segunda-feira, 11 de março de 2013


QUE INFLUÊNCIA TEM O PAPA NA SUA VIDA?


João Eichbaum

Começo, escrevendo para você, que é um profissional, que tem seu escritório, sua empresa, seus subordinados, ou que, simplesmente, tem que prestar contas para seu patrão.
Seus negócios até têm a ver alguma coisa com a Igreja. Você é marcineiro, por exemplo. De vez em quando é chamado para consertar alguma coisa na igreja matriz: o pé de um santo, a balaustrada, o nicho que está sendo comido pelos cupins.
Ou, eletricista.  Deu um “curto” na catedral, e lá está você, de alicate em punho, fuçando nos fios.
Ou você tem vacas, que produzem leite, você vive disso, o papa não sabe que você existe, o bispo não toma leite, e aí, o que é que você tem a ver com a Igreja?  Você só vende o leite, e deu.
Você não tem nada o que fazer na vida. É aposentado, tem o seu dinheiro garantido no fim do mês, mas gasta muito em remédios, e assim vai vivendo. Quer dizer, você vai levando a vida, sem que a Igreja venha perguntar se você está precisando de alguma coisa.
Você é funcionário público, também tem  seu dinheirinho seguro  no fim do mês. Mesmo assim faz greve e não adianta de nada: o governo mata você no cansaço. E você nunca se lembrou de se queixar pro bispo. Quem sabe, nesse caso, ele levaria seu problema ao papa?
Você peca por pensamentos, palavras e obras e, depois disso, arrependido, como medo do inferno, até mais por medo do inferno do que arrependido, você corre até o confessionário mais próximo e bota para fora seus pecados, aquelas coisas gostosas, mas proibidas. Só que o padre que ouve seus pecados é exatamente um daqueles que gostam de ouvir essas coisas, é um padre pedófilo. Mas ele absolve você, lhe entrega as chaves do céu. E daí eu lhe pergunto: o que é que o papa fez por você?
Enfim, se você come o pão com o suor de seu rosto, e não vive dos negócios da Igreja, se não é padre, nem bispo, nem cardeal, nem monsenhor, nem diácono e muito menos sacristão, me responda, sinceramente, a eleição do papa vai mudar alguma coisa na sua vida? Você sentiu alguma diferença nesses dias em que ficamos sem papa, com a saída do Ratzinger?
Ou você vai ficar sentado na frente da televisão, amanhã, de olho na chaminé da capela Sistina, de rosário na mão, esperando pela manifestação do Espírito Santo, só para aumentar o “ibope” da Globo?

Nenhum comentário: