quarta-feira, 9 de janeiro de 2013


POR QUE NÃO O DIA DO MENSALEIRO?


Janer Cristaldo


Pelo jeito, teremos em breve mais uma data nacional a ser celebrada, o dia do Encarcerado, o 25 de junho. Por que assassinos, estupradores, ladrões, pedófilos, traficantes e símiles não teriam direito a uma celebração? Afinal, são seres humanos. O projeto foi apresentado em 2009, como fruto da CPI do Sistema Carcerário, e retomado em 2011, por iniciativa do deputado petista Domingos Dutra. Prevê até mesmo creme hidratante, condicionador de cabelo, chuveiro quente e biblioteca. 

Pelo generoso projeto, os presídios com 400 detentos são obrigados a contar com ao menos cinco médicos. Isto é, 1,25 médico por cem pessoas. Se considerarmos que, no Brasil, essa média é próxima a 0,2 médico por cem habitantes, se você quer ter garantia de boa assistência médica, trate de matar alguém e escolha um presídio minimamente confortável. 

Mais ainda: o projeto determina a prisão de diretores de presídios que permitirem a alocação de mais detentos do que a capacidade máxima da unidade. Se hoje o déficit carcerário do país é de pelo menos 240.000 vagas, em breve todos os juízes estarão atrás das grades.

Os benefícios não terminam aqui. O projeto também assegura os direitos políticos a presos sem condenação transitada em julgado. Ou seja, se você foi preso em flagrante ao matar sua mulher, mas sua condenação ainda comporta recursos, você pode muito bem se candidatar a legislador.

Aliás, já aconteceu. José Genoíno, condenado no julgamento do mensalão a seis anos e onze meses por corrupção ativa e formação de quadrilha, acaba de assumir uma vaga de suplente como deputado. Para um petista de fibra, condenações são circunstâncias da vida, que só aos fracos abatem, e aos fortes e aos bravos, só podem exaltar. Genoíno afirma ter a consciência serena dos inocentes. “Mais cedo ou mais tarde a verdade aparecerá". Isto é admirável nos petistas. Desconheço petista que não tenha a consciência serena dos inocentes. Enquanto isso, o corruptor e quadrilheiro vai legislando – com a consciência serena dos legisladores? – até que os recursos se esgotem. Se é que se esgotarão.

Até bem pouco, os petistas viam a corrupção como o mais hediondo dos crimes. Se um assassino matava alguém, havia matado apenas um. Já o corrupto, ao roubar dinheiro público, estava indiretamente ceifando vidas em hospitais, roubando ensino dos pobres, matando de fome os miseráveis. De repente, não mais que de repente, o crime de corrupção se tornou palatável. Como mandar para a prisão um homem que não matou ninguém? Ainda mais quando os condenados do mensalão são quase todos candidatos a heróis, para o culto das gerações futuras. 

Afinal, não foram aqueles bravos combatentes que pegaram em armas contra a ditadura?

De tanto bater na idéia de que todo criminoso não é culpado, mas vítima de circunstâncias sociais, as esquerdas conseguiram absolver – fora dos tribunais – todo crime, por hediondo que fosse. Matou a mãe? Ah, isso é devido às condições sociais em que nasceu, aos traumas de infância. Roubou? Isso é decorrência lógica de uma sociedade que não atende ao menor dos direitos humanos. Todo criminoso passou a ser vítima. Menos o Maluf, é claro, que havia nascido em família rica. Isto é, menos o Maluf é coisa do passado. Depois que Maluf trocou abraços com Lula e apoiou o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, nenhum petista cobra mais a punição de Maluf por suas falcatruas.

Se todo criminoso é inocente, toda encarceração é injusta. Urge homenagear estas vítimas do sistema capitalista. Dia do carcereiro, este mal remunerado cidadão que tem como ofício vigiar os criminosos, este dia jamais vai existir.

Dia da vítima, muito menos. A vítima que se lixe. Escreve o promotor André Luís Alves de Melo, no Consultor Jurídico: “Estudos indicam que uma vítima de crime violento leva, no mínimo, oito anos para se recuperar do trauma. Ou seja, é uma “pena” bem maior que a do criminoso. Isto sem falar se a vítima foi assassinada, pois é uma “pena” perpétua e os familiares da vítima nada recebem se este não era inscrito no INSS. Ao contrário disso, a Constituição prevê auxílio reclusão para a família do criminoso, se inscrito no INSS. A rigor, o criminoso tem previsão constitucional, mas a vítima de crime não está prevista na Constituição”.

Os petistas têm uma extrema cautela ao falar de crimes, particularmente se são políticos. Para Tarso Genro , por exemplo, crimes do stalinismo é expressão que não existe. Diga-se desvios do stalinismo, embora tais desvios tenham custado apenas 20 milhões de cadáveres. No Planalto, o eufemismo é outro: malfeitos. Petistas não cometem crimes. Cometem malfeitos. Mas tampouco ousam pronunciar a palavrinha derivada: malfeitor. Até a palavra mensalão foi abolida do vocabulário do PT. Petista da gema não pronuncia mensalão. Prefere Ação Penal 470.

Há milhares de ingênuos protestando na imprensa e nas redes sociais contra a investidura de José Genoíno como deputado. A meu ver, deveríamos celebrá-la. Demonstra a desmoralização definitiva do Congresso. Quando legisladores aceitam como pares criminosos condenados, é porque são cúmplices. Curioso país este nosso, em que é permissível aos transgressores da lei elaborar leis. 

Quanto ao dia do Encarcerado, a proposta me parece padecer de timidez. Crie-se logo o Dia do Mensaleiro, para celebrar estes denodados mártires que ainda há pouco lutavam para transformar o país em uma grande Cuba.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013


ATÉ DORMINDO SE GANHA DINHEIRO

João Eichbaum

Sabe o tipo que chacoalha a vaca para ter “milk shake”?  A Justiça é assim.
Com a permissão da Secretaria de Educação e outro tanto do comando da Polícia Militar, um brioso soldado dessa não menos briosa milícia - hoje mais mista do que varonil - foi morar no prédio de uma escola.
Todos nós temos o direito de pensar que não foi por causa dos belos olhos do soldado, nem por causa do seu peitão cheio de pêlos, nem por sua silhueta de deus grego e muito menos por causa de seu desempenho sexual que lhe foi conferido tão particular privilégio. Alguma coisa útil em favor da escola ele devia fazer.
Sim, sim, é exatamente o que vocês estão pensando: ele devia vigiar a escola ou, pelo menos, levar para dentro dela toda a moral de que se orgulha a corporação a que ele pertence, para afugentar malfeitores.
Mas, eis senão quando, certa noite arrombaram a escola e levaram o que puderam.
Bola picando para um comentarista de noticiário de TV, que lascou: “e o PM não viu nada. Bota sono profundo nisso!”
Se vocês estão pensando que sobrou para o soldado e para a corporação militar, aqui, ó: nada disso. Sobrou para a empresa de telecomunicações.
Sim, senhores, o PM “sofreu ofensa na sua honra”, disse o juiz. E os desembargadores mandaram a empresa pagar danos morais, porque “os fatos noticiados não eram verídicos” (leia-se: não é verdade que o PM tem sono profundo, ou não é verdade que ele estivesse dormindo, pois poderia estar se divertindo  durante aquele recreio noturno que todo mundo gosta).
Então tá. Dizer que alguém tem “sono profundo” é ofensa à honra. Certamente porque o sono não é uma necessidade física, não é aquele poder ancestral que domina o homem, faz os vovôs cabecearem na frente da TV. O sono é um valor de conteúdo essencialmente moral, tem tudo a ver com a honra. E todas as pessoas têm a mesma e linear intensidade de sono.
A não ser sob tal prisma, nenhuma pessoa de média inteligência conseguiria vislumbrar ofensa nessa exclamação “bota sono pesado nisso”!
Segundo o PM, a partir da notícia, seus colegas passaram a chamá-lo de “dorminhoco”. Ora, o que é uma pessoa “dorminhoca”, senão alguém que dorme com facilidade?
Se chamar alguém de “dorminhoco” é ofensa, se isso causa danos, se isso é capaz de desestruturar emocionalmente alguém, quem deve responder é quem faz chacota,  empregando esse horrível adjetivo, demolidor da “honra”. E não quem dá a notícia, sem adjetivos.
Mas isso não é tudo. A sentença que incrementou a conta bancária do soldado  se esqueceu de que existe um artigo de lei que cimenta o direito à reparação de danos. É o artigo 186 do Código Civil, onde está claro que a reparação do dano depende de um pressuposto básico, a violação de um direito..
Qual teria sido o direito violado? O direito do PM ao sono? Mas, alguém lhe interrompeu o sono?
 O que tirou o sono do PM foi o comentário na TV, e não o furto. Desse a Justiça não se ocupou: deu mais valor ao “milk shake” do que à vaca.





