terça-feira, 16 de fevereiro de 2016


UMA VESTAL NO PUTEIRO

João Eichbaum

Foto da semana passada mostrava aqueles animais humanos deitados de barriga para baixo, impotentes, com as mãos algemadas às costas. Um deles tinha as calças arriadas, mostrando as cuecas. Humilhação para ninguém botar defeito. Deve ter se indignado a virgem do Rosário, ops, a Maria do Rosário, que faz o papel de Nossa Senhora dos Bandidos.

Ao lado deles, um arsenal de armas de alto calibre e caixas cheias de “miguelitos”. De campana, a polícia civil os havia surpreendido às seis da matina, cercando a casa de dois pisos que eles haviam alugado, numa zona rural. Houve troca de tiros, naturalmente, e um dos bandidos foi mandado fazer companhia ao “bom” ladrão, no outro mundo.

Entrevistado, o delegado de polícia responsável pela operação, foi venenoso: “prendemos eles hoje, mas não sabemos por quanto tempo ficarão presos...”.

A mensagem foi captada, via Chico Xavier, pelos juízes, cuja associação, para proteger a integridade de seu hímen, mandou um recado ao Executivo, atribuindo-lhe o desmantelamento, o despreparo e a deficiência da polícia.

Em outras palavras, os juízes dizem que “não dão pra qualquer um”. Manietados pela lei, são impedidos de homologar flagrantes e deferir prisões preventivas em inquéritos mal instruídos. Sem falar no arrepio que lhes causa prender bandidos em presídio sem ar condicionado e piscina aquecida.

O Legislativo faz leis que protegem bandidos, o Executivo, além de desaparelhar a polícia, tira o conforto dos presídios, e o Judiciário só cumpre a lei (e as decisões ilegais do Luiz Fux, tipo auxílio-moradia e alimentação). Então, ó, o povo que se lixe e aguente o cheiro de merda humana que exalam os ventiladores.


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