JULGAMENTO
No meio de um julgamento, pergunta o Juiz: - O senhor chegou em casa mais cedo e encontrou a sua mulher na cama com outro homem, correto? - Correto, meritíssimo!- diz o réu de cabeça baixa. Continua o juiz: - Então o senhor pegou sua arma e deu um tiro na sua mulher, matando-a na hora, correto? - Correto, meritíssimo! - repete o réu. - E por que o senhor atirou nela e não no amante dela? O réu responde: - Senhor Juiz.... Me pareceu mais sensato matar uma mulher uma única vez, do que um homem diferente todos os dias. Foi absolvido na hora! C O R N O porém sensato!
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
COLUNA DO PAULO WAINBERG
A SÍNTESE DA TOLERÂNCIA
Paulo Wainberg
Nome árabe, descendência muçulmana, cristão e negro, Obama é o Presidente dos Estados Unidos. Derrotou os sisudos e morenos republicanos e conquistou os loiros e joviais democratas. E suas bochechas coradas.
Para o mal e para o bem, os Estados Unidos continuam servindo de exemplo para o resto do mundo.
Hipócritas mas não cínicos há pouco mais de cinqüenta anos cultivavam explícita segregação racial e obedeciam fielmente os princípios de sua Constituição, arvorando-se em modelo de democracia e respeito aos direitos humanos.
Jamais impediram os negros de freqüentar escolas, igrejas, estádios, transportes coletivos, bares, restaurantes e qualquer outro local público, desde que respeitassem os locais a eles destinados e não ousassem misturar-se com os brancos.
Verdadeiros heróis como Mohamad Ali, Malcon X e Luther Martin King, em nome da Constituição americana que respeitavam, criaram o que se chamou de uma consciência negra, um perfil de cidadania integral pela qual lutar, com manifestações, atos públicos, movimentos políticos e principalmente palavras, até obter o reconhecimento legal à igualdade civil que, de forma definitiva, aboliu o segregacionismo institucional.
As distorções evidentes, representadas por indecentes sociedades de supremacia racial das quais a Kukluxkan foi expoente (e ainda é), tiveram amparo dissimulado por longas décadas durante as quais, sem nenhuma vergonha na cara, o sistema judiciário americano protegeu os interesses dos brancos, sempre que em conflito com os dos negros.
A extraordinária evolução da sociedade americana (ainda não alcançada pela atavicamente racista Europa) compreendeu a diferença entre racismo e discriminação racial, percebeu que o racismo é um dos piores sentimentos humanos e evoluiu gloriosamente. Como num processo analítico, aceitou-se como racista e determinou-se, não sem dor e sofrimento, a erradicar a sua mais terrível manifestação: a discriminação.
Trata-se, indubitavelmente, de uma consagradora vitória da inteligência sobre o instinto.
Países como o Brasil, que aliam hipocrisia e cinismo, hipocritamente discriminam e cinicamente negam a discriminação. A nossa sociedade multirracial infelizmente recusa-se a diagnosticar a doença e brinca de minimizar o sintoma.
Nenhum exemplo é melhor do que o recém vigente sistema de cotas para ingressos nas Universidades, medida que equivale a dizer que continuamos racistas e discriminadores, mas.... não muito.
Barak Obama pode ser um bom ou mau Presidente. Isto é que se verá brevemente quando poderemos avaliar o indivíduo, suas qualidades, sua competência, seus defeitos e fragilidades.
Porém o Obama eleito Presidente é, para felicidade do planeta Terra, a síntese da tolerância.
Este foi um bom exemplo. Mas os americanos também produzem péssimos exemplos para a Humanidade. Para ilustrar, reproduzo a crônica a seguir, escrita quando GWB resolveu invadir o Iraque:
O FANTÁSTICO DOUTOR BÚ
Paulo Wainberg
Dizem que seu poder surgiu em virtude de uma extraordinária conjunção de fenômenos naturais.
Aos seis anos brincava no seu lugar favorito da fazenda dos pais milionários, no Texas: o poço de esterco.
Era uma tarde comum como tantas outras e ele fazia seus castelos de esterco, lambuzando as mãozinhas, os pezinhos o rostinho e os cabelinhos.
O céu estava claro e sem nuvens quando raio misterioso, surgido ninguém sabe de onde, atingiu o poço, espalhando esterco para todos os lados.
O pequenino recebeu forte carga eletromagnética e o esterco grudou em seu infantil corpo, misturando as respectivas moléculas e provocando uma reação química sem precedentes.
A partir desse dia ele pode espalhar merda para onde quisesse, com um simples arquear das sobrancelhas torneadas, sobre os olhinhos apertados que herdara de seu pai.
O pai que até então desconfiava do menino e, isso não era segredo, tinha uma ponta de antipatia por ele, ao perceber o super-poder recém adquirido vaticinou, comendo arroz com leite na cadeira de balanço na varanda, para a mãe que preparava um bolo de milho no fogão a lenha:
- Este menino, jogando merda pra todo lado, tem tudo para ser Presidente da América.
O vaticínio estava certo e hoje o fantástico doutor Bú – como ficou conhecido na Universidade - espalha merda pelo mundo e não quer nem saber de quem está embaixo.
Uma coisa deve ser dita em seu favor: ele nunca prometeu que seu poder era para o bem nem que sua gestão seria fácil.
Ao contrário. Avisou, com todas as letras e para quem quisesse ouvir, que a coisa ia demorar, seria sangrenta e iria causar muitas mortes.
Documentos secretos há pouco revelados mostram que a coisa foi planejada há muitos anos, quando o jovem Bú, universitário e maconheiro, foi preso por dirigir embriagado.
Sozinho, na cela na qual foi confinado por uma noite, tirou do bolso seu brinquedo favorito: soldadinhos de chumbo. Colocou-os em posição de combate, arqueou as sobrancelhas e estercou tudo, riu e bateu palmas. Adormeceu com sua fantasia preferida: ele, lá do alto, a bordo do avião número um, franzindo as sobrancelhas e espalhando merda sobre a humanidade.
Seu maior sonho é cobrir a América de esterco, coisa que está quase conseguindo, lentamente porque seu super-poder não é tão poderoso para esmerdear tudo de uma só vez.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, o execrável doutor Sadú, já defenestrado por seus traidores íntimos, invejoso do super-poder do desafeto, há muito estercara seu país com esterco explícito e berrava aos quatro cantos do mundo que o fantástico doutor Bú não passava de um merdinha.
Como sempre acontece quando dois estercadores entram em choque, quem paga o pato são os outros, os respingados.
