segunda-feira, 11 de agosto de 2008

VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS

O PESSOAL DE SANTA MARIA
João Eichbaum
O pessoal de Santa Maria está no governo. Lá estão o Tarso Genro, o Guilherme Cassel, o Nelson Jobim, e também o Eros Grau, de quem, ao contrário de Carlos Maximiliano, poucos em Santa Maria ouviram falar, mas está no governo, porque o Supremo Tribunal Federal, que também governa, na condição de órgão de soberania, manda soltar os Daniel Dantas da vida e proíbe algemas em pessoas que podem sofrer abalos psíquicos e sociais.
O Tarso Genro, no tempo das vacas magras, era poeta. Escrevia para o “Caderno de Sábado” do Correio do Povo. Naquele tempo, em que só os energúmenos e não os marginais assaltavam bancos, dominava a espada dos militares e por isso os marginais não tinham vez: não havia invasões de repartições públicas, nem de propriedades privadas, as casas não necessitavam de cercas, de alarmes, de segurança privada. Nenhum marginal ousava o que quer que fosse contra as pessoas, as empresas, as instituições.
Agora, tudo mudou. Tarso Genro empunha a espada do Ministério da Justiça, ao invés da pena de poeta que era. E os fugitivos, os “fora da lei”, os que faziam oposição ao governo militar daquela época, hoje só se preocupam em ganhar polpudas indenizações. Afinal, o Lula, que nem existia naquele tempo, convocou o Tarso Genro para compor o seu ministério e o Tarso, poeta que era, se dos condói dos companheiros, passando-lhes um dinheiro que não lhe pertence, além de ameaçar os militares com a revogação da lei da Anistia.
Tudo às nossas custas, é claro. Os homens e mulheres que queriam derrubar o governo dos militares, hoje vivem como ricos. Alguns, como deputados, outros, como auxiliares do governo, ou seja, como governo.
O Guilherme Cassel, descendente de uma família com assento no serventias do Poder Judiciário, pois era neto do respeitável distribuidor da comarca de Santa Maria, hoje está noutra, vamos dizer assim. É amigo e companheiro do Presidente da República, esse senhor que chegou até lá, depois de passar pelas oficinas da Volkswagen, onde, ao que parece, perdeu um dedo, que hoje todos os desempregados deste país, que tem um furo no traseiro, sabem onde se encontra.
Nelson Jobim, - filho de um advogado de tom moderado, jurista respeitável, causídico integrado na sociedade santamariense, da qual nunca se apartou - teve uma sinuosa vida política, começando como deputado estadual, passando a federal, chegando-se ao governo de Fernando Henrique Cardoso, um sociólogo, que só conheceu as misérias da vida através da literatura porque, filho de general, teve uma vidinha de menino e de adolescente melhor do que qualquer um de nós. Em razão da amizade com Fernando Henrique, Nelson Jobim foi ministro da Justiça e até do Supremo Tribunal Federal.
Quem observa essas coisas todas é um menino, filho de ferroviário (não pertencia à elite econômica, nem à intelectual) que, órfão de pai, teve que vender jornais, engraxar sapatos, postar-se à frente de parques de diversão e circos, oferecendo amendoim torrado e bergamota para as pessoas que tinham condições de freqüentar essas lugares, como os pais e avós dos ministros do Lula.
Nem Tarso Genro, nem Nelson Jobim, nem Eros Grau, nem Guilherme Cassel enfrentaram essas agruras da vida porque, seus pais, sua família, pertenciam à elite econômica ou intelectual de Santa Maria.
Mas hoje todos eles compõem essa República de Santa Maria, como compunham, anos atrás, o P.C. Farias, o Collor, o Calheiros e outros, menos votados, a República das Alagoas.
Precisa dizer alguma coisa mais?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Crônicas Poetéticas
SAMBA SEM PRELÚDIO E SEM UMA ÚNICA NOTA SÓ
Paulo Wainberg




Foi sentado na poltrona
Que lembrei daquela dona
Que eu gostava de atracar.
E não era pouca coisa
O que eu fazia com ela,
Na cozinha, no banheiro,
Na varanda e na janela.
Sarabadinadubumdadá.

