quinta-feira, 9 de junho de 2011
A BÍBLIA LIDA PELO DIABO
Foi aí que começou a paixão, como qualquer outra: meu amor eterno, fomos feito um pro outro, tu és a carne da minha carne, o sangue do meu sangue...Serei sempre teu, serei fiel na alegria e na tristeza...Essas promessas todas, essas juras de amor, esses beijinhos doces, que viram canção mas acabam em pauleira, separação, divórcio, pulada de cerca, como acontece até hoje.
E o que é história é essa de deixar pai e mãe, se ninguém era filho de ninguém, um era feito de barro e outro de osso? E todo mundo diz sempre que Adão era feliz porque não tinha sogra...
Se ele não tinha a mais puta idéia do que seriam pai e mãe, como é que já vinha ditando regras?
A resposta é muito simples: ele já estava amarrado naquela mulher feita de costela e só não tinha encontrado ainda as palavras exatas para dizer que mulher é a melhor coisa do mundo, que o homem, tendo mulher, manda o resto às favas.
25 E ambos estavam nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam.
Tavam ali, nuzinhos em pêlo, ele malhadão e sarado, ela caprichada nos atributos básicos, cheia de curvas e farta em protuberâncias, sem chapinha, nem silicone.
E vocês queriam o quê? Que ele aparecesse de terno e gravata e ela no melhor estilo old fashion, sem decotes, sem joelhos à mostra, escondendo até os calcanhares?
Duma coisa vocês podem estar certos: naquela hora, naquele primeiro momento, nem ele, nem ela sabiam para que tipo de diversão podia prestar aquele troço mole que fazia uma curvinha pra baixo e ia roçar no meio das pernas do Adão, e que sempre precisava duma mãozinha pra fazer xixi. Até então era a única serventia conhecida daquela coisa: fazer xixi.
E a mulher, lacrada e com selo de garantia, ainda não sabia para que servia aquela rachadura que tinha entre as coxas.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
E O PROCURADOR GERAL ENGAVETOU...
O Ministério Público, por ser uma instituição una e indivisível, é capaz de provocar sentimentos contraditórios, como o riso e a náusea.
Causa riso o Ministério Público, por exemplo, quando, metido numa saia e mostrando o carmim do batom nos lábios, chama os policiais militares e se posta na entrada de uma pequena cidade, à espera de um caminhoneiro, para lhe dar voz de prisão. O crime do caminhoneiro tinha sido pavoroso, horripilante, abominável: conduzindo uma pesada carreta, havia atropelado três galinhas. Seu crime consistia na imprudência de não ter freado o pesado caminhão, para salvar a vida de três criaturas galináceas, mas viventes.
Causa riso também o Ministério Público quando, vestido de fatiota e gravata, vem para a frente das câmeras de televisão ameaçar, como se fosse dono do processo e lhe coubesse proferir sentença: “não vai ter moleza para os réus”.
Mas, causa náuseas quando, a serviço de ideologias ou partidos políticos, aproveita a mídia para colocar por terra alguma candidatura que teria chances de impedir o governo do partido dominante.
Causa náuseas também quando provoca estardalhaços, metendo o nariz, onde não é de sua conta, como, por exemplo, em áreas viárias. Ou quando exibe, como troféus, máquinas caça-níqueis, que serviam como sustento de família para donos de pequenos bares, perdidos num arrabalde qualquer de uma cidade grande.
Agora, o Procurador Geral da República, chefe do Ministério Público Federal, acabou provocando risos e náuseas, ao mesmo tempo, quando mandou engavetar as investigações que estavam levando à gruta aquela do Palocci e dos quinhentos e tantos ladrões, onde se encontra uma mina de ouro de que só eles aproveitam.
O riso provocado pelo Procurador vem de seus parcos conhecimentos de processo penal. Engavetou tudo o que mostraria o caminho da gruta, sob a alegação de “não haver indícios idôneos”.
Não é preciso ser bacharel em direito. Qualquer pessoa alfabetizada que abrir o Código de Processo Penal verá que, para instaurar a ação penal, basta a configuração de crime em tese. Não é necessário haver “indícios” e muito menos “indícios idôneos”. Os indícios dizem respeito á autoria e a autoria só se prova através da instrução criminal.