Então eu pergunto: como é que se faz para sair de baixo?
Paulo Wainberg
Nome árabe, descendência muçulmana, cristão e negro, Obama é o Presidente dos Estados Unidos. Derrotou os sisudos e morenos republicanos e conquistou os loiros e joviais democratas. E suas bochechas coradas.
Para o mal e para o bem, os Estados Unidos continuam servindo de exemplo para o resto do mundo.
Hipócritas mas não cínicos há pouco mais de cinqüenta anos cultivavam explícita segregação racial e obedeciam fielmente os princípios de sua Constituição, arvorando-se em modelo de democracia e respeito aos direitos humanos.
Jamais impediram os negros de freqüentar escolas, igrejas, estádios, transportes coletivos, bares, restaurantes e qualquer outro local público, desde que respeitassem os locais a eles destinados e não ousassem misturar-se com os brancos.
Verdadeiros heróis como Mohamad Ali, Malcon X e Luther Martin King, em nome da Constituição americana que respeitavam, criaram o que se chamou de uma consciência negra, um perfil de cidadania integral pela qual lutar, com manifestações, atos públicos, movimentos políticos e principalmente palavras, até obter o reconhecimento legal à igualdade civil que, de forma definitiva, aboliu o segregacionismo institucional.
As distorções evidentes, representadas por indecentes sociedades de supremacia racial das quais a Kukluxkan foi expoente (e ainda é), tiveram amparo dissimulado por longas décadas durante as quais, sem nenhuma vergonha na cara, o sistema judiciário americano protegeu os interesses dos brancos, sempre que em conflito com os dos negros.
A extraordinária evolução da sociedade americana (ainda não alcançada pela atavicamente racista Europa) compreendeu a diferença entre racismo e discriminação racial, percebeu que o racismo é um dos piores sentimentos humanos e evoluiu gloriosamente. Como num processo analítico, aceitou-se como racista e determinou-se, não sem dor e sofrimento, a erradicar a sua mais terrível manifestação: a discriminação.
Trata-se, indubitavelmente, de uma consagradora vitória da inteligência sobre o instinto.
Países como o Brasil, que aliam hipocrisia e cinismo, hipocritamente discriminam e cinicamente negam a discriminação. A nossa sociedade multirracial infelizmente recusa-se a diagnosticar a doença e brinca de minimizar o sintoma.
Nenhum exemplo é melhor do que o recém vigente sistema de cotas para ingressos nas Universidades, medida que equivale a dizer que continuamos racistas e discriminadores, mas.... não muito.
Barak Obama pode ser um bom ou mau Presidente. Isto é que se verá brevemente quando poderemos avaliar o indivíduo, suas qualidades, sua competência, seus defeitos e fragilidades.
Porém o Obama eleito Presidente é, para felicidade do planeta Terra, a síntese da tolerância.
Este foi um bom exemplo. Mas os americanos também produzem péssimos exemplos para a Humanidade. Para ilustrar, reproduzo a crônica a seguir, escrita quando GWB resolveu invadir o Iraque:
O FANTÁSTICO DOUTOR BÚ
Paulo Wainberg
Dizem que seu poder surgiu em virtude de uma extraordinária conjunção de fenômenos naturais.
Aos seis anos brincava no seu lugar favorito da fazenda dos pais milionários, no Texas: o poço de esterco.
Era uma tarde comum como tantas outras e ele fazia seus castelos de esterco, lambuzando as mãozinhas, os pezinhos o rostinho e os cabelinhos.
O céu estava claro e sem nuvens quando raio misterioso, surgido ninguém sabe de onde, atingiu o poço, espalhando esterco para todos os lados.
O pequenino recebeu forte carga eletromagnética e o esterco grudou em seu infantil corpo, misturando as respectivas moléculas e provocando uma reação química sem precedentes.
A partir desse dia ele pode espalhar merda para onde quisesse, com um simples arquear das sobrancelhas torneadas, sobre os olhinhos apertados que herdara de seu pai.
O pai que até então desconfiava do menino e, isso não era segredo, tinha uma ponta de antipatia por ele, ao perceber o super-poder recém adquirido vaticinou, comendo arroz com leite na cadeira de balanço na varanda, para a mãe que preparava um bolo de milho no fogão a lenha:
- Este menino, jogando merda pra todo lado, tem tudo para ser Presidente da América.
O vaticínio estava certo e hoje o fantástico doutor Bú – como ficou conhecido na Universidade - espalha merda pelo mundo e não quer nem saber de quem está embaixo.
Uma coisa deve ser dita em seu favor: ele nunca prometeu que seu poder era para o bem nem que sua gestão seria fácil.
Ao contrário. Avisou, com todas as letras e para quem quisesse ouvir, que a coisa ia demorar, seria sangrenta e iria causar muitas mortes.
Documentos secretos há pouco revelados mostram que a coisa foi planejada há muitos anos, quando o jovem Bú, universitário e maconheiro, foi preso por dirigir embriagado.
Sozinho, na cela na qual foi confinado por uma noite, tirou do bolso seu brinquedo favorito: soldadinhos de chumbo. Colocou-os em posição de combate, arqueou as sobrancelhas e estercou tudo, riu e bateu palmas. Adormeceu com sua fantasia preferida: ele, lá do alto, a bordo do avião número um, franzindo as sobrancelhas e espalhando merda sobre a humanidade.
Seu maior sonho é cobrir a América de esterco, coisa que está quase conseguindo, lentamente porque seu super-poder não é tão poderoso para esmerdear tudo de uma só vez.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, o execrável doutor Sadú, já defenestrado por seus traidores íntimos, invejoso do super-poder do desafeto, há muito estercara seu país com esterco explícito e berrava aos quatro cantos do mundo que o fantástico doutor Bú não passava de um merdinha.
Como sempre acontece quando dois estercadores entram em choque, quem paga o pato são os outros, os respingados.
Então eu pergunto: como é que se faz para sair de baixo?
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
COISAS DA VIDA
O SUPREMO “EGO” SE CHAMA “DEUS”
João Eichbaum
Assaltos são, hoje em dia, coisas quase corriqueiras. Ler notícias sobre assaltos já não causa muita emoção. Salvo quando se trata de pessoas conhecidas ou de amigos. E foi o que me aconteceu. Ao ler a notícia, levei um choque: o delegado de ensino, ao qual minha mulher tinha sido subordinada, e a esposa dele tinham sido assaltados, num fim de semana, na praia. O casal fora descansar, relaxar, aproveitar a paz que transmite o mar, quando beija a areia, sob o testemunho de um céu azul, ou de uma lua que guarda os segredos do amor, para sempre, mas foi surpreendido por malfeitores.