Por onde andará a senhora
Que há tanto se foi embora
Deslizando porta afora
Qual lagarto ou outro réptil
Me deixando na mão
Descascando uma banana
Só porque numa semana
Sem motivo ou sem razão
Sofri disfunção erétil?
Yes, sofri disfunção erétil
Yes, sofri disfunção erétil
Yes, sofri disfunção erétil

Ela era tri gostosa
Loira, macia e cheirosa,
Adorava um mexemexe
E depois muito gulosa,
Comia peixe ao escabeche.
Ao escabeche, yé yé yé
Ao escabeche yé yé yé.
Ao escabeche yé yé yé

Naquelas tardes fagueiras
Sob a sombra das figueiras
Fazíamos coisas faceiras
E convocamos pra festa
Mil gentis jardineiras
Oh yeah!
Mil gentis jardineiras
Oh yeah!
Que largavam o gadanho
E nuas, apesar do frio,
Se jogavam no rio,
Pra tomar banho.
Oh yeah!

Aquela dona e eu
Deu no que deu.
Entre coxas sussurrando
Um dia ela escafedeu
Me deixou cana chupando,
Batendo córner e cabeceando
E, ó desespero meu,
Assobiando.
Pararatimbumbumbum, assobiando.
Pararatimbumbumbum, assobiando
Pararatimbumbumbum, assobiando

DIZ,DIZ,DIZ,DIZ, meu povo.
É a escola na avenida, diz,diz,diz.

Saí da poltrona e fui para o sofá
Que fica do lado de lá,
Si, dó, ré, mi
Pensando naquela dona
Mulher de verdade era aquela
Amélia era lixo perto dela
Fechei os olhos mas não dormi
Por causa de um raio de Sol
Que entrou por uma fresta na janela
Onde os trapos pendurados...
E vamos ao que resta,
Amor.

Zazazazibar, óu yes, zazazazibar, óu yes.

Se eu soubesse naquele dia
O que sei agora,
Que brochar é disfunção erétil,
E se resolve com viagra,
Não tinha perdido a magra
Ela não teria ido embora
E eu estaria feliz
Na saudosa maloca,
Comendo perdiz
A cuca livre de minhoca
E, dá licença de contar,
Ziriguidum, ú, ziriguidum, ú, ziriguidum, ú
Cheio de amor pra dar.
Ziriguidum, ú, ziriguidum, ú, ziriguidum, ú

Refrão:
Paroxitonamente falando,
Foi de lascar
(repete)

E hoje eu sofro somente porque
Ela foi fazer o que eu não quis:
A segunda antes da primeira e
Antes da segunda, a terceira.

E quem duvidar que murcho
Não rima com bruxo
Que mate a cobra
Ou qualquer outro animal
Mas antes, mostre o pau.
Eu não farei como ela,
Ó não, eu não farei como ela,
Não rirei na sua cara
Nem que enfie a minha na tramela
E lhe direi, compreensivo,
Que isso não é coisa rara.
Laialalá lalaialalialá

Mas ela,
Impudica donzela,
Tripudiou, sapateou, esgravitou
Passou a língua nos lábios
Como se fossem os de mil fábios
E gargalhou.
Ledo engano,
Abandonou-me como um pano
Em algum canto do jardim,
E se foi, fria e flanando
Pela noite com as amigas
Ouvindo canções antigas.
Nunca mais lembrou de mim.
Uou, uou, uou, nunca mais lembrou de mim,
Uou, uou, uou, nunca mais lembrou de mim.
Uou, uou, uou, nunca mais lembrou de mim.