E a náusea causada pelo Procurador repousa na certeza de que a honestidade está banida deste país.
terça-feira, 7 de junho de 2011
QUEM TEM ORGULHO DESSE BRASIL?
O município de Feliz, no Rio Grande do Sul, é o que detém o menor índice de analfabetos, no Brasil. Seguem-no os municípios de Morro Reuter e São Vendelino, também no Rio Grande do Sul.
Em compensação, o município que concentra a maior taxa de analfabetismo é o de Alagoinhas. Vocês sabem onde fica Alagoinhas?
É, isso mesmo, em Alagoas.
Feliz, Morro Reuter e São Vendelino, são municípios colonizados por descendentes de alemães e italianos, onde a economia comanda o crescimento. Alagoinhas é um município colonizado por descendentes de portugueses.
De Alagoas, que conta também com altos índices de criminalidade, saem políticos como Fernando Collor e Renan Calheiros. E são políticos como Collor e Calheiros e muitos outros do norte e do nordeste que mandam no Brasil. São eles, esses políticos eleitos por analfabetos, que formam a “base aliada” do governo federal. Foram eles que elegeram a Dilma, em cujo ministério se encontram ex- terroristas, ou Haddad, do Ministério da Educação, que editou um livro para estimular o analfabetismo.
Os que mandam atualmente no Brasil são os que querem tornar crime o “preconceito”, estimulam o homossexualismo e a boa vida do bolsa família, sem falar no ingresso fácil nas universidades públicas através de quotas raciais e com livros que ensinam só os erros de matemática e português.
Se eles continuarem mandando no país, em breve estarão sendo diplomados nas universidades federais os analfabetos que, disputando com as pessoas oriundas de municípios exemplares como Feliz, Morro Reuter e São Vendelino, terão preferência para ingressar na universidade.
Esse é o Brasil de hoje.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
PROFESSORA LUCIANA GENRO ADERE ÀS CARTILHAS DO MEC
Depois que a cartilha Por uma Vida Melhor, da professora Heloísa Ramos e mais dois outros educadores, foi distribuída pelo Ministério da Educação em uma tiragem de 485 mil exemplares, tudo era previsível. A autora defende a idéia de que erros gramaticais são aceitáveis na língua falada. Assim, frases como "os livro ilustrado mais interessante estão emprestado" não podem ser condenadas se forem expressas verbalmente.
Houve, na época, quem afirmasse que, dali ao 2+2=5 era só um passo. Esta expressão nos remete ao 1984, de George Orwell, talvez o livro mais importante do século passado. Nele, O’Brien, burocrata do Partido, convence Winston – sob tortura – que 2+2=5. Mas atenção: não vale dizer que 2+2=5 só para escapar da tortura. É preciso crer que 2+2=5.
O PT não chegou a tanto. Se em 1984 usa-se a tortura para torcer a aritmética, o MEC prefere método mais suave. Leio nos jornais que o ministério da Educação gastou R$ 14 milhões para distribuir material didático com erros de matemática a 37 mil escolas de educação no campo no ano passado. Nele se aprende, por exemplo, que 10-7=4. Que 16-8=6. Que 16-7=5.
Em meus dias de universidade, tive alunas que não sabiam nem somar nem diminuir. Nem multiplicar nem dividir. Mas isso porque não haviam aprendido a tabuada. Agora o caso é mais grave. O Ministério da Educação pagou R$ 13,6 milhões para ensinar que dez menos sete é igual a quatro a alunos de escolas públicas da zona rural do país. No segundo semestre de 2010, foram distribuídas com erros graves 200 mil exemplares do Escola Ativa, material destinado às classes que reúnem alunos de várias séries diferentes. Foram impressos ao todo 7 milhões de livros – cada coleção do Escola Ativa contém 35 volumes. Imagine o leitor o estrago.
Em meio a isso, a professora Luciana Genro, do PSOL, parece ter aderido às cartilhas do MEC. Em twitter publicado ontem, escreveu assim, ipsis litteris: “Palocci hipocrisia e sinismo (o grifo é meu) em estado de pureza!”