segunda-feira, 7 de janeiro de 2013


O IPI E AS FESTAS DE FINAL DE ANO

João Eichbaum

 Com uma cara diferente da que Deus lhe deu, porque foi repuxada e ficou lisa demais para quem passou do tempo de ter pele igual àquela parte que mamãe tratava a Hipoglós, a Dilma Rousseff apareceu um monte de vezes nos noticiários de televisão no ano passado, anunciando, como um glorioso feito da pátria amada, a redução do IPI para os automóveis.
 Sua idéia, com isso, era engravidar a economia, quer dizer, dar-lhe fertilidade, com aptidão para parir bons frutos, sem o espermatozóide do IPI, ao contrário da economia da velha Europa, que dá sinais de que está muito pra lá da menopausa.
O resultado só veio a aparecer nos dois maiores feriadões do ano, aqueles que são regados a espumante - barato ou sofisticado - e lágrimas que, se não são de crocodilo, são de bêbado mesmo.
Falo, evidentemente, dos dois últimos feriadões do ano, os do Natal e Ano Novo.
Aí aconteceu o seguinte: os ricos, com os carrões importados, o alemão do papai, o francês da mamãe e o coreano do filho que passou no vestibular do ano passado, foram para a estrada, rumo ao mar azul de Santa Catarina. Os pobres, com seu “um ponto zero” original, sem ar condicionado, adquirido em setenta e duas prestações, se tocaram para o mar achocolatado de Tramandaí, levando a sogra, o cachorro, o papagaio, o nenê de colo e os dois mais crescidinhos, aproveitando o chalé mal conservado de um parente distante da já mencionada sogra.
O rico, tendo que cuidar da sua empresa ou de seu escritório, só poderia partir para as festas de fim de ano no final do expediente de sexta-feira. A esposa, que não precisa trabalhar, assim como os filhos, em fim de ano letivo, já tinham ido na quinta-feira.
O pobre, por um motivo diametralmente oposto ao do rico, era obrigado a bater ponto só no final do expediente de sexta-feira para, depois de se deixar espremer num ônibus lotado, chegar em casa e botar no carrinho sem IPI tudo o que tinha de levar consigo: do bujão de gás ao papel higiênico. Então, só lhe restava enfrentar a noite ou partir no sábado.
Na volta, tanto o pobre como o rico, teriam que iniciar a viagem de retorno na terça feira, dia 25, após a festa de Natal, e dia 1º, após a festa do final de ano.
Na ida, tudo bem. Havia a opção de viajar na sexta ou no sábado, quem sabe até domingo. Mas, na volta, não havia alternativas para quem tinha de estar no batente ou na sala da chefia no dia 2. Resultado: quilômetros e quilômetros de engarrafamento e emperramento.
Foi no que deu o IPI da Dilma. As estradas, sem espaço para tantos veículos, despejavam o povo nas lancherias e restaurantes abarrotados e nas quilométricas filas de xixi para senhoras, enquanto os machos corriam para os matos.
As vovós de vocês, meus queridos, fizeram muito mais metros de tricô, do que a Dilma Rousseff e o Tarso Genro de estrada. Nos seus oito anos, com o “PAC” da Dilma, o Lula construiu parte da BR 101. Na outra, a cada dois minutos o mundo pára quinze.
É nessas estradas obsoletas, abarrotadas de veículos, que as sogras, suando às bicas, têm de agüentar horas e horas  aquele cachorrão no meio das pernas e ouvindo os palavrões expelidos pelo genro e repetidos pelo papagaio. Sem contar a bexiga cheia e o nenê borrado, berrando. Sorte que os puns são entregues ao vento, pelas janelas abertas. Tudo por falta de IPI.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


