segunda-feira, 3 de abril de 2017

PLANETACHO

MEIRELLES & JACK
A diferença entre Meirelles e Jack o Estripador é que o segundo jamais anunciou os seus cortes.
CHURRASCO
A multa para a fraude da carne subiu para 500 mil reais. A anterior era de 15 mil reais que, convenhamos, com os preços proibitivos do produto estava mais barato que um churrasco de costela.
TRAMPO
O Trump empregou a filha. Nenhuma novidade. O trampo da filha do Trump é a prova de que o nepotismo é uma característica dos tramposos.
PRIVATIZAÇÃO
Se os correios vão ser privatizados, nem A., nem B sabem dizer, mas o K-sabe.
IPTU DO DORIA
Doria contribuinte resolveu dar uma força para o Doria prefeito e pagou seu ITU que estava atrasado. Noventa mil reais a mais nos cofres da prefeitura de Sampa.
BANGU /LEBLON
Adriana Ancelmo (mulher do ex-governador Cabral) saiu de Bangu voltou para o Leblon. Isso é que se pode chamar de uma prisão “domiciliar doce prisão domiciliar”
BUSTO
Fizeram um busto do Cristiano Ronaldo na Ilha de Madeira que gerou muita polêmica esta semana nas redes sociais. O craque português ficou mais feio que sapato de padre....
ESTÁTUAS
Aqui pelo Rio Grande do Sul as estátuas de Fernandão e Brizola também geram discussão. O gaúcho que costuma usar a expressão “feio no retrato” para os vivos pode adotar agora o “feio na estátua” para os que foram para o andar de cima.
IMAGINE
Aliás, se a estátua do Fernandão é assim, imagine como seria uma do Guiñazu...
SERÁ
As novas regras de inspeção da carne será que não passam de conversa para boi dormir?



sexta-feira, 31 de março de 2017

SOUS LE CIEL DE PARIS

João Eichbaum

Com uma canetada, ops, com uma “assinatura digital”, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, diretamente de Paris, comovida pelo argumento de que se tratava da mãe de um menino de 11anos, mandou tirar da cadeia a Adriana Ancelmo.

Sim, a ministra estava sob o céu de Paris, em “missão de cooperação internacional”, segundo a assessoria do STJ. E de lá despachou “habeas corpus”, mandando a Adriana para casa. Pode? Claro, tudo a ver. Na capital mais chique do mundo, como é que uma mulher rica, chique, bonita e com todos os dentes, não iria conseguir “habeas corpus”?

 Dona Maria Thereza, ao que parece, não tinha a Constituição na mão, para ler o art. 105, inc. I, letra “c’, que atribui ao STJ o julgamento de “habeas corpus”, quando o coator “for tribunal” sujeito à sua jurisdição. E a decisão tinha sido de um desembargador e não de um Tribunal.

Ela não tinha a Súmula 691 do STF, que recusa HC contra decisão liminar de relator. Também não dispunha das decisões do próprio Superior Tribunal de Justiça, no qual angariou o cargo de ministra pela mão do Lula. Essas decisões, todo o mundo jurídico sabe, consolidaram a tese de que somente em casos de ilegalidade flagrante e de teratologia jurídica, se permite “habeas corpus”, independentemente da competência.

Por fim ela não tinha à mão o Código de Processo Penal, em cujo art.318 se lê:  “poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for ...mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos”. “Poderá o juiz”. Isso significa que a prisão domiciliar é medida facultativa e não obrigatória. Ou seja, se o juiz negar essa regalia, ele não comete ilegalidade alguma. E se no ato dele não há ilegalidade, o tema é para recurso e não para “habeas corpus”. Principalmente em medida liminar – apelido processual que se empresta à decisão nas coxas.

Pelo visto, o deslumbre sob o céu de Paris também provoca esquecimento de princípios gerais do Direito. O servidor público federal, lotado no país, tem como limite de suas funções o território nacional. Se não estiver em férias, necessita de licença para se ausentar do país, já que, fora do território nacional não poderá exercer suas funções. A imoralidade do afastamento “sem prejuízo dos vencimentos” não suprime a necessidade de licença.

