terça-feira, 10 de janeiro de 2012

DEFENSORIA PÚBLICA DISTRIBUI CARTILHA COM DIREITOS DOS DROGADOS


 Janer Cristaldo


A edição de ontem do Estadão traz uma foto surrealista: uma procissão de craqueiros desfilando pelo centro da cidade, protegidos por uma viatura policial. Só faltou o andor. Pois uma Nossa Senhora do Crack já existe.


Escreve o repórter William Cardoso: “A estratégia de impor dor e sofrimento aos dependentes criou uma situação inusitada no primeiro sábado após a ocupação da cracolândia, no centro de São Paulo. Com o tráfico a todo vapor e sem conseguir cortar a rota de fornecimento da droga, restou à PM escoltar pelas ruas centrais da cidade grupos gigantescos, de até cem pessoas, em uma estranha "procissão do crack", iluminada pelos Giroflex das viaturas noite adentro. A perseguição aos usuários criou uma "cracolândia itinerante" no quadrilátero entre as Avenidas Duque de Caxias, São João e Ipiranga e Estação da Luz. Em alguns momentos de "folga" na caminhada forçada imposta pela polícia, os grupos paravam para acender os cachimbos e descansar. Depois de alguns minutos, voltavam a andar. Sem destino”.


Há uma política de morde-e-assopra por parte das autoridades no que diz respeito ao problema da droga – escrevia eu na semana passada. Comprar pode, o que não pode é vender. Hoje e durante todo o mês de janeiro, cem policiais militares estarão protegendo, com cara de palhaços, os nóias cachimbando à sua frente. O governo aposta em que, coibindo o tráfico na Cracolândia, o problema estará resolvido. Ora, o tráfico é ágil. Do dia para a noite, saberá como encontrar sua clientela. Se entra até nas prisões, não lhe será difícil abastecer o mercado nas ruas.


Prova disto são as centenas de drogados perambulando e fumando no centro da cidade, sob o olhar complacente da polícia. Se um nóia pode consumir droga na frente de policiais, é de perguntar-se o que os policiais fazem na cracolândia. As medidas do governo são apenas cosméticas. E atendem a disputas políticas. A operação foi desfechada terça-feira passada. Teve como único resultado dispersar os zumbis pelos bairros vizinhos de Higienópolis e Santa Cecília. Algumas aves de arribação já transitam por minha rua.


Demonstrada a ineficácia das medidas, o governo passou a eximir-se de responsabilidades. Na sexta-feira – ou seja, quatro dias após o desfecho da operação – tanto Alckmin como Kassab declararam não ter conhecimento da iniciativa da Polícia Militar. Precisaram de quatro dias para saber do que todos os dias esteve na primeira página dos jornais. Catia Seabra, da Folha de São Paulo, esclarece a motivação de ambos: “Apesar do distanciamento político, Gilberto Kassab (PSD) e Geraldo Alckmin (PSDB) se uniram por temer que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), anunciasse algum pacote federal para a área, imprimindo no prefeito e no governador o rótulo de inoperantes”.


Como a ação policial resultou em rotundo fiasco, tanto Alckmin como Kassab fingiram ignorar o que ocorria sob seus narizes. Mas o melhor vem agora. Na mesma sexta-feira, a Defensoria Pública de São Paulo distribuía, na área da cracolândia, uma cartilha com os direitos dos nóias. No informativo, os defensores informam telefones das corregedorias da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana para encaminhamento de denúncias contra eventuais abusos de policiais e guardas.


Os panfletos informam, também, direitos básicos dos craqueiros como:

1) sempre ser tratado com educação e respeito;
2) ficar, sentar ou deitar ou reunir-se em local público, desde que pacificamente;
3) saber o motivo pelo qual está sendo abordado.