Espera-se que a elite branca não alimente preconceitos contra a professora.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
LIÇÕES DE DIREITO PARA AUXILIARES, SECRETÁRIOS, ASSESSORES E ESTAGIÁRIOS DE JUÍZES, DESEMBARGADORES E MINISTROS
João Eichbaum
“A doutrina da perspectiva objetiva dos direitos fundamentais tem
berço no direito alemão, forte na consagração dos direitos fundamentais
não só como direitos subjetivos do indivíduo em face do Estado, mas
também como decisões valorativas de cunho objetivo da Constituição,
espraiando sua eficácia sobre todo o direito positivo, de modo a orientar o exercício das funções legislativa, administrativa e judiciária - assim continua o voto do Fux.
“A doutrina da perspectiva objetiva”...Rimou, não é? Parece até trova gaúcha. Mas é como verso de pé quebrado: dói nos ouvidos.
Essa doutrina, diz o Fux, tem berço no direito alemão.
Sim, mas, e daí? O que é que acrescenta isso? O que é que nós temos a ver com o direito alemão, nós, um povinho bem tropical, cheio de bossa, do qual fazem parte mulatas bem providas de carne e olhos verdes?
E mais, porque é que ele não cita o pai da idéia? Porque é que ele não identifica o dispositivo legal alemão que consagra explicitamente essa tal de doutrina da perspectiva objetiva?
Se o fato de haver nascido em berço alemão pesasse alguma coisa como argumento, tudo bem, o Fux poderia ter dispensado citações, mas essa origem não é fundamento suficiente em si mesmo para valer como razão de decidir (é preciso não esquecer que se trata de um julgamento e não de uma aula). Cada povo tem os seus costumes, as suas crenças, o seu jeito de ser, as suas idiossincrasias. Transplante de lei é coisa de quem não tem criatividade.
Mas, continuemos: forte na consagração dos direitos fundamentais...
Forte é adjetivo. E aqui se supõe que desempenhe a função de adjunto adnominal. Todo mundo sabe o que significa “forte”: robusto, vigoroso, corpulento, consistente, sólido, destemido, valente, convincente, etc.
Todo mundo sabe também que um adjetivo não subsiste sozinho como expressão. Ele não tem vida própria. Sua significação só se afirma quando ele se pega num substantivo.
Então, eu pergunto para vocês: como adjunto adnominal a que nome se refere o “forte”, nesse rolo do Fux? “ À doutrina da perspectiva? Ao berço? Ao direito alemão?
Ninguém sabe. Nem ele, o Fux, certamente, porque, se o soubesse, trataria de redigir um texto no qual se destacasse com clareza o qualificativo. Mas, vamos tentar dissecar o texto, experimentando o adjetivo “forte” com todos os substantivos que o precedem (vamos fazer de conta que não existe aquela vírgula safada e sem graça depois de direito alemão, separando os virtuais substantivos do adjunto adnominal)
A doutrina da perspectiva objetiva dos direitos fundamentais...o berço... o direito alemão...forte na consagração dos direitos fundamentais não só como direitos subjetivos do indivíduo em face do Estado, mas também como decisões valorativas de cunho objetivo da Constituição, espraiando sua eficácia sobre todo o direito positivo, de modo a orientar o exercício das funções legislativa, administrativa e judiciária.
Não. Não dá. Falta o verbo. A oração do Fux está aleijada. Gerúndio (espraiando) e infinito (orientar) são formas verbais que identificam apenas as orações subordinadas. Isso quer dizer que o Fux tentou fazer um período sem oração principal.
Chega de confusão por hoje.
Ah, sim, vocês queriam saber o que é que o Fux disse, não é?
Pois eu respondo: nada, bosta nenhuma. Pela simples e primária razão de que sem verbo não existe oração. Com essa redação o Fux não seria aprovado nem numa seleção pra auxiliar de serviços gerais.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
A BÍBLIA LIDA PELO DIABO
15 E tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar. 16 E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda a árvore do jardim comerás livremente, 17 mas da árvore da ciência do bem e do mal dela não comerás, porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Pô, isso é coisa que se faça? Bota sacanagem nisso!
Escalou o cara para guardar o jardim e o preço era esse?
Bota a árvore ali, na frente do cara, cheia de frutos do bem e do mal, mas proíbe que o homem os prove. Só para provocar! Isso é coisa de sádico, gente, é coisa de quem só gosta de judiar das pessoas, é coisa de quem não bate bem da bola e ama futilidades.