Mentira$ & Negociata$ da holding petralha


 Jorge Serrão

O discurso revolucionário da dita esquerda pratica a verdade mentirosa ou a mentira verdadeira? A resposta tanto faz, quando o objetivo maior do papo mistificador é conquistar, consolidar ou ampliar o poder. O político se transforma em um mitomaníaco que acredita na veracidade daquilo que sua boca proclama. Seus seguidores, fanatizados pelas palavras, reproduzem o que foi dito. A máquina de marketagem e propaganda difunde e amplia o alcance da mitomania.

Primeiro caso para reflexão: a conversinha fiada do vice-presidente Venezuelano Nicolas Maduro que nada esclarece sobre o real estado de saúde de Hugo Chávez – que até outro dia estava curado do câncer pela “revolucionária medicina cubana” - na qual nem a Velhinha de Taubaté e muito menos José Dirceu devem acreditar tão piamente. Os dirigentes bolivarianos nada revelam de concreto em seus discursos públicos. Apenas usam a velha retórica de mistificações acerca de uma “mídia direitista” para iludir os cidadãos e para criar um clima de milagre para favorecer o regime chavista – bem na hora de morte.

Segundo caso, bem conhecido de todos: o discurso dos principais condenados no processo do Mensalão. Todos posam de “injustiçados”, “perseguidos políticos” e “vítimas de um esquema direitista-golpista dentro do judiciário”. Longe de cumprirem efetivamente as penas, eles abusam da arte ideopática de proclamar e propagar mentiras que se tornam politicamente verdadeiras. Vide o exemplo do futuro deputado José Genoíno que não terá o menor pudor de assumir a suplência da legenda da Perda Total na Câmara Federal. Pelo menos, com o empregão, poderá juntar uma graninha para pagar as multas do mensalão sem precisar tomar grana dos seguidores petistas. A ética parlamentar – se é que existe no Brasil – que se dane...

Terceiro caso, fresquinho, para análise de um psiquiatra forense, de preferência: a polícia revela que a vereadora Ana Maria Branco de Hollaben forjou seu próprio sequestro, logo depois de aparecer toda faceira na posse da Câmara Municipal de Ponta Grossa, no Paraná. Adivinhem o partido ao qual é filiada e militante a ilustre política, que ontem ganhou seus 15 segundos de fama no noticiário nacional por causa do desaparecimento de mentira? (en)Hollaben é do Partido dos Trabalhadores. Claro, isto é apenas uma mera coincidência... A moça foi indiciada por falsa comunicação de sequestro – mentirinha por ela empregada apenas para protelar a votação que escolheria o presidente da casa legislativa que vai empregá-la por quatro anos...