Ora, se o Presidente do Brasil, para se ausentar, necessita de licença e será substituído em suas funções, em nome de que direito um juiz continua juiz, no outro lado do Atlântico? Das duas, uma: ou a ministra estava em licença e, portanto, sem jurisdição, ou a tal de “missão de cooperação internacional”, sem licença, fica despida da moralidade exigida no art. 37 da Constituição. E o ato administrativo que não é moral, imoral é.

Enfim, sob o céu de Paris, onde a felicidade se constrói, onde tudo se arranja (sous le ciel de Paris, où le bonheur se construit, où tout peut s’arranger), Sua Excelência não precisou se debater nas trevas da incerteza para beneficiar uma mulher rica. Muito longe de seus olhos estavam as mulheres pobres do Brasil, que amamentam os filhos através das portas gradeadas do cárcere.


Ou lhe passaram lições de Direito distorcidas, dessas que permitem maus pensamentos, tipo ricos têm direitos e privilégios de nascença ou, diante da Constituição Federal, os estragos da vida não são iguais para pobres e ricos, porque a lei caminha só para um lado.

quinta-feira, 30 de março de 2017

TIGRE DE BENGALA
Carlos Maurício Mantiqueira*

Dona Onça está embevecida por um tigre de bengala.

Dotado de força e coragem invulgares, quando campeava na mais importante selva do mundo, mostrou seu desassombro a um monarca europeu quis visitar incógnito um jazida riquíssima, fruto de internacional cobiça. Em poucas horas, alguns de seus rebentos se apresentaram ao surpreso potentado, prestando-lhe homenagem e colocando-se à disposição.

Em linguagem felina, significa:” Isto aqui tem dono e sabemos quem você é !”

Parece que o epigrafado, também andou dando um corretivo em hienas que faziam estrepolias mais ao norte.

Alçado ao Grão Felinato por descuido de uma incompetanta, passou a seguir o exemplo do Cunctator.

Admirado por seus pares, goza de minha confiança.

Já estou numa idade em que raramente sou iludido por alguém (com exceção de algumas deusas provocantes).

Sabedor da arte da dissimulação conhecida pelo acima referido, não me espanta algumas de suas declarações, tidas por inoportunas pelos leigos.

Neste maravilhoso país nada funciona fora da felinidade.

Lembrem-se dos três macaquinhos. Um não ouve, outro não vê e o terceiro não fala.

O nosso herói faz ouvidos moucos para o clamor das ruas, finge que não vê a podridão (talvez seja tigre de bengala branca !) mas fala. Não pode calar para levar no bico um bando de micos.

*Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador

Fonte: Alerta Total




quarta-feira, 29 de março de 2017

PENSAMENTOS DO RUI ALBERTO*

Só para físicos quânticos e futuros sacerdotes com tendências cósmicas, tentando descobrir o caminho pra Deus, do mais super ficcional para o mais pro fundo...
Meu paradoxo do tempo, traduzido do Caos em que Einstein dançou a valsa dos dados e os dados rolaram dando risadas inebriantes como Champagne de bolinhas de Coca-Cola açucaradas e diabéticas com sotaque francês .
Se eu voltasse no tempo e matasse meu avô, todo mundo pensaria que eu não seria gerado.... Mas enganar-se-iam!!!!
Pura ilusão de semântica quântica...
Pela teoria da Física Quântica, seria impossível chegar no microssegundo exato em que o espermatozóide de meu pai fecundou o óvulo de minha mamãe, único momento em que se poderia matar meu avô impedindo o meu nascimento (as duas coisas estão ligadas tal como o espaço-tempo: Não se pode voltar ao passado para matar "meu" avô ou meu pai, e basta substituir o gato de Shrodinger pelo meu avô (ou pai) para se entender esta ligação como se fosse um entrelaçamento quântico. Não se pode alterar o que já foi ligado um dia, nem na Terra nem no Céu !!!!)
Ou seja... Eu não poderia matar meu avô nem meu pai, mas por uma fração de segundo, um outro "eu", igualzinho a mim, nasceria mas com olhos azuis - ou cabelo encarapinhado - e minha vida seria diferente só por causa disso...


