quarta-feira, 18 de abril de 2018


O MAU ESPETÁCULO DA JUSTIÇA
João Eichbaum
O nosso Supremo Tribunal Federal não tem a cara e a compostura que o imaginário popular faz da Justiça. A Justiça para o povo é coisa séria, é uma entidade mais abstrata do que real, porque supostamente transcende as fraquezas humanas. Na imaginação do povo, o único instrumento utilizado pela Justiça devia ser a sabedoria.
Mas, no Supremo Tribunal Federal, o que menos se contempla, o que menos se projeta como motivo de admiração é a sabedoria. Sem autocensura, aquele tribunal resolveu, em nome da “transparência” mostrar o que imaginava ser. Mas, mostrou outra coisa: o que e como não deve ser a Justiça.
A Justiça deve ser impessoal e igual para todos. O STF brasileiro não é assim. Ele só julga algumas pessoas, os famosos, os políticos, os que mais aparecem na televisão e na imprensa, os que têm dinheiro para chegar até lá. Quem é que já assistiu a algum julgamento de pobre ou de coisas que sejam do interesse dos pobres?
Ao invés de mostrar para o povo uma imagem que corresponda à ideia de Justiça, a Suprema Corte brasileira apresenta uma pantomima horrorosa, que arranca bocejos, preguiça, muitas imprecações, e provoca até engulhos. Ninguém  aguenta  lengalengas em tom monocórdico, que entorpecem até a alma. Ninguém suporta empáfia, ares de superioridade, muxoxos desdenhosos.
E o linguajar, o linguajar empolado, enroscado em adjetivos e advérbios desnecessários na linguagem jurídica, com substantivos catados no baú? Ah, sim, e a prolixidade, os rodeios, os circunlóquios, as metáforas sem graça e sem sentido, o discurso dispersivo, sem foco direto, sem lógica e racionalidade que conduzam ao objetivo perseguido, quem é que suporta?
Está mais do que na hora de mudar tudo isso. O povo não suporta deboches como o do encerramento dos trabalhos, porque um ministro exibiu ao vivo e a cores um ticket de viagem para o Rio de Janeiro. Quem trabalha 40 ou mais horas semanais merece respeito: além de pagar o salário do ministro, tem o desprazer de vê-lo deixar de cumprir o seu dever, que é compor o tribunal, para viajar a Lisboa. E não terá descontado um mísero vintém de seu gordo salário.
O que se pode esperar duma instituição que, órfã do senso crítico, ao invés de mostrar sabedoria, equilíbrio, presteza no exercício jurisdicional, perde seu tempo com frivolidades e ostentações, deixando para depois das “férias pascoais” o que devia ter feito ontem?


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