Mais umas mentirinhas, além dos discursos e promessas dos 5.550 prefeitos que tomaram posse em 1o de janeiro? Basta torturar seus ouvidos, olhos e cérebros com a discurseira oficial sobre a economia brasileira. O ano de 2013 – que termina com a numeração azarenta do PT – só trará sorte para os especuladores de sempre ou para aqueles que mamam muito forte nas tetas das negociatas de nosso Estado Capimunista. Os demais mortais devem se preparar para segurar a onda de uma crise econômica. A inflaçãozinha é um escorpião em nosso bolso. A maioria das famílias brasileiras já se contorce em dívidas. O governo continua desperdiçando dinheiro – e cobrando impostos elevadíssimos – para pouco ou nada fazer.

A perspetiva é boa para a mais próspera empresa do Brasil – que deveria ser registrada na junta comercial como PT Comércio & Participações Sociedade Anônima. Mas tal pessoa jurídica se esconde atrás da pessoa política para produzir grandes lucros para as pessoas físicas que comandam sua soviética cúpula.

Esta holding virtual, que é parceira do governo do crime organizado, recebe muito dinheiro de todas as grandes empresas nacionais e transnacionais que dependem do Estado capimunista tupiniquim. Como uma seita religiosa, também recolhe muita grana no dízimo (20%) sobre os vencimentos que a máquina pública paga aos militantes. Eis um dos motivos porque a “empresa” dá emprego para tanta gente que nem precisa trabalhar, só bater o ponto de vez em quando, no serviço público.

A PTSA ainda terá uma grande fase de prosperidade – principalmente porque vai administrar a cidade mais rica do País (pelo menos) nos próximos quatro anos. Além disso, a gastadeira máquina federal continua a pleno vapor. Mesmo que não funcione direito, está muito bem aparelhada pelos petistas, petralhas e demais parceiros de negócios políticos, naquele estilo “tu somos nós, e vice-versa”.

Se houver problemas na condução do Titanic, basta trocar algumas peças. É o que fará a grande timoneira Dilma Rousseff, logo depois do carnaval que acaba nunca no Brasil. Guido Mantega deve ser o mais ilustre desempregado do Ministério da Fazenda e do Conselho de Administração da Petrobrás. A pressão contra o grande gerente dos maiores negócios petistas é muito alta. As apostas indicam que Aloisio Mercadante Oliva é quem vai azeitar a máquina quando Mantega for da Fazenda para a roça.

Agora, o PT se diz vítima de uma campanha de desmoralização. A turma da Perda Total compara o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Getúlio Vargas e João Goulart. Por isso, a cúpula resolve convocar o quinto congresso nacional da legenda. Segundo a Folha de S. Paulo, o texto de convocação ataca a mídia e "grupos incrustados em setores do aparelho de Estado" como substitutos dos partidos da oposição em uma suposta tentativa de desqualificar o PT. Super legal, né? Os caras nem falam do Mensalão, Rosegate e outros escândalos menos votados.

Enfim, entre verdades mentirosas e mentiras verdadeiras, com muita grana no meio, tudo parece estar na mesma... Assim começa e vai acabar o ano... Minhas férias de mentirinha já estão acabando também...