A mulher do chefe da minha esposa foi morta da maneira mais cruel possível: amordaçaram-na, espancaram-na, pisotearam-na. O chefe da minha mulher levou um tiro e se fingiu de morto, não para ganhar sapato novo, mas para continuar a viver. Os bandidos foram embora e levaram o que quiseram.
Entrevistado pelo reportagem do jornal que noticiou o fato, no dia seguinte, o senhor delegado de ensino se saiu com a seguinte frase:
“Deus foi bom pra mim “
É indispensável acrescentar que o senhor delegado de ensino tinha sido seminarista, ou melhor, juvenista, candidato a irmão marista, uma congregação católica que dominava o ensino no Brasil. Sua formação, portanto, era profundamente católica, apostólica, romana. E, não seria necessário acrescentar, acreditava no “Deus” judaico-cristão.
“Deus foi bom pra mim”. Pensem bem no sentido dessa frase, saída dos lábios de um cidadão de formação profundamente cristã.
Por que “Deus” teria sido bom pra ele e não pra sua mulher?
Alguém aí da platéia pode me responder, concretamente, objetivamente, sem rodeios filosóficos?
“Deus” foi bom pra ele. Ele era mais importante do que sua mulher. “Deus” o salvou das mãos dos malfeitores, lhe deu a chance de continuar vivendo (tanto que ele casou de novo, só não sei se com uma baranga ou com uma linda mulher).
Assim como ele, todo o mundo age: “se “Deus” quiser, graças a “Deus”. Tudo o que de bom acontece para as pessoas, elas o devem a “Deus”. O “Deus” judaico-cristão se preocupa com elas e manda o resto pra puta que o pariu.
O bem-estar, as conquistas de felicidade, a superação dos males das pessoas é atribuído a “Deus”. Elas se sentem felizes porque “Deus” o permitiu. Mas a felicidade é delas, e não do vizinho, do irmão, da sogra, da mãe do Badanha.
A felicidade das pessoas, portanto, está em “Deus”, o “Sumo Bem”. Em outras palavras, esse “Deus” representa tudo o que as pessoas querem, o que as pessoas, que nele acreditam, almejam. Graças a esse “Deus” elas são melhores do que os outros, têm uma vida mais feliz.
“Deus” pensa em mim. “Deus” me ama. “Deus” faz tudo por mim. EU vou gozar das delícias da vida eterna, graças a “Deus”. Ele, portanto, realiza o meu EGO. O máximo a que EU possa aspirar está em “Deus”. “Deus”, portanto, é o meu ego Supremo.
João Eichbaum
Assaltos são, hoje em dia, coisas quase corriqueiras. Ler notícias sobre assaltos já não causa muita emoção. Salvo quando se trata de pessoas conhecidas ou de amigos. E foi o que me aconteceu. Ao ler a notícia, levei um choque: o delegado de ensino, ao qual minha mulher tinha sido subordinada, e a esposa dele tinham sido assaltados, num fim de semana, na praia. O casal fora descansar, relaxar, aproveitar a paz que transmite o mar, quando beija a areia, sob o testemunho de um céu azul, ou de uma lua que guarda os segredos do amor, para sempre, mas foi surpreendido por malfeitores.
A mulher do chefe da minha esposa foi morta da maneira mais cruel possível: amordaçaram-na, espancaram-na, pisotearam-na. O chefe da minha mulher levou um tiro e se fingiu de morto, não para ganhar sapato novo, mas para continuar a viver. Os bandidos foram embora e levaram o que quiseram.
Entrevistado pelo reportagem do jornal que noticiou o fato, no dia seguinte, o senhor delegado de ensino se saiu com a seguinte frase:
“Deus foi bom pra mim “
É indispensável acrescentar que o senhor delegado de ensino tinha sido seminarista, ou melhor, juvenista, candidato a irmão marista, uma congregação católica que dominava o ensino no Brasil. Sua formação, portanto, era profundamente católica, apostólica, romana. E, não seria necessário acrescentar, acreditava no “Deus” judaico-cristão.
“Deus foi bom pra mim”. Pensem bem no sentido dessa frase, saída dos lábios de um cidadão de formação profundamente cristã.
Por que “Deus” teria sido bom pra ele e não pra sua mulher?
Alguém aí da platéia pode me responder, concretamente, objetivamente, sem rodeios filosóficos?
“Deus” foi bom pra ele. Ele era mais importante do que sua mulher. “Deus” o salvou das mãos dos malfeitores, lhe deu a chance de continuar vivendo (tanto que ele casou de novo, só não sei se com uma baranga ou com uma linda mulher).
Assim como ele, todo o mundo age: “se “Deus” quiser, graças a “Deus”. Tudo o que de bom acontece para as pessoas, elas o devem a “Deus”. O “Deus” judaico-cristão se preocupa com elas e manda o resto pra puta que o pariu.
O bem-estar, as conquistas de felicidade, a superação dos males das pessoas é atribuído a “Deus”. Elas se sentem felizes porque “Deus” o permitiu. Mas a felicidade é delas, e não do vizinho, do irmão, da sogra, da mãe do Badanha.
A felicidade das pessoas, portanto, está em “Deus”, o “Sumo Bem”. Em outras palavras, esse “Deus” representa tudo o que as pessoas querem, o que as pessoas, que nele acreditam, almejam. Graças a esse “Deus” elas são melhores do que os outros, têm uma vida mais feliz.
“Deus” pensa em mim. “Deus” me ama. “Deus” faz tudo por mim. EU vou gozar das delícias da vida eterna, graças a “Deus”. Ele, portanto, realiza o meu EGO. O máximo a que EU possa aspirar está em “Deus”. “Deus”, portanto, é o meu ego Supremo.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
COLUNA DO PAULO WAINBERG
MOUSSE DE CLARAS
Paulo Wainberg
Clarabela, Clarabóia e Clarimunda.
A primeira eu não conhecia, a segunda se abria no banheiro e a terceira era feia de cara e boa de bunda.
Clarabela, ao que consta, estudou filosofia na PUC, fez mestrado em Cambridge e doutorado em Harward.
Clarabóia tende a enferrujar.
Clarimunda, feia de cara, era mesmo boa de bunda.
Clarabela casou com um príncipe. Das Astúrias, dizem.
Clarabóia tende a se trincar.
Clarimunda, apesar da cara, era excelente de bunda.
Clarabela, depois de princesa, escreveu sua monografia.
Clarabóia, enferrujada e trincada, quando abria não fechava.