Ou seja, os drogados podem jogar pedras nos policiais, chutar e quebrar carros. Mas devem ser tratados com fidalguia. Têm todo o direito de fechar ruas, afinal podem ficar, sentar, deitar ou reunir-se onde quiserem. Ao conferir o estranho direito de deitar na rua, a Defensoria está defendendo o direito de dormir. E se defende o direito de dormir, está defendendo o direito de morar na rua. Quanto ao cidadão que trabalha e paga IPTU, este que busque outras ruas para andar. 


Alguém acha que se chegará a uma solução do problema quando a polícia escolta magotes de drogados passeando pelas ruas do centro? Passeando e se drogando, com a proteção de uma viatura policial?


Ora, contem outra.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

oO NÉRIO SABE DAS COISAS


Que tragédia. O patrimônio fantástico da VARIG, aviões, hangares, oficinas de manutenção, tudo se foi pelo ralo,  aqui em P. Alegre, no Rio e em S Paulo e a rede Tropicais de hotéis turisticos, os melhores do mundo em pontos únicos, como o da Fóz do Iguassú, de Manaus e outros e foram vendidos por três moedas. O AERUS acabou. Ninguém recebeu nada após a falência da VARIG, e estão aí, comandantes, pilotos, e aeroviários ( pessoal de terra,) penando. Sem dinheiro, tem gente cortando grama, outros taxistas ou motoristas de ônibus. Tem piloto da Varig espalhado pelo mundo, numa tragédia sem igual de separação familiar e a frota de aviões foi devolvida. O governo não ficou com um avião da Varig, para o Brasil, para a FAB, pelo menos um Jumbo 747 ou um MD-11, deveria ter ficado no Brasil para servir o povo e o governo e a FAB. Não. Foram todos devolvidos. Hoje a Varig não tem mais nada, nem patrimônio, para garantir o débito trabalhista. Fecharam a EVAER. Um crime que lesa a pátria na formação do piloto civil. Daqui cem anos estaremos falando sobre a falência e os objetivos escusos que estiveram por trás de sua falência e que ainda não ficaram claros.

Meus dois filhos, Eduardo (20 anos de Varig) e Felipe ( 12 anos de Varig) ambos comandantes, da Varig,  até hoje não receberam um tostão. E o Brasil, macunaima, sem caráter, e achando que é um país adiantado e civilizado.  E agora vai gastar milhões em copa do mundo e olimpíada. E o Brasil paradoxal. Não tem hospital para o povão, mas tem estádio para o futebol.. Como dizia o Lulla, antes do câncer  ( estou rezando pela sua cura a oração de São Bráz que cuida e protege a garganta com a benção das velas)  no seu lulês que marcou -- "nóis sofre mais nóis goza, come o Curintia".

E agora, bem Brasil, fica o Poder Judiciário a despachar, o volumoso processo e discutindo o sexo dos anjos, pois, o notável Ari Pargendler, gaúcho de Passo Fundo,  presidente do STJ, aquele da encrenca na fila no caixa eletrônico com o estagiário negro no ´terreo do STJ, deu barraco, gritou, se perdeu e teve crise de "juizite" e mandou o guri para  a rua, produziu notável despacho, após aprofundados estudos, dizendo que todos os processos, as reclamatórias trabalhistas contra a Varig, do ex- funcinários, devem ser todas encaminhadas para a VAra Falencial ou agora com outro nome pomposo e bem Brasil macunaima, " Vara de Recuperação Empresarial"  ( eu acho essas mudanças de nome que não levam à nada uma bichice fantástica - coisa de intelectual de esquerda festiva que não sabe produzir e ganhar dinheiro a não ser que venha do governo)  - ora recuperaão empresarial. Vai recupera o quê?....Vai recuperar a VArig?.....Vamos ser honestos. Me poupem e não desdenhem da inteligência dos pobres ex-funcinários da Varig que estão passando fome. E só agora, passados tantos anos. após a hecatombe de turbina pegando fogo, o Judiciario decidiu que todos os processos da Varig devem ser concentrados numa vara só, a primeira Vara do Rio de Janeiro que leva por título um nome estrambólico neste país miserável -  "vara de recuperação judicial ou empresarial ou outro nome"  - agora não é mais o nome tradicional, de Vara de FAlência  ( e concordata) . Como se isto adiantasse alguma coisa. Trocar seis por meia dúzia. Os processualistas matam a Justiça. com seus sonhos e arroubos recursais na circularidade dialética de andar ao redor do próprio rabo em busca da pedra filosofal do orgasmo judiciario. E lógico que nennhum funcionário da Varig não vai receber nada. O museu da Varig está abandonado  aqui na Fundação Rubem Berta. O salão da Fundação virou depósito de caixas velhas. E o departamento médico e outros na rua 18 de novembro, que era um luxo, viraram tapera.  O restaurante no térreo, com o bandeijão, ainda funciona parcialmente, para dar comida aos trabalhadores da TAP que fazem ainda alguma manutenção.