Fonte Alerta Total (WWW.alertatotal.net) de 3 de janeiro

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013


A SUPREMACIA DO CRIME

João Eichbaum

Recapitulando: oito bandidos fizeram trinta pessoas reféns, roubaram-nas, explodiram uma fábrica de jóias e se defrontaram com a Polícia Militar, quando fugiam com o produto do crime. Três deles foram abatidos. Os outros se embrenharam no mato e fizeram mais nove reféns. Depois de vinte horas, os reféns foram libertados, enquanto os criminosos retomavam o caminho da fuga.
A polícia, com um aparato de guerra, fez um cerco aos bandidos. Cerca de cem homens, fortemente armados e acompanhados de cães farejadores se plantaram na área em que se presumia estarem os cinco facínoras, com o objetivo de lhes impedirem a fuga. Os comandantes, com táticas decoradas nos bancos da academia de polícia, apostavam na fome, no sono e no cansaço dos assaltantes.
Nem os cem homens, nem seus cães farejadores, nem a tática do comando conseguiram dominar os bandidos. Eles atacaram mais uma família de colonos, entraram na casa, comeram, beberam e deixaram cinqüenta reais como pagamento pela refeição. Enquanto isso os policiais militares enfrentavam os mosquitos, o cansaço, o sono, a incerteza pelo que pudesse acontecer.
Mantendo um refém, os bandidos seguiram sua fuga, utilizando dois veículos roubados, até serem resgatados por comparsas, que os levaram na direção de Porto Alegre.
De que adiantou o armamento da polícia, de que adiantaram os cães farejadores, de que adiantou aquele bando de homens armados, que teriam feito um “cerco” e acabaram ficando com cara de bobos, ao saberem que cinco bandidos teriam escapado?
Humilhação, pela vitória do crime contra a lei?
Não. Nada de humilhação. Deu a lógica. Homem por homem, cada bandido vale por vinte ou trinta policiais.
 Nenhum bandido aceitaria enfrentar perigos pelo mísero salário de um policial militar. Motivados exatamente pelo objetivo de sua ação delituosa, que era ganhar muito dinheiro, os bandidos tinham entusiasmo, garra, denodo, punham todas suas forças no alcance daquele objetivo.
Os policiais? O que ganhariam eles, além do mísero salário de mil e poucos reais, se pusessem as mãos nos bandidos,? Nem mesmo manchetes. As glórias seriam creditadas aos chefes, aos comandantes, ao Secretário da Segurança, que é secretário não por suas qualidades, mas por afinar com a ideologia do Tarso Genro. E este, então, chamaria para si todos os louros.
Vitória do crime, sim. Vitória da força de vontade contra o tédio. E uma vitória fácil, galinha morta, graças à incompetência do Estado.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013


DA ARTE DE SE APROVEITAR DO POVO

João Eichbaum

Foi um espetáculo cinematográfico, digno dos melhores produtores, daqueles que enriquecem a sétima arte.
Véspera de ano novo, feriadão, considerável parcela da população deixando os centros urbanos e migrando para o litoral.
 Dominado pelo mito, pelos costumes, pela emotividade, o povo esquece as dificuldades do dia-a-dia e se envolve totalmente com o clima da festa.
Os profissionais do crime sabem disso. Conhecem esse envolvimento emocional. Conhecem o clima de Natal e Ano Novo. Sabem que os administradores da segurança tiram policiais das ruas, para que eles possam fazer boca a boca com mocinhas que desmaiam no mar.
 E tanto sabem que dominaram facilmente cerca de trinta pessoas que curtiam a vida, descansadamente, num boliche próximo à fábrica de jóias de Cotiporã. E deram uma lição de planejamento, de profissionalismo, de como não esquecer detalhes, na construção de um objetivo. Obrigaram os marmanjos a se desnudarem da barriga para cima, (a fim de evitar a surpresa de alguma arma escondida). Em cima dessa, veio outra ordem: todos, homens e mulheres, deveriam ficar descalços  (para dificultar possíveis fugas).
Depois de fazerem uma “coleta” de dinheiro e pertences pessoais valiosos das vítimas, obrigaram-nas a formar um escudo humano, enquanto eles explodiam portas, paredes e cofres da fábrica. Com sacolas recheadas de ouro, prata e jóias valiosas, encetaram a fuga, levando consigo alguns reféns.
Quis o destino que, numa curva da estrada, se encontrassem os bandidos, em fuga, com uma viatura da Polícia Militar. O tiroteio foi inevitável. Por pura sorte, os reféns não foram atingidos. Mas, Elisandro Falcão, tido como líder do grupo, e dois de seus companheiros foram abatidos. Mesmo protegido por dois coletes à prova de balas, Elisandro morreu como havia planejado: sem se entregar.
Os bandidos que conseguiram fugir se embrenharam mato a dentro e, mais adiante, fizeram novos reféns: uma família composta de nove pessoas, apanhada de surpresa em pleno sono, não teve como reagir. Depois de manterem essas pessoas sob seu domínio durante vinte horas, deitadas, com o rosto colado no chão, os malfeitores desapareceram.
Do episódio, resta uma triste, mas inevitável constatação: manipulado, o povo elege maus governantes, que não têm competência para fazer frente ao crime. Mais inteligentes, os criminosos dominam, porque sabem se organizar, planejar, escolhendo as vítimas, o dia, a hora, o local e o modo de agir. Enquanto eles fazem do insano a sua atividade, os governantes fazem da política uma atividade insana.
Olhem o que fez o Tarso Genro. Não sabendo equacionar o problema da segurança, procurou saída na demagogia.
E lá foi ele abraçar as vítimas de Cotiporã. Certamente essas pessoas, seduzidas pela “honra” da visita do governador, irão esquecer as vinte horas de maceração dos mosquitos, do calor do dia e  do frio da noite, da fome, da sede e do incômodo decúbito ventral, para votar nele outra vez.
Coisa de povo manipulado, ovelhas dependentes de madrinha. O Tarso sabe disso.