Clarimunda, que cara horrorosa e que ótima bunda.
Clarabela demonstrou por a mais b que Pitágoras tinha razão.
Clarabóia, enferrujada e trincada, quando fechava não abria.
Clarimunda maquiava a cara, mas brilhava pela bunda.
Clarabela e Clarimunda encontraram-se por acaso, ao lado de Clarabóia, uma na pia e outra no chuveiro.
Ao tentar abrir Clarabóia para aliviar o vapor, Clarimunda não conseguiu e pediu auxílio à Clarabela que, prontamente atendeu.
As duas juntas empurravam para cima o trinco de Clarabóia que, enferrujado, não se moveu.
- Por causa da ferrugem Clarabóia enguiçou – filosofou Clarabela.
- Fundiram-se os metais? – quis saber Clarimunda, esfregando a toalha na bunda.
- Como se foram idéias – respostou Clarabela, guardando na bolsa a Crítica da Razão Pura.
- Idéias são metais que se fundem? – perguntou Clarimunda, de costas para o espelho e admirando-se a bunda.
- E que se lançam ao éter – culminou Clarabela, pronta para sair.
Clarabóia, impávida, mais ainda enferrujava, graças à umidade e ao vapor. Quase nenhuma luz passava por seu vidro fosco, embaciado e trincado. Soberana, reinava serenamente sobre seu reino privado, justamente a privada pública do prédio municipal.
Clarabela respirou sobre o solitário, um brilhante diamante que ganhou de casamento. Um bafo halitoso para extirpar gotículas de vapor que empanavam o fulgor da jóia, à mão posta sob a luz.
- Nem sabe o que me aconteceu – disse Clarimunda, a boa de bunda.
- Nem quero saber – tornou Clarabela. – O sábio é aquele que nada sabe, ponderou.
- Derramaram sobre mim a panela de sopa de legumes, ali no refeitório. Melecaram-me de alto a baixo. Por isso tomava banho. Para me desmelecar. Melecada daquele jeito eu não ia agüentar.
Enquanto falava, Clarimunda passava batom nos lábios finos, pó-de-arroz nas faces secas, rimel nas diminutas pestanas e um lápis marrom nas sobrancelhas tortas.
A cara de Clarimunda era um conjunto disforme, peças erradas de um quebra-cabeças enfiadas à força umas nas outras. Porém, vou te contar, que bunda!
Clarabela quis mijar e, sem nenhuma cerimônia, levantou a saia, baixou as calcinhas e sentou na taboa suja da privada, com cara de nojo.
Clarabóia deu um estalo, comum nos inanimados: era o metal retraindo a dilatação anterior, causada pelo calor.
- Clarabóia desgraçada – porejou Clarabela esfregando o polegar machucado de tanto empurrar o trinco enferrujado.
- E eu, que quebrei a unha – lamentou Clarimunda, nua e de cara pintada, retirando com o mindinho um excesso de batom.
Nesse momento entrei eu na privada, quase me evacuando. Dei de cara com a cara de Clarimunda que disse “ai”, tapou-se com as mãos e virou de costas, mostrando, na íntegra, sua magnífica bunda.
Clarabela continuou mijando, filosóficamente.
- Que bafo – reclamei do vapor – por que não abrem a Clarabóia?
- Enferrujou – disse Clarimunda e, juro por Deus, ela falava pela bunda.
- Fundiram-se as idéias – disse Clarabela que era boa de cara, mas o corpo era uma laje.
- Bobagem – falei. Com meu grosso polegar e viril indicador tomei a Clarabóia pelo trinco e com másculo movimento deflorei-lhe a ferrugem, subindo-lhe o pino argola adentro. Com o punho fechado desferi-lhe um tranco pelas ancas e – voilà – abriu-se a Clarabóia como a vaca ao touro.
- Oh, festejou-me pela bunda a feia Clarimunda.
- O Übermensch! Assim Falou Zaratustra! Nietzsche tinha razão! Você é o super homem – esbaforiu-se Clarabela, levantando da privada e puxando para cima as calcinhas sobre pernas-palito brancas.
- Ô, Ô, Ô - sorri satisfeito. - As damas me dão licença? Eis que me cago.
- Eu fico!
- E eu também!
Clarabóia, definitivamente aberta, aerava, aliviada. As duas confabulavam de costas para mim, as retas de Clarabela e a bunda de Clarimunda.
Obrei-me a rodo, aliviando vísceras, cloacas e tubulações, coisa que sempre faço após um bom mocotó.
Depois, ali mesmo, aos beijos com Clarabela, esbaldei-me com Clarimunda, não sem antes proibir-lhe de me encarar com a face, só com a bunda.
Clarabóia, aberta e devassa, babava gotas da chuva que caia lá fora.
Paulo Wainberg
Clarabela, Clarabóia e Clarimunda.
A primeira eu não conhecia, a segunda se abria no banheiro e a terceira era feia de cara e boa de bunda.
Clarabela, ao que consta, estudou filosofia na PUC, fez mestrado em Cambridge e doutorado em Harward.
Clarabóia tende a enferrujar.
Clarimunda, feia de cara, era mesmo boa de bunda.
Clarabela casou com um príncipe. Das Astúrias, dizem.
Clarabóia tende a se trincar.
Clarimunda, apesar da cara, era excelente de bunda.
Clarabela, depois de princesa, escreveu sua monografia.
Clarabóia, enferrujada e trincada, quando abria não fechava.
Clarimunda, que cara horrorosa e que ótima bunda.
Clarabela demonstrou por a mais b que Pitágoras tinha razão.
Clarabóia, enferrujada e trincada, quando fechava não abria.
Clarimunda maquiava a cara, mas brilhava pela bunda.
Clarabela e Clarimunda encontraram-se por acaso, ao lado de Clarabóia, uma na pia e outra no chuveiro.
Ao tentar abrir Clarabóia para aliviar o vapor, Clarimunda não conseguiu e pediu auxílio à Clarabela que, prontamente atendeu.
As duas juntas empurravam para cima o trinco de Clarabóia que, enferrujado, não se moveu.
- Por causa da ferrugem Clarabóia enguiçou – filosofou Clarabela.
- Fundiram-se os metais? – quis saber Clarimunda, esfregando a toalha na bunda.
- Como se foram idéias – respostou Clarabela, guardando na bolsa a Crítica da Razão Pura.
- Idéias são metais que se fundem? – perguntou Clarimunda, de costas para o espelho e admirando-se a bunda.
- E que se lançam ao éter – culminou Clarabela, pronta para sair.
