante, sendo obrigado, tanto a votar como a colher o voto.
Então a isso se chama de democracia, para mascarar  a realidade.
O povo não escolhe o governante. Nada diferente da monarquia, por exemplo, em que o povo não apita nada. O herdeiro do trono já vem pronto, feito na cama do rei e da rainha, nada resta a fazer, senão aceitá-lo.
O mesmo acontece na ditadura, onde o plenipotenciário manda e não pede.
É tudo igual. O povo só serve como figurante, em qualquer sistema de governo.
A diferença é que, nem na monarquia, nem na ditadura, se obriga o povo a participar da farsa. E naquelas não há os Ibopes nem os Datafolhas da vida, que são comprados para mentir para o povo.



sexta-feira, 3 de outubro de 2014



PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DO TRINTA E SETE
Themístocles de Araripe Jr*
O morador de rua, que dorme ao relento, debaixo de marquises e viadutos, ou sobre os bancos das praças, não tem direito a "auxílio-moradia". O trabalhador braçal, que sobrevive com salário mínimo e reparte a miséria com a família, não tem direito a "auxílio-moradia". Aqueles que vivem do próprio trabalho não têm direito a "auxílio-moradia".
Experimente você, que vive exclusivamente do seu trabalho, ir à Justiça, pedir "auxílio-moradia", ou descontar do Imposto de Renda o seu aluguel. Terá que contratar advogado, pagar custas ou provar que não tem onde cair morto e esperar anos, para receber um “não”, com a assinatura digital do meritíssimo em cima da sentença prolatada pelo estagiário.
No Brasil é assim: o paradigma de moral dos Três Poderes são os privilégios, as benesses, as mordomias da casta de políticos e togados, que vivem à custa dos assacados pela Fazenda, eufemisticamente chamados de "contribuintes". Os únicos mamíferos que têm direito aos ubres da vaca pública pertencem a essa casta. E com o leite da vaca vem de brinde o "auxílio-moradia".
Se você gostou da lenga-lenga acima dê uma olhada no que diz o artigo 37 da Constituição Federal: “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade...”
Qualquer pessoa que não seja analfabeta funcional entenderá perfeitamente: Executivo, Legislativo e Judiciário devem obedecer aos princípios da legalidade, da moralidade, da impessoalidade, etc.
O mais ignorado pelos agentes públicos é o princípio da impessoalidade: ele separa o indivíduo de sua função, do seu cargo, do poder que exerce. Ele retira do homem toda e qualquer marca que o possa diferenciar dos demais cidadãos.
Quer dizer: a lei não pode favorecer a pessoa do governante, do parlamentar, do juiz. E muito menos a família deles. Na vida particular dos agentes públicos a lei não pode interferir, botando privilégios e regalias nos seus sapatinhos.
Cargo é cargo. O cargo é impessoal. O doutor fulano, o doutor beltrano e o doutor sicrano não são donos de seus cargos. Esses independem daqueles, pertencem à estrutura do Poder. No dia em que o doutor bater as botas, o cargo continuará, outra pessoa será investida nele. A fila vai continuar andando.
O princípio da “impessoalidade” tem em mira, sobretudo, o respeito a outro princípio, o da isonomia, sem o qual não existe democracia: todos são iguais perante a lei.
Como não escrevo para analfabetos funcionais, sei que o leitor entenderá a razão pela qual o “auxílio-moradia” para agentes públicos viola a ordem constitucional. O benefício esbarra tanto no artigo 5º, que consagra a isonomia, como no art. 37, que, de tão claro, é capaz de produzir cegueira.
* Seus  títulos estão no cartório, para protesto.