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012


E A VIDA CONTINUA

João Eichbaum

A mitologia cristã e outras religiões atribuem a uma divindade a criação do mundo e dos animais que nele habitam, entre os quais se salienta essa criaturinha difícil chamada ser humano.
O trabalho, assim impropriamente dito, porque outra coisa não seria senão puro e simples monólogo dessa deidade, sem queima de uma só caloria, (“faça-se, isso, faça-se aquilo”) teria sido concluido em seis dias. A despeito da ausência de qualquer esforço físico, o ente divino sentiu necessidade de descansar no sétimo dia.
Mas, isso é tema de Direito do Trabalho. O que eu quero mesmo é falar sobre o mundo que os homens criaram, em cima daquele mundo que, segundo os mitos religiosos, lhes teria sido entregue pela divindade.
Alçado à condição de obra prima dessa criação, o ser humano evoluiu. Da ignorância total - antes que a “serpente” lhe despertasse a curiosidade para o conhecimento – ele foi aprimorando a própria inteligência, até atingir um domínio magistral da ciência, que só o não protege, por enquanto, contra os maus humores da natureza. Ele chegou a um ponto a que divindade nenhuma chegou. Nem mesmo a cristã conseguiu tal proeza, apesar do preço de sangue, pago por um de seus rebentos.
O homem domina as próprias relações entre os da sua espécie.
Explico. A divindade criadora, irada, vingativa por ter perdido para a lábia da serpente, expulsou o homem do paraíso, entregou-o ao deus-dará: te vira, te multiplica, vai ganhar o pão com o suor do teu rosto, acabou a moleza.
Foi assim, no início. Perdido, sem rumo, entregue às feras, deserdado pelo “pai” que o criou, o homem comeu o pão que o diabo, ops, a serpente amassou. Mas a dor o ensinou a gemer. Com esforços próprios, ele se livrou do jugo da escravidão e da dependência da divindade: evoluiu.
Hoje, só se “multiplica” quem quer. Só “sua” quem não conhece informática, e para ter moleza basta ser político. Quer dizer, dominando a informática, o homem, hoje, domina o mundo, e o mundo outra coisa não representa, senão as relações humanas  que permitem a vida.
Hoje, gênios em informática – leia-se “hackers” – têm esse mundo em suas mãos. Eles podem instaurar o caos em toda a face da terra, se o quiserem, fazendo algo que nem o dilúvio da literatura bíblica conseguiu. Com a interrupção das informações, podem deixar o mundo sem energia, sem água, sem gás, sem a tecnologia da saúde, além de provocarem quedas e colisões de aviões, naufrágios de transatlânticos, choques de trens.
Dependendo de sua inteligência, o homem pode destruir o mundo, antes que o faça qualquer divindade.
Felizmente, os “hackers” não cogitaram disso no dia 21 de dezembro, os maias se desmoralizaram e o mundo continuou habitado pelo bicho homem.