Clarabóia, impávida, mais ainda enferrujava, graças à umidade e ao vapor. Quase nenhuma luz passava por seu vidro fosco, embaciado e trincado. Soberana, reinava serenamente sobre seu reino privado, justamente a privada pública do prédio municipal.
Clarabela respirou sobre o solitário, um brilhante diamante que ganhou de casamento. Um bafo halitoso para extirpar gotículas de vapor que empanavam o fulgor da jóia, à mão posta sob a luz.
- Nem sabe o que me aconteceu – disse Clarimunda, a boa de bunda.
- Nem quero saber – tornou Clarabela. – O sábio é aquele que nada sabe, ponderou.
- Derramaram sobre mim a panela de sopa de legumes, ali no refeitório. Melecaram-me de alto a baixo. Por isso tomava banho. Para me desmelecar. Melecada daquele jeito eu não ia agüentar.
Enquanto falava, Clarimunda passava batom nos lábios finos, pó-de-arroz nas faces secas, rimel nas diminutas pestanas e um lápis marrom nas sobrancelhas tortas.
A cara de Clarimunda era um conjunto disforme, peças erradas de um quebra-cabeças enfiadas à força umas nas outras. Porém, vou te contar, que bunda!
Clarabela quis mijar e, sem nenhuma cerimônia, levantou a saia, baixou as calcinhas e sentou na taboa suja da privada, com cara de nojo.
Clarabóia deu um estalo, comum nos inanimados: era o metal retraindo a dilatação anterior, causada pelo calor.
- Clarabóia desgraçada – porejou Clarabela esfregando o polegar machucado de tanto empurrar o trinco enferrujado.
- E eu, que quebrei a unha – lamentou Clarimunda, nua e de cara pintada, retirando com o mindinho um excesso de batom.
Nesse momento entrei eu na privada, quase me evacuando. Dei de cara com a cara de Clarimunda que disse “ai”, tapou-se com as mãos e virou de costas, mostrando, na íntegra, sua magnífica bunda.
Clarabela continuou mijando, filosóficamente.
- Que bafo – reclamei do vapor – por que não abrem a Clarabóia?
- Enferrujou – disse Clarimunda e, juro por Deus, ela falava pela bunda.
- Fundiram-se as idéias – disse Clarabela que era boa de cara, mas o corpo era uma laje.
- Bobagem – falei. Com meu grosso polegar e viril indicador tomei a Clarabóia pelo trinco e com másculo movimento deflorei-lhe a ferrugem, subindo-lhe o pino argola adentro. Com o punho fechado desferi-lhe um tranco pelas ancas e – voilà – abriu-se a Clarabóia como a vaca ao touro.
- Oh, festejou-me pela bunda a feia Clarimunda.
- O Übermensch! Assim Falou Zaratustra! Nietzsche tinha razão! Você é o super homem – esbaforiu-se Clarabela, levantando da privada e puxando para cima as calcinhas sobre pernas-palito brancas.
- Ô, Ô, Ô - sorri satisfeito. - As damas me dão licença? Eis que me cago.
- Eu fico!
- E eu também!
Clarabóia, definitivamente aberta, aerava, aliviada. As duas confabulavam de costas para mim, as retas de Clarabela e a bunda de Clarimunda.
Obrei-me a rodo, aliviando vísceras, cloacas e tubulações, coisa que sempre faço após um bom mocotó.
Depois, ali mesmo, aos beijos com Clarabela, esbaldei-me com Clarimunda, não sem antes proibir-lhe de me encarar com a face, só com a bunda.
Clarabóia, aberta e devassa, babava gotas da chuva que caia lá fora.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS
NÓS PAGAMOS PARA ELAS GOZAREM
João Eichbaum
Olhem só que maravilha essa comunicação feita pela ANAMAGES (Associação Nacional dos Magistrados Estaduais):
“O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios disciplinou a licença maternidade de seis meses para suas magistradas e servidoras.
A medida, de grande alcance social, como bem salientado de sua tramitação no Congresso trará, com toda certeza, benefícios à mãe magistrada e aos filhos.
A regulamentação se deu por ato administrativo por ter aquela corte entendido que a matéria não está adstrita a edição de norma legal local.
A magistratura estadual espera que o exemplo seja seguido pelos demais Tribunais.
Diretoria da Anamages”
“PORTARIA CONJUNTA N. 042, DE 02 DE OUTUBRO DE 2008.
Dispõe sobre a extensão do prazo da licença à gestante e à adotante.
O PRESIDENTE, O VICE-PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS E O CORREGEDOR DA JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, no uso de suas competências legais e tendo em vista o disposto no art. 7º, inciso XVIII, da Constituição Federal, arts. 207 e 210 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e arts. 1º, 2º e 4º da Lei 11.770, de 09 de setembro de 2008, resolvem:
Art. 1º A licença à gestante será concedida às magistradas e servidoras pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias.
Art. 2º Em caso de adoção ou guarda judicial, o prazo de afastamento será de 135 (cento e trinta e cinco) dias, em se tratando de criança com idade igual ou inferior a 01 (um) ano.
Parágrafo Único. O prazo prescrito neste artigo será reduzido para 45 (quarenta e cinco) dias, caso a criança tenha idade superior a 01 (um) ano.
Art. 3º A licença adotante somente será deferida após requerimento da interessada, acompanhado de documentação hábil a comprovar a existência dos pressupostos à concessão do direito.
Art. 4º A magistrada e a servidora, cuja licença à gestante ou adotante tenha duração expirada a partir do dia 10 de setembro de 2008, serão contempladas com a adição do saldo remanescente da aplicação dos ditames deste ato.
Art. 5º Durante o período de extensão da licença-maternidade de que trata a Lei n. 11.770/2008, a magistrada ou a servidora não poderá exercer qualquer atividade remunerada e a criança não poderá ser mantida em creche ou organização similar.
Parágrafo único. Em caso de descumprimento do disposto no caput deste artigo, a magistrada ou a servidora perderá o direito à prorrogação, fazendo jus apenas ao período previsto nos artigos 207 e 210 da Lei nº 8.112/90, devendo haver a devida compensação financeira, caso a licença já tenha adentrado no período de extensão.
Art. 6º Esta Portaria entra em vigor a partir de 10 de setembro do corrente ano, data da publicação da Lei nº 11.770/2008.
Desembargador NÍVIO GERALDO GONÇALVES.”
Observem o que diz o texto: “a medida, de grande alcance social, como bem salientado de sua tramitação no Congresso trará, com toda certeza, benefícios à mãe magistrada e aos filhos.”
“De grande alcance social...trará benefícios à mãe magistrada e aos filhos” . Esse é o “alcance social”: o benefício da magistrada e de seus filhos.