(Volta ao início)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

COISAS DA VIDA

O PADRE DA MISSA DAS NOVE
João Eichbaum

Naquele tempo em que a impenitente divisão da sociedade não incluía os miseráveis e os desclassificados, todas as crianças compareciam na missa das nove da catedral de Santa Maria: as ricas, as remediadas e as pobres.
O Padre Azevedo, um jesuíta ossudo, magricela, de tez morena, o rosto sacudido por tiques nervosos, rezava a missa. Ele não fazia sermão porque tinha uma péssima dicção, as palavras lhe saiam pela boca nadando em saliva. Em compensação, era o confessor de todos, inclusive dos padres.
Quem “animava” a missa, sem subir no púlpito, mas caminhando pelo corredor central da catedral, era o Padre Abílio Sponchiado, um astro de espetáculos religiosos. Entusiasmado, sanguíneo, voz tonitruante de orador, ele dominava o espetáculo das manhãs de domingo. Sua voz ecoava pelas naves da catedral e tinha como resposta o silêncio, o silêncio atento e embevecido das crianças e dos poucos adultos que ousavam se misturar com os pequenos. Digo que ousavam, porque o Padre Abílio era direto e sem ressalvas: a missa das nove era a missa das crianças. Claro, eu sei, nem era preciso ser muito inteligente para saber porque alguns adultos a freqüentavam. É porque não tinha sermão, a missa era mais curta e, além disso, mais animada.
E o Padre Abílio, de estola e sobrepeliz, transitava pelo corredor central: ia para a frente, na direção da entrada da catedral, e voltava de costas, sempre falando, num tom de diálogo, fazendo perguntas e respondendo, ao mesmo tempo, em nome das crianças. E entoava cânticos com sua voz de barítono italiano. Atrás dele iam nossas vozes, as vozes do aprisco infantil: “Com minha Mãe estarei”, “Queremos Deus”, “O vinde, vamos todos”, “Virgem Mãe Aparecida”, “Dai-nos a bênção”, para mencionar alguns daqueles cantos que a memória não varreu de vez.
O Padre Abílio era o ídolo das crianças, um ídolo que precedeu os ídolos da televisão de hoje. Mas era ídolo no melhor sentido, no sentido da virtude, da piedade, da felicidade ainda não envenenada pela degradação dos costumes. Era, naqueles tempos sem televisão, uma criatura carismática, dotado de invulgar poder de comunicação. E nós, embevecidos, cantávamos e rezávamos, os olhos fixos nele.. E ele nos pintava as delícias do paraíso, as torturas do inferno, e a amarga expectativa do purgatório, enquanto recolhia o nosso respeito, a nossa angústia, o nosso fascínio pelo mistério.
A catedral de Santa Maria tem, na sua história, a história de muitas crianças. E muitas crianças têm, na sua história, a catedral de Santa Maria, graças à missa das nove.
Mas a missa das nove nunca mais foi a mesma depois que o bispo, não sei por que cargas d’água, transferiu o Padre Abílio para Cachoeira do Sul. Foi como se um silêncio inexplicável do céu tivesse anunciado o fim de uma era. Aquele homem sério e, ao mesmo tempo, brincalhão, uma criatura envolvida com seu próprio destino, foi seduzido pela trajetória lírica da vida de piloto, cursando um “brevet”. Introduzido nas artes de voar, resolveu participar de acrobacias num teco-teco sem segurança.
Foi assim que montou para o povo atônito e boquiaberto de Faxinal do Soturno, numa tarde festiva de domingo, o espetáculo gratuito de sua morte. Sem estola, sem sobrepeliz e sem os cânticos da missa das nove.
(crônica publicada no jornal A Razão, de Santa Maria)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

