quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LONDRES ESTÁ EM CHAMAS?

Janer Cristaldo

Já está. No dia 25 de agosto de 1944, mais ou menos às 13 horas da tarde, Hitler estava furioso em Berlim. As forças aliadas estavam chegando ao centro de Paris, ocupada pelos alemães. Ao saber disso, o Führer grita que é inconcebível a entrada do inimigo na capital com tamanha facilidade. Havia dado ordens para que a cidade fosse destruída. Aos berros, pergunta a seu general Alfred Jodl: “Essas ordens foram executadas?” E vocifera: “Jodl, Paris está em chamas?” Não obteve resposta. As comunicações com Paris haviam sido cortadas. Os carros da 2a divisão blindada do general Leclerc e os soldados da 4a divisão de infantaria americana acabavam de libertar a capital. Paris, para a felicidade geral de todos que adoram Paris, continuava em pé.
O mesmo não se pode dizer de Londres, quase sete décadas depois. Leio no Time Magazine que nunca tantos incêndios devastaram Londres tão intensamente ao mesmo tempo desde a Segunda Guerra Mundial. Tudo começou com um tumulto no bairro multirracial (atenção à palavrinha) de Tottenham, ao norte da cidade, no sábado passado. O estopim teria sido a morte de Mark Duggan, 29 anos, que tinha quatro filhos e trabalhava como motorista de um serviço alternativo de táxis. Segundo a polícia, ele foi morto após atirar num policial. Segundo a família de Duggan, esta versão é ridícula. Mas as investigações já provaram que Duggan estava armado.
Estivesse ou não armado, sua morte não pode ser pretexto para vandalismo, incêndios e saques. Que estão se espalhando pelos demais bairros de Londres, como Croydon, Peckham e Lewisham, no sul da cidade. Vários grupos de saqueadores agiam nas ruas de Hackney (leste), Clapham (sul), Camden (norte) e Ealing (oeste). Os distúrbios estão se espalhando por outras cidades, como Birmingham, Liverpool e Bristol. Segundo as companhias de seguro, os prejuízos apenas nas três primeiras noites de distúrbios já atingem os cem milhões de libras. Em um comunicado divulgado hoje pela manhã, o Serviço de Polícia Metropolitana de Londres descreveu a violência da noite de ontem como a pior da qual se tem lembrança. Dezesseis mil policiais foram às ruas e fizeram mais de 200 detenções durante a noite, elevando o total para quase 700 desde que o tumulto começou. Quarenta e quatro policiais sofreram ferimentos na segunda-feira à noite e um policial quebrou vários ossos após um carro ter avançado contra ele.
Li vários jornais da imprensa nossa e internacional, tentando informar-me sobre a bagunça. Em todos, a única informação que encontrei sobre os responsáveis é que eram jovens. Ora, isto é muito vago. Que tipo de jovens? A que países ou etnias pertencem? Não acredito que britânicos de souche saiam a incendiar suas cidades. Atenção à palavrinha multirracial – dizia – que define Tottenham.
Quer dizer que lá existem outras raças? Que raças, se é que se pode falar em raça nestes dias em que as esquerdas insistem em que raça não existe? Tento ver, nos jornais, fotos dos manifestantes. Quase não existem. Há fotos dos prédios incendiados, dos policiais, mas dos vândalos quase nenhuma. Nas raras fotos que encontrei, só vejo negros. Mas jornal algum fala que são os negros que estão incendiando Londres. O Nouvel Obs deixa escapar algo. Para Gus John, professor da Universidade de Londres, especialista em questões raciais no Reino Unido, qualificar os vândalos de simples desordeiros é estéril e não permite enfrentar as verdadeiras questões sociais. - Por que a maioria dos delinqüentes são jovens e negros? – pergunta-se o professor.
Ah, bon! Então são jovens e negros? Logo, imigrantes ou filhos de imigrantes. Mas jornal algum fala em imigrantes. Melhor bairro multirracial, que é politicamente correto. Dizer que imigrantes são responsáveis pelos saques e incêndios em Londres e demais cidades seria acusar africanos, árabes, hindus, paquistaneses. E isto nenhum jornalista europeu ousa afirmar.
As capitais européias estão cercadas por cinturões de ódio e ressentimento, alimentados por imigrantes e filhos de imigrantes. Em Paris, por exemplo, no 31 de dezembro de 2005, 425 carros foram queimados na periferia. Segundo o Le Monde, "apesar dos temores, a noite do réveillon ocorreu sem maiores incidentes". Quando o mais importante jornal francês considera que 425 carros queimados em uma noite não constitui maior incidente, está na hora de partir antes que a França vire um Iraque.
O vandalismo está virando rotina em Paris e tem data marcada, o réveillon. Os imigrantes daquela ilha vizinha à Europa parecem ter gostado da idéia. É evidente que tais incêndios, saques e depredações vão se repetir nos próximos anos. Não só na Inglaterra, como também na Suécia, Alemanha, Holanda e Itália, onde estes conflitos se acirram.
É só esperar para ver.

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