Ou será que Ele não conhecia o homem que havia criado? Um homem feito de barro, à base de sopro no nariz, donde iria tirar forças para vencer as tentações?
Ah, e tem mais: como é que o homem ia saber o que era bem e o que era mal, antes de comer os respectivos frutos?
Não tem lógica a proibição: o bem e o mal ainda não faziam parte do vocabulário do homem, quer dizer, ele nem tava aí pra esse tipo de coisa. Era proibição por proibição, para mostrar o poder, e nada mais. O jardim do Éden, Ele já estava avisando, era uma felicidade provisória.
Ah, sim, e será que o homem sabia o que era morte, se ele mal tinha sido soprado no nariz e estava apenas começando a viver?
Como Deus criou a mulher
18 E disse o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudante que esteja como diante dele.
É claro que o Velho Javé só falou isso para os seus botões, quer dizer, teve a idéia porque, em seguida, tratou de outras coisas, como se pode ver.
19 Havendo pois o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente isso foi o seu nome. 20 E Adão pôs os nomes a todo o gado e às aves dos céus e a toda a besta do campo, mas para o homem não se achava ajudante que estivesse como diante dele.
Só agora, a essa altura do campeonato, no versículo dezenove, aparece o nome do cara: Adão.
Bom, pense comigo: todo mundo nasce sem saber bosta nenhuma e só vai ficar sabendo seu nome depois de muito ouvir falar nele, quando se der conta de que Fulano é ele mesmo.
Agora, o Adão já era grandinho, tinha pentelhos e um nariz grande, no qual foi soprado, para aparecer no mundo como ser vivente. Como é que ficou sabendo que Adão era ele, se nunca haviam pronunciado seu nome?
Bem, se é verdade que ele botou nome em tudo, é provável que tenha escolhido o próprio nome também. Mas, é muita coisa para uma cabeça só, inventar nomes pra todo o gado, aves do céu e bestas do campo. Quer dizer que o cara já apareceu na vida sabendo tudo, sem necessidade de ir à escola, sem Internet, sem IPod?
Só uma perguntinha: e dos dinossauros, ninguém diz nada? Vocês já imaginaram aqueles monumentos ambulantes andando daqui pra lá no Jardim do Éden?
21 Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão e este adormeceu: e tomou uma de suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. 22 E da costela que o Senhor tomou do homem formou uma mulher e trouxe-a a Adão.
Anestesiou o Adão e lhe surrupiou uma costela para fazer a mulher. Dessa vez não teve sopro no nariz. Como é que o Velho Javé deixou a mulher torneadinha desse jeito, com bundinha empinada, peitinhos salientes, coxas cheias de carne e aquela curvinha perfeita nos quadris, para dar saliência às ancas, a bíblia não diz.
Não, não fiquem pensando nessas velhas gordas, com ubres encostando na barriga, nem nessas gurias balofas que não provocam tesão em ninguém. Elas e também aquelas magrelas sem bunda, mais lisas do que tábua aplainada, estão distantes do modelo criado por Javé, porque se descuidaram, e aí deu pra elas. Essa coisa de silicone no traseiro e nos peitos é o único jeito de seguir o modelo inventado pelo Velho Javé.
Mas vocês sabem agora porque é que a mulher é um osso duro de roer: foi feita de pura costela!
quarta-feira, 1 de junho de 2011
HOMOSSEXUALISMO VIRA BANDEIRA
Leitor me pergunta se vou escrever algo sobre o kit gay do ministério da Cultura. “Nove em cada dez pessoas com quem converso e se opõem ao kit por "incentivar a homossexualidade" não assistiram nenhum dos vídeos. Dá a impressão de que a oposição do homem médio por aí ao kit é apenas prazer sádico em dizer não e com isso inflar o sentimento de superioridade ou, sei lá, inflar uma idéia distorcida de poder”.
Vamos lá! Não, não vejo nenhum prazer sádico em dizer não. Penso que o Estado – como também a Igreja – nada tem a ver com a vida sexual de quem quer que seja. Não que eu concorde com a presidente. Ela concorda comigo, já que desde jovem defendo esta tese. Com uma diferença. Eu a defendo porque assim penso. Não preciso comprar votos da bancada evangélica para defender um ministro corrupto.
