quinta-feira, 11 de junho de 2015

HÁ AINDA JUÍZES NESTE PAÍS?

João Eichbaum

 Certamente, hoje em dia, antes de declarar sua profissão, aqueles que têm vergonha na cara hão de pensar duas vezes. Refiro-me aos que fazem parte dessa elite que, de uma hora para outra, começou a se sobressair como alvo das mais azedas críticas da sociedade: os magistrados.

Tempos atrás, quando os magistrados, eles mesmos, lavravam suas sentenças e se esfalfavam, trabalhando para manter os serviços em dia ou, pelo menos, para não encompridar o sofrimento de quem esperava por justiça, por certo não precisavam esconder a sua profissão. Eram pessoas aplaudidas e respeitadas pela sociedade, porque julgavam com consciência e sabedoria.

Hoje é diferente: qualquer juiz tem seu staff, composto de auxiliar, secretário, estagiário, ou coisa que o valha. Ele próprio se ocupa da tarefa de compor a equipe, sobre a qual reinará como um soberano. Resultado: sobra pouco trabalho para o juiz, porque ninguém é bobo de pensar que o juiz trabalha, enquanto sua secretária boazuda fica fazendo as unhas e a estagiária, mexendo no facebook.

Com o tempo que lhe sobra, o juiz abre e fecha a mandíbula em aulas, conferências, e seminários, escreve livros, faz mestrado, doutorado, se envolve com o mundo acadêmico. Sem contar aqueles que só fazem política em cargos de administração de suas associações. E essas não são uma nem duas. Há as dos juízes estaduais, dos federais, dos juízes trabalhistas, além de associações nacionais e internacionais.

Com esse perfil, os juízes começam a atrair mais do que a antipatia, a ira da sociedade que lhes paga os salários porque, ajuntando penduricalhos como auxílio-moradia, auxílio-alimentação e outros que tais, debocham da pobreza, mostrando que não estão nem aí para o povo e seus problemas: além de uma demora muito próxima da eternidade, as sentenças e despachos revelam antes a qualificação de um estagiário do que a formação de um magistrado.

Logo a justiça, em cuja porta vai o povo bater, despejando seus problemas, suas misérias morais e materiais, logo ela, a justiça, mostra uma insensibilidade que não a pode tornar alvo senão de desconfiança e de ira. Se o juiz não enxerga além do seu próprio nariz, se, em vez de palpar a realidade que o cerca, ele se preocupa só em apalpar a própria barriga, não merece o poder que tem, porque não sabe julgar.



PS Quem está tentando salvar a moral da pensão é o juiz Sérgio Moro.

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