É preciso comentar alguma coisa?
Sim, só mais uma coisa, para quem não sabe: os magistrados e magistradas gozam de sessenta dias de férias por ano, para descansar das assinaturas que apõem nas sentenças e nos acórdãos elaborados por estagiários, assessores e secretários. Uma magistrada, que tenha parido ficará, portanto, nada menos do que oito, dos doze meses do ano, curtindo seu rebento às nossas custas, relaxando e gozando...
E quem precisar de justiça célere que se foda, porque é assim que se faz filho.
João Eichbaum
Olhem só que maravilha essa comunicação feita pela ANAMAGES (Associação Nacional dos Magistrados Estaduais):
“O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios disciplinou a licença maternidade de seis meses para suas magistradas e servidoras.
A medida, de grande alcance social, como bem salientado de sua tramitação no Congresso trará, com toda certeza, benefícios à mãe magistrada e aos filhos.
A regulamentação se deu por ato administrativo por ter aquela corte entendido que a matéria não está adstrita a edição de norma legal local.
A magistratura estadual espera que o exemplo seja seguido pelos demais Tribunais.
Diretoria da Anamages”
“PORTARIA CONJUNTA N. 042, DE 02 DE OUTUBRO DE 2008.
Dispõe sobre a extensão do prazo da licença à gestante e à adotante.
O PRESIDENTE, O VICE-PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS E O CORREGEDOR DA JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, no uso de suas competências legais e tendo em vista o disposto no art. 7º, inciso XVIII, da Constituição Federal, arts. 207 e 210 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e arts. 1º, 2º e 4º da Lei 11.770, de 09 de setembro de 2008, resolvem:
Art. 1º A licença à gestante será concedida às magistradas e servidoras pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias.
Art. 2º Em caso de adoção ou guarda judicial, o prazo de afastamento será de 135 (cento e trinta e cinco) dias, em se tratando de criança com idade igual ou inferior a 01 (um) ano.
Parágrafo Único. O prazo prescrito neste artigo será reduzido para 45 (quarenta e cinco) dias, caso a criança tenha idade superior a 01 (um) ano.
Art. 3º A licença adotante somente será deferida após requerimento da interessada, acompanhado de documentação hábil a comprovar a existência dos pressupostos à concessão do direito.
Art. 4º A magistrada e a servidora, cuja licença à gestante ou adotante tenha duração expirada a partir do dia 10 de setembro de 2008, serão contempladas com a adição do saldo remanescente da aplicação dos ditames deste ato.
Art. 5º Durante o período de extensão da licença-maternidade de que trata a Lei n. 11.770/2008, a magistrada ou a servidora não poderá exercer qualquer atividade remunerada e a criança não poderá ser mantida em creche ou organização similar.
Parágrafo único. Em caso de descumprimento do disposto no caput deste artigo, a magistrada ou a servidora perderá o direito à prorrogação, fazendo jus apenas ao período previsto nos artigos 207 e 210 da Lei nº 8.112/90, devendo haver a devida compensação financeira, caso a licença já tenha adentrado no período de extensão.
Art. 6º Esta Portaria entra em vigor a partir de 10 de setembro do corrente ano, data da publicação da Lei nº 11.770/2008.
Desembargador NÍVIO GERALDO GONÇALVES.”
Observem o que diz o texto: “a medida, de grande alcance social, como bem salientado de sua tramitação no Congresso trará, com toda certeza, benefícios à mãe magistrada e aos filhos.”
“De grande alcance social...trará benefícios à mãe magistrada e aos filhos” . Esse é o “alcance social”: o benefício da magistrada e de seus filhos.
É preciso comentar alguma coisa?
Sim, só mais uma coisa, para quem não sabe: os magistrados e magistradas gozam de sessenta dias de férias por ano, para descansar das assinaturas que apõem nas sentenças e nos acórdãos elaborados por estagiários, assessores e secretários. Uma magistrada, que tenha parido ficará, portanto, nada menos do que oito, dos doze meses do ano, curtindo seu rebento às nossas custas, relaxando e gozando...
E quem precisar de justiça célere que se foda, porque é assim que se faz filho.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
COLUNA DO PAULO WAINBERG
A BELEZA QUE PÕE MESA
Paulo Wainberg
Conheço centenas de pessoas, isto é fato. E é fato também que nenhuma delas, homens e mulheres, é vaidosa. Ao contrário, dizem que não se importam com aparência, que o que interessa é o conjunto da pessoa, que beleza não põe mesa e que a questão estética é secundária.
Por que, hein?
O que faz as pessoas se envergonharem da própria vaidade?
Parece que desejar ser bonito é vergonhoso, que a beleza pessoal tem de ser de somenos e que agradar pela aparência não vale.
Por que?
Por acaso alguém nunca se olhou no espelho e gostou do que viu? Não é que você mudou o penteado, treinou olhares e perfis, ajustou o timbre da voz, vestiu-se de forma provocante ou viril, pensou que uma pequena correção no nariz cairia bem, olhou o tamanho do muque no braço e outros tamanhos, disfarçou os lábios finos com um bigode e saiu por aí captando olhares apreciativos na sua direção?
Não é?
Hein?
Cabelos ou falta de cabelos não são um elevado momento, no seu dia a dia? Ah se você tivesse um topete, ah se você tivesse cabelo liso, ah se seu cabelo tivesse cachos! Carecas disfarçam-se raspando os cabelos das têmporas, crespos raspam-se porque carecas agradam, mulheres gastam o salário delas nos cabeleireiros, costureiros, em lojas e com berloques.
Entretanto, ao vivo, ninguém reconhece que se importa com isso, ser feio ou bonito não faz diferença, o ser humano é muito mais do que um rosto bonito.
Até parece.
Eu confesso minha vaidade. Quando eu era bonito adorava um espelho e passava um bom tempo arrumando o penteado, ensaiando poses. E vibrava com os olhares femininos admirando minha beleza.
“Que homem lindo” era coisa que eu adorava ouvir, quando passava, quando entrava e quando saia.
Quer coisa melhor do que ouvir um elogio estético?
As mulheres não adoram quando as chamam de lindas, gostosas, a nora que minha mãe sempre sonhou e outros elogios, desde que ditos com delicadeza e na hora apropriada?
Hoje não sou mais bonito, apenas elegante, charmoso e sensual, mas palavra de honra que sinto falta daqueles “que homem lindo!” que estava acostumado a ouvir.
Viste? Falei com toda a sinceridade e não doeu. Você pode fazer a mesmíssima coisa e acabar com esse teu tabu social.