O tal do poder e o que se faz com ele através da história... Já o tiveram os soldados cruzados, já o tiveram os nobres, já o tiveram os religiosos, já o tiveram os presidentes, agora pertence aos bandidos..Só não dói muito porque a população está dopada com tanta droga no mercado.

*Leia mais em "bar do chopp Grátis"...


terça-feira, 28 de março de 2017

                                  TERCEIRIZAÇÃO

João Eichbaum

No rosto sereno, cor de pêssego, os olhos são de uma luminescência sedutora. As curvas dos quadris, naquele corpo delgado, lembram um rio que se esgueira pelo leito macio da várzea: sinuoso, com seu desenho de águas luminosas, ele busca o melhor caminho que o leve para o mar.

A silhueta se pronunciava contra o escuro do balcão do cartório, onde ela se encostara. O volume das nádegas e o contorno nítido das coxas, bem fornidas, não permitiam que se extraviasse em contemplações de natureza espiritual o olhar dos mais bem intencionados varões. A calça jeans, colada ao corpo, escondia apenas aquilo que só os cegos não podem ver.

Ao abrir a porta do cartório, o juiz sentiu a fragrância de gardênia. Mas, nem precisou se perguntar donde provinha: foi contemplado pelo privilégio de ver, pelas costas, aquele plágio de Vênus. Na passagem, o meritíssimo ainda pôde ouvir o escrivão, que atendia a moça, dizendo: “não, não dá, tem que esperar a decisão do titular da vara”.

Antes de entrar no gabinete, o magistrado acenou para o escrivão, que teve de interromper a conversa com a jovem para atender ao sinal do chefe. “O que ela quer ?”– perguntou o juiz. “É candidata a estagiária, mas está apenas começando o primeiro semestre do Direito” – respondeu, entre dentes, o escrivão. “Mande-a entrar no meu gabinete” – foi a resposta do juiz.

Na entrevista com o magistrado, a única coisa que ela apresentou foi aquele certificado de beleza, realçado pelo brilho dos fios de ouro, que se lhe entremeavam no cabelo castanho. No mais, ela respondeu ao que podia sobre sua vida, falou de expectativas e anelos. Só não contou para “sua excelência” que era mãe de um bebê de dois anos de idade, fruto de uma união desfeita: precisava manter a aparência de mulher livre.

Assim foi admitida, incontinenti, como “estagiária de gabinete”. E no gabinete fez carreira, copiando e colando jurisprudência e autores jurídicos de que nunca ouvira falar, para montar despachos e sentenças. De sua lavra não conseguia escrever uma frase sequer, sem agredir o vernáculo. Suas montagens pariram horrores jurídicos, que passaram incólumes por mais de uma instância.

O estágio, que era doce, acabou-se. Ela se formou em Direito. Desaprovada, porém, no exame da OAB, entrou para a estatística dos bacharéis que não sabem o que fazer com o diploma. Mas agora vai ter outra chance. Na semana passada, enquanto o povo, indignado, atribuía aos deputados federais todos os vícios e loucuras da humanidade, por haverem aprovado a terceirização irrestrita, a moça soube da “seleção para Voluntário no Projeto Sentença Zero do Foro Central”. No comunicado, assinado por um “Auxiliar de Juiz”, consta que o requisito preferencial é “a experiência anterior como Assessor ou Estagiário de Gabinete”.

Além de auxílio-moradia, assessores, auxiliares e estagiários de gabinete, agora figura também, na cadeia de instrumentos da prestação jurisdicional, a mão de obra barata de terceiros. E a bela bacharel está eufórica, agradecida a Deus por sua beleza, porque tem consciência de que possui todos os requisitos para esse tipo de terceirização. Principalmente, porque a fotografia do candidato é uma das exigências.



segunda-feira, 27 de março de 2017

PLANETACHO
EU DIRIA QUE...

