segunda-feira, 8 de agosto de 2016

UM POVO HEROICO E SEUS BERROS RETUMBANTES

João Eichbaum

Manifestações no Facebook fazem coro à imprensa estrangeira, elogiando o espetáculo de abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Há quem infle o peito de orgulho para dizer que o povo brasileiro sabe se superar, mesmo quando o abate a decepção com o sistema político e o peso da crise econômica. Como se a sorte da pátria dependesse do povo e não dos canalhas que a fazem refém de suas ganâncias.

Ninguém se dá conta de que não foi o “povo brasileiro” que projetou, montou, organizou e realizou o espetáculo. Quem o fez foram técnicos no assunto, pessoas que se profissionalizaram, mediante o pagamento de somas consideráveis, com as quais o “povo brasileiro” só sonha, quando aposta na sena.

Então, não venham com essa de que o Brasil deu a volta por cima e mostrou para o mundo que, mesmo debaixo do mau tempo, consegue se superar. Tendo dinheiro, qualquer mago que sabe encantar plateias desenvolve a tarefa para a qual é qualificado.

Ainda que tenham tido a grana encurtada por roubalheiras e mal feitos políticos, os magos deram conta do recado. E a razão é uma só: o deles estava garantido e tinham que mostrar serviço, para não comprometer o bom nome conquistado nessa área. Então fizeram o que sabem fazer com jogos de luzes e sons, ilusões de ótica e fogos de artifício fabricados por anônimos operários. E, para provar que ninguém se livra de merda na cabeça, ainda arrumaram uma vaga para a Anitta e trouxeram a tia Gisele dos Estados Unidos.

O povo, o povo mesmo, esse figurante indispensável em qualquer espetáculo, fez a sua parte: berrou, vaiando o Temer, berrou, trancado no trânsito, berrou de fome no parque olímpico, sofreu e praticou (ladrão também é povo) arrastões e afanou coisas de turistas e atletas estrangeiros.


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