COLUNA DO PAULO WAINBERG

CRÔNICAS SEBOSAS

FRACASSOS HERÓICOS
Paulo Wainberg






Aparentemente um novo herói brasileiro surge com vigência apenas nas manhãs de domingo. No mais sofistificado e caro esporte de todos, a corrida de Fórmula Um, um novo garoto revela índole de campeão, tantos anos após a morte de Ayrton Senna. Até hoje fomos obrigados a assistir a qualidade notável de Barrichello como motorista, sua vocação para vice de Schumacher, sua falta de aptidão pela ultrapassagem, suas manobras protocalares e sua imensa simpatia graças à qual esgotamos nossas reservas de indulgência, paciência e espírito de compreensão.
Felipe Massa está aí, na ponta dos dedos, pisando fundo, ganhando corridas e botando no ar a música da vitória da Globo abafada pelos sábios ufanismos do locutor oficial.
Dito isto, pouco resta a dizer. Terminada a corrida vai-se caminhar, correr, ler o jornal, dormir mais um pouco, fazer um churrasco e esperar o futebol.
Ou outras coisas.
Devia haver um momento na vida de todos nós para o auto perdão.
É que me dei conta que passo a vida inteira desculpando, perdoando, compreendendo, condescendendo, deixando para lá, esquecendo, sublimando e aceitando o erro, a falha, a falta, a desconsideração, a traição, a mentira, a fraqueza, a desistência, a incompetência e o fracasso... dos outros e quando chega a minha vez sou duro e implacável, simplesmente não me perdôo nem me desfaço das minhas culpas.
Não é um absurdo?
Por que até hoje não me perdôo de ter participado de uma matança de gatinhos recém-nascidos que a dona não queria ter em casa? Lembro e quase choro quando, de cima da ponte, o primeiro gatinho foi jogado na água, lembro das patinhas dele balançando, do desespero do bichinho. Lembro que disse ao meu amigo, que tinha me convidado para a missão, que eu não ia continuar, que queria devolver os gatinhos à dona e ele me disse que tinha ganho uma grana e que ia matar todos. Lembro que fui embora chorando, a imagem do afogamento me perseguiu por algum tempo, muito tempo, até hoje me persegue. E eu tinha oito anos de idade.
Todas as vezes que menti, que não fiz, que deixei para lá, que fracassei, que errei feio, que ofendi, que machuquei, que enganei, que falhei, por que não é possível me perdoar?
Deve haver um mecanismo psíquico que permita isso e que está bloqueado por algum outro mecanismo psíquico impiedoso, industrialmente operando na produção de culpas e intransigências comigo mesmo.
Você provavelmente não é diferente, somos pessoas de bom coração e estamos prontos a tolerar a arrogância alheia, os deslizes, as falhas de caráter, concordamos que errar é humano, vá lá que seja, ele é assim mas tem seu lado bom, no fundo, no fundo ela é uma boa pessoa.
E quando chega a nossa vez, às três horas da madrugada, acordando bruscamente e não perdendo totalmente o sono. A casa está escura, todos dormem e os pensamentos aparecem, de mansinho, como um enxame de ratos deslizantes e sorrateiros. Os primeiros espreitam, avaliam o território, dão passos cautelosos e, certos de que não há perigo, liberam a manada e atacam, mordendo nossa alma sem nenhum dó, esfrangalhando nossos nervos e nossa auto-estima, arrepiando nossa pele e impondo o desejo de ser riscado da agenda, apagado do celular, excluído do CPF, eliminado da existência ou, vá lá que seja e no mínimo, perder completamente a memória.
Você e eu sabemos o que vai ser o dia seguinte, as olheiras e o cansaço e a certeza de que vai dar tudo errado.
Agora imagine que, num certo momento de um certo dia você para o que está fazendo e percebe que está recheado de boa vontade para consigo e erro a erro, pecado a pecado, mentira a mentira, fracasso a fracasso, você se perdoa.
Você conversa com você e se desculpa por ter deixado sua prima esperando para ir ao cinema, por ter traído sua mulher ou seu marido num momento dramático qualquer. Você se pede perdão por ter mentido ao seu amigo e... perdoa. Você lembra daquela vez, quando todos acreditavam que você estava trabalhando e você passava os dias em cabarés e... se desculpa. Você se perdoa por nunca ter devolvido um livro, por ter cantado a mulher de um conhecido, por ter desejado transar com um sobrinho, por ter bolinado uma empregada doméstica, por não ter pago um empréstimo, por ter tomado um porre e vomitado no decote da miss Brasil, por ter fugido da briga, por ter dado num matinho, por ter transado com o vizinho na véspera do casamento, por nunca ter tido filhos, por não ter cuidado bem dos que teve, por ter brigado com seus pais, você finalmente se auto indulta, uma anistia ampla e renovadora que é quando você aceita que, como todos os outros, você é humano e também erra.
Se acontecesse isso você (e eu) viveria os dias seguintes como um recém-renascido, apto a agir comme il faut, pronto para, se quiser, corrigir os antigos erros e para os novos que cometerá, mas com o espírito em paz.
Acho que cada um de nós pode ser um herói de si mesmo, se abandonarmos a ridícula idéia de termos de ser um herói para os outros.
Se isso acontecesse os heróis por acaso estariam postos nas suas legítimas dimensões, heróis de feitos e não da vida, heróis de façanhas e não do dia a dia.
Olha, vou te dizer uma coisa, presta bem a atenção porque não vou repetir: quem não se perdoa não perdoa ninguém.
E não conheço um único ser humano que se tenha perdoado, que não carrega cada culpinha, culpa ou culpão sobre cada pedacinho do corpo, do dia que nasce ao dia que morre.
Talvez a impossibilidade de perdoar-se seja a definitiva tragédia da vida humana e explica a razão pela qual tanta gente espera e busca o perdão apenas depois da morte.
Ruim isso, é ou não é?