ESPETO CORRIDO
Para demonstrar a qualidade do produto nacional, Temer foi almoçar em uma churrascaria em Brasília. O detalhe é que o local só trabalhava com carnes importadas.
ALMA DO NEGÓCIO
Pelo que se vê, se existe algo que realmente funciona aqui no Brasil é a propaganda eleitoral. As empreiteiras compraram quase todo o estoque de políticos do País...

IMBATÍVEL
Agora que o Boa Esporte contratou o goleiro Bruno, quero ver alguém ganhar deles no mata-mata.

DESFALQUE
 Maluf fora da lista da Lava Jato é o mesmo que escalar o Real Madrid sem o Cristiano Ronaldo.

ALMOÇO
A coisa anda mais ou menos assim: servem um bife de papelão e você acaba traçando...
TONI CAPILAR
E pensar que a propaganda de carne que o Tony  Ramos fazia não passava de mentira ...cabeluda.
ENTÃO...
No Brasil terceirizam até mesmo a carne de primeira...

HAI KAI
Minhoca tem pé. Fica sempre do lado que tem chulé.


sexta-feira, 24 de março de 2017

A SUPREMA FARSA

João Eichbaum
Graças à dança das cadeiras promovida pela morte, foi vestido com a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal, cercado de pompa, glória, e demais circunstâncias que alimentam a vaidade humana, um doutor acusado de plágio. Alexandre de Moraes ficou muito mais conhecido nas redes sociais como plagiário do que como jurista respeitável, ou como senhor da sabedoria que aquele cargo exigia...antigamente.
Apesar do estigma, o novo ministro foi recebido com confetes de elogios. “Que seja um tempo muito bom e muito virtuoso para vossa excelência e para todo o tribunal, com a ajuda que, com certeza, será muito grande de sua parte” – disse, com sua voz de gato ronronando, a Carmen Lúcia. “Tempo bom e virtuoso”...Então, tá.
E Dias Toffoli, estufando peito: “o ministro Alexandre de Moraes é extremamente preparado, competente, tem experiência no Poder Executivo, na academia e, sem dúvida nenhuma, trará aqui contribuições e votos brilhantes para auxiliar nos julgamentos de causas tão relevantes”.
É normal esse farfalho de seda rasgada. Mas isso só acontece com quem veste uma toga que lhe confere a profunda felicidade do poder. Tudo combina com um tribunal em cuja escala de valores a ostentação está muitos pontos acima da “justiça”. Sem o preparo, sem o treinamento específico para julgar, o que fará o político Alexandre de Moraes com os sete mil processos encalhados, que o Teori Zawaski deixou como herança?
Apesar de todas as tramoias criadas na jurisprudência, nas súmulas e nas leis, tentando brecar a avalanche de processos dirigidos ao Supremo, o acúmulo é invencível. São apenas onze ministros, para manter a ostentação de juízo final. A ampliação do número de cargos os vulgarizaria, comprometendo sua linhagem divina. Então, fica como está. Quem precisar de justiça, confie nos dados marcados pelo destino.
Dentre esses onze ministros, todos atrelados a adjetivos que vão de “preclaro” a “eminente”, há sempre alguém de licença, com dor de barriga ou na coluna, viajando, dando aulas, pronunciando conferências, gastando o tempo em discursos ilusórios ou conversas com a imprensa. Sem contar as modorrentas tardes em que, com voz pastosa, ficam lendo prolixos votos, pra boi dormir e sonhar com imensas roças de milho.
Atrás dessa moldura, o STF se reduz a um palco para apresentação de pantomimas jurídicas, com roteiros escritos por assessores. Os efeitos sonoros e a coreografia serão imponentes, quando se tratar de matéria apimentada pelo sensacionalismo comercial da imprensa. No mais, no dia a dia, o tribunal que, teoricamente, devia se dedicar a relevantes questões constitucionais, acaba decidindo, em brigas de casal, quem é que fica com o gato.
Em suma, mantendo, à custa dos contribuintes, a luxuosa e dispendiosa estrutura para manter onze ministros com a missão impossível de fazer justiça, a última instância, no Brasil, não passa de uma farsa.