A beleza física existe, é importante e merece ser mostrada e admirada. Tecnicamente falando, pouquíssimas pessoas são fisicamente feias, tomando-se a feiúra no sentido mais dramático da palavra. Eu, pessoalmente, não conheço ninguém feio, homem ou mulher. Há as mais bonitas, as deslumbrantes e tal, porque as pessoas que já vi tem sempre uma beleza a ser apreciada.
O que você não pode fazer é afrontar os outros com a sua beleza. O rosto bonito é aquele que se mostra de forma implícita, não é arrogantemente exibido como a grande verdade da vida que tudo sabe e a todos conquista. Você não pode ser um “convencido”, o chato que se acha o maioral por causa dos traços fisionômicos, do corpo musculoso ou das curavas esculturais. Se você tiver esses atributos, use-os a seu favor e não como um desafio, um repto ao restante da humanidade menos favorecida.
Mostre-se de forma adequada e aproveite a admiração alheia ou, como dizia minha avó, não se mostre, deixe que mostrem você.
Largue de mão idéias anacrônicas como: “homem não acha homem bonito” ou “mulher se enfeita para mulher” porque são frases mentirosas embutidas em preconceitos impregnadas de falsas modéstias.
Aqui entre nós dois – e que ninguém nos ouça – existe coisa mais brega do que a falsa modéstia? Além de desonesta, a falsa modéstia afronta a realidade, você nega o que a realidade mostra em nome de um... de uma... sei lá, em nome de alguma coisa qualquer que já se perdeu na famosa e sempre renovada poeira dos tempos.
Não se exiba, não ostente, não se vanglorie e você estará sendo modesto na medida certa.
Neste momento da minha vida em que o grande Poetinha está exercendo grande influência, ouso parafraseá-lo para afirmar que feias não existem e, por isso, a beleza é fundamental.
A propósito de uma brincadeira, um amigo mandou um e-mail dizendo que “doideira tem hora, tempo e espaço” para ser cometida.
Tenho que discordar porque aquilo que tem hora, tempo e espaço pode ser qualquer coisa, menos doideira. Doideira – ou a loucura saudável – é fazer algo inusitado, fora de prumo, criativa e além de hora, tempo e espaço, meu caro.
Não seja um falso modesto, você não precisa disto, admita suas loucuras, deixe de lado as condições, os imperativos e as normas. Ouse transgredir em benefício próprio sem prejudicar outrem, entendendo-se por “outrem” qualquer um que não seja você. É isso.
O que uma coisa tem a ver com a outra? Sinceramente? Não sei.
Modestamente.
Paulo Wainberg
Conheço centenas de pessoas, isto é fato. E é fato também que nenhuma delas, homens e mulheres, é vaidosa. Ao contrário, dizem que não se importam com aparência, que o que interessa é o conjunto da pessoa, que beleza não põe mesa e que a questão estética é secundária.
Por que, hein?
O que faz as pessoas se envergonharem da própria vaidade?
Parece que desejar ser bonito é vergonhoso, que a beleza pessoal tem de ser de somenos e que agradar pela aparência não vale.
Por que?
Por acaso alguém nunca se olhou no espelho e gostou do que viu? Não é que você mudou o penteado, treinou olhares e perfis, ajustou o timbre da voz, vestiu-se de forma provocante ou viril, pensou que uma pequena correção no nariz cairia bem, olhou o tamanho do muque no braço e outros tamanhos, disfarçou os lábios finos com um bigode e saiu por aí captando olhares apreciativos na sua direção?
Não é?
Hein?
Cabelos ou falta de cabelos não são um elevado momento, no seu dia a dia? Ah se você tivesse um topete, ah se você tivesse cabelo liso, ah se seu cabelo tivesse cachos! Carecas disfarçam-se raspando os cabelos das têmporas, crespos raspam-se porque carecas agradam, mulheres gastam o salário delas nos cabeleireiros, costureiros, em lojas e com berloques.
Entretanto, ao vivo, ninguém reconhece que se importa com isso, ser feio ou bonito não faz diferença, o ser humano é muito mais do que um rosto bonito.
Até parece.
Eu confesso minha vaidade. Quando eu era bonito adorava um espelho e passava um bom tempo arrumando o penteado, ensaiando poses. E vibrava com os olhares femininos admirando minha beleza.
“Que homem lindo” era coisa que eu adorava ouvir, quando passava, quando entrava e quando saia.
Quer coisa melhor do que ouvir um elogio estético?
As mulheres não adoram quando as chamam de lindas, gostosas, a nora que minha mãe sempre sonhou e outros elogios, desde que ditos com delicadeza e na hora apropriada?
Hoje não sou mais bonito, apenas elegante, charmoso e sensual, mas palavra de honra que sinto falta daqueles “que homem lindo!” que estava acostumado a ouvir.
Viste? Falei com toda a sinceridade e não doeu. Você pode fazer a mesmíssima coisa e acabar com esse teu tabu social.
A beleza física existe, é importante e merece ser mostrada e admirada. Tecnicamente falando, pouquíssimas pessoas são fisicamente feias, tomando-se a feiúra no sentido mais dramático da palavra. Eu, pessoalmente, não conheço ninguém feio, homem ou mulher. Há as mais bonitas, as deslumbrantes e tal, porque as pessoas que já vi tem sempre uma beleza a ser apreciada.
O que você não pode fazer é afrontar os outros com a sua beleza. O rosto bonito é aquele que se mostra de forma implícita, não é arrogantemente exibido como a grande verdade da vida que tudo sabe e a todos conquista. Você não pode ser um “convencido”, o chato que se acha o maioral por causa dos traços fisionômicos, do corpo musculoso ou das curavas esculturais. Se você tiver esses atributos, use-os a seu favor e não como um desafio, um repto ao restante da humanidade menos favorecida.
Mostre-se de forma adequada e aproveite a admiração alheia ou, como dizia minha avó, não se mostre, deixe que mostrem você.
Largue de mão idéias anacrônicas como: “homem não acha homem bonito” ou “mulher se enfeita para mulher” porque são frases mentirosas embutidas em preconceitos impregnadas de falsas modéstias.
Aqui entre nós dois – e que ninguém nos ouça – existe coisa mais brega do que a falsa modéstia? Além de desonesta, a falsa modéstia afronta a realidade, você nega o que a realidade mostra em nome de um... de uma... sei lá, em nome de alguma coisa qualquer que já se perdeu na famosa e sempre renovada poeira dos tempos.
Não se exiba, não ostente, não se vanglorie e você estará sendo modesto na medida certa.