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

VARIAÇÔES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS

A FILHA DO IRMÃO MARISTA CASOU COM O PADRE

João Eichbaum

Como é que ele encontrou a filha do irmão marista, eu não sei, os jornais não dizem. Só sei que o padre é tido como o “embaixador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, no Brasil.
Ah, não sabe o que é? E se eu disser FARC? Ah, sim, aí você entende. Isso mesmo, FARC, uma organização criminosa que seqüestra cidadãos colombianos ou americanos, tortura-os, prende-os com correntes de ferro, trata-os como animais sem alma, faz deles objeto de seus caprichos. Ah, e mais, está ligada com o narcotráfico, o responsável pelo PIB da Colômbia.
Pois esse cara, que não merece ser chamado de cidadão, o padre Camilo, é casado com uma professora gaúcha, de nome Ângela Maria Slongo. Ângela sustenta, com mil e quinhentos reais por mês, a família, composta por ela, pelo padre e por uma menina que gerou com o padre. O padre, evidentemente, não faz nada na vida. Ou alguém aí conhece algum padre que trabalhe com carteira assinada, carga horária definida e salário declarado perante a Receita Federal?
Pois é, mil e quinhentos reais por mês, em Brasília, viram? Não é no interior de Lavras do Sul. Ah, e pagam aluguel de apartamento ainda por cima, segundo se depreende da matéria publicada no jornal Zero Hora de sábado, dia 2 de agosto; “um apartamento em desordem, com poltronas claras, decoradas por mantas vermelhas e muitos livros empilhados no chão”.
Os mil e quinhentos reais com que sustenta a família, a Ângela Maria recebe “alfabetizando pescadores artesanais”. Vocês já conheciam essa espécie, a dos “pescadores artesanais”?
Nem eu. Em Brasília, pelo que sei, não tem mar. E minha ignorância me impede de saber se lá existem rios piscosos. De maneira que não posso contrariar: “pescadores artesanais” pode haver em Brasília e a falta de esclarecimento me leva a pensar que pescador artesanal só pode pescar peixe artesanal, feito de pano , material plástico ou papel.
Mas a senhora Ângela Maria, que é filha de um ex-irmão marista de Passo Fundo, é funcionária da Secretaria de Pesca, ou seja, integra o governo do PT, onde vamos deparar com gente que já assaltou bancos, seqüestrou embaixadores, exigiu resgates, fugiu do país, falsificou identidade e agora está rica.
Antes que me esqueça, o padre esse, que se chama Olivério Medina, pertencendo a uma organização criminosa, teve requerida sua extradição pelo governo da Colômbia, mas o Supremo Tribunal Federal do Brasil, esse mesmo que mandou soltar o banqueiro Daniel Dantas, negou o pedido de extradição.
De sorte que, sustentado por uma “alfabetizadora de pescadores artesanais”, filha de um irmão marista, e amparado por um governo que acolhe os desordeiros do MST, escolados nas artes das FARC, o padre se sente em casa. Não é por outro motivo que ele escolheu o Brasil para se homiziar.

domingo, 3 de agosto de 2008

COLUNA DO PAULO WAINBERG

Observação do João Eichbaum: mesmo que não estejam cronologicamente exatas, as crônicas do Paulo Wainberg são publicadas como se tivessem sido escritas no dia de hoje. É que, pelo modo de abordar as coisas da vida, o Paulo é sempre atual.