E a ANAC veio para fazer o quê?....
.O que faz a  ANAC?                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          
 Nério "dei Mondadori" Letti

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A BÍBLIA LIDA PELO DIABO

João Eichbaum


           7 Mas vós frutificai e multiplicai-vos: povoai abundantemente a terra, e  multiplicai-vos nela.    

Não disse que Ele só pensava “naquilo”? De repente, no meio do discurso sobre sangue, ele volta ao assunto: “multiplicai-vos”. Só faltava Ele falar em sexo explícito, pra botar pilha.
E se em vez de sexo, ele fizesse um por um, como fez com o primeiro: amassa o barro, sopra e ta feito o homem. Depois tira a costela dele e faz a mulher...?
To pensando que Ele se arrepiou com a mão de obra... Bem, se trabalhando só seis dias Ele cansou e já teve que decretar o repouso semanal, imaginem se tivesse que passar o resto da sua eternidade amassando barro e tirando costela!
Foi por isso que inventou essa coisa gostosa chamada sexo e exigiu “multiplicação”, como retribuição ao prazer. Quer dizer, pra disfarçar a safadeza, botou a ordem da “multiplicação”
E, no entanto, na Igreja Católica, essa ordem não é oficialmente obedecida. Com o tal de celibato, os padres são castrados moralmente, e aqueles que não aguentam essa castração saem botando os pés pelas mãos. Quer dizer, botando as mãos onde não deveriam...E o resultado são os inúmeros bastardos, filhos de padres, bispos, monsenhores, cardeais, papas, etc. que andam pelo mundo, se multiplicando, é claro, mas por causa da safadeza.

8 E falou Deus a Noé e a seus filhos, dizendo: 9 e eu, eis que estabeleço meu concerto convosco e com a vossa semente, depois de vós, 10 e com toda a alma vivente que convosco está, de aves, de rezes, e de todo o animal da terra convosco: desde todos que saíram da arca até todo o animal da terra. 11 E eu convosco estabeleço o meu concerto que não será mais destruída toda a carne pelo dilúvio para destruir a terra.

De repente mudou o discurso da raiva, aquela vontade de detonar tudo, “desfazendo toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus”.
A linguagem ficou mais “light”, direta, sem parábolas, o Velho parece ter escorregado na pieguice: não, a carne não mais será destruída pelo dilúvio.
O que é que deu Nele?
Alguém aí, que entende de teologia, pode me explicar?
É claro que teologia nenhuma explica.Ele é assim, exatamente como são os homens: sujeitos à alteração do humor, dependendo como levanta de manhã, às vezes querendo esbofetear o primeiro que aparece, outras vezes se derretendo de pieguice.




quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

AS VIRGENS


João Eichbaum

Não fiquem pensando que vou escrever aqui um tratado sobre o hímen ou dar lições de como as mocinhas devem preservar a virgindade. Não vou falar daquele momento em que, para a fêmea, a paixão se transforma em dor e, para o macho, o troféu sanguinolento representa a vitória e o faz bradar: “fui o primeiro, deu pra vocês”!
Não. “As virgens” de que me ocupo são aquelas de que falou o Janer Cristaldo na sua crônica publicada ontem neste blog.
E na verdade esta crônica devia ser intitulada “As Virgens do Janer”. Mas pensei que o título ia pegar mal e deixei por isso mesmo.
As “virgens” do Janer  são as que aparecem, ou melhor, apareciam, volta e meia, para criancinhas ou gente de cuca duvidosa, pedindo que rezassem o rosário, que lhe erguessem algum monumento, alguma igreja, ou outras pieguices  tipo “devoção ao sagrado coração”...
Lendo a crônica do Janer não pude fugir à idéa de que a Igreja Católica foi a inventora do “marketing”. Foi bolando idéias para arregimentar o povo ingênuo e infeliz que ela conseguiu estender o domínio do cristianismo para todos os recantos do mundo.
O “santo sudário”, as lasquinhas da “cruz” em que teria sido pregado Jesus Cristo, o sangue de “São Januário” foram ensaios desse processo de “marketing” que deu certo. Daí a inventar as “Virgens” que “apareciam” aqui e acolá foi um salto grande, que rendeu mais ainda do que as “relíquias” antes mencionadas.
Uma “Virgem” aparecendo é um espetáculo que atrai o povo. O povo gosta de novidades. De boas ou ruins, desde que sejam novidades. Por exemplo, a gente está numa rodovia de grande circulação de veículos. De repente, tudo pára, dá engarrafamento. Grande parte do engarrafamento é causada pela curiosidade, pela ânsia do povo pelas novidades. Mesmo que seja uma batidinha de merda, os motoristas curiosos diminuem a marcha, quase param, para ver o que está acontecendo. Se  há morto envolvido, então, nem se fala. Todo mundo quer olhar.
Assim é o povo, sedento por novidades, doente de curiosidade e, no fundo, louco pra ver os outros se ralarem.
Imaginem uma “Virgem” aparecendo, mais brilhante do que o sol, mas protegendo sua pele pálida com uma auréola celeste! Ora se o povo não vai pra lá, se plantar, esperando que a “aparição” se repita!
É assim que se constroem santuários, é assim que se recolhe dinheiro.
Nem a Coca-cola conseguiu, até hoje, um processo de “marketing” tão envolvente.
A Igreja planta a idéia, porque conhece o povo, sabe até que ponto pode ir a força da multidão, que gosta de orgasmos epilépticos. E assim vai criando uma “Virgem” aqui, outra acolá, ontem uma, amanhã outra...
Que ladrem os incréus, mas a caravana das “Virgens”, cada uma com seu perfil, ditado pelo “marketing, continuará  passando.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

VIRGEM POR CONCURSO


Janer Cristaldo

Não se fazem mais nossas senhoras como antigamente. Já vão longe os tempos em que a Virgem aparecia com toda uma mise-en-scène, fazia o sol parar e transmitia a inocentes pastorinhas segredos vitais para a humanidade. 


Desde Colombo até hoje, os conquistadores sabem muito bem que, ao impor o mito de uma mãe virgem a culturas pagãs, já ganharam a batalha. O papa que o diga. Em 1990, comentei como foi criada a Virgem de Guadalupe.


Na época, João Paulo II foi ao México, não para degustar tequila ou ouvir mariachis, e sim para beatificar Juan Diego, o índio em cuja túnica as rosas teriam deixado gravada a imagem da Virgem de Tepeyac, mais conhecida como Virgem de Guadalupe, não por acaso a mesma venerada nas montanhas de Estremadura, e muito querida pelos conquistadores. João Paulo, padre astuto, intuindo que a tal de teologia de libertação está em franca decadência com o desmoronamento do fascismo eslavo, investiu no mistério. E conferiu odor de santidade ao coitado do íncola manipulado pelo barroco europeu.


Tudo começou nos anos 1550, quando na colina de Tepeyac os indígenas mexicanos prestavam culto a um ixiptla, ou seja, estátua ou imagem de uma deidade que, na linguagem dos conquistadores, é traduzida como ídolo. O ixiptla, no caso, é o da deusa Toci-Tonantzin, nome que, traduzido do náuatle, dá - maravilhosa coincidência! - Nossa Mãe.


