terça-feira, 5 de abril de 2016

“QUEM ESSE MENINO PENSA QUE É?”

João Eichbaum

A frase é da Dilma Rousseff, num dos surtos provocados pelo delírio do impeachment: “quem esse menino pensa que é? Ele ainda vai pagar pelo que está fazendo”.
O “menino”, a que ela se referia é juiz Sérgio Moro, esse magistrado firme e terso, sob cuja jurisdição está se desenvolvendo a mais espetacular operação contra a corrupção, esse veneno moral que infesta, pelo direito e pelo avesso, a política deste país, desde que aqui aportou Pedro Álvares Cabral.
Apanhada com aquela boca de grumatã no celular, quando estava combinando uma forma de entregar o processo do Lula para seus apadrinhados do Supremo Tribunal Federal, a Dilma espumava de raiva, ao saber da divulgação do telefonema para todo o Brasil.
Aí aconteceu o seguinte: os ouvidos do viúvo Zavaski serviram de eco para as ameaças da Dilma. Imediatamente ele passou uma descompostura pública indireta em Sérgio Moro, dizendo que o juiz deve resolver conflitos e não lhes dar causa.
Em menos de 48 horas, uma decisão daquele senhor atropelava o Código de Processo Civil, para cobrar de Sérgio Moro a dívida que tinha como avalista o aplauso de todos os cidadãos honestos deste país. E, num recorde de velocidade, reuniu-se o Pleno, sem a presença de Gilmar Mendes, referendando o rito, construído por Zavaski, para uma “reclamação”  que, das mãos de um bom jurista, só sairia para o lixo.
Acima do Código de Processo Civil foi colocado o Código de Hamurabi. A Lei de Talião serviu de instrumento para que a razão, a dignidade e o Direito cedessem às veleidades do Poder: quem com ferro fere, com ferro será ferido. Afinal, quem esse menino pensa que é, para figurar como prodígio em ranking de celebridades, enquanto eles, os ministros, tiveram apenas o apadrinhamento, como certificado, para vestir a toga no STF?



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