quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O CONTO DO VIGÁRIO


João Eichbaum


Vocês se lembram do “conto do vigário”?
Assim, ó, pra quem não se lembra ou nunca ouvir falar disso: um malandro olhava e examinava quem podia ser a vítima. Os caras de bobo, naturalmente.
Pois, a partir da cara da vítima, o malandro a abordava, meio que chorando, dizendo que não era da cidade, que não conhecia nada e que tinha sido premiado na loteria e não sabia como, nem onde pegar o dinheiro. A vítima com cara de bobo já crescia o olho.
Aí o malandro continuava. E, pela reação da vítima, partia para o próximo passo. Oferecia o bilhete premiado por merrecas e se daria por satisfeito com o que a vítima lhe pagasse. Por exemplo, dizia que o prêmio era de dez mil, mas ele vendia o bilhete premiado por mil. Claro que o bobo com cara de bobo topava.
E aí se dava mal, claro, quando ia na Caixa para receber o dinheiro: o bilhete era branco.
Pois agora se reavivou o caso do vigário. Com vigário mesmo, o vigário de Áurea. O vigário, padre Domina, polonês, disse pra comunidade que a igreja precisava de reformas e partiu para o conto do vigário. Pegou dinheiro de todo o jeito, com quermesses, rifas, doações, missas, batizados, casamentos e por aí afora, a velha maneira de pedir em nome do deus judaico cristão.
Só que em vez de reformar a igreja, o padre foi mesmo gozar a vida. Viajou pelo exterior, foi à copa da África, assistiu Fórmula Um e por aí adiante. Ah, e rodou muito, com o carro “da comunidade”.
Só que a igreja continuava na mesma e o “conselho paroquial” foi ver as contas: tudo zerado, isto é, sem dinheiro e com muita dívida. Só de gasolina a dívida era de treze mil.
O padre foi afastado, se mandou para a Polônia.
Agora foi denunciado na justiça. Ele e o Bispo Zanandrea. O bispo foi denunciado por mentiroso. Mentiu pro delegado que tava tudo em ordem, que as contas do padre estavam perfeitas, que o padre não devia nada.
Moral da história: agora, sim, temos o verdadeiro “conto do vigário”, com os mesmos personagens, o espertalhão e o bobo, mas em nova versão: entra batina no meio.
E tem mais, menos amigos, agora também se confirma que não adianta se queixar pro bispo.

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