Alonso de Montufar, arcebispo do vice-reino, não vai perder esta oportunidade - como direi? - divina, de sobrepor, como sempre fez a Igreja romana, aos símbolos e cultos pagãos, a tralha católica. Encomenda a Marcos, um pintor indígena, uma obra inspirada em um modelo europeu e a coloca ao lado do ixiptla asteca, gesto aparentemente inocente se visto daqueles dias, mas carregado de conseqüências quando o olhamos com o distanciamento de quatro séculos.


Pelo período de aproximadamente um século, a imagem da Virgem permanece, sem trocadilhos, em banho-maria, sem que se fale de epifanias ou milagres. Em 1648, com a publicação de Imagen de la Virgen Madre de Diós de Guadalupe, do padre Miguel Sánchez, o culto mariano toma novo impulso.


"Segundo esta versão destinada a tornar-se canônica" – escreve Serge Gruzinski, em La Guerre des images - a Virgem teria aparecido três vezes em 1531 a um índio chamado Juan Diego. Segundo Juan de Zumárraga, primeiro bispo e arcebispo do México, Juan Diego abriu sua capa sob os olhos do prelado: "em lugar das rosas que ela envolvia, o índio descobriu uma imagem da Virgem, miraculosamente impressa, até hoje conservada, guardada e venerada no santuário de Guadalupe".


Mas nada surge do nada, muito menos imagens. Antes da publicação do livro de Miguel Sánchez, que oficializa a versão das rosas imprimindo os traços da Virgem na capa de Juan Diego, haviam chegado ao México pelo menos duas levas de pintores e arquitetos, profundamente influenciados pela escola flamenga. Colocando seus talentos a serviço da Igreja, estes artistas transportam ao novo continente o imaginário europeu. Vasto é o mercado. 


Para Gruzinski, a clientela dos artistas cresce e se diversifica: "A corte, a igreja, as autoridades municipais, a universidade, a Inquisição, as confrarias e os ricos entregam-se a uma concorrência cada vez mais viva e rivalizam em encomendas que afirmam publicamente, aqui como alhures, poder, prestígio e influência social. Eis então  reunidos todos os meios de uma predileção pela imagem e de uma produção em larga escala, conforme o gosto europeu, impulsionada pela Igreja, posta sob a vigilância da Inquisição e de prelados de zelo por vezes intempestivo".

Faltava apenas o ingênuo para descobrir, sob as rosas, a imagem da Virgem. Como seria pouco convincente apresentar uma imagem sendo descoberta por seus criadores, foi escolhido Juan Diego, hoje alçado à condição de beato pela igreja que destruiu seus ixiptlas e sua cultura. E assim, como quem não quer nada, semeando marias mundo afora, vai o Vaticano alastrando seus domínios.


Todos devem estar lembrados quando, em 1917, a Virgem apareceu em Fátima, na cova de Iria, aos três pastorinhos. O sol, como uma roda de fogo, girou então sobre si mesmo durante dez minutos. Curiosamente, não se constatou efeito algum no clima da Terra destes movimentos anômalos do sol.


Um padre português desmascarou a aparição a partir de uma análise gramatical dos fatos. Uma das pastoras perguntou à Virgem: quem sois? Ora, é de espantar que naquela época uma criança camponesa conjugasse assim tão à vontade a segunda pessoa do plural, coisa que hoje muito jornalista sequer conhece. Mas a santa, muito analfabeta, também se trai em seu discurso. Diz a Virgem: eu sou a Nossa Senhora. Como Nossa? Se se dirigia a terceiros, teria de dizer: eu sou a Vossa Senhora.


Claro que o Brasil, tido como a maior nação católica do mundo, não poderia deixar de ter uma santa virgem. Em certo dia do ano de 1717, alguns pescadores lançaram suas redes no rio Paraíba, perto de São Paulo, e em vez de peixes pescaram uma estátua sem cabeça. Ao lançarem novamente as redes, retiram a cabeça: tratava-se de uma Virgem Negra. Isto é, uma afrovirgem, como se diria hoje. 