Para começar, não tenho simpatia alguma pela tal de educação sexual, pelo menos como vem sendo ministrada. Que se dê a um adolescente noções do aparelho reprodutivo, informações sobre doenças venéreas e sua prevenção, tudo muito louvável, digno e justo. Daí a entrar em detalhes sexuais, como vem sendo feito, considero um abuso por parte dos professores. Estão roubando ao adolescente o prazer da descoberta. Nada melhor que deparar-se com algo desconhecido e penetrar aos poucos no mistério.
Se bem que, nestes dias em que a pornografia está à distância de um clique de mouse, nem isto é possível. De qualquer forma, é perfeitamente dispensável nas escolas. Já ouvi e li relatos sobre professoras empunhando uma banana em plena aula para ensinar como se põe um preservativo. Como se fosse preciso ensinar. Estão subestimando a inteligência da meninada.
Por outro lado, sexualidade é uma questão de opção individual. Não falta quem diga que as pessoas nascem hetero ou homossexuais. É a besteira inversa daquele axioma da Simone de Beauvoir: uma mulher não nasce mulher; se torna mulher. Ora, homens e mulheres – salvo alguma anomalia genital – nascem homens e mulheres. Homossexualidade é escolha. A pessoa um dia degusta o fruto e dele gosta. Frutos proibidos existiam nos tempos bíblicos. Hoje não há fruto proibido algum. Pelo menos no Ocidente.
Surgiu nas últimas décadas uma profissão espúria, como tantas outras que andam por aí, tipo psicanalista, astrólogo, quiromante: a profissão de sexólogo. Como se sexo precisasse ser ensinado: "olha, isto aqui você põe ali". Proliferam também os manuais de educação sexual, que pretendem ensinar como portar-se na cama. Virou gênero literário. Confesso jamais ter lido tais manuais e deles jamais senti falta.Vi os filminhos em discussão. Me pareceram uma apologia bichesca ao homossexualismo. Explico. Uma coisa é ser homossexual, outra é ser bicha. Por homossexual, entendo aquele homem ou mulher que gosta do mesmo sexo, sem renunciar à sua masculinidade ou feminilidade. Bicha, em minha acepção, é esse homossexual com trejeitos femininos e voz de pato Donald. É o que vemos nos filmes, pelo menos no que discute o homossexualismo masculino. O menino homossexual é um estereótipo.
Ora, um homem não precisa ser uma caricatura de mulher para ser homossexual. Outra solene bobagem: pelo que se vê, as relações entre os personagens são, antes de tudo, amorosas. No fundo, a velha concepção catolicona de amor. Por trás dos vídeos, pelo jeito há militantes igrejeiros. No que se refere a lesbianismo, até pode ser. Mulher não é tão devassa como nós, varões. Quanto a homossexualismo masculino, não é bem assim. Os homens se movem mais por desejo do que pelo tal de amor. Esses namoricos entre homem e homem é abominável modismo contemporâneo. Não é, a meu ver, o que fazia um Alcebíades buscar Sócrates.
Por outro lado, o projeto de lei anti-homofobia é mais tentativa de censura à expressão do pensamento do que defesa de opção sexual. Pelo que tenho lido, daqui pela frente toda crítica ao homossexualismo fica proibida. A senadora Marta Suplicy abriu uma exceção no projeto: em templos pode. Assim, se você não gosta deste tipo de comportamento – o que é um direito seu – terá de buscar um templo para criticá-lo. Quanto ao heterossexualismo, este pode ser criticado à vontade.
Os vídeos me pareceram, sim, um aceno ao homossexualismo. Mostra este comportamento como algo idílico e desejável, nos moldes daquele amor tão ao gosto da Igreja de Roma. Ora, o Estado nada tem a ver com opções sexuais. Ao que tudo indica, há um núcleo gay militante no MinC, que pretende mostrar ao mundo como ideal o comportamento homossexual. O veto da presidente é hipócrita. Se acha que Estado nada tem a ver com o assunto, deveria começar demitindo seu ministro da Educação, o responsável último pelos vídeos e outras besteiras anteriores.