CRÔNICAS INDISCRETAS

REVELAÇÕES ÍNTIMAS
Paulo Wainberg





As probabilidades são infinitas e só uma lei as rege, a conhecida, famosa e sempre invocada “lei das probabilidades”.
Como isso é possível? E que lei é essa?
Posso garantir que não foi o Congresso brasileiro quem a editou. Deve ser coisa de algum físico maluco ou de algum metido a entender dessas coisas referentes à estatísticas, física quântica, relatividade e origem divina do Universo como por exemplo meu querido amigo e compadre Aloísio (Svaiter) – o sobrenome entre parênteses é para preservar o sigilo – que mora no Rio, trabalha em São Paulo e tem a mente espargida como saborosos perfumes de lavanda.
Ouso dizer que sou o único que o compreende, além de todos os outros. O Aloísio e eu inventamos uma brincadeira internética que consiste em demolir conceitos. Até hoje não entendi o objetivo do brinquedo, é um tipo de jogo cujas regras são inventadas na hora e nunca se sabe quem sai vencedor.
Bem ao contrário, por exemplo, dos meus amigos Mauro Keiserman e Vilmar Elman. Com eles EU sempre saio vencedor. Nem tem mais graça jogar. O Mauro ainda me surpreende, volta e meia, mas o Vilmar, francamente, basta iniciar uma discussão e ele é derrotado na primeira frase. O pior é que ele não aprende, provoca, provoca e...leva um talagaço.
Já o Moyses Abensur é mais sábio, adquiriu sabedoria com a experiência e simplesmente não discute: concorda com tudo o que eu digo. Quando estou com astral meio down ligo para ele, lanço uma teoria como se lançam metais ao éter e ele me dá razão na hora.
Poderia falar no Paulo Tiaraju mas é covardia, pior que bater em bêbado, roubar balão de criança ou dormir só de sunga...
Você tem todo o direito de me perguntar o motivo destas mal traçadas linhas, falando em pessoas que você não conhece, conhece, ouviu falar, nunca ouviu falar e coisa e tal.
Pode perguntar, não me ofendo.
Pior do que isso, você pode inclusive se chatear porque não falei em você que, da mesma forma, não me ofendo.
Quais são as probabilidades disso acontecer? Sei lá, vá consultar a lei delas, as probabilidades, que existe justamente para responder perguntas como estas, mais imbecis do que qualquer programa das tvs do bispo Macedo.
Será que os acima citados vão ficar brabos comigo? E se ficarem, vão fazer o que?
Entretanto e para que não reste qualquer sombra de dúvida, não paire nenhuma controvérsia nem me venham dizer que tal e qual não é qual e tal, informo que o supra-citado Vilmar Elman criou, com invejável humor e inteligência, uma comemoração sui-generis, quando sua primeira filha, a Rose, casou: a despedida do pai da noiva.
O que vinha a ser isso? Um ato de revolta? Claro que não. Uma expressão de rebeldia? Nada disso. Ao perceber que para sua filha era organizado um chá de panela, para sua esposa era organizado um chá das amigas e tias (vão gostar de chá assim em Singapura) e para seu futuro genro uma despedida de solteiro, viu-se subitamente à margem, como se ele, o progenitor, o gerador primeiro de toda efeméride, estava à margem, nada era organizado para ele que, por bem ou por mal, tinha que pagar a conta.
Convocou os amigos (eu era um deles) e realizou uma cerimônia ecumênica celebrada por professantes de várias fés, baseada no maior respeito e amparada nos sagrados princípios da família e dos bons costumes, encomendou quatorze panelas de chá, colocou oito discos na eletrola, começando com Mozart e terminando com Gounaud, serviu salgadinhos e doces e, na hora dos discursos, declarou que, como pai da noiva, estava se despedindo.
Todos nós, com nossas roupas formais para a ocasião, aplaudimos e depois disso, não lembro de mais nada... há um imenso vácuo na minha memória que, por absoluta conveniência, faço questão de manter, vá que eu recorde alguma coisa e...
Então.
Semana que vem casa a minha filha, já contei a vocês. E onde está a minha despedida? Onde se meteram os organizadores (porque depois da primeira vez os demais pais de noiva se despediram à custa dos amigos...), por que razão ninguém fala comigo sobre o assunto, não me dão nenhum indício sobre preparativos, convocações, locais e tal?
Já teve o chá de panela da noiva (nem conto pra vocês...), o noivo há um mês que não para de se despedir, a mãe da noiva teve que desmarcar todos seus pacientes de tanto chá que foi obrigada a tomar e eu, pai da noiva e origem de tudo, estou aqui, a ver navios, veleiros, lanchas, botes a remo e caixas de sabonete jogadas no riacho. Nada para mim???
Nem um waflles, uma bolachinha dágua para molhar no café?
Vamos lá, rapaziada, esqueçam minha rigidez moral, meus princípios pétreos e movam-se, ofereçam-me uma despedida digna de um pai de noiva, regada a chá de boldo com pipoca e doce de leite condensado na sobremesa. E não esqueçam de por meu cd preferido, suíte número dois de Bach, para alegrar o evento.
O tempo passa rápido e, pela lei, as probabilidades disso acontecer estão cada vez menores.
Será que vou ter que me despedir sozinho, de mim mesmo?
O Vilmar instituiu uma tradição como tantas outras que nosso grupo mais íntimo instituiu ao longo dos anos. Embora no batizado do filho dele, o Marcio, tenha faltado vinho, ele já foi perdoado porque na ocasião, quase trinta anos atrás, ninguém notou e, a bem da verdade, ninguém precisava tomar mais vinho, as tradições são imutáveis e devem ser preservadas “ad eternum”.
Eu, por exemplo, sou o organizador do churrasco na casa dos outros. Distribuo as funções e compareço para comer. Em geral na casa do Mauro que tem um telão e fica melhor para assistir o jogo.
Pelo que me informaram, mês passado, coube ao Moysés organizar minha despedida de pai da noiva. E aí? Até agora nada, repito.
Se eu tiver que me despedir sozinho, juro que não me responsabilizo. Depois não venham me acusar disto ou daquilo, se me deixarem por conta própria sei lá... como decidirei entre ficar assistindo um filme na TV ou ir para a cama dormir?
Portanto rapazes, é agora ou nunca. E podem convidar quem quiser.
E você, Aloísio, pega um avião e vem porque, como me disse certa vez um conhecido que queria me levar para um motel, de conversa estou até aqui. Eu quero é ação!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS

COISAS DE PRIMATAS
João Eichbaum
Se você pensa que os problemas sociais de hoje nasceram ontem, está muito enganado. Desde os tempos em que não passava de mero antropóide, há dois milhões de anos atrás, o primata humano se debatia com problemas tão cruciantes como aqueles com os quais nos debatemos hoje, nós, seus descendentes, essas figurinhas chamadas “homo sapiens”.
Por exemplo, a segurança.
O instinto de sobrevivência é idêntico, em qualquer animal, em qualquer ser vivo, e se desenvolve no mesmo grau de intensidade, seja qual for a sua espécie. O primata humano, quando começou a ter rudimentares lampejos de inteligência, cuidou, em primeiro lugar, da sobrevivência, através de processos que revelam a sua criatividade. Tendo que disputar, na natureza crua, com outros animais mais fortes, o alimento, necessitava de proteção contra esses predadores. Foi então que, não só para se proteger do frio, como para se proteger contra as investidas desses outros animais, sempre partindo do instinto de sobrevivência, saiu a procurar abrigo em cavernas naturais ou as cavou, usando daqueles lampejos de inteligência. E foi também por essas mesmas razões que nossos antepassados cultivaram, de forma acentuada, o instinto gregário.
Para enfrentar o inimigo número um, ou seja, os predadores mais fortes, e o inimigo número dois, o frio, era melhor viver em grupos do que isoladamente. A força de muitos era mais eficaz do que a força de um só para em enfrentar os inimigos, e os corpos unidos transmitiam o calor, que amenizava o frio, além de incentivar a procriação, é claro.
O primata “erectus”, enquanto esteve confinado nos limites de seus instintos, foi mais inteligente do que o “homo sapiens”, que hoje elege o Lula, o Maluf, e é até capaz de reeleger o Fernando Henrique. E isso pela simples razão de que ele reconhecia a força do grupo e cultivava a união como fonte de poder para a solução de seus problemas.
Hoje não é assim. A turma do PT, que é a mesma do MST, que tem como modelo a escolinha das FARC, não vai com a cara e a turma do FHC e do Serra, por exemplo. O PT, aqui no Rio Grande do Sul, atira pedras na Ieda, atribuindo-lhe corrupção, enquanto lá em Brasília absolve o Lula de todos os males da ação - o Lula que não sabe de nada, não ouviu, nem viu nada, nunca – mesmo aqueles que tenham origem em cartões corporativos, mensalão e superfaturamento de bafômetros.
Sim, o primata humano está evoluindo para pior: divide para ter lucro, para ter vantagem, para assumir o poder, tornando-se um predador da própria espécie, e cultiva o egoísmo, na contramão dos seus antepassados, que cultivavam o espírito gregário. E quanto mais seguirem o mandamento bíblico do “multiplicar-se”, tanto pior será para a espécie, porque quanto mais gente houver no mundo mais problemas haverá: fome, desemprego, insegurança, depredação, falta de moradia, multiplicação de miseráveis.
O fim será ao natural, sem o espetáculo prometido do “juízo final.”, porque, abdicando dos instintos, a espécie não terá a segurança necessária para se perpetuar.