Daí a construir o maior local de culto da América Latina foi apenas questão de tempo. Em 1955, foi construída a basílica Nossa Senhora de Aparecida, que ocupa uma superfície total de 18 mil metros quadrados e pode acolher 45 mil fiéis. É a segunda maior basílica do mundo, após a de São Pedro em Roma, e o papa João Paulo II, em 1980, concedeu-lhe o título de "Basílica menor".
 Como as virgens de Fátima e Lourdes, a Santa Cidinha tupiniquim constitui uma mina de ouro para a Igreja brasileira.


A penúltima virgem é a de Medjugorje, na Iugoslávia, ainda não reconhecida pela Igreja. Suas aparições tiveram início em 24 de junho de 1981. Entre os videntes, encontram-se seis pessoas nascidas nos arredores da localidade – que quer dizer “em meio aos montes” – e a quem a Santíssima Virgem Maria, evitando a armadilha gramatical de sua congênere de Fátima, se apresentou como "Eu sou a Rainha da Paz". Penúltima virgem, dizia. Pois agora, nos alvores de 2012, os jornais nos falam da última, a Virgem da Amazônia.


Se antes as virgens apareciam para crianças ou pessoas humildes e deixavam uma imagem para ser encontrada por índios ou pescadores, hoje as virgens dispensam tais recursos. São produzidas por designers e eleitas em concurso, conforme o gosto do respeitável público. Leio na Folha de São Paulo de hoje que a arquidiocese de Manaus apresentou aos fiéis uma imagem de Nossa Senhora e do menino Jesus com traços indígenas.


Chamada de Nossa Senhora da Amazônia, a imagem foi feita pela designer Lara Denys, 23, vencedora de concurso para retratar a santa com "características da cultura da região amazônica". Na imagem, Nossa Senhora e Jesus têm cabelos e olhos pretos e pele parda. O manto dele está preso ao corpo dela, da mesma forma que as índias carregam seus filhos.


Virgens são precursoras de santuários. Segundo o coordenador do concurso, padre Reneu Stefanello, será construída a sua estátua no santuário que está sendo erguido em Manaus.


"Ela tem os traços da feminilidade da mulher amazonense, da mulher indígena. Traz no colo um Jesus curumim", afirma o padre. Cristo, provavelmente, terá nascido em um igarapé.


Segundo o antropólogo Ademir Ramos, da Universidade Federal do Amazonas, a imagem é uma estratégia para evitar a perda de fiéis para os protestantes pentecostais. "A Igreja Católica quer passar a identificação entre o devoto e o santo. Como o fiel vai devotar uma santa branquinha de olho verde?"


Crie-se então uma Nossa Senhora ao gosto popular. Certamente será uma virgem ecológica, protetora da floresta e dos recursos naturais e inimiga das barragens e da pecuária e agricultura intensivas. E defensora das reservas indígenas, é claro. O padre Stefanello perdeu uma oportunidade de ouro de fazê-la aparecer à Marina Silva.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O NÉRIO CONHECE OS CARIOCAS


Da moral carioca da novela das oito.

 Do espirito de galhofa e gozativo e da moral carioca da zona sul do Rio, da novela das oito, onde tudo se permite e todas as virtudes se negam


E aquela hora fatal da madrugada que ou o homem ou a mulher não arrumaram ninguém depois de uma noite na batalha do amor. Acabou sozinho (a). Tristre, na madrugada de Copacabana, voltar para casa sozinho, com o mar batendo ao lado. Ainda mais se estiver de porre, com o estômago enjoado ( em italiano se chama "rabalton") e com certa falta de ár devido ao cigarro, que em dialeto vêneto se chama de "afano"...Entra no primeiro boteco aberto e pede uma limonada com sóda e uma dose de Sal de Fruta Enno para arrumar o  "rabalton" do estômago e o "afano" do peito. Esta hora em que apagam-se as luzes e as portas dos bares se fecham, não pode exisitir nada mais triste do que o notívago e o boêmio frustrado, Precisa de uma mesa de bar, de companhia, e se possível um samba de Noel, para terminar a madrugada solitária da grande cidade.