Convivo com homossexuais desde minha adolescência. Quando a imprensa internacional incensou como grande novidade os prefeitos de Paris e Berlim, esqueceram Dom Pedrito. Tivemos, lá pelos anos 70, um prefeito assumidamente homossexual. Nada tinha de bicha. Era másculo e adversário temível nos debates políticos.Já contei há uns cinco anos, me sinto obrigado a contar de novo. Alto, apolíneo no porte, dionisíaco na vida, Rui Bastide foi eleito e reeleito vereador várias vezes e chegou a ser prefeito da cidade. Nos anos 70, teve seus direitos políticos cassados, por um ato único do presidente Garrastazu Médici. Honrado com a deferência, comemorou o ato com foguetes. Comentário indiferente na cidade: "O Brasil vai perder muito com esta cassação". Na época, não se falava em gays, tampouco havia associações de gays e lésbicas. "Já procurei até médico" - confessou-me um dia Bastide -. "Mas que vou fazer? É a minha natureza". Sua detenção pelos militares virou folclore. O vereador estava prestando seus serviços ao Brasil, quando batem na porta de seu apartamento. Ainda pelado, entreabriu a porta. Três militares o procuravam, um oficial e dois soldados, de metralhadoras em punho. O senhor é o Rui Bastide? - perguntou o oficial. Sou. Então o senhor está convidado a comparecer às dependências do 14º Regimento de Cavalaria. Acho que vou declinar do gentil convite - respondeu Bastide. Ocorre que não é bem um convite. O senhor terá de ir. Agora e como está. Então me levem - disse o Rui - abrindo a porta e os braços, em plena glória de sua nudez. "Os soldadinhos enrubesceram, não sabiam para onde apontar as metralhadoras. Aí, me deram tempo. Tomei banho, me perfumei, me despedi do Brasil, não sabia quanto tempo ia ficar preso".Em tempo: Brasil era um negrão que fazia jus aos favores do futuro alcaide. Pelo jeito, a prisão foi produtiva. Em vez de xingar a ditadura, Rui encenou um balé, onde bravos lanceiros do Ponche Verde, envergando diáfanas bombachas brancas, executavam impecáveis pas de deux enquanto cantavam uma ode ao 14 º RC: Querido Exército...
A trajetória do Rui, a meu ver, está à espera de um bom cineasta. Em passadas andanças pela Europa, em vários países relatei este caso pedritense. E vi alemães, franceses, espanhóis perplexos, admitindo que em suas comunidades, por mais abertas que fossem aos novos tempos, não haveria lugar para um prefeito gay. Fala-se muito hoje em abrir o jogo, sair do armário, assumir-se. Tais expressões eram desconhecidas em Dom Pedrito. Se alguém era homossexual, ninguém tinha nada a ver com isso e estamos conversados.
Há fatos que na infância nos marcam a memória e só depois de muito viver lhes conferimos a verdadeira dimensão. Ocorreu no Upamaruty, distrito rural de Livramento, na fronteira com o Uruguai, onde vivi meus dias de guri. Torrão de gente rude, onde qualquer adulto tinha de cuidar-se com a língua para não morrer. Lá na Linha Divisória - como era mais conhecida a região - uma palavra mal empregada, ou mal entendida, podia custar uma vida. Lá na Linha, conheci Seu Alvarino.
Fora trazido da cidade, como cozinheiro do Peixoto, um bolicheiro local. Negro, enorme, espadaúdo, durante o dia cuidava da cozinha e das coisas do Peixoto. Nas tardes de domingo, cumpridas suas tarefas caseiras, vestia uma blusinha de rendas cor-de-rosa, punha sua mais rodada saia longa e sentava na porta do bolicho, munido de agulhas e novelos. A gauchada ia chegando, boleando a perna e atando os cavalos no alambrado. Em meio àquela gente armada, revólveres e facões pendendo da guaiaca, seu Alvarino, indiferente às charlas e ruídos de esporas, permanecia absorto em seu crochê, como se ali estivesse tricotando desde o início dos tempos.
Nunca precisamos de cartilhas do MinC para aceitar a sexualidade alheia. Homossexualismo, naqueles pagos, não era bandeira a ser brandida. Apenas um comportamento como qualquer outro.