Neste momento da minha vida em que o grande Poetinha está exercendo grande influência, ouso parafraseá-lo para afirmar que feias não existem e, por isso, a beleza é fundamental.
A propósito de uma brincadeira, um amigo mandou um e-mail dizendo que “doideira tem hora, tempo e espaço” para ser cometida.
Tenho que discordar porque aquilo que tem hora, tempo e espaço pode ser qualquer coisa, menos doideira. Doideira – ou a loucura saudável – é fazer algo inusitado, fora de prumo, criativa e além de hora, tempo e espaço, meu caro.
Não seja um falso modesto, você não precisa disto, admita suas loucuras, deixe de lado as condições, os imperativos e as normas. Ouse transgredir em benefício próprio sem prejudicar outrem, entendendo-se por “outrem” qualquer um que não seja você. É isso.
O que uma coisa tem a ver com a outra? Sinceramente? Não sei.
Modestamente.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
VARIAÇÕES EM TORNO DO TEMA FIADASPUTAS
ANISTIA PARA JOÃO GOULART
João Eichbaum
Você já tinha ouvido coisa semelhante? Anistia para defunto. Desde quando defunto necessita de “anistia”? Para que lhe irá servir uma “anistia”?
Pois o defunto João Goulart foi “anistiado”, segundo notícias de jornal.
Segundo os jornais, “a decisão foi tomada em julgamento da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça”, cujo presidente, um tal de Paulo Abrão, informa que a “anistia a Jango representa um pedido de desculpa do Estado”.
Toda essa farsa só tem uma finalidade: usar o nosso dinheiro para pagar uma pensão mensal no valor de CR$ 5.400,00 para a pobre viúva do João Goulart, a muitíssimo conhecida Maria Teresa Goulart, que já teve seus tempos de glória! Esse valor, segundo o jornal “corresponde ao salário de um advogado sênior”. E acrescenta o jornal: “Goulart era bacharel em Direito”.
Pera aí! Vamos por partes. Bacharel em direito é uma coisa. Advogado é outra. Sei que o João Goulart era bacharel em direito porque vi com meus próprios olhos, durante os cinco anos que freqüentei a Faculdade de Direito da Urgs, sua fotografia no quadro de formatura da turma de 1936. Mas daí a ser ele “advogado”, ah isso nunca foi!
João Goulart, ao que se saiba, nunca trabalhou na vida, nem como advogado, nem como qualquer outra coisa. Ele sempre foi político, criado à sombra de outro que só conheceu o batente por pouco tempo, como promotor público, nomeado de favor, sem prestar concurso, o Getúlio Vargas, o qual depois se atirou no “dolce far niente” da politicagem pelo resto da vida. Ambos, João Goulart e Getúlio eram filhos de fazendeiros, herdeiros de bens de raiz. Bens esses de que participou o cunhado Brizola, que, bem casado, também não precisou trabalhar, como nós, simples mortais.
Agora você, meu caro, que a única coisa que conheceu na vida foi o batente, e contribuiu rigorosamente para a Previdência Social, você é tratado a salário mínimo por essa mesma Previdência Social, que nunca recebeu um puto vintém do João Goulart.
Ah, e a pobre viuvinha, que hoje já não tá com nada, também foi “anistiada” com uma indenização no valor de 480 salários mínimos. Alguém aí da platéia pode me informar o que é que ela fez para ser “anistiada”? Quem tinha que anistiá-la era o próprio e manso João Goulart e não o Estado.
Só um detalhe: à testa desse “Ministério da Justiça” está um senhor chamado Tarso Genro, que também esteve no “exílio” e era companheiro político do João Goulart.
Eles chegaram ao poder, gente, e agora não nos dão segurança, saúde, educação, porque falta dinheiro. Só não falta dinheiro para a companheirada. Ah, sim, e para anistiar defuntos...
João Eichbaum
Você já tinha ouvido coisa semelhante? Anistia para defunto. Desde quando defunto necessita de “anistia”? Para que lhe irá servir uma “anistia”?
Pois o defunto João Goulart foi “anistiado”, segundo notícias de jornal.
Segundo os jornais, “a decisão foi tomada em julgamento da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça”, cujo presidente, um tal de Paulo Abrão, informa que a “anistia a Jango representa um pedido de desculpa do Estado”.
Toda essa farsa só tem uma finalidade: usar o nosso dinheiro para pagar uma pensão mensal no valor de CR$ 5.400,00 para a pobre viúva do João Goulart, a muitíssimo conhecida Maria Teresa Goulart, que já teve seus tempos de glória! Esse valor, segundo o jornal “corresponde ao salário de um advogado sênior”. E acrescenta o jornal: “Goulart era bacharel em Direito”.
Pera aí! Vamos por partes. Bacharel em direito é uma coisa. Advogado é outra. Sei que o João Goulart era bacharel em direito porque vi com meus próprios olhos, durante os cinco anos que freqüentei a Faculdade de Direito da Urgs, sua fotografia no quadro de formatura da turma de 1936. Mas daí a ser ele “advogado”, ah isso nunca foi!
João Goulart, ao que se saiba, nunca trabalhou na vida, nem como advogado, nem como qualquer outra coisa. Ele sempre foi político, criado à sombra de outro que só conheceu o batente por pouco tempo, como promotor público, nomeado de favor, sem prestar concurso, o Getúlio Vargas, o qual depois se atirou no “dolce far niente” da politicagem pelo resto da vida. Ambos, João Goulart e Getúlio eram filhos de fazendeiros, herdeiros de bens de raiz. Bens esses de que participou o cunhado Brizola, que, bem casado, também não precisou trabalhar, como nós, simples mortais.
Agora você, meu caro, que a única coisa que conheceu na vida foi o batente, e contribuiu rigorosamente para a Previdência Social, você é tratado a salário mínimo por essa mesma Previdência Social, que nunca recebeu um puto vintém do João Goulart.
Ah, e a pobre viuvinha, que hoje já não tá com nada, também foi “anistiada” com uma indenização no valor de 480 salários mínimos. Alguém aí da platéia pode me informar o que é que ela fez para ser “anistiada”? Quem tinha que anistiá-la era o próprio e manso João Goulart e não o Estado.
Só um detalhe: à testa desse “Ministério da Justiça” está um senhor chamado Tarso Genro, que também esteve no “exílio” e era companheiro político do João Goulart.
Eles chegaram ao poder, gente, e agora não nos dão segurança, saúde, educação, porque falta dinheiro. Só não falta dinheiro para a companheirada. Ah, sim, e para anistiar defuntos...
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