Por isso, o espírito carioca  e a moral da novela das oito, da zona sul do carioquês, trasnformou e esculhambou com o natal. Vamos lá. Vale tudo. Total é madrugada. E todos os gatos são pardos. Pelo menos bem longe da galeria Alascka infestada de homossexuais tresloucados, travestis, lésbicas, gigolôs, GLS, toda esta fáuna do terceiro gênero que não cansam nunca de andar a procura do amor perdido. Sempre na busca ansiosa. A bicha carioca sempre tem tesão. Tã sempre querendo dar. 

Verdade seja dita, o Grupo Nuances e o grupo Somos, ambos gaúchos e de vanguarda, dos descolados, inclusive em seu saite, nenhum dos dois concorda com esa forma abusiva de tratar o natal. A bicha gáucha é mais discreta e não tão largada. Principalmente o grupo Nuances - que luta pela livre expressão sexual, em seu  jornal  -  Nuances  -   que se encontra na banca do Mercado Público   -"   -Bang Bang'  -  não aprova esta loucuragem que os colegas cariocas fazem com a festa natalina.

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Nério "dei Mondadori" Letti


  

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

UM ABENÇOADO ANO NOVO




João Eichbaum

Recebo e-mails, e até cartões, com mensagens de Natal e Ano Novo. Muitos me desejam as bênçãos do céu, ou um abençoado Ano Novo.
Quando criança, me ensinaram a “pedir a bênção” para os pais. Outro dia tive a desagradável surpresa de ouvir a transcrição de uma gravação, na qual um  dos filhos do Sarney, metido em corrupção, iniciava uma conversa com o pai, pedindo “ a bênção, pai”.
O papa, nos seus espetáculos litúrgicos, levanta as mãos, ao final da cerimônia, e entoa no cantochão oficial da Igreja um “benedicat vos omnipotens Deus, Pater, et Filius, et Spiritus Sanctus (abençõe-vos o Deus onipotente, Pai, Filho e Espírito Santo)
Tenho um amigo, que é padre, o qual me manda “bênçãos” nos seus e-mails.
Tem gente que vai a Roma comprar a “bênção papal”.
O padre, quando faz um casamento, benze as alianças dos noivos. Nas cerimônias da Semana Santa se procede à bênção da água.
Me expliquem, por favor, o que é uma “bênção”? O que significa?
Um Ano Novo abençoado é diferente de um Ano Novo não abençoado? Em que reside a diferença?
Será que um ateu pode ser alvo de “bênçãos”?
Enfim, o que é que se pode fazer com uma bênção?
Confesso para vocês que nunca tive conhecimento de algum efeito concreto da bênção do papa, dos bispos, ou dos padres.
Os padres, os clérigos em geral, são pessoas que têm as maiores chances de serem “abençoadas”. Afinal, passam a vida rezando, pedindo, implorando a Deus. A presunção é de que Deus os atenda e os abençoe.
Mas, apesar de todas as bênçãos, muitos padres são piores do que as demais criaturas, não abençoadas. Só para ficar na questão da pedofilia, por exemplo.
Então, desculpem a insistência, o que é, realmente, uma “bênção”, em que ela consiste, quais são os seus efeitos concretos?
Bênção é ter saúde, dinheiro, uma mulher bonita?
Se assim é, o pobre, que geralmente tem mulher feia, não é abençoado. Principalmente se ele tem que enfrentar a fila do SUS para resolver os problemas de saúde. E se o cara tem saúde, dinheiro e mulher bonita, mas é corno, pode-se dizer que ele é abençoado?
Então fica difícil definir o que seja uma “bênção” e o seu alcance. A partir dessa indefinição, e por via das dúvidas, prefiro não desejar para vocês um abençoado ano novo.