quarta-feira, 10 de outubro de 2012


A COMÉDIA DO MENSALÃO: 33º ATO


João Eichbaum

Há dois ministros do Supremo Tribunal Federal que não conseguem esconder o seu malestar: Lewandowski e Dias Toffoli. Parece que a opinião pública e a imprensa estão passando por cima deles como um rolo compressor.
O Lewandowsi protagonizou o inusitado: pedindo desculpas, ocupou a tribuna para mostrar a conclusão de uma perícia, que, no seu entender, estaria comprovando a inocência de José Genoino. Até atribuiu ao tamanho do processo a ausência de alusão a esse documento, durante o seu voto.
O Dias Toffoli, se limitou a ler, com uma dicção prejudicada pela pressa, alguns depoimentos que, na sua opinião, comprovariam o envolvimento de todos os réus do chamado “núcleo político”, menos o Zé Dirceu.
Com relação a esse, deixou de ler o voto e fez uma verdadeira sustentação oral. Disse que não havia provas, quer materiais, quer circunstanciais da prática de crime de corrupção ativa imputado a José Dirceu. Mas, foi mais longe: viu, no desenrolar dos fatos, outros crimes que lhe poderiam ser debitados, como corrupção passiva, tráfico de influência e advocacia administrativa.
Seu raciocínio não deixou de ser lógico. Afinal, em se comprovando nos autos que José Dirceu se limitou a captar benefícios do Banco Central em favor do Banco Rural e a estimular gestões do Marcos Valério junto à Portugal Telecom e ao Banco Espírito Santo,  porque estava de olho em vantagens financeiras para o PT, a corrupção ativa, que lhe é atribuída, perde a cor e o jeito, não passa de mera e gratuita ilação. Mas no lugar dela se desenham outros crimes, pelos quais não foi denunciado.
Só que Dias Toffoli cometeu um erro primário. Ao absolver o Zé Dirceu, mostrou para todo mundo que não conhece os artigos 383 e 384 do Código de Processo Penal.
A Carmen Lúcia não se dignou mencionar sequer uma folha dos autos. Com aquele olhar opaco e jeito de múmia falante, deu uns safanões morais no advogado que admitiu a existência de “Caixa 2” e, para condenar o Zé Dirceu, fez um discursinho teórico, tipo nada a ver.
O Mendes, dessa vez, foi didático, juntando as peças do processo para fazer com elas a tábua da condenação.
Marco Aurélio Melo é um ator. Ator e carioca, bom de papo e malandro. Sabe enrolar, e enrola com graça. Seu vocabulário, tratado com uma elegância coloquial, bota o blablabá dos teóricos no bolso e tira da pasmaceira o STF. Sem cansar a plateia, condenou até a Geisa Dias.
Resumindo, gente: deu pro Zé Dirceu.



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