João Eichbaum
Bento Gonçalves, uma cidade que fica na região vinífera do Rio Grande do
Sul, nunca foi conhecida como um foco de cultura. O pessoal de lá sabe fazer
vinho. E tanto o sabem fazer que até vinho de uva eles fazem. E promovem a
famosa bebedeira de vinho, chamada
também de “Festa do Vinho”, com vinho e bêbados espalhados por toda a
cidade.
De resto, é uma região industrial exuberante, gente que faz negócios e
lucra de qualquer jeito, sendo o dinheiro sua matéria prima. Até no futebol a
cidade tem investido, mas sem muito sucesso. Já fizeram um enorme estádio,
gastaram um monte de dinheiro, mas o Esportivo, clube local, não vai adiante e
se mantém a muito custo na primeira divisão.
Pois Bento Gonçalves tem também a sua “Feira do Livro”. Não sei para quê.
Não sei se existe em Bento Gonçalves
alguma pessoa que já tenha lido um livro inteiro.
Mas, como todas as cidades têm a sua “Feira do Livro”, Bento Gonçalves
não quer ficar para trás, só com os seus vinhos. Quer mostrar para o mundo que
lá também pode haver alguém que leia.
Pois agora, para a sua “Feira do Livro”, Bento Gonçalves vai pagar um
indivíduo de que se intitula Gabriel “o pensador” para ser patrono. Bom, pelo
que sei o cara esse é cantor, ou, como “pensador”, pensa que é cantor. Um cara
que faz “shows”. Esse será a patrono da “Feira do Livro” de Bento Gonçalves, a
um precinho camarada que beira os duzentos mil reais.
Fiquei sabendo dessa história ontem, quando li a crônica do Janer, porque
até então nunca havia me interessado por qualquer notícia que tivesse como
matéria o tal de “pensador”.
Então, eu tenho razão. Em Bento Gonçalves não há leitores. Se os
houvesse, a prefeitura convidaria um escritor para patrono. Como convidaram um
cara que só faz “shows”, não me resta supor senão que não há leitores lá. Só
quem não lê é que tem o direito de ignorar a existência de vários e excelentes
escritores no Rio Grande do Sul.
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